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Conectividade e Inclusão Digital é tema do 30º Prêmio Jovem Cientista

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18/10/2023 - A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Mercedes Bustamante - Cerimônia de Lançamento do Prêmio Jovem Cientista - 20ª SNCT. Foto: Diego Galba (ASCOM/MCTI)

Inscrições serão abertas em janeiro de 2024

O 30ª Prêmio Jovem Cientista terá como tema Conectividade e Inclusão Digital. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (18), em Brasília, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a principal apoiadora do prêmio, a Fundação Roberto Marinho. 

As inscrições serão abertas no primeiro semestre de 2024. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, as linhas de pesquisa serão divulgadas em breve. 

A cerimônia de lançamento desta edição da premiação ocorreu durante 20ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, no centro da capital federal.. 

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, compreende que a escolha do tema foi acertada. “Ampliar a conectividade e assegurar a inclusão digital da população brasileira são passos decisivos para o combate à desigualdade, para a inclusão social, para o país avançar na transformação digital. A educação digital, o letramento digital, tudo que seja inclusão digital diminuirá o abismo da desigualdade, que já é muito grande.” 

18/10/2023 - A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos  - Cerimônia de Lançamento do Prêmio Jovem Cientista - 20ª SNCT. Foto: Diego Galba (ASCOM/MCTI)
Luciana Santos defende que a inclusão digital diminui o abismo da desigualdade- Diego Galba (ASCOM/MCTI)

Em 2024, o Prêmio Jovem Cientista terá cinco categorias premiadas: Estudante do Ensino Médio; Estudante do Ensino Superior; Mestre e Doutor; Mérito Institucional; e Mérito Científico. Nesta última categoria, receberá homenagem a pesquisadora ou o pesquisador que tenha se destacado na área relacionada ao tema da edição.  

O presidente do CNPq, o físico e engenheiro Ricardo Galvão, disse que a premiação reconhece cientistas de todos os tamanhos. “Não é só o cientista top, que está na linha de frente, que vai ser premiado. [O prêmio] começa desde o estudante do ensino médio, da graduação, àquele que ousa e quer fazer alguma coisa, além do livro que ele lê todos os dias. É para aquele que procura novos conhecimentos e não tem medo de errar.” 

“Não vamos ter um desenvolvimento sustentável, socialmente justo e econômico, sem políticas públicas fortemente baseadas na ciência e na tecnologia. Para isso, é necessário o cidadão comum, não somente o cientista e o professor universitário, ter uma compreensão da relevância da ciência”, reforçou o presidente do CNPq. 

18/10/2023 - Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) - Cerimônia de Lançamento do Prêmio Jovem Cientista - 20ª SNCT. Foto: Diego Galba (ASCOM/MCTI)
Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ressalta que premiação reconhece cientistas de diversas fases – Diego Galba (ASCOM/MCTI)

Com a escolha dos premiados em cada edição, a organização do Prêmio Jovem Cientista tem o objetivo de reconhecer talentos, impulsionar a pesquisa científica e, igualmente, investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram inovar na solução dos desafios da sociedade. 

A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação, Mercedes Bustamante, defendeu que é preciso incentivar jovens para a carreira científica. “A gente percebe a necessidade de formação dessa nova geração de pesquisadores brasileiros, para que entendam que a carreira científica é uma contribuição essencial para um desenvolvimento soberano, sustentável, justo e equitativo para o Brasil.” 

João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, convidada pelo CNPq para articular o prêmio, afirmou que a ciência já está no cotidiano das comunidades e que o Prêmio Jovem Cientista contribui para aproximar essas realidades. “Que a gente aproveite essa jornada para compartilhar método de processos da ciência, para inspirar pessoas e que elas entendam o valor da ciência do conhecimento. É muito bom a gente demonstrar como produção de conhecimento está próxima à vida das pessoas e transforma a sociedade”. 

Cientistas 

O evento de lançamento do Prêmio Jovem Cientista contou a presença de diversos pesquisadores, representantes das sociedades científicas e da sociedade civil. Entre os convidados, o professor da Universidade de Brasília (UnB), Gilberto Lacerda, agraciado na categoria de Graduação, na edição de 2001, testemunhou sobre os legados da premiação. 

Para o pesquisador, além de reconhecer a excelência da produção de conhecimento científico, o que mais importa é a divulgação desses trabalhos para que não se percam e deixem de ser úteis à sociedade. “É muito importante a divulgação. Há teses de doutorado que são geniais, mas, podem ficar para sempre em cima da mesa. Na época da minha premiação, desenvolveram todo um aparato de divulgação e foi isso que permitiu que a pesquisa viajasse a outros países: Estados Unidos, França, Canadá, Áustria”, recorda-se Gilberto Lacerda. 

Jaqueline Goes, biomédica da equipe que fez o primeiro sequenciamento do genoma do novo coronavírus,  vê o Prêmio Jovem Cientista como uma excelente oportunidade de incentivar o trabalho dos cientistas. “A gente vem de um período recente em que a ciência foi completamente deixada de lado, desprestigiada em seus feitos e, principalmente, atacada. Então, a retomada do prêmio, sem dúvidas, é a retomada da ciência. De fato, é o comprometimento que a gente vê dentro da nova gestão [federal], com o reconhecimento dos cientistas”. 

“Quando divulgamos à sociedade o prêmio e os cientistas vencedores, também estamos divulgando a ciência e fomentando essa curiosidade, essa possibilidade de jovens acessarem esse conhecimento e, assim, se inspirarem para participarem das novas gerações de cientistas”, prevê a pesquisadora Jaqueline Goes de Jesus. 

18/10/2023 - Cientista Jaqueline Goes de Jesus - Cerimônia de Lançamento do Prêmio Jovem Cientista - 20ª SNCT. Foto: Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)
 Cientista Jaqueline Goes de Jesus na cerimônia de Lançamento do Prêmio Jovem Cientista – Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)

Prêmio Jovem Cientista 

O Prêmio Jovem Cientista foi instituído em 1981 pelo CNPq, com a parceria da Fundação Roberto Marinho. A premiação é considerada um dos mais importantes reconhecimentos aos cientistas brasileiros. 

Nestes 42 anos de existência, a premiação reconheceu 194 pesquisadores e estudantes, além de 21 instituições de ensino médio e superior, nas 29 edições anteriores. A última ocorreu em 2019. 

Edição: Aline Leal 

Por Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil – Brasília 

Análises sobre mortes de botos no AM deve sair em até uma semana

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Pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá retiram boto morto do Lago Tefé, no Amazonas 03/10/2023 REUTERS/Bruno Kelly

Em setembro morreram mais de 150 botos e tucuxis no Lago Tefé  

Pesquisadores da equipe da operação Emergência Botos Tefé esperam ter, em uma semana, uma resposta mais precisa das causas da mortandade de mais de 150 botos e tucuxis ocorrida desde o dia 28 de setembro, no Lago Tefé, no Médio Solimões, no Amazonas.

Eles aguardam o resultado de exames realizados nas carcaças dos animais, especialmente nos tecidos cerebrais para saber se houve alguma alteração ocasionada pela alta temperatura do lago ter causado a morte dos animais. A temperatura elevada das águas do lago, que chegou a mais de 39°C, é considerada a principal hipótese das mortes.

“Tem algumas análises que são chave, e que ainda não chegaram os resultados, em especial às relacionadas aos tecidos, [como] o tecido do cérebro dos animais que foram para análise, para a gente saber se tem alguma alteração no cérebro que possa ter ocorrido por causa da hipertermia, devido apenas a elevadíssima temperatura da água. A gente espera dentro de uma semana, no máximo, ter o resultado. São análises complexas de laboratório e que o pessoal está correndo contra o tempo para fazer”, explicou à Agência Brasil o coordenador da Comissão Técnica Águas da Amazônia da ABRHidro e pesquisador do Instituto Mamirauá, Ayan Fleischmann.

No dia 28 de setembro, quando 70 botos morreram, a temperatura da água atingiu 39,1°C. Apesar de ser apontada como principal fator, os pesquisadores ainda não descartam a possibilidade de outras causas, como alguma patologia ou intoxicação causada pelo crescimento de fitoplânctons.

“A gente segue querendo esgotar outras possibilidades, porque é difícil ter um diagnóstico único, se foi por temperatura. O que a gente consegue é fechar um quadro e dizer que todos os sinais clínicos identificados na necrópsia, por exemplo, indicam que pode ter sido por hipertemia”, observou Fleischmann.

Boletim mais recente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que coordena as ações, registrou a morte de 153 botos até terça-feira (17). Do total, 130 botos são vermelhos e 23 são tucuxis.

Segundo o boletim, 104 animais foram necropsiados e as amostras de tecidos e órgãos enviadas para diversos laboratórios especializados distribuídos pelo Brasil.

“Tivemos 17 indivíduos já avaliados com análises histológicas e, até o momento, não há indício de um agente infeccioso relacionado como causa primária da mortalidade. O diagnóstico molecular [PCR] de 18 indivíduos também deu resultado negativo para agentes infecciosos, como vírus e bactérias, associados a mortes em massa”, informou o instituto.

O boletim aponta ainda que a mortandade de peixes na região é considerada normal para eventos de seca extrema. Outra equipe, responsável por monitorar os fitoplânctons no lago, registrou proliferação da alga Euglena sanguínea, desde o dia 3 de outubro, mas que, até o momento, não há evidências de que sua toxina esteja relacionada à mortalidade de golfinhos nem que tenha causado a morte de peixes no Lago Tefé.

Barreira

Para evitar mais mortes de botos, os pesquisadores estão montando uma espécie de cordão para isolar trechos mais quentes e conduzir os botos para áreas mais profundas do lago, onde a temperatura é mais baixa.

A estratégia consiste no isolamento da Enseada do Papucu, considerada um ponto crítico, e a condução dos animais para fora desse trecho, com a implementação de uma barreira física chamada pari, feita de estacas de madeira baseada no conhecimento tradicional ribeirinho. Posteriormente, será realizada a condução dos animais para áreas mais profundas e menos quentes do lago.

A condução para águas mais profundas também tem por objetivo evitar uma intervenção direta com os animais, que pode causar mais estresse. Em uma situação mais específica, o setor da operação responsável pelo monitoramento dos animais vivos poderia efetuar o resgate de um ou mais indivíduos. Até o momento nenhum animal foi resgatado.

Edição: Fernando Fraga 

Por Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil – São Luís

Construído pela PaulOOctavio no SOl Nascente, CEPI Sarah Kubitschek é inaugurado

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O Sol Nascente ganhou a mais moderna creche do Distrito Federal nesta terça-feira (17). O Centro de Educação da Primeira Infância (Cepi) Sarah Kubitschek foi entregue à população pelo governador Ibaneis Rocha, pela secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, e pelo empresário Paulo Octávio, patrocinador da obra. A unidade, localizada na Quadra 500 do Trecho 1, vai atender 188 crianças em período integral, do berçário ao maternal.

Segundo o governador Ibaneis Rocha, esta foi mais uma entrega importante para a região. “É bela parceria feita entre o GDF e as Organizações PaulOOctavio, aqui representadas pelo Paulo, pelo André Kubitschek e pela Anna Christina. Uma parceira também com o Ministério Público, que nos apoiou em todos os momentos e vem nos ajudando muito, junto com o Tribunal de Justiça, na pauta da educação da primeira infância. A secretária Hélvia Paranaguá tem se empenhado ao máximo para baixar o número de crianças que estão na fila das creches. A gente viu a alegria destas crianças, neste ambiente maravilhoso que foi construído pela PaulOOctavio”, destacou.

A seu lado, o empresário Paulo Octávio elogiou a qualidade da arquitetura do CEPI Sarah Kubitschek. “Esse é um projeto ousado e inovador, feito pelas arquitetas da Secretaria de Educação pensando na criança, que tem de ter acesso a cadeiras, banheiros e refeitório. Tudo está integrado em torno delas. A creche vem em boa hora, para atender a alta demanda, e a PaulOOctavio está feliz em contribuir com o desenvolvimento social desta regiãoa. A homenagem a Dona Sarah Kubitschek é muito simbólica também, e nós estamos unindo o pai e a mãe de Brasília, pois aqui ao lado está a Escola Classe JK”, destacou, lembrando a unidade também construída pela PaulOOctavio e entregue em 2020.

“Estarão sendo formadas aqui os líderes do amanhã, com um tratamento até melhor que o dado em muitas escolas mais tradicionais. Fico feliz em fazer parte deste projeto. Ao inaugurar esta creche, podemos ver a alegria das crianças e das mães, que vão poder trabalhar sabendo que seus filhos estarão bem alimentados e bem cuidados”, disse o empresário.

A solenidade de inauguração contou com a presença de diversas autoridades, entre elas a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, e de representantes da família de JK e de Dona Sarah Kubitschek, como a neta Anna Christina Kubitschek, presidente do Memorial JK, e do empresários André Octávio Kubitschek e Felipe Octávio Kubitschek, os únicos bisnetos do casal nascidos em Brasília.

Coube a André Octávio Kubitschek falar em nome da família de Dona Sarah. Após agradecer a homenagem feita à bisavó, ele destacou o papel da ex-primeira-dama na história do Brasil. “Esta escola tem um significado muito especial, pois carrega o nome de uma mulher da qual muito me orgulho. Minha bisaavó foi uma das primeiras-damas mais atuantes do Brasil, sempre interessada no bem comum e em projetos sociais com o intuito de fortalecer milhares de famílias”, disse, lembrando a criação das Pioneiras Sociais, de apoio às mulheres e crianças de baixa renda, e o hospital Sarah Kubitschek, hoje uma rede nacional de referência em reabilitação e tratamento ortopédico.

“Ela também foi responsável pela criação dos primeiros comitês femininos, o que estimulou a participação ativa das mulheres na política. E teve em suas mãos o grande desafio de, ao lado de Oscar Niemeyer de edificar o Memorial JK, eternizando a história do nosso fundador, e que hoje é uma das joias da arquitetura de Brasília e o museu mais visitado da nossa Capital”, completou, lembrando ainda o exemplo de “coragem, ousadia, talento, responsabilidade e competência” que ela foi.

Atendimento à população


O CEPI Sarah Kubitschek tem 1.637,63 m² de área construída, com toda a infraestrutura necessária para que crianças até 3 anos passem 10 horas por dia na instituição. Com dez salas de aulas, uma sala multiuso, lactário e sala de amamentação, pátio coberto, parquinho, cozinha, refeitório e estrutura administrativa completa, a unidade conta ainda com chuveirões na área externa para aplacar o calor dos dias mais quentes.

Para a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, casos como o de Ayla e Fernanda são incentivos à política de educação infantil. “A creche tem um valor muito importante, principalmente em regiões onde as mães precisam ter um espaço para deixar seus filhos enquanto trabalham”, explica. “Temos, ainda, a construção de outras 17 unidades em processo de licitação. Vamos conseguir diminuir bastante a espera por vagas”, informou.

Saiba porque Oswaldo Aranha é homenageado em praças e ruas de Israel

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O diplomata e político Oswaldo Aranha foi o presidente da Segunda Assembleia Geral da ONU que votou o plano de partilha da Palestina, em 1947. Foto: Nações Unidas

Diplomata presidiu assembleia que reconheceu criação do país

O desavisado turista brasileiro que estiver passeando pelo bairro de Mamilla, em Jerusalém, poderá ter uma agradável surpresa ao ver uma placa “dedicada ao nobre povo brasileiro”, em uma simpática praça. Não é por acaso que essa homenagem está ali, escrita em hebraico e português.

Trata-se da Praça Oswaldo Aranha, localizada bem próxima à Cidade Velha de Jerusalém, e batizada em homenagem ao diplomata brasileiro. Mas essa não é a única homenagem que Israel presta a Aranha. Há ruas com seu nome na capital, Tel Aviv, e na cidade de Be’er Sheva, no sul do país.

Mas o que esse diplomata brasileiro fez para merecer esse reconhecimento em Israel? Em 1947, o Reino Unido se preparava para deixar a Palestina, região majoritariamente árabe que lidava com uma recente e crescente imigração judaica, apoiada pelo governo britânico por meio da Declaração de Balfour, de 1917.

A rápida modificação no equilíbrio demográfico da região gerou tensões entre as duas comunidades. De um lado, árabes que compunham grande parte da população da região pelo menos desde o século 7 depois de Cristo. Os ancestrais de muitos deles possivelmente habitavam aquela região por milênios e foram apenas convertidos ao cristianismo e, posteriormente, ao islamismo.

De outro, judeus, que ao longo dos séculos, desde antes de Cristo, marcaram sua presença na região com uma pequena população e que agora vinham de todos os lugares do mundo – e principalmente da Europa oriental – voltando para um local que, segundo a tradição judaico-cristã, lhes fora prometido por seu Deus.

A solução para a situação explosiva foi entregue para a Organização das Nações Unidas (ONU), na época ainda uma criança de apenas 2 anos de idade. A Assembleia Geral, órgão que representa igualitariamente todos os membros da ONU, se propôs a estudar a questão, em uma sessão especial.

A Assembleia havia sido criada no ano anterior e só havia tido uma sessão ordinária. Nascido em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1894, o jurista, cientista social e diplomata brasileiro Oswaldo Aranha foi eleito para presidir essa primeira sessão especial.

Nessa sessão, sob a presidência de Aranha, foi concebida a solução para a Palestina, a sua divisão em dois estados, um para os judeus e outro para os árabes. E, apesar da orientação do Itamaraty para que o Brasil se abstivesse de votar, a delegação brasileira, sob o comando de Aranha, votou a favor da partilha, que foi aprovada.

“Oswaldo Aranha foi importante nesse processo, porque ele não se limitou a presidir de uma maneira indiferente a votação. Ele se empenhou para que a divisão fosse reconhecida e aquela situação fosse resolvida, para que cada povo fosse acomodado e construísse o seu estado. Portanto, Oswaldo Aranha agiu todo o tempo de boa-fé, interessado em resolver aquele conflito envolvendo os dois estados”, explica Williams Gonçalves, professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).  

A solução acabou não sendo implantada porque países árabes discordaram da solução. Em 1948, no momento em que os britânicos deixaram a Palestina, quando os dois estados deveriam nascer, houve uma guerra entre Israel, recém-nascido, e vizinhos árabes.

O resultado foi que Israel não apenas se consolidou como o único Estado nascido da partilha, como ampliou o território que havia sido designado a ele pelas Nações Unidas. O que restou do território designado aos palestinos, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, foi ocupado respectivamente pelo Egito e Jordânia.

A situação se prolongou até 1967, quando em uma nova guerra com países árabes, Israel tomou Gaza e a Cisjordânia. Depois do acordo de Oslo, em 1993, Israel permitiu à Autoridade Nacional Palestina (ANP) uma autonomia limitada em partes dos dois territórios palestinos.

Em 2005, Israel saiu completamente de Gaza, mas manteve a ocupação militar da Cisjordânia.

Biografia

Oswaldo Aranha começou sua vida política em um movimento estudantil, fazendo oposição a figuras importantes da política gaúcha, como o já ex-presidente marechal Hermes da Fonseca e o senador Pinheiro Machado.

De acordo com o Centro de Pesquisa e Documentação da História Contemporânea do Brasil (CPDOPC) da Fundação Getulio Vargas (FGV), já advogando, em 1917, Aranha conheceu Getúlio Vargas, que na época também era advogado. Essa aproximação dos dois se consolidou em 1928, quando Vargas, então presidente do Rio Grande do Sul, convidou o jurista para ser seu secretário do Interior.

De acordo com o CPDOC/FGV, Aranha também foi uma das peças centrais da Revolução de 1930, que subverteu o resultado da eleição presidencial daquele ano, impedindo a posse do vencedor Júlio Prestes e levando ao poder Getúlio Vargas, o candidato derrotado.

Oswaldo Aranha teria sido uma das vozes que propagandearam as fraudes nas eleições de 1930 e, segundo o CPDOC/FGV, chefiou o primeiro ataque armado da revolução, em 3 de outubro daquele ano. Aranha também foi quem negociou a passagem do poder da junta militar que depôs o presidente Washington Luís, em meio à revolução, para Getúlio Vargas.

Com prestígio no novo governo, Aranha tornou-se ministro da Justiça e depois ministro da Fazenda. Depois de um tempo como embaixador em Washington, nos Estados Unidos, foi nomeado ministro das Relações Exteriores, justamente durante o período em que eclodiu a Segunda Guerra Mundial.

No fim do governo de Vargas e sem prestígio com o presidente, Aranha afastou-se da vida política para voltar a advogar, em 1944.

Em 1947, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, foi nomeado chefe da delegação brasileira na ONU, cargo que deixou no mesmo ano, depois de resolvida a questão israelense-palestina.

No segundo governo Vargas, voltou a ser ministro da Fazenda, cargo que ocupou até o suicídio do presidente. Ainda retornaria à ONU, como chefe da delegação brasileira, em 1957. Oswaldo Aranha morreu em janeiro de 1960.

Edição: Fernando Fraga 

Acampamento reúne jovens do campo, águas e florestas em Brasília

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Brasília (DF) 16/10/2023 - Acampamento da Juventude em Luta, por Terra e Soberania Popular realizado pela Via Campesina. reúne dois mil jovens camponeses de 22 estados. Na programação, debates sobre a conjuntura política nacional e global, a questão feminista e antirracista, arte, cultura e as tarefas da juventude frente às questões ambientais. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Mobilização com mais de 2 mil jovens termina nesta terça-feira

Mais de dois mil jovens camponeses de 22 estados e de países como a Venezuela, Cuba, Equador e Colômbia estão reunidos desde sexta-feira (13), em Brasília, no Acampamento da Juventude em Luta, por Terra e Soberania Popular.

O encontro é articulado pela Via Campesina Brasil, organização que reúne diversos movimentos sociais representando trabalhadores do campo, das águas e das florestas. A mobilização segue até esta terça-feira (17), no Ginásio Nilson Nelson, no centro da capital federal.

O objetivo é debater os desafios da juventude e reunir as diversas reivindicações em uma pauta para, então, dialogar com autoridades públicas, convidadas a participar das conversas.

O representante do Coletivo Nacional de Juventude do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) Daniel Souza mora em Rondônia e conta que o acampamento é resultado da construção coletiva de lutas, discutidas desde os territórios de cada um dos participantes.

“A gente está se organizando para, a partir daqui, ter uma plataforma de luta comum da juventude camponesa do Brasil. A gente pauta o governo também com esse documento, mas a partir do que veio dos nossos municípios e nossas comunidades, com tudo aquilo que é um norte para a juventude.”

Durante estes dias, jovens de 14 a 29 anos têm participado de debates e mesas redondas, oficinas, apresentações culturais, plantio de árvores, entrega de doação de alimentos a comunidades em situação vulnerabilidade social e, ainda, da mostra de produção da juventude com alimentos saudáveis, artesanatos e sementes que promovem a geração de renda no campo.

Brasília (DF) 16/10/2023 - Acampamento da Juventude em Luta, por Terra e Soberania Popular realizado pela Via Campesina. reúne dois mil jovens camponeses de 22 estados.  Na programação, debates sobre a conjuntura política nacional e global, a questão feminista e antirracista, arte, cultura e as tarefas da juventude frente às questões ambientais.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Acampamento conta com jovens de países como a Venezuela, Cuba, Equador e Colômbia – José Cruz/Agência Brasil

Segundo a organização do Acampamento da Juventude em Luta, o último evento deste tipo ocorreu em 2014, no Rio Grande do Sul. Para a vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, a pernambucana Daiane Araújo, de 27 anos, após este hiato de nove anos, o acampamento deste ano marca um momento de retomada da organização política e de uma agenda de mobilização.

“É um momento muito importante, porque a gente passou uma geração inteira com retrocessos e retirada de direitos. A pandemia [de Covid-19] também interferiu muito na nossa organização política, enquanto juventude”.

Segundo Daiane, outro destaque do evento é a oportunidade de reunir os jovens do campo com os da cidade:

“O que a juventude também quer dizer é que a gente é capaz de construir um projeto de Brasil. Sem a juventude brasileira, a gente não consegue esperançar um futuro.”

On line

No acampamento, a juventude da Via Campesina se mobiliza nas redes sociais por meio da hashtag #JuventudeEmLuta, e com o perfil Juventude em Luta para reafirmar a identidade camponesa e unificar as discussões em torno das pautas do encontro nacional.

Brasília (DF) 16/10/2023 - Acampamento da Juventude em Luta, por Terra e Soberania Popular realizado pela Via Campesina. reúne dois mil jovens camponeses de 22 estados.  Na programação, debates sobre a conjuntura política nacional e global, a questão feminista e antirracista, arte, cultura e as tarefas da juventude frente às questões ambientais.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Programação inclui debates sobre a conjuntura política nacional e global, além de arte, cultura e as tarefas da juventude frente às questões ambientais – José Cruz/Agência Brasil

Via Campesina

A Via Campesina Brasil faz parte de um movimento internacional que coordena organizações camponesas representantes de pequenos e médios agricultores, povos indígenas, comunidades tradicionais, pescadores de pequena escala, de diversas partes do mundo. O movimento camponês luta pela produção de alimentos como solução para o combate à fome e garantia da soberania alimentar, de forma igualitária para todos.

No Brasil, a Via Campesina é composta pelas entidades:

  • Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST);
  • Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA);
  • Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB);
  • Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM);
  • Movimento de Mulheres Camponesas (MMC);
  • Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq);
  • Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP)
  • Pastoral da Juventude Rural (PJR)

Edição: Denise Griesinger 

Relatório final da CPMI dos atos golpistas será apresentado amanhã

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Palácio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília

Eliziane Gama protocola parecer nesta segunda-feira 

A leitura do relatório final da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas do dia 8 de janeiro está marcada para terça-feira (17). A relatora do processo, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), vai apresentar as conclusões da investigação feita pelo colegiado desde o mês de maio. Também devem ser lidos os votos apresentados em separado por parlamentares da oposição.

No total, a comissão colheu 20 depoimentos, entre eles os de George Washington e Wellington Macedo, condenados por planejar a explosão de um caminhão-tanque no aeroporto de Brasília, no final de 2022. O empresário Argino Bedin, conhecido em Mato Grosso como Pai da Soja, acusado de financiar os atos também compareceu ao colegiado.

A comissão ouviu o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, coronel Mauro Cesar Cid, e o coronel Jean Lawand, que apareceu, em troca de mensagens telefônicas com Mauro Cid, defendendo intervenção militar após as eleições de 2022.

Também foram ouvidos o sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, que negou acusações sobre fraude no cartão de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro, de participação nos atos de 8 de janeiro ou de irregularidades em movimentação financeira considerada atípica. Segundo Eliziane, entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2022, o militar movimentou mais de R$ 3 milhões em sua conta.

Outros militares que prestaram depoimento à comissão foram os generais Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Gonçalves Dias, o G. Dias, que também comandou o GSI no dia dos ataques às sedes dos Três Poderes.

Em seu depoimento, o general Heleno negou ter ido a acampamentos golpistas ou ter participado de reuniões com chefes das Forças Armadas para combinar golpe de Estado.

Heleno minimizou a delação premiada de Mauro Cid, com o argumento de que o papel do ex-ajudante de ordens estava restrito a cumprir ordens do então presidente e, portanto, não participava de reuniões e nem teria relevância para a tomada de decisões.

Aos parlamentares, o general G. Dias admitiu que fez avaliação errada dos acontecimentos que culminaram em  depredações na Praça dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro. Segundo afirmou, recebeu informações divergentes por “contatos diretos” e disse que não houve negligência ou inércia dos militares no desmonte do acampamento montado em frente ao quartel general (QG) do Exército, em Brasília. Segundo ele, o trabalho foi feito de maneira sinérgica com pedidos de aumento de policiamento e de segurança.

Minuta do golpe

O ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres, também foi ouvido na comissão. Investigadores da Polícia Federal encontraram em sua casa um documento chamado “minuta do golpe”, que previa a decretação de Estado de Sítio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a prisão do ministro da corte, Alexandre de Morais, e a realização de novas eleições, caso Bolsonaro perdesse a eleição presidencial.

A CPMI ouviu ainda o hacker Walter Delgatti Netto, que afirmou aos parlamentares ter invadido os sistemas do Judiciário brasileiro a pedido da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que nega as acusações. Delgatti ainda afirmou que, a pedido de Bolsonaro, orientou os militares das Forças Armadas na elaboração do relatório sobre as urnas eletrônicas apresentado em 2022.

Delgatti disse que Bolsonaro ofereceu a ele indulto presidencial em troca da invasão de urnas eletrônicas e, em troca, assumiria a responsabilidade por suposto grampo colocado para monitorar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Indulto significa o perdão da pena, efetivado mediante decreto presidencial.

Após o depoimento de Delgatti, o colegiado decidiu quebrar sigilos bancários, fiscais, telemáticos e telefônicos, da deputada federal Carla Zambelli, do irmão dela Bruno Zambelli, deputado estadual por São Paulo, e do então assessor parlamentar da deputada, Renan César Silva Goulart. A comissão também determinou o acesso ao chamado Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da parlamentar. O RIF registra a movimentação financeira considerada “atípica”.

A cabo da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Marcela da Silva Morais Pinno, agredida por vândalos que invadiram as sedes dos três poderes, disse, em seu depoimento, que nunca tinha visto manifestação tão violenta e agressiva como a dos atos golpistas do 8 de janeiro.

Reta final

Em sua reta final, a CPMI enfrentou obstáculos, como a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques, que suspendeu quebras de sigilos do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. Na ocasião, a relatora disse que a liminarinviabilizava as investigações sobre a atuação do ex-diretor da PRF. 

“A decisão impede que esta comissão, ao final dos trabalhos, use absolutamente tudo referente ao ex-diretor da PRF Silvinei Vasques. Não é um recorte de alguma decisão, não é questionar alguma coisa que estivesse fora do escopo da CPMI. Ela anula por completo todo um processo de investigação que nós levamos aqui meses a fio”, afirmou.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) sob gestão do ex-diretor-geral Silvinei Vasques vem sendo acusada de tentar interferir na eleição presidencial do dia 30 de outubro de 2022 devido ao aumento da fiscalização em locais onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve mais votos no 1º turno. O ex-diretor nega as acusações. Vasques foi ouvido pela CPMI em 20 de junho.

Antes, o ministro do STF André Mendonça concedeu autorização para o segundo-tenente do Exército Osmar Crivelatti não comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de 8 de janeiro, na sessão marcada para ouvi-lo. Com a autorização Crivelatti não foi ouvido pelos integrantes da comissão (l).

No último dia 4, a CPMI cancelou o depoimento do subtenente Beroaldo José de Freitas Júnior, do Batalhão de Policiamento de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal, previsto para o dia seguinte (5).

O cancelamento ocorreu após o presidente da comissão, deputado Arthur Maia (União-BA),ter desmarcado, sem apresentar justificativa, o depoimento de Braga Netto previsto para o mesmo dia 5. Braga Netto foi ministro da Casa Civil e da Defesa do governo de Jair Bolsonaro, sendo candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022. Na sequência, o colegiado encerrou a fase de depoimentos.

Relatório

Eliziane Gama ainda não havia protocolado o seu parecer até a manhã desta segunda-feira, quando o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) apresentou um voto em separado no qual acusa a relatora de parcialidade nas investigações e pede que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, seja investigado por, entre outras condutas, omissão imprópria, obstrução de Justiça e prevaricação. Na avaliação do senador, Dino teria demorado a acionar a Força Nacional de Segurança para coibir a ação dos vândalos.

O argumento já havia sido rebatido pelo ministro que, em ofício à CPMI, respondeu que não poderia usar a Força Nacional na Esplanada dos Ministérios no dia 8 de janeiro sem uma autorização expressa do Governo do Distrito Federal. O senador também pede a abertura de inquérito ao ex-ministro-chefe do GSI, general G. Dias pelos mesmos crimes.

Edição: Maria Claudia 

Por Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil – São Luís