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Dia do Urologista: homens ainda chegam ao consultório quando doença já dá sinais Seconci-DF oferece atendimento urológico gratuito a trabalhadores da construção civil a partir dos 45 anos

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Esperar o corpo dar sinais de que alguma coisa não vai bem ainda é um comportamento comum entre os homens e pode atrasar a descoberta de doenças que poderiam ser identificadas e tratadas mais cedo. No Dia do Urologista, celebrado em 12 de setembro, o alerta é para a importância de transformar a consulta com o especialista em parte da rotina de cuidados. No Distrito Federal, trabalhadores da construção civil têm acesso gratuito a consultas e exames urológicos pelo Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF), a partir dos 45 anos.

A urologia, porém, está longe de se restringir à próstata. O médico especialista é responsável por acompanhar a saúde do sistema urinário e também do sistema genital masculino, investigando desde alterações na urina e infecções até problemas relacionados à próstata, rins, bexiga, testículos, pênis e à função sexual. “Existe ainda uma associação muito forte entre urologista e câncer de próstata. Mas a atuação da especialidade é muito mais ampla. O acompanhamento médico permite avaliar diferentes aspectos da saúde urinária e genital e identificar alterações que, muitas vezes, o homem não percebe ou acaba considerando normais”, explica o gerente de Medicina do Seconci-DF, Maurício Carvalho.

Prevenção antes do sintoma

O problema de deixar a consulta para depois que surge uma queixa é que algumas doenças podem evoluir silenciosamente. É o caso do câncer de próstata, uma das principais preocupações relacionadas à saúde masculina. Por isso, a avaliação periódica permite que o médico indique, de acordo com a idade, histórico familiar e características de cada paciente, os exames necessários para acompanhar a saúde da próstata.

“O histórico familiar é um dos fatores de risco para o câncer de próstata. Quando há casos entre pai, irmãos ou tios, a chance de desenvolver a doença pode ser até oito vezes maior. Por isso, homens com esse histórico devem iniciar o acompanhamento preventivo a partir dos 45 anos”, explica o urologista do Seconci-DF, José Ribamar Machado Filho. “Os exames preventivos possibilitam identificar alterações em uma fase inicial, quando há mais possibilidades de tratamento eficiente e de cura. Quando a doença é diagnosticada precocemente, inclusive, pode ser indicado o tratamento cirúrgico. Por isso, o acompanhamento regular é tão importante”, acrescenta.

A importância desse acompanhamento também é percebida pelos próprios trabalhadores. Servente de obras da construtora Eleven, Dionisio Pereira conta que a experiência familiar reforçou a necessidade de não adiar os cuidados com a saúde.

“Perdi o meu pai com câncer de próstata porque ele tinha preconceito de procurar um médico. Quando ele foi procurar, não teve mais jeito, porque a doença já estava avançada. Eu faço sempre os meus exames preventivos através das consultas gratuitas do Seconci”, conta.

No Seconci-DF, o atendimento foi estruturado para facilitar esse acompanhamento. O trabalhador passa por exames que podem incluir PSA, ultrassonografia e fluxometria urinária, além de avaliações laboratoriais. Com os resultados, segue para a consulta com o urologista, que avalia o histórico clínico e os exames. Caso seja identificada alguma alteração, o paciente pode ser direcionado para investigação complementar.

A procura pelo serviço demonstra a relevância do acompanhamento especializado entre os trabalhadores. Em 2024, foram realizadas 986 consultas na área de urologia. Em 2025, foram 830 atendimentos e, de janeiro a julho de 2026, já foram contabilizadas 610 consultas.

Para o Técnico em Edificações da empresa Base Investimentos, Marcelo Correa, a consulta regular é importante especialmente a partir dos 45 anos.

“Os homens sofrem alterações na próstata, por isso é indispensável acompanhamento médico”, comenta.

Maurício Carvalho explica que o objetivo é facilitar o acesso à prevenção e não apenas atender quando o trabalhador já está doente.

“Quando conseguimos reunir exames e avaliação especializada, temos melhores condições de identificar alterações precocemente e orientar o paciente sobre os próximos passos”, afirma Maurício.

Serviço gratuito para trabalhadores

O atendimento urológico do Seconci-DF é oferecido sem custo aos trabalhadores da construção civil contratados por empresas parceiras da instituição, a partir dos 45 anos. Além da consulta, estão disponíveis exames como PSA, ultrassonografia e fluxometria, entre outros procedimentos urológicos.

Luis Cesar Bueno promete realizar concurso público para saúde e Polícia Militar

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Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey na última terça-feira (08/09), o candidato ao governo de Goiás pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Luis Cesar Bueno, respondeu perguntas sobre seu plano de governo. O candidato detalhou suas propostas para a criação do “Vapt Vupt da Saúde” e “tarifa zero” no transporte coletivo. Ele também se comprometeu a realizar concursos públicos para saúde e polícia militar.

*O senhor promete que em dois anos metade das unidades de saúde hoje administradas por Organizações Sociais (OSs) passarão para a gestão direta do Estado. Como fazer essa transição sem descontinuar os atendimentos?*

*Luis Cesar:* Faremos isso de forma gradativa e planejada, iniciando com uma ou duas unidades nos primeiros seis meses, com foco inicial nos hospitais de urgência de Goiânia. Hoje, o sistema gerenciado por OSs encarece a saúde pública em 30%, remunera mal os profissionais e adquire insumos e medicamentos praticamente sem licitação, como já apontaram o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público de Contas.
Com a economia gerada ao retirar as OSs, vamos profissionalizar a saúde e realizar concursos públicos logo nos primeiros 100 dias. Também criaremos o “Vapt Vupt da Saúde” para agilizar pequenos procedimentos e retirar especialidades críticas, como oncologia e cardiopatias, da fila da regulação.

*Outro ponto de destaque em seu plano é a implantação gradativa da “tarifa zero” no transporte coletivo até o terceiro ano de gestão. Como viabilizar financeiramente esse projeto?*

*Luis Cesar:* A tarifa zero não é apenas dar transporte de graça, é política estruturada de mobilidade urbana. Ela só funciona se houver corredores exclusivos e transporte de qualidade para atrair o cidadão de volta ao ônibus. Para isso, vamos instituir o Fundo Estadual de Mobilidade Urbana, que contará com a participação financeira do Estado, dos municípios, do governo federal e dos empresários.

*Na segurança pública, o senhor afirma que a criminalidade em Goiás aumentou, divergindo dos discursos oficiais. Quais são os seus dados e o que propõe de diferente?*

*Luis Cesar:* O crime mudou de configuração, migrando para a esfera digital e financeira. Goiás hoje lidera o refino de cocaína no país, com 81 laboratórios identificados, enquanto o Amazonas, segundo colocado, tem 31. Além disso, o feminicídio no estado aumentou 315% de 2025 para cá, registrando uma alta de 100% na comparação de 2024 para 2025. Somos também o terceiro estado em estelionato digital. Para combater essa realidade, vamos investir na inteligência da Polícia Civil e realizar concursos públicos para cabos e soldados na Polícia Militar.

*O senhor projeta um aumento de 30% na arrecadação do Estado logo no primeiro ano, sem aumentar impostos. Como pretende alcançar essa meta?*

*Luis Cesar:* O caminho é combater a sonegação, o contrabando nas fronteiras e a lavagem de dinheiro do crime organizado. Goiás hoje está no centro da lavagem de dinheiro, com forte atuação na adulteração de combustíveis em postos e distribuidoras, conforme apontado pela Operação Carbono Oculto da Polícia Federal. Vamos criar oito eixos de desenvolvimento econômico regionais, estimulando o agronegócio, a agricultura familiar, o microempreendedor individual e a industrialização de terras raras para a produção local de baterias e chips para veículos elétricos.

Paulo Tavares: o homem que decidiu explicar a bomba

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Aos 62 anos, o empresário, ex-professor de Matemática e presidente licenciado do Sindicombustíveis-DF disputa uma vaga na Câmara Federal defendendo menos tributos sobre combustíveis, mais transparência na formação de preços e o fortalecimento da Petrobras como instrumento de soberania energética e econômica do Brasil.

“O problema não é o posto, é o imposto.”

Em Brasília, poucas figuras do setor de combustíveis se tornaram tão reconhecíveis ao grande público quanto Paulo Roberto Corrêa Tavares.

Nos últimos anos, foi ele quem apareceu repetidas vezes em entrevistas, vídeos e análises sobre a formação dos preços da gasolina, tentando traduzir para o consumidor um tema que costuma chegar à bomba cercado de indignação, ruído político e pouca informação técnica.

Agora, aos 62 anos, o empresário e presidente licenciado do Sindicombustíveis-DF leva essa pauta para a arena partidária: é candidato a deputado federal pelo PDT.

Nascido em Brasília, filho de um potiguar que chegou à nova capital no pau de arara e de uma goiana nascida na zona rural, Paulo gosta de se definir como nascido e criado no Distrito Federal.

Sua trajetória combina serviço público, sala de aula, tecnologia e militância sindical. Formado em Matemática e em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília, dedicou 34 anos ao magistério na rede pública e acumulou experiência em gestão, orçamento e sistemas de informação, com passagens pela Secretaria de Fazenda e por áreas técnicas da administração pública.

Antes de se tornar uma voz pública no debate sobre combustíveis, Paulo transitou por diferentes campos da vida institucional brasiliense. Trabalhou com planejamento, tecnologia e gestão pública, participou de projetos ligados ao governo Cristovam Buarque(1995- 1998).

Teve, ainda, atuação sindical e manteve vínculos com a militância progressista. O ingresso no setor de combustíveis veio mais tarde, a partir da compra de um posto em 2012, episódio que, como ele próprio relata, mudaria o rumo de sua vida profissional.

Foi nesse mercado  em que Paulo se projetou e consolidou a convicção que agora pretende levar ao Congresso: a de que o debate sobre combustíveis no Brasil segue mal explicado e frequentemente capturado por simplificações.
Para ele, a discussão sobre preços, distribuição, Petrobras e carga tributária precisa ser enfrentada em escala nacional, razão pela qual aceitou o convite de Carlos Lupi para se filiar ao PDT e disputar uma cadeira na Câmara.

No centro de sua candidatura está uma defesa enfática da maior estatal brasileira como ativo estratégico do país. “Eu sou um defensor da Petrobras. É um patrimônio público”, afirma. A seu ver, o Brasil não pode abrir mão da empresa nem da tecnologia acumulada no pré-sal, sob pena de comprometer sua soberania econômica. É esse o eixo da candidatura que tenta construir: menos imposto, mais transparência e uma política energética capaz de proteger o consumidor sem desmontar um patrimônio nacional.

Você costuma dizer que é brasiliense “nascido e criado”, mas a história da sua família se confunde com a própria formação de Brasília. Como foi essa chegada?

Meu pai veio do interior do Rio Grande do Norte, literalmente no pau de arara. Levou duas semanas para chegar. Minha mãe é de Corumbá de Goiás. Eles se casaram e mudaram para Brasília em 1959. Eu nasci em 1964. Então sou nascido e criado aqui.

Sua trajetória passou pela matemática, pela computação, pelo serviço público e pelo magistério. Como foi esse percurso na sua formação?

Eu queria trabalhar com tecnologia. Fiz Matemática e depois Ciência da Computação. Passei em concurso para professor e policial civil e escolhi ser professor. Trabalhei com orçamento, software, gestão pública, conheci a política por dentro e fui me envolvendo mais com esse campo progressista.

E como o setor de combustíveis entrou na sua vida?

Entrou de forma inesperada. Eu tinha um primo que mexia com posto, frequentava um posto na Asa Norte e, anos depois, surgiu a chance de comprar um. Foi uma negociação muito rápida, a partir de um apartamento que eu e minha esposa tínhamos comprado com muito sacrifício.

Quando você fala dos preços dos combustíveis, insiste que o setor é mais complexo do que parece. Onde está esse desencontro de percepção?

As pessoas veem a Petrobras anunciar um preço e depois olham a bomba e acham que o dono do posto está ganhando uma fortuna. Não entendem toda a cadeia até chegar ao posto. Esse é um mercado muito delicado e complexo.

 Foi essa necessidade de explicação que te transformou em uma voz pública sobre o tema?

Sem dúvida. Eu tenho facilidade para explicar, talvez por ter sido professor tantos anos. Comecei a fazer intervenções, vídeos, a falar sobre formação de preço, imposto, distribuição. Isso ganhou alcance, inclusive fora de Brasília.

Como se deu sua ida para o PDT?

Eu estava no PT e tinha dificuldade de espaço para fazer esse debate. O Carlos Lupi me convidou para o PDT justamente por essa pauta: a defesa da Petrobras, da soberania energética e de uma política nacionalista do petróleo.

Sua defesa da Petrobras é muito enfática. Por quê?

Porque a Petrobras é um patrimônio nacional. O pré-sal é uma riqueza imensa. A tecnologia desenvolvida ali é nossa. Eu não acho admissível abrir mão disso. O Brasil precisa preservar o que tem de estratégico e usar isso para fortalecer sua economia.

E por que essa pauta passa pela Câmara Federal?

Porque essa é uma discussão nacional. Não é uma pauta para deputado distrital. A questão da Petrobras, da tributação dos combustíveis, da reforma tributária, tudo isso passa pelo Congresso Nacional.

Você também tem falado bastante da reforma tributária. Onde está sua principal preocupação?

Minha preocupação é deixarem os combustíveis fora da lógica geral da reforma e manterem uma tributação muito pesada. Se isso acontecer, o consumidor continua pagando demais. A luta é para que o combustível entre no mesmo caminho da reforma e possa baratear de verdade.

Como você avalia o começo da campanha?

É muito difícil. Quem já é parlamentar larga na frente, porque já é conhecido. Então o desafio é fazer as pessoas saberem quem eu sou e o que eu defendo.

Se eleito, qual é a luta que você quer travar em Brasília?

Quero fazer essa luta com independência. Menos imposto, mais dinheiro no bolso do povo, mais transparência, defesa da Petrobras e enfrentamento dos lobbies que hoje ninguém quer enfrenta

Dia Mundial da Alfabetização destaca desafio de levar educação a trabalhadores da construção Seconci-DF mantém programa que oferece aulas dentro dos canteiros e aproxima o ensino da realidade dos profissionais.

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Para quem passa o dia no canteiro de obras, voltar à sala de aula pode parecer um desafio distante. Entre o trabalho, o deslocamento e as responsabilidades familiares, retomar os estudos nem sempre encontra espaço na rotina. É justamente para aproximar a educação dessa realidade que o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) mantém um projeto de alfabetização e ensino fundamental voltado aos trabalhadores da construção civil. A iniciativa ganha destaque neste 8 de setembro, Dia Mundial da Alfabetização.

As aulas são realizadas nos próprios canteiros, uma estratégia que facilita a participação e permite que o processo de aprendizagem esteja conectado ao cotidiano dos alunos. Desde o início da década de 1990, mais de 13,5 mil trabalhadores de empresas parceiras da entidade já passaram pelas classes de alfabetização e pelos segmentos do ensino fundamental.

Entre os participantes do projeto está o operador de betoneira Francisco Gilmar Eugênio, que encontrou nas aulas a oportunidade de avançar na escrita e, com isso, retomar um antigo projeto pessoal: obter a carteira de motorista. Antes de participar da iniciativa, ele conta que tinha dificuldade até para escrever o próprio nome. “Eu praticamente não sabia escrever nem o meu próprio nome direito. Depois das aulas, consegui tirar meus documentos e assiná-los. Agora quero continuar estudando para realizar o sonho de conseguir minha CNH”, relata Francisco.

Para o coordenador pedagógico do Seconci-DF, Geraldo Henrique Gomes, criar condições para que o trabalhador volte a estudar também significa abrir novas possibilidades para sua trajetória. “Quando a educação chega ao local onde o trabalhador está, uma das principais barreiras para o retorno aos estudos deixa de existir. Nosso objetivo é oferecer uma oportunidade real para que esses profissionais avancem na escolaridade, conquistem mais autonomia e percebam que sempre é tempo de aprender”, afirma.

A continuidade do projeto depende também da participação das construtoras, que disponibilizam espaço e apoiam a presença dos colaboradores nas aulas. Dessa forma, o canteiro passa a incorporar uma nova dimensão: além de espaço de trabalho, torna-se também ambiente de formação e desenvolvimento.

Uma das empresas que apoiam a iniciativa do Seconci-DF em levar educação para os trabalhadores é a CONBRAL que, desde o início do projeto, manteve a sala de aula em suas obras. Ao longo dos anos, mais de 500 trabalhadores da empresa tiveram acesso à educação nas classes de alfabetização e ensino fundamental dentro do ambiente de trabalho. De acordo com o diretor da empresa, Paulo Muniz, a iniciativa traz benefícios concretos para trabalhadores e empresas. “O programa apresenta alto índice de satisfação entre os colaboradores e contribui para o aumento da produtividade e da permanência na empresa”, comemora.

Levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que, em 2024, 34% dos trabalhadores entrevistados possuíam o ensino fundamental incompleto e 2% eram analfabetos. Mais do que aprender a ler e escrever, a retomada dos estudos pode ampliar a autonomia em situações corriqueiras, como compreender documentos, preencher informações e lidar com diferentes demandas do dia a dia.

Joe Valle: é tempo de semear de novo

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O engenheiro florestal, empresário e ex-presidente da Câmara Legislativa do DF volta ao cenário político com a experiência de quem transformou a Malunga em referência nacional em orgânicos e quer recolocar gestão, educação e planejamento no centro do futuro de Brasília

por Mariana Vieira

Aos 62 anos, Joe Carlo Viana Valle retorna ao cenário político do Distrito Federal com um ativo raro na vida pública: o da coerência entre discurso e trajetória. Engenheiro florestal, empresário e político, ele integrou a Câmara Legislativa do Distrito Federal entre 2011 e 2019 e presidiu a Casa de 2017 a 2019. Depois, saiu de cena por decisão própria, voltou ao chão da fazenda, reorganizou a vida em família e, só então, decidiu retomar o debate público.

Sua história, porém, começa muito antes do plenário. Nascido em Caicó, no Rio Grande do Norte, e criado em Brasília desde os 7 anos, Joe costuma dizer que a vocação surgiu cedo. “Eu nasci para ser produtor de comida”, afirma. A frase resume uma biografia que mistura infância nordestina, formação na Universidade de Brasília, vida rural e um percurso empresarial que transformou a Malunga em uma das maiores referências de produção orgânica do país.

A virada veio depois de experiências duras. Joe começou produzindo de forma convencional, como ensinava o modelo dominante, até sofrer intoxicação por agrotóxicos e, mais tarde, quebrar diante da lógica perversa da comercialização.

O estalo definitivo veio num gesto íntimo: ao colher um repolho para levar à mãe, percebeu que não queria oferecer à própria família aquilo que produzia com veneno. “Se eu não posso levar para a minha mãe, como é que eu vou vender para os meus clientes?”, recorda. “Naquele momento caiu a ficha: o que eu estava produzindo não era comida.”

Em 1995, Joe se casou com Clevane, agrônoma, parceira de vida e de projeto. Juntos, tiveram duas filhas, Mariana e Maria Clara, e ao lado da comunidade rural que crescia a cada dia, passaram a ampliar o objetivo de levar produtos orgânicos a mais pessoas. Foi assim que a fazenda Malunga chegou aos supermercados de Brasília, e abriu as portas de lojas próprias, consolidando um modelo de produção e distribuição pioneiro no Distrito Federal.

Hoje, a Malunga reúne 190 colaboradores, 120 hectares de hortaliças orgânicas e produção de laticínios orgânicos, além de lojas próprias e atuação reconhecida nacionalmente. Mais do que uma empresa, Joe a define como uma escola. “As empresas precisam se tornar escolas. Os gerentes precisam ser mestres”, defende.

A entrada na política também veio da experiência concreta. Depois de sofrer uma invasão de terra, concluiu que precisava disputar o espaço institucional para enfrentar problemas reais. “‘Então eu vou ser deputado’”, lembra ter dito ao descobrir que certas mudanças passavam pela Câmara Legislativa. O mandato viria depois, assim como a presidência da Casa e a fama de gestor técnico, disciplinado e avesso à política como performance.

Mas houve um intervalo. Após anos na vida pública, a família pediu sua volta para casa. Ele atendeu. Agora, diz retornar porque esse mesmo porto seguro o liberou novamente para o coletivo.

Você diz que nasceu para produzir comida. Quando percebeu isso em você?

Muito cedo. Eu fugia da casa da minha mãe para ir para o sítio do meu avô e dizia: “Mãe, eu vou morar na roça e vou produzir comida”. Eu acho que nasci vocacionado para isso.

Quando começou a produzir, ainda era no modelo convencional. O que te fez mudar de caminho?

Foram três coisas muito importantes: a intoxicação com agrotóxico, a quebra no processo de comercialização e aquele momento em que eu pensei em levar um repolho para a minha mãe. No meio do caminho eu falei: “Não posso levar isso para minha mãe”. Aí caiu a ficha: se eu não posso levar para ela, eu também não posso vender para os meus clientes.

Naquele momento, você já encontrou na UnB e em outras experiências a saída para essa virada?

Sim. Eu estava na Universidade de Brasília, naquele período de redemocratização, e encontrei um projeto sobre sistemas alternativos de produção de alimentos. A partir dali, comecei a viajar, conhecer experiências, ver o que funcionava economicamente e encontrar mestres que ajudaram muito nesse processo.

Você fala muito dos mestres e da missão de ensinar. Como isso entrou na Malunga?

Entrou como essência. Um dos meus mestres me disse: “Tudo que eu sei eu vou te ensinar. Mas tudo que você aprender você vai ensinar para as pessoas”. Eu faço isso desde a década de 1990. A Malunga se tornou também uma escola.

E como essa escola virou uma empresa de referência nacional?

Com persistência, ciência e muita resiliência. A gente provou que dava certo produzir orgânico em escala, mantendo princípio ambiental, social e econômico. E fomos acolhendo pessoas, ensinando, mostrando que era viável.

Você nasceu no Rio Grande do Norte, veio para Brasília ainda criança e cresceu aqui. Como isso te formou?

Meu pai era funcionário do Banco do Brasil e extensionista rural nato. Levava pequenos produtores para dentro de casa. Minha mãe era empreendedora. Eu vim muito cedo para Brasília, cresci aqui, estudei aqui, fui formado aqui. Tudo isso foi me formando.

E como foi que a política entrou na sua vida?

Entrou a partir de um problema real. Eu tive a terra invadida e fiquei indignado com aquilo. Quando me disseram que esse tipo de mudança passava pela Câmara Legislativa, eu falei: “Então eu vou ser deputado”. Foi uma decisão muito direta.

Depois da eleição e da experiência no Ministério da Ciência e Tecnologia, o que você passou a entender sobre gestão pública?

Que ela, quando bem feita, é milagrosa. E que a política partidária e as boas práticas de gestão pública se divorciaram litigiosamente. O sistema público precisa de qualidade de gestão, continuidade e valorização de quem toca o Estado.

Você falou que o problema não está só no voto distrital. Onde está o nó principal?

Na base. O voto distrital pode até ajudar, mas o problema é maior. O modelo de gestão está errado, falta planejamento, descentralização adequada, continuidade. A gente tenta mudar o telhado, mas a base continua ruim.

Por isso a educação aparece como eixo central da sua proposta?

Exatamente. Para mim, só tem uma saída: educação. Escola de tempo integral é fundamental. E a escola precisa ser o epicentro da mudança do bairro. As políticas públicas têm que convergir para a escola.

E como entram aí a horta escolar e a alimentação?

Entram de forma central. Eu defendo uma horta em cada escola e uma escola em cada horta. E defendo alimentação escolar 365 dias por ano, porque os meninos vão para a escola para comer e a fome não entra em férias.

Você decidiu parar a vida pública por causa da família. Como foi esse momento?

Foi a decisão mais difícil da minha vida. Minhas filhas e minha esposa fizeram um apelo. Eu percebi que, se não preservasse meu porto seguro, eu não conseguiria enfrentar um mar tão revolto quanto o de governar uma cidade.

E por que decidiu voltar agora?

Porque esse mesmo porto seguro me liberou. Minhas filhas hoje estão comigo, minha família está bem, e eu me sinto pronto para voltar ao coletivo.

Se for eleito, qual é o compromisso que você quer assumir com Brasília desde o primeiro dia?

“Eu quero me dedicar de novo a essa cidade. Quero voltar para o coletivo e fazer o melhor mandato que Brasília já teve. Essa é a minha vontade, e eu realmente vou fazer isso.”

Kakay: entre o poder e a poesia

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Aos 68 anos, o criminalista mineiro fala sobre Brasília, poder, Judiciário, eleições e o refúgio íntimo da poesia em tempos de radicalização e ruído permanente

Influente sem mandato, partidário de ninguém e ouvido por todos, Kakay recebe a revista em sua casa no Lago Sul e reflete sobre a cidade, a política e a arte de preservar alguma humanidade no centro do poder

Na casa de Kakay, no Lago Sul, Brasília parece caber inteira: a política, os livros, a memória das grandes conversas e a liturgia informal de uma cidade que aprendeu a misturar poder e intimidade.

Aos 68 anos, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro carrega algo que poucos preservam com igual naturalidade na Capital: influência sem cargo, trânsito sem mandato e repertório de quem atravessou décadas no centro da vida pública brasileira sem jamais se filiar a partido algum.

A equipe da revista61 é recebida em um escritório que ajuda a decifrar o personagem. No ambiente, literatura, identidade brasileira e tribunais deixam de parecer universos apartados.

Ali, estantes e pilhas de livros convivem com um lote precioso de antigas edições de poesia, obras de arte e referências da cultura popular brasileira.

Entre elas, um chapéu e um gibão de couro, indumentárias que remetem  a uma de suas atuações de maior repercussão no Supremo Tribunal Federal: na ADI 4983, que discutiu a constitucionalidade da prática da vaquejada; na ocasião, o STF reconheceu a importância e a constitucionalidade da manifestação cultural.

“Sou advogado porquê não pude ser poeta”, brinca o mineiro de Patos de Minas que, em sua festa de aniversário de 50 anos, mandou adesivar nos espelhos da casa toda trechos de poemas. “Minha esposa disse que não ia durar nada; quase vinte anos depois, eles ainda estão aí”. As palavras permanecem como lembrete muito vivo da importância da literatura na trajetória de um dos advogados mais conhecidos do Brasil.

Na sala principal, um verso de Mário Quintana parece comentar, com humor e exatidão, a singularidade de seu personagem: “Eles passarão; eu passarinho.” Criminalista dos mais influentes do país, amigo de presidentes, ministros, artistas e protagonistas da cena nacional, Kakay recebeu a reportagem às vésperas das eleições de 2026 para falar sobre Brasília, a erosão da convivência política, o avanço da extrema direita, o protagonismo do Judiciário e a poesia como forma de resistência.

Por que Brasília fascina tanto quem se aproxima do poder?

Para quem não mora aqui, a proximidade do poder dá uma impressão de poder. Você senta num restaurante e, na mesa ao lado, estão ministros, senadores, gente do Supremo. “Isso não muda nada a sua vida, você vai ter que pagar as suas contas do mesmo jeito.” Mas, para quem não tem o costume dessa convivência, isso cria uma sensação de importância.

 E essa Brasília dos restaurantes, da conversa política, mudou?

Mudou muito. Não existe mais um lugar como existia antes. O celular alterou o comportamento das pessoas. Na época do Piantella [icônico restaurante brasiliense do qual Kakay foi sócio] a conversa do Congresso continuava nas mesas do restaurante. As pessoas perderam a espontaneidade. Hoje ninguém senta à vontade, ninguém faz certos encontros com naturalidade, porque tudo pode virar foto, exposição, interpretação.

 O senhor acha que estamos vivendo um tempo distópico?

Sem dúvida. Tanto o Brasil quanto o mundo vivem um cenário distópico. Não é normal você acordar e a primeira notícia ser guerra, bombardeio, violência. A realidade ficou insuportável. Eu sou advogado criminal, conheço a realidade do sistema prisional brasileiro. Se você encarar isso o tempo inteiro, você não consegue viver.

 Foi aí que a poesia ganhou ainda mais espaço?

A poesia sempre foi essencial para mim, mas ganhou outro lugar. Eu me refugio muito nela. Na pandemia, comecei a recitar um poema por dia e mandar para amigos. Em pouco tempo, estava enviando para 2.500 pessoas. A poesia é uma maneira de sobreviver à brutalidade do real.

 A utopia ainda serve para alguma coisa?

Serve para caminhar. Aquela frase do Galeano é simples, mas é forte. A utopia está no horizonte; você anda e ela se afasta. Então, para que serve? Serve para caminhar. Sem isso, sem essa dimensão simbólica, afetiva, humana, a realidade fica insuportável.

 A advocacia criminal continua sendo sua grande vocação?

Continua completamente. Eu adoro a tribuna. Acho que “a tribuna é o lugar de excelência da advocacia”. E a maior vitória que existe é conseguir a liberdade de alguém. Não importa se é uma pessoa conhecida ou anônima.

 É mais difícil defender clientes famosos?

Muito mais difícil. Para o advogado, o ideal é quando o caso sai da mídia. Quando há muita exposição, tudo fica contaminado. O juiz sofre pressão, a opinião pública interfere, o ambiente pesa. Quando o caso sai do foco, você consegue fazer uma defesa técnica.

Como o senhor vê o momento político às vésperas da eleição?

Ainda muito tensionado. A extrema direita internacional interfere, sim, no Brasil. E o bolsonarismo virou uma seita. O problema de discutir com esse campo é que você não enfrenta um interlocutor com limite, com escrúpulo, com compromisso racional. Isso torna tudo mais difícil.

O Judiciário tem sido criticado por excesso de protagonismo. O senhor concorda?

O Judiciário é um poder inerte: ele só age quando é provocado. E, no momento mais grave da crise institucional, foi o poder que colocou o pé na porta e impediu o golpe. Eu tenho críticas ao Judiciário, sempre tive, mas acho que o Supremo apanhou mais por seus acertos do que por seus erros.

 O país falhou em preparar uma renovação política?

Acho que sim. Essa renovação precisava estar mais adiantada. Lula tem uma dimensão histórica evidente, mas o Brasil precisava estar formando nomes com mais clareza. Sem renovação, a política fica refém da polarização e dos personalismos.

 No fim, o que pesa mais: poder, direito ou poesia?

A poesia. O poder passa, os cargos passam. A poesia fica.