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quinta-feira, abril 23, 2026

RIOS VOADORES NA ERA SINISTROYKA

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RIOS VOADORES NA ERA SINISTROYKA

Banda brasiliense retorna renovada em seu segundo álbum. Show de lançamento em Brasília será no Picnik Festival, em 10 de agosto.

Exílio, quase-morte, alienação, relacionamentos partidos, amigos que se foram. Um clima muito diferente pautou a composição do segundo álbum da banda brasiliense Rios Voadores. Conhecidos por uma presença de palco luminosa que exala joie de vivre, o grupo encarava dias sombrios em 2016, ano no qual lançou seu disco de estreia (Rios Voadores, disponível em CD e LP). A euforia inicial parecia ter esvanecido e a banda estava prestes a se aposentar quando uma notícia chegou e mudou tudo: haviam sido contemplados pelo Fundo de Apoio à Cultura – FAC, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, para a gravação de seu segundo álbum.

Então, o que fazer? Àquela altura, o repertório da Rios estava esgotado e seus integrantes encontravam refúgio criativo e existencial tocando em outras bandas de Brasília. Desistir do FAC era uma opção, mas os “rios” optaram por chacoalhar suas águas, virar a maré e, a partir de novas vivências e referências, esculpir uma nova leva de músicas.

O resultado desse movimento produziu o álbum Rios Voadores na Era Sinistroyka. Disponível para audição nas plataformas digitais, o disco encontra a banda revigorada. Se mudassem de nome, poderiam muito bem se passar por uma outra entidade. Acontece que, desde a fundação do grupo, em 2011, Gaivota Naves (vocal), Marcelo Moura (guitarra e vocal), Tarso Jones (vocal e teclados), Beto Ramos (baixo) e Hélio Miranda (bateria) amadureceram como pessoas e como músicos e as ideias começaram a fluir mais inspiradas. Os arranjos passaram a se submeter às canções, não o contrário, caso do primeiro disco. Se antes, o rock, brasileiro e internacional, dos anos 1960 e 1970, pautava as composições, agora a psicodelia foi colocada (um pouco) de lado em favor de músicas que bebem de fontes mais diversas – soul, indie rock, até MPB. Mas o que, exatamente, caberá ao ouvinte decifrar. Nada aqui remete de cara a alguma matriz. Talvez porque o grupo trabalhou em cima de conceitos mais livres do que referências diretas. Assim, a Rios alcançou aquilo que todas as bandas almejam, mas só as melhores conseguem: personalidade.

Gravado entre fevereiro e março de 2019, em Brasília, na Sala Fumarte (onde o som é de verdade!) e na Casacajá, o álbum foi produzido e mixado por Gustavo Halfeld e masterizado por Felipe Tichauer. Sombrio Muniz compôs os arranjos de metais. Fernanda Azou assina a pintura da capa e o lettering e a diagramação são de Alyssa Volpini. Com o novo disco, cujo show de lançamento em Brasília será no Picnik Festival, em 10 de agosto, a banda passa a integra o elenco do selo Quadrado Mágico.

Ao longo das 10 faixas de Rios Voadores na Era Sinistroyka, a banda mergulha em letras subjetivas nas quais é possível pinçar reflexões diversas: ressacas, dores do crescimento, confusões, autoconhecimento, receios e descobertas. São “grogues em busca de razão” (como avisa Lá Fora) na tal Era Sinistroyka. “Sangue, jornal, filme”, resume a letra de Garganta Seca. Repare: não é de forma alguma um disco “deprê”, mas é como se a ingenuidade technicolor dos primórdios tivesse dado lugar a uma TV em preto e branco. E todo mundo curtiu.

Pois foi justamente na paleta de cinza que o grupo se encontrou para essa nova fase. As músicas estão mais lentas, mas as guitarras mais ardidas. As melodias mais diretas e eficientes. A cozinha, potente e com groove. Menos retrô, mais contemporâneo. Qualquer música poderia ser um hit em potencial. Da plateia, ouvimos (e imaginamos ver) uma performance realmente emocionante.

Outra novidade é a divisão das vozes: Tarso assume o vocal na maioria das faixas (Lá Fora, Asa Céu, Dias de Cara – Quase Ok, Caverna Moderna e Plateia) e se garante como vocalista de valor (algo Arnaldo Baptista); Gaivs, mais donas de seus poderes, está cantando como nunca (Garganta Seca, Cinzas, Miga Sua Loka e Nave Nova); e Marcelo contribui de maneira sutil com sua voz na faixa de encerramento (a delicada Olhar Azul).

Rios Voadores na Era Sinistroyka não é apenas um ótimo disco. É dos melhores que o rock de Brasília produziu em temporadas recentes.

RIOS VOADORES NA ERA SINISTROYKA

Segundo álbum da banda brasiliense Rios Voadores. 10 faixas. Produzido por Gustavo Halfeld. Financiado pelo FAC – Fundo de Apoio à Cultura (DF). Um lançamento do selo Quadrado Mágico. Disponível para audição nas plataformas digitais.

 Spotify: tinyurl.com/yymv4d5d
youtube.com/osriosvoadores
soundcloud.com/riosvoadores
riosvoadores.bandcamp.com
facebook.com/bandariosvoadores
instagram.com/riosvoadores

TRAJETÓRIA

Surgida em 2011 com canções que evocam a Tropicália e o rock brasileiro dos anos 1970 e tendo na linha de frente a espevitada Gaivota Naves – vocalista que não passa despercebida aonde se apresenta –, a banda brasiliense Rios Voadores logo chamou a atenção. Depois de uma coleção de elogios e muitos shows – entre eles, nos festivais Porão do Rock (DF) e Goiânia Noise (GO) –, lançaram, em outubro de 2016, em CD e LP, o disco de estreia, que leva o nome da banda.

Mutantes e Secos & Molhados estão entre as referências fundamentais para o som da primeira fase da Rios. Mas não apenas eles, frisa o tecladista Tarso Jones. “Curtimos muito Casa das Máquinas, Ave Sangria e Som Imaginário – de quem gravamos no primeiro álbum a música Cenouras“, conta o músico, fundador da banda junto de Gaivota e do guitarrista Marcelo Moura, sergipanos radicados em Brasília desde 2006 (os três também integram a banda brasiliense Joe Silhueta). “Ouvimos também Lula Côrtes, Tom Zé, Eumir Deodato e Gal Costa”, reforça Gaivota. Por sua vez, o baixista Beto Ramos e o baterista Hélio Miranda trazem informações de prog rock.

O nome da banda, conta Marcelo – que traz na bagagem passagem pela Snooze, emblemática banda do rock de Aracaju – foi herança do primeiro baixista do grupo, Carlos Silva, inspirado por um documentário sobre o fenômeno meteorológico dos rios voadores, que partem da Amazônia para irrigar a América Latina. “Gosto da sonoridade psicodélica que o nome sugere”, continua o guitarrista.

Justamente em busca desse tipo de som que, em 2014, a banda desembarcou no estúdio do produtor Thomas Dreher, em Porto Alegre. O disco foi finalizado dois anos depois, em Brasília, no estúdio de Gustavo Dreher, irmão de Thomas. A escolha da dupla, conta Gaivota, se deu pelos artistas com quem eles haviam trabalhado, caso, por exemplo, do cantor gaúcho Júpiter Maçã (1968-2015), outra forte referência para a Rios Voadores.

Depois de um hiato, o quinteto voltou a se encontrar para produzir o repertório e gravar as músicas do segundo álbum, Rios Voadores na Era Sinistroyka, disco viabilizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura – FAC, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Um lançamento do selo brasiliense Quadrado Mágico, disponível para audição nas plataformas digitais a partir de 28 de junho, o novo disco será lançado em show no Picnik Festival, em 10 de agosto de 2019.

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