Nasceu assim e, ao longo do tempo, mantém-se como uma cidade acolhedora.
Foi nesse solo fértil que, recém-formada e apenas com um diploma em mãos, encontrei uma amiga, Sandra Soares Costa. Juntas, sonhamos e fundamos o que viria a se tornar o Grupo Sabin.
Meus primeiros ensinamentos de empreendedorismo começaram na Fazenda Sapato Arcado, no município de Anápolis (GO), onde morei até os dez anos, observando meu pai, Antônio, negociar gado e lavoura no alpendre de casa. Foi com ele que aprendi que precisamos honrar todos os nossos compromissos. Ele me dizia que:
“a sua palavra vale mais do que a sua assinatura”.
Papai tinha seu jeito próprio de fazer gestão, sem ferramentas complexas, planilhas ou uma multidão de conselheiros. Ele era ético, honesto, humilde e cheio de determinação.
Já com minha mãe, Geralda, aprendi a ser zelosa e a me dedicar com excelência em tudo o que eu fizesse. Ela sempre foi muito dedicada à nossa família e ao nosso bem estar, e ao cuidado com ela mesma. O DNA de cuidar das pessoas eu herdei dela!
Ali, na fazenda, aprendi com meus pais as virtudes da vida simples e rica do campo. Cresci em meio aos animais soltos – gatos, cachorros, vacas, porcos, galinhas, cavalos – e às experiências cotidianas que moldaram meu olhar sobre o mundo. Ajudava meus pais em tudo o que podia e, com eles, aprendi lições fundamentais sobre trabalho, caráter e fé, que até hoje são os pilares que me sustentam. A Bíblia, especialmente o livro de Provérbios, tem sido guia constante – como no versículo que diz:
“O orgulho só gera discussões, mas a sabedoria está com aqueles que tomam conselhos”.
Anos mais tarde, mudamos para Anápolis para que eu pudesse continuar os estudos. Fui aprovada no vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde concluí os cursos de Farmácia e Bioquímica.
Depois de formada, decidi vir para Brasília. O ano era 1980 e a cidade, com apenas 19 anos, apresentava muitas oportunidades. Mas, o início não foi muito fácil. Consegui apenas um estágio não remunerado, sem passagem para o transporte e sem vale-refeição.
Um ano mais tarde, em 1981, consegui meu primeiro emprego formal em um laboratório de análises clínicas. Lá conheci uma colega de profissão que se tornou minha grande amiga, Sandra Soares Costa. Além da amizade, conquistei uma sócia, que compartilhou comigo o sonho de empreendedorismo e, em 1984, fundamos o Sabin. A empresa nasceu em uma sala de 90 m² na Asa Norte, ao lado do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), com apenas três colaboradores.

Durante sete anos, atuei como servidora pública e liderei o segundo maior laboratório do Distrito Federal, o do Hospital Regional de Taguatinga. Esse período me deu uma base sólida em gestão e foi um tempo valioso de aprendizado. E, ao mesmo tempo, exercia a função de mãe.
Eu não tinha família e parentes ao lado para ajudar a criar os filhos. Eram 15 minutos para passar em casa, almoçar em pé e ajudá-los a fazer o dever. Preocupava-me que meus filhos sentissem minha falta. Por isso, mais tarde, cheguei a buscar um psicólogo. Ele disse que eu seria um bom exemplo para eles, e que, um dia, meus filhos sentiriam orgulho da mãe. E foi verdade.
Como o Sabin estava começando e precisava da nossa dedicação, aos poucos, fui me desligando dos outros trabalhos e transferindo atividades para os finais de semana e para as noites. Até que tomei uma decisão difícil: pedi exoneração dos cargos públicos. Foi um período desafiador, porém essencial para consolidar nosso sonho. Com dedicação, inovação e qualidade superamos todas as adversidades de abrir um negócio nos anos 80.
Venho de uma geração de mulheres empreendedoras que me encorajaram a contribuir para o desenvolvimento do país e das pessoas. Desde o início da empresa, sempre buscamos as melhores referências nacionais e internacionais. Começamos a participar de congressos de patologia e análises clínicas para saber quais as novidades em lançamentos, metodologias e inovações. Buscamos especializações em Administração e Gestão de Processos e de Pessoas e começamos a capacitar e a desenvolver nossos colaboradores.
Além disso, trouxemos valores familiares para o nosso negócio. No Sabin, falamos de Deus no ambiente de trabalho com a maior naturalidade, não no sentido da religião, mas para valorizar princípios, como a gratidão, a humildade, a responsabilidade e a justiça. Devemos que trabalhar valores familiares na empresa, sem perder o foco em nosso propósito: inspirar pessoas a cuidar de pessoas.
Nossa história familiar influenciou profundamente a forma como construímos a cultura do Sabin. No início, encontrar equilíbrio entre trabalho, maternidade e gestão foi exaustivo, mas necessário. Não à toa, entender as necessidades dos colaboradores tornou-se um dos pilares da nossa gestão.
Vejo os colaboradores do Sabin como uma família, pessoas que precisam ser valorizadas e cuidadas. Cuidamos não apenas da saúde, mas das pessoas que fazem a empresa acontecer.
Acreditamos que um ambiente de trabalho saudável, inclusivo e respeitoso gera não só bem-estar, mas também resultados. Com essa visão, valorizamos a diversidade e contratamos com base nas competências. No Sabin, promovemos o respeito às diferenças e incentivamos a superação de preconceitos e crenças limitantes.
Hoje, 77% dos nossos colaboradores são mulheres, e 74% delas ocupam cargos de liderança. Isso reflete diretamente na forma como nos relacionamos com clientes, parceiros e com a sociedade.
Nossos valores familiares também sempre nos despertaram a buscar melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os projetos sociais que Sandra e eu realizávamos, desde o início da empresa, de forma empírica, foram ganhando corpo.
Com o objetivo de promover cuidado e bem-estar à população, fundamos, em 2005, o Instituto Sabin, como braço social, para construir parcerias e implementar ações e projetos de impacto socioambiental nas comunidades onde estamos presentes. Faz parte da nossa essência cuidar das comunidades onde atuamos e manter um olhar atento para programas e ações sustentáveis.
Isso tem conexão direta com o propósito do Grupo que é inspirar pessoas a cuidar de pessoas. São 20 anos consecutivos de investimento social privado do Grupo Sabin e um investimento, nesse período, superior a R$ 50 milhões em programas e projetos de promoção ao ecossistema de impacto e responsabilidade social.
Expansão, inovação e legado
Com o apoio da Fundação Dom Cabral, em 2010 iniciamos um planejamento estratégico que visava a expansão estruturada e a multiplicação da nossa cultura organizacional. Desenhamos a visão do grupo para 2020 e, mais tarde, até 2030.
Três anos depois, ao completar 30 anos à frente do Sabin – hoje Grupo Sabin –, tomei uma das decisões mais importantes e difíceis da minha vida. Me voltei para Deus e para os ensinamentos da minha família para buscar sabedoria. Inspirada pelos acertos e erros de meu pai ao conduzir a transição da fazenda, percebi que era o momento de me afastar da gestão diária e pensar no futuro da empresa.
Desse processo surgiu a decisão de que era o momento de Sandra e eu assumirmos ações estratégicas do Sabin e nos dedicarmos à preservação da nossa cultura de valorização das pessoas mesmo diante um crescimento inorgânico acelerado (por meio de aquisições), bem como assumindo compromissos para o fortalecimento do empreendedorismo e empoderamento feminino.
Como buscamos investir nos nossos colaboradores para que continuem trabalhando e crescendo conosco, em 2014, Lídia Abdalla — que começou no Sabin como trainee em 1999 — assumiu a presidência executiva da empresa.
No mesmo ano, Sandra e eu decidimos integrar o Conselho de Administração do Grupo Sabin. A cultura que chamamos de ‘Jeito Sabin’ está hoje presente em 358 unidades, distribuídas por 78 cidades de 14 estados, além do Distrito Federal. É gratificante quando a empresa se torna maior do que nós.
Com o propósito de cuidar das pessoas de forma integral, diversificamos os serviços do grupo, incluindo atenção primária à saúde, genômica e saúde digital. Em 2021, lançamos a Rita Saúde, uma plataforma integrada que conecta serviços de análises clínicas, diagnóstico por imagem, vacinas, medicamentos e outros atendimentos, por meio de nossa rede e de parceiros.
Ao decidir deixar a gestão do Sabin, ampliei minha atuação em grupos e conselhos voltados à promoção da diversidade, da inclusão e do fortalecimento do empreendedorismo feminino em todo o Brasil. Na Capital Federal, não é diferente. Como vice-presidente da ABRH-DF e integrante do Grupo Mulheres do Brasil, do Conselho dos Hospitais da Rede Sarah e do Conselho do Hospital da Criança (ICIPE/HCB), sigo comprometida com essas causas.
Apesar da agenda cheia, não abro mão da convivência com minha família. Valorizo momentos de qualidade com meus três filhos, meu genro, minhas noras, meus seis netos e meu marido e amor da maturidade, Flávio Marcílio.
Nos 40 anos dessa jornada empreendedora, são muitas as histórias que eu poderia compartilhar. Mas, mais do que contar feitos, quero ser instrumento para inspirar outras mulheres a tirarem seus sonhos da gaveta. Espero deixar um legado que vá além da empresa – um legado de valores, coragem, propósito e impacto positivo.
Acredito que devemos influenciar o mundo com nossas atitudes, palavras e, sobretudo, com nossos exemplos. Sempre com fé, ética e compromisso com o bem comum.
Entre sonhos costurados e pontes erguidas
“Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas, porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno.” — Rubem Alves
Essa frase traduz o que sinto ao revisitar minha história. Minhas escolhas, das mais simples às mais ousadas, foram moldadas pelos valores que aprendi no lar. Meu próprio nascimento já foi uma resultado de perseverança e resiliência — virtudes que mais tarde se tornariam essenciais na minha jornada empreendedora.
Fui um bebê esperado por sete anos. Minha mãe, Cecília Joaquina Soares, era RH negativo; meu pai, Silvestre Soares, positivo. A incompatibilidade sanguínea trouxe perdas dolorosas de gestações, mas nunca diminuiu o desejo de me receber. E assim, no dia 25 de dezembro, em Inhapim, Minas Gerais, cheguei como um presente de Natal.
Sou a filha mais velha de três irmãos, criada em um lar onde as vozes femininas sempre tiveram força e presença. Fui guiada pelo exemplo de uma mulher admirável: minha mãe, filha mais velha de onze irmãos, sempre foi a voz firme que inspirava, organizava e impulsionava todos ao redor. Dona Cecília transformou seu talento na moda em profissão e se reinventou como empreendedora, provando que disciplina, coragem e conhecimento são sementes que florescem em qualquer solo.
Dela herdei o amor pelo trabalho bem feito e a convicção de que a independência se constrói. Ela costurava sonhos — não apenas vestidos impecáveis, mas valores de responsabilidade, perfeição e propósito que moldaram minha essência.
Desde cedo, eu era seu apoio. Com nove anos, pegava um ônibus para Caratinga, a 30 km de distância, para comprar aviamentos e tecidos. Escolhia linhas, botões e cortes com o cuidado que ela me ensinara e controlava o dinheiro com precisão. Essa confiança moldou minha autonomia.
Meu pai, Silvestre Soares — o “Vete”, como todos o chamavam — administrava uma pequena fazenda e também possuía uma Kombi com a qual prestava serviços a terceiros. Era um homem de riso fácil e coração generoso. Gostava de boa mesa, fazia questão de escolher pessoalmente os produtos da cozinha da família e tinha um carinho especial pelos momentos de convívio.
De meus pais, herdei características distintas que se completam. De minha mãe, a disciplina, o foco no trabalho e a fé inabalável. Do meu pai, a alegria de viver, o gosto por estar cercada de amigos e a leveza para celebrar a vida. Na visão da minha família, sou a melhor mistura dos dois — e é dessa combinação que nasceram a força e a ternura que levo para tudo o que faço.
Moramos em Inhapim até eu completar 17 anos. Minha mãe confeccionava todos os vestidos para festas e casamentos da cidade. Quando decidiu mudar-se para Belo Horizonte para que continuássemos os estudos, não teve medo:
“Se faço aqui, posso fazer lá”, disse.
Em BH, ampliou o negócio e a clientela, confirmando que coragem e competência são passaportes para qualquer destino.
Em 1972, prestei vestibular para a Universidade Federal de Minas Gerais. Estava bem preparada e obtive excelente desempenho. Minha pontuação me permitiria cursar Medicina, mas escolhi seguir o caminho da Bioquímica. Desde o início, me apaixonei pela área.
Na UFMG, as disciplinas básicas reuniam estudantes de diversos cursos. Éramos divididos em turmas por ordem alfabética e a minha começava na letra “O”. Foi assim que conheci Odilon, aluno de Odontologia. De colega de classe, ele se tornou namorado, e nos casamos em julho de 1977. Um ano depois, em agosto de 1978, nasceu nosso primeiro filho, Marcelo.
Formei-me em Farmácia-Bioquímica e, em 1979, mudei-me para Brasília com Odilon e Marcelo. Na capital, construí minha trajetória profissional, tive meus outros dois filhos, Guilherme e Gabriel, e, mais tarde, vi minha vida ser iluminada pelos meus netos.
Foi em Brasília que conheci Janete Vaz. Trabalhamos lado a lado em um laboratório particular e, desde o início, percebemos que não compartilhávamos apenas valores, mas também sonhos e uma visão de futuro. Ambas acreditávamos que uma empresa poderia prosperar colocando as pessoas no centro da estratégia, cultivando relações de confiança e buscando excelência em cada detalhe. Dessa sintonia nasceu o Sabin — um projeto tecido de propósito e amizade.
Enquanto o Sabin era formado, o cenário político e econômico do país também se transformava — nem sempre de forma favorável. O Brasil fervilhava pelas Diretas Já e a inflação chegava aos 228% ao ano. Eram tempos de incerteza, mas também de coragem para quem ousava empreender.
Quando lembro dos primeiros dias do Sabin, lembro de uma sala pequena na Asa Norte, de nós duas com coragem no olhar e quase nada no bolso — um sonho empurrado mais por vontade do que por estrutura. Brasília era um traçado de possibilidades, e ali, entre exames e esperanças, decidimos que o Sabin seria mais do que precisão técnica: seria alma.
À medida que o Sabin crescia, crescia também em mim o compromisso com a excelência.
Decidi então investir em minha formação: fiz mestrado em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília (UnB) e MBAs em Gestão de Negócios, pela UFRJ, e em Gestão Empresarial, pela Fundação Dom Cabral — sempre unindo conhecimento e prática para oferecer o melhor.
No Sabin, cada exame sempre foi mais do que um resultado impresso em papel. Por trás de cada atendimento há um nome, uma história, uma família que espera, um coração que bate mais rápido. Sempre acreditei que cuidar da saúde é também cuidar da esperança, o que não se mede em números. É por isso que, ao longo dos anos, buscamos criar um lugar onde a ciência caminhasse de mãos dadas com o afeto, onde a precisão dos resultados viesse acompanhada da certeza de que alguém se importa de verdade. Essa aposta no humano é o que nos fez crescer, sem nunca perder o olhar atento para quem mais importa: as pessoas.
Os primeiros seis anos foram desafiadores. Eu e Janete dividíamos as tarefas e a mesa de trabalho. Administrávamos com base na intuição e na percepção. Fazíamos exames, acompanhávamos clientes, cultivávamos relações com convênios e médicos e, ao final do dia, lavávamos e preparávamos o material para o dia seguinte. Tudo com entusiasmo e uma vontade enorme de crescer. Era o que me impulsionava e me recompensava. Era a concretização de um sonho.
O início também exigiu coragem e renúncia. Eu dividia meu tempo entre a nova empresa, o trabalho na Secretaria de Saúde do Distrito Federal e meus filhos pequenos. Perdi reuniões escolares, aniversários e encontros de família, mas sempre com a certeza de que estava construindo algo que, um dia, também seria motivo de orgulho para eles.
Enfrentamos preconceito por sermos duas mulheres jovens liderando um negócio de saúde. Muitos duvidavam que iríamos conseguir. Mas transformamos cada obstáculo em combustível.
Desde os primeiros dias, a inovação foi minha bússola. Participei de congressos nacionais e internacionais, busquei metodologias inéditas, introduzi tecnologias pioneiras e incentivei minha equipe a quebrar paradigmas. Cada viagem, cada palestra, cada contato com novas ideias era uma oportunidade de trazer algo que colocasse o Sabin na vanguarda do setor.
O clima que construímos também era incomum: no lugar da sobriedade dominante nos serviços de análises clínicas, havia calor humano. Atendentes sorridentes e atenciosos tratam os clientes pelo nome. Assim como hoje, nosso diferencial não estava apenas nos equipamentos, mas na experiência.
Nos anos 80, estruturamos a empresa com foco em qualidade e excelência. Na década seguinte, consolidamos nosso nome em Brasília. Em 2010, já líderes na capital e no Centro-Oeste, ousamos dar um passo maior: enquanto muitos recuavam diante da crise, nós escolhemos expandir.
O ousado plano de crescimento nacional, iniciado em 2012, se apoiou em três grandes pilares: fortalecer nossa governança para garantir transparência e longevidade; expandir geograficamente de norte a sul do país, unindo culturas e talentos sob uma mesma missão; e diversificar os negócios para ir além da medicina diagnóstica, ampliando nosso alcance e impacto.
Com a governança consolidada, chegou também um dos passos mais simbólicos da nossa trajetória: sair da operação diária para permitir que a empresa respirasse novos ares e ganhasse o ritmo próprio de uma nova liderança. Foi como ver um filho crescer, sabendo que era hora de confiar no que foi ensinado e deixá-lo seguir com segurança o próprio caminho. No Conselho de Administração, assumi a missão de ser guardiã do legado e da cultura que nos trouxeram até aqui, enquanto a nova gestão imprimia seu tempo, suas cores e seu jeito de liderar.
Vieram então os grandes voos: chegamos a mais de 78 cidades, integramos mais de 30 empresas à nossa história, criamos plataformas de atenção primária, apostamos em startups e healthtechs e ampliamos nossa presença no ecossistema de inovação — sempre mantendo o cuidado humano no centro.
Com o passar dos anos, percebemos que o Sabin não era apenas uma empresa de saúde. Era também um ponto de encontro entre ciência e humanidade. Nosso crescimento trouxe conquistas, mas também aumentou a responsabilidade de retribuir à sociedade tudo o que ela nos permitiu construir.
Foi dessa compreensão que nasceu um novo capítulo da nossa história. Em 2005, um gesto simples se transformou em algo maior: a certeza de que fazer o bem poderia ser mais do que uma escolha, poderia ser uma forma de vida. Assim nasceu o Instituto Sabin, pequeno em estrutura, mas imenso em propósito, edificado sobre as fundações que Janete e eu já vínhamos fortalecendo desde o início. Era a formalização de algo que sempre nos moveu: a responsabilidade social como essência, e não como acessório.
Lembro como se fosse hoje: éramos sementes plantadas no solo fértil de Brasília. Aos poucos, regamos esse projeto com cuidado, atenção e afeto. Entregamos não apenas recursos, mas olhares atentos, escutas verdadeiras e gestos que diziam
“nós nos importamos”.
Com o tempo, aquele broto ganhou raízes profundas e galhos largos, estendendo-se por 14 estados e alcançando milhões de pessoas com saúde, esperança e dignidade.
O Instituto Sabin é, antes de tudo, uma história de transformação — que começou pequena, mas cresceu no que tem de mais essencial: o impacto humano. Ele floresceu porque acreditamos que cuidar é agir, e que cada doação, cada ação e cada semente plantada são elos de uma corrente de solidariedade que não se rompe. Hoje, continuo sentindo orgulho de tudo o que construímos: um abraço coletivo que se expande e dá origem a novos abraços, multiplicando vida e esperança, vida afora.
Essa mesma força que nos moveu ao longo dos anos foi a que nos guiou no momento em que o mundo mais precisou de união e coragem. Quando em 2020, a pandemia chegou como uma tempestade inesperada, escura e intensa, exigindo firmeza no leme e coragem no coração, já sabíamos qual era o nosso norte: cuidar das pessoas. Escolhemos estar na linha de frente, guiados pelo compromisso de servir. Atuamos com a serenidade de quem entende que responsabilidade também é um ato de amor e com a ousadia de quem não teme inovar mesmo em mares turbulentos.
Continuamos investindo em transformação digital, em novos negócios e em formas mais humanas e inteligentes de entregar saúde. Mas, antes de tudo, olhamos para dentro: para a família, para os colaboradores, para cada pessoa que formava o nosso círculo mais próximo. Sabíamos que, para cuidar do mundo, precisávamos cuidar primeiro de quem estava ao nosso lado.
Aquele período se revelaria uma das maiores provas de fogo que já enfrentamos — e também uma das maiores lições. Aprendemos que ninguém atravessa tempestades sozinho e que o coletivo é a força que sustenta. A resposta do nosso time foi comovente: mais de dois mil colaboradores se ofereceram como voluntários para apoiar a vacinação no Distrito Federal, somando mais de 23 mil horas dedicadas. Montamos tendas, organizamos drive-thrus e aplicamos 58 mil doses de vacinas contra a Covid-19.
Em momentos assim, percebemos que o sentido de chegar longe é também levar outros conosco. Foi essa vivência — ver tantas mãos se unindo pelo bem comum — que reforçou ainda mais em mim a convicção de que sucesso não é linha de chegada, mas estrada compartilhada. Meu compromisso nunca se limitou às minhas próprias conquistas: sempre acreditei que quem chega até aqui tem o dever de manter o caminho aberto para que outras também possam chegar. E esse é um compromisso que assumi de forma ativa, tanto no Sabin quanto em toda a minha trajetória: inspirar mulheres, impulsionar carreiras, promover um ambiente empresarial mais ético, humano e inclusivo.
O meu legado vai além do empresarial. Está enraizado em uma atuação firme pela inclusão e pela diversidade, sustentada por políticas e práticas que garantem que a transformação social aconteça todos os dias — não como promessa distante, mas como realidade viva.
Essa missão também se estende para além das fronteiras do Sabin. Tenho orgulho de contribuir em conselhos e instituições que impulsionam o desenvolvimento empresarial e social, como o Conselho da Mulher do Distrito Federal, o Conselho Permanente de Políticas Públicas e Gestão Governamental do DF, o Conselho Fiscal do CODESE – Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal, o Conselho Diretor da Universidade de Brasília (UnB) e o Conselho de Governança da Amcham. São espaços onde a escuta e a ação se encontram para construir futuros mais justos e sustentáveis. É nesse diálogo constante entre o fazer interno e o influenciar o mundo ao redor que encontro sentido no meu caminho.
Hoje, ao contemplar o Sabin — maduro, responsável, inovador e reconhecido nacionalmente — sinto a confirmação de que acertamos ao construir nosso caminho sobre os valores tão fortes. Nosso maior compromisso é com um legado que não se mede apenas em números ou resultados financeiros, mas na transformação que promovemos: um legado de impacto positivo, de gente cuidando de gente, de inovação a serviço do bem e de amor que se perpetua.
Assim como Brasília cresceu, se reinventou e aprendeu a abraçar pessoas vindas de todos os cantos do país, também aprendemos a transformar diversidade em força e futuro em oportunidade. Esta cidade foi o berço dos meus maiores desafios e conquistas, cenário onde vi sonhos ganharem corpo e propósito. E, se Brasília é uma capital erguida para unir um país inteiro, o Sabin é a obra que erguemos para unir ciência e cuidado, técnica e afeto — um legado que, assim como esta cidade, continuará a pulsar muito além do meu tempo.



