O Desequilíbrio, o Jogo Político e o Risco para Brasília

O debate que tomou conta da pauta da nossa cidade é sobre a mudança da correção do Fundo Constitucional do Distrito Federal – FCDF, incluída no pacote de ajuste do Governo Federal. A pressão do mercado exigiu uma proposta de corte de gastos na busca pelo equilíbrio fiscal. Sem isso, a economia continuaria com a pressão inflacionária e a consequente tendência de elevação de juros, além da volatilidade cambial, trazendo incertezas para o País.
Nesse conjunto, entrou na pauta a alteração da forma de correção do Fundo Constitucional do Distrito Federal, o qual dá sustentabilidade à execução das políticas de saúde, segurança e educação em Brasília. Tal mudança implicaria em reduzir o crescimento anual do FCDF.
Todos sabem que a sustentabilidade de Brasília depende desse Fundo. Isso porque a criação da capital teve como premissa a ajuda do governo federal no seu sustento, tendo em vista que aqui estão as representações diplomáticas mundiais, alem da estrutura organizacional do Governo Federal, os quais impõem condições especiais que inviabilizam uma dinâmica econômica privada para seu sustento. Por isso, o Governo do Distrito Federal deve procurar sempre um alinhamento com o Governo Federal, sem se submeter a um alinhamento político, afinal vivemos numa democracia, mesmo que alguns não entendam a importância do Regime Democrático e permitam ou apoiem propostas de golpe de estado, em pleno século XXI.
Quando temos governos politicamente divergentes, deve imperar o interesse público e o equilíbrio de seus líderes. Afinal, se o peixe morre pela boca, o homem morre pela língua. As disputas políticas devem ficar de fora da construção da sustentabilidade de Brasília e dos debates sobre o FCDF.
O momento não é de enfrentamento, mas de equilíbrio e muita conversa, premissa básica de um regime democrático. Não é hora de arroubos e verborragias, porque isso colocará interesses pontuais acima dos interesses de Brasília. Levar esse debate para o campo da disputa pessoal ou do enfrentamento com culpa de alguém é colocar interesses pontuais e políticos acima dos de interesses da nossa sociedade.
Tão importante quanto a manutenção do FCDF é a sua transparência. Se a sociedade brasileira está sustentando o FCDF, precisamos nos assegurar de que seus gastos sejam aplicados de forma adequada. Se os recursos estão vinculados às despesas de segurança, saúde e educação, é imperiosa que sua aplicação seja assim assegurada, impedindo que os cidadãos fiquem desassistidos pelas políticas respectivas. Sabemos das vulnerabilidades do sistema de saúde do Distrito Federal, seja pelo não atendimento ao cidadão ou pelos desvios anunciados pelas páginas policiais, de forma recorrente. Assim, esses recursos devem ser auditados de forma a garantir que estejam cumprindo seu papel. Difícil compreender que temos aproximadamente R$ 24 bilhões anuais do FCDF dedicados a essas pautas e ainda somos surpreendidos com notícias de larvas sendo servidas na merenda escolar para nossas crianças, em escolas públicas de Brasília. Vamos lutar pela existência do FCDF e pela sua boa aplicação.
É hora de união por Brasília e transparência para o Brasil. A preservação do Fundo Constitucional do Distrito Federal é fundamental para que Brasília continue cumprindo seu papel de capital do País. Todos nós, independente de ideologias ou cores partidárias, temos a obrigação de lutar pelo FCDF. Ainda mais, devemos lutar pela transparência e auditoria nos seus gastos, para compreender porque, apesar do significativo montante, ainda convivemos com vulnerabilidades no atendimento nas políticas públicas básicas de saúde, segurança e educação. Se exigimos do povo brasileiro a existência do FCDF, devemos ser transparentes com sua execução, assim como no combate à eventual má utilização desses recursos. Governo Federal e Governo do Distrito Federal devem dar as mãos na defesa do povo de Brasília e dos interesses da sociedade, porque essa é a grande missão de um governo. Afinal, governo que não atende as pessoas, não serve para ser governo. Juntos por Brasília, sempre.
*No Fórum Lide Brasil, Ibaneis Rocha ataca proposta de corte no reajuste do FCDF*
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, voltou a criticar o governo federal durante o Fórum Brasil | Transição Energética, realizado pelo Lide Brasil e Lide Brasília, no Brasília Palace Hotel. Com o tema “Transição energética e desenvolvimento urbano”, o evento reuniu políticos e empresários na manhã desta quarta-feira (4).
Retomando as críticas feitas na terça-feira (3), durante a 4ª Reunião de Governança Codese-GDF, Ibaneis Rocha preferiu abordar a possibilidade de redução no Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), no bojo do pacote de cortes nos gastos, anunciado semana passada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“Saiu da cabeça de alguém pouco iluminado do governo federal a ideia de atrapalhar o DF mais uma vez. Há um ano e três meses, com o apoio da classe política e empresarial, com o Paulo (Octávio) nos ajudando, nós vencemos essa batalha no Senado, porque havíamos perdido na Câmara, e conseguimos manter a correção do FCDF, na forma originária”, lembrou. “Aquela medida legislativa deu a verdadeira independência do DF, que vivia, até aquele momento, de favores do governo federal. E o que busca hoje este mal iluminado à frente do governo federal? Simplesmente retroceder e colocar novamente, não os governos, mas a população do Distrito Federal a serviço do governo federal. Eles não conseguem admitir que a capital da República não seja submissa a eles”, completou.
Ibaneis reclamou da medida impositiva do governo Lula. “Não houve diálogo nem com a bancada deles aqui. É uma medida absurda do ponto de vista legal, financeiro e conceitual. A comparação feita, pelo ministro Fernando Haddad e por alguns da equipe econômica, com os fundos de desenvolvimento do Nordeste, da Amazônia e do Centro-Oeste destoa totalmente da finalidade do FCDF. Os primeiros são para desenvolvimento e investimento para que estas regiões mais carentes possam ter sustentabilidade e uma economia que gera emprego e renda. Já o FCDF é um fundo de custeio para as forças de segurança, a saúde e a educação da capital. Essa característica é que traz a necessidade de manutenção da sua forma de correção”, afirmou, apontando o risco de achatamento destas categorias e elogiando a posição tomada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que defendeu a manutenção das regras do FCDF.
As críticas do governador encontraram eco junto aos outros participantes da solenidade de abertura do Fórum Brasil. O decano do Supremo Tribunal federal (STF), ministro Gilmar Mendes, reforçou o papel de Brasília e do Fundo Constitucional do DF.
“Em apoio às palavras do governador Ibaneis que é preciso entender o papel de Brasília no contexto geral. E foi neste cenário que se pensou, no governo Fernando Henrique Cardoso, no Fundo Constitucional, para estruturar Brasília de maneira adequada, tanto com responsabilidade fiscal. Brasília podia se tornar um centro de criminalidade, infelizmente, e por isso era ter condições de desenvolvimento”, rememorou
O ministro destacou ainda os desafios sociais enfrentados pela capital, como o Sol Nascente, maior favela do Brasil. “Não é um título que a gente queira ter. É preciso que os fundos sejam bem aplicados e que haja atenção em relação a esta temática. Brasília é importante para o desenvolvimento nacional, desde o projeto de Juscelino Kubitschek. O País ainda não percebeu o estadista grandioso que ele foi”, completou.
Para Paulo Octávio, presidente do lide Brasília e co-anfitrião do encontro, a alteração causa insegurança jurídica. “Na época, como deputado e depois senador, ajudei a fazer o Fundo, no governo Fernando Henrique Cardoso. O último ato dele como presidente da República, em dezembro de 2002, foi sancionar a criação do Fundo, que foi apoiado por todos os parlamentares, da Câmara, do Senado. O FCDF veio beneficiar uma cidade que nasceu para ser a capital da República e, de repente, querem mudar a forma dos reajustes, como está acontecendo agora. Isso aconteceu ano passado, nós conseguimos ganhar no Congresso, e a gente conseguiu reverter a situação. E agora, de repente, vem nesse pacote uma nova ameaça”, destacou.
“Como o governador Ibaneis colocou bem, é um prejuízo que vai aumentar a cada ano. Começa com prejuízo de R$ 1 bilhão, depois vai aumentando, porque a forma do reajuste será diferenciada e, logicamente, teremos menos recursos. É muito grave para uma cidade de crescimento, que não tem indústrias, que nasceu para ser a sede das embaixadas, da Justiça do nosso País e do governo. Brasília não pode ser comparada com outras capitais. Ela é diferenciada desde a sua criação. Nós temos que respeitar e parar de mudar as leis de acordo com o governante que está no momento”, disse.
O empresário confia que Congresso vai encarar com seriedade o assunto. “O partido a que pertenço, o PSD, já deu o total apoio para a não aprovação dessa mudança. Eu tenho certeza que os outros partidos também vão fazer o mesmo. É uma questão muito séria e não pode ser tratada da forma como vem sendo”, disse. Ele avaliou ainda que o ajuste nas contas públicas não precisa prejudicar a cidade.
“Brasília, dentro do panorama da redução de gastos de R$ 70 bilhões, é muito pequena. Não é prejudicando uma cidade que você vai fazer esse ajuste. Eu acho que a economia tem que vir de outras áreas, onde se gasta mais. Acho que o governo tem a sua equipe econômica para analisar e há forma de reduzir. Os orçamentos de alguns ministérios são imensos, então acho que se pode fazer um ajuste fiscal sem prejudicar uma cidade. É essa contrariedade que levamos ao governo federa. Não é justo mexer com uma cidade, com um projeto que já está aprovado, que é constitucional, que foi já discutido há tanto tempo. Não devemos atrapalhar uma coisa que funciona bem”, concluiu
*Avanços e desafios na transição energética*
Tema principal dos debates, os avanços e desafios da transição energética no Brasil foram foco de dois painéis. A energia limpa, especialmente a solar e a eólica, foram o foco das soluções para transformar o Brasil em um líder global. Para o ministro Gilmar Mendes, do STF, a importância da energia limpa é clara especialmente a solar e a hidrelétrica. Ele também alertou para os riscos das mudanças climáticas, citando que enchentes e secas são sinais de que políticas ambientais são urgentes.
Anfitrião da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP-30), o governador do Pará, Helder Barbalho, abordou o mercado de créditos de carbono. No estado, já foram certificadas 300 milhões de toneladas de carbono, com 12 milhões comercializadas por cerca de R$ 1 bilhão. “Esse mercado representa uma nova economia para o Pará, beneficiando comunidades e incentivando práticas sustentáveis”, disse o governador, que atribuiu o resultado à redução do desmatamento.
Ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates falou dos na transição energética no Brasil. Apesar do potencial do País nos campos de energia eólica e solar, é preciso um planejamento regional que pode gerar tensões. “Cada região precisará resolver suas demandas energéticas de forma local, o que pode gerar conflitos, especialmente em um país com matrizes tão diversas”, afirmou. Ele também cobrou uma estratégia clara para que o Brasil use sua posição privilegiada de forma eficaz.
O economista Roberto Giannetti, head do Lide Infraestrutura, falou do avanço das tecnologias de hidrogênio verde e baterias estáticas, que serão braços essenciais na transição energética. “O hidrogênio verde será fundamental para setores como a mobilidade urbana e a indústria. E as baterias estáticas resolverão problemas de intermitência na geração de energia renovável, como solar e eólica”, disse.
Paulo Octávio falou do crescimento da energia solar na capital federal. Atualmente, 20% dos empreendimentos em Brasília utilizam energia solar. E em seus próprios empreendimentos a energia é 100% solar. “A energia solar é uma fonte limpa, econômica e sustentável, que oferece redução de até 20% nos custos para os consumidores”, afirmou.
Ele também defendeu o planejamento antes da criação de bairros, para melhorar a vida dos cidadãos e apoiar a transição energética. “As cidades crescem no Brasil, muitas vezes, de forma desordenada. Discutir o planejamento futuro de como o cidadão vai viver melhor nas cidades é um grande tema. Acho que todos os prefeitos têm que participar. Porque o urbanismo é uma questão social e de qualidade de vida das pessoas”, destacou.
“Nós vivemos em uma cidade que foi planejada, talvez com a melhor qualidade de vida do mundo. O projeto inicial foi respeitado, a cidade foi tombada e continua sendo preservada por todos os governos que por aqui passam. O que está em jogo é o homem e a qualidade das pessoas. Eu defendo, inclusive, que as cidades sejam planejadas. Não adianta construir cidades espalhadas porque depois o governo não tem condições de levar a infraestrutura”, concluiu.
Por que sentimos culpa por não estarmos sempre ocupados?
Na sociedade moderna, a ocupação constante transformou-se em um símbolo de status. Declarar uma agenda lotada muitas vezes é motivo de orgulho, como se fosse sinônimo de sucesso ou produtividade. Porém, quando nos deparamos com momentos de ócio — aqueles tão desejados períodos de descanso, relaxamento ou dedicação a atividades prazerosas — muitos de nós acabam sendo tomados por sentimentos de culpa ou inquietação.
Por que isso acontece? Por que esperamos tanto por uma pausa nas obrigações e, quando finalmente a conquistamos, sentimos que estamos “desperdiçando tempo” ou sendo improdutivos? Esse paradoxo reflete a maneira como fomos condicionados a associar nosso valor pessoal ao que fazemos, e não ao simples fato de sermos.
O peso da cultura da produtividade
Em nossa sociedade contemporânea, a produtividade é vista como uma virtude quase absoluta, e o trabalho passou a ser um pilar central da nossa identidade. Frases populares como “tempo é dinheiro” ou “mente vazia é oficina do diabo” reforçam a ideia de que a inatividade, o descanso e até mesmo o ócio são desperdícios de tempo. Desde a infância, somos ensinados a associar nosso valor ao que produzimos ou conquistamos, em vez de reconhecermos a importância de simplesmente sermos. Essa conexão entre o valor pessoal e a produtividade resulta em uma pressão constante para estarmos sempre ocupados, sempre “fazendo algo”, o que gera, por consequência, uma sensação de culpa e inutilidade nos momentos em que não estamos ativamente envolvidos em tarefas.
Esse fenômeno é intensificado pela presença constante das redes sociais, que amplificam a “cultura da performance”. Através de postagens que destacam conquistas, viagens, estudos e projetos, somos constantemente lembrados de que outras pessoas parecem estar avançando em suas vidas e alcançando metas extraordinárias. Essa constante comparação cria a falsa impressão de que estamos “ficando para trás” quando nos permitimos um momento de descanso ou lazer. Ao nos conectarmos com as narrativas de sucesso dos outros, esquecemos que a vida real é feita também de pausas, de momentos de introspecção e de desconexão – partes essenciais do nosso bem-estar.
Essa mentalidade de “estar sempre ocupado” não apenas nos impede de aproveitarmos o ócio de maneira saudável, mas também pode afetar nossa saúde mental e emocional, tornando-nos escravizados por um ciclo de busca constante por produtividade. A verdade é que o descanso não deve ser visto como um luxo ou uma perda de tempo, mas como uma necessidade para recarregar nossas energias, refletir sobre nossas experiências e reconectar-nos com nós mesmos.
A ansiedade de enfrentar a si mesmo
O ócio também nos coloca frente a frente com nós mesmos, sem distrações. Para algumas pessoas, isso significa lidar com pensamentos e emoções que estavam abafados pela correria do dia a dia. Ansiedade, inseguranças ou dúvidas sobre o propósito de vida podem emergir, tornando o momento de pausa desconfortável.
Outro fator que dificulta o ócio é a superexposição a estímulos digitais. Estamos acostumados a verificar o celular a cada poucos minutos, com notificações e feeds que preenchem qualquer vazio. Quando há uma pausa verdadeira – sem tecnologia ou distrações – a sensação de tédio pode parecer insuportável.
Além de fatores culturais, experiências de vida também moldam nossa relação com o descanso. Em famílias onde o trabalho foi essencial para a sobrevivência, o ócio pode ser associado à irresponsabilidade. Em outros casos, pais ou cuidadores que sempre priorizaram a produtividade podem transmitir a mensagem de que estar ocupado é sinônimo de valor.
Apesar de ser visto como algo negativo, o ócio é essencial para a saúde mental e física. Ele permite que o cérebro processe informações, estimula a criatividade e melhora a capacidade de resolver problemas. Momentos de pausa também são fundamentais para reduzir o estresse e prevenir o esgotamento.
Como aprender a lidar com o ócio?
Lidar com o ócio é um desafio em uma sociedade que glorifica a produtividade, mas é um passo essencial para uma vida mais equilibrada e significativa. Talvez seja hora de ressignificar o descanso – não como “tempo perdido”, mas como um espaço para se reconectar consigo mesmo e encontrar prazer na simplicidade de apenas ser.

CRP: 01/27572
Psicóloga clínica e sócia da Ativamente Psicologia Aplicada, trabalha com ênfase em autoconhecimento, autoestima, relacionamentos e saúde mental. Com uma abordagem empática e personalizada, ela auxilia indivíduos a enfrentarem desafios emocionais e a alcançarem uma vida mais equilibrada e plena. Seu trabalho busca promover o bem-estar integral, fortalecendo a saúde mental e emocional de seus pacientes.







