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Neurociência, Espiritualidade e Estoicismo

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Estou lendo Sobre a Dor Humana: Neurociência, Espiritualidade e Estoicismo, do meu irmão, o médico cirurgião Kelsen Teixeira. (Disponível no Amazon)

É um livro que une ciência, filosofia e espiritualidade para compreender a dor humana de forma profunda e sensível.

Uma leitura que provoca reflexão, acolhe o sofrimento e mostra caminhos de ressignificação, autoconhecimento e fortalecimento interior. Recomendo muito a leitura.

Kaio Teixeira

Seu voto não pode ser treinado por um algoritmo de IA

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Eu aprendi cedo que a política é um espelho imperfeito do país. Ela revela nossas urgências, nossas esperanças e, principalmente, nossas feridas. Só que agora existe um novo ator nesse palco, silencioso e muito eficiente: a inteligência artificial generativa. E ela não entra em cena para “opinar”. Ela entra para produzir sensação, acelerar certezas e empurrar a sociedade para dentro de um corredor estreito, onde a dúvida vira fraqueza e o outro vira inimigo.

A campanha moderna já não precisa convencer todo mundo com a mesma mensagem. Com IA, é possível criar milhares de variações de um mesmo discurso em minutos, com imagens, textos e vídeos ajustados para cada público. Uma mesma ideia pode ganhar voz, rosto, sotaque e trilha diferentes, até encontrar o formato exato que faz você parar a rolagem e reagir. E, quando a reação vem, o sistema aprende. Ele entende o que te prende, o que te irrita, o que te comove. A partir daí, ele devolve mais do mesmo, só que mais intenso.

O perigo não mora apenas na mentira descarada. Mora na distorção com cara de verdade. Um vídeo real recortado para inverter o sentido. Um gráfico verdadeiro sem fonte, apresentado como prova definitiva. Um áudio com voz sintética dizendo o que nunca foi dito. Um rosto que parece gente de verdade, mas nunca existiu. Um dossiê com aparência oficial, feito para circular rápido, antes que alguém tenha tempo de checar. A IA não precisa inventar tudo. Basta mexer no contexto para deslocar a percepção.

E a polarização vira o terreno perfeito para isso. Porque conteúdo que provoca raiva e medo costuma se espalhar mais rápido do que conteúdo que explica. Os algoritmos não têm compromisso com a verdade; eles têm compromisso com o engajamento. Quanto mais você clica em candidatos, páginas e comentários do “seu lado”, mais a plataforma entende que deve te servir um mundo onde só existe um lado. Aos poucos, a timeline deixa de ser janela e vira túnel.

Eu costumo chamar isso de treino emocional. A pessoa não é convencida por argumentos, ela é condicionada por repetição, urgência e choque. E quando a emoção toma o volante, a democracia perde o freio. A conversa pública se degrada. O debate vira provocação. A política vira guerra de identidades.

Se existe uma defesa possível, ela começa por um gesto simples e quase contraintuitivo: desacelerar. Antes de compartilhar, pergunte se aquilo te informa ou te incendeia. Procure a origem. Quem publicou primeiro? Em qual site? Em que data? Com quais dados? Desconfie de prints e vídeos sem contexto. Compare com mais de uma fonte, inclusive fontes que não pensam como você. Use checadores de fatos quando o assunto for sensível. Faça busca reversa de imagens. E repare nos sinais de fabricação: cortes agressivos, legenda genérica, apelo emocional exagerado, ausência de fonte, promessa de “verdade que ninguém quer que você saiba”.

Outra defesa é comportamental e, sim, é desconfortável. Diversifique seus cliques. Você não precisa mudar de posição para sair da bolha, mas precisa furar o túnel. Ler análises diferentes por alguns minutos já reduz a manipulação algorítmica que te empurra para extremos.

A democracia não depende de unanimidade. Ela depende de confiança mínima na realidade compartilhada. Em tempos de IA generativa, a pergunta mais importante não é se algo parece convincente. É se aquilo é verificável. Seu voto é livre. Mas sua atenção precisa ser protegida.

Gilson Leal
Professor de Inteligência Artificial para Negócios. IDP

Festival Em Cantos promove oficina inédita de dança para famílias na Asa Sul*

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Parte da 4ª edição do festival, a oficina “Som em Movimento”, com Victória Oliveira, convida pais e filhos para uma vivência de conexão e afeto na Escola MIFÁSOL-LÁ, neste sábado (31/01)._

Dentro da programação da 4ª edição do *Festival Em Cantos – Música para Crianças*, que vem movimentando a cena cultural de Brasília com experiências sensoriais para a primeira infância, acontece no próximo dia 31 de janeiro (sábado) a oficina Som em Movimento. Ministrada pela especialista Victória Oliveira, a atividade será realizada na Escola de Música MIFÁSOL-LÁ (503 Sul), às 16h.

​O Festival Em Cantos é reconhecido por criar espaços de desaceleração e escuta sensível em meio à rotina urbana. Seguindo essa curadoria, a oficina propõe que o corpo, o movimento e o som criem um “território de afeto”, onde memórias são construídas e o vínculo familiar é fortalecido longe das telas.

*Uma experiência de dança para todos os corpos*

A proposta de Victória Oliveira para o festival é mesclar referências do *Body-Mind Centering (BMC)*, da educação somática e do conceito de *Danceability*.

Isso garante que a atividade seja inclusiva e respeite os diferentes ritmos de crianças (de 2 a 5 anos) e adultos, sem exigir qualquer técnica prévia de dança.

​”Imagine um espaço onde papai, mamãe e criança possam se mover juntos, criar e se divertir. Dançar junto é socializar, sentir a vitalidade do corpo e perceber a vibração do som”, explica a descrição da atividade.

Através de jogos corporais, uso de lenços e brincadeiras de estátua, a oficina estimula a imaginação e a expressão corporal de forma lúdica.

*Sobre o Festival Em Cantos-* O projeto se destaca no calendário do Distrito Federal por oferecer uma programação pensada especificamente para as sutilezas da infância, unindo música de qualidade, artistas renomados da cidade e formação de público desde os primeiros anos de vida.

O Festival Em Cantos é realizado pela Associação Artise de Arte e Acessibilidade e pela Ponte Studio Gravações, com apoio do Espaço Cultural Renato Russo, da Escola de Música Mi Fá Sol-Lá e da deputada federal Erika Kokay e conta com o fomento do Ministério da Cultura (MinC).

*Serviço*
*Oficina Som Em Movimento* (Programação Oficial – Festival Em Cantos)
Com Victória Oliveira
*Data:* 31 de janeiro (sábado)
*Horário:* 16h
*Local:* Escola de Música MIFÁSOL-LÁ
*Endereço:* EQS 503 Bloco B – Asa Sul, Brasília – DF
*Público-alvo:* Crianças de 2 a 5 anos acompanhadas dos responsáveis
*Entrada:* Gratuita mediante retirada no Sympla + doação de 1kg de alimento
*Redes Sociais:* @festivalemcantos

*Informações para imprensa*
Para entrevistas com Victória Oliveira ou curadores do Festival:
*Contato:* Ísis Dantas
*Telefone:* (61) 98115-9068
*E-mail:* isisdantas@gmail.com

Entrevista com o Secretário de Estado da Juventude do Distrito Federal André Kubitschek

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Fotos: Celso Junior e Rayra Paiva

Gestão, juventude e o legado que volta a apontar o futuro de Brasília

Brasília nasceu de um gesto de ousadia idealizado por Juscelino Kubitschek, ex-presidente da República e responsável pela construção da capital federal. Mais do que uma obra urbana, Brasília foi concebida como um projeto de desenvolvimento, integração nacional e oportunidades para as próximas gerações. Décadas depois, esse espírito se renova na atuação de André Kubitschek, empresário, advogado e atual secretário da Juventude do Distrito Federal.

Filho do empresário Paulo Octavio e de Anna Christina Kubitschek (neta de Juscelino Kubitschek), André construiu uma trajetória sólida no setor privado antes de ingressar na vida pública.

À frente da Secretaria da Juventude, tem defendido uma gestão orientada a resultados, impacto social e políticas públicas capazes de gerar oportunidades concretas para a juventude brasiliense.

 

 

 

O senhor construiu uma trajetória sólida como empresário à frente de empresas de grande porte, com impacto direto na geração de empregos e oportunidades. Acostumado a dinâmica do setor privado, por que decidiu abdicar das suas empresas para assumir os desafios da gestão pública e ingressar na política?

André Kubitschek: A iniciativa privada tem um papel essencial no desenvolvimento econômico, na geração de emprego e oportunidade. No entanto, a gestão pública amplia a capacidade de impacto social. No setor público, é possível estruturar políticas que alcançam milhares de pessoas de forma contínua. A decisão foi assumir essa responsabilidade contribuindo com planejamento, experiência e visão estratégica para a construção de soluções coletivas. O meu sonho é ver Brasília atingir o seu verdadeiro potencial.

De que forma sua experiência empresarial influencia sua atuação como gestor público?

André Kubitschek: O setor privado ensina estratégia, planejamento, eficiência e principalmente resultados. Trago essa lógica para a gestão pública, sempre respeitando o papel social do Estado. Isso se reflete em programas objetivos, parcerias institucionais e um acompanhamento rigoroso dos resultados.

Qual foi a principal diretriz ao assumir a Secretaria da Juventude do DF?

André Kubitschek: A diretriz foi clara desde o início: mais jovens estudando, trabalhando e sendo atendidos. Política pública precisa gerar impacto real. A Secretaria precisava sair do discurso e entregar oportunidades concretas, especialmente nas áreas de trabalho, qualificação e inclusão.

Quais programas sintetizam essa estratégia adotada pela sua gestão?

André Kubitschek: Destaco três frentes principais: o Jovem Candango, que amplia o acesso ao primeiro emprego; o Pró-Jovem Digital, focado em capacitação tecnológica e empregabilidade; e o Futuro em Conta, voltado à educação financeira, empreendedorismo e propósito.

 O programa Futuro em Conta tem chamado atenção pelo seu modelo. Como ele foi concebido?

André Kubitschek: O Futuro em Conta foi um programa que idealizei a partir da percepção de que a educação financeira é uma lacuna real na formação dos jovens. Ele foi estruturado em parceria com a iniciativa privada, o que permitiu sua realização sem qualquer custo para os cofres públicos. É um exemplo de como boas parcerias podem gerar impacto social relevante, preparando os jovens para o planejamento financeiro, consumo consciente e empreendedorismo.

A descentralização das políticas públicas é uma marca da sua gestão?

André Kubitschek: Sim. O Distrito Federal é diverso e nossas políticas precisam alcançar todas as regiões e suas demandas particulares. Trabalhamos para garantir que jovens das periferias, do campo e das regiões administrativas mais distantes tenham o mesmo acesso às oportunidades.

 

Como a Secretaria tem dialogado com a juventude e a sociedade civil?

André Kubitschek: A escuta ativa é fundamental. Mantemos um diálogo constante com movimentos juvenis, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias, o que torna as políticas públicas mais eficientes e alinhadas à realidade dos jovens.

Quais são os próximos passos da Secretaria da Juventude?

André Kubitschek: Os próximos passos da Secretaria da Juventude são consolidá-la como um verdadeiro hub de oportunidades, capaz de integrar qualificação, inovação, cidadania e geração de renda. O foco é ampliar o alcance das ações, garantir impacto mensurável e assegurar que as políticas públicas cheguem, de fato, à vida dos jovens, gerando transformação social efetiva.

O legado de Juscelino Kubitschek é frequentemente associado ao seu nome. Como o senhor enxerga esse legado?

O legado do meu bisavô é marcado por uma visão que engrandeceu o Brasil e deixou uma marca definitiva no desenvolvimento do país. Juscelino Kubitschek nos ensinou que o desenvolvimento exige coragem, visão de longo prazo e a capacidade de transformar ideias em ação.

Hoje, esse legado se manifesta na minha busca por políticas públicas que conciliem planejamento, inovação e compromisso com o futuro, sem perder de vista as necessidades do presente. Para mim, dar continuidade a esse caminho é uma responsabilidade afetiva e ao mesmo tempo pública. JK nos ensinou, pelo exemplo, que sonhar grande é um ato de coragem e que o desenvolvimento só faz sentido quando melhora, de forma concreta, a vida das pessoas. É isso: transformar sonhos em metas e ações que geram impacto real.

Como foi para você conciliar o seu legado familiar com suas próprias convicções ao decidir entrar na esfera pública?

André Kubitschek: Carrego com orgulho o legado de quem ergueu Brasília, mas acredito que cada geração tem a missão de escrever sua própria história. Meu compromisso é com o futuro de toda a população do Distrito Federal, tendo um olhar atento para a juventude. Estamos conduzindo uma gestão moderna, participativa e orientada a resultados concretos. Honrar o passado é importante, mas meu foco está no presente e nas oportunidades que podemos construir agora para os jovens e para todos que acreditam em um DF mais justo.

Que mensagem o senhor deixa para a juventude do Distrito Federal?

André Kubitschek: A juventude do Distrito Federal precisa acreditar no próprio potencial. Não existe futuro sem investimento nos jovens. Nosso compromisso é criar oportunidades, abrir caminhos concretos para garantir que cada jovem possa construir a sua própria história.

Esse é o nosso compromisso: investir em educação, inovação e tecnologia, porque o futuro do Distrito Federal será impulsionado pelos negócios, startups e soluções que vocês, jovens, ainda vão criar.

Isabella Carpaneda, a influência que atravessa gerações e transforma a educação brasileira

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Reconhecida nacionalmente por sua contribuição à educação brasileira, Isabella Carpaneda se consolidou como uma das escritoras e educadoras mais influentes do país. Figura respeitada e admirada, especialmente em Brasília, sua trajetória inspira educadores, estudantes e mulheres que encontram em sua história um exemplo de força, dedicação e excelência.

Filha de pioneiros que chegaram à Capital Federal nos primeiros anos de sua construção, Isabella nasceu em Minas Gerais apenas por circunstância, já que poucas horas após seu nascimento retornava à cidade que se tornaria seu lar afetivo, intelectual e profissional. Brasília acompanhou cada passo de sua formação e florescimento, e Isabella, por sua vez, dedicou sua vida a transformar a educação na Capital e no Brasil.

Formação, propósito e a máxima que orienta sua obra

Especialista em Língua Portuguesa, licenciada em Administração Escolar pela Universidade de Brasília e pelo UniCeub, com especializações em Orientação Educacional, Isabella também aprofundou seus estudos com Pós- Graduação em Neurociência e Aprendizagem,  pela USP e segue expandindo seu conhecimento como mestranda em Linguística na UnB.

Sua máxima, repetida ao longo dos anos, “Para escrever, tem que ler”, traduz com precisão a disciplina intelectual que sustenta sua obra e sua visão de mundo.

Mais de 200 livros que marcaram gerações

Aos 23 anos, Isabella escreveu seu primeiro livro didático. Desde então, construiu um catálogo de mais de 200 obras, com mais de 200 milhões de exemplares vendidos, muitas delas adotadas pelo Ministério da Educação por meio do PNLD. Entre os títulos mais emblemáticos, destaca-se a coleção Porta Aberta, campeã de vendas e referência nacional no ensino de Língua Portuguesa.

Seu estilo une rigor técnico, clareza, sensibilidade pedagógica e profundo respeito ao professor e ao aluno. Isabella ajudou a moldar a maneira como crianças brasileiras aprendem a ler e escrever e como professores ensinam. Por isso, tornou-se não apenas uma autora de sucesso, mas uma referência feminina na educação, admirada por sua trajetória ética, consistente e inspiradora.

Bebeto e os Sons do Alfabeto, a mascote que encantou o Brasil

Mesmo com uma carreira consagrada, Isabella decidiu lançar-se em um novo desafio, criar uma mascote capaz de aproximar as crianças dos sons das letras de forma lúdica, sensorial e eficaz. Assim nasceu Bebeto Alfabeto, um projeto fundamentado em documentos do MEC e em pesquisas recentes da neurociência sobre como o cérebro aprende.

As cenas protagonizadas pelo Bebeto utilizam humor, onomatopeias e interjeições para ajudar os alunos a perceberem fonemas que muitas vezes são abstratos no início da alfabetização. O projeto inclui banners, fichas pedagógicas, atividades impressas, além de músicas e vídeos em que cada canção representa um som do alfabeto.

Todo o conteúdo é oferecido gratuitamente nas redes sociais da mascote, no perfil @bebeto.alfabeto, que já ultrapassa 106 mil seguidores, ampliando o acesso a materiais de qualidade e fortalecendo o compromisso de Isabella com a democratização do ensino.

A força de uma educadora e a inspiração para outras mulheres

Ao refletir sobre sua trajetória, Isabella reconhece que sua história pode servir de incentivo para outras mulheres que desejam se destacar em suas áreas de atuação. Sua mensagem é clara, não há atalhos para o sucesso, há trabalho, estudo, disciplina e constância.

Ela também destaca a importância de acompanhar os avanços da ciência da leitura, área que vive um momento de profundo aprimoramento. “Cada descoberta é uma oportunidade de ensinar melhor e transformar mais vidas”, afirma.

Entre suas referências, Isabella destaca a educadora italiana Maria Montessori, cuja abordagem centrada no respeito ao ritmo da criança permanece atual e inspiradora.

Família, o alicerce que sustenta a caminhada

Apesar da agenda intensa, Isabella encontra na família seu maior porto seguro. Mãe de Erick e Laisa e avó dedicada de Luiza e Laura, ela reconhece que o apoio afetivo foi essencial para sustentar suas conquistas. “Sou imensamente grata por esse refúgio que me fortalece e me inspira a dar o meu melhor todos os dias”, afirma emocionada.

Uma trajetória que honra Brasília e o Brasil

Elegante, determinada e profundamente humana, Isabella Carpaneda construiu uma obra que honra a educação brasileira. Brasília viu sua carreira nascer, crescer, transformar-se e hoje celebra uma de suas mais brilhantes representantes.

Sua produção intelectual continua abrindo portas e iluminando caminhos para professores, estudantes, famílias e escritores. Isabella é sinônimo de excelência, compromisso e generosidade. Sua obra, vasta, sensível e transformadora, reafirma diariamente o poder da educação como instrumento de mudança social.

Isabella & Bebeto

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O peso político da mentira: quando a dívida com a verdade se transforma em capital de poder

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A frase “Toda mentira contada é uma dívida com a verdade”, encapsula uma tensão fundamental da política: a mentira como instrumento de curto prazo, cujos juros, no entanto, sempre vencem. No jogo do poder, mentir é uma ferramenta recorrente – muitas vezes indispensável.

Governantes, partidos e líderes constroem narrativas, omitem dados, distorcem contextos ou simplesmente falseiam os fatos para manter controle, mobilizar apoio ou desviar a atenção. A política moderna, especialmente em sociedades de massa e sob o reinado da comunicação em tempo real, tornou-se um terreno fértil para esse tipo de manipulação simbólica. Mas qual o custo dessa prática?

Maquiavel, em “O Príncipe”, já admitia a eficácia da mentira como recurso do governante, desde que o objetivo maior – a estabilidade do Estado – fosse preservado. Para ele, o governante precisava saber “entrar no mal quando necessário”, ainda que mantendo as aparências da virtude. A astúcia da raposa era tão necessária quanto a força do leão.

No entanto, Maquiavel pensava a mentira como meio, não como fim. E é aí que mora o perigo contemporâneo: a mentira que se transforma em sistema, em estrutura de governo, em forma de dominação duradoura.

Hannah Arendt, ao tratar da banalidade do mal e da manipulação ideológica dos regimes totalitários, alertou para os riscos do colapso entre o verdadeiro e o falso.

A mentira, quando sistematizada pelo poder, corrói não apenas a confiança social, mas a própria capacidade de discernimento dos indivíduos. Arendt via na mentira política moderna não apenas um desvio ético, mas uma forma de reconfiguração da realidade. Quando o Estado ou seus representantes mentem deliberadamente, eles moldam uma realidade alternativa em que as pessoas não sabem mais o que é verdade – e pior: perdem o interesse em saber. Nesse ponto, a dívida com a verdade se converte em colapso da verdade como valor.

O sociólogo Pierre Bourdieu, ao analisar o poder simbólico, enfatizou que os discursos oficiais carregam uma força performativa – ou seja, eles não apenas descrevem a realidade, mas a constroem. A mentira proferida por uma autoridade não é apenas uma falsidade, é uma tentativa de reconfigurar o campo social.

Quando um líder político mente, ele não está apenas enganando; está exercendo poder sobre a percepção coletiva do que é real. A dívida com a verdade, nesse sentido, é também uma tentativa de redefinir os termos do contrato social.

Por outro lado, a mentira política pode, sim, ser eficaz em termos de manipulação e manutenção do poder – pelo menos por um tempo. Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, defendia que uma mentira contada repetidamente acabaria sendo aceita como verdade. Essa lógica não desapareceu com o fim da Segunda Guerra Mundial. Ela ressurge, com novos trajes, em campanhas de desinformação, fake news e estratégias de guerra híbrida que caracterizam o cenário político atual.

Contudo, como uma dívida mal administrada, a mentira tende a cobrar juros altos: erosão da legitimidade, instabilidade institucional, polarização extrema e, em última instância, a ruína de regimes.

Nietzsche dizia que “as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”. Em regimes onde a mentira se institucionaliza, ela deixa de ser apenas um instrumento e passa a ser uma crença. A mentira que começa como estratégia se transforma em doutrina. E nesse ponto, a dívida com a verdade não é apenas impagável – ela é esquecida, enterrada, como se nunca tivesse existido.

No entanto, a história mostra que essa dívida volta à tona. Pode levar anos, décadas, mas a verdade tem uma capacidade notável de emergir – às vezes de forma explosiva, por meio de denúncias, revelações ou mudanças de regime; outras vezes, de forma lenta e gradual, como uma ressaca moral que atinge a consciência coletiva. A mentira política é, por natureza, instável. Sua força está na ocultação, mas sua fraqueza é a luz.

Assim, toda mentira contada por aqueles que exercem o poder é, de fato, uma dívida com a verdade – e como toda dívida, um dia será cobrada. A política, por mais que se alimente de discursos, símbolos e manipulações, não é imune ao tempo. E o tempo, quase sempre, é aliado da verdade.