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Intercâmbio em tempo de Covid-19

Intercâmbio em tempo de Covid-19

No Brasil, o número de pessoas que procuram fazer intercâmbio cresceu vertiginosamente na última década. Cada vez mais, brasileiros de todas as idades, estão buscando oportunidades e novos desafios no exterior, tanto de estudo, de trabalho, como para cultura.

Em 2011 o Governo Federal lançou um programa que quebrou o paradigma de só quem tem dinheiro pode viajar. Fomentou o intercâmbio de diversas maneiras para que as várias classes sociais, econômicas e etárias pudessem conhecer outros países ou continentes, de acordo com suas expectativas. Assim, os sonhos receberam adubo para germinar.

O programa Ciência sem Fronteiras, por exemplo, criado em julho de 2011 para incentivar a formação acadêmica no exterior, ofereceu bolsas de iniciação científica e incentivou projetos científicos em universidades de excelência em outros países, contemplando mais de 101 mil pessoas, sendo 64.000 na graduação, 19.500 em doutorados, 6.440 em pós-doutorado, além de quatro mil para pesquisadores visitantes especiais no Brasil e atração de jovens talentos.

Outras ações governamentais e não governamentais contribuíram para o fortalecimento deste mercado, como o salão de intercâmbio para estudantes, pacotes pelas companhias aéreas mais acessíveis, crescimento das empresas especializadas no país, informações mais acessíveis pelas mídias digitais, enfim, muitos fatores contribuíam para o brasileiro fazer as malas e partir.

Pesquisa realizada em 2019 entre 522 agências de intercâmbio no país aponta que o número de estudantes que embarcaram para fazer intercâmbio cresceu 20,46% comparado ao ano anterior. Foram mais de 365 mil brasileiros. Para ter noção, a movimentação financeira do mercado de educação internacional em 2018 bateu a cifra de 1,2 bilhões de dólares, ocasião em que a respectiva moeda teve o maior valor nominal da história, até então, no patamar de R$ 4,027. Mesmo assim, a procura por intercâmbio continuava em curva ascendente até fevereiro de 2020.

O interesse dos jovens tem sido cada vez maior, especialmente para os programas de férias. Em julho de 2019, durante a temporada do verão no hemisfério norte, mais de 500 deixaram o país, para curtir, fazer novas amizades e aprender outro idioma, nos principais destinos como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Irlanda, França e Malta.

Outro segmento que as agências têm apostado é a tendência de cursos de até 16 semanas para o público maior de 40 anos. Esta modalidade proporciona aos estudantes/intercambistas dividirem a sala de aula com colegas que, podem estar mesma faixa etária ou com intergeracionalidade, também com os mesmos interesses. Para este público, são oferecidas atividades personalizadas, especialmente culturais, fora das salas de aula como jantares, degustações de vinho, visitas aos pontos culturais, além de city tours, sob medida de acordo com o investimento disposto.

Porém, com a pandemia, este mercado teve uma interrupção brusca, momentânea. Devido ao contingenciamento feito na maioria dos países, muitas escolas foram fechadas e voos cancelados. Porém a vida continua e devemos aproveitar este momento para rever os planos, consolidá-los e planejar ainda melhor. Assim, num futuro breve, aproveitar ainda melhor o tempo no exterior.
Ionara Santos, diretora executiva da Arena Dublin Trainning e Arena Intercâmbio Limited, ressalta que “ter uma experiência internacional não se limita mais aos que tem uma faixa de renda alta. Com planejamento é possível qualquer pessoa fazer um intercâmbio. Além disso, não se trata apenas do desejo de crescer como ser humano. Muitas empresas olham de forma diferenciada para quem teve uma vivência fora do seu país e quem quer continuar a desbravar outras culturas, idiomas e conhecer outros valores. É a valorização da experiência dentro e fora dos conglomerados”.

Só na Irlanda em 2019 tinha cerca de 13.000 brasileiros, com a expectativa de superar o número de 15.000 em 2020. Muitos brasileiros retornaram para o país de imediato, pois as fronteiras foram fechadas e muitos vôos cancelados. Em Portugal foram mais de 10.000 pessoas que voltaram para o Brasil. Na ocasião as empresas aéreas apoiaram os imigrantes com alterações para antecipação das datas de retorno. Algumas tentaram cobrar taxas extras, porém quanto contestadas, tiveram que voltar atrás. As embaixadas brasileiras deram total apoio ao processo.

Nara Santos, afirma que todos foram pegos de surpresa com este problema que afeta todo mundo. As escolas foram fechadas, com previsão de abrir em setembro. Algumas oferecem aulas de inglês on line para manter as atividades de seus alunos, porém não é a mesma coisa, pois um dos diferenciais do intercâmbio estudantil é a interação direta com outras pessoas. Além disso, não são motivadoras nem para os alunos, nem para os professores. Assim, a maioria preferiu retornar aos seus países e voltaram para esta experiência em próxima oportunidade.

Nara informa ainda que as imigrações estão fechadas, suspenderam os agendamentos on line. Assim, àqueles que vão para estudar até 90 dias podem ficar no país com o visto de turista. Porém, os que pretendem ficar por mais tempo ou trabalhar no país, simultaneamente, precisam do visto de estudante, Stamp 2, o GNIB – Irish Residente Permanent – que é o cartão de registro com todas as informações sobre sua situação no pais. Assim, quem ainda não tinha este documento em mãos, só conseguirá quando o departamento de imigração voltar a funcionar. Quem já tem o respectivo documento e precisa de renovação do visto teve a concessão da extensão do prazo.

Quanto ao mercado de trabalho para os brasileiros, na Irlanda, Nara afirma que os profissionais liberais estão seguros. Porém, como muitos estabelecimentos estão fechados, muitas pessoas estão desempregadas. Para compensar a crise, o Governo Irlandês está pagando 350.00 euros para todos, trabalhadores e desempregados. Os bancos estão renegociando as dívidas, dando carência.
Os profissionais que atuam em empresas na área de tecnologia, em desenvolvimento de aplicativos, em bancos virtuais continuam suas atividades normalmente, por tele trabalho, bem como, os afins a live room, como os entregadores.

Na Irlanda as pessoas estão bem conscientes e respeitando as regras de prevenção ao COVID-19. Os restaurantes take on way, supermercados e farmácias estão funcionando. Porém só pode entrar uma pessoa por família de cada vez e internamente respeitar o distanciamento mínimo de 1,5m por pessoa. Além disso, só podem circular até 2 km de suas residências e pela manhã estes ambientes destinam o atendimento aos idosos.

O executivo Gabriele Di Luzio, Italiano que reside na Irlanda, recebe inúmeros brasileiros, dá algumas dicas, para você que está em casa, neste período de isolamento social, para que logo que a pandemia for controlada possa alçar seu vôo.
Di Luzio afirma que as remarcações de hospedagem e instituição de ensino são sem custo. Quem já pagou e teve que cancelar, terá o crédito, no futuro, de acordo com agendamento e disponibilidade das partes. Visto que muitas pessoas que estavam na Europa voltaram para seus países de origem, apesar da previsão de desemprego, também surgirão muitas oportunidades das vagas que ficaram em aberto. Além disso, as ofertas de vagas para acomodação ampliaram. Há muita oferta e baixa demanda, consequentemente os preços caíram.

O Governo da Irlanda e de algumas regiões da Europa estão avaliando a exigência de visto para ingresso no país, para aumentar a segurança em saúde. Em paralelo a Irlanda para incentivar os migrantes alterará as regras para se tirar o GNIB. Atualmente é exigido comprovação no ato, de 3.000.00 Euros, o que não será mais necessário.

A Irlanda é um dos destinos preferencial dos brasileiros que querem fazer intercâmbio. Eles optam pela capital Dublin ou por cidades como Galway, Cork, Limerick, Waterford e Bray. O investimento para fazer intercâmbio varia de acordo com a escola, período e com o perfil de exigências do aluno. Por exemplo, as hospedagens podem ser em residência de nativos, em residências estudantis ou privativas. Os valores praticados pelas escolas estão congelados e variam entre 1.700 a 2.360 euros.

Nara Santos, acompanha de perto o mercado financeiro e orienta quem pretende fazer intercâmbio adquirir a moeda local, pois há previsão de desvalorização do real. Ela que também é executiva de uma empresa de formação profissional, partner de uma das maiores empresas do segmento no mundo, teve que suspender seus treinamentos de cleaner. Apesar da Itália anunciar que vai abrir após maio, as agências ainda não sabem o que fazer, pois algumas regiões do mundo precisão fazer lock down. Assim, considera que o mais sensato é aguardar.

Por hora, ela indica as empresas e pessoas que pretendem fazer intercâmbio, para aproveitar esta ocasião, como ela, para planejar, fazer uma reestruturação com novas práticas de segurança com protecionismo social e controle, além do aprimoramento das ferramentas de comunicação e comércio virtual. Ela avalia que o mercado só voltará ao normal no segundo semestre de 2021.
Assim, usem este tempo para saber exatamente o que espera do intercâmbio, avaliar qual o investimento financeiro que está disposto, pesquisar qual o melhor destino, procurar uma agência de confiança e comprometida com os resultados dos clientes, pois o mundo te espera de braços abertos.

 

Máira Coelho Silva, jornalista, publicitária, MBA em gestão de comunicação corporativa, especialista em comunicação interna, sustentabilidade, gestão de crise e brand. Mestranda em comunicação digital.

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