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sábado, novembro 29, 2025

Sabe quando você não esta esperando nada e, de surpresa, vindo no vento, chega na sua casa um envelope diferentaço, quase sorrindo e pedindo: me abre, me abre que tem boas novas aqui dentro.

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Pois isso aconteceu hoje com uma correspondência enviada pelo poeta-irmão Nicolas Behr a mim.

Dentro, um histórico tabloide de quatro páginas que editamos em Brasilia em 1981 (42 anos, portanto) l- o BRASILLIS, cuja manchete era: “libertários, uni-vos!”

Na capa, cifras do reggae “Um telefone é muito pouco”, música ? de Renato Matos que fez sucesso na época e chegou a ser gravada por Leo Jaime.

E mais chamada: “macuna aí que eu macuno aqui” de Regina Bittencourt (embaixo de uma estampa do herói sem caráter vigiado por um general.

Uma foto da “Progressalia” e todos os 16 participantes.

Na outra, a figura de Renato Matos tentando dar seu alô pelo telefone gigante.

Na capa de trás, seis (6) postais com geniais colagens de Paulo Andrade, com indígenas de várias etnias ocupando de forma sadia vários prédios de Niermeyer.

Nas páginas internas, além do editorial da professora de Letras da UnB Maria Christina Diniz Leal, datado de setembro de 1981, um conjunto de poemas com seus grafismos.

No seu texto- editorial, que vale um estudo da época (Brasilia nas Diretas Já, fim da ditadura militar) a mestra anuncia que o disco de RM “Um telefone é muito pouco” é “outro marco da história do processo cultural de Brasília, assim como o grupo Cabeças, o Grande Circular de artes visuais, o Orgasmo da Década, a Progressália e as Noites Brasilianas.

O título do editorial é a palavra “introdução” repetida por 5 vezes com um “in” solto no final.

Tudo era poesia e conceitos.

As duas páginas internas estampam fotos de Renato Matos, das Ministêricas, e um poema-desenho de Zuca Sardana – A Odalisca, desenhado pelo mestre.

Na outra página, poemas de TT Catalão, Marlene dos Santos (mãe de RM), Ézio Pires, Luis Martins, Mancasz, Chico Alvim, Ariosto Paz, João Borges, Juan Pratiginestos, e uma tradução da letra da musica “Woman”, de John Lennon, feita por Luis Turiba para Lúcia Leão,

Nicolas Behr

O poeta Nicolas Behr estampou nesta página a surpreendente frase: “Um antropólogo que tentasse fazer um estudo do inconsciente coletivo do brasiliense deveria antes passar uma semana andando de Grande Circular, ininterruptamente.

Grande circular era o ônibus que ficava rodando pelas Asas Sul e Norte.
Tempos depois, acho que em 1983, lançamos a revista de poesia “ Grande Circular” que por sua vez deu origem a Bric-a-Brac.

O Brasillis tinha como editor-final este que vos escreve; Luis Turiba. A programação visual de Regina Ramalho; logomarca de Selma Bloch (Mangala) e Produção de Lúcia Toribio (depois Lucia Leão)

Se alguém for estudar as origens da Bric-a-Brac não pode deixar de citar o Brasillis, embrião de um projeto que se tornou histórico. Ali nasceu uma geração que fez história em Brasília.

Luís Turiba – Poeta e jornalista

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