Início Site Página 2

Revista 61

0

ANDRÉ KUBITSCHEK, MUITO ALÉM DO SOBRENOME

0

O calendário eleitoral, às vezes, produz interessantes surpresas. E elas não acontecem somente para o eleitor. Representam, principalmente, oportunidades para o Estado, para a região e para a própria administração pública.
É o caso de André Octávio Kubitschek, jovem que se propõe a oferecer à Câmara Legislativa do Distrito Federal sua experiência, sua capacidade de realização e uma visão de gestão construída na política e na iniciativa privada, ambientes muito diferentes, mas complementares.

Seu sobrenome dispensa apresentações. Herdeiro de uma família que escreveu capítulos importantes da história política brasileira, André cresceu em um cenário no qual política ultrapassou a disputa eleitoral, abrangendo especialmente convivência, conciliação, debate sobre políticas públicas, articulação institucional e tomada de decisões. Quem convive desde cedo com debates envolvendo os problemas da cidade, os desafios da administração pública e a construção de consensos desenvolve leitura política que não se aprende em manuais. Passa a entender como decisões são construídas, como interesses diferentes precisam ser conciliados e como projetos se transformam em resultados.

Há, entretanto, outra relevante dimensão na trajetória de André Kubitschek a ultrapassar o sobrenome: a experiência empresarial.

Empreendedor e gestor de um dos mais exitosos grupos empresariais da região Centro-Oeste, André Kubitschek conhece as dificuldades de quem produz, investe, corre riscos, emprega e lida diariamente com burocracia, legislação, tributos, custos e decisões que determinam a sobrevivência e o crescimento de uma empresa.

Ainda que a administração pública possua distintos objetivos e responsabilidade social, os princípios de gestão são universais. Planejamento, eficiência, metas, controle, avaliação de resultados, racionalização de processos e respeito ao dinheiro público não podem ser ignorados. Expertise essencial para o Distrito Federal que possui uma sofisticada economia, uma população urbanizada e uma estrutura administrativa de enorme complexidade a exigir capacidade analítica e determinação para o encaminhamento de soluções.

É aí que reside a fundamental diferença.

Para que o Estado funcione melhor, é necessária uma legislação mais simples, uma burocracia racionalizada e um sistema tributário mais ágil e compreensível, o que significará novos investimentos, maior formalização, geração de empregos e ampliação da capacidade econômica do Distrito Federal.

Adicionalmente, a recente passagem de André Kubitschek pela Secretaria da Juventude do Distrito Federal acrescenta outra dimensão à sua trajetória. A experiência empresarial encontrou a realidade da administração pública, remodelou o desenho da Secretaria para qualificação profissional, empreendedorismo, inovação e tecnologia, colocando a juventude no centro de ações relacionadas à empregabilidade, capacitação e preparação para o mercado de trabalho. Os Programas Jovem Candango e Pró-Jovem Digital são exemplos concretos dessa agenda, preparando o jovem para que ele tenha condições de construir sua própria trajetória.

André Kubitschek, portanto, reúne formação política familiar, experiência empresarial e vivência administrativa. Três ambientes distintos, que se complementam na construção de uma atuação parlamentar voltada para resultados.

O desafio do Distrito Federal é grande demais para que a política permaneça restrita ao calendário eleitoral. Brasília precisa discutir produtividade, educação, saúde, mobilidade, segurança, inovação, sustentabilidade fiscal, geração de empregos e melhoria dos serviços públicos. Nesse cenário, a chegada de uma nova geração à política distrital representa bem mais do que uma renovação de nomes. E a capital da República terá a oportunidade de mostrar que política e capacidade de realização, quando se unem, produzem eficiência e sustentabilidade.

Fonte: RDTVNews | contatorevistadiaria@gmail.com

Izalci Lucas e a política como gestão

0

Contador, professor e senador, Izalci Lucas entra na campanha de 2026 convicto de que o Distrito Federal e o país não sofrem apenas com falta de recursos, mas sobretudo com deficiência de gestão, planejamento e continuidade administrativa

Em campanha, às vésperas da disputa eleitoral de 2026, Izalci Lucas tenta reconectar sua nova candidatura à Câmara dos Deputados a uma ideia que há anos estrutura seu discurso público: a de que os principais problemas do Distrito Federal e do país decorrem menos da escassez de recursos do que da incapacidade de planejar, executar e dar continuidade às políticas públicas.

Nascido em Araújos, em Minas Gerais, e radicado em Brasília desde a adolescência, Izalci tem uma trajetória significativa na vida pública. Foi deputado distrital entre 2003 e 2007, deputado federal por três mandatos consecutivos, de 2011 a 2023, e senador pelo Distrito Federal desde 2019. Também ocupou secretarias de governo no DF, com atuação nas áreas de Ciência e Tecnologia e de educação profissional.

Em entrevista à 61Brasília, esse percurso aparece como credencial para uma visão de política baseada em planejamento, metas e capacidade de execução. O senador também critica a descontinuidade administrativa entre governos e afirma que o Brasil ainda opera sob lógica de políticas de governo, e não de Estado. Se eleito, diz que pretende retomar na Câmara pautas que considera estruturantes, como educação profissional, ciência e tecnologia, regularização fundiária e autonomia entre os Poderes.

O senhor costuma dizer que o principal problema do DF e do Brasil é de gestão. Por quê?

Porque falta gestão em quase tudo. Na educação, na saúde, na ocupação urbana, no planejamento da cidade. Muitas vezes não falta dinheiro; falta prioridade, falta continuidade, falta saber executar. Qualquer empresa, por menor que seja, se não tiver um bom gerente, quebra. E isso vale também para o governo.

 

Essa crítica aparece com força quando o senhor fala da educação. O que houve com a rede pública do DF?

Falta gestão, falta investimento e falta valorização dos professores. Hoje, em Brasília, o salário dos professores é um dos piores do Brasil. Já foi o melhor. Quando fui secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e também da educação profissional, nós éramos o primeiro lugar. Hoje somos o último. Falta laboratório de ciência nas escolas, falta esporte, falta cultura, falta internet, falta computador.

 

Quais são, na sua visão, os principais gargalos da educação?

Primeiro, a alfabetização. A gente não está alfabetizando na idade certa. Segundo, a valorização dos professores. É preciso dar condições de trabalho e remuneração digna. E, terceiro, a educação profissional. O Brasil ainda não chegou a 10% de jovens em curso técnico, enquanto no mundo esse número está entre 60% e 70%.

 

Por que o ensino técnico é tão central na sua visão?

Porque prepara o jovem para a vida real. Quando fui secretário, Brasília não tinha nenhum instituto federal. Eu consegui trazer o instituto federal e hoje temos 11. Também consegui, por convênio com o MEC, mais nove escolas técnicas. Depois, no Congresso, fui presidente da comissão do novo ensino médio. A lei foi aprovada, mas não foi implementada. Esse é o problema do Brasil: cada governo entra, acaba com tudo e começa de novo.

 

E onde entra o letramento digital nesse debate?

Ele é fundamental. Em 2004, quando lancei a Cidade Digital, eu já dizia que o analfabeto não era mais só quem não sabia ler e escrever, mas também quem não tinha acesso à tecnologia e à inovação. Depois lançamos o DF Digital, que foi um grande programa de inclusão digital, com capacitação profissional e distribuição de computadores para professores e servidores da educação.

 

Na saúde, o senhor também volta à ideia de gestão. Onde está o problema?

Na gestão. Brasília tem um dos maiores orçamentos do país em saúde, educação e segurança, e mesmo assim os serviços não funcionam. Goiás, aqui do lado, tem mais que o dobro da população, arrecada menos e consegue resultados melhores. Isso mostra que o problema não é só recurso.

 

Sua crítica ao que aconteceu com o Banco de Brasília (BRB) segue a mesma linha?

Sim. Foi uma gestão muito irresponsável. E a Câmara Legislativa não cumpriu o dever de fiscalizar. Aprovaram medidas muito rapidamente, ninguém fez CPI, ninguém fez nada. Hoje quem vai pagar essa conta é o contribuinte.

 

O senhor também fala em regularização fundiária e planejamento urbano. Como esses temas entram na sua candidatura?

Entram porque Brasília cresceu sem planejamento. Eu aprovei a lei da regularização fundiária, mas ela não foi implementada como deveria. Sem escritura, ninguém investe. Isso vale para a área rural, para a urbana, para o turismo. Depois que a ocupação desorganizada acontece, fica muito mais difícil corrigir.

 

Essa crítica ao improviso também vale para a política nacional?

Vale. No Brasil falta planejamento. Eu venho trabalhando há anos com planejamento estratégico para Brasília, ouvindo cidades, segmentos e setores. O problema é que muitas vezes não há continuidade. Sem continuidade, não há mudança estrutural.

 

Se eleito deputado federal, em que pautas o senhor pretende trabalhar?

No apoio à ciência e tecnologia, na preparação dos jovens, na educação profissional no ensino médio, na regularização fundiária e na defesa da autonomia entre os Poderes. A Câmara é importante porque é lá que as coisas começam.

 

Qual é a principal mensagem da sua candidatura?

Que política é uma atividade nobre, porque muda a vida das pessoas. Para melhor ou para pior, depende da escolha do eleitor. Eu sempre digo: voto não tem preço, tem consequência.

PSD-DF oficializa apoio à reeleição da governadora Celina Leão e consolida união política no Distrito Federal.

0

Decisão da Executiva Regional reforça governança, equilíbrio fiscal e compromisso com pautas sociais e de desenvolvimento econômico na reta final do primeiro turno.

Em ato político realizado nesta segunda-feira (28), a Executiva Regional do Partido Social Democrático no Distrito Federal (PSD-DF) anunciou oficialmente o apoio integral à candidatura de reeleição da governadora Celina Leão (PP). A aliança marca o reposicionamento estratégico do partido a seis dias do pleito e consolida uma ampla coligação voltada à estabilidade, continuidade de gestão e desenvolvimento da capital.

O anúncio ocorreu após a impossibilidade jurídica da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda. Em nota institucional lida durante a solenidade, o PSD-DF reafirmou seu total respeito ao Estado Democrático de Direito e às decisões da Justiça Eleitoral, expressando reconhecimento pelo trabalho e contribuição de Arruda ao debate público no DF.

*Prioridades e Carta de Compromissos*

A adesão do PSD-DF é acompanhada de um manifesto de diretrizes programáticas para a próxima gestão, com foco em fortalecimento dos serviços essenciais; investimentos prioritários em Saúde, Educação e Segurança Pública; Inclusão e Proteção Social, com a ampliação de políticas voltadas às famílias vulneráveis e, em especial, às famílias atípicas; desenvolvimento e regularização, com estímulo à geração de emprego e renda, além do avanço da regularização e proteção fundiária no DF; gestão fiscal e recomposição do BRB, com foco no equilíbrio das contas públicas e ações destinadas à recuperação e fortalecimento do BRB, incluindo a restituição de valores eventualmente retirados de seus cofres.

O presidente regional do PSD-DF, Paulo Octávio, destacou que a decisão representa a maturidade e a responsabilidade da sigla com o futuro de Brasília.

“O PSD é um partido de história e profunda responsabilidade política. Diante do novo cenário, entendemos que o melhor caminho para Brasília é apoiar Celina Leão — uma mulher guerreira e dedicada, que tem demonstrado empenho incansável pela cidade. Nossa decisão foi tomada com a concordância da Executiva e dos nossos candidatos, garantindo a união do partido para contribuir com uma governança sólida,” declarou.

O líder partidário também comentou o gesto do ex-ministro Ronaldo Fonseca (PSD), que retirou sua candidatura ao Senado em prol da unidade do campo político. A decisão fortalece as candidaturas de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, alinhando o projeto majoritário para a consolidação de um Senado forte em defesa dos interesses do Distrito Federal e do Fundo Constitucional.

*Compromisso com a gestão e diálogo*

A governadora Celina Leão recebeu o apoio com entusiasmo e ressaltou o compromisso com a nominata de candidatos a deputados distritais e federais do PSD, assegurando que o conteúdo programático do partido integrará o plano de governo.

“Este gesto do PSD nos enche de responsabilidade e gratidão. A política exige maturidade para virar páginas e colocar o interesse da cidade acima de qualquer divergência. O PSD chega com homens e mulheres honrados, com ideias que agregam ao nosso projeto de gestão eficiente, cuidado social e fortalecimento econômico,” afirmou.

*Michelle Bolsonaro e Bia Kicis participaram do evento”

A solenidade contou com a presença do candidato a vice-governador, Gustavo Rocha (Republicanos). Para a presidente regional do PL e candidata ao Senado, Bia Kicis,

“Eu falo aqui, não só como candidata ao Senado, mas também como presidente do PL, partido que abraçou a candidatura da Celina. Foi a Michelle quem trouxe esse compromisso, e nós não abrimos mão disso. E hoje eu estou muito feliz porque caminhamos juntas. E mais feliz ainda porque a gente já tinha o André Kubitschek conosco e agora trouxe o PSD inteiro para essa coligação”, definiu. “Nós queremos a Leoa (Celina Leão) reeleita em primeiro turno para descansar, porque não vai parar não, só nas eleições. Mas para ela poder trabalhar ainda mais, dedicada, focada em Brasília.

E-primeira-dama e candidata ao Senado pelo DF, Michelle Bolsonaro elogiou Paulo Octávio e falou do protagonismo feminino na política.

“Estar ao lado do Paulo Octávio é um sentimento de alegria, de privilégio muito grande. Ele é um patrimônio de Brasília. E é motivo de alegria termos mulheres hoje na política. E a nossa diferença é porque nós fazemos uma política com feminilidade. A gente não entra na política pela cota, mas porque as mulheres que entram hoje, entram por uma causa, por uma pauta”, afirmou. “Eu falei para ela (Celina Leão): se você não fosse a candidata ao governo, também não aceitaria essa missão que o meu marido me confiou. Mas estaria aqui junto para trabalhar, trazer recursos, ajudar o Fundo Constitucional, estando ao lado dela, unindo aqui competências para que a gente possa cuidar verdadeiramente da nossa cidade”.

CAFÉS DE MINAS GERAIS SÃO PROTAGONISTAS NO 15º CONGRESSO BRASILEIRO DO ALGODÃO

1

Cinco territórios, cinco expressões do café brasileiro: a Monardo Café & Viagens foi responsável pelo espaço dedicado à degustação dos cafés de Minas Gerais durante um dos mais importantes encontros do agronegócio brasileiro.

Foi concluída, em Belo Horizonte, a 15ª edição do Congresso Brasileiro do Algodão, um dos principais encontros do agronegócio nacional, que reuniu, de 22 a 24 de setembro de 2026, mais de 4.500 participantes, entre produtores, pesquisadores, técnicos, empresas e representantes de toda a cadeia produtiva.

Promovido pela ABRAPA – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, o Congresso representou, durante três dias, um importante espaço de debates sobre inovação, pesquisa, tecnologia e os novos desafios que acompanham o futuro da cotonicultura brasileira.

Mas, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, outra grande excelência da agricultura brasileira não poderia ficar de fora: o café.

Minas Gerais é um dos grandes territórios-símbolo da cafeicultura brasileira, reconhecido internacionalmente pela qualidade e pela extraordinária diversidade de seus cafés.

Para valorizar essa riqueza, a ABRAPA criou, em seu estande institucional – verdadeiro ponto de encontro e referência durante o Congresso , um espaço especial inteiramente dedicado aos cafés de Minas Gerais.

Uma viagem sensorial por cinco diferentes regiões produtoras do Estado: Sul de Minas, Matas de Minas, Mantiqueira de Minas, Chapada de Minas e Cerrado Mineiro.

Cinco origens, cinco territórios e diferentes identidades aromáticas, apresentadas ao público por meio de um serviço de degustação pensado para permitir aos participantes conhecer e apreciar, na prática, a diversidade do patrimônio cafeeiro mineiro.

A gestão do espaço dedicado ao café foi confiada à MONARDO CAFÉ & VIAGENS, empresa especializada na cultura e na valorização do café, liderada pelo barista, mestre de torra e autor Antonello Monardo.

Durante os três dias do Congresso, Antonello Monardo e sua equipe receberam e atenderam pessoalmente o público, preparando e apresentando os diferentes cafés e transformando o espaço da ABRAPA em um ponto de encontro, degustação e conhecimento.

A iniciativa criou, assim, um interessante diálogo entre dois grandes protagonistas da agricultura brasileira: o algodão e o café.

Duas cadeias produtivas diferentes, mas unidas pela busca da qualidade, pela inovação, pela valorização dos territórios e pelo trabalho de milhares de produtores que contribuem diariamente para o reconhecimento internacional do agronegócio brasileiro.

Para a MONARDO CAFÉ & VIAGENS, a participação no 15º Congresso Brasileiro do Algodão representou também mais uma oportunidade de apresentar o café não simplesmente como uma bebida, mas como território, cultura, conhecimento e experiência.

Do algodão ao café: em Belo Horizonte, duas grandes excelências brasileiras se encontraram em um mesmo espaço, mostrando, por meio de seus produtores, a qualidade e a força do Brasil.

Para informações sobre o evento Congresso Brasileiro do Algodão.

Sebastião Coelho e a candidatura do confronto

0

Ex-desembargador do TJDFT e candidato do Novo ao Senado pelo Distrito Federal, Coelho entra na disputa de 2026 afirmando que o Senado falhou em conter abusos de ministros do Supremo Tribunal Federal

 A candidatura de Sebastião Coelho da Silva ao Senado pelo Distrito Federal nasce de uma convicção central dele: a de que o Senado se omite diante do que ele considera excessos cometidos por ministros do Supremo Tribunal Federal.

Aos 71 anos, aposentado desde 2022 do cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, ele tenta converter a longa trajetória no Judiciário em credencial para uma campanha ancorada no confronto institucional.

Nascido em Santana de Ipanema, em Alagoas, em 15 de maio de 1955, bacharel em Direito pela FMU, em São Paulo, Sebastião Coelho ingressou na magistratura do DF em 1991. Ao longo de mais de três décadas, passou por varas criminais, pela Justiça Eleitoral e por cargos associativos e de direção no sistema de Justiça, até chegar ao desembargo, em 2013. Na entrevista à 61brasília, apresenta esse percurso como prova de que conhece “por dentro” o funcionamento do Judiciário e, por isso, estaria preparado para enfrentar, no Senado, aquilo que chama de desequilíbrio entre os Poderes.

Para ele, o Senado precisa reassumir o papel de freios e contrapesos previsto na Constituição e voltar a exercer controle sobre ministros do Supremo em casos que considere graves. O tema aparece não apenas como uma bandeira entre outras, mas como o próprio eixo de sua entrada na disputa eleitoral.

Ao mesmo tempo, Sebastião Coelho procura ampliar o alcance da candidatura para além do embate com o STF. Fala em defesa das prerrogativas da advocacia, critica o que vê como fragilização da segurança jurídica e associa esse debate a uma agenda mais ampla para o Distrito Federal. Cita, entre as prioridades, segurança pública, reforço da rede de saúde, compensações ao DF pelo atendimento à população do Entorno e soluções de mobilidade para quem depende diariamente do deslocamento entre Brasília e as cidades vizinhas de Goiás.

Na disputa local, o ex-desembargador também tenta se firmar como voz própria no campo da direita. Critica acomodações partidárias, questiona práticas que associa à política tradicional e insiste em se apresentar como alguém com independência para sustentar posições duras dentro e fora das instituições. Seu argumento é que, mais do que experiência, falta coragem ao Senado atual para exercer plenamente suas atribuições.

Por que o senhor decidiu disputar o Senado pelo Novo aqui em Brasília?

A candidatura nasceu de uma necessidade de enfrentamento com o Supremo Tribunal Federal. Isso não é desrespeitar nem desautorizar a instituição STF, mas enfrentar ministros que evidentemente estão abusando do poder. E o maior símbolo disso, para mim, é o ministro Alexandre de Moraes, que há muito tempo vem abusando do poder. O Senado tem uma grande importância nisso, porque ele tem o dever de fazer o que nós chamamos de freios e contrapesos. Neste momento, infelizmente, o Senado não está cumprindo esse papel.

Que papel seria esse?

O papel de fazer com que o Supremo cumpra a Constituição. E, para isso, qualquer candidato ao Senado tem que assumir o compromisso de impeachment de ministro Moraes do STF. E não é por qualquer coisa, mas por uma coisa grave. O Senado hoje, infelizmente, se demitiu do seu dever. Ele disse: “não, isso não é comigo”. E é com ele, sim.

O senhor se apresenta como alguém preparado para esse enfrentamento. Por quê?

Porque eu me sinto preparado juridicamente e tenho coragem para fazer. Às vezes a pessoa é preparada, e eu considero que no atual Senado há várias pessoas preparadas, mas não têm coragem para o enfrentamento. Ou porque não têm essa essência, ou porque estão comprometidas, ou até envolvidas em coisas erradas com ministros do Supremo. Eu não tenho esse problema.

O senhor diz que conhece o Judiciário por dentro. O que isso significa na prática?

Significa que ninguém vai me dizer como é o Poder Judiciário, porque eu conheço. Fui juiz e desembargador por 30 anos, 11 meses e 5 dias. Fui vice-presidente e corregedor do Tribunal Eleitoral, presidi turma, presidi câmara, fui do conselho especial. Então eu conheço por dentro. E posso garantir à população brasileira que o Poder Judiciário não é essa anarquia que se viu em determinados episódios recentes. Aquilo foi um episódio deprimente, um episódio de circo com a nossa Justiça.

O senhor fala também de liberdade de imprensa e prerrogativas da advocacia. Por que esses temas entraram na sua plataforma?

Porque nós estamos vivendo um momento de cerceamento da liberdade de imprensa e também um momento em que as prerrogativas dos advogados não são respeitadas. E quando você não respeita a prerrogativa do advogado, você está violando o próprio exercício da ampla defesa. Só há ampla defesa se o advogado tiver a possibilidade de fazer o enfrentamento correto. Eu quero ser, além de outras coisas, um defensor da advocacia para que nós tenhamos segurança jurídica.

Além da reforma do Judiciário, que outros temas o senhor considera centrais para o DF?

Segurança pública, saúde e mobilidade. Um país sem segurança jurídica e sem segurança pública não tem muito futuro. Os investidores fogem. E nós temos também de cuidar da vida concreta das pessoas: a tranquilidade de mandar o filho para a escola, de ir a um show, de circular com segurança. Em Brasília, há ainda a questão da mobilidade, porque uma grande parte dos trabalhadores mora no Entorno e trabalha aqui. Tem que haver convergência entre o governo de Brasília e o governo de Goiás para dar a essas pessoas melhores condições de deslocamento.

E na saúde, qual é sua visão?

A saúde do DF cuida de quase 5 milhões de pessoas, embora a população daqui seja menor, porque atende não só o Entorno, mas gente do Brasil inteiro. Então teria de haver também uma compensação maior no Fundo Constitucional, especialmente no que diz respeito à saúde. Não se trata de excluir as pessoas do Entorno, mas de dar condições para que os profissionais da saúde trabalhem e para que não falte o básico no hospital público, inclusive remédio.

O senhor também tem falado em empreendedorismo. Como esse tema entra na candidatura?

Eu acredito na força do trabalho. Comecei a trabalhar muito cedo, ainda menino, na roça. Sou uma pessoa simples, que saiu de lá e venceu na vida. Então eu valorizo o trabalho, valorizo quem empreende, quem produz, quem quer crescer. Um país com insegurança jurídica e insegurança pública afasta investimento, e isso atinge diretamente a vida de quem quer trabalhar e prosperar.

Como o senhor se posiciona dentro da disputa da direita no Distrito Federal?

Eu tenho respeito pela legitimidade das outras candidaturas, mas a minha candidatura está posta desde muito antes e tem uma razão clara de existir. O que me desagradou muito foi a insistência para que eu desistisse dela. Não tem desistência. Minha candidatura foi consolidada dentro do partido e eu estou muito confiante de que, quando as urnas forem abertas, muita gente terá surpresa.

O que diferencia sua candidatura das demais?

Eu sou uma voz que incomoda porque venho de dentro do Judiciário. Conheço por dentro, conheço os limites, conheço os desvios e sei o que precisa ser enfrentado. Então eu diria que o que me diferencia é isso: experiência, independência e coragem para fazer alguma coisa pelo país, sem descuidar também dos outros temas que interessam diretamente ao Distrito Federal.

Por fim: por que o eleitor do DF deveria votar no senhor para o Senado?

Porque eu me sinto preparado para defender o Brasil e o Distrito Federal. Preparado juridicamente e com coragem para fazer o enfrentamento que precisa ser feito. Quero ser uma voz no Senado para ajudar a recolocar o país no caminho da normalidade institucional e também para cuidar de temas concretos, como saúde, segurança pública, mobilidade e segurança jurídica.