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sexta-feira, junho 19, 2026

O BRB está tecnicamente quebrado e ainda paga R$ 42,6 milhões ao Flamengo”, diz deputado Ricardo Vale

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Em entrevista, parlamentar do PT-DF cobra transparência sobre patrocínio renovado pelo banco público em meio ao rombo bilionário do caso Banco Master e defende que recursos sejam direcionados ao esporte local.

Em meio à pior crise financeira de sua história, o Banco de Brasília (BRB) segue bancando um dos patrocínios mais badalados do futebol brasileiro: o contrato com o Flamengo, renovado por R$ 42,6 milhões até março de 2027.

Para o deputado distrital Ricardo Vale (PT-DF), essa conta não fecha — e foi por isso que ele decidiu cobrar satisfações do banco público.

Ricardo Vale (PT) durante sessão ordinária realizada no Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em 26 de maio de 2026.
Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF

O parlamentar apresentou um requerimento de informações exigindo do BRB cópias integrais dos contratos de patrocínio esportivo firmados desde 2019, valores pagos, comprovação de retorno e justificativa técnica para a escolha do clube carioca.

A resposta, segundo ele, não veio.

“O BRB negou o acesso ao contrato de patrocínio com o Flamengo. Alegou sigilo empresarial e disse que abrir as informações poderia resultar em prejuízos à instituição”, relata o deputado.

A cobrança ganha peso diante do cenário enfrentado pelo banco. Desde que comprou bilhões em créditos do Banco Master — instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central após um rombo que impôs perdas de dezenas de bilhões de reais ao Fundo Garantidor de Créditos —, o BRB precisou de uma injeção emergencial de capital para continuar operando. Foi nesse contexto que o banco tentou emplacar o projeto “Nação BRB Fla”, uma tentativa de expansão nacional usando a marca do Flamengo como vitrine.

“Tentou ser um banco nacional com o projeto Nação BRB Fla. Não deu certo. O banco esconde o balanço de 2025 e seus resultados de 2026”, afirma Vale.

“Não acredito que haja retorno relevante para Brasília”

Questionado se o investimento trouxe benefícios institucionais à marca BRB, o deputado é direto.

“Indago: a marca BRB divulgada nacionalmente trouxe mais resultados e clientes para o banco? Brasília ficou mais forte?”, provoca. Na avaliação dele, a resposta está nos próprios números da crise.

“A situação do BRB hoje, tecnicamente quebrado, e a crise fiscal do DF revelam que essa medida não trouxe benefícios para a população.”

Para Vale, a lógica do patrocínio a um clube de fora da capital contraria a vocação natural do banco.

“O BRB é um banco regional, de Brasília. Precisa investir e apoiar sua região, o esporte de Brasília. Os grandes clubes têm outras fontes de receitas e patrocínios”, argumenta, defendendo que não há espaço para conciliar grandes contratos nacionais com o fortalecimento do esporte local.

Esporte como política pública, não como vontade de um governante. Por trás da cobrança pontual ao BRB, o deputado defende uma mudança mais ampla na forma como o poder público trata o patrocínio esportivo no Distrito Federal.

“A população precisa acompanhar e julgar o mérito e os resultados desses patrocínios. Não pode ser vontade exclusiva de um governante”, resume sobre o que motivou o requerimento.

Vale afirma que pretende ir além da fiscalização do contrato com o Flamengo. “Quero realizar um grande levantamento de dados sobre os patrocínios ao esporte por empresas públicas do DF. Convocar a sociedade, os atletas e as equipes para discutir a formulação de uma ampla política pública de patrocínios ao esporte no DF”, anuncia.

Na avaliação do parlamentar, o orçamento atual destinado ao esporte candango é insuficiente diante das necessidades da capital. “Esforçada, mas limitada. O orçamento é baixo. Os equipamentos precisam de reformas, ampliação e manutenção. Atletas e equipes merecem mais atenção”, diz. Entre as iniciativas próprias, ele cita o Projeto Boleiros, voltado ao apoio e financiamento de ligas de futebol amador, além de uma ideia ainda em estudo: um cartão de crédito específico para a compra de uniformes esportivos das equipes do DF.

Para o deputado, o esporte vai muito além da competição. “Esporte é a principal ferramenta de inclusão social. Retira o indivíduo da violência, do crime. Inclui na coletividade, na convivência social, na escola. Esporte é educação. Religião. Fraternidade. Esporte é tudo”, afirma.

Ao final da conversa, Vale deixou um recado direto a atletas, dirigentes e torcedores do DF: “Contem com o deputado Ricardo Vale para ajudar e apoiar todos vocês. Meu mandato, meu trabalho, meu compromisso, minha bandeira é o esporte. Contem comigo.”

Marcelo Torre

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