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quinta-feira, abril 23, 2026
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Projeto capacita novos produtores culturais nas periferias do DF

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Tomada – Escola de Produção visa fomentar o mercado criativo periférico, com foco em jovens estudantes da rede pública

Entre os meses de março e novembro, o projeto Tomada – Escola de Produção irá capacitar novos produtores e comunicadores culturais periféricos do Distrito Federal, através de três ciclos formativos. Cada ciclo contempla cinco oficinas gratuitas nas áreas de produção e gestão de eventos, audiovisual e comunicação, além de um sarau com artistas locais. As ações começaram no dia 18, no Riacho Fundo II, atendendo estudantes do Centro Educacional Agrourbano Ipê. Depois, seguem para o Instituto Começar de Novo (CUFA-DF), aberto à comunidade.

Criado em 2018, o projeto Tomada atende prioritariamente as RAs do Riacho Fundo II, Riacho Fundo e Recanto das Emas, com foco na formação de estudantes de escolas públicas e de institutos federais. Em 2024, realiza edição especial em formato de escola de produção, buscando impulsionar a descentralização do mercado criativo no DF e mobilizar a cena cultural das regiões atendidas. Espera-se capacitar cerca de 240 pessoas.

A comunidade escolar do CED Agrourbano Ipê foi contemplada com quatro oficinas, que acontecem entre os dias 18 e 27 de março: Produção de Conteúdo Digital com Celular, Audiovisual, Comunicação e Ferramentas de Gestão de Processos de Produção. Todas serão facilitadas por experientes profissionais atuantes no mercado criativo. No dia 09 de abril, a escola também sediará o Sarau Tomada Cultural, com a participação dos grupos Mamulengo Fuzuê, Batuqueiras, poetas da cidade e palco aberto para os estudantes.

A última oficina no Riacho Fundo II ocupará o Instituto Começar de Novo, vinculado à Central Únicas das Favelas (Cufa-DF). No instituto, será realizada a ⁠Oficina de Produção de Eventos (Etapas de Produção), nos dias 27 e 28 de março, das 19h às 21h. A ação será aberta à comunidade local, com foco na juventude. As inscrições estão abertas através de formulário disponível no site www.tomadaproduz.art.br.

O projeto Tomada – Escola de Produção é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF). Em abril e maio, o segundo ciclo formativo irá contemplar o Centro Cultural e Social Grito de Liberdade e o IFB do Riacho Fundo. Em outubro e novembro , as ações do projeto finalizam em escolas e espaços culturais do Recanto das Emas.

Da teoria à prática

O projeto Tomada – Escola de Produção é uma realização da Tomada Conexões Artísticas, produtora fundada pela agente cultural Lela do Cerrado. Crescida na região do Riacho Fundo II, Lela trabalha há mais de 12 anos no mercado criativo local e nacional, tendo iniciado sua carreira a partir de oficinas gratuitas no Ponto de Cultura Invenção Brasileira, em Taguatinga. Com toda experiência acumulada, busca agora capacitar jovens do seu território que sonham em trabalhar profissionalmente no mercado cultural.

Para gerar mais oportunidades, o projeto prevê criar um cadastro de participantes interessados em praticar o ensino aprendido na prática, em projetos futuros da produtora. “A oportunidade de ser trabalhador da cultura vem de encontro com a experiência, pois não se formam gestores culturais sem colocar a mão na massa. Por isso, buscamos fomentar o interesse dos jovens em se capacitar como entes e agentes culturais de suas cidades, abrindo caminhos para que eles possam praticar e empreender propondo seus próprios projetos”, afirma Lela.

PROGRAMAÇÃO – RIACHO FUNDO II
Centro Educacional Agrourbano Ipê (exclusiva para a comunidade escolar)

  • 18 e 20/03: Tá na Mão – Produção de Conteúdo Digital com Celular, com Edson Barreto

  • 25/03: Audiovisual – Roteiro, Captação e Edição, com Thiago Soares

  • 26/03: Comunicante – Oficina de Comunicação, com Davi Mello

  • 27/03: Ferramentas de Gestão de Processos de Produção, com Jandira Queiroz

  • 09/04: Sarau Tomada, com Mamulengo Fuzuê, Batuqueiras, poetas locais e palco aberto

Instituto Começar de Novo | CUFA-DF

  • 27 e 28/03 – 19h às 21h: Oficina Produção de Eventos, com Lela do Cerrado

SERVIÇO

Tomada – Escola de Produção – Riacho Fundo II

Quando: oficina aberta nos dias 27 e 28/03, das 19h às 21h:

Onde: Instituto Começar de Novo (Cufa-DF)

Inscrições no site: www.tomadaproduz.art.br
Redes: https://instagram.com/tomadaproduz

Informações: 61 9.9664.8970

Mediato Conecta celebra parceria com Neoenergia Brasília e Instituto Neoenergia

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Iniciativa fortalece a educação patrimonial, democratização do acesso aos espaços culturais e conecta estudantes à arte

Em continuidade ao trabalho da formação de público e educação patrimonial, a Mediato Conectarecebe apoio da Neoenergia Brasília e do Instituto Neoenergia para articular o acesso de estudantes da educação básica à cultura. Por meio de uma plataforma digital, a iniciativa inovadora atua para solucionar uma importante necessidade de aproveitar todo potencial da arte e da cultura do Distrito Federal, levando jovens e estudantes a viverem experiências educativas em seus espaços por meio de atividades culturais. A plataforma Mediato Conecta é gratuita e facilita este acesso, divulgando as atividades artísticas dos espaços e ainda oferecendo serviços que vão otimizar as visitas, como agendamento e experiências educativas.

O projeto “Conecta DF” prevê o atendimento de pelo menos 4.300 alunos em diferentes equipamentos culturais, resultando na formação e sensibilização de novos públicos em idade escolar, ampliando o repertório estético e contribuindo com a educação patrimonial de estudantes e professores. A iniciativa também garante transporte gratuito para as escolas públicas; além de familiarizar estudantes de todas as idades com a produção cultural brasileira, sustentabilidade, equidade de gênero e arte produzida por mulheres, bem como com a produção de artistas locais.

Outro objetivo é democratizar o acesso a estes espaços e ampliá-lo de modo diversificado, para que os agendamentos sejam feitos por escolas rurais, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, grupos de idosos, associações, entre outros. A Mediato Conecta proporciona também material pedagógico para potencializar a aprendizagem combinando a visita com as aulas. Isso inclui ações de acessibilidade que possibilitem a compreensão das obras por pessoas com deficiência, como garantir a experiência de pessoas surdas por meio de tradução em libras.

A plataforma atende gratuitamente educadores, estudantes e produtores culturais que tiverem interesse em disponibilizar seus eventos por meio do site. “Queremos colaborar para a formação de uma sociedade capaz de inventar novos mundos.  Fazemos isso por meio de experiências sensíveis e criativas, capazes de transformar cotidianos, inspirar novas formas de ver e viver no mundo. Realizamos isso diminuindo as distâncias entre a arte e as pessoas”, explica Luênia Guedes, diretora criativa da Mediato.

Como funciona

A Mediato Conecta é a ponte que une o público aos locais de experiências culturais. Ao acessar a plataforma, os interessados encontrarão uma vasta programação de diversos espaços culturais do Distrito Federal. É possível localizar atividades disponíveis a partir de categorias, como: exposições, teatro, dança, entre outros. Instituições de ensino e equipamentos culturais podem se cadastrar na plataforma neste link e manifestar seus interesses em oferecer programação cultural ou buscar atividades para complementar o ensino educacional.

Aproximar a arte de pessoas

A Mediato é o resultado do encontro de duas arte-educadoras que um dia também foram alcançadas pela potência da arte na escola. Esse sonho se expandiu e tornou-se o propósito dessa iniciativa:  promover encontros com a arte e oportunizar o acesso aos equipamentos culturais. Especialistas em mediação cultural, Arlene von Sohsten e Luênia Guedes, são formadas e pós-graduadas pela Universidade de Brasília, com pesquisa em recepção artística e educação patrimonial, respectivamente.

Incentivo

O edital Transformando Energia em Cultura é uma iniciativa de fomento à arte e à cultura, realizado pelo Instituto Neoenergia e Neoenergia Brasília. Seu objetivo é apoiar projetos para a inclusão social de crianças, jovens e mulheres em vulnerabilidade social, assegurando geração de trabalho e renda, bem como a valorização das culturas e tradições locais, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC).

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

A atuação da plataforma está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), são eles:

– ODS 4 – Educação de Qualidade: Inclusão de estudantes, de grupos vulneráveis e pessoas com deficiências ao cenário cultural do Distrito Federal, por meio da facilitação do encontro e do diálogo desse público com eventos de arte.

– ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico: promove o crescimento econômico sustentável e responsável, gerando emprego digno, distribuição de renda e promovendo a cultura e os produtos locais.

– ODS 10 – Redução de desigualdades: Inclusão de pessoas vulneráveis e moradores do entorno de Brasília em experiências culturais. Esta integração é estimulada com a promoção do acesso igualitário à cultura, (transporte gratuito e ação educativa para escolas de regiões periféricas), a valorização da cultura local e a promoção da diversidade.

– ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis: Promove a valorização da cidade de Brasília e dos equipamentos culturais.  Além de projetar o desenvolvimento de uma compreensão integrada de Patrimônio Cultural e da fruição da arte, amplia-se o repertório estético dos estudantes, seu senso de pertencimento e o fortalecimento do cuidado público.

– ODS 17 – Parcerias e meios de implementação: Incentiva e promove parcerias eficazes nos âmbitos públicos, público-privados, privados e da sociedade civil, a partir da experiência das estratégias de mobilização de recursos dessas parcerias.

Sobre a Mediato

Mediato é uma iniciativa que atua na área de mediação artística e cultural, colaborando para a formação de novos públicos para a arte, para a difusão da produção artística e valorização dos bens culturais. Atua no mercado cultural desde 2010 desenvolvendo programas educativos para Artes Visuais, Artes Cênicas e Educação Patrimonial, somando o alcance de mais de 50 mil estudantes do Distrito Federal. Além disso, desde 2014 desenvolve um trabalho inovador de mediação para o teatro, intitulado “Diálogo com Espectadores”.

Sobre o Instituto Neoenergia

Braço de atuação social da Neoenergia, o Instituto promove iniciativas com o objetivo de estimular a transformação das pessoas e do planeta, por meio de ações e projetos distribuídos em cinco pilares: Formação e Pesquisa, Biodiversidade e Mudanças Climáticas, Arte e Cultura, Ação Social e Colaboração Institucional. A partir de parcerias com a sociedade civil, organizações do terceiro setor e poder público, o Instituto Neoenergia encara o desafio de buscar soluções às questões ambientais, sociais e econômicas do Brasil, contribuindo para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aliados às práticas ESG da empresa e à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mediato Conecta

conecta.mediato.art.br

E-mail: conecta@mediato.art.br

Informações: (61) 99885-9528

Instagram: @mediato.art

Síndrome da Boazinha: quando a necessidade de agradar o outro se torna um problema

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Você se considera boazinha demais? Está sempre em busca da aprovação do outro? Acha que as pessoas podem estar se aproveitando de você, em função do seu  jeitinho? Tem dificuldade de dizer não, mesmo que não tenha tempo ou interesse em atender determinadas solicitações? Se você respondeu sim para estas perguntas, certamente sofre com a “Síndrome da Boazinha”. Este é um padrão de comportamento compulsivo e não um transtorno psiquiátrico, como explica Filipe Colombini, psicólogo e CEO da Equipe AT.

Aqueles que sofrem deste mal, mais frequentemente visto em mulheres, têm um padrão de ações onde existe uma incapacidade de desagradar o outro. “A pessoa tem uma necessidade intensa de aprovação e não rejeição, colocando toda sua subjetividade em prol da validação, do elogio e da atenção do outro. Ela passa a negligenciar seus sentimentos, pensamentos e valores, colocando sempre o outro em primeiro lugar”, diz Filipe.

Em geral, quem desenvolve este padrão tem baixa autoestima e dificuldades de  autoconhecimento. “E há também a questão da dependência emocional, ou seja, a pessoa tem um ambiente pouco enriquecido, com rede de apoio que deixa a desejar, poucas atividades e habilidades”, destaca Colombini.

Portanto, com certa frequência estes indivíduos com a “síndrome” se colocam em relações abusivas, em prol ou com medo de perder o outro, sua atenção e afeto, construindo relações de forte aspecto utilitarista. “Por vezes, a pessoa acaba sendo vítima de usurpadores e estelionatários, justamente por sua facilidade em se inserir em relações de abuso, em função da falta de autoconhecimento e todos os déficits de repertório, é como se ela tivesse que se agarrar a qualquer migalha de atenção ou afeto”, diz o psicólogo.

Atenção: ser prestativa não significa ter “Síndrome da Boazinha”

Filipe destaca que o fato de “fazer pelo outro” não significa, necessariamente, que a pessoa tenha um problema. “Quando a pessoa faz coisas que estão conectadas com seus valores e é solícita com aqueles que gosta e valoriza, em situações onde não anula as próprias vontades, está tudo bem”, diz o especialista. “Fazer pelo outro com equilíbrio, sem que haja sofrimento emocional envolvido, é algo saudável e que nos nutre como seres humanos, afinal, somos seres sociais”, conclui.

Em tempo: o psicólogo ressalta que nossa subjetividade é formada a partir da relação com os outros, o que tem início logo na primeira infância, quando criamos conexões com nossos pais e cuidadores.

É nessa fase também que costuma surgir a origem do problema, a necessidade ou compulsão por agradar. “No passado este foi, possivelmente, um mecanismo de defesa, em ambientes nos quais o indivíduo pode ter vivenciado tendência ao isolamento e pouco espaço para validação dos sentimentos”, diz o psicólogo.

Que prejuízos a “Síndrome da Boazinha” pode acarretar?

Segundo o especialista, quem tem esse padrão de querer agradar a todo custo pode desenvolver sintomas ansiosos, transtornos afetivos e tem maior tendência ao isolamento e sentimentos de desesperança, até mesmo com maior risco de suicídio e lesões auto infligidas. É por isso que o tratamento é importante.

Buscando ajuda

Filipe explica que o tratamento desse padrão de comportamento pode ser psiquiátrico, envolvendo o uso de medicamentos, nos casos em que existe, de fato, a presença de um distúrbio mental. Ele cita, por exemplo, o transtorno borderline, onde a pessoa se coloca em prol do outro, tendo dificuldade em estabelecer limites nas relações e sendo fortemente impactada por opiniões e julgamentos alheios.

Por outro lado, em alguns casos o tratamento deve ser psicoterápico, mas, em geral, a combinação entre psicólogo e psiquiatra é sempre favorável. A modalidade de atendimento psicológico conhecida como AT (Acompanhamento Terapêutico) é muito eficaz nestes quadros, já que o psicólogo que é acompanhante terapêutico desenvolve um trabalho extra consultório, onde terá a oportunidade de enriquecer o ambiente da pessoa. “E isso passa pelo desenvolvimento de habilidades sociais, educação emocional, de entender o autoconhecimento de forma verbal e experiencial, tudo o que o psicólogo AT faz”, diz Filipe. “O AT, além de promover estratégias fortemente orientadas para as habilidades sociais, consegue auxiliar no manejo de crises, como tentativas de suicidio, além de atuar na promoção de um plano de segurança, para que a pessoa tenha comportamentos seguros e evite recorrer a comportamentos impulsivos, ou auto agressivos”, conclui.

Mais sobre Filipe Colombini: psicólogo, fundador e CEO da Equipe AT, empresa com foco em Acompanhamento Terapêutico (AT) e atendimento fora do consultório, que atua em São Paulo (SP) desde 2012. Especialista em orientação parental e atendimento de crianças, jovens e adultos. Especialista em Clínica Analítico-Comportamental. Mestre em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Professor do Curso de Acompanhamento Terapêutico do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas – Instituto de Psiquiatria Hospital das Clínicas (GREA-IPq-HCFMUSP). Professor e Coordenador acadêmico do Aprimoramento em AT da Equipe AT. Formação em Psicoterapia Baseada em Evidências, Acompanhamento Terapêutico, Terapia Infantil, Desenvolvimento Atípico e Abuso de Substâncias.

 

Navio de busca e resgate de Médicos Sem Fronteiras é detido na Itália após ameaças da guarda costeira da Líbia

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MSF denuncia que a imposição de sanções ao seu navio e o conluio da Itália com a Líbia é uma forma de impedir que as pessoas busquem segurança e proteção na Europa.

O Geo Barents, navio de busca e resgate operado pela organização médica internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), recebeu uma ordem de detenção de 20 dias das autoridades italianas por, supostamente, não ter cumprido as instruções emitidas pela Guarda Costeira da Líbia e ter colocado em risco a vida de sobreviventes durante uma operação de resgate no Mediterrâneo Central, em 16 de março. MSF nega de forma veemente essas alegações.

MSF denuncia a imposição de sanções ao seu navio e o conluio sistemático da Itália com a Guarda Costeira da Líbia para impedir a todo custo que as pessoas busquem segurança e proteção na Europa.

“As ações da Itália são ultrajantes”, frisa Juan Matias Gil, representante do projeto de busca e resgate de MSF. “As mesmas autoridades que nos acusam de desobedecer – a Guarda Costeira da Líbia, apoiada pela Itália – foram as que colocaram em risco a vida das pessoas naquele dia. No entanto, somos nós os punidos simplesmente por cumprir nosso dever legal de salvar vidas no mar.”

Em 16 de março, uma equipe de MSF foi ao resgate de 146 pessoas que estavam em perigo, a bordo de um barco de madeira em águas internacionais. No meio do resgate, um navio de patrulha da Guarda Costeira da Líbia – doado à Líbia pelo governo italiano em 2023 – chegou ao local e tentou impedir o resgate. Integrantes da Guarda Costeira da Líbia tentaram embarcar à força em um dos barcos de resgate de MSF e ameaçaram agressivamente os sobreviventes e a equipe de MSF com prisão e remoção forçada para a Líbia.

Por mais de duas horas, o navio-patrulha líbio realizou manobras perigosas na tentativa de bloquear o resgate em andamento, colocando em risco a vida de dezenas de pessoas, incluindo a equipe de MSF.

“Essa detenção é o exemplo mais recente da hipocrisia da União Europeia (UE) e de seus Estados-membros, que estão fazendo tudo o que podem para punir os envolvidos em atividades de busca e resgate, ao mesmo tempo em que são cúmplices das violentas expulsões de milhares de pessoas para a Líbia todos os anos”, diz Gil. “Repetidamente, as autoridades italianas nos pedem para coordenar os resgates com a Guarda Costeira da Líbia, apesar de saberem muito bem que a Líbia não é um lugar seguro para refugiados e migrantes e que devolver à Líbia pessoas em perigo no mar é um crime.”

A detenção do Geo Barents marca a vigésima vez que um navio humanitário de busca e resgate é detido, desde a aplicação de uma nova lei italiana no início de 2023, que visa intencionalmente obstruir as atividades de busca e resgate de organizações não governamentais (ONGs) no mar.

“Nos últimos anos, as ONGs têm sido perseguidas e criminalizadas pelos governos europeus, inclusive pela Itália”, explica Gil. “Esse comportamento é uma tática política suja para impedir a todo custo que as pessoas cheguem à costa europeia. O Geo Barents sempre opera de acordo com as leis marítimas internacionais. Já recorremos no tribunal contra essa detenção injusta e, em última análise, perigosa. Mais uma vez, são as pessoas que tentam fugir da Líbia que pagam o preço final, pois mais um navio de busca e resgate é impedido de salvar vidas no mar.”

Além de violar as leis internacionais e europeias, a Lei italiana 15/2023, também conhecida como Decreto Piantedosi, piorou a já insuficiente capacidade de busca e resgate no mar, tornando o Mediterrâneo Central – uma das rotas de migração mais perigosas do mundo – ainda mais mortal.

MSF pede que as autoridades italianas parem imediatamente de obstruir a assistência de ONGs que salvam vidas no mar e pede que a UE e seus Estados-membros suspendam todo o apoio material e financeiro à Guarda Costeira da Líbia e às autoridades com um histórico de violações dos direitos humanos.

Sobre o resgate realizado por MSF em 16 de março

Em 16 de março de 2024, as equipes de MSF realizaram três operações de resgate diferentes no Mar Mediterrâneo Central. À tarde, após um primeiro resgate de 28 pessoas que estavam em um barco de fibra de vidro, a equipe de MSF começou a resgatar 146 pessoas que estava em perigo em um barco de madeira. Durante a operação de resgate, a Guarda Costeira da Líbia interferiu perigosamente e atrasou a conclusão do resgate. Mais tarde, naquela noite, as equipes de MSF resgataram 75 pessoas de outro barco de fibra de vidro que havia virado, lançando cerca de 45 pessoas na água. Todos os 249 sobreviventes, incluindo um grande número de crianças, desembarcaram em 20 de março em Marina Di Carrara, no norte da Itália.

MSF tem atuado em atividades de busca e resgate desde 2015, trabalhando em oito embarcações de resgate diferentes (sozinha ou em parceria com outras ONGs) e resgatando mais de 91 mil pessoas. Desde o lançamento das operações de busca e resgate a bordo do Geo Barents, em maio de 2021, as equipes de MSF resgataram mais de 11.300 pessoas, recuperaram os corpos de 13 pessoas e ajudaram no parto de um bebê.

 

Delegado preso assumiu chefia da Polícia Civil na véspera do crime

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Rivaldo é suspeito de receber propina para obstruir investigações

O delegado Rivaldo Barbosa, um dos presos neste domingo (24) pela Polícia Federal (PF), foi nomeado chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro no dia 8 de março de 2018, e tomou posse cinco dias depois, na véspera do assassinato da vereadora  Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O decreto de nomeação foi assinado pelo comandante da intervenção federal na segurança pública no estado do Rio de Janeiro, general Walter Braga Netto. O nome de Barbosa tinha sido anunciado para ocupar o cargo em 22 de fevereiro, durante a intervenção federal no Rio.

Rivaldo Barbosa foi preso em casa, em um condomínio no bairro de Jacarepaguá, Rio de Janeiro.

A área de inteligência da Polícia Civil, na época da nomeação de Barbosa para comandar a instituição, havia contraindicado o nome dele. Mas, segundo informações dos investigadores da operação da PF, o general Braga Netto manteve posicionamento garantindo que ele assumisse a chefia da Polícia Civil fluminense.

Nomeado interventor na área de segurança do Rio pelo então presidente Michel Temer, Braga Netto, general da reserva, se transformou em político. Dois anos depois de sua passagem como interventor no Rio, foi nomeado ministro chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro de 2020 a 2021. Depois, de 2021 a 2022, comandou foi ministro da Defesa. Filiou-se ao PL e concorreu  à Vice-Presidência na chapa liderada pelo então presidente em 2022.

Braga Netto é investigado por suposto envolvimento no planejamento de golpe de Estado para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Dissimulação

Em discurso ao tomar posse, Rivaldo Barbosa destacou a necessidade de “combater a corrupção”, dizendo que esta seria  uma de suas prioridades no cargo, no qual permaneceu de março a dezembro de 2018.

Informações sobre as investigações no Rio de Janeiro e em Brasília indicam que Rivaldo Barbosa teria feito uma combinação com o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Domingos Brazão, para garantir a não identificação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco.

Barbosa também é suspeito de receber propina para obstruir as investigações sobre o crime. Segundo a PF, o delegado teria recebido aproximadamente R$ 400 mil para evitar que as apurações sobre a autoria do crime avançassem. Tal informação consta em relatório de 2019. Barbosa nega ter desenvolvido ações para obstruir as investigações e recebido o dinheiro.

Em delação, o ex-policial militar Ronnie Lessa disse à PF que Barbosa tinha conhecimento do crime e garantiu impunidade aos envolvidos.

Despistar

Ações do ex-chefe da Polícia Civil do Rio teriam plantado informações falsas durante a investigação do assassinato. Uma delas levou ao titular da Delegacia de Homicídios, Giniton Lages, então encarregado do caso, a falsa informação de que delegados da PF haviam encontrado uma suposta testemunha da execução.

Em 2018, foi ele que determinou que o policial militar Rodrigo Ferreira, conhecido como Ferreirinha, fosse interrogado. Ferreirinha fora apresentado como testemunha de conversa entre Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, e o vereador Marcelo Siciliano, na qual estes teriam falado sobre o planejamento da morte de Marielle. Ambos foram apontados como mandantes do crime. Cerca de nove meses depois, tal informação foi dada como falsa pela própria PF.

Além dessa pista falsa, Barbosa fez reunião com parlamentares da bancada do PSOL, partido da vereadora, na qual garantira o esclarecimento do crime. Para a imprensa, nessa época, o delegado afirmou que a Polícia estava no caminho correto das investigações, que levariam à elucidação do caso.

Barbosa é bacharel em Direito, curso concluído em 1998. Em suas redes sociais ele se apresenta como professor de direito em uma instituição de ensino superior privada.

O presidente da Embratur, que fez carreira política no Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, escreveu em sua rede social que Rivaldo Barbosa foi a primeira pessoa para quem ele ligou quando soube do assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes.

Freixo lembra que foi recebido, junto com as famílias das vítimas, pelo então chefe da Policia Civil do Rio no dia seguinte ao crime. “Agora Rivaldo está preso por ter atuado para proteger os mandantes do crime, impedindo que as investigações avançassem. Isso diz muito sobre o Rio de Janeiro”, afirmou.

Em entrevista à imprensa, em 15 de março de 2018 – um dia após o assassinato, Barbosa havia garantido que a polícia adotaria todas as medidas “possíveis e impossíveis” para dar uma resposta sobre o crime. “Estamos diante de um caso extremamente grave e que atenta contra a dignidade da pessoa humana e contra a democracia”, dissera.

Edição: Nádia Franco

Por Eduardo Reina – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

 

Lessa diz em depoimento que Brazão infiltrou miliciano no PSOL

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Miliciano teria se filiado ao partido em 2016

O ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou em depoimento de delação premiada que Domingos Brazão colocou um homem infiltrado no PSOL para levantar informações sobre a vereadora Marielle Franco.

Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Brazão foi preso na manhã de hoje e é apontado pela PF como um dos mandantes do assassinato em parceria com o irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão, que também foi preso.

No depoimento, Lessa afirmou que ouviu Brazão dizer que colocou Laerte Silva de Lima, acusado de pertencer a uma milícia que atua no Rio, para espionar políticos. Laerte se filiou ao partido em 2016, 20 dias após as eleições.

A afirmação está no relatório final da investigação da Polícia Federal, que concluiu que os irmãos Brazão foram os mandantes do assassinato de Marielle.

“Ronnie Lessa ouviu de Domingos Brazão que o infiltrado Laerte teria levantado que Marielle pediu para a população não aderir a novos loteamentos situados em áreas de milícia”, diz o relatório.

Monitoramento

O relatório da PF também cita que Ronnie Lessa, delator e executor confesso de Marielle, também monitorou políticos do PSOL.

Lessa usou um site de consultas cadastrais disponível na internet para procurar informações sobre a filha do ex-vereador e atual presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e sobre o deputado Chico Alencar.

“Trata-se, portanto, de relevante evidência que vai ao encontro das declarações do colaborador, conferindo verossimilhança à afirmação de que havia um interesse antigo em membros do PSOL, ao mencionar que realizara levantamentos acerca desta temática a pedido de Macalé [miliciano], por interesse dos Brazão”, escreveram os investigadores.

Edição: Lílian Beraldo

Por André Richter – Repórter da Agência Brasil – Brasília