Lanchonetes, bares e restaurates do Rio de Janeiro reabrem hoje(2) com restrição de horário, lotação e distância entre mesas.
Micro e pequenas empresas lideram geração de empregos em julho
Pequenos negócios respondem por 79,8% das vagas abertas no país
da Agência Brasil – Rio de Janeiro
As micro e pequenas empresas (MPEs) são o carro-chefe da criação de empregos com carteira assinada no país. Em julho, 79,8% das vagas abertas no Brasil foram absorvidas pelos pequenos negócios. Isso representa 113,8 mil postos de trabalho de um total de 142,7 mil. O levantamento foi feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae. Esse montante representa uma média de 3.670 vagas formais geradas a cada dia.
O volume total criado pelas MPEs é quase seis vezes maior que o número de contratações das médias e grandes empresas (MGEs), que concentraram 13,5% das vagas criadas (19.229). Os demais segmentos são instituições sem fins lucrativos (3.813), pessoas físicas (6.032) e administração pública (-200).
No levantamento do Sebrae, são consideradas microempresas as firmas com até nove empregados (agropecuária, comércio e serviço) ou 19 funcionários (indústria e mineração). Pequenas empresas são as que têm até 49 trabalhadores (agropecuária, comércio e serviço) ou 99 empregados (indústria e mineração).
Sete meses seguidos
O estudo leva em conta dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo de julho foi o sétimo resultado positivo seguido. A última vez que as MPEs tiverem um mês com mais demissões que admissões foi em dezembro, mês em que a economia costuma ter perda de emprego, por concentrar o término de contratos temporários relacionados à demanda das festas de fim de ano.
O índice alcançado pelas MPEs em julho só é inferior, em 2023, ao registrado em janeiro, quando elas foram responsáveis por 81% das contratações.
Os principais motores da abertura de trabalho nas MPEs, em julho, foram os setores de serviços (46,7 mil vagas), construção (26,1 mil vagas) e comércio (25 mil vagas). As atividades que mais se destacaram foram construção de edifícios (8,6 mil vagas), restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas (5,8 mil), e transporte rodoviário de carga (4,4 mil).
A abertura de ocupação com carteira assinada nas MGEs se concentrou principalmente na indústria de transformação (6,5 mil), serviços (5,8 mil) e agropecuária (4,7 mil).
Acumulado do ano
No acumulado de 2023, a participação proporcional das MPEs na geração de ocupação formal é menor, mas elas seguem na liderança. São 825,4 mil empregos do total de 1,1 milhão criados no Brasil. Isso representa 70,8%, contra 16,4% das MGEs.
Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, os números são um reflexo da confiança dos pequenos empreendedores no aquecimento da economia. “A partir de indicadores cada vez mais positivos, somados ao controle da inflação e à perspectiva de continuidade na queda da taxa de juros, os donos de pequenos negócios estão retomando o otimismo. É a confiança de que o país é capaz de acelerar o ritmo de crescimento que faz os empreendedores criarem vagas de emprego”, avalia.
Em julho e no acumulado do ano, todos os estados e o Distrito Federal apresentam saldo positivo de empregos formais em MPEs.
Brasília (DF) - 01/09/2023 - A ministra da Saúde, Nísia Trindade durante entrevista para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em seu gabinete no ministério. Foto: Joédson Alves/Agência BrasilFoto: Joédson Alves/Agência Brasil
Ministra da Saúde avalia que PNI é conquista histórica dos brasileiros
da Agência Brasil – Rio de Janeiro
Reconstruir a confiança da população nas vacinas é um desafio que se impôs ao Brasil nos últimos anos. Em entrevista exclusiva, a ministra Nísia Trindade afirmou que retomar as altas coberturas vacinais é uma missão de toda a sociedade e que o governo trabalha para retomar seu papel como autoridade sanitária e como referência mundial em vacinação.
“A recuperação [da confiança da população] é um desafio que estamos vencendo”, avalia a ministra, destacando, entre outras iniciativas, a retomada das campanhas de multivacinação.
“Começamos [as campanhas de vacinação] por estados da Região Norte e fronteiriços justamente para reduzir o risco de reentrada de doenças como a poliomielite, após terem sido identificados casos no Peru. O Brasil está na lista de países sob esse risco, de acordo com a OMS”, explicou Nísia.
Para a ministra, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que completa 50 anos em 2023, é uma conquista histórica dos brasileiros.
“O PNI e o Sistema Único de Saúde [SUS] são reconhecidos em todo o mundo e nos permitem enfrentar mais de 20 tipos de doenças. Erradicamos a varíola, eliminamos a poliomielite, a rubéola, a síndrome da rubéola congênita e o sarampo. Imaginem se todas essas doenças voltassem a se alastrar? Com a queda nas coberturas vacinais nos últimos anos, infelizmente, o sarampo retornou, e temos de fazer de tudo para evitar o retorno da poliomielite.”
Ministra Nísia Trindade destaca que ganho civilizatório com a vacinação – Valter Campanato/Agência Brasil
Ela alerta que a falta de imunização coloca vidas em risco e destaca que o crescimento da expectativa e da qualidade de vida dos brasileiros está intimamente ligado à vacinação.
“A vacinação é um dos grandes ganhos civilizacionais, permitindo controlar e erradicar inúmeras doenças. Seu impacto positivo para a saúde é comparado pela Organização Mundial da Saúde ao do acesso à água potável. Ambas nos permitiram muito mais qualidade de vida e estão na base do aumento significativo da expectativa de vida ao longo do último século no país, que saltou de 45,5 anos na década de 1940 para 77 anos hoje.”
Confira, abaixo, a entrevista na íntegra:
Agência Brasil: Qual é o balanço parcial desses primeiros meses do Movimento Nacional pela Vacinação? Há novos passos sendo preparados? Nísia Trindade: A vacinação voltou a ser tema prioritário do governo federal. Nesse sentido, a nossa primeira ação foi restabelecer a autoridade sanitária do Ministério da Saúde. As pessoas voltaram a ter uma referência unificada na busca de orientações. Por mais que a desinformação ainda tente promover o negacionismo, o combate a essas ações criminosas contra a saúde pública é prioridade. Considero que já avançamos, portanto, na reconstrução da confiança da população nas vacinas, isso é resultado de um trabalho amplo de todo o Governo Federal, da retomada da ciência, do diálogo e parceria com entidades, sociedade civil, instituições de pesquisa e universidades. Retomar as altas coberturas vacinais é uma missão de toda a sociedade. Isso permite resgatar a relação histórica de confiança entre governo e sociedade, que já fez o Brasil ser referência mundial em vacinação e eliminar doenças como o sarampo, que infelizmente retornou, e a poliomielite.
Outra frente de atuação tem sido a retomada de campanhas importantes no âmbito do Movimento Nacional pela Vacinação, como para a vacina bivalente contra a covid-19 e suas variantes e para a multivacinação nos estados. Neste último caso, adotamos uma estratégia inovadora, o microplanejamento, que permite adaptar as ações à realidade local, de acordo com as próprias referências e manifestações culturais, mobilizando a população e comunicadores locais. Oficinas do Ministério da Saúde com estados e municípios têm sido realizadas para pensarmos conjuntamente sua implantação. A multivacinação já chegou em alguns estados, como Amapá, Acre, Pará, Maranhão e Rio de Janeiro, e terá passado por todo o país até o final do ano.
Começamos por estados da Região Norte e fronteiriços justamente para reduzir o risco de reentrada de doenças como a poliomielite, após terem sido identificados casos no Peru. O Brasil está na lista de países sob esse risco, de acordo com a OMS. O desmonte nas políticas de vacinação que aconteceu nos últimos anos deixou impactos profundos nas coberturas vacinais. A recuperação é um desafio que estamos vencendo, mas não se dará de forma imediata. Como já disse o presidente Lula, a destruição é rápida, a reconstrução leva tempo.
“Retomar as altas coberturas vacinais é uma missão de toda a sociedade”, diz Nísia Trindade – Joédson Alves/Agência Brasil
Agência Brasil: Há uma expectativa grande em relação à incorporação da vacina contra a dengue ao PNI. Pode falar sobre como está esse processo? Nísia Trindade: O processo de incorporação da vacina contra a dengue está seguindo todos os critérios necessários. A biofarmacêutica Takeda, que tem a propriedade da vacina Qdenga, entrou com o pedido na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS [Conitec] no início de agosto, com informações sobre o produto para a análise. É o primeiro passo. É fundamental essa análise técnico-científica para garantir à população acesso a vacinas efetivas. Temos o aval da Anvisa, precisamos agora avaliar os demais critérios, como a segurança, eficácia, custo-efetividade e impacto orçamentário. Os preços devem considerar a abrangência do SUS e refletir o compromisso das empresas que atuam no campo da saúde pública. É importante deixar claro que o Ministério da Saúde não irá, em nenhuma hipótese, deixar de incorporar uma tecnologia ou uma vacina no SUS, se todos os critérios forem cumpridos – seja essa tecnologia fabricada no exterior ou no Brasil.
Também devemos lembrar que a vacina é um meio importante de enfrentar problemas de saúde, mas não o único. Na frente do controle do vetor da doença, temos iniciativas como o projeto Wolbachia. Ele mobiliza um método de liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento e transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya pelo vetor. Já há casos bem-sucedidos e buscamos dar escala a essa experiência e outras inovações que se mostrem eficazes no combate a essas doenças.
Governo quer que todos os púbicos tenham esquema vacinal atualizado – Tomaz Silva/Agência Brasil
Agência Brasil: Já há uma definição de em que lugar do calendário vacinal a imunização contra a covid-19 vai entrar? Será uma vacina infantil? Nísia Trindade: Essa é uma decisão que ainda está em debate pelo Programa Nacional de Imunizações [PNI], com assessoramento da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), à luz das pesquisas e das contribuições científicas para a decisão. Mais urgente, e nossa prioridade no momento, é que todos os públicos tenham o esquema vacinal atualizado. Faço então um apelo a todas e todos para que não deixem de tomar as doses recomendadas para cada faixa etária, e não deixem de tomar a dose de reforço com a vacina bivalente. As vacinas estão disponíveis em todas as unidades de saúde.
Agência Brasil: É possível fazer um exercício de imaginar o Brasil e o SUS sem o PNI? Qual seria o impacto nos vários aspectos da vida do brasileiro: saúde, educação, trabalho, renda, lazer… Nísia Trindade: A vacinação é um dos grandes ganhos civilizacionais, permitindo controlar e erradicar inúmeras doenças. Seu impacto positivo para a saúde é comparado pela Organização Mundial da Saúde ao do acesso à água potável. Ambas nos permitiram muito mais qualidade de vida, e estão na base do aumento significativo da expectativa de vida ao longo do último século no país, que saltou de 45,5 anos na década de 1940 para 77 anos hoje. O PNI e o Sistema Único de Saúde [SUS] são reconhecidos em todo o mundo e nos permitem enfrentar mais de 20 tipos de doenças. Erradicamos a varíola, eliminamos a poliomielite, a rubéola, a síndrome da rubéola congênita e o sarampo. Imaginem se todas essas doenças voltassem a se alastrar? Com a queda nas coberturas vacinais nos últimos anos, infelizmente, o sarampo retornou, e temos de fazer de tudo para evitar o retorno da poliomielite. O PNI faz 50 anos esse ano e foi uma conquista histórica de todos os brasileiros, garantindo que as vacinas sejam direito de todos os brasileiros. O PNI transformou o Brasil em referência de vacinação e é isso que vamos retomar no nosso governo.
Agência Brasil: Qual é o custo das baixas coberturas para o SUS nos últimos anos? Tem sido necessário aumentar investimentos em vigilância e tratamento de doenças preveníveis? Como esse impacto está sendo percebido? Nísia Trindade: O custo é colocar vidas em risco pela falta de vacinação, com possibilidade de retorno da poliomielite e outras doenças que já haviam sido eliminadas. Nosso esforço agora é para evitar que isso aconteça, evitar que o Brasil retroceda ainda mais. Estamos trabalhando no fortalecimento da vigilância, isso entrou inclusive no PAC, com investimentos nos 47 laboratórios de Saúde Pública e avanço na inteligência genômica, por exemplo – são R$ 272 milhões de investimentos nessa área. Isso impacta diretamente na preparação do país para futuras emergências, o que tem sido pauta prioritária inclusive da nossa agenda internacional, e a vigilância é parte fundamental desse processo.
Agência Brasil: O PNI é frequentemente citado como modelo internacional para a imunização na saúde pública. O Brasil coopera de que forma exportando esse modelo? Nísia Trindade: Quando começamos a avançar com maior expressão, a partir de fins da década de 1980, o mundo ficou impressionado com nossa capacidade de engajar a população, de estabelecer essa relação de confiança com a vacinação. A experiência bem-sucedida e a proteção contra diversas doenças, perceptíveis nos dados de redução e eliminação dessas doenças, reforçaram essa confiança que precisamos hoje recuperar. Reconquistar as altas coberturas vacinais, portanto, em um segundo momento, pode voltar a nos colocar em uma posição de referência que nos faça contribuir mais no enfrentamento ao negacionismo e à hesitação vacinal. Nosso objetivo é voltar a ser exemplo para o mundo. Retomar essa posição de referência internacional e mobilizá-la na nossa cooperação com outros países, incluindo a vacinação, é nossa prioridade.
Agência Brasil: Qual é a expectativa em relação aos cronogramas de investimento no Complexo Industrial da Saúde? Quando o país poderá começar a se beneficiar desses investimentos e por que isso é essencial? Nísia Trindade: A recriação do Grupo Executivo do Complexo Econômico e Industrial de Saúde foi uma das primeiras ações dessa gestão, dada a importância desse tema para o nosso governo. Nosso plano de trabalho é fazer com quem, em dez anos, mais de 70% dos bens de saúde sejam produzidos no país, entre vacinas, medicamentos e insumos. Vimos como isso é essencial durante a pandemia da covid-19, quando tivemos de importar ingrediente farmacêutico ativo para as vacinas e tantos outros insumos essenciais, como máscaras e luvas, por exemplo. A maior autonomia do Brasil no setor com o desenvolvimento da indústria local reduz a vulnerabilidade do SUS e assegura o acesso universal à saúde, além da geração de emprego e renda. Essa área terá um investimento robusto previsto no PAC, de mais de R$ 8,9 bilhões. Serão R$ 6 bilhões para o fortalecimento da cadeia de produção de vacinas, medicamentos e equipamentos. E mais R$ 2 bilhões para construção e pré-operação das fábricas do campus Santa Cruz da Fiocruz, que será o maior centro de produção de produtos biológicos da América Latina. Com a evolução da indústria farmacêutica e das tecnologias empregadas na produção de medicamentos, o segmento de biológicos tende a crescer no mundo. Também serão investidos R$ 895 milhões no parque fabril da Hemobrás e na qualificação da hemorrede no país, o que vai impactar diretamente os pacientes com hemofilia, facilitando o acesso ao tratamento com hemoderivados.
Gilberto Figueiredo fez parte das primeiras turmas de funcionários do Zoológico de Brasília e completará 100 anos de idade em outubro
Agência Brasília
Próximo de completar 100 anos de idade, o sergipano Gilberto Rollemberg Figueiredo lembra das primeiras tábuas que carregou para construir o recinto que abrigava a fêmea de elefante-asiático Nely, primeiro animal do Zoológico de Brasília. O aposentado fez parte das primeiras turmas de funcionários da fundação, criada em 1957.
Gilberto com a esposa e um colega ao lado da elefanta Nely | Foto: Divulgação/Fundação Zoológico de Brasília
Hoje, com as mãos calejadas de uma vida inteira dedicada ao trabalho, Gilberto se orgulha em dizer que era chefe de compra do Zoológico e ergueu os recintos dos primeiros animais: Nely, um lobo-guará e uma anta.
“Era tudo de madeira naquela época, improvisado. Mas fazíamos bem-feito. Minha casa era próxima ao recinto da anta. Nós não só trabalhávamos no zoológico, como morávamos lá. Meus filhos foram criados todos lá dentro, e aquilo faz parte da minha vida”, conta Gilberto.
O sergipano estava morando no Rio de Janeiro quando veio para a prometida capital federal trabalhar no zoológico. Em Brasília, Gilberto casou-se e teve dois filhos. “A cidade não existia ainda. Não havia nada. Eu e a minha turma fomos os pioneiros”, conta.
Dedicação
Além dos primeiros recintos, na época chamados de “jaulas”, Gilberto também plantou as primeiras mudas de árvores do Jardim Zoológico.
O ex-funcionário guarda o quadro que ganhou de presente de colega artista mostrando o recinto da anta, que ele mesmo construiu, e o escritório do ex-funcionário no zoológico
“Fiquei no Zoológico por sete anos. Fiz um pouco de tudo e gosto de lembrar dos anos que passei com esses meus colegas funcionários do Zoo. Éramos todos bons amigos. Acho que apenas eu e um outro colega estamos vivos. Todos já partiram”, lamenta Gilberto.
E as histórias da turma são muitas. Ele e os colegas criavam solto um quati, apelidado de “Megatério”. Apaixonado pelos tratadores, o animal não fugia. “O Megatério era bem esperto. Aparecia para fazer graça com a gente. Subia no nosso ombro e roubava cigarros dos bolsos da camisa ou da calça”, relembra Gilberto.
Saudade
Apesar do carinho pelo Zoológico, Gilberto está há mais de dez anos sem visitar o local. Com a locomoção comprometida, ele conta que ficou mais difícil sair de casa, mas que um dos desejos é ainda poder passear pelo parque.
“Sei que está tudo muito diferente, mudado. As coisas evoluem muito e se modernizam. Com certeza, está muito diferente de tudo que fizemos lá nos primeiros anos”, relata.
Em 1958, Gilberto ganhou um quadro com uma pintura que mostra o recinto da anta, que ele mesmo construiu, e o escritório do ex-funcionário no zoológico. A imagem, ele faz questão de guardar com muito carinho pendurada na parede da casa onde mora, em Taguatinga.
Animais antigos
A famosa elefanta Nely morreu em 1992, provavelmente por causa da idade avançada. Estima-se que ela tinha cerca de 60 anos. A morte dela coincidiu com uma visita oficial do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a Brasília. Comovido pela tristeza em que os brasilienses ficaram com a morte da elefanta, Mandela presenteou o DF com um casal de elefantes.
Babu e Belinha chegaram ao zoo em 1995. O macho morreu em janeiro de 2018. Hoje, quem faz companhia a Belinha, 27, é Chocolate, 30, resgatado de um circo em 2008.
De acordo com os registros do zoológico, não há animais da época de Nely. Os bichos mais antigos são a hipopótamo Bárbara, que chegou em 1983, e uma arara-azul, de 1999.
Brasília (DF) 01/09/2023 - O artista plástico e criador do Zé Gotinha, Darlan Rosa posa para fotografia em sua residência. O programa Nacional de Vacinação completa 50 anos.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Artista plástico Darlan Rosa é o criador do símbolo da vacinação
da Agência Brasil – Rio de Janeiro
Com mais de 50 obras no Brasil e no exterior, Darlan Rosa se considera um artista plástico bem-sucedido, com uma carreira que vai da escultura em cimento à arte digital com inteligência artificial. Seu trabalho de maior sucesso e reconhecimento, porém, tem um traço simples e fácil de ser copiado: o Zé Gotinha, ícone do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que completa 50 anos no próximo dia 18 de setembro e será celebrado por uma série de reportagens na Agência Brasil ao longo deste mês.
Mineiro da cidade de Coromandel, Darlan, de 76 anos, conta que a simplicidade foi proposital. Era importante que qualquer um pudesse desenhar o personagem, em uma época em que não era tão fácil produzir uma cópia de um panfleto ou cartaz.
“As agências de publicidade debochavam que era um personagem que não tinha mãozinha, que não tinha pé. E, naquela época, havia uma predominância de uma estética Disney, com personagens gordinhos, com a mão com luva, toda uma filosofia que, no meu entender, não se encaixava em um personagem para a saúde pública”, lembra o desenhista, em entrevista à Agência Brasil.
Darlan começou a desenhar na infância, quando também praticava com materiais como pigmento em pó e cimento da fábrica de ladrilhos de seu pai. A contaminação por esses produtos desde a infância fez com que, na meia-idade, uma alergia intensa causasse uma paralisia em um dos olhos e o obrigasse a abandonar as tintas. O artista, então, abraçou o mundo digital e hoje desenvolve trabalhos com computação gráfica e inteligência artificial.
Personagem Zé Gotinha é um dos protagonistas do Programa Nacional de Imunizações (PNI) – Tânia Rêgo/Agência Brasil
“Marcou minha vida”
A insistência em continuar a produzir também marcou os primeiros passos do Zé Gotinha. Darlan Rosa conta que precisou ser insistente para convencer o Ministério da Saúde a adotar aquele que viria a ser seu símbolo mais famoso. Havia a crença de que a vacinação era um assunto sério demais para ser divulgado com um personagem em animação, conta ele, que foi ajudado por crianças de todo o Brasil, que soterraram o ministério com milhões de cartas com sugestões de nomes para o Zé Gotinha.
“Demos a ideia de fazer um concurso para escolher o nome do personagem, porque aí poderíamos medir se ele tinha carisma ou não. E foi um boom. Foram mais de 11 milhões de cartas, e o próprio ministério ficou meio pasmo“, recorda. “Eu virei uma sarna em cima do ministério depois que criei o boneco. Fiquei lutando por aquilo. E, até hoje, é uma coisa que marcou a minha vida de uma maneira muito grande.”
Darlan Rosa vai contar a história do Zé Gotinha em livro que será lançado em setembro – Joédson Alves/Agência Brasil
O criador do Zé Gotinha vai contar a história de como o personagem nasceu e ajudou o Brasil a vencer a poliomielite, que teve o último caso no país em 1989. O livro Zé Gotinha Herói Nacional, editado pelo Ministério da Saúde, será lançado no dia 10 de setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
Agência Brasil: Nestes 50 anos de PNI, o Zé Gotinha é um dos protagonistas. O que você acredita que fez ele funcionar tão bem? Darlan Rosa: Fazendo uma análise depois de todo esse tempo, quando eu criei o personagem, percebi que havia um engajamento muito grande das vacinadoras. A maior parte era mulher. Eu criei um personagem para elas, e fiz um personagem super simples, para que qualquer pessoa pudesse desenhar. Havia uma demanda muito grande de cartazes, de hoje para amanhã, para fazer uma vacinação em uma escola, para fazer uma ação de bloqueio. E, naquela época, não tinha xerox no serviço público. Era tudo feito à mão. Então, eu fui em todos os estados divulgar o personagem, e eu dizia para as vacinadoras, esse é o filho de vocês, que vocês têm que educar e transformar em um grande educador, como vocês também são. E houve esse engajamento. Nesses 37 anos do Zé Gotinha, muitas vezes, o ministério não queria usar, mas os estados e as vacinadoras continuaram usando e pressionando o ministério para que fizesse campanhas usando o Zé Gotinha. Elas têm esse grande mérito de ter colocado o personagem no imaginário brasileiro.
Agência Brasil: A ideia, então, era que ele fosse bem simples de ser desenhado? Darlan Rosa: As agências de publicidade debochavam que era um personagem que não tinha mãozinha, que não tinha pé. E, naquela época, havia uma predominância de uma estética Disney, com personagens gordinhos, com a mão com luva, toda uma filosofia que, no meu entender, não se encaixava em um personagem para a saúde pública. E vejo que, hoje, grande parte dos personagens do mundo dos games é como o Zé Gotinha, sem mãozinha, sem pé, porque facilita o computador a movimentá-los em cena. Coincidentemente, o Zé Gotinha hoje é totalmente contemporâneo, mais até do que quando foi criado.
Agência Brasil: A ideia foi mal recebida inicialmente pelo ministério. Como foi esse convencimento para que o Zé Gotinha pudesse ser usado? O que virou essa chave? Darlan Rosa: O ministério tinha muito receio porque uma campanha de vacinação precisava vacinar milhões de crianças em um único dia, o que tem um custo muito grande. E, se você introduzisse um personagem na campanha e ela fracassasse, o prejuízo seria muito grande. Também havia pessoas dentro do ministério que achavam que não se podia tratar vacinas como fantasia, que era uma coisa séria demais para colocar um personagem engraçadinho pulando. O Zé Gotinha foi criado dentro da secretaria em que ficava o PNI e que também tinha um grupo de educadores em saúde. Primeiramente, eu os convenci de que poderíamos criar um projeto educativo a longo prazo. Quando o Zé Gotinha foi criado, a encomenda que eu recebi era só de criar uma logomarca para marcar o compromisso do Brasil de erradicar a pólio. Quando levei a ideia do personagem, me disseram: “Mas nós não te encomendamos isso. Queremos só a logomarca”. Mas meu raciocínio foi o seguinte: se o maior prejuízo da criança com a pólio é a mobilidade, o personagem precisa andar, pular e ser feliz. Essa era a tônica que a gente estava trazendo. Então, demos a ideia de fazer um concurso para escolher o nome do personagem, porque aí poderíamos medir se ele tem carisma ou não. E foi um boom. Foram mais de 11 milhões de cartas. O próprio ministério ficou meio pasmo, e começamos a perceber que o nome Zé Gotinha era recorrente. Mas, mesmo assim, não conseguimos colocar ele na campanha, e foram feitos filmes com ele para a vacinação de rotina. Só que isso teve uma repercussão muito grande, foi muito comentado pela mídia. E, então, em setembro de 1988, finalmente conseguimos a campanha.
Concurso para escolha do nome do Zé Gotinha recebeu mais de 11 milhões de cartas – José Cruz/Agência Brasil
Agência Brasil: Então, o Zé Gotinha foi criado em 1986 e só estrelou uma campanha anos depois? Darlan Rosa: Isso, em 1988. Nesse período, fiz uma história em quadrinho, fiz joguinhos, fiz cartazes. Uma coisa que poucas pessoas sabem e que não chegou a ser veiculado é que o primeiro nome dele era Vax, uma abreviatura de vacinas em inglês que era muito usada. Vou lançar um livro na bienal que resgata essa história: Zé Gotinha Herói Nacional.
Agência Brasil: O Zé Gotinha participou da cerimônia em que o Brasil recebeu o certificado de eliminação da pólio. O que você sentiu naquele dia? Darlan Rosa: Eu estava nos Estados Unidos naquela época, acho que em 1995, mas tenho um filme dele na cerimônia junto com o presidente Itamar Franco. O boneco foi na solenidade. Imagine o impacto que isso teve na minha vida. Anos antes de fazer esse personagem, tive um programa infantil na TV, em que desenhava personagens para crianças. Eu já fiz personagens para campanhas para dormir, para lavar a mão, para não fumar. Quando veio a ideia de uma logomarca para campanha de pólio, eu vi que era uma oportunidade de ouro. Eu virei uma sarna em cima do ministério depois que criei o boneco. Fiquei lutando por aquilo. E, até hoje, é uma coisa que marcou a minha vida de uma maneira muito grande.
Agência Brasil: Você trabalhou no Unicef depois do sucesso do Zé Gotinha. Essa experiência brasileira foi exportada? O Zé Gotinha inspirou outros personagens pelo mundo? Darlan Rosa: Eu fiz o Zé Gotinha em um convênio entre o Ministério da Saúde e o Unicef, trabalhei no ministério e depois fiquei 16 anos colaborando com o Unicef. Eu fiz a campanha que erradicou a pólio em Angola, com um personagem também, que lá era uma estrela. A experiência em Angola foi o seguinte: o país estava em guerra civil, e o vacinador não podia entrar na zona rebelde para vacinar. Então, a ideia foi criar um personagem que trouxesse a criança para ser vacinada. Fiz também nos Estados Unidos uma campanha veiculada nos países do Terceiro Mundo sobre micronutrientes, também com personagem, e acabei fazendo uma trilogia sobre iodo, vitamina A e ferro. E esses livros foram traduzidos em várias línguas.
Agência Brasil: Você defende que é preciso falar de vacinas sem assustar, mas existe uma avaliação hoje de que falta percepção de risco sobre as doenças que as vacinas controlaram. Como vê esse equilíbrio entre conscientizar do risco e assustar? Darlan Rosa: Se você tem um personagem que significa proteção e você vai receber ele dentro do seu corpo, você vai receber uma coisa boa. Não tem que ter medo. Eu sou completamente contra o terrorismo nas campanhas. Quando fiz a campanha em Angola, em 1999, Luanda tinha 3 milhões de habitantes e dez vezes mais morando na rua, porque o país estava todo minado. Em um país em que a subnutrição era tal que as pessoas comiam dia sim, dia não, tinha que falar para as pessoas que elas tinham que se vacinar porque tem uma doença chamada pólio, quando elas estavam preocupadas com ataque, com bomba, com subnutrição. Isso nem entrava na cabeça deles. E não tinha TV, rádio e jornal para sustentar essa campanha. Mas, quando cheguei lá, percebi que as pessoas tinham algo como o nosso cordel, uma comunicação em quadros que era poética, e eu surfei nessa onda. O personagem lá, que se chamava Cuia, que era uma estrela de cinco pontas, toda em forma de poesia. Reunimos escoteiros, associações, igrejas e criamos um time de 1 milhão de entregadores de mensagens, porque era oral a comunicação, no meio de uma guerra. E a estrelinha se chamava Cuia porque era uma palavra com entendimento em todos os dialetos, era algo bom, algo doce. Isso tudo é para dizer que não creio no terrorismo. inclusive no ano passado, quando o filho do Bolsonaro colocou uma arma na mão do Zé Gotinha, fiquei possesso, porque era o trabalho de uma vida sendo estragado. Eu acredito na educação e no conhecimento.
Personagem Zé Gotinha é símbolo da campanha de vacinação que ajudou a erradicar a pólio no país – Marcelo Camargo/Agência Brasil
Agência Brasil: Você chegou a se manifestar publicamente quando o Eduardo Bolsonaro postou o desenho do Zé Gotinha empunhando uma seringa como uma metralhadora. Já houve outros episódios em que representações do personagem te incomodaram? Darlan Rosa: Essa foi a primeira vez. Às vezes, você vê um grupo de vacinadores que tenta fazer o personagem e ele acaba virando uma espécie de fantasma. Mas eu sempre convivi com isso achando que era muito mais vontade de acertar e não ter recursos do que algo de propósito. Uma vez, alguém postou no Twitter, nos Estados Unidos, e comecei a receber mensagens de que o símbolo da vacinação no Brasil era um boneco da Ku Klux Klan. Eu fiquei muito indignado. Eu não gosto de rede social, mas entrei para fazer um convencimento. Isso tinha viralizado no mundo em plena pandemia. Tentei interceptar todos os posts que eu pude para explicar que não tem essa história de Ku Klux Klan. E essa americana depois postou dizendo que entendeu a situação, e uma rádio americana fez uma matéria dizendo que o Zé Gotinha era o maior programa educativo pró-vacina do mundo.
Agência Brasil: O governo anterior deu espaço a militantes antivacina em uma audiência pública no momento em que era necessário apressar a vacinação infantil contra a covid, e o próprio presidente disse que não vacinaria sua filha. Como foi testemunhar aquele momento, para alguém que trabalhou pela adesão à vacinação? Darlan Rosa: Eu, por natureza, procuro não me envolver em política. Mas, desse governo passado, o que eu não perdoei e fiquei possesso foi a atitude do presidente em relação à vacina. Em 2020, nós não tínhamos vacina, mas tínhamos um ativo de comunicação que era o Zé Gotinha, que podia ter sido usado para divulgar as noções básicas de proteção contra a covid. Fiquei irritadíssimo com isso e mandei várias mensagens para o ministério, falei com várias pessoas. Cheguei a publicar nas minhas redes e paguei do meu bolso para impulsionar uma publicação, em que o Zé Gotinha dizia assim: “Fique vivo enquanto você me espera”. Mas uma campanha dessa foi um pingo d’água num oceano. Eu não perdoo que o governo passado destruiu um trabalho de 30 anos. Esse convencimento da necessidade da vacina tem que ser reconstruído praticamente, porque foi destruído. A grande sorte do programa de vacinação foi que a mídia nunca abandonou essa ideia, ela sempre esteve junto, divulgando.
Agência Brasil: O Zé Gotinha também pode ser um instrumento de combate às fake news? Darlan Rosa: Com certeza. Ele tem que estar nas redes sociais. Se pode publicar campanhas, animações de 15 segundos que tratam de assuntos variados, e, inclusive como se dá a vacinação, a criação da vacina, a proteção. Existe um desconhecimento geral da população sobre o que é a vacina. Outro dia, vi alguém falando que estavam desenvolvendo uma vacina covid via oral, e a pessoa argumentava que ela era o ideal porque quando a pessoa tomava, os resíduos da vacina na boca já combatiam o vírus assim que ele chegava. Na realidade, a vacina não enfrenta o micróbio, ela ensina o sistema imunológico a se defender. Eu tinha vontade de que as crianças soubessem disso. Inclusive, no meu livro, abordo isso. É bom bater nessa tecla porque existe um espaço para fake news. É preciso bater firme nessa parte educativa.
Para Darlan Rosa, Zé Gotinha também ajuda no combate às fake news contra vacinas – José Cruz/Agência Brasil
Agência Brasil: A “volta Zé Gotinha” foi muito aclamada com o Movimento Nacional pela Vacinação iniciado neste ano. Ele também está sendo celebrado em uma campanha com a Xuxa. O que ele representa hoje? Darlan Rosa: Essa associação do Zé Gotinha com a Xuxa foi genial, porque as crianças da época da Xuxa são os pais de hoje, que têm a responsabilidade de vacinar seus filhos. Essa associação nesse momento foi muito oportuna e uma bela sacada. Hoje, eu sou um artista plástico relativamente bem-sucedido. Tenho 58 obras públicas em Brasília, tenho obras em vários países, mas as pessoas sempre dão importância quando ficam sabendo que eu criei o Zé Gotinha. Percebo que há uma unanimidade nesse país sobre a importância e o carisma desse personagem. E ele estava sendo marginalizado e enterrado. E, quando vem um governo que fala “cadê o Zé Gotinha?”, e esse governo dá a ele uma importância de símbolo nacional, não só de vacinação, porque acho que ele já ultrapassou isso, dá importância de um símbolo nacional de saúde, isso encontra no imaginário popular essa admiração pelo personagem, esse carinho. Faltava que se desse importância a ele. Não vou dizer que o Zé Gotinha é fenomenal, estupendo. É um personagem simples que, ao longo dos anos, conquistou o imaginário popular.
No DF, rede de assistência da Secretaria de Saúde alcança recorde de atendimentos; procura foi intensificada desde a pandemia de covid-19
Agência Brasília
“Sentimentos bons e ruins são normais. Quando começam a interferir nas atividades do dia a dia, é hora de procurar ajuda” Ana Luísa Lamounier Costa, referência técnica distrital (RTD) em psiquiatria
Saber a hora de pedir ajuda em caso de sofrimento mental é um passo importante para encontrar alívio e, dependendo da situação, até salvar vidas. Não saber lidar com a adversidade nada tem a ver com fraqueza, falha de caráter ou força de vontade. É esse o tom da campanha Setembro Amarelo deste ano.
Segundo a Diretoria de Serviços de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES), a pandemia de covid-19 foi um fator preponderante na procura por atendimento psicológico. No ano passado, foram registrados 215.362 procedimentos de atenção psicossocial classificados como ambulatoriais, atendimentos individuais, oficinas terapêuticas e acolhimento de pacientes. Nos seis primeiros meses deste ano, já foram 130.446 atendimentos – praticamente o mesmo número registrado ao longo de 2021, que somou 135.761.
Rede de Saúde Mental atua em frente ampla, oferecendo terapia coletiva e atividades multidisciplinares | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde
O assunto de saúde mental é amplo e começa na promoção de hábitos que ajudam a manter o bem-estar, como a prática de exercícios físicos, a alimentação saudável e o respeito ao sofrimento diante de momentos difíceis da vida comuns a todas as pessoas, como luto, perdas e mudanças.
“Sentimentos bons e ruins são normais”, pontua a psiquiatra Ana Luísa Lamounier Costa, referência técnica distrital (RTD) na área. “Quando eles começam a interferir nas atividades do dia a dia, é hora de procurar ajuda”. Ela aponta ainda fatores genéticos, do desenvolvimento, familiares e sociais capazes de aumentar o risco de depressão e outros transtornos mentais, abrangendo desde reações agudas ao estresse até outros episódios mais sensíveis, como esquizofrenia e psicose.
Onde procurar ajuda?
São várias as portas de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial no DF. Abertas à consulta de quem enfrenta sintomas considerados leves a moderados, as 175 unidades básicas de saúde (UBSs) oferecem atendimento de equipe multidisciplinar e participação em atividades coletivas, como yoga e terapia comunitária.
Para casos extremos, o Samu pode ser acionado, bem como a emergência psiquiátrica do HSVP e do HBDF
Casos moderados a graves, inclusive para situações de uso e abuso de substâncias químicas, são encaminhados a uma das 18 unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Todos possuem serviços de porta aberta, isto é, atendem quem chegar. Entre essas unidades, destacam-se os sete Caps AD, especializados em casos de uso e abuso de álcool e de outras drogas, e os quatro Capsi, voltados a crianças e adolescentes.
Em situações mais graves, como surtos e violência contra outras pessoas ou contra si mesmo, as 13 unidades de pronto atendimento (UPAs), o Hospital de Base (HBDF) e os hospitais regionais fazem o acolhimento dos pacientes. Em casos extremos, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado, ou é possível buscar diretamente a emergência psiquiátrica no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) ou no HBDF. O detalhamento da Rede de Atenção Psicossocial está disponível no site da SES.
Além das UBSs, Caps e emergências, existem ainda serviços ambulatoriais em policlínicas, unidades hospitalares, no Centro de Orientação Médico-Psicopedagógica (Compp), para crianças de até 11 anos, e no Adolescentro, para o público de 12 a 17 anos.
Atendimento integrado
Servidores da SES destacam que a Rede de Atenção Psicossocial possui equipes multiprofissionais e permite a integração com outros serviços. A psicóloga Paula Giraldelle, da Policlínica de Samambaia, lembra que, às vezes, até situações inicialmente identificadas como de saúde mental são encaminhadas para outro tipo de atendimento. “Muitas crianças que chegam com suspeita de déficit de atenção sofrem de dificuldade respiratória, então encaminhamos para avaliação do otorrinolaringologista – e acontece de não ser déficit de atenção, mas um mau sono provocado por dificuldade de respiração”, exemplifica.
O inverso também ocorre. Nas UPAs e nos hospitais, os profissionais são qualificados para identificar situações em que o paciente acredita estar com problemas cardíacos, por exemplo, mas não há indicativos de causas físicas.
“Na crise de pânico, é muito comum o usuário ter certeza de que vai morrer, mas todos os parâmetros indicam que não é um quadro orgânico”, sinaliza o psicólogo Iuri Luz, do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Nesses casos, os profissionais acolhem o paciente e, após a estabilização, abordam sobre o encaminhamento para a Rede de Atenção Psicossocial.
O acesso ao atendimento especializado, com equipes multiprofissionais de saúde formadas por psicólogos, assistente sociais, terapeutas ocupacionais, médicos psiquiatras e profissionais da enfermagem, proporciona uma atenção integral que atua em todas as necessidades do usuário, possibilitando a melhora do quadro e o processo de reabilitação social.
Há ainda 18 unidades do Centro de Especialidade para Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual, Familiar e Doméstica (Cepav), onde mulheres são atendidas por equipes multidisciplinares.
Expansão
Frente ao aumento da procura pelo serviço, a diretora de Serviços de Saúde Mental da SES, Fernanda Falcomer, lembra que há investimento constante na recomposição das equipes da Rede de Saúde Mental. “Essa é nossa prioridade”, afirma. Atualmente, são 316 psicólogos e 100 psiquiatras na ativa, além dos profissionais de outras carreiras.
As unidades também foram beneficiadas com serviços de restauração, a partir dos contratos de manutenção predial firmados em 2022. “Além disso, está prevista a construção de cinco novas unidades de Caps que vão ampliar a capacidade de atendimento e a cobertura da Rede de Saúde Mental do DF”, anuncia Fernanda.
A economia brasileira cresceu 0,9% no segundo trimestre deste ano, na comparação com os primeiros três meses do ano.
O Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, somou R$ 2,651 trilhões.
O dado foi divulgado nesta sexta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, a economia brasileira avançou 3,4%. O PIB acumula alta de 3,2% no período de 12 meses. No semestre, a alta acumulada foi de 3,7%.
O crescimento de 0,9% no segundo trimestre de 2023 em relação ao trimestre imediatamente anterior é a oitava alta seguida neste tipo de comparação, mas aponta também uma desaceleração, já que nos primeiros três meses do ano houve crescimento de 1,8% (valor revisado pelo IBGE) ante o último trimestre de 2022.
Os dados divulgados hoje situam a economia brasileira em um nível 7,4% acima do patamar pré-pandemia e a posiciona no ponto mais alto da série histórica.
Arte: IBGE
Setores
Os desempenhos da indústria (0,9%) e dos serviços (0,6%) explicam o crescimento do PIB no último trimestre. No caso dos serviços, a influência positiva é maior porque as atividades respondem por 70% da dinâmica econômica.
“O que puxou esse resultado dentro do setor de serviços foram os serviços financeiros, especialmente os seguros, como os de vida, de automóveis, de patrimônio e de risco financeiro. Também se destacaram dentro dos outros serviços aqueles voltados às empresas, como os jurídicos e os de contabilidade, por exemplo”, explica a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
A indústria teve crescimento pelo segundo trimestre seguido, com destaque para a extrativa (1,8%), impulsionada pela extração de petróleo e gás e de minério de ferro, produtos relacionados à exportação.
Como um todo, a indústria segue acima do patamar pré-pandemia, mas não conseguiu superar o ponto mais alto da série histórica, atingido no terceiro trimestre de 2013.
Agropecuária
Dos três grandes setores da economia, a agropecuária foi o único a recuar no trimestre (-0,9%). A retração se deve, principalmente, à base de comparação elevada, já que o setor tinha sido o grande motor do PIB nos três primeiros meses do ano.
“Se olhamos o indicador interanual, vemos que a agropecuária é a atividade que mais cresce. O resultado é menor porque é comparado ao trimestre anterior, que teve um aumento expressivo. Isso aconteceu porque 60% da produção da soja é concentrada no primeiro trimestre”, analisa Rebeca.
Consumo
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 0,9% no segundo trimestre. É a maior alta desde o mesmo período do ano passado.
“Do lado positivo, o mercado de trabalho vem melhorando constantemente, há o crescimento do crédito e várias medidas governamentais como incentivos fiscais, vide redução de preços de automóveis, e os reajustes nos programas de transferência de renda, notadamente o Bolsa Família. Por outro lado, os juros seguem altos, o que dificulta o consumo de bens duráveis, e as famílias seguem endividadas porque, apesar do programa de renegociação de dívidas, elas levam um tempo para se recuperar”, avalia Rebeca.
O consumo do governo cresceu 0,7%, representando o quarto resultado positivo seguido. Já os investimentos apresentaram estabilidade (0,1%), mantendo a taxa de investimento em 17,2% do PIB, menor que a do mesmo período do ano passado (18,3%).
A taxa de poupança passou de 18,4%, no segundo trimestre do ano passado, para 16,9% no mesmo período deste ano. O fim da pandemia explica esse comportamento, segundo a analista do IBGE: “durante a pandemia, houve aumento porque as famílias de maior renda, por não poderem consumir certos serviços, pouparam esse dinheiro excedente. Com a normalização da demanda e oferta dos serviços, a taxa de poupança caiu.”
As exportações (2,9%) e as importações (4,5%) apresentaram alta ante o primeiro trimestre deste ano.
Comparação
Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o PIB teve alta de 3,4%. Na mesma base de comparação, a agropecuária cresceu 17%, o melhor resultado entre os setores. Já a indústria cresceu 1,5%; e os serviços, 2,3%.
No primeiro semestre deste ano, a economia brasileira apresentou avanço de 3,7%, com destaque para a agropecuária (17,9%), novamente bem acima da indústria (1,7%) e serviços (2,6%). “[A agricultura] teve um ótimo resultado por causa das safras recordes de soja e milho”, explica a Rebeca.