Abertas inscrições para nova edição do Casamento Comunitário
Oitenta casais serão selecionados para a cerimônia, que deverá ocorrer em 27 de maio. Interessados podem se inscrever até 20 de março
As inscrições para a 17ª edição do Casamento Comunitário do Distrito Federal estarão abertas até 20 de março. Serão escolhidos 80 casais pelo critério de menor renda.
Divulgação. Internet
O edital foi publicado nessa segunda-feira (19) no Diário Oficial do DF. O cadastro pode ser feito nas unidades do Na Hora e na sede da Secretaria de Justiça e Cidadania, idealizadora do programa.
A cerimônia ocorrerá em 27 de maio, e o local será definido pela secretaria. São oferecidos aos casais que participarem a gratuidade das taxas cartorárias, serviços e brindes para as noivas.
Os casais participantes vão passar por um processo seletivo de avaliação de documentos, encontro para fortalecimento de vínculo e ensaio geral da celebração.
Para concorrer a uma das vagas, os interessados devem apresentar:
Original e cópia da carteira de identidade (RG)
Original e cópia de Cadastro de Pessoa Física (CPF)
Fotografia 3×4 de cada candidato
Cópia do comprovante de renda
Cópia do comprovante de residência — último mês de referência em nome de um dos candidatos
Cópia da carteira de trabalho (Número de série, foto, verso e contrato de trabalho da última página com o registro)
As testemunhas deverão ser maiores de 18 anos, apresentar cópias do RG, CPF, endereço e consignar número de contato telefônico.
Serão feitos dois encontros preliminares com a participação dos casais, em que o primeiro será para tirar dúvidas e o segundo para ensaio geral do casamento comunitário.
Inscrições para o 17º Casamento Comunitário
De 19 de fevereiro a 20 de março
Nas unidades do Na Hora: de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas
Na Secretaria de Justiça (antiga Estação Rodoferroviária): de segunda a sexta-feira, em horário comercial
DF é a única unidade da Federação onde elas ganham mais do que eles
Dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho, com base na Rais 2016. Rendimento médio das mulheres chegou a R$ 5.262,80
A participação das mulheres no mercado formal de trabalho passou de 40,85% em 2007 para 44% em 2016, segundo os dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho. No mesmo período, as trabalhadoras reduziram de 17% para 15% a diferença salarial em relação aos homens. Porém, o Distrito Federal é a única unidade da Federação onde o rendimento delas é maior do que o deles. Na capital do país, enquanto as mulheres ganharam R$ 5.261,80, em média, os homens não passaram de R$ 5.196,10.
“Em Brasília, as mulheres têm nível de escolaridade alto, muitas com especializações. Além disso, boa parte delas optou pela maternidade tardia, investindo na profissão”, justifica Amanda Krisler, consultora em recursos humanos.
Segundo Krisler, chega a ser comum o caso de mulheres que dispensam oportunidades de trabalho para ganhar pouco. “Aqui, elas sabem quanto valem. Quanto vale, por exemplo, uma rotina dupla de mãe e profissional. Isso tem um custo e o mercado começou a entender”, completa.
Segundo os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho, dos 46,1 milhões de empregos formais registrados na Rais em 2016, os homens somavam 25,8 milhões de vínculos empregatícios (56% do estoque de empregos no ano), e as mulheres, 20,3 milhões (44%). Dez anos antes, em 2007, os homens respondiam por 59,15%, e as mulheres, por 40,85% dos 37,6 milhões de postos de trabalho.
Apesar de ainda significativa, a disparidade salarial também diminuiu nos dez anos analisados. Em 2007, o rendimento dos homens era R$ 1.458,51 e das mulheres R$ 1.207,36, uma diferença de 17%. Em 2016, a diferença de remuneração média entre homens e mulheres era de 15%. A média salarial masculina era de R$ 3.063,33 e a feminina, R$ 2.585,44.
Para o ministro do Trabalho substituto, Helton Yomura, os dados mostram uma tendência na redução das desigualdades no mercado de trabalho. “Apesar de ainda existir diferença na participação e na remuneração entre homens e mulheres, as mulheres vêm conquistando um espaço cada vez maior na economia formal do país”, afirma.
É o caso da administradora Tânia Vargas, 43 anos. Com especialização no exterior, ela tem renumeração mensal que ultrapassa os R$ 20 mil. Mãe de uma adolescente, ela abriu mão de ter mais filhos para investir na carreira. “Conseguir conciliar a maternidade com a criação de uma criança não é fácil. E toda essa energia precisa ser recompensada pelo mercado, com bons salários”, destaca ela.
Escolaridade
As mulheres são maioria entre os trabalhadores com ensino superior completo no país. Elas representavam 59% dos 9,8 milhões profissionais com vínculo empregatício ativo em 2016. Apesar de ter maior escolaridade, as mulheres ainda continuavam ganhando menos. A remuneração média das mulheres com ensino superior completo, em 2016, era de R$ 4.803,77, enquanto a dos homens era de R$ 7.537,27.
Para a analista de Políticas Sociais do Observatório Nacional do Mercado de Trabalho do Ministério do Trabalho, Mariana Eugênio, ainda há muitos desafios que precisam ser enfrentados com políticas públicas adequadas, especialmente no que se refere à remuneração.
“Na média, as mulheres continuam ganhando menos do que os homens. Esta situação pode ser explicada pelo fato de que a participação feminina no mercado de trabalho formal está concentrada em ocupações que apresentam remuneração mais baixa. Além disso, as mulheres ocupam menos os cargos de chefia e ainda há fatores discriminatórios no ambiente de trabalho, que precisam ser combatidos”, afirma.
Outras regiões
Os estados com menor disparidade de participação no mercado de trabalho são Roraima, com 49,3% dos postos de trabalho ocupados por mulheres, Amapá (47%) e Acre (46,7%). As unidades da Federação com maior percentual de homens em atividades formais são o Distrito Federal, com 62%, Mato Grosso (60,4%) e Alagoas (59,9%).
Os estados com menor desigualdade salarial são Alagoas e Pará, onde as mulheres ganhavam o equivalente a 96,7% e 96,2% dos salários pagos aos homens, respectivamente.
São Paulo é o estado com a maior diferença salarial entre gêneros. Em 2016, as mulheres recebiam, em média, 80,2% da remuneração masculina. Depois de São Paulo, Santa Catarina, com 80,7%, e Espírito Santo, 80,8%, são os estados com a maior diferença salarial média entre homens e mulheres.
Confira a participação feminina no mercado de trabalho (as 20 primeiras ocupações – CBO 2002):
Essa é a terceira unidade do DF e tem capacidade de atender cerca de 500 jovens por mês. As outras duas ficam em Ceilândia e na Estrutural
O governo inaugurou na manhã desta terça-feira (20) o Centro de Juventude de Samambaia. O espaço, que fica na QS 402, é o terceiro do DF e tem capacidade para atender 500 jovens por mês.
As ofertas foram baseadas em pesquisas com a população, que também solicitou cursos do #BoraVencerprofissionalizante no centro.
“Samambaia hoje ganhou mais um espaço de promoção da juventude. Isso nos deixa muito felizes, como o reconhecimento de Brasília pela revista Exame como o melhor lugar para a juventude no País”, disse o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.
O lugar tem 600 metros quadrados de área total e 190 de área construída com salas de informática, de violão e multiuso. Foram investidos R$ 450 mil na reforma do prédio onde funcionava uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Segundo o secretário de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude, Aurélio de Paula Guedes Araújo, com a entrega de hoje, são 1,5 mil jovens atendidos nos espaços. Os outros dois centros de juventude do DF ficam em Ceilândia e na Estrutural.
Rollemberg também destacou que, até março, serão criadas 6 mil vagas para esse público em programas do governo. Além das 500 no centro inaugurado hoje, há 4 mil para qualificação profissional no programa #Boravencer e 1,5 mil que serão lançadas até o mês que vem no Jovem Candango.
Na cerimônia de hoje, Rollemberg citou ainda outras benfeitorias em Samambaia, como a inauguração de um centro interescolar de línguas, a entrega de cinco creches e as obras de drenagem no centro da região administrativa.
De acordo com ele, em breve também será inaugurado o Complexo Cultural de Samambaia, que já está em pronto e recebe mobília.
Sorteio definirá os 16 mil participantes da 48ª Corrida de Reis
Interessados devem fazer a pré-inscrição das 14 horas de quarta-feira (21) até as 23h59 de domingo (25). Inscrições para a corrida mirim vão até amanhã, às 16 horas
As pré-inscrições para a 48ª Corrida de Reis começam nesta quarta-feira (21), às 14 horas. Neste ano, os interessados terão cinco dias — até as 23h59 de domingo (25) — para fazer o cadastro e participar do sorteio eletrônico que vai preencher as 16 mil vagas da competição.
Secretária do Esporte, Turismo e Lazer, Leila Barros.
A prova ocorrerá em 3 de março. A largada será às 19 horas em frente ao Ginásio Nilson Nelson, com percursos de 6 e 10 quilômetros, passando por pontos turísticos da capital federal, como a Esplanada dos Ministérios e o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.
Novidade neste ano, o sorteio eletrônico é o método utilizado nas principais maratonas do mundo, como Nova York, Londres, Berlim, Tóquio e Chicago. O corredor contemplado receberá um e-mail comunicando a validação da inscrição e o resultado estará no site da Secretaria do Esporte.
Como funcionarão o sorteio eletrônico e a corrida
Será permitida apenas uma inscrição por pessoa (com o CPF) e ela poderá escolher somente uma distância, 6 ou 10 quilômetros. As categorias se dividem em geral, andante e cadeirante.
Os três primeiros colocados masculino e feminino na prova de 10 km e adaptado receberão prêmios em dinheiro. Todos que cruzarem a linha de chegada ganharão medalha.
Na corrida de 6 km, os participantes retornarão na altura da Rodoviária do Plano Piloto. Na de 10 km, os atletas passarão pela rodoviária e voltarão perto da Alameda das Bandeiras, na Esplanada dos Ministérios.
Os kits – com sacola, camiseta, número de peito e chip – serão entregues com instruções da competição em 1º e 2 de março, das 11 às 19 horas, no Ginásio Nilson Nelson.
Regras para a corrida mirim
A versão mirim da Corrida de Reis ocorrerá em 24 de fevereiro às 9 horas no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson, com percurso de 300 metros.
As pré-inscrições serão desta terça-feira (20) até quarta-feira (21), às 16 horas. O sorteio será também no dia 21, às 16 horas, com divulgação até as 17 horas do mesmo dia. Haverá mil vagas disponíveis para crianças de 5 a 12 anos.
Os responsáveis serão avisados por e-mail ou poderão consultar o site de inscrições. Serão 50 baterias, todas com premiação: os primeiros de cada uma ganharão uma bicicleta, e o restante, medalhas.
Os kits com sacola, camiseta, boné e número de peito serão entregues no dia da corrida, a partir das 7 horas, na Tribuna de Honra do Ginásio Nilson Nelson.
Premiação em dinheiro
Categoria geral (10 km) — masculino e feminino
1º lugar
R$ 4 mil
2º lugar
R$ 2 mil
3º lugar
R$ 1 mil
4º lugar
R$ 500
5º lugar
R$ 300
Categoria adaptada — cadeirante masculino e feminino
1º lugar
R$ 1 mil
2º lugar
R$ 500
3º lugar
R$ 300
Categoria adaptada — andante masculino e feminino
1º lugar
R$ 1 mil
2º lugar
R$ 500
3º lugar
R$ 300
Serviço:
Pré-inscrições para a 48ª Corrida de Reis
Adultos e adaptado
Das 14 horas de 21 de fevereiro (quarta-feira) às 23h59 de 25 de fevereiro (domingo)
Espaço Imaginário Cultural colabora para manter viva a cultura de Samambaia
O Espaço Imaginário Cultural foi construído pelas mãos dos coordenadores, comunidade e amigos e familiares que um dia acreditaram que um sonho podia se tornar realidade.
Tem chão feito com muro que foi derrubado e horta plantada em bota, sapato e até pé de pato. Também tem parede grafitada por artistas e doações que ajudaram a montar um pouco do todo que o lugar é hoje.
Antigamente, no local, que pertence à Administração de Samambaia, funcionava um centro comunitário que entregava pão e leite. Depois de um tempo, com o lugar vazio, passou a existir o Espaço Imaginário Cultural. Houve então um mutirão para reformar e construir parte do recinto. Jardins, secretaria e guarita, tudo feito com a ajuda da comunidade.
Idealizado pelo Grupo Roupa de Ensaio, o centro cultural fornece várias atividades como apresentações de teatro, dança, música, oficinas de violão, capoeira, grafite, entre outras. Tudo gratuito.
O espaço ainda mantém um evento cultural chamado Eixo Imaginário – Arte Fora do Plano. O projeto é a junção de todas as atividades que acontecem no local. A cada edição são realizadas oficinas e espetáculos, como O Imaginário Convida e Matinê Imaginário. Também tem colônia de férias e projetos como Café Imaginário, Rua de Lazer e Com Cultura e Com Afeto.
Rua de Lazer
A Matinê Imaginário abrange espetáculos teatrais voltados para o público infanto-juvenil. Nas edições anteriores, foram apresentadas as obras Achadouro, Histórias de Circo, Circo Rebote e Lorotas de Palhaça. Para os adultos que têm interesse em frequentar o local, é oferecido o evento O Imaginário Convida, com diversas peças teatrais, como Dona Dinha e Tsunami.
No espaço cultural também são ofertados workshops e oficinas durante o Café Imaginário, que é acompanhado por bate-papo ao fim de cada curso para promover a interação entre os participantes. Entre os temas debatidos estão abuso de mulheres, a relação das pessoas com a cidade de Brasília, relacionamentos diversos, folclore de Goiás e solidão.
Já a Rua de Lazer estreou no fim do mês passado. A ideia é levar a comunidade infantil para perto do espaço. Para isso são realizadas brincadeiras, oficinas e aulas. O evento acontece no estacionamento do local, localizado na QS 103 Conjunto 5 Lote 5 de Samambaia Sul. No próximo domingo (25) acontece mais uma edição da Rua de Lazer, a partir das 13h. Mais tarde, no mesmo dia, tem Matinê Imaginário, com o espetáculo Berinjela, A Grande, às 17h. Para informações, ligue 3013-1610.
A coordenadora do Espaço Imaginário, Marília Abreu, conta que, além de oficinas e apresentações de teatro, dança e música, também acontecem saraus e lançamentos de livros.
Segundo Marília, o centro está aberto a todo tipo de atividade cultural do Distrito Federal. “O Imaginário aglutina todas as linguagens. Nosso objetivo é estar aberto à comunidade e atender e abrir as portas, também, para a comunidade artística”.
Atriz e educadora Marília Abreu e a atriz, diretora e produtora cultural Tássia Aguiar
Ela conta que o projeto recebe público e alunos de todo o entorno do DF. “Percebemos que estamos chegando longe, não só aqui em Samambaia”, comenta Marília, empolgada.
Moradores do Recanto das Emas, Ceilândia, Guará, Planaltina e Valparaíso (GO) são alguns exemplos de pessoas que frequentam a casa.
Marília, que também é educadora e atriz, ressalta ainda que a última edição aconteceu por meio de emenda parlamentar. “Quando o dinheiro de emenda é destinado a boas ações, que servem à comunidade, esse recurso público é muito importante”, finaliza.
Espaço de inclusão
O auxiliar administrativo Jonathan Igor, 20 anos, é aluno de hip hop do espaço cultural. Ele ressalta a importância do local e relembra: “É muito interessante ter um espaço de dança. Ajuda as pessoas a saírem das ruas, como foi meu caso”. O dançarino ainda afirma que se sente livre no espaço: “Aqui as pessoas nos apoiam e me sinto confortável para ser quem sou”.
Alan Mariano também é um dos coordenadores do Espaço Imaginário e reforça: “Temos várias atividades aqui. O Imaginário tem multi funções e nosso espaço é moldado de acordo com o que vamos ter no local, o que significa que nos modificamos conforme a necessidade, o que casa muito bem com nossa cara”, resume Alan, que também e ator e dançarino.
Serviço
São oferecidas as oficinas de dança popular, hip hop, teatro, treinamento de voz, teatro de bonecos, capoeira, forró e ginástica nas quadras – parceria com a Secretaria de Educação do DF. Além disso, um projeto com a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social traz ainda oficina de DJ e grafite.
O Espaço Imaginário Cultural tem em média 300 pessoas inscritas em suas atividades. As aulas do projeto Eixo Imaginário acontecem até agosto. De acordo com os organizadores, aulas de ginástica, forró e capoeira são permanentes, e as de DJ e grafite começam este mês, com duração de três meses.
O projeto Com Cultura e Com Afeto tem início em abril. Inaugurada em 2015, a ação consiste em levar alunos do ensino fundamental até o local para fazer uma vivência.
Durante este processo, as crianças conhecem o espaço, a arte do local, e participam de contação de histórias. Além disso, assistem ao espetáculo Papo de Lixo, que orienta sobre a coleta seletiva. Por fim, ainda conhecem diferentes costumes do País por meio de uma apresentação de dança popular.
Os espetáculos e oficinas são gratuitos, exceto as aulas de forró. Para assistir aos eventos, basta chegar cedo devido à lotação do espaço.
Para participar das oficinas, é necessário fazer a inscrição pelo Facebook (facebook.com/ ImaginarioCult) e confirmar no local.
Símbolo da capital federal, Cine Brasília oferece programação diferenciada
Espaço na 106/107 Sul atrai um público cativo, que considera o local, além de símbolo da cultura no DF, um centro de convivência
Inaugurado um dia depois da capital federal, em 22 de abril de 1960, o Cine Brasília é mais do que uma sala para exibição de filmes. O espaço projetado por Oscar Niemeyer, além de um símbolo da cidade, é ponto de convivência e oferece ao público um pouco da atmosfera dos cinemas de bairro de antigamente, com uma programação diferenciada e de qualidade.
O Cine Brasília recebe também importantes festivais e mostras de cinema, entre eles o tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que, neste ano, terá sua 51ª edição.
O local ficou fechado para reformas e reabriu as portas em 2013. Também virou a casa da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília, que, desde 2017, ensaia e se apresenta todas as semanas ali.
Quem costuma assistir a filmes na sala do Cine Brasília diz que a experiência é diferenciada. O local é sede ainda de mostras de cinema internacional, de países como Argentina, Japão e Espanha, do Curta Brasília e do Festival Internacional de Cinema de Brasília (Biff).
Sérgio Moriconi, cineasta e programador do Cine Brasília
Na programação, há opções como as desta semana, quando o indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, O Insulto, do diretor libanês Ziad Doueiri, é exibido com o clássico Acossado, de Jean-Luc Godard. São três a cinco produções em cartaz, sempre contendo uma estreia, segundo o programador da casa, Sérgio Moriconi. “É um cinema público, sabemos qual é a nossa função. Sempre exibimos muitos filmes que estão fora do circuito convencional. Há alguns que, se não fosse o Cine Brasília, você não veria de jeito nenhum”, afirma.
O público que frequenta o local aprova a programação e exalta aspectos como as proporções da sala e o ambiente, que se distingue das convencionais salas de shoppings. “A própria arquitetura, a sintonia com a cidade, o pé-direito alto. É um cinema que não se encontra em outras cidades. É bastante interessante, agradável, com ar de cineclube”, afirma o jornalista Paulo Lima, 56 anos. Ele destaca a qualidade técnica do som, da projeção e da dimensão da tela, que mede 14m por 6,5m.
Sergipano de Aracaju, o jornalista costuma ir ao Cine Brasília pelo menos uma vez por semana desde que se mudou para a capital federal, há dois anos. “Tem produção de todo jeito, mais atual e quente, alternativa, cult, histórica, clássica, em todas as suas vertentes. Ele é uma joia cultural de Brasília, que deve ser mantida, um espaço único.”
Cinéfila de carteirinha, a psicóloga Ana Paula Pinto Fernandes, 42,
costuma frequentar diversas salas da capital e de outras cidades que visita. Na opinião dela, o Cine Brasília é um orgulho para a cidade. “Eu frequento o festival desde que era adolescente. E tem também os festivais de cinema de outros países. Lembro que uma das últimas vezes que fui lá foi para um festival internacional de curta-metragem. Pude ver curtas da Espanha, da Suécia. É uma alternativa maravilhosa para a programação dos shoppings, que passam os filmes comerciais. Eu gosto do espaço lá, quase nunca tem fila e as poltronas são confortáveis”, observa.
Os eventos que ocorrem no local também contribuem para transformá-lo em centro de convivência. “Tem o ‘Sacolão’, que é uma feira de fotografia, por exemplo. É um espaço que vale a pena. Costumo ir pelo menos duas vezes por mês”, relata o arquiteto Caio Fiuza, 25. Frequentadora do local há anos, a atriz e produtora Cláudia Andrade concorda. Para ela, o espaço é ótimo não apenas pelo conforto, mas porque oferece uma estética diferenciada. “É como um cinema de bairro, você encontra pessoas conhecidas, é meio que um centro de convivência mesmo”, diz.
Formação
O Cine Brasília é considerado por cineastas e produtores como um lugar capaz de fomentar o interesse pela arte e levar o público a desenvolver um verdadeiro senso estético. “O Cine Brasília privilegiou uma programação de qualidade, não só os blockbusters, privilegiou a boa produção do cinema nacional, o caráter formativo para várias gerações tem o significado de formação de uma plateia, de um cinema mais aventuroso”, diz Moriconi.
O cineasta Santiago Dellape confirma a vocação do local. “Foi o primeiro contato com esse outro tipo de cinema, o cinema de arte, que era diferente do que eu assistia até então, mais comercial, da sala de cinema e da TV. Abriu as portas desse universo, do cinema que faz pensar. Antes de cogitar trabalhar na área, eu já frequentava (o Cine Brasília), nos festivais e fora deles também. Sempre considerei aquele lugar um templo, por onde passaram monstros sagrados do cinema brasileiro, faz parte da história”, conta. Os nove filmes produzidos por ele foram exibidos na sala, oito participaram do Festival de Brasília — sendo duas vezes da mostra competitiva e oito da Mostra Brasília (Troféu Câmara Legislativa). “É um lugar em que você entra com respeito”, resume.