• 25 de maio de 2022 23:05

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A minha vez

A minha vez de vacinar.

Perdoem-me o tema repetido. Mas se há algo no horizonte cotidiano do brasiliense nesse ano foi a espera pela vacina, a fila da vacina, o agendamento da vacina, e a escolha da vacina.

Aqui em Brasília desistiram do agendamento, hora marcada, aplicativo. Liberou geral, uma estratégia bem à brasileira, e no fim deu certo. A fila andou. Aos trancos e barrancos, a coisa foi fluindo, como a vida aqui no Brasil.

Antes de encontrar meu lugar na fila, deparei-me com uma aglomeração de jovens, um autêntico rolê nada cringe. Perguntei se ali era o final da fila. Não. Estamos esperando a xepa da vacina.

Xepa da vacina! Existe algo mais brasileiro? Não sei se a xepa da vacina é praticada em outros países, em outros idiomas, em outros climas. Mas me pareceu algo exclusivo do Brasil.

À minha frente, uma senhora que tentava aplicar um vai que cola bem tropical. Sua segunda dose estava marcada para dali a um mês, mas ela foi antes. Cara de sonsa, o quê? É só daqui a um mês? Nem tinha reparado… Mas não pode tomar hoje logo não?

Não deixaram.

Chegou minha vez. Foi tão rápido que não deu para filmar ou tirar foto. Desculpem-me.

Mas uma moça ao lado filmou. Toda feliz. Ela que estava conversando com uma amiga sobre a demora da vacinação no Brasil, sobre como estávamos atrasados em relação ao mundo, sobre como aqui era pior em todos os sentidos.

Então, quando ela vacinava, filmada pela amiga, soltou um Viva o SUS, que se tornou um jargão comum das vacinas. Sério, quero entender o que significa essa frase. Por favor, me expliquem nos comentários.

A pessoa reclama que o Brasil tem o pior sistema de vacinação do mundo. Que é atrasado, desorganizado, insuficiente. Viva o SUS? Até o início do ano, o setor privado não podia comprar vacinas. Foi autorizado por uma lei em março a comprar e administrar as vacinas. Mas se houver grupos prioritários sendo vacinados pelo sistema público, deve doar ao SUS integralmente as doses que tiver comprado. Se não houver mais grupos prioritários, deverá doar ao SUS metade das doses compradas e as doses que aplicar deverão ser gratuitas (Lei 14.125, art. 2º).

Em resumo, o mercado privado de vacinas foi praticamente bloqueado pela lei (não julgo o mérito disso) e a gente reclama sem parar do sistema público, que é atrasado e desorganizado. Mas viva o SUS!

Enfim, vacinei e aguardo minha segunda dose. E foi sem agendamento, sem aplicativo, sem hora marcada. Viva o Brasil!

Rodrigo Bedritichuk é brasiliense, servidor público, pai de duas meninas e autor do livro de crônicas Não Ditos Populares

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