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sábado, fevereiro 14, 2026
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Reflexo de união familiar e preservação ambiental, chácara Vargem Bonita recebe crianças e adolescentes para 22ª edição do Projeto Preservar

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A ideia de preservação de uma tradição familiar se fortaleceu com a criação do Projeto Preservar, que a família Tokarski mantém em parceria com escolas do Distrito Federal. Sócios proprietários da Farmacotécnica, a família de farmacêuticos abre sua chácara familiar dedicada ao cultivo de ervas medicinais há 22 anos para acolher estudantes da educação infantil ao ensino médio e perpetuar os conhecimentos tradicionais em Brasília.

Foi nesse espaço que nasceu a fórmula de emulsão camomila que é um dos principais produtos da empresa, inicialmente criada para uso no cabelo das irmãs Tokarski, e que hoje simboliza a união entre saberes populares e inovação científica. Entre outros produtos, a emulsão para o cabelo Camomila Blonde; o óleo multifuncional para o rosto, Flor de Camomile; e o chá Camomila Flor, são algumas das criações da família a partir da flor de camomila, uma das principais plantações na chácara.

Embora seja uma planta típica de climas mais frios, a camomila se adaptou bem ao Cerrado e ao clima do Distrito Federal. Embora não se saiba detalhes sobre o plantio, essa adaptabilidade permite que a chácara mantenha o cultivo saudável da planta, garantindo flores de qualidade para os produtos da Farmacotécnica. “Esse é o nosso segredo”, diz a farmacêutica Rogy Tokarski, a diretora da empresa que recebeu a missão de liderar a empresa.

Irmã mais nova da também farmacêutica Romy Tokarski, Rogy é uma das principais defensoras da continuidade do projeto, para que a família possa contribuir para a imersão de crianças e adolescentes para o desenvolvimento social e sustentável promovendo imersão à produção de ervas medicinais na chácara criada pelos pais delas, Rogério Tokarski e Romelita Milagres Tokarski, onde ela morou até os cinco anos de idade.

“É muito importante para nós plantar sementes para a educação infantil. Com isso, queremos mostrar a importância dos conhecimentos tradicionais por meio da plantação de ervas medicinais, mas também incentivar aos saberes, com o estudo dessas plantas, para que esse conhecimento seja passado para outras gerações”, afirma a diretora da Farmacotécnica.

Assim, a empresa realiza, entre os dias 1º e 12 de setembro de 2025, a 22ª edição do Projeto Preservar, iniciativa que reforça os laços entre as gerações do Cerrado ao promover os saberes ancestrais ligados às plantas medicinais. Com atividades pedagógicas, o projeto coloca os estudantes como protagonistas do aprendizado, incentivando o contato direto com práticas ambientais e com saberes populares que a rotina escolar muitas vezes não contempla, a exemplo de um dia de campo.

Nesse período, os alunos da Escola Classe Ipê atuam como monitores, conduzindo visitantes em trilhas educativas e compartilhando histórias e práticas tradicionais sobre o uso das ervas. Numa etapa anterior, alunos da escola provenientes de famílias de agricultores rurais passaram por vivências em plantio de ervas medicinais e laboratório de emulsão de plantas para conhecer as etapas de produção de chás.

A abertura será no dia 27 de agosto, na Chácara da Farmacotécnica, no Núcleo Rural Vargem Bonita (DF), espaço mantido pela família e reconhecido pelo cultivo e manejo de mais de 50 espécies de ervas medicinais. A proposta reúne crianças, professores, especialistas e comunidade em uma experiência multigeracional, que conecta tradição, ciência e sustentabilidade.

Rogério Tokarski, que fundou a Farmacotécnica com a esposa e outros dois sócios, Leandra Sá de Lima e Francisco Valdeberto de Oliveira, defende que o projeto simboliza um compromisso de legado familiar: “O Projeto Preservar já recebeu mais de 15 mil visitantes e foi reconhecido com o Prêmio Candango de Excelência em Recursos Humanos pela ABRH-DF. Essa trajetória nos enche de orgulho, pois mostra como é possível unir tecnologia, práticas tradicionais e o engajamento das novas gerações em prol de um objetivo maior: preservar conhecimentos ancestrais e reforçar a importância de olhar para o passado como forma de construir um futuro mais consciente”, destaca.

Como participar

As inscrições para a visitação da Chácara Vargem Bonita pelo Projeto Preservar já estão abertas e são gratuitas para escolas, faculdades, instituições e público em geral. As vagas são limitadas e a organização recomenda inscrição antecipada. A expectativa é receber cerca de cem visitas por dia em 2025. A empresa oferece um ônibus à escola para o transporte dos alunos, ida e volta, com alimentação no local.
A programação inclui:
Oficinas de manipulação de ervas;
Visitação à produção de cultivos para cosméticos e fitoterápicos;
Aulas práticas de compostagem;
Atividades educativas em escolas parceiras.

Serviço
📍 Local: Chácara da Farmacotécnica, nº 21, Núcleo Rural Vargem Bonita (DF)
👩‍🏫 Visitas: 01 a 12/09/2025
🔗 Inscrições gratuitas: Clique aqui para se inscrever – vagas limitadas!

Mercado de trabalho e novos meios regulatórios

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Controvérsia sobre “pejotização” deve ser decidida pelo STF, afirmam ministro e líderes empresariais na LIDE”

O ministro Gilmar Mendes, defendeu que cabe do Supremo Tribunal Federal (STF) garantir segurança jurídica e coerência institucional que regulamentem as novas relações trabalhistas, o que somente poderá ser alcançado caso haja regras que sejam adotadas por todo o sistema judiciário brasileiros, de acordo com o presidente da Lide Brasília, Paulo Octávio.

As declarações ocorreram nesta quarta-feira (27), durante o Seminário Econômico “O futuro do trabalho e os novos modelos regulatórios”, realizado pela Lide Nacional e Brasília, no Royal Tulip Hotel, com a presença de autoridades dos Poderes Legislativo e Judiciário, para debater temas como novas legislações trabalhistas, terceirização e “pejotização”, ou seja, a contratação de pessoa jurídica por empresas.

Para o ministro, as discussões sobre as novas leis trabalhistas têm avançado no âmbito do Supremo, que tem assumido o protagonismo quanto ao debate, mas que devem incorporam os encaminhamento e compreensões sobre o novo ambiente social das relações de trabalho, entre aqueles formais e informais.

Mendes defendeu que a “pejotização” e a terceirização sigam sendo discutidas em âmbito de todos os poderes, mas que as novas regras sejam estabelecidas pelo STF para que sejam válidas para todo o país. Assim, que “cabe ao STF garantir segurança jurídica e coerência institucional” quanto ao tema, que envolve pequenos e grandes negócios, passando pelo combate à informalidade.

“A insistência em manter modelos ultrapassados de regulação de trabalho gera também insegurança jurídica, mina a livre iniciativa e contamina o ambiente econômico, em prejuízo do próprio valor social do trabalho”, destacou o ministro.

Mendes ressaltou ainda, a um auditório formado por empresários do Distrito Federal, que uma audiência pública sobre novas relações de trabalho, especialmente, a terceirização, está agendada pelo STF, para o dia 6 de outubro. O objetivo é reunir representantes de sindicatos, empregadores, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir no âmbito ARE (Recurso Extraordinário com Agravo) 1.532.603, de repercussão geral (Tema 1.389), de relatoria do ministro.

Em entrevista à Revista Brasília61, o presidente da Lide Brasília, Paulo Octávio, uma das maiores lideranças empresariais locais, destacou o posicionamento do ministro Gilmar Mendes, que defendeu o STF como órgão definidor de segurança jurídica, como alentadora.

“A posição do ministro Gilmar [Mendes] é muito importante porque quem vai definir, finalmente, tendo em vista as dificuldades de entendimento na Justiça do Trabalho, quem vai definir definitivamente será o Supremo Tribunal Federal. (…) Essa segurança jurídica só é conquistada quando você tem normas que são adotadas por todo o judiciário brasileiro. Por isso, a posição do ministro Gilmar é importantíssima para o futuro do Brasil”, ressaltou.

O empresário também reforçou a necessidade de senso de urgência em relação à segurança jurídica para que novos trabalhadores e jovens empregadores possam estabelecer os contratos baseados em normas. “Sem segurança jurídica, as empresas não crescem. Sem segurança jurídica o empresário tem medo de contratar. Já que temos que gerar empregos, nós precisamos gerar empregos. É o que eu mais quero, nós empresários aqui presentes, mas com segurança jurídica”, reforçou.

Contexto

Presidente da Lide Nacional, João Dória, ex-governador de São Paulo defendeu a construção de um novo nacional voltado para a modernização da legislação trabalhista, que compreende e agreguem as novas formas de trabalho, incluindo aquelas com uso de inteligência artificial. Além disso, é preciso compreender que a “pejotização”, por exemplo, inclui essas pessoas ao mercado de trabalho, por isso, que barrar propostas legislativas que impeçam a liberdade de contratação é fundamental para o novo cenário.

“É um erro grave querer eliminar a pejotização. Isso é uma visão sindicalista retrógrada. Nada contra os sindicatos ou os trabalhadores celetistas, mas acabar com essa possibilidade é dar um passo perigoso rumo ao passado”, declarou o empresário.

Para o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sérgio Longen, na perspectiva das empresas, a demanda por segurança jurídica corresponde a um paradigma atual que pode influenciar na manutenção dos empregos já gerados com os novos modelos de negócios, mas também coloca em risco a sobrevivência dessas empresas, por criar instabilidade no modelo de negócio e de contratações. Com isso, impedindo novos investimentos em diversos setores e segmentos.

De acordo com Longen, a CNI observa um cenário em que, mesmo com contratos com regras bem estabelecidas, há um alto volume de ações judiciais trabalhistas correntes. Contudo, que estes processos sigam na Justiça comum, para evitar o efeito de “judicialização retroativa”, e reinterpretações judiciais anos após a assinatura dos contratos.

Também para o representante da indústria, o setor produtivo precisa trabalhar pelo contexto de segurança jurídica que pode ser alcançada no STF, ainda neste ano, para ter estabilidade e seguir produzindo, uma vez que há outras ameaças ao setor produtivo nacional, como as novas taxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. äO fenômeno da pejotização deve ser visto como autonomia e empreendedorismo, não como precarização”, disse.

Evento

O Seminário Econômico “O futuro do trabalho e os novos modelos regulatórios” também contou com a presença do procurador-geral da República, Paulo Gonet; do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen; do fundador e co-chairman do Lide, João Doria.

Além do ministro Gilmar Mendes; também estiveram presentes Adauto Duarte, diretor Executivo de Relações Institucionais, Trabalhistas e Sindicais da Febraban; Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da CNI; Aurelio Rocha, presidente do Lide Mato Grosso do Sul; Carlos Vinícius Ribeiro, secretário-geral do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP); José Pastore, professor de Relações do Trabalho da FEA-USP; Leonardo Severini, presidente da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS); e Walfrido Warde, professor, escritor, advogado e sócio da Warde Advogados.

A paz de quem entrega à Lei do Retorno

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Há um tipo de paz que não nasce do esquecimento, mas da decisão firme de não carregar o que não te pertence mais. Quando você diz “tô em paz” depois de deixar várias coisas para a lei do retorno resolver, não está fugindo — está transcendendo. Está se afastando da ilusão de controle absoluto, da necessidade de vingança ou da esperança de que o outro reconheça, enfim, o que você viveu, sofreu ou fez por ele. Está abrindo mão da justiça imediata em nome da justiça maior.
A lei do retorno — seja compreendida como karma, justiça divina, causa e efeito ou simplesmente consequência natural das escolhas — não precisa da sua vigilância constante para operar. Ela age no tempo em que deve agir, e com a precisão que você, no calor do conflito, jamais conseguiria alcançar. Ao deixar para ela, você não está se omitindo: está confiando. Está dizendo ao universo que não é juiz de todos os atos, apenas senhor dos seus próprios.
E isso exige força. A força de quem escolhe a paz em vez da revanche. A maturidade de quem entendeu que não é todo campo de batalha que merece sua espada. A sabedoria de quem já percebeu que certos desequilíbrios se resolvem melhor pelo silêncio do que pelo grito. Entregar à lei do retorno é um ato de rendição ativa — não passividade. Você decide não agir não porque não pode, mas porque já viu que agir ali seria se perder de si.
Isso, no entanto, não é fácil. Existe em nós um apelo pela justiça imediata, um desejo de mostrar que tínhamos razão, que fomos injustiçados, que merecíamos mais. Mas o que você realmente quer? Estar certo ou estar em paz? Mostrar a todos que era o herói da história ou seguir adiante livre, leve, inteiro?
O verdadeiro líder, o verdadeiro buscador, aprende a se ausentar dos embates que minam sua energia vital. Ele sabe que seu tempo é precioso demais para ser desperdiçado tentando convencer os cegos a ver ou os surdos a escutar. Em vez disso, vive com tal clareza, tal coerência, tal firmeza de propósito, que sua vida inteira se torna um argumento incontestável. Não precisa mais explicar — basta existir.
Na prática, deixar para a lei do retorno é decidir não retaliar um ex-parceiro que traiu, não expor um colega que te sabotou, não rebater uma calúnia que tentaram jogar sobre seu nome. É escolher não investir energia em vingança, mas em reconstrução. É redirecionar o foco: em vez de pedir ao universo que “faça justiça” lá fora, você se pergunta: o que ainda preciso corrigir em mim? o que posso aprender com isso? que tipo de pessoa quero ser apesar disso?
Espiritualmente, essa postura é uma liberação. Você entrega. E ao entregar, se limpa. Rompe vínculos energéticos com o que te feriu. Não há mais correntes invisíveis ligando você ao erro do outro. Você reconhece que cada um carrega sua própria cruz, e que a justiça, quando vem, não precisa ser anunciada — ela apenas se cumpre.
Mas cuidado: não confunda paz com indiferença. Estar em paz não é ser frio, apático, desligado do mundo. É, ao contrário, estar tão consciente de sua missão que nada mais te desvia. É ter um foco tão elevado que as miudezas não te alcançam. É viver com tal integridade que não há necessidade de provar nada a ninguém. O universo vê. Deus sabe. E você sente.
Essa atitude, quando levada a sério, se torna uma estratégia pessoal, emocional e espiritual. Você não apenas “solta” o que te feriu — você foca no que te faz crescer. Você decide para onde sua energia vai. E essa decisão, embora silenciosa, é revolucionária. Poucos têm coragem de deixar para a lei do retorno o que poderiam tentar resolver com as próprias mãos. Mas os que o fazem, descobrem que essa escolha os transforma em mestres do próprio destino.
Por isso, ao dizer “tô em paz”, pergunte-se: estou mesmo? Ou estou apenas tentando evitar a dor de confrontar o que preciso enfrentar? A paz verdadeira não é fuga. É resultado de um discernimento afiado. De uma alma que entendeu que sua grandeza não está em vencer discussões, mas em vencer a si mesma.
Você deixou para a lei do retorno? Ótimo. Agora se concentre no que cabe a você. Evoluir. Curar. Criar. Decidir com coragem. Amar com profundidade. E viver com propósito.
E se a vida trouxer de volta exatamente o que você plantou hoje, você estaria pronto para colher?

O espelho do semeador: estaria você pronto para a colheita da sua própria vida?

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Imagine por um instante que o universo não é apenas um espaço indiferente, mas um espelho implacável. Um campo fértil que, em silêncio, recebe cada gesto seu como uma semente. E um dia — talvez hoje, talvez amanhã, talvez só no último fôlego — ele devolve a você exatamente aquilo que foi lançado. Nada a mais. Nada a menos. Nem bênção, nem castigo: apenas a justiça pura do plantio. Agora, com os olhos voltados para dentro, responda: você está pronto para colher o que plantou?
Essa pergunta não é metafórica. Ela é a lâmina que separa o autoengano da verdade. Porque todos nós estamos, de alguma forma, semeando: com palavras ditas e não ditas, com escolhas feitas e adiadas, com hábitos ocultos, pensamentos recorrentes, e intenções secretas. E embora muitos prefiram crer em um amanhã sempre indulgente, o solo da vida é honesto. Ele germina o que recebe, não o que prometemos um dia dar.
É fácil apontar para fora, dizer que a vida é dura, que as condições não foram ideais, que o outro teve sorte. Mas essa é a desculpa dos que temem encarar o espelho da própria semeadura. O líder verdadeiro — aquele que deseja sair da mediocridade — encara a verdade com coragem: se hoje a vida me devolvesse o que eu plantei, o que nasceria diante de mim? Um campo florido de integridade, presença e impacto? Ou um terreno raso, seco, cheio de sementes esquecidas, adiadas, abortadas pelo medo e pela distração?
Há também aqueles que semeiam o que parece correto aos olhos do mundo, mas fazem isso com intenções venenosas: manipulam para ganhar, sorriem para agradar, doam para receber. E esperam colher frutos doces de uma árvore que foi regada com ego. A vida devolve o que foi colocado na raiz, não na aparência.
Plantar não é só agir. É como se age. É a energia que carregamos ao acordar. É o motivo por trás do gesto. É a qualidade do silêncio com quem escutamos. É o olhar que lançamos ao estranho. É o compromisso invisível com a nossa missão, mesmo quando ninguém vê.
Você pode se perguntar: “Mas e se eu ainda estiver em processo? Se eu ainda não sou o que quero ser?” Excelente. Não se trata de perfeição. Trata-se de direção. A colheita da vida não exige que você já tenha tudo, mas que você esteja plantando com intenção, com presença, com coragem. O problema não está em estar longe do destino, mas em estar parado, disperso, ou fingindo andar.
Líderes, sonhadores, buscadores de significado: a semente não escolhe o terreno. Mas quem planta escolhe a semente. Isso quer dizer que mesmo em tempos difíceis, você ainda decide o que deixar no mundo: ressentimento ou gratidão, medo ou fé, indiferença ou compaixão. O que você planta hoje — mesmo no caos — pode se tornar uma árvore de sombra para os que virão depois de você. Ou uma erva daninha que perpetua ciclos de dor.
E na dimensão espiritual, o princípio é ainda mais implacável. O que você tem semeado no invisível? Nos seus pensamentos mais íntimos? Na sua relação com o sagrado, com o tempo, com a morte, com o sentido da vida? Há almas que colhem desespero porque semearam pressa. Outras colhem solidão porque plantaram orgulho. Outras, ainda, florescem em paz porque regaram a humildade e a entrega mesmo sob tempestades.
Mas eis o ponto mais profundo: às vezes, a colheita não vem para você. Vem por meio de você. Há sementes que você planta hoje que serão colhidas por netos que você nunca verá. Por isso, pense grande. Plante com visão. Viva com legado.
Hoje, portanto, não é apenas mais um dia. É uma lavoura aberta. Cada palavra, um grão. Cada escolha, uma enxada. Cada silêncio, uma decisão de adubar ou não. Se o amanhã vier como um espelho, que ele não encontre em você um lavrador arrependido, mas um guerreiro lúcido, que semeou com coragem, mesmo sem garantias.
Agora, olhe para dentro. Sinta o peso da verdade. E responda sem máscaras:
Se a vida te devolvesse hoje tudo o que você tem plantado — nos pensamentos, nas ações, nos afetos, nos projetos, na fé — você estaria pronto para colher?
E se a resposta for “não”, que nova semente você precisa começar a lançar hoje?

A pele pode mudar, mas a alma grita

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Vivemos em uma era onde a aparência ganhou status de essência.

Onde discursos são cuidadosamente moldados para agradar, e os gestos — quando não performáticos — são ao menos calculados. Nesse cenário, a frase “o lobo talvez mude a pele, mas nunca a alma” ressoa como uma espada cortando a névoa. Ela não é apenas um aviso — é um convite à lucidez. A superfície pode ser redesenhada, mas o que realmente somos não se camufla por muito tempo. A alma — nossa verdade mais crua e eterna — sempre encontra uma forma de emergir, seja em palavras malditas que escapam no calor de uma discussão, seja no silêncio cúmplice diante da injustiça, seja no brilho ou na opacidade do olhar.

O lobo muda a pele para sobreviver. Ele troca a pelagem no ciclo das estações, não por vaidade, mas por adaptação. O homem moderno, entretanto, muitas vezes troca de pele para esconder-se de si mesmo. Muda o discurso, adota novos hábitos, veste máscaras ideológicas ou espirituais — mas, no fundo, carrega dentro de si a mesma fome, o mesmo medo, a mesma sombra. A alma, ao contrário do que prega o otimismo superficial, não se transforma com um curso de final de semana nem com mantras repetidos como slogans. A alma exige confronto, travessia, fogo. Quem não encara a própria escuridão, permanece refém da aparência de luz.

Na liderança, essa verdade é crucial. Um líder pode vestir-se de empatia, discursar sobre propósito, promover valores em painéis e campanhas. Mas se sua alma for cínica, mesquinha ou insegura, isso se revelará nos detalhes: na forma como trata os pequenos, na sua impaciência diante da crítica, na maneira como manipula em vez de inspirar. Liderança é alma exposta, não apenas competência exibida. E a alma, essa entidade feroz e frágil, não pode ser domesticada por estratégias de marketing pessoal.
No campo espiritual, a frase ecoa ainda mais alto. Porque muitos confundem conversão com convenção. Trocam de religião como se troca de roupa, repetem fórmulas de fé, mas continuam amando o controle mais do que a entrega, o dogma mais do que o mistério, o ritual mais do que a transformação interior. A alma espiritualizada não é aquela que aparenta paz, mas aquela que foi rasgada pela dor e ainda assim decidiu amar. O lobo que verdadeiramente mudou não é o que esconde os dentes, mas o que aprendeu a domar sua fome.

Essa frase também serve como alerta para relações humanas. Quantos voltam para pessoas que os feriram, apenas porque estas “mudaram de atitude”? Mas comportamento não é caráter. A alma revela-se na constância, na coerência, naquilo que se faz quando ninguém está olhando. Não confunda mudança de pele com arrependimento genuíno. O primeiro é disfarce; o segundo, renascimento. E renascer dói, exige morte — do ego, da mentira, da zona de conforto. O lobo que mudou por dentro, talvez nem se reconheça mais como lobo. Tornou-se algo novo, não apenas algo disfarçado.

Para você, buscador, essa frase é um espelho e um bisturi. Ela te chama a olhar para o que em ti permanece inalterado. Quais são os padrões que você repete, mesmo depois de tantas “mudanças”? Que tipo de pessoa você atrai — e por quê? Onde sua alma está gritando, mesmo quando sua aparência diz estar tudo bem? Não se engane com peles novas — nem as suas, nem as dos outros. Observe os olhos, os silêncios, os gestos pequenos. A alma se revela ali.

E mais: se há algo em você que precisa mudar, comece pela alma. Pergunte-se o que você realmente teme perder. O que você está tentando preservar com sua aparência renovada. E o que você precisará sacrificar para que não apenas a pele, mas o ser inteiro renasça. Porque só quando a alma muda, o mundo muda com ela. Caso contrário, viveremos eternamente como lobos com peles de cordeiro — esperando que ninguém perceba o uivo que ecoa por dentro.

Então te deixo com esta provocação: Você tem mudado de pele… ou de alma? E o que em você precisa morrer, para que algo mais verdadeiro possa nascer?

O amor silencioso: quando os gestos falam mais que as palavras

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Imagine um mundo onde o som não existe. Onde as vozes foram caladas por algum capricho divino e tudo o que resta são ações, olhares, gestos, presenças. Nesse mundo, você ainda se sentiria amado pelas pessoas com quem convive? Sem os “eu te amo”, os “estou aqui para você”, os “você é importante para mim”, o que sobraria? E, mais crucial ainda: o que se revelaria?

Essa pergunta simples, quase poética, esconde uma provocação brutalmente lúcida: quantas das nossas relações são sustentadas apenas pelo discurso? Quantas conexões existem apenas enquanto há palavras para encobrir a ausência de compromisso, cuidado ou verdadeira presença?
As palavras são fáceis. Elas encantam, disfarçam, seduzem. Mas o amor, o verdadeiro amor — seja romântico, fraternal, de amizade ou comunitário — precisa de solo firme. Ele não sobrevive só na garganta; precisa brotar dos pés que caminham ao seu lado, das mãos que sustentam nos dias difíceis, dos olhos que te veem mesmo quando você tenta se esconder.
Se os que estão ao seu redor perdessem a capacidade de falar, o silêncio deles te aqueceria ou te congelaria?
Essa reflexão não é apenas sobre os outros. É, acima de tudo, um espelho: suas ações também fariam os outros se sentirem amados se você não pudesse mais falar? O silêncio é, por vezes, o teste mais implacável da verdade.
Na liderança, esse princípio é fatal. Há líderes que dizem “minha equipe é tudo para mim”, mas estão sempre ausentes quando os problemas aparecem. Líderes que proferem discursos inflamados, mas que nunca levantam uma cadeira para o outro sentar. Líderes que falam de “missão” e “propósito”, mas que na prática, priorizam apenas seus próprios confortos e ambições.
Na vida pessoal, seguimos a mesma lógica. Maridos, esposas, filhos, amigos: quantas dessas relações sobrevivem de aparência e expectativa? Quantas pessoas estão gritando amor com a boca, mas abandonando com o corpo, com a agenda, com o olhar que não escuta?
Espiritualmente, o silêncio revela uma verdade mística. O Divino, em muitas tradições, fala menos com palavras e mais com presença. Com sincronicidades, com consolo no inesperado, com força que brota no meio da dor. Quem está acordado espiritualmente sabe: o que não se fala, grita.
Talvez seja tempo de você fazer um inventário silencioso das suas relações. Não baseado no que dizem de você, mas no que fazem por você. E, sobretudo, fazer o movimento inverso: observar o que suas ações — não suas palavras — estão comunicando para os outros. Você tem sido abrigo ou só ruído?
Se você sente um vazio nas suas conexões, talvez não falte diálogo. Talvez falte presença. Talvez falte coerência entre o que se diz e o que se demonstra.
Talvez seja hora de fazer menos promessas e mais cafés. Menos declarações e mais escuta. Menos justificativas e mais abraços silenciosos. O amor, quando verdadeiro, é um verbo — não um substantivo.
Eis a escolha que se apresenta: continuar cercado de vozes vazias ou cultivar silêncios cheios de verdade? Continuar seduzido por discursos ou transformar a própria presença em porto seguro para os outros?
A verdade sempre foi simples: quem ama, demonstra — mesmo mudo.
Pergunta final:
Se tudo que você diz fosse apagado da memória dos que te cercam, o que suas ações deixariam gravado no coração deles?