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quarta-feira, abril 22, 2026
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Aborto legal: falhas na rede de apoio penalizam meninas e mulheres

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Pesquisadoras dizem por que algumas gestações chegam a 22 semanas

As desigualdades sociais no Brasil podem explicar a razão para que meninas e mulheres busquem apoio para o aborto legal também após 22 semanas de gestação, alertam pesquisadoras no tema. O Projeto de Lei 1904, em discussão no Congresso Nacional, equipara a interrupção da gravidez após esse período ao crime de homicídio.

A proposta gerou reações na sociedade. No ano passado, o Brasil registrou 74.930 estupros, o maior número da história. Desses, 56.820 foram estupros contra vulneráveis. Atualmente, gravidez decorrente de estupro é uma das situações que autoriza o aborto no país.

No Brasil, houve no ano passado um total de 2.687 casos de aborto legal, segundo informou o Ministério da Saúde.  Desse número, 140 foram de meninas até 14 anos de idade – o número mais que duplicou em relação a 2018, quando foram registrados 60 procedimentos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, foram 291 abortos. Há cinco anos, foram 199 procedimentos.

A socióloga e pesquisadora Jacqueline Pitanguy explica que meninas na puberdade ou até antes desse período que são estupradas, muitas vezes violentadas por pessoas com quem convivem, como pais, padrastos ou familiares, nem imaginam que podem estar grávidas “Há muitas que não percebem que estão grávidas. Nem sabem o que é gravidez”, exemplifica a professora.

A pesquisadora, que é coordenadora na Ong Cepia (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação), enfatiza que a legislação brasileira em vigor não estabelece prazo para interrupção da gravidez em caso de estupro e que, quanto mais cedo for feito um abortamento em vista da violência, melhor. Ela entende que a gestação avança no tempo em função das desigualdades sociais a que estão submetidas crianças, adolescentes e também mulheres adultas.  “É um marcador de falha do sistema público de saúde em prover serviços de atenção à saúde que sejam acessíveis às mulheres na imensidão desse Brasil”.

Segundo ela, é normal que exista demora para que pessoas próximas percebam uma mudança no corpo. “A barriguinha nessas meninas só aparece mais tarde. Elas não têm menstruação regular. Então, essas meninas são absolutamente vulneráveis ao fato de que a gravidez avance”, exemplifica.

Vulnerabilidade
Outra pesquisadora, a enfermeira obstétrica Mariane Marçal enfatiza que há uma estimativa de que 20 mil meninas menores de 14 anos tenham engravidado, por ano, na última década, sendo que 74% delas são negras.  “Gestações de menores de 14 anos são frutos de estupro. Há uma epidemia de gestação infantil. Acompanhamos muitas meninas que nem sabiam o que havia ocorrido. O risco de morrer em uma gestação tão precoce é cinco vezes maior em meninas de menos de 14 anos”, diz a enfermeira, que trabalha na coordenação de projetos da ONG Criola, que atua pelo direito de mulheres negras.

A pesquisadora exemplifica que fez um levantamento da mortalidade materna de mulheres negras na Baixada Fluminense com casos ocorridos entre 2005 e 2015. “Os casos de adolescentes são muito comuns”. Ela explica que, também nas comunidades, há julgamentos morais sobre as meninas. A enfermeira recorda o episódio em que acompanhou uma menina de 8 anos de idade estuprada, que nunca havia menstruado, e engravidou.

Longe do direito
Além da infância, mulheres adultas também têm dificuldades em realizar aborto legal no Brasil. “Ela tem mais capacidade de perceber e começa a procurar um lugar para interromper a gestação, mas ela mora em um município que não tem serviço”, lamenta a socióloga Jacqueline Pitanguy. Ela explica que esses obstáculos ocorrem antes de 22 semanas de gestação, mas são vítimas de adiamentos no sistema de saúde e também em  ordem judicial.

“Em geral, uma mulher pobre, muitas vezes desprovida de meios até para esse deslocamento, no desespero de interromper aquela gestação e quando ela finalmente consegue chegar a um serviço, ela está com 23 semanas. Há uma falha no sentido de atender o direito à saúde e os direitos reprodutivos das mulheres ao não colocar serviços o suficiente”.  Esses obstáculos costumam ser citados no sistema de saúde como “objeção de consciência”, de profissionais de saúde e agendamento de seguidas consultas sem uma decisão breve de profissionais, como exemplifica a pesquisadora Mariane Marçal.

A coordenadora do Grupo Curumim (PE), Paula Viana, lamenta que apenas 3,6% dos municípios no Brasil possuam o serviço de abortamento legal, o que aumenta a dificuldade de mulheres que moram longe dos grandes centros e também nas periferias. “A pessoa vai se dirigir a um serviço de atendimento à vítima de violência sexual e lá ela vai ser atendida. Se for o caso de interrupção da gravidez, ela vai ser informada sobre isso e os tipos de tratamento. Em geral, quando é mais precoce, o tratamento é muito seguro. É um tratamento que, por exemplo, no Uruguai, na Argentina, é feito em casa”, diz Paula, que também é enfermeira obstétrica.

Estigmas
O reduzido número de municípios com serviços de abortamento tem como consequência a invisibilidade de crimes e da real situação de mulheres vítimas de violência. “Infelizmente, o estigma do aborto é tão grande no meio da sociedade que afasta as pessoas dos seus direitos. Muitas vezes as pessoas não sabem o direito que têm de interromper aquela gravidez que é totalmente indesejada. Nos casos de risco de morte ou nos casos de malformação, como a anencefalia, isso é tratado no âmbito da saúde”.

Segundo Paula Viana, o estigma é abastecido por proposições semelhantes ao PL 1904. “A gente monitora o Congresso e tem mais de 40 proposições muito parecidas com essa. O estigma faz com que as pessoas tenham medo. A pessoa fica grávida de um estupro e, mesmo assim, acha que está errada”.

Aborto legal
A legislação em vigor no Brasil prevê que a mulher tem direito ao aborto nos casos de gravidez decorrente de estupro, se a gestação representar risco de vida à mulher e se for caso de anencefalia fetal (esta situação, desde 2012). “Nós temos mulheres que engravidaram, que buscaram ajuda após estupro. Até o diagnóstico e a busca dessa ajuda, com certeza, o tempo vai ser maior que 22 semanas”, diz a médica Albertina Duarte, coordenadora do Programa Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo e chefe do Ambulatório de Atendimento de ginecologia da Adolescência do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

“Se a mulher for estuprada, pode procurar imediatamente o serviço de saúde. Não necessita de boletim de ocorrência. A palavra da mulher é fundamental. O serviço especializado já tem protocolos”, afirmou.

Proteção
A psicóloga Marina Poniwas, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), acrescenta que, além de não necessitar de boletim de ocorrência, a própria equipe de saúde deve preencher os documentos necessários. “O Sistema de Saúde deve atender, acolher e orientar a vítima e realizar o procedimento de forma protetiva e segura, nos casos previstos em lei”.

Ela reitera que o aborto legal deve ser garantido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O problema que enfrentamos é a desinformação de profissionais de saúde e também a atuação baseada em crenças ideológicas que promovem uma segunda violência às meninas e mulheres que buscam o serviço”.

Ela avalia que uma confusão parece ocorrer pelo termo utilizado como sendo aborto legal, sendo que o abortamento, por definição, é a interrupção da gravidez até a 20ª e 22ª semana de gestação. “Ocorre que a lei não fixou limite de idade gestacional para a interrupção de gestação, de modo que é permitida a interrupção também a partir da 22ª semana. Laudo médico e exames só serão necessários em casos de gestação de risco e de gestação de anencéfalo”, afirma Marina Poniwas.

Por Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Três cidades mágicas para seu verão na Tchéquia

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Três cidades mágicas para seu verão na Tchéquia

Conhecida por seu rico patrimônio cultural e paisagens pitorescas, a República Tcheca possui um trio de cidades encantadoras que incorporam seu charme e apelo atemporais. Desde as ruas históricas de Pardubice até as maravilhas arquitetônicas de Kroměříž e a atmosfera de conto de fadas de Telč, cada destino oferece uma mistura única de história, cultura e beleza natural.

Pardubice: uma trama de esplendor renascentista e legado equestre

Pardubice, localizada a uma hora leste de Praga, é uma cidade tcheca ideal para explorar e usar como base para visitar o resto do país, graças à sua excelente rede de transportes. Sua posição central permite conexões frequentes de trem para Praga, Brno e Olomouc, e sua proximidade com o centro da cidade e o aeroporto a torna muito acessível. Além disso, Pardubice oferece uma combinação única de patrimônio histórico, cultura e acessibilidade, com seus cavalos, pão de gengibre e festividades locais vibrantes, tornando-a um destino atraente e ainda desconhecido para muitos.

Fundada no século XIV, Pardubice tem uma rica história refletida em seu castelo, que abriga o museu da Boêmia Oriental, e em seu pitoresco centro com edifícios renascentistas e o icônico Portão Verde. A cidade é famosa por sua tradição equestre, em especial a Grand Steeplechase, uma corrida de cavalos de renome mundial. Os cavalos Kladruber, originários dos Estábulos Reais em Kladruby nad Labem, também contribuem para a fama da cidade. Pardubice é igualmente conhecida por seu delicioso pão de gengibre e pela cerveja Porter local, ambos apreciados nos charmosos terraços da cidade.

Kroměříž: uma sinfonia de grandeza barroca e beleza botânica

Kroměříž é uma joia arquitetônica e cultural da República Tcheca e oferece uma experiência deslumbrante desde o primeiro momento. O mirante superior dos Jardins das Flores oferece uma vista de tirar o fôlego dessa antiga residência de verão dos arcebispos de Olomouc. A cidade, com uma história que tem origem no início da Idade Média, possui um centro histórico bem preservado, várias igrejas históricas, um bairro judeu e o pitoresco hotel Černý Orel. Kroměříž não é apenas um palácio, mas também uma cidade vibrante com cerca de trinta mil habitantes e um rico patrimônio cultural.

O conjunto palaciano de Kroměříž, Patrimônio da Humanidade da UNESCO desde 1998, é a principal atração. O palácio e seus jardins recreativos, a um quilômetro de distância, incluem um jardim barroco formal e a Rotunda com seu pêndulo de Foucault. O palácio, usado como cenário para filmes como Amadeus, contém salas magníficas e uma impressionante coleção de arte, moedas e partituras originais de Mozart e Beethoven. Os jardins ao redor e a adega dos arcebispos com seus vinhos requintados completam essa experiência inesquecível, tornando Kroměříž um destino que vale a pena visitar, especialmente durante os festivais de verão.

Telč: um conto de fadas de romance renascentista e esplendor arquitetônico.

Telč, localizada a 160 quilômetros de Praga e a meio caminho entre a capital tcheca e Viena, é uma cidade que parece ter saído de um conto de fadas. Com seu centro histórico declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, Telč oferece uma mistura irresistível de romance, aventura e mistério. Perfeito para visitar a dois e para famílias com crianças, a cidade é notável por suas ruas charmosas, a Praça Zacharias de Hradec com suas fachadas coloridas e a atmosfera mágica da Igreja Barroca do Nome de Jesus. Os visitantes podem fazer passeios de barco ou pescar na lagoa, explorar as intrigantes passagens subterrâneas e descobrir os segredos desse destino dos sonhos.

Telč se orgulha não apenas de seu famoso castelo renascentista, mas também do pitoresco parque do castelo, que oferece uma experiência completa que inclui jardins do século XVI e um estufa classicista. A cidade é conhecida por sua rica história e preservação de seu patrimônio, desde a praça principal até a Casa de Telč, uma loja de brinquedos interativa perfeita para crianças. Telč convida todos a mergulharem em sua beleza e charme, garantindo uma visita inesquecível repleta de cultura, esporte e diversão.

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Aprovale lança 10 Lotes D.O.V.V., primeiro vinho coletivo com Denominação de Origem no Brasil

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Varietal Merlot elaborado com a colaboração de 10 vinícolas do Vale dos Vinhedos
entra em pré-venda.

Vinhos com características únicas advindas do terroir do Vale dos Vinhedos são uma marca da expressividade das vinícolas – e da cultura local – estabelecidas na mais notória região vitícola do país. Agora, essa singularidade ganha um conceito multiplicado. A Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), em uma ação inédita, mais uma vez mostra seu pioneirismo e coloca em pré-venda um vinho com a genuinidade da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos que concentra, num único rótulo, a expertise de 10 vinícolas.

O 10 Lotes D.O.V.V. Merlot é o primeiro vinho coletivo com Denominação de Origem no Brasil e, por isso mesmo, um produto repleto de particularidades. Com ele, a Aprovale realça o DNA de seus exclusivos vinhos, celebrando a cepa identitária da D.O. do Vale entre os tintos, a Merlot. O produto reúne frações de vinhos de cada uma das 10 marcas nesse varietal composto de 90% de Merlot e 10% de Cabernet Sauvignon, oriundas de três grandes safras – 2020, 2021 e 2022.

Para tal, cada vinícola participante do projeto contribuiu com uma barrica de seu mais emblemático vinho: Ales Victoria Merlot 2022, Vinícola Almaúnica Merlot 2022, Casa Valduga Merlot 2022, Vinhos Don Laurindo Merlot 2022, Vinhos Larentis Merlot 2022, Miolo Wine Group Merlot 2022, Peculiare Vinhos Únicos Merlot 2020, Pizzato Vinhas e Vinhos Merlot 2022, Vinícola Terragnolo Merlot 2022 e Vinícola Dom Cândido Cabernet Sauvignon 2021.

Aprovado por unanimidade em degustação conduzida pelo Conselho Regulador da Indicação Geográfica do Vale dos Vinhedos, o vinho chega ao mercado para apresentar aos consumidores todas as singularidades da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos. Em taça, é límpido, apresenta coloração vermelho rubi intenso com traços violáceos. Seus aromas são de média intensidade, com notas de frutas negras, de mentolado, especiarias e pimenta negra. Em boca apresenta-se agradável, com boa intensidade, taninos marcantes e leve secura de boca. Por ser um corte de safras, sendo a mais recente 2022, possui grande potencial de guarda. Tem graduação alcoólica de 14%.

Com produção limitada, apenas 3 mil garrafas serão disponibilizadas para a comercialização pela Aprovale. A pré-venda desse icônico vinho permitirá a reserva do produto por meio do WhatsApp (54) 2209.0018. O vinho será comercializado apenas para pessoas físicas, ao valor de R$ 488 a garrafa – o produto não estará à venda em lojas especializadas ou em supermercados.

Quem adquirir o vinho receberá o 10 Lotes D.O.V.V. Merlot acomodado numa caixa de luxo e acompanhado de material alusivo à Denominação de Origem Vale dos Vinhedos, valorizando ainda mais o alto nível da produção brasileira, um dos objetivos desse projeto. “O Vale dos Vinhedos se preocupa, há quase 30 anos, com o desenvolvimento da excelência em seus vinhos, contribuindo decisivamente para o reconhecimento internacional que o país tem hoje. O 10 Lotes é mais uma demonstração dessa vocação que temos na Serra Gaúcha, em especial no Vale, berço da primeira D.O. de vinhos e espumantes do Brasil”, lembra o presidente da Aprovale, Ronaldo Zorzi.

Além de reconhecer, promover e valorizar o vinho brasileiro, a Aprovale busca se aproximar ainda mais do conhecedor de vinhos e do público colecionador e investidor, além de renovar o interesse ao enoturismo no Vale. “Com esse movimento, posicionamos a relevância do vinho nacional e fortalecemos o enoturismo na região como palco dessa produção cada vez mais chancelada internacionalmente”, continua Zorzi.
Maior destino enoturístico do país, o Vale dos Vinhedos concentra quase 90 atrativos associados, sendo um terço deles de vinícolas e o restante divididos entre restaurantes, hotéis e pousadas, cafés, entre outras atrações. As vinícolas dispõem de farta ofertas de visitações, todas com algum tipo de degustação de produtos envolvida, atividade essa podendo ser realizada tanto em estabelecimentos familiares como em grandes produtoras.

Serviço

O quê: pré-venda do vinho 10 Lotes D.O.V.V., primeiro vinho coletivo com Denominação de Origem no Brasil

Quando: pré-venda aberta

Quanto: R$ 488 a garrafa.  A venda está limitada a 6 unidades por pessoa física, visando garantir um acesso equitativo aos apreciadores.

Reserva e pré-vendas: WhatsApp (54) 2209.0018

A saber: o 10 Lotes D.O.V.V. Merlot foi elaborado a partir de vinhos das safras 2020, 2021 e 2022 das vinícolas Ales Victoria (Merlot 2022), Almaúnica (Merlot 2022), Casa Valduga (Merlot 2022), Dom Cândido (Cabernet Sauvignon 2021), Don Laurindo (Merlot 2022), Larentis (Merlot 2022), Miolo (Merlot 2022), Peculiare (Merlot 2020), Pizzato (Merlot 2022) e Terragnolo (Merlot 2022)

A negação da crise e a banalização da morte

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A saúde pública no Distrito Federal (DF) tem enfrentado uma grave crise, acentuada após a pandemia de Covid-19. Mas suas causas são anteriores: está no modelo de gestão adotado pelo GDF. As mortes, que nos últimos dias ocuparam manchetes, telejornais e redes sociais, revelam uma profunda falha no compromisso com a vida e o bem-estar da população. E o que mais preocupa é a falta de reação dos governantes. O Governador se recusa a falar, eximindo-se de uma responsabilidade que é dele, antes de ser da sua equipe. O chefe da Casa Civil, voz importante do GDF, nega o óbvio. Segundo afirmou, em coletiva de imprensa, “não há crise, não há caos na saúde do DF”.

Vamos aos fatos: nos últimos meses, três crianças perderam suas vidas em hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do DF, casos que levantam sérias questões sobre a qualidade do atendimento prestado. Anna Julia Galvão, de 8 anos, Jasminy Cristina de Paula Santos, de 1 ano, e Enzo Gabriel, também de 1 ano, são nomes que simbolizam a tragédia da negligência que vem penalizando milhares de pessoas, com consequências diversas. O menino, por exemplo, esperou cerca de 12 horas na UPA do Recanto das Emas por uma ambulância que o levasse a um leito de UTI – tempo suficiente para que sua condição se agravasse irreversivelmente.

A epidemia de dengue no DF é mais uma evidência gritante de como a má gestão pode ter consequências mortais. Apenas neste ano, foram registradas 365 mortes por dengue na Capital do País. Medidas preventivas, como a eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti e campanhas educativas, não foram devidamente implementadas, refletindo um descaso preocupante com a saúde pública. Aliás, nunca é demais repetir: os recursos próprios do GDF aplicados às ações de prevenção restringiram-se à ridícula cifra R$ 21.301,70, o equivalente a 16 salários mínimos.

A criação do Núcleo de Transporte e Remoção de Pacientes pelo Instituto de Gestão Estratégica da Saúde do DF (IGESDF) é um outro exemplo. Anunciado como uma solução para melhorar a eficiência, o núcleo falhou em suas primeiras semanas de operação, como comprovado pelo caso do bebê que morreu após esperar 12 horas por uma ambulância. A terceirização do serviço de transporte, a um custo de R$ 57 milhões anuais, aponta para uma priorização de contratos e gestão financeira em detrimento das necessidades urgentes dos pacientes. Parece um balcão de negócios.

A deficiência no transporte de pacientes é um problema crônico no DF. A falta de ambulâncias, de condutores habilitados e a burocracia na manutenção dos veículos agravam a situação. Historicamente, o Serviço de Assistência Móvel de Urgência (SAMU) tem sido desviado de sua função principal de socorro pré-hospitalar para realizar transportes entre hospitais – uma distorção de sua missão original que compromete a eficácia do atendimento emergencial.

A Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde destacou que 61,73% do suporte avançado do SAMU foi usado para transporte de pacientes entre 2018 e 2022. Este trabalho que deveria ser feito por ambulâncias da Secretaria de Saúde. Apesar de medidas paliativas, como a contratação de motoristas temporários, a solução real requer uma reorganização completa dos recursos materiais e humanos do SAMU – e de toda a SES-DF.

Teria muitos outros exemplos a acrescentar. Mas estes são suficientes para trazer aqui, leitor, o conceito de necropolítica, desenvolvido pelo historiador Achille Mbembe: ele explica como a gestão da morte se integra às políticas públicas. O pesquisador argumenta que certas formas de poder determinam quais vidas são valorizadas e quais são descartáveis. Assim, cria-se um cenário onde o óbito se torna uma ferramenta de controle social: o que parece acontecer desde o auge da pandemia de covid-19. É como se uma vida valesse mais do que outra. E sabe a de quem vale menos nessa lógica? A das populações mais vulneráveis. E sabe quem são essas pessoas? A maioria é formada por usuários do SUS, que é público, gratuito e, em tese, universal.

No contexto do DF, o conceito de necropolítica parece se aplicar não só quando se negligencia a oferta e garantia de atendimento, mas, também, no modo como tratam das mortes: óbitos evitáveis, computados como ocorrências normais, no frio cálculo dos gestores públicos. A banalização dessas mortes, além de eticamente inaceitável, aponta para necessidade urgente de uma mudança de paradigma nos gabinetes de decisão do Buriti. O governo do DF precisa adotar uma abordagem mais humanizada, focada na prevenção, na infraestrutura adequada e no respeito à vida humana: e isso inclui seus servidores. As vidas das pessoas devem ser a prioridade absoluta. E qualquer coisa menos que isso é inaceitável. Ou se governa para a população ou se governa para os negócios.

Dr. Gutemberg Fialho

*Kubitschek Plaza inaugura a nova suíte presidencial*

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Um dos mais importantes hotéis cinco estrelas da capital da República, o Kubitschek Plaza é repleto de obras de arte e detentor de um acervo de fotos exclusivas de JK. E, nesta segunda-feira (10), inaugurou sua nova suíte presidencial. Com 117m² e projeto da arquiteta Cybele Barbosa, o espaço combina os estilos clássico e moderno, com mobiliários novos e nobres ao lado de peças do acervo da família do fundador de Brasília.

Segundo o diretor da Plaza Brasília Hotéis, André Octávio Kubitschek, a nova suíte leva em conta o amor pela capital. “O projeto traz aconchego a um espaço grande, com três varandas, todas com vista magnífica de Brasília, em especial da Esplanada dos Ministérios”, acrescentou. “Além disso, escolhemos a dedo os artistas que a decoraram, como Galeno, Darlan Rosa e Celso Júnior, autor de todas as fotografias”, comentou.

O espaço tem hall, cozinha, escritório, salas de jantar, de leitura e de estar com TV de 70 polegadas. A suíte presidencial possui ainda acabamento em mármore Michelangelo, uma sofisticada banheira de imersão de desenho minimalista e contemporâneo, quartzito Vivid Green e acabamentos em aço Corten.

O enxoval também compõe a sofisticação que uma suíte presidencial pede e leva a assinatura da prestigiada Trousseau, com amenities de marcas como Jo Malone, Bath & Co. e Granado. “A gente quer que os clientes se sintam nas nuvens”, comenta André Octávio Kubitschek.

JK, claro, é a grande inspiração do local. No espaço de leitura, duas poltronas que fizeram parte do acervo do presidente são o destaque, bem como a escrivaninha utilizada frequentemente pelo ex-presidente, cuja foto emoldura esta área dedicada ao trabalho.

Para André Octávio Kubitschek, os membros da rede hoteleira estão empolgados em colocar a suíte presidencial no mercado de Brasília. “Estamos investindo na hotelaria porque acreditamos em Brasília e no setor de turismo. Nossa cidade está crescendo e foi recentemente destacada no jornal The New York Times como o principal destino para estrangeiros visitarem no Brasil. Então, proporcionar hospedagem diferenciada é o nosso papel, pois acreditamos no setor de hoteleiro”, comentou.

“Nós projetamos o melhor para nossos hospedes. Fizemos questão de que ele tivesse a sensação de pertencimento do universo JK”, esclarece Andrea Carvalho, gerente de manutenção e design da rede. “Com estes detalhes, estamos prontos para receber chefes de estado, autoridades, presidentes de entidades e personalidades”, concluiu Saulo Borges, gerente comercial da Plaza Brasília.

Fotos: Vanessa Castro

Mondepars desfila sua debut collection

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Mondepars 10/6/2024 Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite

A marca de Sasha Meneghel estreia sua primeira coleção em São Paulo

Nesta segunda-feira (10) a Mondepars, marca recém-criada por Sasha Meneghel, apresentou ao mercado sua primeira coleção, Debut Collection, na flagship Mula Preta em São Paulo.

A origem do nome da marca é um neologismo que une as palavras monde (mundo em francês) e pars (parte em latim), ou seja, parte do mundo, criando a ideia que fazemos parte de um grande ecossistema e temos consciência do nosso impacto no universo.

Com estilo contemporâneo, a coleção é composta por peças versáteis e atemporais. Ela retrata um guarda-roupa minimalista, composto somente de escolhas essenciais que podem ser usadas de diversas maneiras ou até mesmo compartilhadas. Por isso, algumas peças possuem práticos ajustes, como a calça que permite a adaptação da altura da cintura (alta/baixa). As roupas são intercambiáveis e destacam-se pela sua atemporalidade, qualidade dos materiais e acabamentos. Cada detalhe foi meticulosamente considerado, evidenciando a atenção cuidadosa e o compromisso com a excelência.

Mondepars
10/6/2024
Foto: Zé Takahashi

Do streetwear vieram os bonés e o moletom, todos com a logo da marca em destaque. Do denim, calças com dois cortes e lavagens. A clássica e eterna alfaiataria, está fortemente presente na coleção, com blazers de corte reto, ombreiras e acabamento primoroso: o primeiro botão do punho, por exemplo, tem a logo da marca gravada.

Outro elemento da coleção é a figura do trapézio, sutilmente presente nos bolsos das jaquetas, na estampa das camisetas, ou até na modelagem de um vestido curto. O reinterpretado trench coat de gabardine de algodãoexemplifica perfeitamente a mistura do estilo clássico e moderno característico da Mondepars: os elementos tradicionais da peça como as dragonas, fechamento transpassado e cinto se unem a modernidade do corte cropped e da capa, que pode ser usada de diversas formas.

Pensando em um guarda-roupa contemporâneo e versátil, cerca de 70% da coleção é agênero. Isso se reflete nas modelagens amplas, cós mais baixo e, em algumas calças, ajustes que permitem vestir até 2 números acima da etiqueta.

Seguindo a linha minimalista e atemporal da coleção, a paleta de cores é majoritariamente composta por chumbo, verde, pontos de azul e, guiada por uma visão estética única, um tom particular de marrom, criado pela própria marca, para enfatizar sua individualidade.

A Mondepars é uma marca que busca mitigar o impacto de sua operação ao apoiar o consumo consciente. Por isso, a atenção na qualidade das peças, aumentando a durabilidade das mesmas e permitindo que elas sejam passadas de uma geração para outra. O cuidado com escolhas conscientes estão presentes nos pequenos detalhes: a etiqueta decorativa das calças jeans, por exemplo, é produzida com as sobras de couro do fornecedor.

Ficha técnica – desfile Mondepars: 

Direção criativa: Sasha Meneghel

Marketing: Felipe Guiter

Direção de desfile e casting: Bill Macintyre

Styling: Pedro Sales

Produção executiva: Estúdio MM

Beleza: Rodrigo Costa

Trilha de desfile: Carlos bezerra e João Lucas

Filme de passarela: Sarça Films

Filme social media: Conrado Rodrigues

Fotos de backstage: Tom Barreto

Fotos de passarela: Zé Takahashi

Fotos sociais: André Ligeiro

Calçados: Arezzo