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quinta-feira, junho 4, 2026

A importância da escola no cuidado com a saúde mental

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A importância da escola no cuidado com a saúde mental

Talita Santos*

Em primeiro lugar, quando falamos do setembro amarelo é importante ressaltar que o cuidado com a saúde mental requer atenção o ano inteiro, e não apenas no mês de setembro. De qualquer forma, essa data levanta de forma mais sistemática esse tema, promove a importância das discussões e da atenção dos governantes. A prevenção ao suicídio é uma questão de saúde pública que deve ter toda sociedade como responsável. Por isso, são necessárias ações individuais e também de políticas públicas durante todo o ano que favoreçam o acesso a direitos, ao bem-estar físico, psíquico e social.

Estamos em um momento extremamente delicado e carente de preocupação com a saúde. A pandemia nos trouxe um legado também amargo de intensificação da solidão, do medo, da ansiedade, dos processos de luto e etc. Estamos mais frágeis nos aspectos emocionais e este é um cenário que antes mesmo da Covid-19 já vinha tomando proporções preocupantes. Como profissão da escuta, do acolhimento e do cuidado, a Psicologia tem preparo e técnica para escutar e acolher a pessoa em sofrimento psíquico e deve estar mais ativa nas organizações com esse propósito.

Vemos que os índices de depressão estão crescendo cada vez mais em faixa etárias que envolvem as crianças e adolescentes. A maior cobrança por desempenho, o excesso de atividades, o distanciamento social, o envolvimento excessivo com os eletrônicos, as frustrações com a própria vida, o sentimento de não pertencimento, a pressão social pelo corpo perfeito e o bullying são algumas das razões apontadas pelas pesquisas. Inegavelmente estamos diante de uma geração diferente e isso exige novas abordagens, compreensões e atitudes especialmente dos adultos e profissionais.

As instituições, de maneira geral, devem preocupar-se em promover melhor qualidade de vida, suporte, escuta ativa e acolhimento a pessoas em sofrimento. Os especialistas são unânimes em afirmar que pessoas com mais proximidade com familiares e amigos têm menos propensão ao suicídio. Nesse aspecto, a escola tem papel fundamental para estar atenta e pronta para abordar esse tema, fortalecer os elos e evitar que ele cresça em meio aos seus estudantes e colaboradores. Infelizmente, muitas vezes, o tratamento é bastante clínico e individual, mas reforçar as condições para o tratamento multi e interdisciplinar que um fenômeno como a saúde mental e principalmente o suicídio precisa é essencial para esse cuidado.

A escola já vem sofrendo os impactos desse desafio e pode ser uma poderosa instituição para acolher, orientar, tratar e cuidar dos seus estudantes. Quando a escola se propõe a ter um olhar atento para as particularidades dessa temática, podemos enfrentar com mais coragem, suporte e sucesso. É importante alertar os responsáveis e adultos quando se percebem comportamentos diferentes ou falas preocupantes nessa temática. Conversar abertamente sobre o assunto pode ser de grande ajuda no processo de melhora.

Diante do desafio de desempenhar um papel tão central na vida dos estudantes, o que mais a escola pode fazer? Uma ferramenta poderosa é a atenção do professor e a identificação de sinais de alerta. Outro caminho é a formação de uma comissão de saúde mental na escola, composta de pais, professores, gestores e estudantes, capaz de debater procedimentos e buscar informações mais adequadas.

Talita Santos, psico?loga escolar do Cole?gio Serio?s

 

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