Quando a gente era criança, a idade era como um distintivo, válido na falta da diplomas. “Olha, fulano já tem 9 anos!”. E por ter 9 anos, fulano era uma autoridade entre nós.
Depois você cresce, passa a barreira dos vinte e poucos, atravessa a marca dos trinta e esse negócio de perguntar pelos anos vai rareando.
O fato é que hoje em dia perguntam minha idade umas cinco ou seis vezes ao ano, todas imediatamente após o meu aniversário. A resposta não sai fácil. Tenho de fazer cálculos, lembrar que já não tenho aquela idade, mas sim a nova, e responder ao meu interlocutor curioso.
Depois, quando eu já decoro minha nova idade e a tenho na ponta da língua, pronta para responder a quem me pergunta quantos anos tenho, então ninguém mais quer saber da idade. Passo o ano todo assim. Faço um novo aniversário, e naquelas vinte dias em seguida ao natalício é que vêm as cinco perguntas.
Outro fato que se dá próximo ao meu aniversário – e que acontece todos os anos – é a clonagem do meu cartão de crédito. Sim, todos os anos chega uma época em que há uma compra não reconhecida, acima dos mil reais, e tenho de passar pela saga de ligar, bloquear, pedir segunda via e contestar.
Mas todos sabemos que não é tão fácil assim. Antes, a gente digita o CPF três vezes no celular e depois repete novamente o número para dois atendentes diferentes. Isso quando a ligação não cai – e ela cai sempre!
Você já decora os números do menu eletrônico. Liga de novo e já vai digitando 1, depois 4, depois CPF, depois 9 e aguarda o atendente.
Dessa vez a ligação não caiu. Será que o bandido fez novas compras nesse ínterim? Só nessa hora desperdiçada tentando bloquear o cartão dava para comprar muita coisa online…
– Senhor, vou fazer algumas perguntas de segurança. Qual a sua idade?
A minha idade! A resposta está na ponta da língua… mas era a idade antiga. Respondo errado, me emendo, penso e falo minha novíssima idade.
Ela faz outras perguntas de segurança. Respondo novamente. E então, ao final de tudo…
– Senhor, por motivo de segurança não vou estar podendo dar continuidade à solicitação. Peço que o senhor entre em contato novamente mais tarde.
Foi a idade! Errei a idade, até porque essa foi a primeira das cinco perguntas que me fazem assim que completo aniversário.
Seria mais fácil para mim se o cartão fosse clonado mais para frente, quando eu já tivesse consolidado mentalmente a minha idade, e não dessa forma, a clonagem todo ano bem próxima ao meu aniversário.
E lá vou de novo percorrer todo o caminho até conseguir o bloqueio do cartão. Paciência. Coisa que se vai aprendendo com os anos… Quantos anos?



