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domingo, maio 3, 2026
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Saiba o que pode eliminar o candidato nas provas do Enem

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Abertura dos portões, segunda etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022.

Estudantes devem estar atentos às exigências e proibições

Enem 2023

Para ter sucesso na realização das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é preciso, além de estudo, prestar atenção às exigências e proibições estabelecidas pelo edital para não correr o risco de ser eliminado no dia da prova. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estabelece todos os anos uma série de regras a serem cumpridas pelos candidatos no dia da avaliação. 

Como ocorre desde 2017, o exame será realizado em dois domingos consecutivos – antes, era aplicado em um único fim de semana, sábado e domingo. Em 2023, será nos dias 5 e 12 de novembro. 

Será eliminado do Enem o participante que se comunicar de qualquer forma com qualquer pessoa que não seja o aplicador da prova ou utilizar livros, notas, papéis ou impressos durante a aplicação do exame. Também não pode registrar ou divulgar, por imagem ou som, a realização da prova ou qualquer material utilizado no exame.

Sair da sala de provas a partir das 13h sem o acompanhamento de um fiscal ou ir embora do local antes de ter passado duas horas do início das provas também podem eliminar o candidato. O mesmo vale para quem iniciar as provas antes das 13h30 ou da autorização do aplicador.

Ao ingressar na sala de provas, o candidato deverá guardar no envelope porta-objetos todos os seus pertences, como óculos escuros, chapéu, caneta de material não transparente, lápis, lapiseira, borrachas, réguas, corretivos, livros, chaves e qualquer equipamento eletrônico (que deverá estar desligado). Quem não seguir essa regra também pode ser eliminado da prova. Se o aparelho eletrônico, ainda que dentro do envelope porta-objetos, emitir qualquer tipo de som, como toque ou alarme, o participante será eliminado.

No dia da prova, os candidatos serão submetidos à revista eletrônica e os objetos e lanches também serão vistoriados. A recusa sem justificativas dessas vistorias pode ser motivo de eliminação. Também é preciso prestar atenção aos documentos exigidos, pois a permanência no local de prova sem documento de identificação válido pode eliminar o candidato. 

No primeiro dia de prova, os participantes fazem as questões de Linguagens e Códigos, Ciências Humanas e redação. No segundo dia, de Ciências da Natureza e Matemática. 

Nos dois dias, a abertura dos portões será às 12h e o fechamento às 13h, pelo horário de Brasília. O início da prova está marcado para as 13h30 nos dois dias de prova, mas o horário de término é diferente: no dia 5 de novembro, as provas terminam às 19h e no dia 12 de novembro, às 18h30.

Todas as informações sobre a realização do Enem estão na página do Inep.

arte dicas preparação Enem 2023

Edição: Graça Adjuto 

da Agência Brasil – Brasília 

Consumidor pode renegociar dívidas na terceira fase do Desenrola

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Plataforma de renegociações foi lançada nesta segunda-feira

Após renegociar quase R$ 16 bilhões na primeira fase e leiloar R$ 126 bilhões em descontos na segunda fase, o Desenrola, programa especial de renegociação de dívidas de consumidores, inicia a terceira etapa. Nesta segunda-feira (9), será lançada a plataforma online para o refinanciamento de dívidas bancárias e de consumo de até R$ 5 mil para devedores que ganham até dois salários mínimos.

Desenvolvida pela B3, a bolsa de valores brasileira, a plataforma está disponível no site www.desenrola.gov.br. Para acessá-la, o consumidor precisa ter cadastro no Portal Gov.br, com conta nível prata ou ouro e estar com os dados cadastrais atualizados. Em seguida, o devedor terá de escolher uma instituição financeira ou empresa inscrita no programa para fazer a renegociação. Em seguida, bastará selecionar o número de parcelas e efetuar o pagamento.

A página listará os credores que ofereceram os descontos por ordem de juros, do mais baixo para o mais alto. Na etapa de leilões, 654 empresas apresentaram as propostas, com o desconto médio ficando em 83% do valor original da dívida. No entanto, em alguns casos, o abatimento superou esse valor, dependendo da atividade econômica.

Os consumidores precisam ficar atentos. A portaria do Ministério da Fazenda que regulamentou o Desenrola dá 20 dias, a partir da abertura do programa, para que as pessoas peçam a renegociação de suas dívidas. Caso o devedor não renegocie nesse intervalo, a fila anda e a oportunidade passa a outras pessoas.

Portal Gov.br

Só pode consultar se o débito foi contemplado no programa e verificar o desconto oferecido quem tiver conta nível ouro ou prata no Portal Gov.br, o portal único de serviços públicos do governo federal. O login único também é necessário para formalizar a renegociação.

As dívidas podem ser pagas à vista ou em até 60 meses, com juros de até 1,99% ao mês. Os consumidores com débitos não selecionados no leilão podem conseguir o desconto oferecido pelo credor, desde que paguem à vista

Leilões

Os leilões da segunda fase do Desenrola ocorreram de 25 a 27 de setembro. Ao todo, 654 credores disputaram os descontos no sistema desenvolvido pela B3, a bolsa de valores brasileira. Foram ofertados descontos de R$ 59 bilhões para dívidas até R$ 5 mil e R$ 68 bilhões para dívidas entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. O lote que ofereceu o maior valor de desconto médio (96%) foi o de dívidas com empresas de cartão de crédito.

As empresas que propuseram os maiores descontos foram contempladas com recursos do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Com R$ 8 bilhões do Orçamento da União, o fundo cobrirá eventuais calotes de quem aderir às renegociações e voltar a ficar inadimplente. Isso permitiu às empresas concederem abatimentos maiores aos consumidores. O credor que não conseguir recursos do FGO poderá participar do Desenrola, mas não receberá ajuda do Tesouro.

Setores

As empresas credoras estão agrupadas em nove setores: serviços financeiros; securitizadoras; varejo; energia; telecomunicações; água e saneamento; educação; micro e pequena empresa, educação. Destinadas à Faixa 1 do programa, a segunda e a terceira etapas do Desenrola pretendem beneficiar até 32,5 milhões de consumidores com o nome negativado e que ganhem até dois salários mínimos.

Em tese, só poderão ser renegociadas dívidas de até R$ 5 mil, que representam 98% dos contratos na plataforma e somam R$ 78,9 bilhões. No entanto, caso não haja adesão suficiente, o limite de débitos individuais sobe para R$ 20 mil, que somam R$ 161,3 bilhões em valores cadastrados pelos credores na plataforma.

A formalização das renegociações pelos consumidores só foi possível porque o Senado aprovou, no último dia do prazo, o projeto de lei do Programa Desenrola. Se a medida provisória do programa, incorporada a um projeto durante a tramitação na Câmara dos Deputados, não fosse aprovada até 2 de outubro, o Desenrola perderia a validade.

Primeira etapa

Aberta em julho, a primeira etapa do Desenrola, destinada à Faixa 2, renegociou R$ 15,8 bilhões de 2,22 milhões de contratos até o fim de setembro. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), isso equivale a 1,79 milhão de clientes, já que um correntista pode ter mais de uma dívida.

Além disso, 6 milhões de pessoas que tinham débitos de até R$ 100 tiveram o nome limpo. Nesse caso, as dívidas não foram extintas e continuam a ser corrigidas, mas os bancos retiraram as restrições para o devedor, como assinar contratos de aluguel, contratar novas operações de crédito e parcelar compras em crediário. A desnegativação dos nomes para dívidas nessa faixa de valor era condição necessária para os bancos aderirem ao Desenrola.

Diferentemente da segunda fase, a primeira etapa renegocia apenas débitos com instituições financeiras. Podem participar correntistas que ganhem até R$ 20 mil por mês e tenham dívidas de qualquer valor, o que permite a renegociação de débitos como financiamentos de veículos e de imóveis. As renegociações para a Faixa 2 devem ser pedidas nos canais de atendimento da instituição financeira, como aplicativo, sites e pontos físicos de atendimento.

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Terceira etapa do Desenrola tem início nesta segunda-feira (9) – Arte/Agência Brasil

Edição: Marcelo Brandão 

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil – Brasília 

Vacinação protege crianças de sequelas da covid-19

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Vacinação de crianças contra a covid-19 na UBS 5 de Taguatinga Sul

A imunização é essencial para pacientes com doenças crônicas

Além de evitar casos graves da covid-19, a vacinação infantil contra a doença é fundamental para proteger as crianças de sequelas da infecção, a chamada covid longa. A afirmação é de Clovis Artur Almeida da Silva, professor titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e chefe do departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP.

Durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, que terminou ontem (7) em Goiânia (GO), o professor falou que essa vacinação é importante principalmente para crianças que tenham doenças crônicas, como as reumáticas. “As vacinas mostraram segurança e resposta imune adequada, inclusive nos pacientes reumáticos e que tomam imunossupressores. Mesmo que eles tenham taxas menores de resposta, as vacinas são adequadas para combater a infecção viral”, disse ele.

A covid longa é definida como qualquer sintoma persistente após três meses da infecção pelo novo coronavírus ou pelas complicações que surgem após uma infecção pelo coronavírus. Associadas a essa covid longa podem surgir problemas sérios, como as miocardites (inflamação no músculo que bombeia o coração), os impactos emocionais e as dificuldades na aprendizagem. “O vírus agride o cérebro e leva a sequelas. Leva à ansiedade e depressão também. Mas ainda não está claro quanto tempo dura isso [esses impactos]”, acrescentou Silva.

Um estudo  feito no Instituto de Pediatria do Hospital das Clínicas da USP e publicada na revista Clinics identificou sintomas prolongados da covid-19 em 43% crianças e adolescentes três meses após a infecção. Os sintomas mais presentes foram dores de cabeça, reportadas por 19% do total de pacientes. Dores de cabeça fortes e recorrentes foram a queixa de 9%, mesmo percentual disse ter cansaço. A falta de ar afetou 8% e a dificuldade de concentração, 4%. 

O professor destacou que, nesse estudo, cerca de 80% dessas crianças já apresentavam, antes da infecção, problemas crônicos como doenças reumatológicas, renais e oncológicas.

Esse estudo também identificou que as crianças que tiveram covid, passaram a apresentar mais dificuldades de aprendizado do que as crianças que não tiveram a doença. “As crianças e adolescentes que tiveram covid tinham significativamente valores menores do domínio escolar de aprendizado mostrando que esses pacientes, possivelmente, vão ter impacto no rendimento escolar, no aprendizado escolar”.

Para prevenir a covid-19 e a covid longa, reforçou o professor, é importante que as crianças sejam vacinadas. E essas vacinas estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), em todo o território nacional.

Mas não é isso que tem ocorrido no Brasil. Segundo boletim do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância), divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em agosto deste ano, apenas 11,4% das crianças brasileiras entre seis meses e cinco anos tomaram ao menos duas doses da vacina contra a covid-19. “Já há estudos mostrando que a vacina diminuiu a covid, diminuiu a covid longa e que, quem tinha covid longa, melhorou mais rápido com a vacina. A grande questão é: vacine. Se tiver novas doses e novas vacinas, continue sendo vacinado”, aconselhou o professor.

* A repórter viajou a convite da Sociedade Brasileira de Reumatologia

Edição: Sabrina Craide

Por Elaine Patrícia Cruz* – Enviada Especial – Goiânia 

Reggae: ritmo jamaicano sofreu preconceito até ter reconhecimento

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Reggae Maranhão. Foto: Acervo GDAM

População periférica de São Luís personaliza o estilo musical

A cidade de São Luís tem motivos para comemorar: aos 411 anos, a capital maranhense foi agraciada com o título de capital nacional do reggae, concedida por lei. Mas o caminho que o ritmo e seus admiradores, a chamada massa regueira, percorreu ao longo dos mais de 40 anos em que aportou na Jamaica brasileira, um dos epítetos de São Luís, foi marcado por preconceito, discriminação e até racismo. Da estigmatização, a aceitação e reconhecimento, é um pouco dessa trajetória que vamos contar.

Não se sabe ao certo como o reggae chegou ao Maranhão, mas o fato é que o ritmo jamaicano já está presente, desde meados de 1970, nas festas da cultura popular, em bailes, com pequenas aparelhagens, as radiolas, nas periferias. Algumas versões apontam que os maranhenses começaram a curtir o rimo ao sintonizar rádios caribenhas de ondas curtas.

Origem

Pesquisadora sobre o gênero, a especialista em Jornalismo Cultural e mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Karla Freire, conta que a hipótese mais provável é que o reggae tenha aportado no Maranhão trazido por marinheiros vindos da Guiana e de ilhas do Caribe.

“O que é comprovado é que, sim, alguns ritmos caribenhos eram escutados aqui através das ondas curtas, mas ninguém consegue dizer que o reggae chegou aqui através das ondas curtas do rádio. Então a hipótese mais provável da chegada do reggae aqui no Maranhão é mesmo através dos vinis que vieram pelo mar em navios aí que vinham da Guiana e que vinham de outras ilhas do Caribe. E aí chegavam aqui, aportavam nos portos do Maranhão e os marinheiros chegavam aqui, trocavam esses vinis por fazer um escambo, trocavam por alimento, enfim, por serviço”.

Autora de livro sobre o tema, Karla chama a atenção para o fato de que o ritmo não foi “imposto”, a partir de uma ação da indústria fonográfica, mas sim, caiu no gosto da população ludovicence. Ela aponta para a possibilidade de identificação pela proximidade com ritmos caribenhos, como o bolero, a salsa e o merengue, muito tocados em festas dos povoados negros e rurais do interior do estado, de onde parte da população que habita as periferias da capital São Luís é oriunda.

Reggae Maranhão. Foto: Arquivo pessoal
Karla Freire conta que o ritmo não foi imposto comercialmente, e sim caiu no gosto do maranhense- Arquivo pessoal

“No começo, o reggae era conhecido como música estrangeira lenta. As pessoas nem sabiam de onde vinha, que era da Jamaica, e não entendiam a letra também, porque as pessoas não entendiam a língua inglesa. Mas então a gente pode pensar, como é que as pessoas passaram a gostar tanto de uma música que não se sabia a origem, não se sabia nada sobre ela? É que o reggae conquistou primeiro uma juventude negra da periferia, prioritariamente. Então eram jovens negros que tinham o reggae, adotaram o reggae como um elemento de identificação cultural”, afirma.

Dança

E foi essa população periférica, em sua maioria negra e pobre, que criou as particularidades que o reggae adquiriu no Maranhão, a começar pela forma de dançar. No estado, o reggae é majoritariamente dançado a dois, esse tipo de dança é chamada de agarradinho e, possivelmente foi desenvolvido em referência a forma como os ritmos caribenhos eram dançados.

“Aquela coisa assim: a festa vinha quente, tocava uma lambada, uma salsa, um merengue, aí vinha um reggae para dar uma esfriada. E é por isso, inclusive, que as pessoas dançam reggae agarrado, que é o reggae agarradinho, porque elas já estavam dançando aos pares e elas permaneciam aos pares. Como ninguém sabia o que era reggae, era uma música estrangeira lenta, uma música romântica e as pessoas continuavam dançando em casais”, detalha Karla.

Outra semelhança apontada é em razão do ritmo, da marcação se assemelhar ao de manifestações culturais negras, muito fortes no estado, como o bumba-meu-boi e o tambor de crioula.

“A batida do reggae tem um contratempo, um baixo, um grave bastante acentuado e ela tem uma batida que lembra um pouco a batida do bumba-meu-boi, do tambor de crioula. Por isso que, de alguma forma, é muito fácil você encontrar a mesma pessoas, o mesmo cara, a mesma mulher que vai no bumba-meu-boi, no tambor de crioula. É uma pessoas que é fã do reggae”, relata Karla.

“Eles fizeram uma releitura desse reggae e passaram a sentir. Então, há uma questão da batida das semelhanças musicais do reggae com as nossas tradições locais, que fazem com que o maranhense acabe se identificando. E, se a gente pensar que São Luís e a Jamaica são duas ilhas predominantemente negras, que têm uma ancestralidade africana em comum, muitos ritmos que lá surgiram fazem sentido para a gente. Então, o Reggae conquista primeiro a massa, vamos dizer, que são os regueiros. E muito tempo depois é que ele vai se disseminando pela cidade toda, é que a classe média vai também abraçando esse ritmo, mas no começo o reggae se popularizou de forma muito forte, muito evidente nas periferias”, afirma.

Pedras

Os regueiros do Maranhão também foram responsáveis pelos termos aos quais se refere para definir as músicas consideradas boas, bonitas, que agitam o salão, são as chamadas “pedras de responsa” ou simplesmente “pedradas” ou “pedras”.

Outra especificidade é a forma como são nomeadas as músicas, chamadas de melôs, que geralmente fazem referência ao que se imaginava corresponder ao som de determinado trecho do reggae ou mesmo batizando com nomes de pessoas.

A hipótese mais aceita é que essa forma de batizar as músicas foi uma estratégias que os DJ’s criaram, com objetivo de esconder a verdadeira identidade da música para evitar o acesso da concorrência.

Esses melôs são tocados pelas radiolas, equipamento em que são acopladas caixas de som, formando um “paredão”, similar as sound systems jamaicanas. Um dos mais famosos, o Melô do Caranguejo foi batizado em referência ao que se acreditava significar o refrão da música White Witch, da cantora norte-americana Andread True, que diz “White witch’s gonna get ya?”. Outro caso exemplar é o da música Think Twice, cantada pela canadense Donna Mari e que em São Luís, virou o Mêlo de Poliana ou de “My Mind”, gravada em 1976 por Hugh Mundell, rebatizada como Melô de Valéria e antes conhecida como Melô dos Astros.

Preconceito, discriminação e perseguição

Apesar de toda a criatividade, a relação do ritmo com a cidade não foi tranquila. No começo, o reggae era associado pelos jornais e mídias locais à violência e ao consumo de drogas.

“Quando você encontrava o reggae no jornal, era na página policial. Normalmente era facada no reggae, era operação da polícia, a polícia invadindo, as pessoas sendo presas, As pessoas passando por baixo da policial. O reggae era o local onde aconteciam os crimes. E tudo isso porque o regueiro era marginalizado, tudo isso porque o ritmo era marginalizado, era acusado de ser uma cultura importada, uma aculturação. Então, durante muitos anos, o reggae foi muito marginalizado”, explica Karla.

Outro ponto levantado é o preconceito devido ao fato do ritmo ter vindo de baixo para cima. As classes altas, identificadas com outros epítetos da cidade – “Atenas Brasileira” e “cidade fundada por franceses” – também discriminava o ritmo e seus amantes.

“Durante muito tempo, o reggae foi estigmatizado, foi marginalizado justamente pela sua origem, além da origem que é jamaicana, negra, é uma ilha pobre do Caribe, a origem também das camadas sociais de São Luís, que eram camadas menos privilegiadas, foram essas camadas que abraçaram esse ritmo. Então, a elite aqui de São Luís não viu com bons olhos”, analisa Karla. “A gente tem embates fenomenais na década de 1990 nos jornais. A gente tem artigos de jornais publicados por membros da Academia Maranhense de Letras, onde há toda uma discussão sobre esse título de Jamaica brasileira, achando que é um absurdo: Como é que a gente era Atenas brasileira por conta dos grandes poetas que a gente tinha nos séculos passados e, agora, a gente vira Jamaica negra, pobre, que não tem cultura, que não tem referência”, relata.

Esse cenário começa a mudar, em meados dos anos de 1990, quando o som foi aos poucos conquistando espaço, ocupando clubes, promovendo eventos, shows, novos programas de rádio especializados em reggae foram surgindo, programas televisivos. Isso acabou atraindo aliados, em especial a classe média que passou a frequentar esses clubes.

“À medida que a classe média foi abraçando o ritmo, à medida que a própria mídia foi mudando esse recorte, ao longo da década de 90 para os anos 2000, televisões, jornais, sites começaram a dar muito mais visibilidade à Jamaica brasileira, que identifica o Maranhense, que é orgulho do Maranhense, e aí vários símbolos, você tem as vários ícones, as radiolas, o dançar agarradinho, a figura do regueiro, as cores do reggae, o Bob Marley, você tem várias coisas que identificam a cidade e isso passa a ser muito mais explorado”, disse Karla. “E aí vai diminuindo um pouco o preconceito. Ele acabou? Não. Ele continua. Até porque o racismo não acabou, a elite ainda tem preconceito com as classes sociais menos favorecidas, Então a gente vê, sim, ainda muito preconceito com o reggae, mas isso já foi diminuindo bastante”, conclui.

Mudança de perspectiva

E quem faz parte dessa história ainda está lutando para acabar com a estigmatização e o preconceito. Um bom exemplo é o do Grupo de Dança Afro Malungos (GDAM), fundado em 1986 e que desenvolve trabalhos sociais para crianças e jovens através da arte, cultura e cidadania. Um desses projetos leva o ritmo para crianças, adolescentes e jovens das escolas públicas das periferias da capital.

A iniciativa começou em 2006, com a criação do bloco do reggae, que sai durante o período do Carnaval. O coordenador do GDAM, Cláudio Adão explicou que a iniciativa é uma forma de trazer o debate sobre questões como racismo, preconceito, discriminação, de uma forma mais leve.

Reggae Maranhão. Foto: @caosinfinito
Cláudio Adão – coordenador do GDAM – Foto: @caosinfinito

“A gente trabalha durante o ano todos nas escolas municipais e estaduais da periferia de São Luís através de palestras, rodas de conversas, oficinas de dança e música, isso tudo direcionado aos amantes da música reggae. A seleção é feita de forma simples, a gente divulga nas rádios comunitárias, nas redes sociais do grupo, nas rádios com programas de reggae. As pessoas interessadas, se forem menores de idade, o pai, mãe ou responsável tem que fazer a inscrição”, explica. “E a gente conseguiu, através da mensagem do reggae, falar de racismo de uma forma muito mais fácil, de preconceito, homofobia, educação, denunciar a forma como a polícia nos trata. Para nós é uma ferramenta muito boa”, pontua.

Adão realça a ligação que a população negra de São Luís tem com a cultura popular e o reggae. “A gente anda junto, porque o reggae é primo irmão de uma expressão muito forte no Maranhão que é o bumba-meu-boi. Na morte do bumba-meu-boi tem barracões do reggae ao lado, do tambor de crioula e também do hip hop e do samba”, conta.

Re(x)istência

Neste sábado, o GDAM vai participar do Festival Re(x)istencia Fest lll, no Parque do Rangedor, em São Luís. Com o tema, Amazônia é Agora, o festival vai chamar atenção para a necessidade de preservação da floresta e de celebrar os povos, a cultura da região. No evento, o GDAM vai realizar o “Chama pra Dançar!”, uma grande aula de reggae ao ar livre.

À Agência Brasil, Adão disse que, mesmo com a discriminação e o preconceito, o reggae foi capaz de criar uma imensa cadeia produtiva, que vai das radiolas e casas de show aos dançarinos e professores de dança que conseguem gerar renda, tendo o ritmo como carro-chefe.

“Infelizmente, durante praticamente 40 anos a gente foi vítima da sociedade branca, racista, vistos como marginais. A massa regueira sofreu muito. Isso diminuiu muito, mas através de estudos a gente foi mostrando que o reggae é o estilo de vida de uma cidade em que 73% da população é negra e que você tem o direito de escolher a música que você quer ouvir no final de semana”, conta. “A gente tem direito de consumir o reggae como uma forma de lazer, de trabalho e também contribuição da cadeia produtiva no Maranhão, através dessa ferramenta que é o reggae, inclusive com esse viés da cultura, do turismo e da economia solidária” defende.

Essa mudança na forma de tratar o ritmo levou à criação do Museu do Reggae do Maranhão. Fundado em 2018, o espaço conta com diversos ambientes, onde homenageia grandes nomes do reggae maranhense que já morreram, tradicionais clubes de reggae de São Luís, como o Clube Pop Som, Clube Toque de Amor, Clube União do BF e Clube Espaço Aberto, algumas delas citadas na música Regueiros Guerreiros da banda maranhense Tribo de Jah. 

O museu também possui fotografias, vídeos e discos raros, além de muitas informações e promove atividades como aulas de dança, rodas de conversa, projeção de filmes. Tem ainda a Quinta do Reggae, atividade que ocorre de julho a dezembro e reúne toda a cadeia produtiva em torno do Movimento (cantores, bandas, DJs, moda reggae, etc).

Adão também conta que após o reggae ter atravessado a ponte que corta a cidade e separa os bairros mais ricos dos mais pobres da capital, o momento é de pensar na promoção de políticas pública voltadas para essa população periférica,

“A gente começou a ganhar alguns espaços políticos, nos partidos, associações, clubes e a mídia teve que dar espaço para nós, através dos programas de rádio e isso facilitou, mas ainda falta muito. É uma conquista, mas tem que estar atento. Estamos discutindo políticas públicas para o povo, independente de ser do reggae ou não, mas o povo preto da cidade de São Luís do Maranhão”, disse.

Edição: Aline Leal 

da Agência Brasil – São Luís 

Faculdade abre inscrições para curso gratuito de ciência e tecnologia

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A Ilum Escola de Ciência é um bacharelado em Ciência e Tecnologia criado e mantido pelo CNPEM. Foto: ILUM/Divulgação

Aprovados têm direito a moradia, alimentação, transporte e computador

Estão abertas as inscrições para seleção do curso de ciência e tecnologia da Ilum Escola de Ciência, faculdade ligada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). As inscrições podem ser feitas até 20 de dezembro.

São ofertadas 40 vagas para curso em tempo integral, sendo metade para alunos do ensino médio de escolas públicas. O curso tem duração de três anos.

Além do curso gratuito, os aprovados têm direito a moradia, alimentação, transporte, curso de inglês e laptop equipado com softwares acadêmicos.

Seleção

A seleção tem três etapas. A primeira é a inscrição e vale 100 pontos. Os candidatos devem preencher formulário com dados pessoais, informações da vida estudantil, atividades extracurriculares e expectativas sobre o curso.

A segunda etapa é a avaliação das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Essa fase vale mil pontos. Os 100 melhores avaliados passam para etapa seguinte.

A terceira, e última etapa, consiste em uma entrevista individual por meio virtual. A banca é formada por oito professores, quatro da Ilum e o restante de outras instituições. A pontuação nesta fase é de mil pontos. Serão aprovados os 40 candidatos com a melhor pontuação em todas as fases.

O que é a Ilum

Criada em 2021, a Ilum é ligada ao CNPEM, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A instituição sem fins lucrativos e oferece cursos superiores gratuitos, por meio de financiamento do Ministério da Educação (MEC). Os cursos têm nível de bacharelado.

Por Agência Brasil – Brasília 

Cerca de mil brasileiros em Israel e Palestina querem voltar ao Brasil

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Itamaraty acompanha situação de três desaparecidos e um ferido

A Embaixada brasileira em Tel Aviv já colheu os dados de cerca de 1 mil brasileiros  hospedados em Tel Aviv e em Jerusalém interessados em voltar ao Brasil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a maioria é de turistas que estão em Israel. 

Os interessados preencheram um formulário online disponível no site da embaixada. Segundo o órgão, o preenchimento do formulário não assegura direito à repatriação e a inclusão na lista de passageiros será informada posteriormente.

O Itamaraty diz que segue acompanhando a situação dos turistas e das comunidades brasileiras na região. A estimativa é que 14 mil brasileiros vivem em Israel e 6 mil na Palestina, a grande maioria fora da área afetada pelos ataques. 

O governo brasileiro reservou seis aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para a repatriação. Ainda neste domingo (8) um avião irá decolar com destino a Roma, na Itália, para trazer os brasileiros que tentam sair da Palestina ou de Israel devido ao conflito iniciado neste fim de semana. 

Até o momento, foram identificados três brasileiros desaparecidos e um ferido após o conflito. Todos são binacionais e participavam de um festival de música no distrito sul de Israel, a menos de 20 quilômetros da Faixa de Gaza. O brasileiro ferido recebeu alta do hospital hoje e se encontra bem.

Contatos

Embaixada do Brasil em Tel Aviv publicou, em seu site, um formulário para inscrição de interessados nos eventuais voos de repatriação e transmitirá instruções para deslocamento ao aeroporto de Ben-Gurion à medida que se confirmarem os voos.

O governo brasileiro montou no Itamaraty estrutura para o acompanhamento da situação dos brasileiros na região. Os plantões consulares da Embaixada em Tel Aviv (+972 (54) 803 5858) e do Escritório de Representação em Ramala (+972 (59) 205 5510), com Whatsapp, permanecem em funcionamento para atender nacionais em situação de emergência.

O plantão consular geral do Itamaraty também pode ser contatado por meio do telefone +55 (61) 98260-0610.

Edição: Sabrina Craide 

Por Agência Brasil – Brasília