Em conversa com Raone Lima, Flávio Soares e Henri Pinheiro, ex-secretário de Segurança Pública do DF apresenta resultados de sua gestão e defende levar ao Congresso experiências implementadas em Brasília
Criado a partir da mobilização de advogados e cidadãos interessados em ampliar a participação da sociedade no debate sobre o futuro do Distrito Federal, o Movimento Justiça e Cidadania vem se consolidando como espaço de diálogo entre advocacia, poder público, setor produtivo, terceiro setor e sociedade civil.
Com forte presença da advocacia, o Movimento parte da compreensão de que o conhecimento jurídico também deve estar a serviço da cidadania, contribuindo para a construção de políticas públicas, para o fortalecimento da segurança jurídica, para o desenvolvimento econômico e para a defesa dos interesses da população.
Dentro dessa proposta de ouvir lideranças e discutir projetos para Brasília, o vice-presidente do Movimento, Raone Lima, e os diretores Flávio Soares e Henri Pinheiro entrevistaram Sandro Avelar, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e candidato a deputado federal.
Sandro esteve à frente da Secretaria de Segurança Pública do DF em dois períodos, entre 2011 e 2014 e novamente a partir de 2023, quando retornou ao comando da pasta no contexto posterior aos atos de 8 de janeiro. Sua plataforma de candidatura parte justamente dessa experiência: apresentar no Congresso propostas inspiradas em políticas e resultados de sua atuação na segurança pública do Distrito Federal.
A conversa abordou segurança pública, proteção às mulheres, tecnologia, educação, valorização dos servidores, combate à criminalidade, participação comunitária e defesa do Fundo Constitucional do Distrito Federal.

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“Segurança pública precisa chegar à vida real das pessoas”
Raone Lima – O senhor deixou a Secretaria de Segurança Pública depois de uma gestão marcada por indicadores históricos. Qual legado considera mais importante desse período?
Sandro Avelar – Segurança pública não pode ser avaliada apenas pelo discurso. Ela precisa ser medida pelo resultado que chega à população. Construímos um modelo baseado em integração das forças, inteligência, tecnologia, prevenção e decisões orientadas por dados.
Os resultados mostram que esse caminho funcionou. O Distrito Federal alcançou a menor taxa de homicídios dos últimos 48 anos. Em fevereiro de 2026, tivemos apenas cinco ocorrências, o menor número desde o início da série histórica, em 1977.
Mas nenhum secretário faz isso sozinho. Esses resultados pertencem também aos profissionais que trabalham diariamente para proteger a população.
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Tecnologia como instrumento de proteção
Flávio Soares – Uma das marcas da sua gestão foi o investimento em tecnologia. Como essa experiência pode ser ampliada a partir do Congresso Nacional?
Sandro Avelar – Tecnologia só faz sentido na segurança pública quando protege efetivamente o cidadão.
No Distrito Federal avançamos com o DF 360, integração de bases de dados, videomonitoramento, leitura inteligente de placas, reconhecimento facial e integração de câmeras particulares ao sistema de segurança. Levamos o videomonitoramento urbano para todas as regiões administrativas e iniciamos sua expansão para áreas rurais.
Como deputado federal, quero trabalhar para ampliar investimentos em inteligência artificial, integração de bancos de dados e sistemas de monitoramento. O objetivo não é simplesmente instalar câmeras. É utilizar tecnologia para localizar um veículo roubado, recuperar bens das vítimas, identificar criminosos e prevenir crimes.
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Proteção às mulheres
Henri Pinheiro – A violência contra a mulher continua sendo um dos grandes desafios da segurança pública. O que foi feito durante sua gestão e o que pode ser ampliado nacionalmente?
Sandro Avelar – Aprendemos que não podemos esperar a violência acontecer novamente para proteger uma mulher.
Criamos uma iniciativa que permite que, em situações de risco, a mulher vítima de violência doméstica possa sair do primeiro atendimento na delegacia já com um dispositivo de proteção, por meio do Viva Flor Administrativo.
É uma política que reduz o tempo de resposta e amplia a proteção da vítima. Quero trabalhar para que experiências eficientes como essa possam receber recursos federais e ser ampliadas, além de defender maior integração entre tecnologia, forças policiais e sistema de Justiça na proteção às mulheres.
O material da campanha registra ainda que o projeto recebeu reconhecimento em concurso de boas práticas de segurança pública e que nenhuma mulher atendida pelo programa foi morta até o momento indicado no documento.
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Escola também é política de segurança
Raone Lima – O senhor costuma relacionar educação e segurança pública. Como essa experiência se transforma em proposta para o mandato?
Sandro Avelar – Segurança não começa quando a viatura chega. Segurança também é prevenção e oportunidade.
Ampliamos as Escolas de Gestão Compartilhada de 10 para 25 unidades, alcançando cerca de 28 mil alunos, além de iniciativas como bandas de música, Escola de Campeões e Escola de Robótica.
Minha proposta é continuar ampliando esse modelo e buscar recursos para que as escolas de gestão compartilhada possam avançar para o ensino em tempo integral.
Não basta querer tirar uma criança da rua no período da tarde. É preciso oferecer escola, esporte, cultura, tecnologia e oportunidade.
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Valorização e proteção dos servidores
Flávio Soares – O senhor também coloca a valorização do servidor público e das forças de segurança entre as prioridades. O que pretende defender no Congresso?
Sandro Avelar – Servidor de Estado não é gasto; é investimento na continuidade dos serviços públicos.
Valorização de quem protege a população
Conheço essa realidade como delegado da Polícia Federal, como ex-presidente da associação nacional da categoria e como gestor da segurança pública.
Defendo uma valorização que vá além da remuneração: passa também pelo cuidado com a saúde dos servidores e pela garantia de proteção jurídica aos profissionais que respondem a processos judiciais ou administrativos em decorrência de atos praticados legitimamente no exercício de suas funções.
Ao longo da minha última gestão à frente da Segurança Pública do Distrito Federal, avançamos de forma concreta na valorização das forças de segurança, com reajustes remuneratórios que variaram entre 46,70% e 73% para integrantes da PCDF, PMDF e CBMDF.
Quem coloca a própria segurança em risco para proteger a sociedade precisa saber que o Estado estará ao seu lado. Um policial não pode cumprir corretamente seu dever e, depois, ser abandonado quando precisa se defender juridicamente por uma atuação funcional legítima.
Por isso, a plataforma do nosso mandato coloca entre seus pilares a valorização das carreiras de Estado e a proteção jurídica dos servidores, alcançando áreas essenciais como segurança, fiscalização, saúde, educação, controle e gestão.
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Combate ao crime e à impunidade
Henri Pinheiro – O gestor local consegue melhorar a polícia e investir em tecnologia, mas parte da legislação criminal depende do Congresso. O que precisa mudar?
Sandro Avelar – Precisamos enfrentar a sensação de impunidade com responsabilidade e legislação eficiente.
Quero discutir o cumprimento efetivo das penas, critérios relacionados às penas aplicadas, trabalho do preso, reparação do dano causado à vítima e utilização de bens provenientes do crime para fortalecer a própria segurança pública.
Também precisamos enfrentar com muito mais tecnologia crimes que afetam diretamente o cotidiano da população, como furto e receptação de celulares e cabos, além do enorme crescimento das fraudes e golpes virtuais.
O criminoso se modernizou. O Estado também precisa se modernizar.
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Pessoas desaparecidas e atuação humanizada
Raone Lima – Sua gestão também desenvolveu uma política voltada às pessoas desaparecidas. O que pode avançar nessa área?
Sandro Avelar – Poucas situações são tão angustiantes para uma família quanto não saber onde está uma pessoa querida.
Criamos a Política Distrital de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas. Agora precisamos avançar na integração do banco de dados distrital com as bases nacionais e fortalecer mecanismos de localização.
É uma experiência do Distrito Federal que pode contribuir para a construção de uma política ainda mais integrada no país.
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Segurança construída junto com a comunidade
Flávio Soares – Os Conselhos Comunitários de Segurança aproximam a população das forças de segurança. O senhor pretende levar essa experiência para o debate nacional?
Sandro Avelar – Sim. Os CONSEGs demonstram que a população não precisa ser apenas destinatária da política pública. Ela pode participar de sua construção.
É dentro da comunidade que muitos problemas aparecem primeiro. Quero trabalhar no Congresso para fortalecer essas estruturas de participação comunitária e estimular a expansão desse modelo, inclusive nas áreas rurais.
O que foi construído no Distrito Federal pode servir de referência para outras unidades da Federação.
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Fundo Constitucional: uma pauta de Brasília no Congresso
Henri Pinheiro – Por que a defesa do Fundo Constitucional do Distrito Federal será uma das prioridades do seu mandato?
Sandro Avelar – Porque o Fundo Constitucional não é privilégio. Ele sustenta serviços essenciais para quem vive na capital do país.
Eu conheço essa realidade por dentro. Como secretário, administrei uma das áreas diretamente sustentadas pelo Fundo e participei das discussões relacionadas aos recursos necessários para manter e valorizar nossas forças.
No Congresso, quero atuar junto à bancada do Distrito Federal para impedir mudanças que reduzam a capacidade financeira do Fundo e defender os recursos destinados à segurança, saúde e educação.
Minha posição será clara: Brasília precisa de representantes que conheçam tecnicamente o Fundo Constitucional e estejam preparados para defendê-lo quando essa discussão chegar ao Congresso.
A plataforma estabelece como compromisso a manutenção do critério de correção do FCDF pela Receita Corrente Líquida da União e oposição a mecanismos que reduzam ou imponham travas ao crescimento dos recursos.
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Da experiência na gestão para o Congresso
Ao longo da entrevista conduzida por Raone Lima, Flávio Soares e Henri Pinheiro, Sandro Avelar apresenta uma candidatura construída principalmente sobre sua experiência à frente da segurança pública.
A lógica de sua plataforma é resumida em uma frase utilizada pelo próprio material de campanha: Como Secretário de Segurança eu já fiz. Como Deputado Federal, vou fazer mais.
Mais do que discutir segurança pública isoladamente, a conversa evidencia sua relação direta com cidadania, educação, proteção às mulheres, tecnologia, valorização dos servidores e defesa dos interesses do Distrito Federal no Congresso.
Para o Movimento Justiça e Cidadania, promover esse diálogo significa aproximar a advocacia e a sociedade daqueles que pretendem representar Brasília, permitindo que propostas sejam debatidas a partir de experiência, resultados e capacidade de execução.
Mensagem final de Sandro Avelar
Sandro Avelar – Brasília me deu a oportunidade de servir e de ajudar a construir uma segurança pública baseada em planejamento, integração, tecnologia e valorização das pessoas. Conheço os problemas do Distrito Federal porque participei diretamente do enfrentamento de muitos deles.
Quero levar essa experiência para a Câmara dos Deputados. Quero defender nossas forças de segurança, nossos servidores, nossas famílias, nossas mulheres, nossas crianças e os recursos que pertencem ao Distrito Federal.
Na segurança pública aprendi que resultado não se constrói sozinho. É preciso unir instituições, profissionais e sociedade em torno de objetivos comuns. É essa forma de trabalhar que pretendo levar para o Congresso: diálogo, firmeza, responsabilidade e compromisso com Brasília.
Eu não quero chegar ao Congresso para descobrir o que precisa ser feito. Quero chegar preparado para fazer mais pelo Distrito Federal e pelas pessoas que vivem aqui.




