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sábado, junho 20, 2026

Sente-se à mesa do crescimento, não ao banquete da fofoca

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José Adenauer Lima
Formado em economia, com pós-graduação em Estratégia pela ADESG. Especialização em filosofia clássica.Trabalha no Poder Legislativo do DF há 32 anos nas áreas de orçamento público e processo legislativo.

Há um princípio poderoso que pode transformar nossa vida: sentar-se à mesa onde se discutem ideias, metas e crescimento, e não à mesa onde a pauta são as vidas alheias. Muitas vezes, nos vemos presos em conversas superficiais, onde o assunto principal são os erros ou fraquezas dos outros. Mas o verdadeiro progresso pessoal vem quando optamos por estar em ambientes que nos impulsionam, nos desafiam e nos fazem crescer.
Como disse o filósofo grego Sócrates: “Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”. Esse exame envolve o cultivo de diálogos profundos sobre o que queremos realizar, sobre como melhorar e sobre o nosso papel no mundo. Isso nos coloca em movimento, enquanto fofocar sobre os outros apenas nos paralisa, mantendo a mente ocupada com coisas que não controlamos e que, muitas vezes, nem nos dizem respeito.

A Bíblia também nos orienta a buscar essa postura mais elevada. Em Efésios 4:29, Paulo diz: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação”. Ou seja, nossas palavras devem edificar e construir, não destruir ou difamar. Quando falamos sobre as falhas dos outros, gastamos energia que poderia ser usada para nosso próprio crescimento. A escolha de onde queremos gastar nosso tempo e com quem é essencial para nosso desenvolvimento.

Há uma relação direta entre as pessoas com quem convivemos e o nosso progresso. Jim Rohn, famoso mentor de negócios, costumava dizer: “Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo”. Se gastamos nosso tempo ao redor de pessoas que falam apenas de outras pessoas e não de metas, estaremos limitando nosso próprio potencial. Em contraste, se nos cercamos de indivíduos que discutem ideias, estratégias e visões de futuro, seremos puxados para cima, motivados a avançar e a expandir nossos horizontes.

Isso não significa que devemos ignorar os erros dos outros ou viver em uma bolha. Pelo contrário, é importante reconhecer os desafios e fraquezas humanas, inclusive as nossas. Mas devemos aprender a focar no que podemos fazer para melhorar e construir algo maior. O sociólogo Zygmunt Bauman, conhecido por sua análise da modernidade líquida, nos lembra que vivemos em uma era de instabilidade e fragmentação, e a tentação de se perder em distrações e superficialidades é enorme. Ele nos alerta sobre como facilmente podemos ser arrastados por conversas fúteis que apenas perpetuam a instabilidade interna.

Quando optamos por nos sentar à mesa de discussões sobre metas, estamos investindo em algo muito mais duradouro. O crescimento pessoal, como o próprio nome sugere, é um processo contínuo de evolução. Cada conversa significativa que temos sobre nossos planos nos aproxima mais de nossos objetivos. Discutir finanças, projetos, aprendizado ou autoconhecimento nos coloca na rota certa para realizar aquilo que almejamos. E há uma grande diferença entre falar de sonhos e planejar ações concretas para alcançá-los.

A decisão de onde e com quem gastamos nosso tempo é um dos maiores determinantes de nosso sucesso pessoal e profissional. Ao escolher discussões que alimentam nossa mente e alma, nos capacitamos a viver uma vida mais plena e significativa. Como o Salmo 1:1 ensina: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”. O conselho aqui é claro: evite os caminhos que não levam ao crescimento e busque aqueles que promovem sabedoria e virtude.

Portanto, quando surgir a próxima oportunidade de se sentar à mesa, escolha bem. Que seja uma mesa onde se discutem sonhos, projetos e realizações — não o fracasso alheio.

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