Trabalhar demais pode afetar funcionamento dos rins

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Trabalhar demais pode afetar funcionamento dos rins 

Estresse crônico é a porta para desequilíbrios hormonais que prejudicam o organismo

Doenças mentais causadas por estresse e ansiedade estão sob os holofotes da OMS (Organização Mundial de Saúde) que incluiu na Classificação Internacional de Doenças a Síndrome de Burnout, ou estresse crônico resultante do acúmulo excessivo em situações de trabalho. O Brasil, segundo pesquisa da International Stress Management Association – a Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse, na livre tradução, possui a segunda maior população de estressados, atrás somente do Japão. O cansaço excessivo físico e mental causa também prejuízos a órgãos vitais.

Exaustão, dificuldades em lidar com situações desafiadoras, sensações negativas e baixa produtividade são alguns dos sintomas da fadiga crônica. Em paralelo, há o comprometimento do funcionamento de órgãos vitais em função do descontrole hormonal causado pelo desiquilíbrio nos níveis de cortisol, secretados pelas glândulas adrenais, localizadas uma sobre cada rim. “É um ciclo vicioso, no qual fatores que bombardeiam o organismo e causam o cansaço crônico interferem no rendimento na jornada de trabalho, provocam apatia e desinteresse nas tarefas do cotidiano. E, ao mesmo tempo, afetam os tecidos do coração, pulmões, fígado e rins devido ao estresse oxidativo, danos celulares estruturais que podem prejudicar o funcionamento destes órgãos, vitais ao organismo”, afirma Maya Caetano, nefrologista do Instituto de Nefrologia (INEB) de Brasília.

Em situação de estresse, o cérebro estimula os nervos das glândulas adrenais para a secreção do cortisol, o que aumenta a pressão arterial e o nível de açúcar no sangue. “Essa reação química, que é uma resposta do cérebro para proteger o corpo em uma situação de aparente perigo, quando em excesso, numa condição de estresse crônico, provoca a excreção pelos rins de fosfato em níveis fora do padrão, o que pode acarretar em fraqueza muscular, alterações na composição óssea, até mesmo na função renal”, explica Maya.

Controle da situação

Autoconhecimento e capacidade de entender que é necessário procurar ajuda são imprescindíveis para reverter o quadro de fadiga crônica. “Quanto mais cedo for iniciado o tratamento psicológico, mais rápido o paciente conseguirá se recuperar e retomar sua rotina. Porém é importante que o mesmo esteja disposto a reavaliar seu estilo de vida e fazer determinadas mudanças quando necessário, prezando assim por sua saúde mental”, afirma Leslie Figueiredo, psicóloga do INEB.

Trabalhar sentimentos de tensão, insegurança e ansiedade são necessários para que o organismo funcione bem. E algumas medidas simples podem ser úteis neste processo de enfrentamento do estresse crônico. Reduzir o consumo de açúcar e cafeína, que estimulam as glândulas adrenais na liberação de adrenalina e cortisol, consumir água e praticar exercícios são algumas das atitudes indicadas.

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