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terça-feira, julho 7, 2026
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Campanha de Vacinação contra a Pólio e o Sarampo vai até dia 31

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Sábado (18) foi o dia D de Vacinação contra a Pólio e o Sarampo.  Mas a campanha segue até 31 de agosto nos postos de saúde. Devem ser vacinadas crianças que tenham mais de um ano e menos que cinco.  A meta do governo federal é imunizar 11,2 milhões de crianças e atingir o marco de 95% de cobertura vacinal nessa faixa etária, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Este ano, a vacinação será feita de forma indiscriminada, ou seja, pretende imunizar todas as crianças na faixa etária estabelecida. Isso significa que mesmo as que já estão com esquema vacinal completo devem ser levadas aos postos de saúde para receber mais um reforço. No caso da pólio, crianças que não tomaram nenhuma dose ao longo da vida devem receber a VIP. As que já tomaram uma ou mais doses devem receber a VOP. E, para o sarampo, todas devem receber uma dose da Tríplice Viral – desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

Sarampo

A doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, é transmitida pela fala, tosse e o espirro, e extremamente contagiosa, mas pode ser prevenida pela vacina. Pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. As complicações infecciosas contribuem para a gravidade do quadro, particularmente em crianças desnutridas e menores de 1 ano. Em algumas partes do mundo, a doença é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos.

Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus. Atualmente, entretanto, o país enfrenta surtos de sarampo em Roraima e no Amazonas, além de casos já identificados em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Rondônia e no Rio de Janeiro.

Pólio

Causada por um vírus que vive no intestino, o poliovírus, a poliomielite geralmente atinge crianças com menos de 4 anos de idade, mas também pode contaminar adultos. A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas, e há semelhanças com infecções respiratórias – como febre e dor de garganta – e gastrointestinais – como náusea, vômito e prisão de ventre.

Cerca de 1% dos infectados pelo vírus desenvolve a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

Dúvidas

Veja a seguir algumas das principais perguntas e respostas relacionadas à campanha, com base em informações divulgadas pelo Ministério da Saúde:

Quando e onde ocorre a campanha?

Entre 6 e 31 de agosto, com o Dia D agendado para 18 de agosto, em postos de saúde de todo o país.

Qual o foco da campanha?

Crianças com idade entre 1 ano e 5 anos incompletos (4 anos e 11 meses).

Crianças que já foram vacinadas anteriormente devem ser levadas aos postos?

Sim. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem comparecer aos postos. Quem estiver com o esquema vacinal incompleto receberá as doses necessárias para atualização e quem estiver com o esquema vacinal completo receberá outro reforço.

Qual a vacina usada contra a pólio?

Crianças que nunca foram imunizadas contra a pólio vão receber a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), na forma injetável. Crianças que já receberam uma ou mais doses contra a pólio vão receber a Vacina Oral Poliomielite (VOP), na forma de gotinha.

Qual a vacina usada contra o sarampo?

A vacina contra o sarampo usada na campanha é a Tríplice Viral, que protege também contra a rubéola e a caxumba. Todas as crianças na faixa etária estabelecida vão receber uma dose da Tríplice Viral, independentemente de sua situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

Adultos participam da campanha?

Não. A campanha tem como foco crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos.

Mesmo não sendo foco da campanha, adultos precisam de alguma das duas doses?

Sim. Conforme previsto no Calendário Nacional de Vacinação, adultos com até 29 anos que não tiverem completado o esquema na infância devem receber duas doses da Tríplice Viral e adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose da Tríplice Viral. O adulto que não souber sua situação vacinal deve procurar o posto de saúde mais próximo para tomar as doses previstas para sua faixa etária.

Com Agência Brasil

Chef Dudu Camargo organiza ação solidária

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Foto: Elio Oliveira

Chef Dudu Camargo oferece almoço, para APAE-DF, em comemoração à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

Entre 21 e 28 de agosto, é comemorada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Durante esses dias, executivos, empresários e representantes de todas as classes sociais contribuem com a luta pela cidadania.

Foto: Elio Oliveira

O chef Dudu Camargo, do Grupo Dudu Camargo, é um dos empreendedores que, há mais de 20 anos, oferece um almoço em homenagem à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Como neste ano não poderia ser diferente, no dia 22 de agosto, ele vai servir uma feijoada junto à APAE-DF – organização não-governamental, sem fins lucrativos, que promove a educação profissional e o encaminhamento de pessoas com deficiência mental para o mercado de trabalho – para 600 pessoas entre aprendizes, professores e instrutores, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), no Setor de Clubes Sul. No cardápio, ainda haverá refrigerante e sobremesa (doces caseiros).

Os voluntários são peças-chave no desenvolvimento e sobrevivência das organizações não-governamentais. “Muitas vezes as pessoas confundem, pensam que para ser voluntário há a necessidade de só doar dinheiro. Mas não é bem assim, os esforços e o trabalho são muito bem-vindos”, ensina o chef  Dudu Camargo. E a parceria do restauranter vai além do almoço. Tralhando há oito anos no Dudu Bar, Carolina Coutinho fez vários cursos profissionalizantes na Apae – DF. Graças à instituição, hoje, ela tem um emprego.

Atualmente, a APAE/DF beneficia cerca de 730 pessoas por ano, entre profissionais com deficiência acompanhados no mercado de trabalho e aprendizes ainda em formação nas oficinas da entidade. Além de sua sede, localizada em Brasília, a associação possui outras unidades de atendimento em Ceilândia, Sobradinho e Guará.

Serviço:
APAE-DF
Endereço: SHCN 711/911 Conjunto E – Brasília/DF
Hora: 12h
Informações: www.apaedf.org.br
Grupo Dudu Camargo – www.duducamargo.com.br
Instagram: @chefduducamargo
Facebook: Chef Dudu Camargo

Toninho do PSOL fala sobre eleições e apoio à candidatura de Professora Fátima como governadora do DF

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Candidato a deputado distrital, Toninho do PSOL defende que a Câmara Legislativa do DF precisa de uma representação política militante

 

Foto: Karina Zambrana

Candidato a governador do DF nos anos de 2006, 2010 e 2014, o psicólogo da Secretaria de Saúde do DF diz que a experiência dos anos anteriores foi essencial para tornar seu nome conhecido e conseguir desenvolver seu trabalho de forma mais efetiva.

Toninho afirma que está muito confiante na eleição da Professora Fátima como governadora do Distrito Federal e diz que, se eleito deputado distrital, pretende propor uma candidatura de representação para todos os nichos da população do Distrito Federal.

“As pessoas hoje, vêem a Câmara Legislativa como um balcão de negociações. Está mais do que na hora de reverter esta situação e mudar o perfil da Câmara de forma a atender as necessidades da população”, afirma.

Antônio Carlos de Andrade é psicólogo e cientista político. Atua como militante socialista desde os anos 70, é dirigente do PSOL-DF e candidato a deputado distrital em 2018.

Lei de Proteção de Dados trará impactos a pessoas, empresas e governos

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A Lei Geral de Proteção de Dados (13.709) foi sancionada nesta semana pelo presidente Michel Temer. A norma traz regras sobre a coleta e o tratamento de informações de pessoas por empresas e órgãos do poder público. A norma, que ainda terá um período de transição de 18 meses antes de entrar em vigor, terá impactos nas atividades cotidianas de usuários, empresas e órgãos da administração pública.

A lei trará consequências especialmente no mundo online, uma vez que os usuários têm registros e atividades coletados e tratados diariamente não somente por plataformas (como Facebook ou Google) mas por uma série de outras empresas sem que eles saibam. Mas também valerá no mundo offline, como no pedido de CPF para compras em farmácias ou na hora de entrar em um prédio residencial ou comercial.

Segundo a norma, dados pessoais são informações que podem identificar alguém. Não se trata, portanto, apenas do nome. Mas um endereço ou até mesmo empego podem ser considerados como tal se permitirem identificar alguém quando cruzados com outros registros.

Dentro do conceito, foi criada uma categoria chamada de “dado sensível”, informações sobre origem racial ou étnica, convicções religiosas, opiniões políticas, saúde ou vida sexual. Registros como esses passam a ter nível maior de proteção, para evitar formas de discriminação. Esse tipo de característica não poderá ser considerado, por exemplo, para direcionamento de anúncios publicitários sem que haja um consentimento específico e destacado do titular. Já registros médicos não poderão ser comercializados.

Mas quem fica sujeito à lei? Todas as atividades realizadas ou pessoas que estão no Brasil. A norma valerá para coletas operadas em outro país desde que estejam relacionadas a bens ou serviços ofertados a brasileiros. Se um site de cursos online, por exemplo, comercializa aulas em português ou voltada a brasileiros, deverá cumprir as exigências da norma.

Finalidade específica e consentimento

Uma empresa não poderá coletar dados para fazer o que quiser com eles, mas deverá informar a finalidade. Um site que solicite dados de idade em um cadastro sem que isso tenha a ver com o serviço prestado pode ser questionado. A coleta só poderá ocorrer em situações específicas, sendo a principal delas mediante a obtenção de autorização do titular (o chamado consentimento). A tendência, portanto, é que os usuários passem a ser perguntados mais frenquentemente se dão sua permissão. Neste momento, será importante ler o motivo da coleta para identificar se os dados solicitados têm relação com a finalidade da atividade.

Ao aceitar repassar seus dados, como ao concordar com termos e condições de um aplicativo, as empresas passam a ter o direito de tratar os dados (respeitada a finalidade específica), desde que em conformidade com a lei. Entretanto, as empresas passarão a ter uma série de obrigações, como a garantia da segurança dessas informações e a notificação do titular em caso de um incidente de segurança. Para citar um exemplo, quando o Facebook tomou conhecimento que os dados 87 milhões de pessoas (entre elas brasileiros) haviam sido entregues à empresa de marketing digital Cambridge Analytica, ele não avisou aos usuários afetados.

“Antes, se uma empresa coletasse dados pessoais de clientes, não aplicasse nenhum tipo de segurança sobre esses os dados e depois sofresse algum ataque, dificilmente a empresa sofreria algum tipo de punição. Agora, a empresa terá que comprovar que tem uma estrutura de segurança preparada para assegurar a proteção dos dados e poderá receber multas caso não cumpra as regras”, explica Jeferson Propheta, diretor-geral da McAfee no Brasil, empresa que comercializa programas antivírus.

A norma permite a reutilização dos dados por empresas ou órgãos públicos, em caso de “legítimo interesse” desses. Estabelece, no entanto, que esse reúso só pode ocorrer em uma situação concreta, em serviços que beneficiem o titular e com dados “estritamente necessários”, respeitando os direitos dele. Um desafio da lei será exatamente a avaliação das situações específicas nas quais uma empresa alegue o “legítimo interesse” e se o reúso respeita as exigências.

Direitos

De outro lado, o titular ganhou uma série de direitos. Ele poderá, por exemplo, solicitar os dados que a empresa tem sobre ele, a quem foram repassados (em situações como a de reutilização por “legítimo interesse”) e para qual finalidade. Caso os registros estejam incorretos, poderá cobrar a correção. Em determinados casos, o titular terá o direito de se opor a um tratamento. A lei também permitirá a revisão de decisões automatizadas tomadas com base no tratamento de dados (como as notas de crédito ou perfis de consumo).

“O usuário de mídias sociais poderá solicitar a qualquer momento o acesso aos dados pessoais mantidos pelas plataformas. Além disso, terá o direito de solicitar a uma empresa que elaborou o seu score financeiro o acesso aos dados pessoais que justificaram a determinação do seu perfil (ainda que automatizada), inclusive para solicitar a correção de qualquer dado incorreto ou inexato”, exemplifica a advogada especializada em direito digital Vanessa Lerner.

O titular terá ainda direito à portabilidade de suas informações, assim como ocorre com número de telefone. A autoridade regulatória, se criada, deve definir no futuro como isso será feito. Mas a possibilidade de levar os dados consigo é importante para que uma pessoa possa trocar de aplicativo sem perder seus contatos, fotos ou publicações.

Crianças de até 12 anos ganharam garantias específicas na lei. A coleta fica sujeita a uma série de restrições, deve ser informada de maneira acessível para esse público e será condicionada à autorização de pelo menos um dos pais.

Negócios

Ao estabelecer garantias e responsabilidades para as empresas, a lei vai ter impacto importante nos negócios realizados no Brasil e com parceiras estrangeiras. A primeira mudança é que, com sua aprovação, o país passa a atender a exigências de outros países e regiões, como a União Europeia. Sem isso, as empresas nativas poderiam ter dificuldades para fechar negócios.

Na avaliação do gerente executivo de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), João Emílio Gonçalves, as empresas terão que adotar uma série de medidas para se adequar à nova legislação quando entrar em vigor. Para além da garantia da segurança dos dados, terão que eleger um “encarregado de proteção de dados”, que terá a função de receber reclamações, comunicações, orientar funcionários da empresa, entre outras atribuições.

A maior preocupação dele será com as pequenas e médias empresas. Em alguns casos, a adequação à lei  poderá exigir revisão de processos. “De modo geral, as empresas que atuam no mercado internacional ou que realizam transferências internacionais de dados estão mais preparadas para lidar com a nova lei, pois já vinham se adaptando aos regulamentos de outros países, como os da União Europeia. O maior desafio será para as empresas menores e aquelas mais restritas ao mercado local”, alerta.

Autoridade regulatória

A normatização e fiscalização ficariam a cargo do que o texto aprovado no Senado chamou de Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Contudo, os artigos que tratavam da criação da agência foram vetados pelo presidente Michel Temer, com a justificativa de que o Congresso não poderia aprovar um novo órgão. O governo informou que deve enviar um projeto de lei ao Congresso prevendo a implantação da autoridade.

Para o pesquisador da Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits) Bruno Bioni, a existência da autoridade é fundamental para que ela possa aplicar os princípios previstos na lei aos casos concretos. “A lei não faz menção a uma tecnologia em específico. Por isso, será necessária a figura da autoridade para traduzir esses direitos de acordo com desafios que novas tecnologias vão colocar. Se falamos hoje em Big Data [coleta massiva de dados] e inteligência artificial, daqui a pouco falaremos de computação quântica”, argumenta.

Para João Emílio Gonçalves, da CNI, a autoridade é importante desde já, e não apenas quando a lei entrar em vigor. “A criação da autoridade é fundamental. Sua função vai muito além da fiscalização e repressão. Na verdade, a agência será importante desde já, pois contribuirá para orientar as empresas e os cidadãos sobre obrigações e direitos previstos no novo regulamento”, destaca.

Fonte: Agência Brasil

Artigo: Não culpe a ninguém pelas oportunidades perdidas

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Por Fausto Freire

O matogrossense Roberto Campos era, antes de mais nada, um pragmático. Nacionalista, democrata e liberal, Campos foi desses homens que só a história poderá julgar. Uma de suas maiores qualidades foi a de plumitivo, propagador de frases lapidares, como: “Infelizmente, o Brasil nunca perde uma oportunidade de perder oportunidades”. A frase original, no entanto, segundo Sir Algernon West, é do dramaturgo e jornalista britânico, Bernard Shaw, referindo-se a sir Archibald Philip Primrose, primeiro-ministro do Reino Unido e Conde de Rosebery. Sobre ele, Shaw teria dito: Rosebery never missed an occasion of losing an opportunity.

Segundo economistas, estamos entrando na segunda “década perdida” e, ao que tudo indica, ainda não nos damos por satisfeitos. A cada quatro anos, o país tem uma pausa obrigatória: Copa do Mundo e eleições presidenciais, um ano perdido. Além disso, nosso ano fiscal só tem início depois do Carnaval. Ninguém é de ferro… Nossos arquétipos, Jeca Tatu, Macunaima, Diadorim, Antônio Conselheiro e Saci Pererê, formam esse mosaico étnico, reduzido, pelo General Mourão, em preguiçosos e malandros.

Pouco afeita à história, nossa memória política rivaliza com a das amebas. Na era digital, a educação política se limita aos memes, às Dilma Bolada e, achou que eu não ia falar de Choque de Cultura? Achou errado, otário! Tiririca, Cabo Daciolo, bispo fulano, Boulos e seus 50 tons de Temer, Lula e seus 40 ladrões povoam o ideário político pré eleitoral.

Diante de tanta incerteza, o caminho mais fácil é anular o voto, não é mesmo? Errou de novo! Voto anulado representa apoderar, precisamente, aquele candidato que você mais rejeita. E, por falar em rejeição, esse é o maior atributo de nossos candidatos aos cargos majoritários.

Nos últimos 30 anos o brasileiro teve aquele sentimento desagradável de que havia sido tomado por otário, marido enganado, o último a saber. Os menos jovens ainda se lembram dos fiscais do Sarney. Resultado: over night e hiper inflação. Depois vieram os que acreditaram no “caçador de marajás”: perderam a poupança… Em seguida veio o liberalismo com as privatizações e o plano Real, mas, no pacote, estava embutida a reeleição do FHC: perda da confiança no sistema liberal. Ai, vieram os salvadores da Pátria, com seu discurso moralizador, anticorrupção e de defesa dos mais pobres. Consequência: os mais pobres ficaram ainda mais pobres, a classe média ocupou o lugar deles, enquanto os mais riquinhos procuraram a melhor saída: o aeroporto pra Miami!

Agora, temos 13 candidatos presidenciais, que esperam conquistar a nossa confiança, mais combalida que nunca. Ficamos naquela situação: não há como escolher o melhor. A única saída é procurar o menos pior. Com a atual composição partidária, não há como fazer uma boa escolha. A escolha já foi feita, antes que você tivesse a oportunidade de dar a sua opinião. Então o que nos resta? Esperar que o eleito encontre as circunstâncias perfeitas para salvar a pátria?

Nós teremos o Brasil que formos capazes de construir, e não aquele hipotético e sonâmbulo “Brasil que eu Quero para o Futuro”. Não serão os eleitos que promoverão as soluções para todos os problemas que nos afligem, ou para todos os gargalos que precisam ser superados. A posição contemplativa não nos levará a parte alguma. O desejo não embasado no comprometimento, na ação e na participação será sempre uma atitude piegas, sem consequências práticas, nem resultados.

Precisamos de reformas. E por que precisamos de reformas? Pois sem elas não reconquistaremos a capacidade produtiva que, por sua vez depende de investimentos consistentes, muito além daquilo que somos capazes de gerar, com nossos recursos próprios. Mas não necessitamos de qualquer tipo de investimento: precisamos de investimento produtivo. Ou seja, dependemos de investimentos internacionais. Sem eles não haverá crescimento e, sem crescimento não teremos, nem emprego, nem renda. E como se consegue investimento produtivo internacional? Reconquistando a credibilidade perdida com o rebaixamento de nosso “grau de investimento”, disposto pelas agências internacionais de risco.

Para elas, este é o termômetro que irá indicar até que ponto o Brasil está criando as condições para merecer o restabelecimento de sua credibilidade. Convenhamos, não serão os salvadores da pátria, por muito simpáticos que sejam, de direita ou de esquerda, que irão convencer o mundo de que, agora, o Brasil é um país confiável.

A verdade é que vença quem vença, isso não será nem a salvação da lavoura, nem a desgraça pelada. O brasileiro precisa deixar de atribuir às circunstâncias e aos outros a causa de seus males. Precisamos assumir que o Brasil que Queremos para o Futuro depende daquilo que formos capazes de fazer, nós mesmos.

Há outra frase de George Bernard Shaw que resume esse tema: “Há pessoas que estão sempre atribuindo às circunstâncias aquilo que são. Não acredito nas circunstâncias. As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, se não as encontram, as criam.”. (People are always blaming their circumstances for what they are. I don’t believe in circumstances. The people who get on in this world are the people who get up and look for the circumstances they want, and if they can’t find them, make them).

Brasil do Futuro depende das circunstâncias que formos capazes de criar. Oportunidades perdidas são o leite derramado. Temos em nossas mão as ferramentas para mudar as circunstâncias e criar novas oportunidades. As redes sociais motivaram milhões de brasileiros a sair para a rua e mudar as circunstâncias. Não conquistamos o paraíso, mas mostramos que unidos podemos criar novas oportunidades.

Fausto Freire é jornalista e editor do Brazil Monitor e diretor da Solos Comunicação

Natan Benevides aposta no histórico de engajamento político e social para conquistar o eleitor

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O baiano Natan Benevides já morou em diversas cidades da Bahia, em São Paulo e em Portugal, onde fez mestrado em Gestão Estratégica Pública, mas foi no Distrito Federal que escolheu fixar residência. A paixão pela cidade vem da infância, de quando ele visitava familiares.

Formado em administração pela Universidade Estadual da Bahia, Natan é analista júnior/administrador nos Correios, professor universitário e músico. Candidato a deputado distrital pelo Partido Humanista da Solidariedade (PHS) pela primeira vez, Natan terá como principal função nos próximos meses a campanha eleitoral. Para cumprir as obrigações, já se afastou do cargo nos Correios como manda a legislação eleitoral.

Nascido em Nova Redenção (BA) em 1980, Natan é oriundo dos movimentos estudantis e sociais. Desde muito jovem é engajado nas causas do trabalhador, seja do campo ou da cidade. Em sua cidade natal foi coordenador de projetos da Prefeitura Municipal, quando desenvolveu projetos para o crescimento sustentável do município. Confira a entrevista do candidato a 61 Brasília.

Por Adriana de Araújo

61 Brasília: Por que você decidiu morar em Brasília?

Natan Benevides: Desde a infância eu vinha a Brasília, pois parte da minha família residia aqui. Passava alguns períodos aqui, outros no Nordeste. Meu sonho de infância era morar na cidade. Em 2002, eu estava na faculdade e vinha fazer cursos na Enap e na UNB. Depois comecei a trabalhar na Assessoria da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado da Bahia (Fetag) e nos deslocávamos muito para Brasília a trabalho, para defender às reivindicações dos trabalhadores rurais no Congresso Nacional e nos ministérios. Em 2011, resolvi morar definitivamente aqui. Passei em alguns concursos e optei por trabalhar nos Correios.

Foto: Arquivo Pessoal

61 Brasília: Como começou sua atuação política?

Natan Benevides: Com o engajamento social. Sempre militei pelas causas em que acredito, como a da agricultura familiar, do voluntariado e da cultura. Meu pai era teatrólogo. Eu também fui músico da noite, então o envolvimento com essa causa foi muito natural. Na faculdade eu também participava do movimento estudantil e fui diretor de centro acadêmico. Em Brasília, logo que entrei para os Correios eu me associei à Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap) para lutar por melhores condições de trabalho e defender pautas como o Postalis [previdência complementar da categoria]. Com pouco tempo de participação já me convidaram para integrar a diretoria da entidade.

61 Brasília: O que o motivou a se candidatar?

Natan Benevides: Uma candidatura não acontece da noite para o dia. O histórico de engajamento político e social me credenciou a participar da disputa eleitoral. Ser candidato a qualquer cargo eleitoral é uma grande responsabilidade. Você precisa estar preparado para liderar, inspirar e conduzir pessoas e projetos para toda sociedade. Como todo brasileiro, eu andava decepcionado com a política, mas percebi que precisava me envolver novamente, se queria ver alguma mudança de direção das políticas públicas. Tenho uma vida confortável com minha família, mas isso não adianta se tudo o mais ao redor não está bem. As pessoas estão perdendo emprego, empresas fechando as portas, a saúde está precária, e a segurança pública um caos… Por isso decidi participar.

Foto: Arquivo Pessoal

61 Brasília: Se eleito deputado distrital, quais serão suas prioridades?

Natan Benevides: A redução de despesas e a responsabilidade com as contas públicas. A partir desse eixo, vamos priorizar a saúde de qualidade e a educação. Outro tema que precisa de atenção no DF é a segurança pública. As pessoas precisam sair e voltar de suas casas em segurança. Defendo a paridade entre a Polícia Civil do DF e a Polícia Federal e a correção da defasagem da remuneração da Polícia Militar. A profissionalização do serviço público e a valorização do servidor é fundamental para oferecer serviços de qualidade para a população.

61 Brasília: Qual seria sua primeira ação na CLDF?

Natan Benevides: Uma das minhas bandeiras é a redução dos privilégios especiais aos políticos. Meu primeiro ato será abrir mão de parte das verbas de gabinete e indenizatória. Um deputado distrital tem direito a 28 assessores. Pretendo reduzir pela metade a quantidade de contratados. Montarei uma equipe com  profissionais competentes escolhidos de maneira técnica. A sociedade passa por uma crise econômica que é criada pelos próprios políticos. O Congresso Nacional, por exemplo, gasta por ano mais de R$ 10 bilhões. Isso é maior que o PIB de muitos países do mundo. E esse mesmo quadro é replicado nas assembleias legislativas e câmaras municipais. A redução dos custos do estado é fundamental para a saída da crise.

61 Brasília: Hoje, o desemprego no Brasil e em Brasília é um problema sério. No DF há cerca de 300 mil desempregados, quase 19% da população ativa. Como estimular a geração de empregos?

Natan Benevides: Precisamos fomentar a indústria de serviços por meio do incentivo ao turismo de negócios. Além disso, é preciso oferecer qualificação e condições para o empreendorismo de maneira organizada, por meio de associações e cooperativas. E incentivar a atividade agrícola, que tem ótimo potencial de crescimento.

61 Brasília: Quais são os desafios de fazer campanha neste momento de desesperança com a política?

Natan Benevides: Ser candidato neste momento não foi uma escolha fácil. Representa até prejuízo profissional, pois tive que me afastar da minha carreira. Tem muita descrença com a política. Quando você vai defender projetos para a sociedade, isso é recebido com descrédito. Só de você falar que é candidato as pessoas já desconfiam, mesmo que você nunca tenha sido candidato, nem tenha sido indicado para nenhum cargo político. Sempre estive no serviço público por meio de concurso.

61 Brasília: Você disputa sua primeira candidatura. Como concorrer com políticos que já exerceram vários mandatos?

Natan Benevides: Percebo que nessas eleições as pessoas querem mudança. O eleitorado demanda mudança de práticas. Quer novas ideias, atitudes e projetos. Por isso acredito que serei eleito, mesmo concorrendo com candidatos que tem muito dinheiro para investir em campanhas ou que já exerceram diversos mandatos.