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Busca por Honestino Guimarães, morto pela ditadura, completa 50 anos

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Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães. Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães

Líder estudantil foi presos 6 vezes; da última, não voltou para casa

Na história de desaparecimento e morte do líder estudantil Honestino Guimarães, há 50 anos, mesclam-se violência e silêncio perturbadores. O estudante de geologia da Universidade de Brasília (UnB), nascido em Itaberaí (GO), foi preso, em razão de sua militância contra a ditadura,  seis vezes. Da última, em 10 de outubro de 1973, no Rio de Janeiro, nunca mais voltou para casa. Ele tinha apenas 26 anos de idade. Em seguida vieram pesadelos e sobras de esperança, conforme revelam familiares e amigos de Honestino.

Foi a esperança que moveu a peregrinação da família de Honestino por quartéis e prisões depois que a mãe do estudante, Maria Rosa, recebeu um telegrama que informava a detenção. De acordo com o relatório final da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade, constituída pela UnB, a mãe passou duas semanas em peregrinação pelos órgãos de segurança. Não encontrou o filho.  Havia somente uma informação de que ele havia sido preso pelo antigo Centro de Inteligência da Marinha (Cenimar). 

A família ouviu de militares que Honestino estava detido no Pelotão de Investigações Criminais (PIC) em Brasília, e que ela poderia visitá-lo no Natal daquele ano. No dia 25 de dezembro, Maria Rosa separou roupas e alimentos para o filho.  Ela esperou por seis horas. “Quando eles abriram a porta, levaram-na para uma cela que estava cheia de sangue. E disseram que ele não estava mais lá”, afirma o sobrinho de Honestino, Mateus Guimarães, de 37 anos, que não conheceu Honestino, mas pesquisa e se emociona com a história da família que se uniu para seguir adiante.

Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães.
Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães

Brasília – 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães. Foto Acervo Familia

A filha de Honestino, Juliana Guimarães, tinha três anos de idade quando o pai foi “arrancado” da vida dela. “É não só da minha. Da minha avó, que passou a vida inteira procurando pelo meu pai. São 50 anos que a gente não tem resposta alguma. Nem o paradeiro sobre o corpo. A gente não tem notícia de nada que aconteceu desde que ele foi sequestrado no dia 10 de outubro”.

Conscientização

Juliana afirma que cresceu com medo de farda, mas também com as histórias do senso de humor de Honestino. “Minha mãe contou histórias como, por exemplo, que ele dormia no chão se preparando para o dia em que fosse preso. Ele andava com os olhos fechados porque sabia que tirariam os óculos dele”. Honestino tinha 10 graus de miopia.  A filha diz que não tem esperança de receber algum tipo de resposta sobre o que aconteceu ou a respeito do paradeiro de corpo. Mas espera que a visibilidade dessa história ajude a diminuir a ausência de informações de outras violências no período da ditadura.

O sobrinho, Mateus Guimarães, acredita que a história não diz respeito apenas à família dele. “A injustiça em um lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar. Essa lacuna diz respeito à democracia e ao povo brasileiro”. Entre as homenagens prestadas a Honestino Guimarães, uma ponte na cidade de Brasília, que se chamava Costa e Silva (que foi presidente de 1967 a 1969), ganhou o nome do líder estudantil no ano passado. “Foi um marco muito simbólico. Mas acho que seria muito relevante que a mudança do nome desse origem a um processo de educação e conscientização”.

História nebulosa

O historiador Daniel Faria, professor da Universidade de Brasília e que fez parte da Comissão da Verdade, lembra que Honestino passou a se destacar como liderança em 1968 em Brasília, época de grandes manifestações de rua contra a ditadura. Nesse ano, ele era presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub) e já ligado à União Nacional dos Estudantes (UNE). 

“Ele foi julgado e condenado por crimes contra a segurança nacional a 16 anos de prisão por causa de participação nas passeatas”. Ficou preso até as vésperas da decretação do AI-5 e conseguiu um habeas corpus. Depois entrou para a clandestinidade e saiu de Brasília em 1969. Foi para São Paulo, depois para o Rio de Janeiro até 1973, quando foi definitivamente preso. “Ele era presidente da UNE e ligado a um movimento de resistência chamado Ação Popular”. Em 1968, a poucos meses de se formar, foi expulso da UnB.

“O desaparecimento é algo extremamente nebuloso. Existem várias hipóteses sobre o que fizeram com ele depois que foi capturado”. O professor explica que, no final dos anos 1970, a história de Honestino volta à tona no contexto de uma discussão sobre anistia. Depois, durante as manifestações por Diretas Já, na década de 1980. 

“Em 1995, finalmente o Estado Brasileiro reconheceu que Honestino morreu”. No mesmo clima do país, com a formação da Comissão Nacional da Verdade, a UnB criou o próprio grupo para recolher documentos sobre violações de direitos humanos, como no caso de Honestino. Além dele, foram considerados desaparecidos os estudantes Paulo de Tarso e Ieda Delgado. São mais de 60 mil páginas de documentos. Para Faria, é necessário explicar mais nas aulas o que foi a ditadura e que não está ligada apenas a militantes. 

Gênio, sorridente e gigante

Mais que um militante, para o amigo Cláudio Almeida, hoje servidor público e economista aposentado, Honestino Guimarães, que ele chama pelo apelido de “Gui”, era uma pessoa genial. “Era uma pessoa muito alegre, comunicativa, brilhante e muito precoce. Quando fez o vestibular para a UnB, ele tinha 17 anos e foi o primeiro colocado. Eles se conheciam desde os tempos da escola de segundo grau, chamada Elefante Branco. 

Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães.
Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães

Brasília – 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães. Foto Acervo Familia

“Tivemos uma relação mais próxima, inclusive politicamente, porque eu já fazia parte do grupo Ação Popular”. A partir do que via no amigo, foi Almeida que o levou para o movimento, que não era de luta armada.

Um dos momentos mais tensos, conforme Almeida, foi em 29 de agosto de 1968, quando havia um boato de invasão à UnB pelas forças policiais. Honestino perguntou ao amigo se sabia de algo. “Não percebia absolutamente nada. Fui assistir a uma aula de ciências políticas. Dentro de uns 10 ou 15 minutos, começamos a ouvir gritos avisando que haviam prendido Honestino”. Aí, conforme recorda, todos saíram da sala de aula. Almeida foi preso também em um cenário de ataques com gás lacrimogêneo e tiros. “Eles começaram a atirar mesmo para matar”. Tanto que atingiram o estudante de engenharia Waldemar Alves da Silva Filho, que sobreviveu. “Em seguida, fomos presos, colocados em fila indiana e levados para uma quadra de basquete”. Almeida lembra que prisões de alunos e professores se tornaram comuns e que também foi torturado com choques elétricos e outras agressões físicas. 

Depois de sair da prisão, o amigo recorda que Honestino chegou a se esconder no teto da universidade. Cláudio disse ao amigo que não tinha condições familiares e emocionais de seguir a luta de forma clandestina. Ele guarda as lembranças do Honestino, o baixinho loiro que era fanático pelo Vasco, por jogar futebol na praia e sorrir. “Ele era um amigo leal que se tornava gigante quando começava a falar”.

Conversa na igreja

Também da Ação Popular, o jornalista aposentado Pedro Oliveira, de 75 anos, lembra que entrou para o movimento depois de participar da Juventude Estudantil Católica, corrente progressista da igreja. Era estudante de ciências sociais quando entrou para o movimento estudantil. 

“Os nossos encontros eram rápidos naqueles anos de 1968 e 1969. Não era como hoje que podíamos sair normalmente. A última vez em que me encontrei com ele foi perto da igreja Santa Ifigênia, em São Paulo. Eu andava no sentido horário e ele no sentido anti-horário. E conversamos sobre questões políticas”. Foi traumático para o amigo saber do desaparecimento. “Ele era um cara muito carismático”. Pedro recorda que também foi torturado em uma das prisões em São Paulo. 

Outra companheira de luta de Honestino foi a então estudante de medicina Maria José Conceição. Ela tinha apenas 17 anos de idade quando foi recebida pelo veterano, já um líder estudantil.

 “Ele me apresentava às pessoas como uma irmãzinha, uma maninha. Era muito assim, sorridente, feliz, carinhoso”. Ele inseriu a amiga no movimento estudantil e mudou a vida dela. “Fui presa política também”, diz a hoje ex-deputada distrital e federal Maninha.

Sem ódio

Esse aspecto carinhoso, inclusive, é que o sobrinho Mateus Guimarães tenta levar para a vida. Ele encontrou um relato do tio que, aos 21 anos, dizia que não odiava o torturador, mas o sistema que criou a violência. “É muito linda essa percepção que tinha”. Ele defende que ainda há tempo de pedir a consciência de qualquer pessoa que tenha alguma informação. “Às vezes, essas pessoas podem saber algo, que tenham peso na consciência por terem participado daquele momento e não ter feito nada”.

Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães.
Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães

Brasília – 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães. Foto Acervo Familia

A filha Juliana gosta de saber das histórias do bom humor do pai, que seria parecido com o do filho dela, adolescente. “Eu cresci sempre com a presença dele. Eu tenho poucas fotos dele. A mais linda é uma em que ele está deitado no meu colo. Eu tinha três anos. É a foto mais linda assim da minha vida. Ele está aqui comigo sempre”.

Edição: Graça Adjuto 

Por Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil – Brasília 

TSE inicia julgamento de três ações contra Bolsonaro

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Brasília (DF), 22/06/2023 - Edifício sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Tribunal julgará acusação de abuso eleitoral na campanha de 2022

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a julgar, nesta terça-feira (10), três ações nas quais o ex-presidente Jair Bolsonaro é acusado de abuso de poder político durante a campanha eleitoral do ano passado.

Em caso de condenação, Bolsonaro pode ficar inelegível pela segunda vez. A inelegibilidade também pode alcançar o general Braga Netto, que disputou o cargo de vice-presidente na chapa de Bolsonaro, que tentava a reeleição.

Em junho, o ex-presidente foi condenado pela corte eleitoral à inelegibilidade por oito anos por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, por causa de uma reunião realizada com embaixadores, em julho do ano passado, no Palácio da Alvorada, onde ele atacour o sistema eletrônico de votação. Braga Neto foi absolvido no julgamento por não ter participado do encontro.

Novas ações

Nas ações que vão hoje a julgamento, Bolsonaro é acusado de usar a estrutura da Presidência da República para promover sua candidatura à reeleição.

No primeiro processo, o PDT alega que o então presidente fez uma transmissão ao vivo pelas redes sociais (live) no dia 21 de setembro de 2022, dentro da biblioteca do Palácio da Alvorada, para apresentar propostas eleitorais e pedir votos a candidatos apoiados por ele.

O segundo processo trata de outra transmissão realizada em 18 de agosto do ano passado. Segundo o PDT, Bolsonaro pediu votos para sua candidatura e para aliados políticos que também disputavam as eleições, chegando a mostrar os “santinhos” das campanhas.

Na terceira ação, as coligações do PT e do PSOL questionaram a realização de uma reunião de Bolsonaro com governadores e cantores sertanejos, entre os dias 3 e 6 de outubro, para anunciar apoio político para a disputa do segundo turno.

Defesa

Na defesa prévia enviada ao TSE, os advogados de Bolsonaro e Braga Netto afirmaram que não houve abuso de poder e que as transmissões não “ensejaram ganho competitivo”, por não terem sido veiculados símbolos oficiais, como o brasão da República.  A defesa também declarou que a campanha usou redes sociais privadas e pessoais para realizar as lives.

Edição: Nádia Franco 

Por André Richter – Repórter da Agência Brasil – Brasília 

Guilherme Arantes e Orquestra Sinfônica em Brasília

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Em outubro, cantor se apresenta com Orquestra Brasília Sinfônica no Auditório Master do Centro de Convenções para um concerto inesquecível

Com recente formação, a Orquestra Brasilia Sinfônica tem se destacado no cenário artístico-musical da capital federal com concertos inéditos, músicas e artistas da música popular brasileira que objetivam conquistar um público espectador cada vez maior. No dia 29 de outubro (domingo), às 20h, com a regência do maestro Joaquim França e acompanhado por 40 componentes, o grande músico, cantor e compositor Guilherme Arantes cantará 17 sucessos de sua consagrada carreira num concerto único e inesquecível em Brasília, com arranjos exclusivos.

Com 27 álbuns lançados em cinco décadas de carreira, Guilherme Arantes tem músicas gravadas por Roberto Carlos, Maria Bethânia, Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa, entre outros. Em sua coleção de sucessos estão “Planeta Água”, “Amanhã”, “Cheia de Charme”, “Meu Mundo e Nada Mais”, “Lindo Balão Azul”, “Deixa Chover”, “Lance Legal”, “Pedacinhos” e “Brincar de Viver”.

Desde 2019, Guilherme divide sua moradia entre Salvador, no Brasil, e Ávila, cidade medieval da Espanha. Durante a pandemia, em sua estadia em Ávila, estudou orquestração e música barroca, que influenciou o seu álbum mais recente “A Desordem dos Templários” (2021), com forte tempero progressivo.

Juntos, Guilherme Arantes e a Orquestra Brasília Sinfônica trarão para o palco do Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães um repertório emocionante com os seus clássicos. Isso tudo acompanhado por 40 músicos de primeira linha. Guilherme Arantes é um artista versátil e completo, consagrado pela voz incrível e pelas belíssimas composições, em que agrada aos mais variados tipos de público, da música popular ao rock. “Se você juntar dez brasileiros e começar a cantar uma música de Guilherme Arantes, oito deles vão cantar uma atrás da outra”, declarou o cantor Lulu Santos, em entrevista. 

SERVIÇO:

GUILHERME ARANTES e Orquestra Brasília Sinfônica

Dia:29 de outubro

Horário: domingo, às 20h

Local: Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães

Endereço: Eixo Monumental, Brasília – DF

Ingressos Promocionais 1º Lote.

Superior: R$80,00 (meia) e R$80 + 1kg (Ingresso Solidário)

Especial: R$100 (meia) e R$100 + 1kg (ingresso Solidário)

VIP: R$120 (meia) e R$120 + 1kg (ingresso solidário)

Gold: R$140,00(meia) e R$140 + 1Kg (ingresso solidário)

Premium das Filas H a Q: R$160,00 (meia) e R$160 + 1kg (ingresso solidário)

Premium Fã das filas A a G: R$180,00 (meia) e R$180+ 1kg (ingresso solidário)

Camarote

Bistrô

Lounge

Vendas pela internetwww.furandoafila.com.br 
Pontos de venda físicos: Óticas Diniz e LIG Celulares

Informações: 61-98144-1514

Livre para TODAS as idades.

Como garantir boa alimentação na infância?

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Nutricionista do Oba Hortiruti, Renata Guirau, ensina a manter dieta equilibrada com nutrientes necessários para o crescimento saudável.

A boa alimentação é importante em todas as fases da vida, mas na infância, tem papel determinante para o desenvolvimento das crianças. E o grande desafio é manter uma dieta equilibrada com o consumo de todos os nutrientes necessários para o crescimento. “Durante a infância, o corpo está em desenvolvimento de seus órgãos e funções, e a nutrição tem papel fundamental nesse processo. E é nesse período que a criança molda seus hábitos alimentares, por isso, é imprescindível oferecer uma alimentação adequada e variada para uma boa qualidade de vida no futuro”, diz a nutricionista do Oba Hortifruti, Renata Guirau.

A nutricionista explica que alimentos ricos em carboidratos, como batatas, arroz, aveia, frutas, como banana, uvas, mamão, além de legumes, como cenoura, abóbora e beterraba, vão fornecer a energia necessária para as atividades diárias, assim como as gorduras boas, azeites, peixes, sementes e castanhas, que também ajudam no desenvolvimento saudável do cérebro. 

Já o consumo de boas fontes de proteínas é fundamental para a produção de novas células e para garantir o crescimento adequado. Carnes, feijões, leite e derivados, além de ovos, têm boa quantidade desse nutriente. Renata observa ainda que a ingestão de cálcio ajuda na formação adequada de ossos e dentes, além de auxiliar na saúde muscular e no controle dos eletrólitos do sangue. “Consumir leite, queijos, iogurtes, feijões, verduras escuras como brócolis, couve e espinafre ajuda a garantir o aporte adequado”.

A especialista alerta que ferro é essencial para prevenir anemia, doença que na infância pode prejudicar o ganho de peso, o crescimento, o desenvolvimento neurológico e o aprendizado escolar. O nutriente está presente nas carnes, nos feijões e nos vegetais escuros, como brócolis, espinafre e couve.

“Todas as vitaminas e minerais são importantes durante a infância. O consumo de alimentos caseiros, com variedade e contendo todos os grupos alimentares, é o melhor caminho para garantir que a criança receba todos os nutrientes que precisa”, ensina a especialista.  

Renata lembra que é na infância que se aprende a alimentação adequada. “O paladar é moldável de acordo com os estímulos que recebe, e isso é ainda mais forte na infância, fase em que a criança está formando seu hábito alimentar”. A nutricionista alerta que as crianças vão aprender a gostar mais dos alimentos aos quais são expostas com frequência, por isso, é essencial oferecer produtos de qualidade e evitar os ultraprocessados, que geralmente são hiperpalatáveis e ensinam o paladar a rejeitar os mais naturais, que não têm esse superestímulo. “Uma criança que come bolachas recheadas com frequência tende a deixar de gostar de frutas, pois elas não são doces perto do estímulo que a bolacha recheada oferece”, exemplifica.  

Além disso, crianças aprendem a comer observando o que os adultos comem. “Conforme eles crescem, cada vez mais, seu hábito alimentar se assemelha com um dos pais ou com os dois. Famílias que não comem frutas, verduras e legumes diariamente, provavelmente, terão mais dificuldades de ter uma criança que aceite esses grupos de alimentos. Portanto, antes de mudar o hábito alimentar da criança, é importante que os pais estejam atentos aos seus próprios hábitos”.  

Para ajudar a elaborar um cardápio nutritivo para as crianças, Renata ensina cinco receitas:

Omelete de forno

8 ovos 
½ maço de folhas de espinafre 
Sal, cebola e alho a gosto 
Tomate-cereja para decorar 

Queijo parmesão para gratinar

Modo de preparo:
Bata os ovos com um fuê (batedor de claras). Pique as folhas do espinafre, refogue com o alho e a cebola, e misture aos ovos. Acerte o sal e coloque em um refratário. Decore com os tomates-cereja cortados ao meio. Acrescente o queijo parmesão por cima da massa. Leve ao forno em fogo baixo até que os ovos fiquem bem cozidos. Se preferir, asse em forminhas de silicone e use como opção de lanche para a escola.  

Suco de maçã, couve e cenoura 

1/2 cenoura
1 folha de couve
2 galhinhos de salsinha
1 maçã
500ml de água

Modo de preparo;
Bata tudo no liquidificador e sirva gelado 

Homus rosa 

1 xícara de chá de grão-de-bico cozido  
1 beterraba grande picada e cozida no vapor  
3 colheres de sopa de pasta de gergelim (tahine)  
3 colheres de sopa de caldo de limão  
2 colheres de sopa de azeite  
1 pitada de sal  

Modo de preparo:
Bata todos os ingredientes no processador ou mixer. Antes de bater, certifique-se de que o grão-de-bico e a beterraba não estejam quentes. Guarde na geladeira, em recipiente fechado e vá consumindo em até 5 dias. 

Creme de morango com coco 

1 envelope de gelatina sem sabor 
½ xícara de chá de coco ralado 
½ xícara de chá de leite de coco 
4 colheres de sopa de mel 
½ xícara de chá de água 
1 xícara de chá de morangos picados.

Modo de preparo:
Prepare a gelatina conforme instruções da embalagem. Bata no liquidificador a gelatina, o leite de coco, o mel, a água e os morangos. Coloque em taças e leve para gelar. Quando começar a ficar um creme firme, finalize com o coco ralado por cima de cada taça e volte para a geladeira por mais 2 horas antes de servir. 

Picolé colorido  

1 kiwi picado  
4 morangos picados
¼ de manga picada 
½ xícara de chá de uvas roxas sem semente cortadas ao meio  
Água de coco para completar as forminhas

Modo de preparo:  

Separe forminhas de picolé e faça camada colorida com cada fruta. Complete o volume das forminhas com a água de coco e leve ao freezer por pelo menos 6 horas antes de servir.  

Entenda como acordos de Israel podem ter influenciado ataque do Hamas

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A view shows a police station that was the site of a battle following a mass-infiltration by Hamas gunmen from the Gaza Strip, in Sderot, southern Israel October 8, 2023. REUTERS/Ronen Zvulun

Especialistas analisam contexto da ação do grupo palestino

O ataque surpresa do Hamas tem sido interpretado como uma tentativa de frustrar os acordos que Israel costurou com o mundo árabe nos últimos anos. Esta é a avaliação de três especialistas entrevistados e que acompanham a história do conflito entre Israel e Palestina. 

Desde 2020, Israel firmou os chamados Acordos de Abraão com Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão e caminhava para fechar acordos com a Arábia Saudita, sob a mediação dos Estados Unidos. Com isso, Israel esperava estabilizar as relações com os países árabes e isolar o seu maior rival: o Irã, aliado histórico do Hamas.  

O cientista político e professor de Relações Internacionais Maurício Santoro, que é colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, analisa que a tentativa de frustrar esses acordos explica o ataque do Hamas. Além disso, o especialista acrescentou que a ofensiva serviu para enviar mensagem ao povo israelense, repetindo o ataque surpresa de 50 anos atrás, quando eclodiu a Guerra de Yom Kippur.  

“Para os israelenses, isso é uma mensagem política muito poderosa de que eles foram surpreendidos uma vez há 50 anos e agora foram surpreendidos de novo, que eles nunca vão estar seguros, que eles sempre vão correr o risco de um novo ataque desse tipo”, afirmou Santoro. O ataque do Hamas foi no dia seguinte ao aniversário de 50 anos da Guerra de Yom Kippur.  

Para além da mensagem política, os acordos de Israel com os árabes que buscam normalizar as relações diplomáticas no Oriente Médio também teriam motivado o ataque.  

“Conseguir firmar esses acordos muda os cenários estratégicos da região. Israel passaria a ter uma base mais sólida entre países árabes para confrontar seu adversário mais ferrenho, que é o Irã. Então, um cenário que representasse Israel fazendo acordo com os países árabes e isolando o Irã seria péssimo para o Hamas”, argumentou.

A assessora do Instituto Brasil-Israel Karina Stange Caladrin, que também é pesquisadora do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), lembrou que o Hamas tem como objetivo último o fim do Estado de Israel e que, por isso, tem atacado os acordos árabe-israelenses dos últimos anos.

“O Hamas via nisso (Acordos de Abraão) um enfraquecimento da causa palestina e uma perda de aliados. O Hamas condenou os acordos. Então, o ataque serve para clamar pelo apoio dos árabes à questão palestina”, destacou. 

09/10/2023, A assessora do Instituto Brasil-Israel Karina Stange Caladrin, que também é pesquisadora do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), lembrou que o Hamas tem como objetivo último o fim do Estado de Israel e que, por isso, tem atacado os acordos árabe-israelenses dos últimos anos. Foto: Arquivo Pessoal

Karina Caladrin, pesquisadora da USP, lembra que o Hamas tem como objetivo fim do Estado de Israel Foto: Arquivo pessoal

Karina Caladrin acrescentou que o Hamas ataca sabendo que Israel vai revidar, esperando usar as imagens para sensibilizar a comunidade internacional e, em especial, o mundo árabe. “Quanto mais palestinos morrem mais o Hamas ganha na sua batalha porque a imagem que vai correr no cenário internacional são os palestinos sofrendo. Para os estados árabes não vai ser bem-visto eles assinarem esses acordos com Israel.” 

O Estado Palestino

O doutor em Estudos Estratégicos Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Robson Valdez acrescentou que, assim como os Acordos de Abraão, os acordos da China no Oriente Médio por meio dos investimentos da chamada Rota da Seda pressionam para uma maior estabilidade política na região, o que o ataque do Hamas acaba por desestabilizar. A Rota da Seda é um projeto do governo chinês de integração econômica com o mundo. 

09/10/2023, O doutor em Estudos Estratégicos Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) Robson Valdez acrescentou que, assim como os Acordos de Abraão, os acordos da China no Oriente Médio por meio dos investimentos da chamada Rota da Seda pressionam para uma maior estabilidade política na região, o que o ataque do Hamas acaba por desestabilizar. Foto: Arquivo Pessoal
Doutor da UFRGS Valdez diz que acordos da China no Oriente Médio pressionam para maior estabilidade política na região Foto: Arquivo pessoal

“O conflito desestabiliza todos esses planos de acomodação, e o que a gente vê agora é realmente o contrário. É uma tentativa desses atores (China, Arábia Saudita) de reafirmar que é essencial que a Palestina tenha um Estado soberano que viva harmonicamente com o Estado israelense. A gente percebe que há uma tentativa de reforçar esse consenso que é um consenso da comunidade internacional,” explicou.

Valdez lembrou que os palestinos tentam construir um Estado a partir do direito internacional com apoio de outros países, “mas que Israel, dada uma assimetria militar, avança sistematicamente sobre todos os territórios palestinos contrariando uma série de medidas e resoluções.”

O especialista acredita que essa situação fortalece a posição do Hamas. “Muitos acreditam que só o Hamas, através desse movimento de resistência, seria capaz de criar um Estado porque as vias da negociação já se esgotaram,” concluiu.

Para o pesquisador Maurício Santoro, o Hamas deve ter imaginado que os acordos dos israelenses com os árabes poderiam consolidar a ocupação de Israel em territórios reivindicados pelos palestinos.

“Provavelmente esses acordos acabariam levando a um isolamento do Hamas, sendo deixados de lado por esses governos ansiosos em fazer bons negócios e estabelecer relações cordiais com os israelenses,” acrescentou. 

Assentamentos israelenses  

Ao mesmo tempo que Israel avançava nas negociações com os estados árabes, a relação com os palestinos se deteriorava. “O que a gente viu nos últimos anos foi uma deterioração das relações de Israel com a Autoridade Palestina motivada, entre outras coisas, pela expansão dos assentamentos, tanto na Jordânia quanto em Jerusalém oriental, e sobretudo agora no governo Netanyahu essas relações foram para o fundo do poço,” destacou Maurício Santoro. 

A assessora do Instituto Brasil-Israel Karina Caladrin concorda que a construção dos assentamentos de Israel alimenta o conflito atual, mas acrescenta que a comunidade internacional, incluindo os países árabes, tem responsabilidade no conflito. 

“Há uma responsabilidade, obviamente, imediata de Israel pela perpetuação do conflito, pelo tratamento dos palestinos, pelos assentamentos, mas também há uma completa inação das potências internacionais e dos países árabes,” explicou.

Para ela, apesar da criação do Estado palestino ser a saída para a crise, esta solução parece cada vez mais distante, ainda que entrasse um novo governo em Israel mais favorável aos palestinos. “Enquanto houver o Hamas como um grupo militarizado financiado pelo Irã, não tem como criar um cenário de paz porque eles também não vão aceitar dois estados.”

Edição: Valéria Aguiar 

Hamas ameaça executar reféns israelenses se Israel mantiver ataques

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Contra ofensiva israelense inclui bombardeio a moradias de civis

O braço armado do Hamas disse nesta segunda-feira (9) que vai começar a executar um refém civil israelense em resposta a cada novo bombardeio realizado por Israel contra moradias de civis sem aviso prévio.

O porta-voz do braço armado do Hamas Abu Obaida disse que o grupo tem agido de acordo com as instruções islâmicas ao manter os reféns israelenses sãos e salvos, e culpou a intensificação de bombardeios israelenses e o assassinato de civis dentro de suas moradias por ataques aéreos sem aviso prévio pela medida anunciada de execução dos prisioneiros.

Por Nidal Al Mughrabi – Repórter da Reuters – Gaza