• 28 de maio de 2022 19:23

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Drogaria Rosário, um princípio de vida e gestão de Álvaro Silveira.

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Drogaria Rosário, um princípio de vida e gestão de Álvaro Silveira.

Por 35 anos, o fundador da rede Rosário de farmácias, revolucionou o mercado de medicamentos, em Brasília, com mais de 100 lojas. Vendida em 2010 para o Banco BTG Pactual, ela está num mercado consolidado, e hoje, administrada pelo Grupo Profarma, rede do Rio de Janeiro, da Drogasmil. A rede Rosário é resultado de boa gestão, trabalhada por Álvaro e perpetuada pelos quatro filhos. Engana-se quem acha que ele pendurou as chuteiras. Hoje, administra uma quantidade considerável de imóveis na capital do país. E, sim, adora futebol.

Por CAROLINA CASCÃO

O mineiro de Ponte Alta, Álvaro José da Silveira, queria ser grande. Em altura, literalmente, quando ingressou no Exército brasileiro, aos 18 anos, em Campinas (SP), com 1,65m, em 1960. E em vida. Saiu de lá com 10 cm a mais. Juro! Entre tropeços, quedas bruscas e milhões de decisões tomadas, ele conseguiu. Hoje, o fundador da Rede Rosário de farmácias ainda trabalha firmemente, só que no ramo imobiliário. Há 10 anos, vendeu a Rosário com a dor de um pai que entrega a filha ao futuro marido no altar da igreja. Os dois anos seguintes significaram um período pesado de desapego, quando Álvaro ainda observava de perto se a “filha” estava sendo bem tradada. Agora, pela Assicon, sua holding patrimonial, e também pela Silveira Imóveis, que administra os ativos desta holding, ele administra um número considerável de propriedades próprias e de terceiros (galpões e escritórios) e os seus respectivos projetos imobiliários, ao lado do filho Diogo e Natália.

Brasília é uma cidade em constante crescimento e novas localidades ganham impulso, abrindo possibilidades para centros comerciais, com aluguel de lojas e escritórios (…)”. Álvaro afirma que a cidade foi generosa e o recebeu de braços abertos, assim como aconteceu com muitos talentos que estavam no interior do país e não tinham expectativa de progresso.

Construindo o negócio: “se vendi livro, não vou vender remédio?”

A vida não está nem aí para o que a gente pensa ou gosta. E enfrentando as realidades mais difíceis, Álvaro comprou a primeira Rosário, em 1975, na 312 norte, de fundo, da Dona Oraide. Tinha muito chão pela frente. Mas antes disso, ele já tinha sido caminhoneiro por 8 anos, após o período no Exército, transportando madeira do Paraná  para Ponte Alta (MG).

Primeira loja da rede na 312 Norte.

“Voltei para Uberaba para cuidar da família. Meu pai estava doente. Foi aí que comprei um caminhão para trabalhar”, disse.

Pouco antes de vir para Brasília, Álvaro havia tentado o negócio de madeira, mas sem sucesso, lá em Uberaba. Ao chegar na capital do país, ele tinha dinheiro apenas para sobreviver 4 meses. Foi aí que começou a vender livros e depois ações.

Trabalhei com primos que vendiam livros, depois vendi ações, até que fui convidado para trabalhar com medicamentos no laboratório EMS”, disse.

Ao descobrir a vocação de vender produtos farmacêuticos, ele arriscou: vendeu o carro, casa e comprou a primeira loja Rosário. Trabalhava das 06h às 22 horas.

Novas quadras eram construídas a todo vapor em Brasília e, de repente, uma loja virou, duas, quatro e por aí foi (115, 116, 314, 315 norte). Nenhuma chance de comprar loja na planta era desperdiçada. A rede foi expandida para outros bairros de Brasília.

A chegada na rua das farmácias 102;302 Sul.

A entrada da Rosário na rua das farmácias, na 302/102 sul, causou um frisson até porque era considerada fraca por concentra-se apenas na asa norte.

“Estabelecemos um novo padrão de loja e atendimento. Chegamos a ter quatro lojas na 102 e duas na 302”, revelou.

Por estar perto do Hospital de Base, a clientela chegava com um receituário enorme, então era fundamental ter uma boa cobertura de remédios para atender.

A partir daí, a Rosário abriu lojas no Guará, Taguatinga, Águas Claras, Asa Sul, Cruzeiro, Terraço Shopping, Gama, Sudoeste.

“A cada dois ou três meses abríamos uma nova unidade com profundo respeito por quem já estava instalado. Não fizemos nenhuma concorrência que prejudicasse o lojista existente”, disse.

Impossível antecipar perdas

Casou-se em 1967, com um amor de infância, a falecida Haydee. Um dos piores momentos de Álvaro, aos 38 anos, foi quando a esposa morrera e o deixara com dois filhos, ainda muito pequenos. Ela se foi e ficaram “Dois meninos” órfãos.

“Fiquei apavorado. Não sabia como era o mundo fora do casamento. Mas meu anjo da guarda disse para que eu ficasse quieto e que minha hora ia chegar. Levei meus filhos para as férias em Uberaba, em 1982, Depois voltei para Brasília para trabalhar. Precisava casar, mas não faria isso à toa, tinha que ser alguém especial” disse.

Casou-se de novo tempos depois com a Mariza, o anjo da guarda da vida, segundo Álvaro. Um amigo o chamara para ir a Goiânia para conhecer a prima da namorada dele. Meio que a contra gosto, lá foi o Álvaro que surpreendeu ao conhecer a futura esposa.

“No nosso segundo encontro, tinha certeza que ela era uma pessoa enviada por Deus. Fui muito bem recebido pela mãe. E pensei: essa menina será gentil e maravilhosa como a mãe dela. Nunca tivemos grandes problemas”, revelou.

Sou muito católico e acredito na base familiar. Com um bom casamento tudo flui. Mariza é o meu equilíbrio. Problemas com filho atrapalham o lado empresarial. Tenho 4 filhos maravilhosos e 9 netos”, disse.

Em pé Natalia e Diogo, Sentados Rodrigo , Mariza , Álvaro e Álvaro Junior.

Mariza abraçou os filhos de Álvaro: Álvaro Júnior e Rodrigo. Tempos depois tiveram mais dois filhos: Diogo e Natália. Todos, sem exceção, foram muito ativos, de livre e espontânea vontade, na Rosário. Cada um com as suas qualidades e talentos, uma distribuição equilibrada, fundamental para o sucesso das farmácias, aliadas à gestão.

Participação fundamental dos filhos na Rosário

Meus filhos trouxeram a excelência na gestão para a nossa empresa. Eles colocaram o negócio que criei em outro patamar”

Alvaro Jr, o filho mais velho, formado em administração, era o diretor comercial, fazia parte da área administrativa e de análises (sensibilidade do cliente, afinidade e orçamento). Cursou Engenharia Civil, em Uberaba (MG) por um tempo até sair o resultado do curso de Química, na Universidade de Brasília.

“Desde menino ficou evidente o interesse dele pela farmácia: com 8 anos, colocava o jalequinho e ficava atrás do balcão prestando atenção e perguntando sobre tudo. Aprendeu tudo muito rápido e mostrou independência logo cedo. Tudo dele é organizado, especialmente o dinheiro”, lembra.

Rodrigo, o segundo filho, ingressou mais tarde na empresa. Começou pelo balcão até chegar ao setor de Recursos Humanos, alavancando uma nova pegada de comunicação: jornalzinho e padronização de comunicados entre os funcionários.

“A facilidade de comunicação e o bom relacionamento lhe deram condições de gerenciar e supervisionar as lojas. Ele se adaptou bem ao RH e estabeleceu um elevado padrão de atendimento. Com isso, criamos uma imagem de excelência na praça”, afirmou.

Diogo, o terceiro filho, engenheiro civil, cuidava da gestão de estoques.

“Ele não gosta da vida cotidiana dos negócios, operações e problemas corriqueiros e sim estratégias empresariais. Coloca o negocio em pé. É empreendedor. Ele deu enorme impulso na área de suprimentos. Passamos a praticar coisas que só as grandes faziam”, revela o pai.

Álvaro explica que quando se é pequeno, a área de suprimentos é trabalhosa e não traz sofisticação. É preciso ter um depósito, comprar bem, separar, enviar para as lojas, controlar as perdas. Mas quando a empresa cresce precisa ter um sistema informatizado sofisticado e a operação exige treinamento e capacitação. E nisso, o Diogo é especialista.

Natalia, farmacêutica, fazia o marketing: transformou o website da empresa e a lançou nas redes sociais.

“Imaginava que ela fosse se interessar pela venda de medicamentos ou algo ligado à área técnica, mas, para a surpresa de todos, ela se ligou ao marketing”, disse.

Segundo Álvaro, ela teve a sensibilidade de perceber que a área de marketing estava precisando de um empurrão.

“A responsabilidade foi um destaque na sua atuação no marketing, desenvolvendo campanhas institucionais e promocionais, elaborando o tabloide de promoções”, disse.

Sindicato, Gestão e Meritocracia

Atraído pelo sofisticado banco de dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), formada por grandes drogarias do Brasil, Álvaro junto ao filho Álvaro Júnior, decidiram ingressar na associação (2000- 2012). O ranking com a situação de cada farmácia, incluindo custos de pessoal, de aluguel, por metro quadrado, por pessoa, era divulgado mensalmente.

Com a entrada na Abrafarma fomos motivados pelo profissionalismo das grandes farmácias e pelo espírito de crescimento”, afirmou.

Muitas viagens foram feitas por todo o Brasil, assim como missões técnicas ao exterior, contribuíram para a democratização e integração dos associados. Em 2006, já há 10 anos na associação, Álvaro foi eleito Presidente do Conselho Consultivo ao lado do Presidente-executivo Sérgio Mena Barreto.

Álvaro lembra da palestra de um rapaz jovem, com apenas 30 anos, chamado José Carlos, que já tinha 60 lojas no Rio Grande do Sul. Não teve oportunidade de conversar com ele, na convenção realizada em Brasília, então, no ano seguinte, em Vitória (ES), ficou perto dele o tempo todo e o convidou para almoçar. Na oportunidade, contou toda a história.

“Levanto cedo, abro farmácia, fecho farmácia, aplico injeção, faço compras…exaustivo”.

Ele respondeu: “rapaz, tenho uma dó de você. Você vai quebrar ou ficar doente. Você deve olhar de fora para dentro para enxergar todo o negócio. Arrume um gerente e vá visitar o seu público, tenha contato com as pessoas”. A lição tirada aí foi “saber ouvir com humildade”.

Inovações no mercado de medicamentos genéricos e até a inserção de produtos de conveniências em farmácias foram resultados de muita articulação junto ao Congresso Nacional, Ministério da Saúde e Anvisa, assim como acordos de parceria com a Close-up e o Instituto de Medicina Social (IMS). Em Belo Horizonte, a título de exemplo, atté rações de animais já começavam a ser comercializados. Tudo isso foi uma luta da associação e trabalho árduo.

Foram todas oportunidades imperdíveis para conhecer o estado da arte, a tecnologia de ponta, os nichos de mercado, as inovações de mercado e do setor”, afirmou.

Prateleiras com design espanhol – Ao visitar a empresa Apotheka, em Zaragoza, na Espanha, Álvaro encantou-se e trouxe para a Rosário a inovação de armários com gaveteiros que expõem medicamentos e permitem ganhar espaço para exibir outros produtos. Isso permite a circulação e bom atendimento ao mesmo tempo.

A vida é uma especulação: fusão Rosário x Distrital

A fusão de 11 farmácias da Distrital com 40 da Rosário aconteceu em 2008 e resultou na compra de 20 lojas da Santa Marta, totalizando 70 estabelecimentos.

Felipe de Faria, proprietário da Distrital, amigo, mineirinho também foi importante nessa fase.

Ele tinha muito estoque e pouco endividamento, nós, um bom crédito no banco por causa da franquia norte americano de aluguel de carros Avis, trazida pelo filho Álvaro Jr. Um ajudou o outro. E juntos compramos a Santa Marta”, revelou.

Venda da Rosário

Eu sentia necessidade de inovação. Vendi a Rosário e separei parte da venda para cada filho aplicar e desenvolver o próprio negócio”, disse.

Em 2009, após essa fusão, o Banco BTG Pactual manifestou interesse em comprar a Rosário. No ano seguinte, o banco adquiriu 43,9% da empresa com opção de comprar mais 6% adiante. Nesta fase, o banco fundou a Brasil Pharma, um condomínio de empresas.

“A abertura da Brasil Pharma no mercado de ações foi monitorado pelo Pactual. Souberam que era o momento certo e sinalizou que era a hora de consolidar o negócio”, disse.

Mariza e Álvaro quando ele recebe o prêmio “Mérito Mercador Candango 2010”

Nessa época, a Rosário já tinha 123 lojas com a preparação para chegar a 180 com a entrada no mercado de ações.

Ao vender a Rosário para a Brasil Pharma, Álvaro separou uma parte para cada um dos quatro filhos para eles aplicarem ou construírem o próprio patrimônio sem a dificuldade que ele teve de começar do zero. A gestão foi entregue em 30/11/2012.

“Foi doído entregar as farmácias. Fui me desligando ao longo de dois anos. Comecei a curtir mais a família e já estava tranquilo, pois meus filhos tinham expertise para seguir a vida, os negócios. Cada um com uma característica particular e muitos valores”, afirmou.

O fundador da Rosário continua a trabalhar muito, mas separa todos os dias, um horário para ler as mensagens da Bíblia, curtir a família, assistir um bom filme (o último que assistiu foi “Um senhor estagiário”) e futebol também. E, claro, escutar uma boa moda de viola para relembrar as raízes mineiras.

 

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