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Janeiro Branco: no mês da saúde mental, conheça 5 sintomas menos conhecidos da depressão

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Transtorno mental é um dos que mais atinge a vida das pessoas; de acordo com a OMS, 11,5 milhões de brasileiros sofre com a depressão

Cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão, número que equivale a 11,5 milhões de casos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). O país perde apenas para os Estados Unidos entre os países da América Latina. O transtorno mental é um dos que mais afeta as pessoas, podendo apresentar diferentes sintomas, variando de pessoas para pessoa e, é claro, intensidade da doença em cada um.

De acordo com o Dr. Ariel Lipman, médico psiquiatra e diretor da SIG – Residência Terapêutica, existem diversos tipos de depressão e, além disso, cada pessoa reage de uma forma diferente, ou seja, os sintomas mudam. “Controlar os transtornos mentais no início é extremamente importante no tratamento da doença, por isso, é essencial prestar atenção em sintomas como tristeza, desânimo, irritabilidade, angústia e ansiedade, que são os mais comuns, mas vai muito além disso e até mesmo dores físicas podem ser um sinal de alerta”, comenta o profissional.

Pensando nisso, o profissional falou um pouco sobre alguns dos sintomas menos comuns de depressão que podem aparecer. Confira:

Alteração no sono e apetite

De acordo com o Dr. Ariel, é comum que uma pessoa com depressão durma muito, mas muitas pessoas que convivem com a doença também podem ter insônia. “As alterações no sono, seja porque a pessoa dorme muito ou não consegue dormir, devem ser investigadas por um especialista, pois é algo que muita gente julga ser comum, mas na verdade pode ser um sintoma do transtorno”, afirma ele.

Ainda segundo o especialista, o mesmo pode ocorrer com o apetite, que quando aumenta ou diminui demais também merecem atenção. “Muitas das pessoas que têm depressão também sofre com ansiedade, que está diretamente ligada com o apetite”, completa ele.

Mudança de peso

Com a possível alteração no apetite, o peso também sofrerá mudanças. “Se a pessoa passou a comer muito mais, notará que pode ter engordado e se ela passou a comer menos, pode emagrecer. É uma lógica, mas muitas pessoas podem não notar que deixou de comer ou aumentou a quantidade de alimentos e só reparam quando notam a diferença no espelho, nas roupas e na balança”, explica o médico.

Além disso, quem tem depressão deixa de praticar algumas atividades, incluindo exercícios físicos, contribuindo para essa mudança de peso.

Baixa imunidade

Muitos são os motivos que levam os depressivos a diminuírem a imunidade. “Isso pode ocorrer porque a liberação de hormônios é afetada com a doença, acarretando na queda de imunidade e consequentemente outras doenças, como infecções”, comenta o especialista.

É importante lembrar também que alterações no sono e até mesmo uma alimentação inadequada podem afetar a imunidade, ou seja, um sintoma acaba levando a outro.

Diminuição da libido

A libido está relacionada com a autoestima, que é muito afetada durante a depressão e, por isso, acaba sendo comum nessas pessoas, que muitas vezes podem nem ligar uma coisa à outra.

“Alguns medicamentos antidepressivos usados para controlar o transtorno mental também podem afetar a libido e é por isso que é importante sempre avisar o médico sobre as intercorrencias”, afirma o psiquiatra.

Dores frequentes

Além do fato dos problemas de saúde que a depressão pode acarretar, gerando problemas de saúde que causam dor, a doença também promove alterações fisiológicas que levam a sensação de dor.

“E como é de conhecimento da maioria das pessoas, o humor é muito afetado durante a doença, o que faz com que o depressivo sinta dores com mais intensidade!, explica. “Além disso, a pessoa com depressão transforma muitos problemas mentais em dores físicas, mais conhecido como somatizaão”. 

É sempre importante lembrar que a depressão aparece com sintomas e intensidade diferentes em cada pessoa e nenhum sinal deve ser ignorado.

 

O mundo mudou e afetou os jornais

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Por Angelo Castelo Branco

O advento do mundo digital e também das tecnologias de informação instantânea disponibilizadas pelas redes sociais afetaram drasticamente o modelo secular do jornalismo.

A fuga da propaganda para o mundo digital causou danos econômicos irreparáveis às empresas jornalísticas com repercussão no segmento das agências de publicidade.

A tecnologia digital substituiu o papel e mudou o conceito no processo de oferta da informação. A adaptação à nova realidade global de produção e entrega de notícias tornou-se um enorme desafio para a maioria dos jornais impressos. Sobretudo para os periódicos de regiões economicamente vulneráveis onde sumiram as verbas de propaganda que mantinham o equilíbrio da despesa operacional.

Parte do dinheiro de propaganda migrou para a mídia digital e essa fuga empobreceu e quebrou a grande maioria dos jornais regionais. Isso explica porque muitas empresas foram obrigadas a dispensar profissionais de peso. As adaptações ao novo ciclo das tecnologias da informação estão em curso.

Os grandes jornais investiram em assinaturas de versões digitais e muitos cancelaram suas edições impressas eliminando assim os gastos com o processo industrial. O sumiço de jornais impressos traz vantagens ambientais na medida em que dispensa o papel fabricado a partir do sacrifício de árvores ( as grandes empresas fabricantes de papel mantêm áreas de replantio ).

O jornal digital elimina também os custos de logística na distribuição aos pontos de venda e na entrega de assinaturas. A edição digital flexibiliza o número de páginas que pode ser alterado a cada dia sem problemas econômicos.

Esse cenário, que há poucos anos mais se ajustaria a uma ficção científica, causou alguns desconfortos a leitores. Muitos reagem à leitura de jornais em telinhas de celulares ou notebooks. Não se adaptam. Preferem o velho e bom jornal no papel que depois de lido pode ser usado para embrulhar sapatos velhos como dizia um pensador espanhol.

Em maior ou menor escala a mídia eletrônica igualmente se depara com novos desafios. A TV viu escoar pelo ralo o seu poderoso trunfo de ofertar imagens em edições eletivas de telejornalismo ou em inserções extraordinárias. Atualmente qualquer imagem de fato relevante de qualquer parte do mundo chega na palma da mão das pessoas em menos de 45 segundos após a primeira postagem. Sem repórter e sem diretor de edição.

Essa Instantaneidade ao alcance de todos subtraiu as chances do “furo”, antigo sonho de consumo de jornais e repórteres que vendiam milhares de exemplares a mais nas bancas quando estampavam uma informação com exclusividade na frente dos concorrentes. Hoje em dia, salvo as colunas e artigos de opinião, cem por cento das notícias veiculadas em jornais já foram consumidas muito antes pelas telinhas de celulares.

O mundo mudou. De novo. Felizmente a minha geração está acostumada com essas mudanças.

“NOSSO LAR 2 – OS MENSAGEIROS”

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O público já pode garantir os ingressos para assistir a “Nosso Lar 2 – Os Mensageiros”, filme dirigido e roteirizado por Wagner de Assis. O segundo longa da franquia que foi sucesso em 2010 estreia oficialmente nas salas de cinema de todo o Brasil em 25 de janeiro de 2024. As vendas estão abertas tanto nas bilheterias físicas quanto na internet. Consulte o cinema mais próximo disponível e de sua preferência. Para mais informações de sessões, datas e horários, acesse os sites: Ingresso.com, Velox Tickets e Venda Bem.

Com produção da Cinética Filmes, em coprodução com Star Original Productions, distribuição da Star Distribution e apoio da Globo Filmes, “Nosso Lar 2 – Os Mensageiros” traz uma história de amor, perdão e fé. O novo filme da franquia é baseado no best-seller “Os Mensageiros”, de Chico Xavier, lançado pela Federação Espírita Brasileira.

O longa acompanha o médico André Luiz (Renato Prieto), que se junta a um grupo de espíritos mensageiros da cidade espiritual Nosso Lar, liderados por Aniceto (Edson Celulari), na missão de ajudar a salvar projetos de vidas que estão prestes a fracassar, entre eles Otávio (Felipe de Carolis), Isidoro (Mouhamed Harfouch) e Fernando (Rafa Sieg).

O elenco traz outros grandes nomes: Fábio Lago, como o mensageiro Vicente; Vanessa Gerbelli, como Amanda, Julianne Trevisol como Isabel e Fernanda Rodrigues no papel de Isis. Ainda integram o time de estrelas Aline Prado, Nando Brandão, João Barreto, Letícia Braga e Camila Lucciola, além da participação especial de Othon Bastos, como governador da cidade espiritual, e Ju Colombo, uma das ministras da cidade espiritual. Iafa Britz, nome à frente da franquia “Minha Mãe É Uma Peça” e do primeiro filme da sequência “Nosso Lar”, que levou mais de 4 milhões de pessoas aos cinemas em 2010, também assina a produção.

Sinopse oficial

O médico André Luiz (Renato Prieto) junta-se a um grupo de anjos da guarda da cidade Nosso Lar, liderados por Aniceto (Edson Celulari), para a missão de ajudar a salvar projetos de vidas que estão prestes a fracassar. Juntos, eles se dedicam a cuidar de três protegidos cujas histórias estão interligadas: Otávio (Felipe de Carolis), um jovem com um dom incomum e uma vida promissora, mas que se desvirtua no caminho; Isidoro (Mouhamed Harfouch), líder de um centro de caridade, e Fernando (Rafa Sieg), empresário responsável pelo financiamento do projeto. Guiados pelo poder de transformação do amor e do perdão, os Mensageiros vão tentar resgatar essas histórias, até mesmo quando tudo parece perdido.

Calor recorde alerta para saúde do coração. Veja como diminuir riscos

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Altas temperaturas elevam riscos de infarto, acidente vascular cerebral, arritmias e insuficiência cardíaca. Diretora médica do Hospital Costantini indica práticas para um verão mais saudável

As altas temperaturas registradas neste verão podem contribuir para fazer de 2024 um dos anos mais quentes da história. São, também, um alerta para a saúde do coração, especialmente para pessoas com doenças cardiovasculares pré-existentes.

“Estes dias quentes que estamos enfrentando, com temperaturas acima dos 30 graus, podem resultar na dilatação dos vasos sanguíneos, levando a uma redução da pressão arterial. Isso faz com que o coração tenha que se esforçar mais para bombear o sangue, o que eleva o risco de eventos como infarto, acidente vascular cerebral, arritmias e insuficiência cardíaca”, explica a cardiologista Bianca Maria Prezepiorski, diretora médica do Hospital Cardiológico Costantini, de Curitiba. O hospital é referência nacional no tratamento de doenças do coração.

O calor aumenta a transpiração, o que pode levar à desidratação. Isso pode reduzir o volume sanguíneo, aumentando o esforço do coração para bombear sangue. “O corpo trabalha para se resfriar por meio do aumento do fluxo sanguíneo para a pele, o que pode aumentar a frequência cardíaca, colocando maior carga sobre o coração”, afirma a doutora Bianca.

Em resposta à temperatura elevada, os vasos sanguíneos periféricos podem se dilatar para ajudar na dissipação do calor, o que pode causar queda da pressão arterial e exigir mais esforço do coração. Para reduzir esses riscos, a cardiologista indica práticas para um verão mais saudável.

Hidratação adequada – Beba bastante água para compensar a perda de líquidos devido à transpiração. Evite bebidas com cafeína e álcool, pois podem aumentar a desidratação.

Evite atividades extenuantes durante o pico de calor – Reduza atividades físicas intensas durante os períodos mais quentes do dia, optando por atividades mais leves nas horas mais frescas.

Proteção contra o sol – Use roupas leves e de cores claras, além de aplicar protetor solar. Isso ajuda a reduzir o estresse térmico no corpo.

Ambiente fresco – Mantenha-se em ambientes climatizados ou bem ventilados. Evite permanecer por longos períodos em locais excessivamente quentes.

Conheça seus limites – Esteja ciente dos sinais de superaquecimento, como tontura, fraqueza, náusea e falta de ar. Descanse e vá para um local mais fresco. Se esses sintomas persistirem, procure orientação médica.

 

“É preciso procurar ajuda”, diz especialista sobre superendividamento

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Excesso de cartões de crédito está entre fatores de endividamento

Um fenômeno social que pode acontecer com qualquer um em muitos países, o  superendividamento é um grande desafio no Brasil, mas, segundo especialistas, há saída para recuperar a saúde financeira de um consumidor que esteja nessa situação. E o primeiro passo para desafogar é pedir ajuda.

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o professor de direito do consumidor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), Ricardo Morishita Wada, explica que uma das grandes ações para ajudar “dar um freio de arrumação” nas contas e dívidas de alguém é entender junto com endividado em que ponto está a dívida, ou seja, “ver para quem ele deve, quanto ele deve, por quanto tempo essa dívida ainda perdura e como fazer para realizar um tratamento dessa dívida”.

Morishita chamou a atenção de programas governamentais como o Desenrola Brasil, mecanismo onde o consumidor teve oportunidade de negociar a dívida, repactuar o plano de pagamento e voltar a ter as rédeas ou administração de sua dívida.

O professor considera importante a recente criação, pelo Ministério da Justiça, de um grupo de trabalho para a prevenção e tratamento do superendividamento de consumidores e aconselha que o consumidor que fica superendividado busque ajuda.

O especialista aponta que superendividamento pode acontecer por duas grandes razões. A primeira é o passivo, quando o consumidor sofre uma ação e acaba perdendo controle de suas contas. Exemplos: quando ele perde o emprego, tem doença na família e acaba contraindo dívidas para pagar o tratamento, ou quando em caso de separação. Outro tipo é o superendividamento ativo, quando o próprio consumidor contraiu dívidas que acabaram ficando descontroladas e viraram uma bola de neve.

Renda e juros

O professor do IDP salientou dois problemas que podem contribuir para o superendividamento. Um deles é o achatamento ou má distribuição da renda. O outro é a elevada taxa de juros praticada no Brasil, cobrada em todo processo de financiamento. “Esses dois eventos fazem com que haja uma possibilidade, independentemente da vontade do consumidor, de que tenha mais dívidas do que o patrimônio dele é capaz de suportar”. Segundo o professor, um dos pressupostos para que o consumidor tenha o tratamento da sua dívida ou do seu superendividamento é que ele esteja de boa fé, sem querer obter vantagem em cima de outras pessoas, nem prejudicá-las.

“Por isso, não importa a renda, a escolaridade. O superendividamento é um fato social e o Brasil faz bem em tratar, como é tratado no mundo inteiro, em todos os países já desenvolvidos. Nos mercados mais maduros, isso é tratado como causa social natural do mercado de consumo que a gente vive hoje”. Salientou que nos planos de pagamento de super dívidas, é assegurado ao consumidor um prazo, ou fôlego inicial, mesmo depois de ser feito um acordo, para que ele possa começar a efetuar seu pagamento. “Ele é aplicado, embora não haja uma regra geral”. A dívida é trabalhada em cada caso, nos planos de pagamento acordados, muitas vezes de uma forma extrajudicial, com os defensores públicos.

Segundo Morishita Wada, trata-se de um prazo de respiro, como existe em todos os mercados desenvolvidos, para que o consumidor possa ajustar sua vida, seu orçamento, e tenha início então o pagamento do plano que é pactuado junto com o fornecedor, com participação de órgãos públicos.

Morishita advertiu que há um ajuste feito naturalmente quando se inicia o processo de tratamento do superendividamento, que é um processo de educação para o consumo ou de educação financeira. Um dos tópicos mais importantes desse processo está em como lidar com o consumismo e como adequar a vida ao orçamento que os cidadãos têm. Esse processo deve acompanhar toda a vida do consumidor para que seja encontrado um equilíbrio, tanto do ponto de vista individual, como coletivo, na perspectiva do consumo sustentável, para que haja satisfação, e não sofrimento, além de proteção à saúde biológica dos consumidores. ”Tem que ter um limite para esse tipo de estímulo, para esse tipo de incentivo”, que faz parte desse novo desafio que é a complexidade do mundo digital, com os jogos virtuais e os estímulos que eles podem provocar e levar também a um consumo exacerbado. Por isso, concluiu que o superendividamento não é um tema simples, mas a sociedade está preparada para lidar com esses desafios. Morishita Wada acredita que a educação não pode ser algo pontual, mas permanente, para que as pessoas possam viver com dignidade.

Dívidas acumuladas

A professora de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), Myrian Lund, afirmou à Agência Brasil que o superendividamento, de modo geral, é consequência de dívidas sobre dívidas. Ou seja, a pessoa pega empréstimos em vários bancos para pagar dívidas que vão se multiplicando, ao mesmo tempo em que a capacidade de quitar essas dívidas vai se exaurindo. Outro fato que Myrian chamou atenção foi o excesso de cartões de crédito que todo superendividado possui, cheios de contas oriundas de compras sempre parceladas.

“Essa é uma característica, normalmente, do superendividado. É uma pessoa que tem vergonha de sua situação, porque não queria chegar onde chegou, por falta de conhecimento, de educação financeira, de pegar empréstimo caro, de não conseguir pagar. Só que ele chegou em um ponto que começa a ter problemas emocionais, sociais, familiares e não vê saída para o que tem. Porque é humanamente impossível que a pessoa, com o salário que tem, pagar todas as contas. Se pagar todos os empréstimos, não sobra dinheiro para pagar moradia, alimentação. Acaba prejudicando as despesas essenciais, acaba sem dinheiro”, diz a economista.

Alavancagem

Myrian Lund avalia que enquanto o superendividado consegue empréstimo nos bancos, ele vai sobrevivendo, e cada vez se alavancando mais. “Até o ponto em que não tem mais empréstimo para pegar. Pegou tudo que podia e, agora, não tem mais onde pegar e o que pegar. Nesse momento, ele entra em desespero”. A melhor saída para o superendividado, na avaliação da professora da FGV, é procurar ajuda externa, porque já está afetado do ponto de vista familiar. “Porque sair sozinho dessa situação é extremamente difícil. Se você quiser se organizar, tem que priorizar alguma dívida e deixar outras para depois. Tem que tirar do débito automático, abrir conta em outro banco, sem cheque especial, sem cartão de crédito, e começar as negociações”. Os bancos só negociam se tiver três meses de atraso, destaca.

A economista aponta que a Defensoria Pública atende pessoas, independente da renda. O piloto foi no Rio de Janeiro mas, atualmente, todas as defensorias públicas estão ajudando pessoas a pagarem as dívidas, independente da renda que possuem. Ela ressalta que, em 2021, saiu a Lei do Superendividamento, que estabelece a renegociação das dívidas na Justiça, tal como existe em relação às empresas, com a recuperação judicial. “A Lei do Superendividamento é um equivalente para as pessoas físicas”.

Myrian insistiu que a Defensoria ajuda a entender a situação financeira do indivíduo e tenta, em paralelo, educar a pessoa financeiramente para que não volte a repetir a situação de superendividamento. “O ideal é que o superendividado nunca deixe de atender o banco e diga que está buscando ajuda, se reestruturando para poder fazer uma proposta para as instituições, e para que haja também desconto sobre a dívida”

Nudecon

O defensor público e subcoordenador do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Thiago Basílio, disse em entrevista à Agência Brasilque o órgão tem, desde 2005, um departamento de prevenção e tratamento ao superendividamento.

“Lá atrás, as pessoas já vinham batendo à porta da Defensoria Pública, a ponto de a gente criar esse departamento. Porque, na prática, o que a gente via era um cenário, no Brasil, em que as grandes empresas tinham uma lei que as protegia para permitir que respirassem e tivessem um recomeço, e não era oferecida a mesma oportunidade para pessoa física. Então, antes mesmo que existisse a Lei (1481), em 2021, a gente já vinha atendendo e trabalhando o fenômeno do superendividamento aqui no Rio de Janeiro”, sustentou Basílio.

Disse que, com a lei, o tema acabou ganhando visibilidade maior, mas a Defensoria continua no “trabalho braçal” que já fazia anteriormente, de tentativa de solução extrajudicial dessas demandas. “A gente procurou os principais bancos que os nossos assistidos acabam tendo conta e, com eles, firmamos termo de cooperação, para fazer audiências extrajudiciais de conciliação aqui, no interior do Nudecom”. Toda vez que chega uma demanda nova, é feito um atendimento com amplo levantamento das receitas e despesas daquela pessoa, para que seja estabelecido um plano, identificando gargalos, e onde deve ser atacado de forma mais imediata.

Conciliação

As audiências de conciliação são marcadas com o banco. A elas comparecem o defensor, o assistido, o preposto do banco e tenta-se chegar a um denominador comum, dentro da realidade financeira daquela pessoa, sempre tendo como norte a proteção da subsistência, o mínimo essencial daquela família. “O que a gente tenta com esse tratamento é a pessoa conseguir atender suas necessidades básicas e, a partir dali, traçar um plano de pagamento para que ela tome as rédeas de sua situação financeira”.

Segundo Thiago Basílio, antes da lei, a retomada da saúde financeira estava nas mãos do banco. A Lei 1481 passa a prever um plano compulsório de pagamento que respeite o mínimo essencial para a subsistência daquela família. “Essa foi a grande novidade introduzida pela Lei 1481”. De acordo com pesquisa feita pelo Nudecom em 2017/2018, têm sido atendidos, em média, 250 novos casos de superendividamento por ano pelos defensores públicos do Rio. Os casos não são resolvidos de uma vez, mas têm acompanhamento que pode se estender por vários anos. “Porque são etapas que o nosso plano de tratamento prevê”. Elas envolvem garantia de subsistência da família, negociação e início de pagamento e educação financeira para que a pessoa não volte a cair nas armadilhas de incentivo ao consumo e contratação de empréstimo. A quarta etapa é a pessoa começar a poupar o mais rápido possível.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) estimou que havia no Brasil, antes da pandemia da covid-19, cerca de 30 milhões de pessoas superendividadas. Para o advogado e defensor público Thiago Basílio, o grande norte da atuação do Nudecom é substituir a cultura do crédito desenfreado pela cultura do pagamento, de a pessoa entender a realidade do mercado e da oferta de crédito e, ao mesmo tempo, saber se precaver, efetuar o pagamento de suas dívidas e sair dessa bola de neve. “Não se trata de demonizar o crédito pura e simples. O crédito faz parte da nossa sociedade, mas deve-se ter cuidado com a oferta de crédito desenfreada que a gente tem hoje”.

Edição: Aline Leal

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Região Norte registra maior tremor de terra da história do Brasil

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Com 6,6 graus, abalo foi sentido no Acre e Amazonas

A Região Norte, registrou, neste sábado (20), o maior tremor de terra da história do Brasil. Com 6,6 graus na Escala Richter, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o terremoto ocorreu às 18h31 no horário de Brasília, 16h31 no horário local.

Embora o Serviço Geológico dos Estados Unidos informe que o terremoto tenha ocorrido próximo a Tarauacá, no Acre, as coordenadas exatas do tremor apontam para uma área isolada em Ipixuna, no Amazonas. Até agora, não há registro de danos. Isso porque o abalo ocorreu a 614,5 quilômetros de profundidade, o que permite a dissipação da energia. Segundo os geólogos, um tremor nessa profundidade dificilmente é sentido pela população.

O Centro de Redes de Terremotos da China também registrou o tremor. A intensidade também foi medida em 6,6 graus na Escala Richter, mas o órgão apontou profundidade maior, de 630 quilômetros.

Rede Sismográfica Brasileira

Por volta das 20h do sábado, a Rede Sismográfica Brasileira informou ter detectado o terremoto. Na ocasião, o grupo afirmou que o abalo teve magnitude de 6,5 graus na Escala Richter, com 628 quilômetros de profundidade, e que tinha ocorrido em Tarauacá, mas advertiu que a magnitude, a profundidade e o local exato do epicentro poderiam ser revisados nas horas seguintes.

Segundo a Rede Sismográfica Brasileira, a maioria dos eventos na fronteira do Brasil com o Peru é profunda por causa da subducção (mergulho por baixo) da Placa de Nazca sob a plataforma Sul-Americana. A força do terremoto, ressaltou a entidade, pode ter sido atenuada pela relativa grande profundidade.

Em 7 de junho de 2022, Tarauacá, no noroeste do Acre, tinha registrado um abalo de 6,5 graus, o segundo maior tremor da história do país. Na ocasião, o terremoto não deixou vítimas, nem danos materiais.

Os tremores ocorrem porque a região está próxima da Cordilheira dos Andes, uma das zonas com maior atividade sísmica do planeta. Nos últimos 45 anos, houve cerca de 96 abalos sísmicos em um raio de 250 quilômetros de Tarauacá, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, nenhum com consequências graves.

Até agora, nem os governos do Acre e do Amazonas, nem as prefeituras de Tarauacá e Ipixuna se manifestaram. Antes das ocorrências no município acriano, o maior abalo sísmico da história do Brasil tinha sido registrado na região da Serra do Tombador, em Mato Grosso, em 31 de janeiro de 1955, com 6,2 graus na Escala Richter.

*Texto atualizado às 11h40 para acréscimo de informações sobre a localização do tremor e às 15h55 para acréscimo de dados da Rede Sismográfica Brasileira.

Edição: Nádia Franco

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil – Brasília