• 1 de julho de 2022 22:53

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Palhaço Mandioca Frita faz a alegria de Brasília.

Há 25 anos, ele provoca gargalhadas nos frequentadores do Parque Ana Lídia. Com talento e alegria, ele é a prova viva do poder que a cultura tem de transformar a vida das pessoas. A arte o tirou das ruas e lhe deu além da profissão, família, alegria e muita dignidade.

Fotos: Divulgação e Raquel 

Julio Cesar Macedo nasceu na pequena cidade de Paraíba do Sul-RJ no dia 09 de novembro de 1965. Chegou em Brasília em 1990, e nunca mais quis ir embora. Ele tem uma história de vida linda, e soube tirar de suas dificuldades inspirações para o riso e a alegria. Sua relação com a cidade começou quando conheceu a Cia. Carroça de Mamulengos, um grupo multicultural fundado em Brasília por uma família de artistas talentosíssimos que viajam pelo Brasil levando a cultura popular de forma lúdica e inspiradora.

Teatro Mandioca Frita. Um, picadeiro a céu aberto nas sombras das árvores do Parque da Cidade

Nossa entrevista aconteceu no seu “picadeiro a céu aberto”, entre as duas arquibancadas montadas no Parque Ana Lídia, no Parque da Cidade onde se apresenta quase todos os domingos há 25 anos. “Estas arquibancadas estavam aqui uma em cada canto, muito quebradas. Eu e um grupo de pais nos organizamos, consertamos o que estava quebrado e deixamos elas assim dispostas em baixo das árvores para dar sombra.” Conta o artista, que chama o lugar carinhosamente de “Teatro Mandioca Frita”.

A parte triste da história

Até os 05 anos de idade ele foi criado por tias e parentes, quando foi adotado pelo casal carioca Olinda Guimaraes Machado e Deomar Pádua Machado que moravam em Copacabana. Tudo transcorria com tranquilidade na sua vida, até que aos 13 anos seus pais adotivos passaram por uma grande dificuldade financeira, que os obrigou a mudar para uma pequena quitinete, onde a família sobrevivia vendendo quentinhas.

Já um pouco mais velho, acabou sendo preso por pequenas contravenções. Quando saiu da prisão, seu irmão, filho do casal que o adotará, o impediu de voltar pra casa e ele se viu obrigado a morar nas ruas do Rio de Janeiro. “Foram 02 anos sem dormir, pois na rua a gente não descansa. Qualquer folha que caí a gente acorda assustado”, relembra.

Nasce o palhaço Mandioca Frita

Na época em que Júlio conheceu o Carroça de Mamulengos, ele morava nas ruas do Rio de Janeiro. Ele ainda mantinha vínculo com sua mãe adotiva, mas só podia passar em casa para comer e tomar banho quando o irmão não estava. “Foi uma fase muito difícil, até que eu conheci o “Carroça” durante uma apresentação no Posto 06, onde costumavam se apresentar, me senti acolhido, era como se eu tivesse sido adotado novamente”, revela.

Como era um grupo familiar na época com 02 filhos, Julio fazia de tudo. Cozinhava, cuidava das crianças ajudava a montar os cenários, e aos poucos começou a entrar em cena. No início só vestido de boi, sem falas. Até que um dia Carlos Babau, o diretor da Companhia e pai das crianças resolveu que Júlio já estava preparado para ter seu próprio personagem. A estreia aconteceu num teatro no bairro de Laranjeiras na cidade do Rio de Janeiro.

Palhaços Mandioca e Aipim quando ainda era criança

“Eu estava muito nervoso por entrar em cena, até que a Maria Gomide, filha do Carlos que na época tinha 04 anos me perguntou qual seria o nome do meu palhaço, e eu não soube responder. Daí Carlos me chama: agora com vocês, o palhaço Mandioca Frita!”, conta Julio enquanto varre o chão do seu picadeiro a céu aberto, rindo com a lembrança.

O grupo de teatro de rua, que morava todo junto num apartamento em Copacabana precisou se mudar para o apartamento do João Rezende – um professor de filosofia que morava em Ipanema. “Este professor, além de nos abrigar em sua casa, me ajudou a resolver a burocracia da minha liberdade, preparou as declarações de trabalho e residência fixa. Sou muito agradecido a ele”, nos conta o palhaço Mandioca Frita.

Uma das grandes alegrias da vida de Julio foi quando pode finalmente falar com a dona Olinda, sua mãe, que ele estava indo embora do Rio de Janeiro para ganhar a estrada com a companhia de teatro. “Quando eu falei com a minha mãe, que eu finalmente tinha uma profissão e iria viajar e viver da minha arte, ela sorriu e disse que finalmente poderia morrer tranquila, pois eu estava encaminhado”, conta Mandioca emocionado.

Resgatando a própria identidade

Foram anos de trabalho e viagem por todo o Brasil. Mas tinha um detalhe que ainda o incomodava, ele desconhecia a sentença de seu julgamento. Um dia a Cia Carroça de Mamulengos foi convidada para ir passar uma temporada em Montevidéu no Uruguai. Todavia, o Júlio não tinha documento de identidade emitido, o que era essencial para sair do Brasil e entrar em outro país. Era necessário tirar a carteira de identidade dos filhos dos diretores da Companhia, que eram crianças e do próprio Julio.

Mas e o medo de tirar o documento e descobrir que precisa voltar para a cadeia? Foram dias de muita tensão para Julio e toda a companhia de teatro de rua… Até que chegou a hora de buscar sua carteira de identidade. “Foi uma sensação maravilhosa pegar a minha identidade e saber que eu estava realmente livre”, descreve o artista que ainda acrescenta: “de bicho do mato, ganhei o mundo”!

Trupe Raiz do Circo completa com o pequeno Pallhaço Beju,

 

A história em Brasília

Após a Cia Carroça de Mamulengos rodar por vários cantos do Brasil, eles decidiram voltar para Brasília. No início se apresentavam na Torre de TV, onde além das rodas de apresentação faziam oficinas de perna de pau e brinquedos. Depois de algum tempo, fizeram uma parceria com o Jardim Botânico de Brasília e passaram a se apresentarem lá todos os domingos. “A ex-diretora do Jardim Botânico, Ana Julia deixou a gente morar lá. Em contrapartida atendíamos a população nos finais de semana. Fazíamos a roda, oficina de pé de moleque e de brinquedos”, recorda Mandioca Frita.

Até que um dia, a Cia. Carroça de Mamulengos foi embora de Brasília. Mas a esta altura, Júlio já havia realizado o seu maior sonho: tinha formado a sua própria família! Desta vez, de sangue. E por aqui fincou suas raízes, ao lado de seus filhos que hoje também são artista e palhaços: Aipim (Davi), Macaxeira (Julia), Foli-foli (Luana) e agora até o pequeno João, que é neto do Mandioca Frita é o palhaço Beju.   Juntos, eles formam a trupe Raiz do Circo.

Além da família que constituiu, aqui no Planalto Central ele foi adotado pela terceira vez. Há 15 anos, faz parte do Grupo Artetude juntamente com os palhaços Chaubraubrau, Raquaquá e Espiga de Milho. “Eles me ajudam muito, inclusive financeiramente, com equipamentos e fazemos turnês juntos, é mais uma família que conquistei”, declara.

No ano passado, o palhaço recebeu o prêmio “Fomento à Cultura Popular” realizado pelo Governo do Distrito Federal com troféu, e R$ 15 mil em dinheiro como reconhecimento ao seu trabalho em prol da cultura e talento.

 

Mandioca Frita se apresenta aos sábados, domingos, feriados e nas férias inclusive dia de semana  geralmente às 10:30h no parque Ana Lídia, onde não é cobrado ingresso, mas é solicitada uma doação espontânea, após o show ele realiza a venda de brinquedos educativos fabricados por sua família. O espetáculo é muito divertido, e “arranca” boas gargalhadas do público presente.

Além dos shows de rua, Mandioca Frita faz apresentações em festivais por todo o Brasil, ele também anima eventos privados, como aniversários, festas de empresas, clubes, shoppings, etc. Tanto com shows, quanto com oficinas de brinquedos em apresentações individuais ou com a trupe Raiz de Circo ou com o Grupo Artetude. É alegria garantida para qualquer público

Serviço:

Palhaço Mandioca Frita

Espetáculo Vida viva de um palhaço

Tel: (61) 985494600

raizdocirco@gmail.com

www.instagram.com/truperaizdocirco

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