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quarta-feira, maio 22, 2024

De ensino híbrido a reconhecimento facial. Para onde vai a educação?

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Crescimento da educação profissional e uso de inteligência de dados são algumas mudanças já em andamento

A pauta Educação é tida como prioritária pelo atual Governo Federal brasileiro e, para avançar em aspectos importantes como a qualificação profissional efetiva, as novas políticas devem obrigatoriamente passar pelo protagonismo da tecnologia. A avaliação é do professor Francisco Borges, mestre em Política Pública de Ensino e consultor da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT). 
Ele define seis tendências que devem se destacar nos próximos meses para impactar positivamente todo o setor.  

1 – Educação Híbrida
Borges defende um modelo com partes presenciais e partes EAD, o que, segundo ele, é essencial para a melhor formação. “Enquanto alguns grupos educacionais defendem a predominância do modelo à distância, online, outros, já estabelecidos no mercado, desejam manter a tradição presencial. Há interesses de ambos os lados, e o que de fato deveria pautar o debate é quais são as carreiras que devem ter mais presencialidade; quais podem ser por natureza mais remotas e digitais; quais recursos tecnológicos substituem os tradicionais; fortalecendo a evolução tecnológica do setor, e assim por diante”, afirma.  

2 – Educação Profissional abrangente
A educação profissional ainda pouco valorizada é um anseio da sociedade, que pede por mudanças. Borges lembra que 96% dos alunos vinculados a escolas públicas federais, estaduais (na sua maioria) e até municipais se posicionaram indicando que desejam estudar educação profissional.

3 – Verticalização
O consultor da FAT acredita que a ampliação do acesso ao Ensino Superior passa pela Verticalização da Educação. “Alunos que estudam temas e conteúdo na educação profissional de nível médio poderão aproveitar estes conteúdos e temas no ensino superior, em uma estratégia de alinhamento de projetos pedagógicos por área e motivadora para o acesso à etapa mais agregadora para o mercado”, afirma.  

4 – Inteligência de dados como ferramenta de gestão  
Para ele, o setor da educação também precisa entendê-la como um serviço e considerar a demanda dos jovens que estudam. “Além de entender as necessidades do mercado é preciso aplicá-las na proposta pedagógica de acordo, também, com os desejos, percepções e aptidões dos indivíduos. Esse é um dos caminhos para trazer viabilidade de emprego para os cidadãos. E a gestão através de dados, de pesquisas, e observada em dashboards que monitoram tais dados, acelera o entendimento das tendências e apresentam as correções de processos necessárias. Inteligência pelos dados e menos empirismo”, defende Borges.Neste contexto, grandes empresas apostam, hoje, justamente no alinhamento entre tecnologias como a inteligência artificial e a educação para estimular a requalificação profissional. Recentemente a edtech Beedoo lançou uma solução focada em mudar a forma de treinamento, comunicação e engajamento de equipes de Frontline. Chamado de “Bee.AI”, o sistema de Inteligência Artificial criado utiliza mais de 15 informações diferentes dos usuários para recomendar conteúdos de forma fluída e personalizada dentro da plataforma.
O CEO da Beedoo, Daniel Lima, explica que a empresa criou um algoritmo capaz de recomendar conteúdos personalizados para cada indivíduo, levando em consideração diversos parâmetros e fazendo com que a trilha de conhecimento criada seja mais precisa e adequada ao momento de cada usuário. O algoritmo considera, por exemplo, os indicadores de desempenho que estão ruins do usuário, os temas mais buscados na base de conhecimento, os assuntos do momento mais importantes, as dúvidas mais recorrentes, os resultados dos testes nos cursos, e até mesmo o humor do usuário.

5 – Parcerias e Integração
Francisco Borges vê com positividade o trabalho conjunto de instituições de ensino de níveis médio e superior, tanto privadas quanto públicas, se associando em contratos, editais e parcerias, para atender clusters de alunos em suas necessidades e demandas de acordo com as regiões. “Alinhado com o pacto educacional das redes Federal, Estaduais e Municipais, incluo as Instituições Privadas nesta Associação para Eficiência e Aumento da Qualidade”, aponta.

6 – Reconhecimento facial
No último mês de janeiro, a cidade de Santarém, no Pará, foi a primeira no estado a receber a instalação de um sistema de reconhecimento facial para alunos em escolas públicas. Já o Governo de Goiás destinou, nos últimos quatro anos, cerca de R$  9,5 milhões para a implementação de um sistema desta natureza em 143 instituições de ensino da rede estadual. O sistema é utilizado para controle da frequência dos alunos e deve se tornar uma tendência ainda mais forte como medida de segurança, em virtude de recentes casos de invasões e violência em escolas. Em ambientes universitários, esse mecanismo também já possui aplicação. 
Fernando Guimarães, CEO da Stone Age, empresa especializada na criação e implantação de soluções de apoio à tomada de decisão baseadas em inteligência analítica avançada, faz uma ressalva sobre este segundo caso. “Não se trata de uma tecnologia tão nova, mas seu uso em instituições de ensino ainda é pouco comum. Por isso, é preciso lembrar que é uma importante camada de autenticação, mas não deve ser a única no quesito segurança. Corriqueiramente lidamos com muitas empresas em diversos setores que utilizam essa tecnologia e dependo da aplicação podem haver maneiras simples de burlar, dependendo do sistema, como a utilização de fotos de terceiros”, explica.

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