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Cerrado é a terra do “arraiá” multicultural

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jun 28, 2019
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Cerrado é a terra do “arraiá” multicultural

Por: Nayara Storquio

Independente da origem, Brasília apresenta circuito junino de peso e movimenta o planalto central

A quem diga que festa junina é coisa do interior. Que arraiá é evento de caipira, de povo da roça ou do nordeste. E Brasília, a capital construída por candangos que herdou os costumes e tradições do interior, mostra que o cerrado também é terra de São João.

O termo “junino” serve mesmo só de nome, já que as comemorações começam em maio e se estendem até o final de julho. A vasta agenda de quermesses se deve principalmente a diversidade de produções que incluem igrejas, escolas, clubes, associações, sindicatos, órgãos públicos, organizações independentes e versões adaptadas.

E não é pra menos já que as comemorações juninas brasileiras são a segunda maior festa popular do país, perdendo só para o carnaval. E se o objetivo do Carnaval é folia, o do Arraiá é dançar forró, quadrilha, comer bem e reunir amigos, familiares e “anarriê”.

Já em maio a cidade recebe grandes produções como o Maior São João do Cerrado que reúne milhares de pessoas em Ceilândia com atrações sertanejas e de forró. A Igrejinha da 208 Sul, e as festas das igrejas Nossa Senhora do Lago (Lago Norte) e São Judas Tadeu (908 sul) também dão o pontapé inicial nas festividades.

Quando chega junho, o inverno abaixa a temperatura e a atmosfera da cidade é tomada pelo estilo caipira. Bandeirinhas coloridas começam a enfeitar a capital e o cheiro de quentão e comidas típicas perfumam a época mais gostosa do ano.

O motivo pelos quais esses eventos são realizados varia. As festas religiosas visam arrecadar fundos para ações da comunidade paroquial e para o lazer dos fiéis. Muitas vezes o lucro é revertido para caridade ou para melhorias na própria igreja.

Segundo o frei Rafael Normando do Santuário São Francisco de Assis, a festa é sinônimo de carinho e fé. “A maior importância desta comemoração é proporcionar o lazer, e de modo especial, oferecer aquilo que ganhamos de Deus, que é o dom de amar o próximo”, disse o frei.

Já os eventos comerciais aproveitam a temporada para lucrar além aumentar as opções culturais da capital federal. Independentemente da finalidade do evento a produção entrega ao público uma festa temática como manda o figurino. No caso, o caipira.

Quitutes

É comum oferecer uma gama enorme de quitutes e atividades a preços populares. A variedade gastronômica das festas brasilienses merece destaque. Os arraiás de Brasília costumam oferecer iguarias regionais de cada canto do país.

O motivo é bem simples, Brasília não tem prato típico regional. Por isso toma a liberdade de oferecer os mais populares de outros estados. Pratos como Bobó de Camarão (BA), Galinhada (MG e GO), Arroz Carreteiro (Sul), Vaca Atolada (SP, MG e PB), Churrasco (RS), Pamonha (Indígena), e muitos outros podem ser encontrados nas barraquinhas tradicionais.

A capital vai ainda mais longe ao oferecer opções  juninas multiculturais, como a Festa Nipo. O evento conta com os mais diversos pratos típicos e lojinhas de artigos orientais e oferece programação asiática exclusiva. O Arraiá Árabe, da Igreja Ortodoxa São Jorge, é outro exemplo de quermesse diferenciada com gastronomia do oriente médio.

 

Opção de Lazer

Arraiá é um evento familiar, mas pode também ser um programa jovem. O Funn Festival, por exemplo, junta ambas as tribos no Parque da Cidade semanalmente com programação diversificada. A produção também dedicou um final de semana ao clima junino em 2019.

Para a criançada os arraiais são nas escolas, onde os pequenos são as principais atrações. É comum os alunos fazerem apresentações de dança encantando os pais e familiares. As instituições educacionais realizam os eventos juninos como forma de inserção cultural desde cedo.

 

Herança cultural

As influências nordestinas são muito fortes no DF e a tradição das festas juninas continua crescente. De acordo com Pedro Paulo de Oliveira, Subsecretário de Difusão e Diversidade Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF defendeu o movimento. “A cada ano aumenta o número de quadrilhas competindo e disseminando a cultura e movimentando a economia, gerando emprego e renda para os envolvidos no circuito”, defendeu.

O período junino brasiliense realmente é contagioso. Aquecendo a economia local o tema influencia tanto o setor varejista como o gastronômico. Bares e restaurantes entram no clima e criam menus especiais e os centros comerciais investem na decoração para atrair mais clientes.

Edson de Castro Presidente do Sindvarejista

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), nos primeiros 25 dias de junho, as vendas de produtos para o inverno subiram 2,5% no comércio do Distrito Federal, em comparação com 2018, quando a expansão foi de 2%.

E para quem pensa que a onda junina já passou se engana. O cerrado festas agendadas até final de julho de 2019. Foi pensando nisso que os brasilienses Paulo Mota e Thyaki Takuno criaram o aplicativo “Festas Juninas BSB”.

O app gratuito mostra os eventos que estão acontecendo e oferece opção de deslocamento em parceria feita com a 99 Táxi. É a tecnologia a favor do São João e dos amantes de uma boa festa caipira. O app já está disponível para Android e iOS.

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