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domingo, fevereiro 15, 2026
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Setor Comercial Sul inicia transformação com polo tecnológico e criativo

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Com investimentos públicos e privados, região central de Brasília passa por renovação histórica que inclui obras de infraestrutura, chegada de instituições de ensino e pesquisa sobre economia criativa

Por Mariana Vieira

O Setor Comercial Sul (SCS) está no centro de uma transformação sem precedentes. A região, que já enfrentou períodos de degradação, abandono e falta de segurança pública, agora é foco de múltiplos investimentos que prometem revitalizá-la como polo tecnológico e criativo.

“Essa ideia do pólo criativo e tecnológico do setor comercial Sul está sendo construída há pelo menos uns oito anos”, explica Niki Tzemos, prefeita do Setor Comercial Sul.

A empresária, que trabalha na região há mais de três décadas e batalha pela revitalização do setor, comemora a aprovação da lei de novos usos do SCS, que prevê a inclusão de quase 300 novas atividades econômicas permitidas na região.

“O setor comercial sul precisa ser ocupado por empresas com perfil tecnológico, mas a criatividade tem que estar junto. Porque tem a questão da gastronomia, a questão até da cultura, que é muito relevante”, destaca Niki, que indica que a quadra 5 é ideal para empreendimentos de alimentação e iniciativas culturais.

A renovação já mostra resultados concretos. O GDF entregou no ano passado a reforma das quadras 3, 4 e 5, com investimento de R$ 12 milhões em infraestrutura urbana. No próximo dia 24 de março, o Senac-DF inaugurará sua maior unidade no DF, com capacidade para 5 mil estudantes. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação também está se transferindo para o setor, com a inauguração do Espaço de Inovação, localizado no Edifício Toufic, na Quadra 2 do Setor Comercial Sul em dezembro de 2024.

“A nossa vinda para o Setor Comercial Sul tem o objetivo de criar um espaço que pretende modificar o Distrito Federal e integra o conjunto de ações do GDF”, afirmou na ocasião o titular da Secti-DF, Leonardo Reisman.

”O nosso intuito é incentivar o desenvolvimento da região por meio da tecnologia e da inovação.

Aberto ao público, o local tem o objetivo de levar inovação e tecnologia para a área central de Brasília. Com aproximadamente 300 metros quadrados, abrigará podcast, área de games e espaço de trabalho para empreendedores.

Estudo inédito

O mais recente passo foi dado com o anúncio de uma pesquisa inédita para diagnosticar o cenário atual e desenvolver um modelo urbanístico digital e físico para a área , coordenada pelo uma pesquisa para diagnosticar o cenário atual do Setor Comercial Sul, desenvolver

um modelo urbanístico digital e físico e criar uma plataforma de suporte à estruturação do Polo Tecnológico Criativo.

A pesquisa é resultado de uma chamada pública da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), intitulada “Programa Desafio DF”, o projeto integra um conjunto de ações estratégicas do GDF voltadas à revitalização da área central de Brasília.

”Nada melhor do que a academia estudar de fato a situação real, considerando todos os atores sociais, para dar o diagnóstico correto”, avalia a prefeita do SCS.

O lançamento do projeto ocorreu no Teatro Sesc Silvio Barbato, um dos marcos culturais do DF, localizado no SCS. Totalmente reformado, o espaço foi entregue à população no início do ano com uma apresentação teatral que reuniu autoridades e expoentes da cultura local.

O estudo será executado e coordenado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação Inovação em Comunicação e Economia Criativa da Universidade Católica de Brasília (UCB), em parceria com pesquisadores de urbanismo da Universidade de Brasília (UnB).

O coordenador da pesquisa é o professor Alexandre Kieling, da Universidade Católica deBrasília (UCB), que conversou com exclusividade para a Revista 61.

O estudo pretende mapear não só aspectos econômicos, mas também sociais da região. Como vocês planejam equilibrar a chegada de novas empresas de tecnologia com a preservação do tecido social existente no Setor Comercial Sul?

Vamos trabalhar em quatro fases, começando pelo diagnóstico. Nesta primeira etapa, vamos mapear as necessidades, realidades e aspirações de todos os atores: empresários estabelecidos, pessoas que circulam pela região e potenciais investidores. Buscamos referências em soluções adotadas em outros lugares do Brasil, como o Porto da Mauá no Rio, o Porto Digital em Recife e iniciativas em Vitória, onde há um trabalho de desenvolvimento da economia criativa.

Há exemplos internacionais de revitalização de centros urbanos através de polos tecnológicos e criativos que estão servindo como referência para este diagnóstico do SCS?

Medellín, na Colômbia, é um caso muito peculiar quando trabalhamos a questão social. Após o desmantelamento dos cartéis, criaram territórios criativos vinculados às competências de cada região. Com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, conseguiram estimular atividades econômicas, e hoje esses distritos criativos determinaram uma nova inserção social de um conjunto importante de pessoas.

A pesquisa envolve tanto a UCB quanto a UnB. Como será a divisão do trabalho entre as universidades e quais as principais etapas e prazos do estudo?

São quatro etapas principais: diagnóstico e proposição do modelo de negócio, liderados pela Católica, com pesquisadores de vários lugares, inclusive de fora do DF. A terceira fase, focada na parte urbanística e arquitetônica, será desenvolvida pela equipe da UnB, resultando em uma maquete digital. A quarta etapa prevê a criação de uma plataforma que reunirá todas as informações e facilitará a formação de hubs, clusters e coletivos.

Considerando que o SCS tem uma história de mais de 60 anos e é parte do conjunto urbanístico tombado de Brasília, como o estudo pretende conciliar inovação tecnológica com a preservação do patrimônio histórico e cultural da região?

A gente está trabalhando com pesquisadores e especialistas que conhecem muito bem esses requisitos que implicam no fato de ser uma cidade tombada pelo patrimônio histórico. É por isso que essa expertise, o nível técnico dos colegas da UnB é essencial nesse momento. Não haverá nenhuma forma de a gente construir uma proposta sem que ela tenha um diálogo permanente e profundo com esses requisitos de Brasília e do local do setor comercial.

Impacto Econômico e social

O potencial econômico é significativo. Segundo dados da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), só a economia criativa movimentou cerca de R$9 bilhões no PIB do Distrito Federal em 2022.

A região, que já chegou a ter um fluxo reduzido de 55 mil pessoas, hoje recebe 150 mil pessoas diariamente, e tem potencial para movimentar muito mais pessoas.

“O objetivo de fato é ter uma requalificação, a melhoria da sensação de segurança para todos […] a valorização do espaço não vem para mandar embora ninguém, muito pelo contrário.

Acredito que seja um momento de inclusão social” afirma Nik

Senador Ciro Nogueira revela intenção de construir candidatura nacional de centro-direita em evento do Lide Brasília

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As eleições de 2026 estiveram no centro do almoço-debate do Lide Brasília com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), realizado nesta terça-feira (6). Presidente nacional do Progressistas, ele fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pediu o fim das hostilidades políticas no País, assim como fez o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Os empresários que integram o grupo também se mostraram dispostos a construir uma alternativa para deixar no passado a polarização política atual.

Presidido pelo empresário, ex-senador e ex-governador Paulo Octávio, o Lide Brasília reuniu mais de 200 empresários e parlamentares, na residência de Fernando Cavalcanti, presidente do NW Group. E logo na apresentação do palestrante foi feito o primeiro manifesto em defesa de uma participação maior do empresariado nas questões nacionais. “Nos pronunciamentos feitos na criação da Federação União Progressistas, uma coisa me chamou a atenção, que foi o seguinte recado: menos Estado e mais trabalho, menos Estado e mais liberalismo, menos Estado e mais incentivo ao setor produtivo”, destacou Paulo Octávio.

“Está chegando o momento de o setor produtivo brasileiro criar um projeto de Brasil. Nós estamos muito omissos, por isso é importante a presença de vocês no Lide, em outras entidades, federações e associações, porque estamos apáticos. É importante criar um projeto grandioso de Brasil, que não seja de um partido político ou candidato, mas de país. Por isso, quero clamar para que as entidades empresariais aqui presentes se reúnam mais, conversem mais, participem mais, discutam mais. O Brasil vive um momento sem rumo. A gente não sabe para onde vai, e isso é muito triste. É chegado o momento de nós apresentarmos o Brasil que queremos”, disse, pedindo ainda o fim da omissão.

Na sequência, o governador Ibaneis Rocha seguiu no mesmo tom crítico. “Eu acho que estamos com tudo para colocar esse país de novo no rumo certo, mas precisamos da união, como disse o Paulo, de toda a classe empresarial, porque ela é que tem que ter seus representantes no Congresso e no governo, para que a gente consiga realmente exercer a política com P maiúsculo, não essa política rasteira, de perseguição, de vaias, de xingamentos, como nós ouvimos essa semana a deplorável frase do governador da Bahia, em relação ao presidente Bolsonaro e seus eleitores”, afirmou.

Ibaneis também citou um outro político histórico do Piauí, o ex-governador Mão Santa. “Eu não tenho medo de falar, porque nascer e morrer e votar no PT, como diz o velho Mão Santa, só se faz uma vez. Todas as vezes que eles assumiram, eles fizeram muito mal ao país. Eles não têm projeto, não têm articulação, não gostam de empresários e a grande maioria nunca assinou uma carteira de trabalho. Nós temos que mudar essa vida política desse país, porque o país já não aguenta mais tanto sofrimento”, acrescentou. “Eu espero que os empresários tenham esse entendimento também, de que esse tipo de política tem feito muito mal ao país”, completou, citando ainda o aumentando da base da arrecadação do DF, obtido sem aumentar tributos.

“O momento político de Brasília na sequência de governadores da esquerda, depois de Agnelo e Rollemberg, era o pior possível. Brasília estava destroçada, e nós tivemos que fazer um trabalho de recuperação. O Ciro acreditou desde aquele momento dessa campanha, que ao final, ao lado de Celina e de outros políticos aqui, se mostrou vitoriosa, e tem, graças a Deus, dado certo aqui para todos, não só para os empresários, mas também para aqueles que mais precisam”, finalizou.

Projeto de centro-direita
Em sua palestra, o senador Ciro Nogueira seguiu na mesma linha crítica. “Eu acho que a encruzilhada que o nosso país se encontra hoje não permite que nenhum homem público, empresário, empreendedor ou cidadão se omita a partir de agora”, destacou. “Fiquei no auge da minha carreira quando o presidente Bolsonaro confiou em mim a tarefa de dirigir o seu ministério mais importante, a Casa Civil, em um momento muito difícil da vida pública nacional, de muitos conflitos. Todos acompanharam aquela eleição tão disputada. Quando terminou aquela eleição, achei que já tinha cumprido meu papel”, destacou.

“Na minha cabeça, o presidente Lula que assumiria e seria um presidente que ia unificar o Brasil. Eu fui contra o Lula, mas pelo que eu conhecia dele, ele agir como o Mandela fez na África do Sul. Não fez. O Lula de hoje é muito diferente do Lula que eu apoiei lá atrás, que veio para combater a fome e a miséria e conseguiu fazer isso naquele momento. O Lula que nós vemos hoje é um homem que só olha para trás, ressentido, isolado e que não foi capaz de enfrentar o atual momento”, avaliou.

Ciro Nogueira comparou Lula a Getúlio Vargas, destacando um anacronismo histórico nos dois. “Eu comparo às vezes, separando um pouco as identidades. Eu considero que o Brasil teve quatro grandes líderes populares: Getúlio, Juscelino, Lula e Bolsonaro. E o Getúlio daquele tempo também voltou e não deveria ter voltado. Porque voltou um homem fora do seu tempo, que se comunicava pelo rádio. E terminou como terminou, porque não estava antenado com o momento que ele estava vivendo naquela época. Mais ou menos como o Lula de hoje, que é capaz de tentar se comunicar com a população através de redes de rádio e televisão. É um homem completamente isolado que não tem um celular”, destacou.

Para o senador, o Brasil vive uma encruzilhada. “Temos que enfrentar um desafio enorme a partir do próximo ano. O Brasil tem que ter alguém que venha nos unificar a partir do próximo ano, que seja capaz de dialogar com a mídia, com o Judiciário, com o setor produtivo, com o Congresso. E tomar decisões que vão ser muito difíceis. Nós estamos no ponto de a dívida pública bater quase 100%. E aí seria o fim de linha para o nosso país. O BPC daqui a 5 anos vai ser maior do que o Bolsa Família. Não tem condições se nós vivermos isso. Nós já vamos ter, daqui a pouco, que conversar sobre a questão previdenciária. Não temos mais como 47% do nosso PIB ser gasto com a máquina pública. E tem que haver um pacto do Judiciário, Executivo e Legislativo para diminuir o tamanho do Estado”, sugeriu.

Classificando-se como um liberal, o senador descartou pautas de costumes ou armas, a existência de bancos estatais. “Nós venderíamos isso tudo para fazer um grande fundo soberano para investir na nossa infraestrutura, na nossa capacitação. E assim os países que fizeram algo semelhante, deram certo. E não tem outro caminho. Não existe nenhum país que tenha um viés de implementar as práticas de esquerda que deu certo no mundo. E o nosso país não vai ser diferente. Acho que temos o desafio enorme de unificar as forças de centro e da direita para ter um único projeto. Escolher o que é melhor, tanto o candidato a presidente como o candidato a vice, e fazer um projeto de longo prazo e pelo menos pensar o nosso país pelos próximos 30, 40 anos. Porque o atual quadro político, e eu me incluo nisso aí, fracassou”, definiu. “E não adianta dizer que foi um problema da esquerda, da direita, não. Porque nós tivemos nos últimos 40 anos governo de esquerda e de direita de centro. Mas fracassamos”, complementou.

Ciro Nogueira também defendeu anistia aos processados pelo 8 de janeiro de 2023. “É chegado o momento do Brasil se unir. Virar essa página eleitoral, dessa disputa absurda de discutir o dia e noite questão de 8 de janeiro enquanto as facções criminosas estão tomando conta do Brasil. Isso é o que nós temos que fazer. Ninguém aguenta mais essa pauta de ver operações prendendo pessoas por conta dessa narrativa do 8 de janeiro que todos nós sabemos o que realmente aconteceu naquele dia. E se tiver alguém que tenha tramado alguma coisa errada no nosso país eu não estou aqui para passar o pano em ninguém, não. E pague exemplarmente. Mas viremos essa página”, acrescentou.

Por fim, ele sugeriu uma unidade entre os rivais na eleição passada. “Não se pode fazer nenhum projeto político no Brasil sem a participação de Lula e Bolsonaro. Não tem como. Qualquer candidato que o Bolsonaro apoia já sai com mais de 30% e fatalmente vai haver essa disputa no próximo ano, com 30% na esquerda e 30% na direita, mas temos 40% no centro e esse recado foi dado muito claramente nas eleições do ano passado, em que 80% dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores têm esse perfil de centro. As pessoas deram esse recado, mas nós temos que unificar alguém que seja capaz de pensar o nosso país pelos próximos 40 anos”, analisou.

AFINAL, DINHEIRO TRAZ FELICIDADE?

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Não. E sim. A resposta conflitante dessa pergunta envolve economia, psicologia e até a nossa visão de mundo. O dinheiro, por si só, não compra felicidade, mas a falta dele pode causar sofrimento. É impossível ignorar que uma vida sem preocupações financeiras proporciona segurança, conforto e liberdade para fazer escolhas. No entanto, estudos mostram que, depois de um certo nível de renda, o impacto do dinheiro na felicidade começa a diminuir.
Daniel Kahneman, psicólogo vencedor do Prêmio Nobel de Economia, conduziu uma pesquisa reveladora sobre o tema. Segundo seu estudo, publicado em 2010, a felicidade emocional aumenta com a renda, mas apenas até um certo ponto – aproximadamente 75 mil dólares anuais nos Estados Unidos (valor ajustado com a inflação). Após esse patamar, ganhar mais dinheiro não impacta significativamente o bem-estar diário. O motivo? Quando as necessidades básicas são atendidas – alimentação, moradia, saúde e um pouco de lazer – o excesso de dinheiro não altera a qualidade das emoções cotidianas.

Isso explica por que milionários nem sempre são mais felizes do que pessoas de classe média. O sociólogo Richard Easterlin já havia apontado esse fenômeno em sua famosa “Paradoxo da Felicidade”: países mais ricos, apesar de terem melhor qualidade de vida, não necessariamente possuem habitantes mais felizes. A razão disso está na adaptação hedônica – a capacidade humana de se acostumar rapidamente a novos padrões de vida. A princípio, um carro de luxo ou uma casa enorme podem trazer alegria, mas, com o tempo, tornam-se normais, e a busca por mais nunca acaba.
Além disso, dinheiro pode gerar problemas inesperados. Pessoas que herdam fortunas ou ganham na loteria frequentemente enfrentam depressão e ansiedade. O caso de Jack Whittaker, vencedor de 315 milhões de dólares na loteria americana, ilustra bem isso. Após a vitória, sua vida se tornou um caos, com problemas familiares, perda de amigos e até crimes envolvendo sua fortuna. Isso prova que dinheiro, sem um propósito ou equilíbrio emocional, pode ser uma armadilha.

Mas, então, qual é o segredo? A resposta parece estar no modo como usamos o dinheiro. O psicólogo Michael Norton, de Harvard, descobriu que gastar dinheiro com experiências e com outras pessoas aumenta a felicidade mais do que gastá-lo apenas consigo mesmo. Viagens, jantares com amigos e até doações para causas importantes geram um bem-estar mais duradouro do que a compra de bens materiais.

Isso não significa que o dinheiro seja irrelevante – longe disso. Ele é um facilitador, mas não um fim em si mesmo. A verdadeira felicidade está na forma como lidamos com ele. Se usado para proporcionar tempo de qualidade, segurança e propósito, o dinheiro pode, sim, contribuir para uma vida mais feliz. Mas se for apenas uma obsessão, pode levar a um ciclo infinito de insatisfação. Como dizia Epicuro, filósofo grego: “Nada é suficiente para quem considera pouco o suficiente.”

Entre berços e sonhos: a mulher que nunca se anulou.

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Durante anos, falar de maternidade era falar de anulação. De mulheres que se apagavam para iluminar a vida dos filhos. De mães que abriam mão dos seus sonhos, da sua liberdade, da sua própria história para serem apenas o que esperavam delas: cuidadoras incansáveis, heroínas silenciosas.
Mas hoje celebramos outro tipo de mulher.
A mulher que soube ser mãe sem esquecer quem ela é.
Mulheres que entenderam que a maternidade é um pedaço da vida — imenso, profundo, transformador — mas não é toda a vida.
Celebramos aquelas que amaram com coragem, que estiveram presentes nas primeiras palavras, nas febres da madrugada, nas vitórias e nas lágrimas. Mas que também se permitiram ser mais do que “mãe de alguém”.
Mulheres que mantiveram sua alma viva enquanto embalavam berços.
Que estudaram, trabalharam, ousaram.
Que se olharam no espelho e, mesmo com o cansaço nos olhos, disseram: “Eu ainda sou eu.”
Mulheres que ensinaram aos filhos que amor não é anulação.
Que a melhor herança que podem deixar não é o sacrifício, mas a liberdade de ser quem se é.
Elas viajaram, elas sonharam, elas reconstruíram seus caminhos enquanto construíam lares. Elas mostraram que é possível amar profundamente os filhos sem abandonar as próprias paixões, a própria essência, os próprios desejos.
Ser mãe não significa desaparecer.
Ser mãe é multiplicar-se — sem perder a sua voz.
A essas mulheres fortes, conscientes, que viveram a maternidade com entrega, mas também com amor-próprio, nossa homenagem.
Porque ser mãe é fazer do amor um ato de coragem — e do amor-próprio, uma herança silenciosa que ensina mais do que mil palavras.
Neste Dia das Mães, celebramos você:
Que ensinou a amar sem esquecer de amar a si mesma.
Que provou que é possível ser tudo: abrigo, farol, porto seguro — e ainda ser mulher, inteira, viva, potente.
Que a sua força continue inspirando novas gerações de mulheres a se permitirem ser tudo aquilo que desejarem ser.
Feliz Dia das Mães.


Elâine Corrêa de Souza – Nutricionista
perfil no instagram: @nutricionistaelaines
Atendimento: SCN Q1 BL F Sl 1507 – Ed. América Office Tower, Brasília – DF

No coração do Jardim Botânico, Cristina Roberto oferece uma gastronomia inovadora

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Por: Mariana Vieira

“Cura é o restaurante que eu sempre quis ter”, revela chef e restaurateur 

Em sua origem e etimologia, o tipo de estabelecimento que hoje conhecemos como restaurante era um local onde as pessoas podiam se alimentar para se restabelecer de um dia de trabalho ou de uma longa jornada, estando ligado ao verbo restaurar. 

Essa associação não passa despercebida no Cura – Cozinha Orgânica, a casa mais recente e inovadora de Cristina Roberto, nome indissociável da cena gastronômica de Brasília. A biografia da mineira de Abaeté é daquelas que, como se diz, daria um filme. Ou, nesse caso, um bom caldo.

Cristina, que veio para a capital junto com a família para a irmã fazer medicina na Universidade de Brasília (UnB), saiu daqui para São Paulo em busca do sonho de ser atriz.
Ao se ver grávida de gêmeas, resolveu voltar para Brasília e passou a vender comida para se manter; pães integrais e outros quitutes que ela aprendeu a fazer na casa onde cresceu ao lado de 10 irmãos. “Todo mundo lá em casa sabe cozinhar, cresci fazendo pamonha, quitandas e o que mais fosse necessário para alimentar a família. O que eu sabia fazer era comida”. 

Ela recorda que, na época, no início dos anos 1980, começavam a pipocar na cidade casas de comida natural, com produtos integrais e receitas macrobióticas. Depois de trabalhar em alguns restaurantes com essa pegada, ela passou a cozinhar na W3, na chamada Pensão da Dona Laura. “O pessoal vinha para almoçar ou pegar marmitas, e eu fazia pães, iogurte e outros produtos naturais”, conta.

Logo Cristina Roberto percebeu que levava jeito para os negócios. Em 1984, ela decide abrir a própria casa. Nascia ali o emblemático Bom Demais, que agitou a 706 Norte e se tornou a principal referência cultural da cidade, nos anos 1980.

O Bom Demais reunia poetas, jornalistas, artistas, intelectuais e toda a juventude brasiliense inspirada pelos ventos de liberdade que sopravam sobre a capital da República logo depois do fim da ditadura militar. Naquelas noites incríveis, brilharam grandes nomes do rock nacional, como Cássia Eller, Renato Russo, Hamilton de Holanda e Zélia Duncan, entre muitos outros artistas hoje nacionalmente consagrados. 

0 Bom Demais fez história e foi se transformando ao longo do tempo. Nos anos 1990 já havia se convertido em um sofisticado e competente buffet, que garantia o sucesso de grandes festas e dos principais eventos públicos e privados na cidade. Nessa altura, o nome Cristina Roberto já era reconhecido como uma grife da gastronomia brasiliense.

Inquieta e dona de um senso de oportunidade inigualável, Cristina nunca parou de criar e inovar. Enquanto tocava o Buffet, assumiu o desafio de tocar o bistrô Bom Demais dentro Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Foram muitos anos servindo pratos deliciosos e criativos para os frequentadores de mais um ambiente cultural da cidade. Dali para a Estação Ecológica Jardim Botânico foi um pulo.

Mais uma vez, Cristina Roberto inovou e criou para os visitantes do parque um lugar que une alimentação, convivência e contemplação. O Jardim Bom Demais é o mais movimentado e animado piquenique da cidade, com suas mesas no chão, cobertas com toalhas xadrez de vermelho e branco, espalhadas à sombra de grandes árvores.

Até aqui já seria uma grande história de sucesso, mas estamos falando de uma mulher movida a desafios e antenada nas necessidades de seu tempo.

Depois de enfrentar a pandemia e de superar um câncer, Cristina percebeu que era o momento de dar um sentido ainda maior àquilo que vinha fazendo há décadas. Com todo o conhecimento acumulado, decidiu criar o mais ousado projeto de sua vida: oferecer ao público brasiliense uma comida restaurativa, capaz de agradar o paladar, mas principalmente comprometida com a saúde das pessoas.

Comida que cura 
Também localizado dentro da Estação Ecológica Jardim Botânico de Brasília, há pouco mais de dois anos, Cristina Roberto plantou um sonho, o Cura Cozinha Orgânica.

A casa, rodeada pela vegetação do Cerrado e construída em taipa e adobe, técnicas ancestrais que destacam as cores da terra vermelha, investe numa gastronomia absolutamente genuína e cheia de compromissos com a saúde. “Você não verá nada igual no mercado. A comida do Cura busca o equilíbrio, a boa digestão e a nutrição completa do corpo”, diz Cristina, que faz questão de buscar os melhores ingredientes para compor o cardápio que muda diariamente.

O Cura busca o alimento natural, sem venenos, sem aditivos e sem processamento. Verduras, legumes, cereais integrais e proteínas de boa qualidade são a base dos pratos. Tudo fresco, tudo produzido no dia de servir.

A quem chega é oferecido um menu degustação em quatro etapas: sopa, salada, prato principal e uma pequena sobremesa com chá de ervas. O que varia é a proteína à escolha do cliente: proteína vegetal, frango orgânico korin ou pirarucu de manejo diretamente da região amazônica.

Com influências da culinária ayurveda indiana, chinesa, macrobiótica, africana e mineira o Cura é resultado de décadas de pesquisa e da convicção que Cristina demonstra ao repetir o mantra: “que a comida seja seu remédio e que seu remédio seja a comida”. É também um projeto educativo, já que o Cura tem a pretensão de incentivar os clientes a adotarem hábitos mais saudáveis na alimentação do dia a dia. “Nós mostramos que a comida saudável é fácil de fazer e pode ser deliciosa”, explica Cristina.

Para que ainda não conhece, o cardápio, que muda diariamente, servido em quatro etapas tem preço variando conforme a proteína escolhida: vegano/vegetariano (R$ 80), frango (R$88) ou peixe (R$ 99). 

Na carta de vinhos, apenas rótulos orgânicos da vinícola chilena Emiliana, que podem ser pedidos em taça (R$ 35) ou na garrafa (R$140).  Café, apenas se o cliente pedir, uma vez que a refeição — um banquete que nutre e acolhe — termina com um chá. “Eu desejo que meus clientes, além de comerem bem, tenham uma ótima experiência e se uma boa digestão ”, assegura Cristina.

Serviço 

Cura – Cozinha Orgânica 

Quarta à sexta das 12h às 16h. 

Sábado e domingo das 12h às 17h. 

Jardim Botânico de Brasília. 

Contato: 61 99256 4525 

perfil: @curacozinhaorganica 

Mercado de trabalho: quais são as profissões em que mulheres superam os homens nos salários?

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Mesmo com a média salarial feminina inferior no Brasil, algumas ocupações registram remuneração maior para mulheres do que para homens

A desigualdade salarial entre homens e mulheres permanece um desafio no Brasil. Segundo o 2º Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho, divulgado em 2024, as mulheres recebem, em média, 20,7% a menos do que os homens no setor privado, considerando empresas com mais de 100 funcionários. Mesmo com maior escolaridade, em média, o cenário ainda reflete disparidades estruturais históricas e sociais.

Contudo, em meio ao desequilíbrio, existem exceções. Algumas profissões apresentam remuneração média superior para mulheres, indicando áreas onde elas têm conquistado maior protagonismo, seja por maior qualificação, presença consolidada ou habilidades valorizadas em contextos específicos.

As áreas onde elas lideram

Um levantamento feito pelo Glassdoor indicou que, nos Estados Unidos, em ao menos 11 ocupações, mulheres têm salários superiores aos dos homens. No topo dessa lista, está a profissão de assistente social, com remuneração feminina 7,8% maior, seguida por promotora de vendas/negociadora (7,6%), pesquisadora assistente (6,6%), especialista em compras (5,5%) e consultora médica (2,4%).

Outros exemplos incluem profissional de comunicação (2,2%) e mídias sociais (1,9%), profissional de aconselhamento e educação para a saúde (0,9%), profissional de supply chain (0,8%), coordenadora de negócios (0,5%) e terapeuta (0,5%). Esses dados sugerem que, além do conhecimento técnico, características como atenção ao detalhe, empatia e criatividade têm sido diferenciais relevantes.

Fatores que explicam a inversão

O predomínio feminino em determinadas áreas ajuda a explicar a vantagem salarial em algumas dessas profissões. Quanto maior a presença feminina, maior a chance de ascensão e valorização profissional. Além disso, em setores tradicionalmente menos masculinos, a competição desigual tende a ser menor, o que favorece maior equilíbrio – ou até inversão – nas faixas salariais.

Outro ponto importante está na formação e qualificação. Em muitas dessas carreiras, as mulheres buscam especializações e certificações com mais frequência, o que pode impulsionar a renda média.

Planejamento profissional e novas possibilidades

Entender as tendências do mercado de trabalho é essencial para quem deseja construir uma trajetória sólida e bem remunerada. Para isso, há ferramentas que podem ajudar a explorar afinidades e vocações. 

Entre as opções disponíveis, fazer um teste vocacional grátispode ser um primeiro passo para identificar áreas de interesse alinhadas a profissões em crescimento, inclusive aquelas em que as mulheres têm se destacado em remuneração. 

Apesar de ainda serem minoria entre os cargos mais altos e bem pagos da economia, as mulheres demonstram que, em determinadas áreas, é possível superar desigualdades históricas. A identificação dessas oportunidades pode servir de base para políticas públicas e ações empresariais que impulsionem a equidade no mercado de trabalho.