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sábado, abril 18, 2026
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Aprenda a minimizar os efeitos dos agrotóxicos nos alimentos

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Estes produtos ocupam a segunda colocação na lista dos maiores causadores de intoxicação no país. Mas os malefícios não param por aí. Descubra os problemas de saúde que você pode ter com a ingestão indireta destes venenos

Está em pauta no Congresso a votação de um projeto de lei que além de substituir a denominação de agrotóxico por “pesticida”, pretende  diminuir o papel da Anvisa na regulação e análises técnicas de substâncias nocivas presentes nos alimentos. O PL 6299/2002, se transformado em lei, não contribuirá para a disponibilidade de alimentos mais seguros nem com o fortalecimento do sistema regulatório de agrotóxicos, não atendendo, dessa forma, aos interesses de quem deveria ser o foco da legislação: a população brasileira.

Segundo o Ministério da Saúde, os agrotóxicos estão em segundo lugar na lista dos maiores causadores de intoxicação no país. Para se ter uma ideia, existe cerca de 200 tipos de agrotóxicos diferentes e o Brasil é um dos principais consumidores. Aliás, muitos desses compostos são proibidos em outros países, mas em solo brasileiro são utilizados em larga escala, sem preocupação em relação aos prejuízos que podem causar à saúde. Dentre os defensivos agrícolas, os agrotóxicos, mais nocivos para o organismo estão os inseticidas (combate aos insetos), herbicidas (combate às ervas daninhas) e rodenticidas (combate aos roedores).

Com isso, os agrotóxicos costumam estar presentes em plantações de batata, cravo, figo, ervilha, manga, feijão, melão, melancia, pimentão, morango, tomate, uva, citros, mamão, pêssego, pepino, entre outros.

A nutricionista funcional Enaile Arrais

Quais os efeitos à saúde? – Os malefícios, segundo a nutricionista da NutriCoaching, Enaile Arrais, podem ser sistêmicos, como nas vias aéreas; sistema circulatório – faz com que o sangue perca sua propriedade coagulante, podendo provocar hemorragias; sistema reprodutor – os carbamatos, organoclorados e organofosforados podem levar ao aborto e os clorofenóxicos causam interferência na produção de espermatozoides; coração – os carbamatos, organoclorados e organofosforados podem levar ao aborto e os clorofenóxicos causam interferência na produção de espermatozoides; sistema digestivo – os organofosforados, os carbamatos, os clorofenóxicos e o glifosate podem causar náusea, vômito e diarreia.

“Esses sintomas são considerados comuns para indicar que existe um tipo de intoxicação; cérebro – os carbamatos e os organofosforados causam a paralisia de enzimas essenciais para o sistema nervoso. Isso pode causar um descontrole que leva à parada respiratória ou mesmo cardíaca. O consumo prolongado e em quantidade acima dos limites aceitáveis podem provocar alergias, dores de cabeça e coceiras, distúrbios no sistema nervoso central e câncer”, alerta a profissional.

Mas como minimizar este problema? Infelizmente, conforme explica Enaile, “não tem como tirar completamente o agrotóxico dos alimentos, mas existem formas de minimizar que não eliminam 100%, porque muitos agrotóxicos penetram no alimento ou são usados desde quando ele era uma semente”.

De acordo com ela, há processos de lavagem dos alimentos e a retirada de seus componentes estruturais que vão amenizar a grande ingestão de agrotóxicos. “A forma mais indicada para o consumo não acontecer é comprando alimentos em feiras orgânicas, próximas ao bairro”, indica.

Há, ainda, uma vertente da Nutrição que defende que o alimento integral tem uma desvantagem: embora seja mais rico em nutriente, ele acaba acumulando mais agrotóxico, já que o invólucro que protege o grão, por exemplo, não é descartado, como ocorre com o trigo e o arroz. “Para esses casos, antes do consumo, eles devem ser lavados abundantemente com água corrente e precisam passar por um processo de cozimento para serem consumidos com uma quantidade um pouco menor de substancias maléficas”, defende.

Confira as dicas da NutriCoaching para você preparar os seus alimentos de forma mais saudável, minimizando os riscos dos agrotóxicos nos alimentos:

1- Lave com esponja e detergente neutro, no caso de alimentos como tomate, maçã etc, por um minuto;

2- Use uma colher de sopa de hipoclorito de sódio para 1 litro de água e deixe o alimento de molho, por 10 minutos, no caso de verduras. Lave com água corrente em seguida;
3-  Descasque os alimentos, como no caso de frutas e legumes;

4- Procure feiras orgânicas próximas ao bairro;

5- Incentive agricultores orgânicos locais;

6- Procure comprar alimentos orgânicos diretamente com o produtor;

7- Conheça de perto o trabalho dos agricultores orgânicos para saber sempre a procedência dos alimentos;

8- Priorize os alimentos orgânicos, cujas cascas possam ser extraídas: tomate cereja, maçã, uva, abacaxi, batatas, e outros;

9-  Já aqueles alimentos que não são orgânicos, descasque, deixe de molho, lave e cozinhe bem;

10- Evite alimentos que contenha maior nível de intoxicação com agrotóxicos ou priorize esses alimentos de forma orgânica: tomate, pimentão, morango, pepino, alface, cenoura, abacaxi, beterraba, couve, mamão, laranja, maçã, repolho, manga, cebola, batata.

Sobre a NutriCoaching – Fundada em 2015, a Nutricoaching é uma empresa que trabalha com o conceito de Nutrição Comportamental e utiliza como uma de suas ferramentas o Coaching Nutricional. É certificada pela maior empresa de Coaching Nutricional do mundo, a Precision Nutrition. Sua proposta é melhorar a efetividade dos processos de emagrecimento de seus clientes, entregando resultados mais consistentes e perenes. Entre os serviços da empresa estão o Programa Nutricoaching, consulta nutricional, consulta de Medicina Preventiva e Endocrinologia, exame de bioimpedância, além do curso de Coaching Nutricional para Nutricionistas.

 

Serviço:
NutriCoaching
Endereço: SHCSW 305 Centro Clínico Sudoeste, sala 246. Sudoeste, Brasília-DF
Telefones: (61) 3879-2004 / (61) 999230707
Site: www.nutricoaching.co
E-mail: contato@nutricoaching.co
Instagram: @nutricoachingco

Rodrigo Rollemberg: “Brasília está com a casa arrumada”

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Foto: Flick PSB

Segundo o  governador do Distrito Federal as crises que herdou de governo anteriores o impediram de fazer mais pelo DF

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, disse que fez menos do que gostaria pelo DF, em razão das crises políticas e econômicas que herdou do governo anterior. “Governei Brasília no momento de maior dificuldade da cidade e do País”, disse o candidato à reeleição pelo Partido Socialista do Brasil (PSB), em entrevista ao cientista político, Rócio Barreto, na TV Comunitária, nesta segunda-feira (20).

Rollemberg avaliou que agora Brasília esta com ‘a casa arrumada’. “Não está nenhuma maravilha, pois o Brasil não está uma maravilha. Mas estamos pagando todo mundo em dia, fornecedores, servidores… Assumimos o governo com um rombo de R$ 6 bilhões. Em um momento de crise econômica e instabilidade política”, disse.

Rollemberg apontou a crise hídrica também como uma herança da omissão de governos anteriores. Para solucionar o problema, ele prometeu que a usina Corumbá IV estará pronta para a captação de água até dezembro.

Durante a entrevista, o governador enfatizou o trabalho desenvolvido no mandato, que se encerra em 31 de dezembro, como o fechamento do lixão da Estrutural, desocupação da Orla do Lago Paranoá, ampliação do número de unidades de saúde básica. Na área da saúde, destacou ainda a criação do Instituto Hospital de Base que deu mais agilidade ao atendimento à população e a construção do Hospital da Criança.

“O grande desafio na saúde é ter recursos para estruturar e financiar o sistema. Garantir que 100% da população tenha acesso ao programa saúde da família”, destacou Rollemberg.

Para o próximo mandato Rollemberg prometeu levar o metrô até a Asa Norte, e construir mais estações em Samambaia e Ceilândia. Além de aumentar a extensão das ciclovias da cidade.

Assista a entrevista completa

Com base em entrevista realizada pelo Programa Painel da Cidadania e a TV Comunitária.

 

 

Campanha de Vacinação contra a Pólio e o Sarampo vai até dia 31

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Sábado (18) foi o dia D de Vacinação contra a Pólio e o Sarampo.  Mas a campanha segue até 31 de agosto nos postos de saúde. Devem ser vacinadas crianças que tenham mais de um ano e menos que cinco.  A meta do governo federal é imunizar 11,2 milhões de crianças e atingir o marco de 95% de cobertura vacinal nessa faixa etária, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Este ano, a vacinação será feita de forma indiscriminada, ou seja, pretende imunizar todas as crianças na faixa etária estabelecida. Isso significa que mesmo as que já estão com esquema vacinal completo devem ser levadas aos postos de saúde para receber mais um reforço. No caso da pólio, crianças que não tomaram nenhuma dose ao longo da vida devem receber a VIP. As que já tomaram uma ou mais doses devem receber a VOP. E, para o sarampo, todas devem receber uma dose da Tríplice Viral – desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

Sarampo

A doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, é transmitida pela fala, tosse e o espirro, e extremamente contagiosa, mas pode ser prevenida pela vacina. Pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. As complicações infecciosas contribuem para a gravidade do quadro, particularmente em crianças desnutridas e menores de 1 ano. Em algumas partes do mundo, a doença é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos.

Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus. Atualmente, entretanto, o país enfrenta surtos de sarampo em Roraima e no Amazonas, além de casos já identificados em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Rondônia e no Rio de Janeiro.

Pólio

Causada por um vírus que vive no intestino, o poliovírus, a poliomielite geralmente atinge crianças com menos de 4 anos de idade, mas também pode contaminar adultos. A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas, e há semelhanças com infecções respiratórias – como febre e dor de garganta – e gastrointestinais – como náusea, vômito e prisão de ventre.

Cerca de 1% dos infectados pelo vírus desenvolve a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

Dúvidas

Veja a seguir algumas das principais perguntas e respostas relacionadas à campanha, com base em informações divulgadas pelo Ministério da Saúde:

Quando e onde ocorre a campanha?

Entre 6 e 31 de agosto, com o Dia D agendado para 18 de agosto, em postos de saúde de todo o país.

Qual o foco da campanha?

Crianças com idade entre 1 ano e 5 anos incompletos (4 anos e 11 meses).

Crianças que já foram vacinadas anteriormente devem ser levadas aos postos?

Sim. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem comparecer aos postos. Quem estiver com o esquema vacinal incompleto receberá as doses necessárias para atualização e quem estiver com o esquema vacinal completo receberá outro reforço.

Qual a vacina usada contra a pólio?

Crianças que nunca foram imunizadas contra a pólio vão receber a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), na forma injetável. Crianças que já receberam uma ou mais doses contra a pólio vão receber a Vacina Oral Poliomielite (VOP), na forma de gotinha.

Qual a vacina usada contra o sarampo?

A vacina contra o sarampo usada na campanha é a Tríplice Viral, que protege também contra a rubéola e a caxumba. Todas as crianças na faixa etária estabelecida vão receber uma dose da Tríplice Viral, independentemente de sua situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

Adultos participam da campanha?

Não. A campanha tem como foco crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos.

Mesmo não sendo foco da campanha, adultos precisam de alguma das duas doses?

Sim. Conforme previsto no Calendário Nacional de Vacinação, adultos com até 29 anos que não tiverem completado o esquema na infância devem receber duas doses da Tríplice Viral e adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose da Tríplice Viral. O adulto que não souber sua situação vacinal deve procurar o posto de saúde mais próximo para tomar as doses previstas para sua faixa etária.

Com Agência Brasil

Chef Dudu Camargo organiza ação solidária

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Foto: Elio Oliveira

Chef Dudu Camargo oferece almoço, para APAE-DF, em comemoração à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

Entre 21 e 28 de agosto, é comemorada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Durante esses dias, executivos, empresários e representantes de todas as classes sociais contribuem com a luta pela cidadania.

Foto: Elio Oliveira

O chef Dudu Camargo, do Grupo Dudu Camargo, é um dos empreendedores que, há mais de 20 anos, oferece um almoço em homenagem à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Como neste ano não poderia ser diferente, no dia 22 de agosto, ele vai servir uma feijoada junto à APAE-DF – organização não-governamental, sem fins lucrativos, que promove a educação profissional e o encaminhamento de pessoas com deficiência mental para o mercado de trabalho – para 600 pessoas entre aprendizes, professores e instrutores, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), no Setor de Clubes Sul. No cardápio, ainda haverá refrigerante e sobremesa (doces caseiros).

Os voluntários são peças-chave no desenvolvimento e sobrevivência das organizações não-governamentais. “Muitas vezes as pessoas confundem, pensam que para ser voluntário há a necessidade de só doar dinheiro. Mas não é bem assim, os esforços e o trabalho são muito bem-vindos”, ensina o chef  Dudu Camargo. E a parceria do restauranter vai além do almoço. Tralhando há oito anos no Dudu Bar, Carolina Coutinho fez vários cursos profissionalizantes na Apae – DF. Graças à instituição, hoje, ela tem um emprego.

Atualmente, a APAE/DF beneficia cerca de 730 pessoas por ano, entre profissionais com deficiência acompanhados no mercado de trabalho e aprendizes ainda em formação nas oficinas da entidade. Além de sua sede, localizada em Brasília, a associação possui outras unidades de atendimento em Ceilândia, Sobradinho e Guará.

Serviço:
APAE-DF
Endereço: SHCN 711/911 Conjunto E – Brasília/DF
Hora: 12h
Informações: www.apaedf.org.br
Grupo Dudu Camargo – www.duducamargo.com.br
Instagram: @chefduducamargo
Facebook: Chef Dudu Camargo

Toninho do PSOL fala sobre eleições e apoio à candidatura de Professora Fátima como governadora do DF

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Candidato a deputado distrital, Toninho do PSOL defende que a Câmara Legislativa do DF precisa de uma representação política militante

 

Foto: Karina Zambrana

Candidato a governador do DF nos anos de 2006, 2010 e 2014, o psicólogo da Secretaria de Saúde do DF diz que a experiência dos anos anteriores foi essencial para tornar seu nome conhecido e conseguir desenvolver seu trabalho de forma mais efetiva.

Toninho afirma que está muito confiante na eleição da Professora Fátima como governadora do Distrito Federal e diz que, se eleito deputado distrital, pretende propor uma candidatura de representação para todos os nichos da população do Distrito Federal.

“As pessoas hoje, vêem a Câmara Legislativa como um balcão de negociações. Está mais do que na hora de reverter esta situação e mudar o perfil da Câmara de forma a atender as necessidades da população”, afirma.

Antônio Carlos de Andrade é psicólogo e cientista político. Atua como militante socialista desde os anos 70, é dirigente do PSOL-DF e candidato a deputado distrital em 2018.

Lei de Proteção de Dados trará impactos a pessoas, empresas e governos

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A Lei Geral de Proteção de Dados (13.709) foi sancionada nesta semana pelo presidente Michel Temer. A norma traz regras sobre a coleta e o tratamento de informações de pessoas por empresas e órgãos do poder público. A norma, que ainda terá um período de transição de 18 meses antes de entrar em vigor, terá impactos nas atividades cotidianas de usuários, empresas e órgãos da administração pública.

A lei trará consequências especialmente no mundo online, uma vez que os usuários têm registros e atividades coletados e tratados diariamente não somente por plataformas (como Facebook ou Google) mas por uma série de outras empresas sem que eles saibam. Mas também valerá no mundo offline, como no pedido de CPF para compras em farmácias ou na hora de entrar em um prédio residencial ou comercial.

Segundo a norma, dados pessoais são informações que podem identificar alguém. Não se trata, portanto, apenas do nome. Mas um endereço ou até mesmo empego podem ser considerados como tal se permitirem identificar alguém quando cruzados com outros registros.

Dentro do conceito, foi criada uma categoria chamada de “dado sensível”, informações sobre origem racial ou étnica, convicções religiosas, opiniões políticas, saúde ou vida sexual. Registros como esses passam a ter nível maior de proteção, para evitar formas de discriminação. Esse tipo de característica não poderá ser considerado, por exemplo, para direcionamento de anúncios publicitários sem que haja um consentimento específico e destacado do titular. Já registros médicos não poderão ser comercializados.

Mas quem fica sujeito à lei? Todas as atividades realizadas ou pessoas que estão no Brasil. A norma valerá para coletas operadas em outro país desde que estejam relacionadas a bens ou serviços ofertados a brasileiros. Se um site de cursos online, por exemplo, comercializa aulas em português ou voltada a brasileiros, deverá cumprir as exigências da norma.

Finalidade específica e consentimento

Uma empresa não poderá coletar dados para fazer o que quiser com eles, mas deverá informar a finalidade. Um site que solicite dados de idade em um cadastro sem que isso tenha a ver com o serviço prestado pode ser questionado. A coleta só poderá ocorrer em situações específicas, sendo a principal delas mediante a obtenção de autorização do titular (o chamado consentimento). A tendência, portanto, é que os usuários passem a ser perguntados mais frenquentemente se dão sua permissão. Neste momento, será importante ler o motivo da coleta para identificar se os dados solicitados têm relação com a finalidade da atividade.

Ao aceitar repassar seus dados, como ao concordar com termos e condições de um aplicativo, as empresas passam a ter o direito de tratar os dados (respeitada a finalidade específica), desde que em conformidade com a lei. Entretanto, as empresas passarão a ter uma série de obrigações, como a garantia da segurança dessas informações e a notificação do titular em caso de um incidente de segurança. Para citar um exemplo, quando o Facebook tomou conhecimento que os dados 87 milhões de pessoas (entre elas brasileiros) haviam sido entregues à empresa de marketing digital Cambridge Analytica, ele não avisou aos usuários afetados.

“Antes, se uma empresa coletasse dados pessoais de clientes, não aplicasse nenhum tipo de segurança sobre esses os dados e depois sofresse algum ataque, dificilmente a empresa sofreria algum tipo de punição. Agora, a empresa terá que comprovar que tem uma estrutura de segurança preparada para assegurar a proteção dos dados e poderá receber multas caso não cumpra as regras”, explica Jeferson Propheta, diretor-geral da McAfee no Brasil, empresa que comercializa programas antivírus.

A norma permite a reutilização dos dados por empresas ou órgãos públicos, em caso de “legítimo interesse” desses. Estabelece, no entanto, que esse reúso só pode ocorrer em uma situação concreta, em serviços que beneficiem o titular e com dados “estritamente necessários”, respeitando os direitos dele. Um desafio da lei será exatamente a avaliação das situações específicas nas quais uma empresa alegue o “legítimo interesse” e se o reúso respeita as exigências.

Direitos

De outro lado, o titular ganhou uma série de direitos. Ele poderá, por exemplo, solicitar os dados que a empresa tem sobre ele, a quem foram repassados (em situações como a de reutilização por “legítimo interesse”) e para qual finalidade. Caso os registros estejam incorretos, poderá cobrar a correção. Em determinados casos, o titular terá o direito de se opor a um tratamento. A lei também permitirá a revisão de decisões automatizadas tomadas com base no tratamento de dados (como as notas de crédito ou perfis de consumo).

“O usuário de mídias sociais poderá solicitar a qualquer momento o acesso aos dados pessoais mantidos pelas plataformas. Além disso, terá o direito de solicitar a uma empresa que elaborou o seu score financeiro o acesso aos dados pessoais que justificaram a determinação do seu perfil (ainda que automatizada), inclusive para solicitar a correção de qualquer dado incorreto ou inexato”, exemplifica a advogada especializada em direito digital Vanessa Lerner.

O titular terá ainda direito à portabilidade de suas informações, assim como ocorre com número de telefone. A autoridade regulatória, se criada, deve definir no futuro como isso será feito. Mas a possibilidade de levar os dados consigo é importante para que uma pessoa possa trocar de aplicativo sem perder seus contatos, fotos ou publicações.

Crianças de até 12 anos ganharam garantias específicas na lei. A coleta fica sujeita a uma série de restrições, deve ser informada de maneira acessível para esse público e será condicionada à autorização de pelo menos um dos pais.

Negócios

Ao estabelecer garantias e responsabilidades para as empresas, a lei vai ter impacto importante nos negócios realizados no Brasil e com parceiras estrangeiras. A primeira mudança é que, com sua aprovação, o país passa a atender a exigências de outros países e regiões, como a União Europeia. Sem isso, as empresas nativas poderiam ter dificuldades para fechar negócios.

Na avaliação do gerente executivo de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), João Emílio Gonçalves, as empresas terão que adotar uma série de medidas para se adequar à nova legislação quando entrar em vigor. Para além da garantia da segurança dos dados, terão que eleger um “encarregado de proteção de dados”, que terá a função de receber reclamações, comunicações, orientar funcionários da empresa, entre outras atribuições.

A maior preocupação dele será com as pequenas e médias empresas. Em alguns casos, a adequação à lei  poderá exigir revisão de processos. “De modo geral, as empresas que atuam no mercado internacional ou que realizam transferências internacionais de dados estão mais preparadas para lidar com a nova lei, pois já vinham se adaptando aos regulamentos de outros países, como os da União Europeia. O maior desafio será para as empresas menores e aquelas mais restritas ao mercado local”, alerta.

Autoridade regulatória

A normatização e fiscalização ficariam a cargo do que o texto aprovado no Senado chamou de Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Contudo, os artigos que tratavam da criação da agência foram vetados pelo presidente Michel Temer, com a justificativa de que o Congresso não poderia aprovar um novo órgão. O governo informou que deve enviar um projeto de lei ao Congresso prevendo a implantação da autoridade.

Para o pesquisador da Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits) Bruno Bioni, a existência da autoridade é fundamental para que ela possa aplicar os princípios previstos na lei aos casos concretos. “A lei não faz menção a uma tecnologia em específico. Por isso, será necessária a figura da autoridade para traduzir esses direitos de acordo com desafios que novas tecnologias vão colocar. Se falamos hoje em Big Data [coleta massiva de dados] e inteligência artificial, daqui a pouco falaremos de computação quântica”, argumenta.

Para João Emílio Gonçalves, da CNI, a autoridade é importante desde já, e não apenas quando a lei entrar em vigor. “A criação da autoridade é fundamental. Sua função vai muito além da fiscalização e repressão. Na verdade, a agência será importante desde já, pois contribuirá para orientar as empresas e os cidadãos sobre obrigações e direitos previstos no novo regulamento”, destaca.

Fonte: Agência Brasil