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Ceasa-DF vivendo “novos dias, novos desafios”

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By61brasilia

dez 16, 2019
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Ceasa-DF vivendo “novos dias, novos desafios”

O tradicional ponto de venda de hortifruti no DF para mercados, restaurantes e para o consumidor comemora 47 anos e segue dê olho em novidades para atrair ainda mais frequentadores

As Centrais de Abastecimento do Distrito Federal, ou simplesmente, Ceasa-DF é um lugar que guarda inúmeras histórias, sendo um grande ponto de encontro da cidade. De um lado dessa narrativa estão aqueles que produzem os alimentos ou que apenas vendem, do outro lado, o cliente, que não é um simples consumidor, ele é um frequentador que mantém uma tradição digna de um passado, quase remoto.

Os frequentadores assíduos chamam pelo nome quem os atende, e quem vende, conhece, exatamente, as preferências de quem é consumidor regular. Em 2019, a Ceasa completou 47 anos, uma marca importante de um modelo de negócio que ainda sobrevive, mesmo com todas as mudanças no perfil de consumo.

Na Pedra, como é conhecido o local do mercado do produtor, o tempo é outro. Mesmo com os celulares na mão e a sacola na outra, as pessoas ainda optam pela conversa, pelo olho no olho. Os apertos de mão, abraços e os sorrisos estão presentes em cada passo que se dá pela feira. A confiança e a cordialidade existem naquele lugar, e estes sentimentos parecem uma raridade dentro de um mundo em que tudo é instantâneo.

Presidente da Ceasa-DF, Wilder da Silva Santos

Essa sensação é confirmada pelo atual presidente da Ceasa-DF, para Wilder da Silva Santos, “a Ceasa traz um sentimento de pertencimento, aqui é um ponto de encontro”. Uma opinião também compartilhada por quem faz parte dessa história desde 1992, “cada comerciante tem um elo com o seu cliente muito forte. Mesmo na simplicidade do produtor, ele quer pegar na mão do cliente, quer conversar ou tomar um café. A Ceasa tem como essência unir pessoas”, conta Leandro Girardi, diretor da Casa de Queijos e Doces.

Leandro Girardi, diretor da Casa de Queijos e Doces.

O atual presidente da Associação dos Produtores e varejistas da Ceasa-DF (Aprova-DF), Carlos Alberto Barros, conhecido como Carlão, reafirma que ali o clima é amigável entre clientes e comerciantes e isto contribui para a sensação de segurança do lugar. “Aqui é um puxadinho da nossa casa, não tem freguês, todos são amigos”, disse.

Para quem é a Ceasa?

Mesmo depois de tantos anos de história, a Ceasa ainda convive com alguns mitos. Tem gente que ainda acredita que a venda seria apenas para atacadistas, outros mercados, restaurantes e hotéis. Mas este público tem dias específicos, segundas e quintas-feiras.

O sábado é o dia do consumidor final, que encontra na Pedra os produtos frescos, muitas vezes, colhidos no dia anterior. O frequentador ainda pode conhecer e conversar com os próprios produtores. Para facilitar as compras, a direção da Ceasa ampliou o horário de funcionamento da feira, que começa às 4h30 e vai até 15h.

Outro mito é a necessidade de madrugar aos sábados para garantir uma boa compra. Não precisa ser assim, mas claro que chegar na primeira parte da manhã pode favorecer a escolha de frutas e vegetais.

Diretores da Frutaço,

As lendas são percebidas pelos permissionários, segundo Daniela Marin, diretora administrativa da Frutaço, “tem muita gente que não vem aqui porque não sabe o que é o Ceasa. Falta informação, muitos acreditam que precisam chegar  aqui três horas da manhã”.

Presidente da Associação dos Produtores e varejistas da Ceasa-DF (Aprova-DF), Carlos Alberto Barros

Carlão, presidente do Aprova-DF, pede ao governo mais investimento em publicidade para a Ceasa, “precisa de propaganda, pois muitos ainda acreditam que aqui só tem venda para no atacado”.

Leo Hamú)

Para quem já conhece, não importa a distância, as compras na Ceasa são uma tradição. Como é o caso da Nathália Martins Bastos Lima, bancária e moradora do Jardins Mangueral (localizado a mais de 30 km de distância da Ceasa). “Venho aqui com frequência só para comer o pão de carne com linguiça (vendido na banca de Leo Hamú). Eu adoro feira, adoro conhecer as pessoas, aqui tudo é fresco”, conta.

 

“Novos dias, novos desafios”

Wilder reforça o novo lema da Ceasa: “novos dias, novos desafios”. O local está de olho na inovação para não perder espaço para a concorrência que anda cada vez mais agressiva. O presidente entende a importância histórica, e ao mesmo tempo, percebe que o consumidor busca cada vez mais qualidade, sendo a segurança alimentar (rastreabilidade dos produtos vendidos) e a sustentabilidade ambiental preocupações da atual gestão.

“É uma gestão complexa ao pensar na segurança alimentar de produtos que tem origem em outros estados. Mas nós, Ceasas do Brasil estamos conversando e junto com as entidades de classe para que elas também busquem dentro de casa estado fazer esse trabalho desde o plantio, passando pela colheita, embalagem e transporte”, explica Wilder que reafirma a importância da tecnologia para garantir a qualidade nesse processo.

 

Qualidade na mesa

A alimentação saudável é um dos principais produtos da Ceasa, os feirantes e comerciantes do local têm essa responsabilidade de levar mais saúde para a mesa dos brasilienses.

Para que o consumidor sempre encontre produtos de qualidade, a Ceasa tem hoje parcerias com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-DF). Além de outras entidades, como Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-DF), e  “com as universidades, para que todos os nossos técnicos, e toda a equipe possam ter acesso às pesquisas feitas por estes setores, e assim, disponibilizar esse conhecimento para os nossos produtores e permissionários, para que produtos de melhor qualidade cheguem ao consumidor final”, conta o presidente da Ceasa.

As empresas entendem o significado de entregar uma alimentação mais saudável para o brasiliense. Danielle Marin vai além e diz que uma das metas é incentivar o consumo das frutas para as crianças.

Mercado Central de Brasília

A atual diretoria da Ceasa-DF quer implementar o Mercado Central. O espaço contará com uma infraestrutura mais moderna e poderia representar uma ponte com os públicos mais jovens.

Para Murillo Mendes, diretor da Comercial Mendes, a criação deste novo espaço seria importante para aumentar a movimentação na Ceasa. “Fui no Mercado da Boca em Belo Horizonte, que traz uma ideia similar, e muito bacana. É ótimo termos uma iniciativa dessas aqui também para trazer o pessoal para dentro da Ceasa. Quem vem frequentar aqui durante o dia ou à noite? Ninguém, então, seria ótimo trazer movimento para cá”, conta.

Manuela Marin concorda e afirma “seria uma boa, tudo que tem para melhorar é bom, então, se esse mercado modelo for trazer benefícios não só para quem está vendendo e para quem está comprando, vai ser excelente”.

Já Carlão, presidente da Aprova-DF, ainda se mostra desconfiado e acredita que os preços para entrar no novo mercado seja um empecilho aos pequenos produtores e as associações, além de poder gerar uma concorrência negativa aos comerciantes da Pedra.

Ceasa em números

Criada em agosto de 1971, a Ceasa-DF foi a primeira das 14 centrais implementadas pelo programa “Modernização de Sistema Nacional de Abastecimento” do Governo Federal.

Após 47 anos, a Ceasa tem uma área de 285.119,05 m² e está localizada no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA) Trecho 10. São oito pavilhões permanentes com 278 boxes destinados a empresas estabelecidas, com permissão de uso, para comercialização atacadista de produtos hortigranjeiros; Mercado Livre do Produtor (Pedra) destinado a produtores agrícolas para a comercialização em atacado da produção local; um pavilhão permanente destinado à comercialização de insumos agropecuários; um pavilhão permanente destinado à sede administrativa e serviços de apoio (banco, farmácia, casa lotérica, etc), entre outras áreas.

Os números de 2018 apontam que 22% das mercadorias comercializadas são do DF. Na Pedra, são 548 produtores registrados e estima-se 1.200 empregos diretos gerados pela Ceasa. O Banco de Alimentos, criado para evitar desperdícios, atende 135 instituições, alcançando assim, mais de 31 mil pessoas, de acordo com os números de março deste ano.

Horários de Funcionamento da Ceasa-DF

Pavilhões Permanentes (boxes)

• Segunda a sexta-feira: das 5h às 17h

• Sábado: das 5h às 14h

Mercado Livre do Produtor (Pedra)

Vendas no Atacado

• Segunda e quinta-feira: das 5h às 12h

Varejão na Pedra

• Sábado: das 5h às 15h

Mercado da Agricultura Familiar

• Sábado: das 5h às 15h

 

Mercado Orgânico

• Quinta-feira e sábado: das 6h às 12h

 

Central Flores

• Segunda a sexta-feira: das 8h às 17h (na quinta-feira o local abre às 7h)

• Sábado: das 8h às 14h

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