Produzida de forma artesanal e com cana cultivada no próprio alambique, a já famosa marca de cachaça Remedin abraça o mercado apostando na tradição da bebida brasileira aliada a processos orgânicos e controle rigoroso de qualidade. A marca lançou recentemente as doses orgânicas e prepara, para maio, a chegada da versão exclusiva da Jatobá, preparada em barril de Jatobá-do-Cerrado, completamente livre de agrotóxicos, ampliando a presença da bebida em novos públicos e formatos de consumo.
A proposta da Remedin, empresa fundada em 2020, parte de uma ideia simples, mas provocadora: “a diferença entre um veneno e um remédio está na dose”. O conceito, que inspira o nome da cachaça, dialoga com a cultura popular brasileira e com a relação histórica da bebida com a medicina caseira e os rituais cotidianos do interior do país.
Toda a produção da Remedin é feita com cana-de-açúcar cultivada e processada no próprio alambique, o que permite maior controle sobre cada etapa da fabricação, localizada na Fercal, região onde a empresa também realiza projetos sociais, como a inclusão de trabalhadores e assistência social. O método segue o modelo tradicional da cachaça de alambique, com as bebidas destiladas sendo preparadas em pequenos lotes, com fermentação natural e maturação em barris de madeira.
Contudo, para inovar em termos de tecnologia social, a empresa consolidou parceria com Sítio do Vovô Mandelli, para a aquisição de mais matéria-prima livre de agrotóxicos. Com isso, prepara a chegada de um produto completamente novo no mercado e que deve atrair a curiosidade dos adoradores de cachaças por todo o país.
A versão completamente orgânica da Remedin Jatobá, livre de agrotóxicos, deverá estar circulando no mercado local já a partir de maio deste ano, antes do Festival da Cachaça de Brasília, previsto para ocorrer no dia 27 de maio deste ano. “A Remedin Jatobá é uma cachaça orgânica. Somos a primeira cachaça orgânica certificada de Brasília, o que garante que não há uso de agrotóxicos no cultivo da cana”, explica o empresário João Chaves Marques Faria, herdeiro do grupo.
“Além da produção no campo, também garantimos que não haja contaminação cruzada em nenhum processo da agroindústria, do plantio ao engarrafamento. Isso significa que todo o processo é controlado para manter a pureza da bebida e respeitar o meio ambiente”, explica o empresário.
Para João Chaves, o mercado de orgânicos deverá ser uma das prioridades da empresa, uma vez que a apresentação da nova cachaça será carro-chefe da empresa durante o festival. “Com certeza, é um mercado que pode ser melhor explorado pela indústria da cachaça”, avalia o empresário.
Apesar de ser um dos destilados mais tradicionais do Brasil, o especialista aponta que o setor ainda tem grande potencial de crescimento. Para produtores artesanais, há espaço para ampliar a presença da cachaça em bares, restaurantes e mercados especializados, especialmente quando o produto valoriza qualidade e história.
Mais dessa história poderá ser conferida durante o Festival da Cachaça de Brasília 2026, que ocorrerá de 27 a 31 de maio na Arena BRB Mané Garrincha. O evento promete mais de 600 rótulos de 15 estados, shows ao vivo, workshops e gastronomia de boteco, oferecendo uma experiência imersiva na cultura da cachaça brasileira, com entrada gratuita
Criação
A Remedin carrega um forte componente familiar em sua origem. A marca foi criada por um herdeiro ligado à produção tradicional de cachaça, que decidiu transformar a experiência acumulada no alambique em um produto com identidade própria. “Percebemos um processo inverso em relação a outras marcas, quando os herdeiros não quiseram seguir com as empresas. Mas meu interesse foi construir uma empresa a partir de um projeto do meu pai”, afirma o empresário João Chaves.
A trajetória do alambique, no entanto, começou antes mesmo da criação da marca. A origem está ligada à saudade que os pais de João, Cid Faria e Cláudia Gomes, sentiam da autêntica cachaça de roça e das montanhas de Minas Gerais, da cachaça mineira. Esse sentimento levou a família a adquirir, em 2012, uma propriedade rural na região da Fercal, no Distrito Federal, mas ainda sem pensar em criar um alambique.
Nos primeiros anos, o sítio foi utilizado para outras experiências produtivas. A família investiu na criação de tilápias e também tentou desenvolver atividades de pecuária, mas os projetos não prosperaram. Diante das dificuldades, a decisão inicial era vender a terra, mas surgiu a ideia de apostar justamente na bebida que evocava suas origens e memórias: a cachaça artesanal.
Com a nova linha de doses orgânicas, a proposta é aproximar o consumidor da bebida e incentivar o consumo consciente, reforçando a ideia que inspira a marca: quando apreciada com equilíbrio, a cachaça pode ser mais do que uma simples bebida — pode fazer parte da cultura, da memória e das tradições brasileiras.



