Por: Marcelo Torres
Com Rollemberg e Cristovam na nominata, partido quer montar uma frente que vai além da esquerda
O PSB escolheu o centro de Brasília, a Birosca do Conic, para dar o pontapé inicial na sua aposta para 2026. Foi lá, no último sábado (20), que o partido oficializou Ricardo Cappelli como pré-candidato ao Governo do Distrito Federal — e deixou claro que a intenção não é sair às eleições com uma chapa só de esquerda.
O evento reuniu militantes, dirigentes e dois nomes de peso da história política do DF: os ex-governadores Rodrigo Rollemberg e Cristovam Buarque, ambos filiados ao PSB e anunciados como pré-candidatos à Câmara dos Deputados. A presença dos dois não foi apenas simbólica — é parte da estratégia do partido de mostrar que tem estrutura e nome para disputar de verdade.
No discurso, Cappelli foi direto ao ponto. Escolheu a saúde pública como tema central e citou um número que, segundo ele, resume o problema: 33 mil pessoas na fila para cirurgia. “Vamos zerar essa fila, essa é nossa prioridade”, afirmou. Para ele, o DF acumula hoje três crises ao mesmo tempo: colapso na saúde, déficit orçamentário e abandono da mobilidade urbana.
Cappelli não é uma figura nova no cenário político nacional. Ficou conhecido em janeiro de 2023, quando o governo federal o colocou para comandar a intervenção na segurança do DF após os ataques às sedes dos Três Poderes, no dia 8. Depois, assumiu interinamente o Gabinete de Segurança Institucional e, em fevereiro de 2024, foi nomeado presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Deixou o cargo em abril deste ano para se dedicar à candidatura.
A disputa pelo Palácio do Buriti promete ser movimentada. Além de Cappelli, já anunciaram pré-candidaturas a governadora Celina Leão (PP), Leandro Grass (PT), Izalci Lucas (PL), Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (Novo) e José Roberto Arruda (PSD). Para se diferenciar no campo da oposição, Cappelli defende abertamente uma frente ampla. “Para ganhar a eleição, tem que ter uma frente que consiga dialogar com centro e centro-direita”, disse, acrescentando que já conversou com PSDB, PDT, Solidariedade e setores que, segundo ele, se opõem ao bolsonarismo e ao grupo de Ibaneis Rocha.

Sobre o vice, Cappelli disse que ainda não tem nome fechado, mas adiantou que fez convite formal a Leandro Grass, do PT — que também é pré-candidato ao governo. A candidatura ganhou reforço após receber o aval do presidente nacional do PSB, João Campos.








