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O Rasputin do Planalto

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maio 7, 2019
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O Rasputin do Planalto

Por:Fausto Freire

Alguns comentaristas políticos afirmaram, recentemente, que o governo avança em duas direções, senão opostas, pelo menos divergentes. Por um lado, a intelligentsia da equipe se orienta pela bússola liberal: redução da máquina pública, busca de eficiência administrativa, responsabilidade orçamentária, autonomia para o Banco Central, menor ingerência do Estado na economia e nas empresas públicas, privatizações, entre outras. Este é o perfil do governo que a pequena parcela da população que paga impostos, ou seja, que carrega o elefante nas costas, espera que seja implementada.

Caminhando na contramão dessa via e de costas para o contingente de eleitores que elegeu esse governo, está a orientação autoritária, intervencionista, ideológica, fundamentalista, ortodoxa, saudosista, vociferante, raivosa e espumante. O arauto dessa trupe é um personagem fosco, medíocre, arrogante que o bom humor brasileiro apelidou de ‘o Rasputin do Planalto’. O tal Olavo Rasputin do Carvalho é um homem bajulado pelos puxa-sacos de plantão, mas não passa de um aventureiro de pouca monta, mas que consegue influenciar mentes ingênuas e/ou intelectualmente prejudicadas.

Para infelicidade dos espíritos mais esclarecidos, uma parcela do entourage do Presidente foi tomado de fascínio por esse charlatão de meia tigela, cuja arte se limita a espalhar a cizânia e indicar ministros para o governo… Não é difícil entender por que os ministros emergidos do caldeirão desse Rasputin são os menos luzentes e apontados como os elementos dissonantes do stafe.

Felizmente, para contrabalançar esse peso morto, estão ministros da envergadura de Sérgio Moro, apontado como um dos most influential people in the world (um dos personagens mais influentes do mundo); Paulo Guedes, economista independente, de visão globalizante, defensor do livre comércio, do empreendedorismo, do trabalho proativo e da valorização da meritocracia; Marcos Pontes, identificado com a produção de conhecimento, com a inovação, com as tecnologias aplicadas, como as relacionadas ao espaço, a área nuclear, a cibersegurança, a inteligência artificial, com apoio ao desenvolvimento sustentável e introdução da ciência e tecnologia na produção agrícola.

Dilma Rousseff, no momento em que seu governo mostrava sinais evidentes de seus estertores, nomeou Joaquim Levy ministro da Fazenda, tentando dissimular o fracasso de sua política econômica. O mandato, do economista, ex-ministro do Planejamento de FHC, durou de 1 de janeiro a 18 de dezembro de 2015. De fato, era impossível a convivência de um economista de orientação liberal em um governo estatizante, autoritário e intervencionista.

Paulo Guedes vem da mesma escola de Joaquim Levy, que formou os economistas mais brilhantes do século XX e que ainda se mostra como referência do pensamento econômico atual. A pergunta que alguns se fazem é: até que ponto Guedes resistirá ao intervencionismo canhestro do Palácio do Planalto? Por ora, as questões candentes da área econômica giram no interior da abóbada da Câmara dos Deputados. O jogo segue o ritmo dialético do Parlamento. Mesmo assim, tanto o próprio Presidente, quanto muitos dos membros de seu partido, têm mostrado uma vocação incontida por dificultar o encaminhamento da Reforma da Previdência, que é a mãe de todas as Reformas.

É importante que se diga que a mudança nas regras previdenciárias não significam uma ganho real, ou um ganho do Real, literalmente. A aposentadoria brasileira é a expressão mais transparente de uma realidade de exclusão e assimetria social e afirmação de privilégios. O sistema é uma moeda injusta e desigual, que cresce descontroladamente, como um neoplasma maligno, condenando o Estado à estagnação e a economia ao colapso. No entanto, o que muito tem sido apregoado é que a reforma traria um ganho de algo em torno de um trilhão de reais, em dez anos. A bem da verdade, a reforma não trará um ganho, ou seja, uma nova riqueza. Ela representa contenção de uma perda crescente. É claro que o valor economizado pela reforma se converte num haver a ser empregado, pelo Estado, nas atividades que lhes são próprias, tais como educação, saúde, segurança, infraestrutura etc, mas não gera uma riqueza extra para o país.

Outras reformas, estas sim, serão portadoras de um novo valor para a economia, ou seja, são mudanças que nos colocam no mesmo patamar das nações que nos fazem concorrência, no plano do comércio internacional. Essas são a reforma Tributária, a reforma Trabalhista, a reforma Política, a reforma do Judiciário, não necessariamente, nessa ordem.

Qual a segurança que o atual governo nos dá de que esse caminho será trilhado? Os adeptos das ideias do passado estão focados em questões marginais. O nosso Rasputin tupiniquim fala de uma tresloucada revolução conservadora. Seria uma piada de mau gosto, não fosse um plágio do Konservative revolutionäre Bewegung, a Revolução Conservadora na Alemanha, de 1918 a 1932, que auspiciou o Nazismo. Parece que o país caiu no túnel do tempo e voltou ao final da década de 60, com a presença caricatural de Jânio Quadros. O Homem da Vassoura, como Jânio era conhecido, estava preocupado com o tamanho da minissaia das garotas, com as brigas de galos, com seu Whisky e outras tantas causas primordiais para o progresso do Brasil.

Hoje, vemos que alguns dos ministros do governo comandado pelo Rasputin, estão preocupados com a cor do vestuário dos meninos e das meninas, ou com as bandeiras antiglobalização, ou com o excesso de liberdade da imprensa e outras causas transcendentais para o pensamento sectário e fundamentalista.

O risco da prevalência dessas ideias transtornadas, que nem de longe fazem a unanimidade daqueles que, como eu, votaram em Bolsonaro, é o fortalecimento do setor retrógrado que foi banido pelo voto popular nas eleições de 2018. O velho PT é um cadáver putrefato, no entanto, a ideologia que o aleitou segue viva e sempre estará a gerar novos adeptos.

A função do Estado moderno é simplesmente a de promover a harmonia entre seus membros e o bem-estar, sempre que possível. Não cabe ao Estado definir gostos, orientações, opções, ideologias, costumes, religiões, convicções, ou qualquer outros tópicos ligados ao conhecimento, aos sentimentos, ou às escolhas individuais. Não se combate uma ideologia atrasada com outra ideologia atrasada. Parece que essa parte tem sido difícil de assimilar por algumas mentes atrofiadas.

Poderíamos estar desalentados com o quadro atual. No entanto, há um four of aces (4 Ases) nos bastidores que garantem que o comboio não vai descarrilhar. Refiro-me aos quatro generais que ocupam cargos importantes na configuração do governo Bolsonaro.

Há alguns meses, durante a campanha eleitoral, eu tive o privilégio de almoçar em uma mesa em companhia do general Augusto Heleno. Na ocasião, o general falava da campanha de Bolsonaro com convicção e propriedade. Naquela altura, Bolsonaro, rondava os 18%, enquanto Lula ostentava 24% e era dado como virtual vencedor. Os demais candidatos estavam bem atrás, mas todos venciam o capitão no segundo turno.

Eu questionei ao general sobre a capacidade administrativa do candidato, já que nunca havia ocupado um cargo executivo, como deputado se manteve no chamado “baixo clero” durante toda sua vida parlamentar e suas declarações públicas eram de causar lástima.

O general Heleno me respondeu com a convicção lacônica dos militares: – Mas é o que nós temos…

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