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sexta-feira, abril 17, 2026
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Artigo: Não culpe a ninguém pelas oportunidades perdidas

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Por Fausto Freire

O matogrossense Roberto Campos era, antes de mais nada, um pragmático. Nacionalista, democrata e liberal, Campos foi desses homens que só a história poderá julgar. Uma de suas maiores qualidades foi a de plumitivo, propagador de frases lapidares, como: “Infelizmente, o Brasil nunca perde uma oportunidade de perder oportunidades”. A frase original, no entanto, segundo Sir Algernon West, é do dramaturgo e jornalista britânico, Bernard Shaw, referindo-se a sir Archibald Philip Primrose, primeiro-ministro do Reino Unido e Conde de Rosebery. Sobre ele, Shaw teria dito: Rosebery never missed an occasion of losing an opportunity.

Segundo economistas, estamos entrando na segunda “década perdida” e, ao que tudo indica, ainda não nos damos por satisfeitos. A cada quatro anos, o país tem uma pausa obrigatória: Copa do Mundo e eleições presidenciais, um ano perdido. Além disso, nosso ano fiscal só tem início depois do Carnaval. Ninguém é de ferro… Nossos arquétipos, Jeca Tatu, Macunaima, Diadorim, Antônio Conselheiro e Saci Pererê, formam esse mosaico étnico, reduzido, pelo General Mourão, em preguiçosos e malandros.

Pouco afeita à história, nossa memória política rivaliza com a das amebas. Na era digital, a educação política se limita aos memes, às Dilma Bolada e, achou que eu não ia falar de Choque de Cultura? Achou errado, otário! Tiririca, Cabo Daciolo, bispo fulano, Boulos e seus 50 tons de Temer, Lula e seus 40 ladrões povoam o ideário político pré eleitoral.

Diante de tanta incerteza, o caminho mais fácil é anular o voto, não é mesmo? Errou de novo! Voto anulado representa apoderar, precisamente, aquele candidato que você mais rejeita. E, por falar em rejeição, esse é o maior atributo de nossos candidatos aos cargos majoritários.

Nos últimos 30 anos o brasileiro teve aquele sentimento desagradável de que havia sido tomado por otário, marido enganado, o último a saber. Os menos jovens ainda se lembram dos fiscais do Sarney. Resultado: over night e hiper inflação. Depois vieram os que acreditaram no “caçador de marajás”: perderam a poupança… Em seguida veio o liberalismo com as privatizações e o plano Real, mas, no pacote, estava embutida a reeleição do FHC: perda da confiança no sistema liberal. Ai, vieram os salvadores da Pátria, com seu discurso moralizador, anticorrupção e de defesa dos mais pobres. Consequência: os mais pobres ficaram ainda mais pobres, a classe média ocupou o lugar deles, enquanto os mais riquinhos procuraram a melhor saída: o aeroporto pra Miami!

Agora, temos 13 candidatos presidenciais, que esperam conquistar a nossa confiança, mais combalida que nunca. Ficamos naquela situação: não há como escolher o melhor. A única saída é procurar o menos pior. Com a atual composição partidária, não há como fazer uma boa escolha. A escolha já foi feita, antes que você tivesse a oportunidade de dar a sua opinião. Então o que nos resta? Esperar que o eleito encontre as circunstâncias perfeitas para salvar a pátria?

Nós teremos o Brasil que formos capazes de construir, e não aquele hipotético e sonâmbulo “Brasil que eu Quero para o Futuro”. Não serão os eleitos que promoverão as soluções para todos os problemas que nos afligem, ou para todos os gargalos que precisam ser superados. A posição contemplativa não nos levará a parte alguma. O desejo não embasado no comprometimento, na ação e na participação será sempre uma atitude piegas, sem consequências práticas, nem resultados.

Precisamos de reformas. E por que precisamos de reformas? Pois sem elas não reconquistaremos a capacidade produtiva que, por sua vez depende de investimentos consistentes, muito além daquilo que somos capazes de gerar, com nossos recursos próprios. Mas não necessitamos de qualquer tipo de investimento: precisamos de investimento produtivo. Ou seja, dependemos de investimentos internacionais. Sem eles não haverá crescimento e, sem crescimento não teremos, nem emprego, nem renda. E como se consegue investimento produtivo internacional? Reconquistando a credibilidade perdida com o rebaixamento de nosso “grau de investimento”, disposto pelas agências internacionais de risco.

Para elas, este é o termômetro que irá indicar até que ponto o Brasil está criando as condições para merecer o restabelecimento de sua credibilidade. Convenhamos, não serão os salvadores da pátria, por muito simpáticos que sejam, de direita ou de esquerda, que irão convencer o mundo de que, agora, o Brasil é um país confiável.

A verdade é que vença quem vença, isso não será nem a salvação da lavoura, nem a desgraça pelada. O brasileiro precisa deixar de atribuir às circunstâncias e aos outros a causa de seus males. Precisamos assumir que o Brasil que Queremos para o Futuro depende daquilo que formos capazes de fazer, nós mesmos.

Há outra frase de George Bernard Shaw que resume esse tema: “Há pessoas que estão sempre atribuindo às circunstâncias aquilo que são. Não acredito nas circunstâncias. As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, se não as encontram, as criam.”. (People are always blaming their circumstances for what they are. I don’t believe in circumstances. The people who get on in this world are the people who get up and look for the circumstances they want, and if they can’t find them, make them).

Brasil do Futuro depende das circunstâncias que formos capazes de criar. Oportunidades perdidas são o leite derramado. Temos em nossas mão as ferramentas para mudar as circunstâncias e criar novas oportunidades. As redes sociais motivaram milhões de brasileiros a sair para a rua e mudar as circunstâncias. Não conquistamos o paraíso, mas mostramos que unidos podemos criar novas oportunidades.

Fausto Freire é jornalista e editor do Brazil Monitor e diretor da Solos Comunicação

Natan Benevides aposta no histórico de engajamento político e social para conquistar o eleitor

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O baiano Natan Benevides já morou em diversas cidades da Bahia, em São Paulo e em Portugal, onde fez mestrado em Gestão Estratégica Pública, mas foi no Distrito Federal que escolheu fixar residência. A paixão pela cidade vem da infância, de quando ele visitava familiares.

Formado em administração pela Universidade Estadual da Bahia, Natan é analista júnior/administrador nos Correios, professor universitário e músico. Candidato a deputado distrital pelo Partido Humanista da Solidariedade (PHS) pela primeira vez, Natan terá como principal função nos próximos meses a campanha eleitoral. Para cumprir as obrigações, já se afastou do cargo nos Correios como manda a legislação eleitoral.

Nascido em Nova Redenção (BA) em 1980, Natan é oriundo dos movimentos estudantis e sociais. Desde muito jovem é engajado nas causas do trabalhador, seja do campo ou da cidade. Em sua cidade natal foi coordenador de projetos da Prefeitura Municipal, quando desenvolveu projetos para o crescimento sustentável do município. Confira a entrevista do candidato a 61 Brasília.

Por Adriana de Araújo

61 Brasília: Por que você decidiu morar em Brasília?

Natan Benevides: Desde a infância eu vinha a Brasília, pois parte da minha família residia aqui. Passava alguns períodos aqui, outros no Nordeste. Meu sonho de infância era morar na cidade. Em 2002, eu estava na faculdade e vinha fazer cursos na Enap e na UNB. Depois comecei a trabalhar na Assessoria da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado da Bahia (Fetag) e nos deslocávamos muito para Brasília a trabalho, para defender às reivindicações dos trabalhadores rurais no Congresso Nacional e nos ministérios. Em 2011, resolvi morar definitivamente aqui. Passei em alguns concursos e optei por trabalhar nos Correios.

Foto: Arquivo Pessoal

61 Brasília: Como começou sua atuação política?

Natan Benevides: Com o engajamento social. Sempre militei pelas causas em que acredito, como a da agricultura familiar, do voluntariado e da cultura. Meu pai era teatrólogo. Eu também fui músico da noite, então o envolvimento com essa causa foi muito natural. Na faculdade eu também participava do movimento estudantil e fui diretor de centro acadêmico. Em Brasília, logo que entrei para os Correios eu me associei à Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap) para lutar por melhores condições de trabalho e defender pautas como o Postalis [previdência complementar da categoria]. Com pouco tempo de participação já me convidaram para integrar a diretoria da entidade.

61 Brasília: O que o motivou a se candidatar?

Natan Benevides: Uma candidatura não acontece da noite para o dia. O histórico de engajamento político e social me credenciou a participar da disputa eleitoral. Ser candidato a qualquer cargo eleitoral é uma grande responsabilidade. Você precisa estar preparado para liderar, inspirar e conduzir pessoas e projetos para toda sociedade. Como todo brasileiro, eu andava decepcionado com a política, mas percebi que precisava me envolver novamente, se queria ver alguma mudança de direção das políticas públicas. Tenho uma vida confortável com minha família, mas isso não adianta se tudo o mais ao redor não está bem. As pessoas estão perdendo emprego, empresas fechando as portas, a saúde está precária, e a segurança pública um caos… Por isso decidi participar.

Foto: Arquivo Pessoal

61 Brasília: Se eleito deputado distrital, quais serão suas prioridades?

Natan Benevides: A redução de despesas e a responsabilidade com as contas públicas. A partir desse eixo, vamos priorizar a saúde de qualidade e a educação. Outro tema que precisa de atenção no DF é a segurança pública. As pessoas precisam sair e voltar de suas casas em segurança. Defendo a paridade entre a Polícia Civil do DF e a Polícia Federal e a correção da defasagem da remuneração da Polícia Militar. A profissionalização do serviço público e a valorização do servidor é fundamental para oferecer serviços de qualidade para a população.

61 Brasília: Qual seria sua primeira ação na CLDF?

Natan Benevides: Uma das minhas bandeiras é a redução dos privilégios especiais aos políticos. Meu primeiro ato será abrir mão de parte das verbas de gabinete e indenizatória. Um deputado distrital tem direito a 28 assessores. Pretendo reduzir pela metade a quantidade de contratados. Montarei uma equipe com  profissionais competentes escolhidos de maneira técnica. A sociedade passa por uma crise econômica que é criada pelos próprios políticos. O Congresso Nacional, por exemplo, gasta por ano mais de R$ 10 bilhões. Isso é maior que o PIB de muitos países do mundo. E esse mesmo quadro é replicado nas assembleias legislativas e câmaras municipais. A redução dos custos do estado é fundamental para a saída da crise.

61 Brasília: Hoje, o desemprego no Brasil e em Brasília é um problema sério. No DF há cerca de 300 mil desempregados, quase 19% da população ativa. Como estimular a geração de empregos?

Natan Benevides: Precisamos fomentar a indústria de serviços por meio do incentivo ao turismo de negócios. Além disso, é preciso oferecer qualificação e condições para o empreendorismo de maneira organizada, por meio de associações e cooperativas. E incentivar a atividade agrícola, que tem ótimo potencial de crescimento.

61 Brasília: Quais são os desafios de fazer campanha neste momento de desesperança com a política?

Natan Benevides: Ser candidato neste momento não foi uma escolha fácil. Representa até prejuízo profissional, pois tive que me afastar da minha carreira. Tem muita descrença com a política. Quando você vai defender projetos para a sociedade, isso é recebido com descrédito. Só de você falar que é candidato as pessoas já desconfiam, mesmo que você nunca tenha sido candidato, nem tenha sido indicado para nenhum cargo político. Sempre estive no serviço público por meio de concurso.

61 Brasília: Você disputa sua primeira candidatura. Como concorrer com políticos que já exerceram vários mandatos?

Natan Benevides: Percebo que nessas eleições as pessoas querem mudança. O eleitorado demanda mudança de práticas. Quer novas ideias, atitudes e projetos. Por isso acredito que serei eleito, mesmo concorrendo com candidatos que tem muito dinheiro para investir em campanhas ou que já exerceram diversos mandatos.

Papo Bom Demais: Cristina Roberto realiza círculo de conversas semanais

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Não há nada mais sedutor que uma boa conversa. Aquece a alma, alegra o coração, enriquece a mente e cria laços.  Quem tem uma boa prosa amplia suas chances de adquirir conhecimentos e influenciar pessoas. O primeiro passo para você ser um bom conversador é saber ouvir. Foi por acreditar nisso que a candidata a deputada federal pelo PT, Cristina Roberto, idealizou o círculo de conversa  “Papo Bom Demais”, que já se tornou um sucesso nas noites de quintas-feiras na cidade. Nesta quinta-feira (16), o encontro foi no Café Martinica. O local do próximo ciclo de conversa será divulgado no perfil da candidata no Facebook.

O evento é um espaço aberto a todos aqueles interessados em bater um bom papo e discutir temas específicos e políticas públicas com convidados especialistas nos diferentes assuntos. O encontro é presencial e já aconteceu em diversos pontos de Brasília, sempre com transmissão ao vivo pela internet, o que permite uma maior mobilização e interação com o público.

O Papo Bom Demais começou no Mimo Bar, passou pelo Pardim e nesta semana foi realizado no café Martinica. A candidata Cristina Roberto está entusiasmada com os resultados e pretende até o final da campanha estender o evento para outros locais da cidade.

“As pessoas gostam de discutir política de forma saudável e esclarecedora. Não pretendemos buscar a unanimidade e sim discutir sobre cada tema, observando os diversos ângulos que o compõem. As visões distintas e complementares, sempre nos enriquecem” disse Cristina.

Serviços:

Local: Plano Piloto – https://www.facebook.com/cristinabomdemais/

Dia: Quintas-feiras

Horário: 20h as 21h

Jornalista Conceição Freitas compartilha dica literária

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Conheça os livros preferidos de personalidade do Distrito Federal. Iremos divulgar toda semana um livro sob o olhar de um leitor ou leitora da cidade.  Ele ou ela irá indicar o livro que leu ou está lendo e fará um comentário sobre a leitura. A dica desta semana é da jornalista e escritora Conceição Freitas.

Conceição Freitas é jornalista, cronista, autora de dois livros. Há três anos comanda a Banca da Conceição, na 308 sul. Moradora de Brasília há mais de 30 anos, é da cidade que ela tira o sentido do que escreve. Com olhar ímpar para a capital, Conceição publicou crônicas diárias por 10 anos. Atualmente, além de jornaleira, compartilha o olhar atento para a cidade por meio de um blog, onde os leitores podem conferir um pouco da sua escrita.

A Banca da Conceição é porta de entrada para turistas, arquitetos e estudantes interessados em saber um pouco mais sobre como é viver na superquadra, um modelo de moradia e convivência urbana que Lucio Costa aprimorou a partir de princípios do urbanismo moderno. A banquinha, como é carinhosamente nomeada por Conceição, também virou ponto de encontro para escritores de Brasília e de fora que, com frequência, participam de roda de conversas com leitores.

Está lendo pela terceira vez Lolita do russo Vladimir Nabokov, radicado nos Estados Unidos para fugir da guerra. O romance foi publicado na França, em 1955, após ser rejeitado por cinco editoras norte-americanas. O livro só seria publicado nos EUA em 1958. Polêmica, irônica e tocante, a obra narra o amor obsessivo de Humbert Humbert, um cínico intelectual de meia-idade por uma adolescente. Lolita é uma história de paixão e ruína.

Segundo Conceição, o que mais chama a atenção no romance são a qualidade literária e a genialidade do narrador. “Como escritora, tento me impregnar dessa qualidade técnica”, ressalta. Conceição destaca que o livro “fala, sobretudo, sobre amor intenso, que é o que me move naquilo que faço”, explica. “O autor tem um olhar cínico e amargo, diferente do meu” descreve.

Acesse o blog da Banca da Conceição  www.bancadaconceicao.com.br

Hoje tem: Walking Gallery – Exposição Individual Itinerante

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Evento de 2016 Foto: Cristiano Costa

Dia Mundial da Fotografia é comemorado em Brasília com intervenção urbana e exposição democrática aberta a todos que amam a sétima arte

Evento de 2016
Foto: Cristiano Costa

Em 19 de agosto é comemorado o Dia Mundial da Fotografia e para marcar a data, o grupo Lente Cultural Coletivo Fotográfico (responsável pelo Mês da Fotografia 2018) realiza a segunda edição do “Walking Gallery” – Exposição Individual Itinerante, uma intervenção urbana que chamou bastante atenção da cidade para a sétima arte no ano de 2016, e promete chamar muito ainda mais neste ano. A ideia é que fotógrafos de todos os tipos, sejam profissionais ou amadores, tragam fotos autorais impressas para percorrer um tour de pontos em uma verdadeira ocupação do Setor Comercial Sul (SCS), região central do Plano Piloto, expondo assim suas obras nas mãos para quem passa por ali.

O organizador do evento, Eraldo Peres destaca que a participação no Walking Gallery é livre, basta aos interessados confirmarem sua presença via e-mail (expomes@gmail.com). “Esta é uma das atividades mais divertidas e esperadas pelo público brasilense, uma vez que fotógrafos e simpatizantes podem trocar conhecimentos, fazer amizades e compartilhar sua paixão comum” avalia Peres. “Brasília toda está convidada e quem quiser aparecer de última hora, também será muito bem-vindo”, completa.

Evento de 2016
Foto: Cristiano Costa

O “Walking Gallery Brasília” começa a partir das 15h de hoje, dia 17 de agosto, na Praça Central do Setor Comercial Sul (próxima ao banco BRB) e seguirá num tour com paradas na Praça dos Artistas, na Praça do Povo, retornando ao primeiro ponto, onde será inaugurado um mural fotográfico que permanecerá em exposição nas duas próximas semanas dentro da programação do Mês da Fotografia. O Duo Lenzi de artistas circenses acompanha os expositores ambulantes em todo o trajeto, trazendo um tom lúdico e de festividade ao evento que rende homenagem ao Dia Mundial da Fotografia no ano de 2018.

Aproveite para conferir todo o painel de exposições coletivas, lançamentos de livros, workshop, bate-papos do Mês da Fotografia e ainda mais informações sobre o Walking Gallery clicando aqui.

Serviço:
“Walking Gallery” – Exposição Individual Itinerante
Local: Concentração e ponto de partida na Praça Central do Setor Comercial Sul (próxima à BRB)
Quando: 17 de agosto a partir das 15h
Preço: Atividade gratuita

Leo Hamu mostra potencial da gastronomia de Brasília

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O Chef apresentou prato com carne suína e outros ingredientes de produção local no 30º Congresso Abrasel

Por Adriana de Araújo 

Foto: Adriana de Araújo

Leonardo Hamu mostrou o potencial da gastronomia brasiliense em aula demonstrativa ministrada no IESB, nesta quarta-feira (15). Como parte da programação do 30º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o chef preparou um corte suíno de copa lombo, acompanhado de salada de ora-pro-nóbis, favas e batata mangarito. Convidado para falar sobre ecogastronomia por trabalhar com ingredientes locais, Hamu é um entusiasta da linha slowfood e responsável por resgatar sabores típicos do Cerrado e da culinária do Centro-Oeste.

A ecogastronomia pressupõe o uso do alimento de boa qualidade, produzido de maneira sustentável e com uma remuneração justa para o produtor. “É o consumo consciente e ético”, explicou Hamu. O conceito valoriza, sobretudo, alimentos produzidos próximo ao local de consumo. “É mais fácil garantir a qualidade da matéria prima quando ela é produzida no ecossistema onde será consumida, com produtos menos viajados, que requeiram menos tempo de geladeira, e não precisem ser submetidos a agrotóxicos ou condições de radiação especial para manutenção em prateleira”, destacou.

Foto: R. Castilho JR

A ideia é aproximar produtor, chef e consumidor. Hamu também é produtor rural e é do campo que vem a inspiração para a gastronomia. Para a aula ministrada durante o Congresso, o chef escolheu ingredientes que mostrassem a variedade e qualidade da produção regional, como a batata mangarito. Deixada de lado em detrimento do cultivo da batata inglesa, a leguminosa está sendo resgatada para a gastronomia. Hamu ressaltou também a qualidade da carne suína produzida em Brasília, ingrediente principal do prato apresentado. Relegada durante muito tempo, o corte copa lombo é uma das peças mais ricas do suíno, especialmente em função da marmorização que carrega. Por isto, oferece um cativante bife, conhecido também como bife de ancho. “O prato vai agregar valor ao corte com a combinação com ingredientes locais”, disse.

Para a professora de gastronomia do Senac, Carol Gregório, resgatar o simples é o diferencial dessa linha da gastronomia. “O que avó fazia precisa ser valorizado”, enfatizou.  Para ela, o trabalho de Leo Hamu é fundamental para fomentar o crescimento da cozinha do DF e a divulgação dos ingredientes da região. “Hoje ainda é difícil encontrar no mercado alguns desses alimentos.  Você encontra produtos do mundo todo nos mercados, mas não encontra castanha de baru” comentou durante participação no Congresso.

Leo Hamu

Os tachos de cobre, as carnes caipira e os sabores típicos do Cerrado sempre estiveram presentes na memória afetiva de Leonardo Hamu, neto de sírio-libaneses que aportaram no Brasil no final do século XIX. As origens árabes renderam bons frutos para a família, que comanda o empório Lagash Mediterranée, marca reestruturada do Restaurante Lagash, que teve Leonardo Hamu como chef durante 15 anos.


30º Congresso Nacional Abrasel

O 30º Congresso Nacional Abrasel  é o maior evento de conhecimento e inteligência do setor da alimentação fora do lar, contando com a participação dos principais líderes empresariais das mais importantes organizações nacionais, chefs de cozinha reconhecidos internacionalmente e consultores renomados. O evento começou na terça-feira (14) e se encerra hoje (16).

Programação: https://www.congressoabrasel.com.br/programacao-2018/