Foco é o carcinoma basocelular em fase inicial de tratamento
da TV Brasil – São Paulo
Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tipo de câncer de pele mais comum vão ter um novo tratamento desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). A tecnologia 100% nacional promete um tratamento rápido, com menos desconforto e foi aprovado para uso na saúde pública.
Uma casquinha no nariz foi como a dona de casa Helena Pontieri Morales descobriu a lesão de câncer de pele no rosto. Ela passou por um tratamento de terapia fotodinâmica, que está revolucionando a dermatologia no país. A inovação permite que pacientes como ela não precisem mais passar por cirurgia.
“Só deu uma queimadinha e pronto”, conta Helena sobre o procedimento a laser.
O tratamento é oferecido gratuitamente no Hospital Amaral Carvalho, na cidade de Jaú, no interior paulista, um dos 70 centros de estudos que utilizam a terapia. As lesões que podem ser tratadas são as não melanoma, que respondem pela maioria dos casos de câncer de pele entre os brasileiros.
“O foco do nosso projeto é o carcinoma basocelular em fase inicial de tratamento, uma lesão pequena, com subtipo histológico específico para ser contemplado, para receber a terapia fotodinâmica”, explica a dermatologista Ana Gabriela Sálvio.
Esse aparelho já tratou mais de 5 mil lesões e está presente em nove países da América Latina. O custo do tratamento gira em torno de R$ 200 a R$ 300 por lesão de pele com até um centímetro.
Após ter esta pomada absorvida pela pele, o paciente passa por uma terapia fotodinâmica, que mata as células cancerígenas. Em apenas duas sessões, de apenas 20 minutos, mais de 90% dos pacientes já podem sair curados.
A terapia é desenvolvida há 20 anos pela USP de São Carlos. O Brasil é considerado o país que mais investiu na técnica fotodinâmica no mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Foram mais de R$ 10 milhões, com incentivos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério da Saúde e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
“Um dos grandes desafios do Brasil é colocar a inovação brasileira no nível de produção científica. Somos o 13º país em produção de ciência no mundo, mas o 54º país em inovação de novos produtos, sistemas e soluções para o mundo real. Este exemplo aqui de São Carlos é a ciência básica sendo transformada em inovação e um produto que soluciona um problema do SUS”, avalia Celso Pansera, presidente da Finep.
O tratamento já está disponível há cerca de 10 anos no sistema privado. Com o desenvolvimento de uma tecnologia nacional, em julho deste ano, o aparelho foi aprovado para uso no SUS.
“É um sucesso muito grande. Como é uma técnica relativamente barata e conveniente, fácil, que não exige grande infraestrutura, ela é especialmente adequada para o Sistema Único de Saúde, que precisa disponibilizar para um número muito grande de pessoas da sociedade”, aponta o pesquisador Vanderlei Salvador Bagnato, do Instituto Física São Carlos, da USP.
O Ministério da Saúde foi procurado pela para saber quando a tecnologia vai estar disponível no SUS, mas não houve resposta.
Brasília (DF), 26.08.2023 - Ministério da Saúde lançou, no Zoológico de Brasília, a campanha de multivacinação no Distrito Federal. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Programa Nacional de Imunizações completa 50 anos este mês
da Agência Brasil – Rio de Janeiro
Prevenir contra o sarampo uma criança da Terra Indígena Bacurizinho, no Maranhão. Vacinar contra a pneumonia um idoso acamado em casa, no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. Proteger da raiva um adolescente ferido por um morcego silvestre na zona da mata mineira. Imunizar um bebê contra o tétano ainda na barriga da mãe.
Aplicar centenas de milhões de doses de vacinas por ano em mais de 5 mil municípios. Fazer tudo isso de forma gratuita e segura foi o que tornou o Programa Nacional de Imunizações [PNI] do Brasil o maior do mundo e uma referência até mesmo para países desenvolvidos.
Há 50 anos, o PNI cumpre a ambiciosa missão de vacinar uma enorme população dispersa num território continental chamado Brasil, profundamente marcado pela diversidade de culturas e cenários, e também pela desigualdade de condições de vida. Ao longo do mês de setembro, a Agência Brasil vai relembrar as conquistas dessas cinco décadas, discutir os desafios do futuro e destacar a importância das vacinas para a saúde coletiva do povo brasileiro e da humanidade.
Apesar de ser considerado o maior programa de vacinação público e gratuito do mundo, com 20 vacinas que eliminaram doenças importantes como a poliomielite, o tétano neonatal e a rubéola congênita, o programa completa meio século de vida lutando para reverter retrocessos que levaram as coberturas vacinais de volta aos níveis dos anos de 1980. Pesquisadores veem com otimismo o novo momento vivido pelo programa, mas apontam que há um longo caminho a ser percorrido.
Referência global
“Nós, os brasileiros do PNI [Programa Nacional de Imunizações], fomos solicitados a dar cursos no Suriname, recebemos técnicos de Angola para serem capacitados aqui. Estabelecemos cooperação técnica com Estados Unidos, México, Guiana Francesa, Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Peru, Israel, Angola, Filipinas. Fizemos doações para Uruguai, Paraguai, República Dominicana, Bolívia e Argentina”.
O trecho, retirado do livro comemorativo dos 30 anos do PNI, organizado pelo Ministério da Saúde, deixa claro o destaque internacional do Brasil no setor de imunizações. O ano era 2003, e a imunização no país exibia elevados percentuais ano após ano, o que levou à eliminação do tétano neonatal, da rubéola congênita e do sarampo do país nos anos seguintes. Desde 2015, porém, uma queda considerável na busca pela vacinação fez com que o país revivesse o medo de doenças que ele já tinha vencido: o sarampo retornou em 2018, e a volta da pólio é considerada uma ameaça de alto risco.
Chefe de saúde do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Luciana Phebo. Foto:Unicef
A chefe de saúde do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Luciana Phebo, classifica o programa como uma referência global, principalmente para países com renda média e baixa e semelhanças socioeconômicas com o Brasil.
“É um programa de referência não só para a América Latina, mas para países da África também. E o Unicef, junto com a OMS [Organização Mundial da Saúde], tem também essa função de levar boas práticas do Brasil para outros países de contextos semelhantes. O PNI não é só importante para o Brasil, é importante para todo o mundo”.
Luciana Phebo destaca que o Brasil dispõe de ferramentas importantes que criaram as condições para um programa tão bem sucedido, como um sistema público e universal de saúde, instituições com tecnologia para produzir vacinas, e uma rede de atenção básica que ainda pode melhorar, mas que conta com um alcance relevante para chegar a quem precisa das vacinas.
“O SUS [Sistema Único de Saúde] é extraordinário, está acima do que acontece no mundo e até mesmo em países desenvolvidos, com a capilaridade, com uma gestão unificada, com o Ministério da Saúde chegando aos municípios mais remotos e a todo o território nacional, que é vastíssimo. Poucos países têm essa estrutura.”
As quedas nas coberturas vacinais observadas desde 2015, porém, acenderam um sinal de alerta para autoridades sanitárias do Brasil e do exterior, e a possibilidade de que doenças eliminadas do país retornem causa preocupação.
“Com a pandemia, essa redução se agravou e, no período pós-pandêmico, acontece uma pequena melhora, a curva começa a tomar uma outra direção, mas essa resposta tem que ser acelerada. E ainda não teve a aceleração necessária para garantir que não haja reintrodução de doenças como a poliomielite ou surtos de sarampo que poderão voltar a acontecer”.
Reconstrução progressiva
Ministra da Saúde, Nísia Trindade, durante evento em Brasília. Foto: Wilson Dias/Arquivo Agência Brasil
Em entrevista à Agência Brasil, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, destaca que o governo tem atuado para reestabelecer o protagonismo do programa e a confiança da sociedade no Ministério da Saúde enquanto autoridade sanitária nacional. Apesar de considerar que o desafio está sendo vencido, ela lembra que a reconstrução será progressiva e levará tempo.
“Quando começamos a avançar com maior expressão, a partir de fins da década de 1980, o mundo ficou impressionado com nossa capacidade de engajar a população, de estabelecer essa relação de confiança com a vacinação. A experiência bem-sucedida e a proteção contra diversas doenças, perceptíveis nos dados de redução e eliminação dessas doenças, reforçaram essa confiança que precisamos hoje recuperar”, reforçou.
“Reconquistar as altas coberturas vacinais, portanto, em um segundo momento, pode voltar a nos colocar em uma posição de referência que nos faça contribuir mais no enfrentamento ao negacionismo e à hesitação vacinal. Nosso objetivo é voltar a ser exemplo para o mundo. Retomar essa posição de referência internacional e mobilizá-la na nossa cooperação com outros países, incluindo a vacinação, é nossa prioridade.”
SUS
Ministério da Saúde lançou a campanha de multivacinação no Distrito Federal no final de agosto. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Consultora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e ex-coordenadora do PNI, Carla Domingues destaca que o programa se fortaleceu porque foi considerado uma política de Estado, tendo se estruturado desde a ditadura militar e passado por diferentes governos democráticos. A robustez conquistada, porém, veio principalmente na década de 1990, a partir da criação do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O PNI foi um exemplo de sucesso porque todos os princípios do SUS foram efetivamente consolidados. Começando pela universalidade, que define que todas as vacinas cheguem a toda a população brasileira, seja ela dos grandes centros, cidades médias, população ribeirinha ou indígena”, afirma Carla Domingues, que esteve à frente do programa brasileiro por 13 anos.
“A história de sucesso vai até 2016. Hoje, infelizmente, nossos indicadores estão sendo comparados a países como Haiti e Venezuela. Infelizmente, deixamos de ser modelo. O grande desafio é voltar a estabelecer essa confiança que a gente teve por mais de quatro décadas, com a população brasileira sendo responsável e comparecendo aos postos de vacinação”.
Um ponto importante que o PNI introduziu no país, explica a especialista, foi a participação dos estados e municípios nas políticas de imunização, com atribuições definidas para cada uma das esferas do governo. A compra centralizada e em larga escala de vacinas para todo o país por parte do governo federal, também garantida a partir do programa, foi essencial para que todas as populações pudessem ser vacinadas, independentemente da saúde financeira ou prioridade orçamentária de seus estados.
“Até a década de 1970, os programas da varíola, da pólio e da rubéola faziam suas compras, e não havia uma política nacional de aquisição de vacinas. E para doenças como sarampo, difteria, tétano e coqueluche, os estados que tinham recursos faziam programas estaduais. Isso não tinha impacto para a eliminação das doenças. Com compras centralizadas, distribuição e aplicação descentralizadas, garantia de fornecimento e toda uma cadeia de transporte e logística, você conseguiu implementar essa política de vacinação”.
Calendários para todos
Toda essa estrutura permitiu que o programa saísse das quatro vacinas ofertadas na década de 1970 para 20 vacinas disponíveis hoje, com calendários para crianças, adolescentes, adultos, gestantes e campanhas de grande porte como a vacinação anual contra o Influenza.
Esses motivos fizeram com que o Brasil sempre fosse convidado a apresentar suas experiências nas reuniões da Organização Pan-Americana de Saúde, lembra Carla Domingues, que acrescenta que o país também implementou de forma célere as recomendações e os compromissos debatidos no organismo internacional.
“O Brasil serviu de modelo quando a organização mostrava os casos de sucesso e, principalmente, pelos desafios, sendo um país tão grande, com populações tão dispersas e em condições geográficas tão diferentes.”
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Mônica Levi. Foto: Divulgação/SBIM
A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Monica Levi, concorda que, apesar de cada país ter suas características, o Brasil era um modelo. Ela destaca que, da mesma forma, outras experiências internacionais podem agregar estratégias no enfrentamento de desafios, como o antivacinismo.
“O Brasil é um país que serve de modelo por ter um êxito nas coberturas vacinais por vários e vários anos, o que não é mais uma realidade agora”, conta Mônica.
“É importante ver como outros países enfrentaram as crises de confiança e conseguiram contornar a situação. Mas o que acontece em um país em termos de hesitação vacinal nem sempre é o mesmo que em outros”, afirma a especialista apontado exemplos como o Japão e a Austrália, que enfrentaram fortes movimentos antivacina contra o imunização anti-HPV.
A SBIm, a Fundação Oswaldo Cruz e o Ministério da Saúde têm trabalhado juntos em um projeto de reversão das baixas coberturas vacinais que obteve bons resultados no Amapá e na Paraíba, envolvendo as comunidades e os líderes comunitários na mobilização pró-vacinas. Esses resultados têm norteado as campanhas de multivacinação que devem chegar a todos os estados até o fim do ano.
“Já vejo melhora, mas não para todas as vacinas. Sou otimista e acredito que vamos conseguir recuperar nossa cobertura vacinal e voltar a ser como éramos antes. Já tivemos uma melhora em 2022, mas ainda não estamos perto de atingir o que a gente precisa. Ainda tem muito trabalho pela frente”.
Para o microempreendedor Lucas Batista (à esquerda, com o sócio Guilherme Simmer), a mudança vai ajudar quando tiver que executar o processo | Foto: Gabriel Bastos/Divulgação SST
A partir de agora, microempreendedores individuais do DF deixarão de emitir notas pelo sistema do GDF e passarão a processar pelo sistema nacional
da Agência Brasília
A partir desta sexta-feira (1) o Microempreendedor Individual (MEI) deverá emitir obrigatoriamente a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e), de padrão nacional. Antes, o MEI do Distrito Federal emitia a nota do Imposto Sobre Serviço (ISS) pelo site da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Agora, a regra é emitir a nota fiscal pelo portal ou pelo aplicativo NFS-e-Mobile.
“Em janeiro, já havíamos implantado um sistema único de emissão de notas no DF, já para facilitar o processo. Com a adoção de obrigatoriedade pelo Portal Nacional, o serviço não poderá mais ser feito pelo portal do GDF. É uma maneira de padronizar, pois leva todos os prestadores de serviços a emitirem de um único local e o cadastramento é simples, mediante CNPJ e senha no site ou aplicativo”Paulo Roberto Batista, coordenador do ISS/Sefaz
A medida foi estabelecida pela Resolução 172/2023 do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) e tem como objetivo padronizar a emissão dessa modalidade de documentos fiscais. A NFS-e é um documento de existência digital, gerado e armazenado eletronicamente em Ambiente Nacional pela Receita Federal do Brasil (RFB), pelos estados e municípios ou por outra entidade conveniada, para documentar as operações de prestação de serviços.
O MEI é obrigado a emitir nota fiscal sempre que vender ou prestar serviços para outras empresas. A emissão é opcional quando o serviço ou a venda for realizada para pessoa física.
Para Paulo Roberto Batista, coordenador do ISS, da Sefaz, os MEIs de todo o Brasil passam a utilizar formas idênticas para emitir o documento fiscal. “Em janeiro, já havíamos implantado um sistema único de emissão de notas no DF, já para facilitar o processo. Com a adoção de obrigatoriedade pelo Portal Nacional, o serviço não poderá mais ser feito pelo portal do GDF. É uma maneira de padronizar, pois leva todos os prestadores de serviços a emitirem de um único local e o cadastramento é simples, mediante CNPJ e senha no site ou aplicativo”, explica.
Vantagens
De acordo com dados da Secretaria de Fazenda, o DF possui 260.919 MEIs ativos. Desses, 39.602 emitiram até agosto desde ano 460.282 notas fiscais eletrônicas. Não são todos os microempreendedores individuais que ficam obrigados a emitir o novo tipo de documento: a NFS-e é exclusiva para prestadores de serviços, como o próprio nome diz.
“Se ele prestar um serviço para um órgão público, se ele não emitir a nota, ele não recebe o valor pelo serviço prestado e, hoje, muitas empresas privadas também já exigem a emissão da nota fiscal para efetuar o pagamento”, diz Paulo Roberto.
O coordenador do ISS destaca que para o microempreendedor é vantajoso, principalmente pelo fato de facilitar a prestação de serviços para outros estados. “Antes, a nota tinha particularidades em cada município e, quando se tem um padrão único, facilita. Se ele [MEI] prestar um serviço para empresas de outro estado, poderá retirar a nota em local único. E o Fisco passa a ter acesso a essas notas que são emitidas de outros estados. Assim, teremos disponíveis notas sobre qualquer compra”, completa.
O microempreendedor Lucas Batista, que já emitiu notas para outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro, acredita que a mudança vai ajudar quando tiver que executar o processo. “Acredito que vai auxiliar no meu dia a dia. Sempre tive dificuldades em emitir a nota fiscal e sempre pedia ajuda para outras pessoas. Acredito que, centralizando o processo, vai facilitar e vou poder me virar sozinho”, comemora.
Como emitir uma NFS-e?
Para acessar o serviço, é necessário se cadastrar no Portal Nacional de emissão de NFS-e, gerar um código e senha, e fornecer informações como CPF ou CNPJ do cliente, descrição do serviço prestado e valor da nota. O sistema é protegido por senha ou biometria e permite a emissão de NFS-e mesmo offline.
Os microempreendedores individuais que precisarem fazer a emissão retroativa, a conversão do Recibo Provisório de Serviços (RPS), a substituição ou o cancelamento de Notas Fiscais eletrônicas emitidas antes de 1º de setembro, devem acessar o ISS.net normalmente.
O senador Omar Aziz (PSD-AM) disse que os impasses em torno da reforma tributária estão mais ligados a “questões pessoais” que ao interesse público. “Basta a gente tirar questões do nosso ponto de vista para que possamos trabalhar e aprovar a reforma e as matérias de interesse da população”, destacou, durante a palestra “O Congresso e a Agenda Econômica: Governabilidade & Crescimento Econômico”, proferida aos membros do Lide Brasília, na tarde desta quarta-feira (30), no Lago Sul.
Presidente da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado, Omar Aziz colocou em xeque vários impasses hoje existentes no Legislativo. “Se você perguntar a todos os 513 deputados e aos 81 senadores se são a favor da reforma tributária, todos são. Então, por que que ela não sai? Se você perguntar se querem acabar com a fome, todo mundo vai dizer que sim. O que está faltando para que um País como o nosso retome o crescimento e possa gerar emprego e renda?”, questionou.
“A economia brasileira tem enorme potencial, mas enfrenta desafios e obstáculos. O Brasil está em situação de risco, com mais de 30 milhões de pessoas que não conseguem comer três refeições por dia. Isso é culpa de quem? Nossa”, avaliou, identificando a raiz do problema. “Não se fazem leis que beneficiem mais as pessoas”, definiu.
“Vamos deixar as picuinhas de lado e fazer leis para beneficiar a nação. Muita gente não passou por nada, não viu nada e acha que o empresário é rico, mas não trabalhou, não se sacrificou, não se esforçou. Olham para o político como se todo mundo fosse igual. Demonizam o político e o empresário. Na verdade, se a gente se unir, vamos gerar emprego e renda e melhorar a qualidade de vida do brasileiro”, destacou.
Com as regras do Arcabouço Fiscal definidas, o governo agora tem um balizador para gastar melhor, avalia o senador. “Isso dá credibilidade e segurança para quem quer investir, mas precisamos ter atenção à quebradeira que está havendo nos municípios”, destacou, ao abordar a necessidade de uma reforma tributária mais equilibrada.
Por fim, Omar Aziz agradeceu a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. “Eu era governador e ele era prefeito de São Paulo quando fundamos, junto com outros companheiros, o PSD, que tem hoje a maior bancada do Senado e uma das maiores na Câmara. A tendência do PSD é crescer, porque somos coerentes”, avaliou.
Homenagens ao senador
Para o empresário Paulo Octávio, presidente do Lide Brasília, o almoço-debate trouxe importantes pontos para reflexão. Ele também saudou a imprensa, pela atuação para impedir o corte do Fundo Constitucional do DF. “Quero agradecer à imprensa brasileira durante a luta que tivemos em defesa do fundo, para que as mudanças aprovadas na Câmara dos Deputados fossem retiradas do texto no Senado. Quero dar um abraço na governadora Celina Leão, também uma lutadora neste sentido. Seu trabalho na Câmara, no Senado, no Congresso, foi vital, importantíssimo”, disse.
Paulo Octávio também destacou a aprovação da concessão do título de Cidadão Honorário de Brasília ao senador Omar Aziz. “Gostaria de convidar a governadora Celina Leão e o deputado distrital Chico Vigilante, porque foi votado em Brasília, na Câmara Legislativa, um reconhecimento, um projeto de gratidão”, disse, antes de passar a palavra ao deputado distrital Chico Vigilante (PT), que detalhou a homenagem, proposta pelos deputados distritais Robério Negreiros (PSD) e Jorge Vianna (PSD, que esteve no almoço.
“Senador, por maioria absoluta, em dois turnos, nós aprovamos a concessão do título de Cidadão Honorário de Brasília. Quero agradecer muito pelo que fez por nossa cidade e vamos marcar o dia da entrega. E já convido todas as autoridades e empresários que estão aqui para comparecer no dia da entrega do título”, completou o parlamentar. A governadora em exercício, Celina Leão, destacou a justiça da homenagem. “O senhor não é senador somente do Amazonas. O senhor também é senador do DF”, destacou. “Quando o senhor virou cidadão honorário de Brasília, quem fica mais importante é o Distrito Federal. O gesto que o senhor fez é impagável”, acrescentou.
Omar Aziz preferiu dividir a homenagem com todos os que trabalharam pela manutenção das regras do FCDF. “Eu só fui um instrumento, naquele momento, para tentar ajudar. Somos políticos para isso. Não fiz favor a Brasília. Fiz a minha obrigação. Aquilo que não desejo para o meu estado, não quero para outro. Fui governador e sei da intranquilidade que uma mudança causa ao cidadão que precisa dos serviços essenciais de uma cidade. Quando falta dinheiro em uma cadeia produtiva, ela vai desmoronar. Isso tem acontecido muito e eu espero que isso não aconteça mais daqui para frente”, completou.
O almoço do Lide Brasília contou com a presença do desembargador Roberval Belinati, que preside o presidente do Tribunal Regional Eleitoral; dos senadores Ângelo Coronel (PSD-BA), Otto Alencar (PSD-BA), Sérgio Petecão (PSD-AP), Irajá (PSD-TO), Eduardo Gomes (PL-TO), Izalci Lucas (PSDB-DF), Damares Alves (Republicanos-DF) e Leila Barros (PDT-DF); dos deputados federais Alberto Fraga (PL-DF), Antônio Britto (PSD-BA), Átila Lins (PSD-AM) e Gilvan Máximo (Republicanos-DF); dos secretários de estado Agaciel Maia, Cláudio Abrantes, Gisele Ferreira, Itamar Feitosa e José Humberto Pires de Araújo; e de presidentes de entidades empresariais, como Adalberto Valadão Junior (Sinduscon-DF), Álvaro Silveira Júnior (Sindiatacadista-DF), Fernando Brites (ACDF); Jamal Bittar (Fibra); José Aparecido (Fecomércio-DF); Leonardo Dávila (Codese-DF); Roberto Botelho (Ademi-DF); Sebastião Abritta (Sindivarejista-DF); e general Valério Stumpf, presidente da Poupex/Fundação Habitacional do Exército, entre outros.
Festejo começa neste fim de semana, com mais acessibilidade, e conta com investimento de R$ 3,6 milhões do GDF para a realização do evento
Thaís Miranda, da Agência Brasília | Edição: Igor Silveira
Os seis hectares da sede da Associação Rural e Cultural Alexandre de Gusmão (Arcag), localizada no km 13 da BR-080, em Brazlândia, já estão totalmente transformados para receber aproximadamente 500 mil pessoas na 27ª edição da Festa do Morango. A festança — que vai de 1º a 3 de setembro e de 6 a 10 do mesmo mês — contou com investimento de R$ 3,6 milhões do Governo do Distrito Federal (GDF) e está com programação completa para todas as idades. Para a montagem, realização do evento e desmontagem, estão sendo gerados cerca de 1.500 empregos diretos e indiretos.
A novidade deste ano, além de a programação dispor de um dia a mais de festejo, são as estruturas adaptadas para pessoas com deficiência (PcD). E não para por aí: a organização do evento vai disponibilizar uma sala do silêncio para crianças com transtorno do espectro autista ou do processamento sensorial. As estruturas foram adaptadas com apoio da Secretaria da Pessoa com Deficiência, que sinalizou os espaços que devem estar acessíveis para quem tem mobilidade reduzida.
“Teremos uma festa acessível neste ano, com rampas de acesso e a sala do silêncio para crianças que eventualmente ficarem agitadas. A Secretaria da Pessoa com Deficiência nos solicitou essa adaptação e nós, prontamente, atendemos. A pasta também estará com um estande na festa”, defendeu o administrador regional de Brazlândia, Marcelo Gonçalves.
Com espaço previsto de seis hectares, haverá atrações para a criançada, com brinquedoteca, além de 44 estandes de produtores locais de morango, 40 expositores de flores e outros 105 de artesanato.
“Teremos um galpão inteiro somente para as crianças, com fazendinha e um parque de diversões. Teremos também expositores de máquinas agrícolas e a famosa Morangolândia, onde é exposto tudo que é feito derivado do morango: fondue, bolo, torta, geleia, suco e até chope”, detalhou o administrador.
Na última edição, que ocorreu em 2022, a Festa do Morango movimentou aproximadamente R$ 13 milhões. A estimativa para este ano é que a comercialização seja ainda maior, com um dia a mais de festa, e atinja a marca de R$ 15 milhões.
Nos dias 1º, 6 e 8 de setembro, o horário da festa é das 18h às 2h. Nos demais dias, das 10h às 2h. A entrada é gratuita. Os shows com artistas locais estão previstos para começarem às 19h e as atrações nacionais, a partir das 22h.
Produção de morango
Brazlândia é responsável por 96% do cultivo do morango na capital do país – os outros 4% vêm, principalmente, de São Sebastião e do Gama. Dados da Emater-DF apontam que, em 2022, o Distrito Federal colheu 6,5 mil toneladas do alimento. Para este ano, a expectativa é que haja um aumento de 7% na produção do fruto.
O Valfredo Pereira de Oliveira, 52 anos, é um dos produtores de morango na região de Brazlândia. A Chácara Belmonte, onde ele e a família plantam e colhem o fruto, totaliza quatro mil plantas de morango. Somadas às plantas que eles têm em outras propriedades, são mais de 100 mil mudas de morango.
“Nós estamos há uns 30 dias nos preparando para o que levar para a festa. Minha filha tem uma confeitaria e ela usa os nossos morangos, orgânicos, para fazer bolo, torta, bombom e fondue, e comercializar todos esses itens. Como são de qualidade, todo ano tem fila no nosso estande para comer nossos produtos”, compartilhou.
R$ 3,6 milhõesInvestimento feito pelo GDF para a realização do evento
Segurança pública
A Festa do Morango ocorre às margens da BR-080, por isso a organização e a fluidez do trânsito ficarão a cargo da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Além do efetivo ordinário que está previsto para trabalhar nas datas do evento, serão empregados 180 policiais rodoviários a mais para garantir a segurança viária. A atuação das equipes policiais será na rodovia com foco na orientação e sinalização viária a fim de propiciar a fluidez do trânsito e prevenir a ocorrência de acidentes.
A PRF orienta que os frequentadores planejem com antecedência o meio de transporte a ser utilizado (carona ou transporte por aplicativo) para evitar a direção caso haja consumo de álcool.
Já o policiamento na área interna do evento será de responsabilidade da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). De acordo com o administrador regional de Brazlândia, Marcelo Gonçalves, haverá um ponto de apoio da corporação dentro do evento. “Logo no início, bem na entrada, a gente vai montar a cidade da segurança. Todo mundo vai precisar passar por uma revista para acessar a festa”, pontuou. “Não há registros de ocorrências nas últimas edições dentro da festa e a gente espera que essa tradição se perpetue nesta edição”, completa.
O comandante do Batalhão de Policiamento Rural (BPR), major Rafael Branquinho da Cunha, explica que sua tropa faz a segurança da festa há quase 10 anos, implementando uma proteção adequada para grandes eventos, com diferentes modalidades de policiamento no perímetro do local.
“A região fica muito segura. Levamos mais profissionalismo e é por isso que a população pode se sentir cada vez mais protegida.” O efetivo do Batalhão Rural contará com o apoio de outras unidades do Comando de Policiamento Especializado (CPESP), como o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPMA), Batalhão de Policiamento Escolar (BPESC), além do 16° Batalhão de Polícia Militar (16° BPM), dividindo o policiamento entre os turnos do festejo.
O comandante do BPR também reitera a importância de outras forças policiais nesse tipo de comemoração para aproximar a comunidade com a Polícia Militar: “Colocamos motos, cavalaria, cães. Tudo que possa trazer mais tranquilidade e paz para os participantes. O público aumenta ano após ano e nosso patrulhamento colabora com isso”, explicou.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) também ressalta que o Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) estará preparado com veículos adicionais, prontos para realizar atendimentos pré-hospitalares, operações de salvamento, primeiros socorros e combate a incêndios, se necessário.
Atrações musicais
Além das variadas opções de lazer e gastronomia durante o dia, a Festa do Morango é tradicionalmente conhecida pelos shows musicais realizados durante o evento. Nesta edição, não poderia ser diferente. Confira o que está previsto para agitar a noite durante o festejo:
Os shows com artistas locais estão previstos para começarem às 19h e as atrações principais, a partir das 22h, no palco principal. A programação está sujeita a alteração sem aviso prévio.
Projeto piloto será implementado nas delegacias de Atendimento à Mulher da Asa Sul e de Ceilândia. Dispositivo permite que vítimas de violência doméstica acionem a polícia em caso de ameaça com apenas um toque no aparelho
Agência Brasília* | Edição: Saulo Moreno
Portaria Conjunta entre a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) e as polícias Civil (PCDF) e Militar do DF (PMDF), publicada nesta segunda-feira (28) no Diário Oficial do DF (DODF), dá início às tratativas para garantir a distribuição do aplicativo Viva Flor em delegacias. A medida será iniciada em formato de projeto piloto até dezembro deste ano nas delegacias especiais de Atendimento à Mulher I e II (Deam I e II), localizadas na Asa Sul e Ceilândia, respectivamente. Após esse prazo, o projeto poderá ser expandido para outras unidades policiais.
“O programa Viva Flor é fundamental para evitar mais casos de feminicídio no DF. A sua aplicabilidade se tornará efetiva no combate à violência de gênero”Celina Leão, governadora em exercício
“O objetivo do GDF é salvar nossas mulheres. O programa Viva Flor é fundamental para evitar mais casos de feminicídio no DF. A sua aplicabilidade se tornará efetiva no combate à violência de gênero. Estamos tomando todas as providências para que as mulheres que sofrem esses abusos possam fazer as suas denúncias com segurança”, destacou a governadora em exercício Celina Leão.
Para o secretário de segurança Pública do DF, Sandro Avelar, “esta medida será de extrema importância para proteção das mulheres no Distrito Federal. A partir da publicação da portaria conjunta, daremos início a uma nova fase para implementação e expansão desse modelo. Com isso, esperamos contribuir com cada vez mais proteção às vítimas de violência doméstica, evitando a escalada da violência e, consequentemente, um desfecho indesejado. Esta é uma pauta prioritária para segurança pública e para todo o Governo do Distrito Federal (GDF), que de forma integral, inclusive com a participação da sociedade civil, tem buscado formas de enfrentar a violência de gênero”, completa Avelar.
Após a consolidação do novo modelo e do protocolo de atendimento, a entrega do dispositivo em delegacias se dará sem prejuízo do requerimento das medidas protetivas de urgência (MPU) e encaminhamento para apreciação do Judiciário. “A entrega em delegacias poderá ocorrer em casos específicos, como em tentativas de feminicídio, descumprimento de medidas protetivas e, excepcionalmente, a critério da autoridade policial, quando houver indicação de risco à vítima”, explica o delegado-geral da PCDF, Robson Cândido.
Em casos de acionamento do dispositivo, os atendimentos às vítimas incluídas no programa serão feitos pela PMDF, como explica o comandante-geral da corporação, coronel Adão Teixeira. “A viatura mais próxima da vítima será enviada, de forma prioritária, nos mesmos moldes que já ocorrem nos programas de proteção das vítimas de violência doméstica no âmbito da SSP-DF”, explica o comandante da corporação.
O Programa de Segurança Preventiva Viva Flor existe desde 2017 por meio de atuação conjunta das secretarias de Segurança Pública e da Mulher, das forças de Segurança Pública (PCDF, PMDF, CBMDF), do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Um dispositivo eletrônico, com aparência de celular, é entregue à vitima. Ele tem a função exclusiva de realizar o monitoramento e a proteção da vítima, a partir do acionamento prioritário do serviço de emergência da PMDF, por meio do Centro de Operações da corporação.
De janeiro a agosto de 2023, foram incluídas no programa 282 mulheres, por força de decisão judicial, e, atualmente, são acompanhadas um total de 380 mulheres.