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segunda-feira, março 16, 2026
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Do Mimeógrafo ao QR Code: José Sóter celebra novas tecnologias sem abrir mão da poesia*

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Quase cinco décadas depois de começar a rodar seus primeiros “livrins” em mimeógrafos espalhados por escolas públicas de Brasília, o poeta José Luiz do Nascimento Sóter olha para o presente com o mesmo espírito experimental que marcou sua geração. Para ele, a poesia sobrevive — apenas muda de suporte. “Ontem era o mimeógrafo. Hoje é o laser, o QR Code e até a Inteligência Artificial. O livro, como o rádio, vai durar, mesmo que como fetiche”, afirma o poeta ícone da Geração Mimeógrafo.
Para o também professor, livros atuais podem incorporar QR Codes que direcionam para áudios e vídeos com os próprios autores lendo seus poemas, ampliando a experiência e tornando as obras mais inclusivas, quase como uma evolução na história do livro. “Colocávamos cores nos livros mimeografados; agora colocamos voz e imagem”, resume.

Nascido em Catalão (GO), em dezembro de 1953, Sóter começou cedo a se encantar pela palavra. Ainda menino, fazia trovinhas e assistia aos desafios poéticos nos pagodes da roça. Lia o que chegava às pequenas estantes do interior: almanaques populares, romances de bolso e, mais tarde, clássicos da poesia brasileira e mundial. Durante a ditadura militar, recorda, as leituras eram limitadas pela censura — mas isso não impediu que a inquietação literária crescesse.

No fim da década de 1970, em meio ao ambiente político repressivo, jovens escritores de Brasília encontraram no mimeógrafo uma ferramenta de liberdade. Assim nasceu a chamada Geração Mimeógrafo, movimento que marcou a cena cultural da capital entre os anos 1978 e 1998.
A proposta era simples e radical: produzir livros de forma artesanal, fora do circuito editorial tradicional, e vendê-los diretamente ao público em bares, teatros e saraus. Não havia ISBN, código de barras ou contratos. “Havia pressa, criatividade e desejo de circulação”, avalia o eterno poeta.

Entre os nomes que despontaram naquele período estão Nicolas Behr, autor de Iogurte com Farinha, e Paulo Tovar, com A Feira. Sóter publicou Início e Fim nesse mesmo contexto. “Somos a única geração literária que tem o nome da ferramenta utilizada no próprio nome”, costuma dizer.
A poesia era marcada pelo humor e pela irreverência, dialogando com referências como Oswald de Andrade e Fernando Pessoa, numa tentativa de driblar o peso da censura com leveza e ironia.
Uma ideia na cabeça, um livro na mão

A dinâmica era quase cinematográfica. “Dormia-se com uma ideia e amanhecia com um livrim pronto para ser distribuído”, relembra. A circulação era “mano a mano”: os exemplares eram vendidos ou até lançados fisicamente ao público durante eventos. O uso do estêncil eletrônico permitia incluir ilustrações e experimentar diagramações.

A movimentação extrapolou o Distrito Federal e dialogou com outros polos da poesia marginal no Brasil, conectando Brasília a cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia.
Atualmente, Sóter enxerga continuidade entre o passado artesanal e as ferramentas contemporâneas, com a essência de sempre: democratizar o acesso à palavra. Livros atuais podem incorporar QR Codes que direcionam para áudios e vídeos com os próprios autores lendo seus poemas, ampliando a experiência e tornando as obras mais inclusivas. “Colocávamos cores nos livros mimeografados; agora colocamos voz e imagem”, resume.

*Educação e legado*

Professor por muitos anos, o poeta sempre incentivou a leitura como instrumento de liberdade crítica. Avalia que as novas gerações vivem sob uma avalanche de informações instantâneas e defende que a escola crie espaços de debate para contextualizar esse fluxo contínuo.

Prestes a completar 50 anos, a Geração Mimeógrafo segue ativa, segundo ele, sem hierarquias e aberta às novas vozes. Um espírito que define como coletivo: “sou porque somos”. E para quem deseja compreender a dimensão histórica do movimento, Sóter recomenda as obras Poesia Marginal, Política e Cidade, de Wélcio de Toledo, e As Margens do Tempo, de Erivelto Carvalho. Além do QR Code.

Paula Belmonte leva “cheque em branco” e denuncia risco bilionário no BRB

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Deputada denuncia risco de transferência de patrimônio público sem transparência e alerta para consequências à população do DF_

A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) marcou a sessão desta terça-feira (3) na Câmara Legislativa do Distrito Federal ao subir à tribuna com um cheque em branco endereçado ao governador Ibaneis Rocha, símbolo de sua posição contrária ao projeto de capitalização do Banco de Brasília (BRB). Paula defende que a proposta, que tramita como PL 2175/2026, transfere patrimônio público sem transparência e sem garantias, colocando em risco tanto os recursos do banco quanto a segurança financeira da população.

Durante seu discurso, a deputada criticou a falta de consistência do projeto e o que considerou uma transferência de responsabilidade indevida. “O que nós estamos fazendo aqui é um cheque em branco. É um cheque em branco, gente! Não tenho receio de falar isso, mas é um cheque em branco”, afirmou. Ela lembrou que já vinha alertando sobre os riscos em sessões anteriores e audiências públicas, destacando o endividamento dos servidores e a situação do IPREV e reforçando que os problemas são consequência da gestão do governo, e não da população.

A deputada também destacou o impacto social da medida. “Aqui nós não estamos falando de cada um dos senhores, nós estamos falando da família que está do lado”, disse, lembrando que a proposta afeta não apenas os 12 mil funcionários do banco, mas cerca de três milhões de brasilienses. Para ela, decisões dessa magnitude exigem responsabilidade e total transparência sobre os ativos envolvidos.

Paula ainda criticou a falta de informações sobre os nove terrenos incluídos no projeto. “Ontem, foi dada a palavra de que seriam entregues os registros e as avaliações dos imóveis. Nós não temos o registro sequer de três. Isso é um cheque branco ou é outra coisa?”, questionou. Ela alertou que aprovar a capitalização sem documentação completa representa um risco grave para o patrimônio público e para a credibilidade das instituições.

Ao final, a parlamentar reforçou seu alerta sobre os riscos do projeto e a responsabilidade de quem votar a favor. “Quem colocar o dedo nesse cheque em branco vai mostrar a decadência que é a seriedade da política do Distrito Federal”, afirmou. Com seu gesto simbólico, Paula Belmonte transformou a votação em um chamado por cautela, transparência e compromisso com a população do Distrito Federal.

Paulo Octávio: 90% dos brasileiros nunca visitaram Brasília

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Durante o Plano de Voo 2026, da Amcham Brasil — maior câmara americana fora

dos Estados Unidos e a maior associação multissetorial do Brasil — o empresário

Paulo Octávio destacou os diferenciais competitivos de Brasília. Segundo ele,

segurança e qualidade de vida são ativos estratégicos da capital. “Aqui ainda é uma

cidade onde se pode trabalhar, produzir e circular com tranquilidade”, afirmou.

Para o empresário, esse ambiente favorece investimentos e geração de negócios.

Paulo Octávio defendeu, ainda, o turismo como vetor de desenvolvimento

do DF. Ele lembrou que mais de 90% dos brasileiros nunca visitaram Brasília.

Para o empresário, ampliar voos e conexões internacionais é essencial.

Quando o queijo é de graça: poder, armadilhas e a política da ingenuidade

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A frase “ratos morrem em ratoeiras porque não entendem por que o queijo é de graça” funciona como uma metáfora simples e poderosa para compreender dinâmicas recorrentes da política e do poder. Na arena política, dificilmente algo é realmente gratuito. Benefícios inesperados, discursos excessivamente generosos ou soluções fáceis para problemas complexos quase sempre carregam intenções ocultas. A história mostra que muitos grupos sociais, partidos e até nações inteiras caíram em armadilhas semelhantes por não questionarem a origem e o custo real dessas “ofertas”. 

Nicolau Maquiavel, ao analisar os mecanismos do poder em O Príncipe, já alertava que a política não se move pela moral da aparência, mas pela lógica do interesse. Para ele, concessões nunca são neutras: quem oferece algo espera, no mínimo, obediência, apoio ou silêncio. O “queijo” político pode vir na forma de programas assistenciais mal estruturados, promessas eleitorais irrealizáveis ou narrativas simplificadas que exploram o medo e a esperança. O problema não está no benefício em si, mas na ausência de questionamento sobre quem controla a ratoeira.

Max Weber contribui para essa leitura ao tratar da dominação e de suas formas de legitimação. Segundo ele, o poder se sustenta quando os dominados acreditam que obedecer é racional, tradicional ou carismático. Muitas vezes, o “queijo grátis” serve justamente para reforçar essa crença. O cidadão aceita a vantagem imediata e, em troca, legitima estruturas que restringem sua autonomia no longo prazo. A armadilha não se fecha de uma vez; ela vai sendo ajustada lentamente.

Do ponto de vista sociológico, Pierre Bourdieu ajuda a entender como essas armadilhas se naturalizam. Ao falar de poder simbólico, ele mostra que a dominação mais eficaz é aquela que não parece dominação. Quando políticas são apresentadas como dádivas e não como direitos, cria-se uma relação de dependência. O rato não vê a ratoeira, apenas o queijo; o eleitor não vê o projeto de poder, apenas o benefício imediato.

Exemplos históricos não faltam. Regimes autoritários frequentemente ascenderam prometendo ordem, prosperidade rápida ou proteção contra inimigos difusos. Em troca, pediram confiança irrestrita e enfraqueceram instituições de controle. Em democracias contemporâneas, estratégias semelhantes aparecem em versões mais sutis: desinformação, populismo fiscal ou discursos antipolítica que, paradoxalmente, concentram ainda mais poder.

Entender por que o “queijo” é de graça é, portanto, um exercício fundamental de cidadania. Questionar intenções, analisar consequências e observar quem ganha e quem perde com determinadas propostas é a diferença entre participar do jogo político ou ser apenas parte do mecanismo. Na política, como na ratoeira, a ingenuidade costuma ter um preço alto, e a curiosidade crítica continua sendo uma das poucas formas eficazes de manter os dedos longe do gatilho invisível.

Com a senadora Leila, Paula Belmonte acompanha entrega do asfalto do acesso à Escola Córrego das Corujas

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Obra de pavimentação garante mais segurança, dignidade e mobilidade para estudantes da zona rural de Ceilândia_

A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) participou, nesta quarta-feira (25), da entrega da pavimentação da via de acesso à Escola Classe Córrego das Corujas, no Sol Nascente, uma conquista aguardada há anos pela comunidade escolar e pelos moradores da região. A iniciativa integra o programa Caminho das Escolas e foi viabilizada por meio de emendas parlamentares destinadas em conjunto por Paula como deputada federal, em 2020, e pela senadora Leila do Vôlei (PDT).

Antes marcada pelo barro e pelas dificuldades de acesso, a estrada, que tem cerca de cinco quilômetros, agora oferece mais segurança e mobilidade para estudantes, professores e famílias.

Durante a cerimônia, Paula Belmonte destacou o impacto social da entrega e a ligação pessoal com a região. “Eu entrei na política por conta deste lugar, do Sol Nascente, das nossas crianças. Nós queremos saber a necessidade das pessoas”, afirmou. A parlamentar ressaltou ainda que o projeto nasceu da escuta da comunidade e simboliza dignidade para os estudantes. “É uma grande alegria ver que o barro deu lugar ao asfalto. O Caminho das Escolas valoriza o percurso até a educação, que é o caminho que constrói a vida e o crescimento”, disse.

*Segurança*

Após a inauguração, a deputada visitou a Escola Classe Córrego das Corujas e percorreu o trajeto recém-construído. Na unidade, conversou com crianças, professores e funcionários, que relataram entusiasmo com a conclusão da obra e os impactos positivos no dia a dia escolar.

Segundo os profissionais, o novo acesso traz mais segurança, reduz dificuldades enfrentadas em períodos de chuva e contribui para melhorar a frequência dos alunos.

A senadora Leila do Vôlei também celebrou a entrega e destacou o papel do trabalho parlamentar na concretização da iniciativa. “O parlamentar não fica só dentro do gabinete, ele é representante do povo e precisa trazer recursos para políticas públicas”, afirmou. Para ela, a pavimentação garante dignidade, melhora o acesso às escolas rurais e fortalece a qualidade de vida da comunidade.

A inauguração consolida o programa Caminho das Escolas como uma política pública essencial para o desenvolvimento das áreas rurais do Distrito Federal e reforça a atuação de Paula Belmonte na promoção de melhorias voltadas à educação.

Muita gente está ao seu lado, mas não do seu lado. Não confunda

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Há uma diferença silenciosa  e muitas vezes fatal entre companhia e lealdade, entre proximidade e alinhamento.

Muita gente caminha ao seu lado por conveniência, hábito, medo da solidão ou interesse momentâneo. Poucos, porém, caminham do seu lado.

Confundir essas duas coisas é uma das causas mais comuns de frustração, estagnação e traições emocionais que as pessoas chamam, ingenuamente, de “azar com gente”.

Estar ao seu lado é fácil. Basta dividir o espaço, rir das mesmas piadas, frequentar os mesmos lugares, usufruir dos mesmos benefícios. É uma presença confortável, quase automática. Já estar do seu lado exige coragem moral. Exige escolher você quando isso custa algo. Exige defender sua dignidade quando não há aplauso, sustentar a verdade quando ela incomoda, permanecer quando seria mais fácil se omitir. Quem está do seu lado não apenas ocupa o mesmo espaço — compartilha o mesmo eixo.

O problema é que a maioria das pessoas não está comprometida com princípios, mas com vantagens. Elas não se perguntam “isso é justo?” ou “isso é verdadeiro?”, mas “isso me favorece agora?”. Quando o vento muda, mudam junto. Quando sua ascensão ameaça, elas relativizam. Quando sua dor exige presença real, elas desaparecem. Não por maldade explícita, mas por fraqueza de caráter. E fraqueza, quando repetida, vira padrão.

Há um erro comum em pessoas profundas: projetar nos outros a própria capacidade de lealdade. Você presume que, porque seria capaz de sustentar alguém em silêncio, o outro faria o mesmo por você. Não faria. A profundidade não é distribuída igualmente. A maturidade também não. Por isso, discernimento não é cinismo; é higiene emocional.

Quem está apenas ao seu lado costuma celebrar seus começos, mas se incomodar com sua constância. Aplaude a ideia, mas teme a execução. Gosta de você enquanto você não exige posicionamento. Já quem está do seu lado não compete com sua luz, não negocia seus valores e não torce para que você diminua para caber. Essa pessoa entende que vínculos verdadeiros não são alianças de conveniência, mas pactos de sentido.

Espiritualmente, isso exige uma renúncia difícil: abrir mão da ilusão de que quantidade gera segurança. Não gera. Multidões confortam o ego; alinhamento fortalece a alma. Mentalmente, exige maturidade para aceitar que nem todo afastamento é perda — muitos são livramentos. Emocionalmente, exige coragem para suportar o silêncio que vem quando você para de se explicar para quem nunca esteve realmente comprometido com você.

Observe com atenção: quem se beneficia da sua confusão? Quem lucra quando você não sabe quem está do seu lado? A falta de clareza mantém relações mornas, dependências disfarçadas e lealdades frouxas. Clareza, por outro lado, seleciona. E toda seleção dói, porque implica dizer não — inclusive a expectativas antigas, vínculos desbalanceados e versões suas que viviam de aprovação.

Não se trata de desconfiar de todos, mas de confiar com critério. Não se trata de endurecer o coração, mas de educá-lo. A vida cobra caro de quem entrega profundidade a quem só sabe nadar na superfície. E cobra ainda mais de quem insiste em chamar de “amizade” aquilo que nunca passou de conveniência mútua.

No fim, a pergunta não é quantas pessoas estão perto de você, mas quantas permanecem quando você escolhe ser fiel a si mesmo. Quem caminha do seu lado não precisa ser convencido — ele reconhece. Quem só anda ao seu lado sempre pedirá que você se adapte, se explique ou se diminua.

E agora, seja honesto consigo: quem realmente está do seu lado — e quem apenas ocupa espaço na sua vida por medo, hábito ou interesse? Você está disposto a pagar o preço da clareza… ou continuará confundindo presença com compromisso?