speramos uma postura nova do Governo do Distrito Federal em relação à gestão da Saúde que vá além do anúncio de que a Saúde passou a ser prioritária – o que é importante, mas que todos nós estamos habituados a ouvir nos discursos políticos, especialmente em ano eleitoral.
Isso não ocorreu nos dois mandatos de Ibaneis Rocha, que foi avesso ao diálogo com os servidores públicos. Conversou até o segundo turno das eleições de 2018 – depois, trancou-se no gabinete e foi tocar obras, seguindo o antigo roteiro do político que entrega pistas e viadutos vistosos. Digo isso para ficar claro que eu considero mais importante a vida e a saúde das pessoas que vivem na cidade do que o asfalto dela.
Enfim, o fato é que o GDF tem o dever de entregar à população um serviço público de saúde que funcione de forma eficiente e com boa qualidade. E o servidor público da saúde é parte central para que esse resultado seja alcançado.
Vamos a um resumo da situação em que o ex-governador deixou a saúde: o contingenciamento do orçamento da Saúde se tornou prática recorrente. Em 2023, mais de R$ 400 milhões foram retirados do Fundo de Saúde. Em 2025, a área voltou a ser atingida. E este ano o corte ultrapassou R$ 1 bilhão.
Os hospitais acumulam desgastes estruturais, leitos de UTI foram fechados, a pediatria reduziu atendimentos e crianças ficaram sem assistência adequada. Exames de baixa, média e alta complexidade estão atrasados e gerando prejuízos à saúde de milhares de cidadãos do Distrito Federal e as filas de espera por cirurgias continuam imensas. Óbitos evitáveis são uma trágica rotina.
O que sugerimos à governadora nas primeiras conversas desde que assumiu o cargo foi reinventar a Secretaria de Saúde do DF – sair do plano dos anúncios de obras que serão entregues um dia para fazer a estrutura que já existe funcionar adequadamente desde já e não em um futuro indefinido.
*Esperamos melhores condições para dar assistência à população*
Para isso, apontamos que é necessário criar as condições de remuneração, de trabalho e de segurança e a realização de concursos públicos para o preenchimento dos postos de trabalho vagos na Saúde – refiro-me a servidores do quadro permanente. Só no caso dos médicos o déficit é de mais de 50% do quadro previsto. Sem médicos e demais profissionais de saúde, a construção de novas unidades de saúde não resolve nada.
Mas a saúde não espera e o sofrimento dos pacientes exige urgência e enquanto não chegam novos servidores da saúde, é preciso um plano emergencial para regularizar os atendimentos pendentes, para reduzir a espera pelos procedimentos represados: consultas, exames e cirurgias. Nós, pacientes e profissionais de saúde esperamos há tempos por medidas concretas pra acabar com as filas.
No âmbito administrativo, passou muito da hora de integrar os sistemas informatizados de toda a rede – quem está na ponta do atendimento perde muito tempo pulando de um sistema para outro para acessar os prontuários e fazer todos os encaminhamentos necessários em cada um dos atendimentos – é preciso otimizar o tempo dos médicos e demais profissionais de saúde e dedicá-lo mais ao paciente do que à burocracia.
A estrutura administrativa da Secretaria de Saúde também tem que ser aperfeiçoada, com reavaliação das coordenações, das competências dos diretores de hospitais, maior autonomia para quem precisa tomar decisões. Tem que ser elaborado e dado ao conhecimento público o cronograma de construções e reformas nas unidades públicas de saúde.
Estamos negociando a inclusão no orçamento dos recursos necessários para a reformulação do plano de carreira, cargos e salários e realização de concurso para o quadro permanente da Secretaria de Saúde.
*Esperamos um SUS funcionando plenamente no DF*
Sem a adoção de medidas adequadas e sem prioridade real, o sistema de saúde, que já está colapsado em larga escala, enfrentará o aumento do caos em curto espaço de tempo, gerando a necessidade de adoção de medidas paliativas urgentes que exigiriam um gasto maior de dinheiro dos cofres públicos do que seria necessário com medidas planejadas e executadas de forma eficiente.
Os desafios acumulados ao longo dos anos são grandes, o orçamento deste ano já delimitou possibilidades de ação e, sendo um ano eleitoral, outras limitações de ação se impõem. Nem por isso se pode deixar de tomar as medidas necessárias para valorizar os servidores e melhorar a assistência aos usuários do SUS no DF.



