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Luis Cesar Bueno promete realizar concurso público para saúde e Polícia Militar

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Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey na última terça-feira (08/09), o candidato ao governo de Goiás pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Luis Cesar Bueno, respondeu perguntas sobre seu plano de governo. O candidato detalhou suas propostas para a criação do “Vapt Vupt da Saúde” e “tarifa zero” no transporte coletivo. Ele também se comprometeu a realizar concursos públicos para saúde e polícia militar.

*O senhor promete que em dois anos metade das unidades de saúde hoje administradas por Organizações Sociais (OSs) passarão para a gestão direta do Estado. Como fazer essa transição sem descontinuar os atendimentos?*

*Luis Cesar:* Faremos isso de forma gradativa e planejada, iniciando com uma ou duas unidades nos primeiros seis meses, com foco inicial nos hospitais de urgência de Goiânia. Hoje, o sistema gerenciado por OSs encarece a saúde pública em 30%, remunera mal os profissionais e adquire insumos e medicamentos praticamente sem licitação, como já apontaram o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público de Contas.
Com a economia gerada ao retirar as OSs, vamos profissionalizar a saúde e realizar concursos públicos logo nos primeiros 100 dias. Também criaremos o “Vapt Vupt da Saúde” para agilizar pequenos procedimentos e retirar especialidades críticas, como oncologia e cardiopatias, da fila da regulação.

*Outro ponto de destaque em seu plano é a implantação gradativa da “tarifa zero” no transporte coletivo até o terceiro ano de gestão. Como viabilizar financeiramente esse projeto?*

*Luis Cesar:* A tarifa zero não é apenas dar transporte de graça, é política estruturada de mobilidade urbana. Ela só funciona se houver corredores exclusivos e transporte de qualidade para atrair o cidadão de volta ao ônibus. Para isso, vamos instituir o Fundo Estadual de Mobilidade Urbana, que contará com a participação financeira do Estado, dos municípios, do governo federal e dos empresários.

*Na segurança pública, o senhor afirma que a criminalidade em Goiás aumentou, divergindo dos discursos oficiais. Quais são os seus dados e o que propõe de diferente?*

*Luis Cesar:* O crime mudou de configuração, migrando para a esfera digital e financeira. Goiás hoje lidera o refino de cocaína no país, com 81 laboratórios identificados, enquanto o Amazonas, segundo colocado, tem 31. Além disso, o feminicídio no estado aumentou 315% de 2025 para cá, registrando uma alta de 100% na comparação de 2024 para 2025. Somos também o terceiro estado em estelionato digital. Para combater essa realidade, vamos investir na inteligência da Polícia Civil e realizar concursos públicos para cabos e soldados na Polícia Militar.

*O senhor projeta um aumento de 30% na arrecadação do Estado logo no primeiro ano, sem aumentar impostos. Como pretende alcançar essa meta?*

*Luis Cesar:* O caminho é combater a sonegação, o contrabando nas fronteiras e a lavagem de dinheiro do crime organizado. Goiás hoje está no centro da lavagem de dinheiro, com forte atuação na adulteração de combustíveis em postos e distribuidoras, conforme apontado pela Operação Carbono Oculto da Polícia Federal. Vamos criar oito eixos de desenvolvimento econômico regionais, estimulando o agronegócio, a agricultura familiar, o microempreendedor individual e a industrialização de terras raras para a produção local de baterias e chips para veículos elétricos.

Paulo Tavares: o homem que decidiu explicar a bomba

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Aos 62 anos, o empresário, ex-professor de Matemática e presidente licenciado do Sindicombustíveis-DF disputa uma vaga na Câmara Federal defendendo menos tributos sobre combustíveis, mais transparência na formação de preços e o fortalecimento da Petrobras como instrumento de soberania energética e econômica do Brasil.

“O problema não é o posto, é o imposto.”

Em Brasília, poucas figuras do setor de combustíveis se tornaram tão reconhecíveis ao grande público quanto Paulo Roberto Corrêa Tavares.

Nos últimos anos, foi ele quem apareceu repetidas vezes em entrevistas, vídeos e análises sobre a formação dos preços da gasolina, tentando traduzir para o consumidor um tema que costuma chegar à bomba cercado de indignação, ruído político e pouca informação técnica.

Agora, aos 62 anos, o empresário e presidente licenciado do Sindicombustíveis-DF leva essa pauta para a arena partidária: é candidato a deputado federal pelo PDT.

Nascido em Brasília, filho de um potiguar que chegou à nova capital no pau de arara e de uma goiana nascida na zona rural, Paulo gosta de se definir como nascido e criado no Distrito Federal.

Sua trajetória combina serviço público, sala de aula, tecnologia e militância sindical. Formado em Matemática e em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília, dedicou 34 anos ao magistério na rede pública e acumulou experiência em gestão, orçamento e sistemas de informação, com passagens pela Secretaria de Fazenda e por áreas técnicas da administração pública.

Antes de se tornar uma voz pública no debate sobre combustíveis, Paulo transitou por diferentes campos da vida institucional brasiliense. Trabalhou com planejamento, tecnologia e gestão pública, participou de projetos ligados ao governo Cristovam Buarque(1995- 1998).

Teve, ainda, atuação sindical e manteve vínculos com a militância progressista. O ingresso no setor de combustíveis veio mais tarde, a partir da compra de um posto em 2012, episódio que, como ele próprio relata, mudaria o rumo de sua vida profissional.

Foi nesse mercado  em que Paulo se projetou e consolidou a convicção que agora pretende levar ao Congresso: a de que o debate sobre combustíveis no Brasil segue mal explicado e frequentemente capturado por simplificações.
Para ele, a discussão sobre preços, distribuição, Petrobras e carga tributária precisa ser enfrentada em escala nacional, razão pela qual aceitou o convite de Carlos Lupi para se filiar ao PDT e disputar uma cadeira na Câmara.

No centro de sua candidatura está uma defesa enfática da maior estatal brasileira como ativo estratégico do país. “Eu sou um defensor da Petrobras. É um patrimônio público”, afirma. A seu ver, o Brasil não pode abrir mão da empresa nem da tecnologia acumulada no pré-sal, sob pena de comprometer sua soberania econômica. É esse o eixo da candidatura que tenta construir: menos imposto, mais transparência e uma política energética capaz de proteger o consumidor sem desmontar um patrimônio nacional.

Você costuma dizer que é brasiliense “nascido e criado”, mas a história da sua família se confunde com a própria formação de Brasília. Como foi essa chegada?

Meu pai veio do interior do Rio Grande do Norte, literalmente no pau de arara. Levou duas semanas para chegar. Minha mãe é de Corumbá de Goiás. Eles se casaram e mudaram para Brasília em 1959. Eu nasci em 1964. Então sou nascido e criado aqui.

Sua trajetória passou pela matemática, pela computação, pelo serviço público e pelo magistério. Como foi esse percurso na sua formação?

Eu queria trabalhar com tecnologia. Fiz Matemática e depois Ciência da Computação. Passei em concurso para professor e policial civil e escolhi ser professor. Trabalhei com orçamento, software, gestão pública, conheci a política por dentro e fui me envolvendo mais com esse campo progressista.

E como o setor de combustíveis entrou na sua vida?

Entrou de forma inesperada. Eu tinha um primo que mexia com posto, frequentava um posto na Asa Norte e, anos depois, surgiu a chance de comprar um. Foi uma negociação muito rápida, a partir de um apartamento que eu e minha esposa tínhamos comprado com muito sacrifício.

Quando você fala dos preços dos combustíveis, insiste que o setor é mais complexo do que parece. Onde está esse desencontro de percepção?

As pessoas veem a Petrobras anunciar um preço e depois olham a bomba e acham que o dono do posto está ganhando uma fortuna. Não entendem toda a cadeia até chegar ao posto. Esse é um mercado muito delicado e complexo.

 Foi essa necessidade de explicação que te transformou em uma voz pública sobre o tema?

Sem dúvida. Eu tenho facilidade para explicar, talvez por ter sido professor tantos anos. Comecei a fazer intervenções, vídeos, a falar sobre formação de preço, imposto, distribuição. Isso ganhou alcance, inclusive fora de Brasília.

Como se deu sua ida para o PDT?

Eu estava no PT e tinha dificuldade de espaço para fazer esse debate. O Carlos Lupi me convidou para o PDT justamente por essa pauta: a defesa da Petrobras, da soberania energética e de uma política nacionalista do petróleo.

Sua defesa da Petrobras é muito enfática. Por quê?

Porque a Petrobras é um patrimônio nacional. O pré-sal é uma riqueza imensa. A tecnologia desenvolvida ali é nossa. Eu não acho admissível abrir mão disso. O Brasil precisa preservar o que tem de estratégico e usar isso para fortalecer sua economia.

E por que essa pauta passa pela Câmara Federal?

Porque essa é uma discussão nacional. Não é uma pauta para deputado distrital. A questão da Petrobras, da tributação dos combustíveis, da reforma tributária, tudo isso passa pelo Congresso Nacional.

Você também tem falado bastante da reforma tributária. Onde está sua principal preocupação?

Minha preocupação é deixarem os combustíveis fora da lógica geral da reforma e manterem uma tributação muito pesada. Se isso acontecer, o consumidor continua pagando demais. A luta é para que o combustível entre no mesmo caminho da reforma e possa baratear de verdade.

Como você avalia o começo da campanha?

É muito difícil. Quem já é parlamentar larga na frente, porque já é conhecido. Então o desafio é fazer as pessoas saberem quem eu sou e o que eu defendo.

Se eleito, qual é a luta que você quer travar em Brasília?

Quero fazer essa luta com independência. Menos imposto, mais dinheiro no bolso do povo, mais transparência, defesa da Petrobras e enfrentamento dos lobbies que hoje ninguém quer enfrenta

Dia Mundial da Alfabetização destaca desafio de levar educação a trabalhadores da construção Seconci-DF mantém programa que oferece aulas dentro dos canteiros e aproxima o ensino da realidade dos profissionais.

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Para quem passa o dia no canteiro de obras, voltar à sala de aula pode parecer um desafio distante. Entre o trabalho, o deslocamento e as responsabilidades familiares, retomar os estudos nem sempre encontra espaço na rotina. É justamente para aproximar a educação dessa realidade que o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) mantém um projeto de alfabetização e ensino fundamental voltado aos trabalhadores da construção civil. A iniciativa ganha destaque neste 8 de setembro, Dia Mundial da Alfabetização.

As aulas são realizadas nos próprios canteiros, uma estratégia que facilita a participação e permite que o processo de aprendizagem esteja conectado ao cotidiano dos alunos. Desde o início da década de 1990, mais de 13,5 mil trabalhadores de empresas parceiras da entidade já passaram pelas classes de alfabetização e pelos segmentos do ensino fundamental.

Entre os participantes do projeto está o operador de betoneira Francisco Gilmar Eugênio, que encontrou nas aulas a oportunidade de avançar na escrita e, com isso, retomar um antigo projeto pessoal: obter a carteira de motorista. Antes de participar da iniciativa, ele conta que tinha dificuldade até para escrever o próprio nome. “Eu praticamente não sabia escrever nem o meu próprio nome direito. Depois das aulas, consegui tirar meus documentos e assiná-los. Agora quero continuar estudando para realizar o sonho de conseguir minha CNH”, relata Francisco.

Para o coordenador pedagógico do Seconci-DF, Geraldo Henrique Gomes, criar condições para que o trabalhador volte a estudar também significa abrir novas possibilidades para sua trajetória. “Quando a educação chega ao local onde o trabalhador está, uma das principais barreiras para o retorno aos estudos deixa de existir. Nosso objetivo é oferecer uma oportunidade real para que esses profissionais avancem na escolaridade, conquistem mais autonomia e percebam que sempre é tempo de aprender”, afirma.

A continuidade do projeto depende também da participação das construtoras, que disponibilizam espaço e apoiam a presença dos colaboradores nas aulas. Dessa forma, o canteiro passa a incorporar uma nova dimensão: além de espaço de trabalho, torna-se também ambiente de formação e desenvolvimento.

Uma das empresas que apoiam a iniciativa do Seconci-DF em levar educação para os trabalhadores é a CONBRAL que, desde o início do projeto, manteve a sala de aula em suas obras. Ao longo dos anos, mais de 500 trabalhadores da empresa tiveram acesso à educação nas classes de alfabetização e ensino fundamental dentro do ambiente de trabalho. De acordo com o diretor da empresa, Paulo Muniz, a iniciativa traz benefícios concretos para trabalhadores e empresas. “O programa apresenta alto índice de satisfação entre os colaboradores e contribui para o aumento da produtividade e da permanência na empresa”, comemora.

Levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que, em 2024, 34% dos trabalhadores entrevistados possuíam o ensino fundamental incompleto e 2% eram analfabetos. Mais do que aprender a ler e escrever, a retomada dos estudos pode ampliar a autonomia em situações corriqueiras, como compreender documentos, preencher informações e lidar com diferentes demandas do dia a dia.

Joe Valle: é tempo de semear de novo

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O engenheiro florestal, empresário e ex-presidente da Câmara Legislativa do DF volta ao cenário político com a experiência de quem transformou a Malunga em referência nacional em orgânicos e quer recolocar gestão, educação e planejamento no centro do futuro de Brasília

por Mariana Vieira

Aos 62 anos, Joe Carlo Viana Valle retorna ao cenário político do Distrito Federal com um ativo raro na vida pública: o da coerência entre discurso e trajetória. Engenheiro florestal, empresário e político, ele integrou a Câmara Legislativa do Distrito Federal entre 2011 e 2019 e presidiu a Casa de 2017 a 2019. Depois, saiu de cena por decisão própria, voltou ao chão da fazenda, reorganizou a vida em família e, só então, decidiu retomar o debate público.

Sua história, porém, começa muito antes do plenário. Nascido em Caicó, no Rio Grande do Norte, e criado em Brasília desde os 7 anos, Joe costuma dizer que a vocação surgiu cedo. “Eu nasci para ser produtor de comida”, afirma. A frase resume uma biografia que mistura infância nordestina, formação na Universidade de Brasília, vida rural e um percurso empresarial que transformou a Malunga em uma das maiores referências de produção orgânica do país.

A virada veio depois de experiências duras. Joe começou produzindo de forma convencional, como ensinava o modelo dominante, até sofrer intoxicação por agrotóxicos e, mais tarde, quebrar diante da lógica perversa da comercialização.

O estalo definitivo veio num gesto íntimo: ao colher um repolho para levar à mãe, percebeu que não queria oferecer à própria família aquilo que produzia com veneno. “Se eu não posso levar para a minha mãe, como é que eu vou vender para os meus clientes?”, recorda. “Naquele momento caiu a ficha: o que eu estava produzindo não era comida.”

Em 1995, Joe se casou com Clevane, agrônoma, parceira de vida e de projeto. Juntos, tiveram duas filhas, Mariana e Maria Clara, e ao lado da comunidade rural que crescia a cada dia, passaram a ampliar o objetivo de levar produtos orgânicos a mais pessoas. Foi assim que a fazenda Malunga chegou aos supermercados de Brasília, e abriu as portas de lojas próprias, consolidando um modelo de produção e distribuição pioneiro no Distrito Federal.

Hoje, a Malunga reúne 190 colaboradores, 120 hectares de hortaliças orgânicas e produção de laticínios orgânicos, além de lojas próprias e atuação reconhecida nacionalmente. Mais do que uma empresa, Joe a define como uma escola. “As empresas precisam se tornar escolas. Os gerentes precisam ser mestres”, defende.

A entrada na política também veio da experiência concreta. Depois de sofrer uma invasão de terra, concluiu que precisava disputar o espaço institucional para enfrentar problemas reais. “‘Então eu vou ser deputado’”, lembra ter dito ao descobrir que certas mudanças passavam pela Câmara Legislativa. O mandato viria depois, assim como a presidência da Casa e a fama de gestor técnico, disciplinado e avesso à política como performance.

Mas houve um intervalo. Após anos na vida pública, a família pediu sua volta para casa. Ele atendeu. Agora, diz retornar porque esse mesmo porto seguro o liberou novamente para o coletivo.

Você diz que nasceu para produzir comida. Quando percebeu isso em você?

Muito cedo. Eu fugia da casa da minha mãe para ir para o sítio do meu avô e dizia: “Mãe, eu vou morar na roça e vou produzir comida”. Eu acho que nasci vocacionado para isso.

Quando começou a produzir, ainda era no modelo convencional. O que te fez mudar de caminho?

Foram três coisas muito importantes: a intoxicação com agrotóxico, a quebra no processo de comercialização e aquele momento em que eu pensei em levar um repolho para a minha mãe. No meio do caminho eu falei: “Não posso levar isso para minha mãe”. Aí caiu a ficha: se eu não posso levar para ela, eu também não posso vender para os meus clientes.

Naquele momento, você já encontrou na UnB e em outras experiências a saída para essa virada?

Sim. Eu estava na Universidade de Brasília, naquele período de redemocratização, e encontrei um projeto sobre sistemas alternativos de produção de alimentos. A partir dali, comecei a viajar, conhecer experiências, ver o que funcionava economicamente e encontrar mestres que ajudaram muito nesse processo.

Você fala muito dos mestres e da missão de ensinar. Como isso entrou na Malunga?

Entrou como essência. Um dos meus mestres me disse: “Tudo que eu sei eu vou te ensinar. Mas tudo que você aprender você vai ensinar para as pessoas”. Eu faço isso desde a década de 1990. A Malunga se tornou também uma escola.

E como essa escola virou uma empresa de referência nacional?

Com persistência, ciência e muita resiliência. A gente provou que dava certo produzir orgânico em escala, mantendo princípio ambiental, social e econômico. E fomos acolhendo pessoas, ensinando, mostrando que era viável.

Você nasceu no Rio Grande do Norte, veio para Brasília ainda criança e cresceu aqui. Como isso te formou?

Meu pai era funcionário do Banco do Brasil e extensionista rural nato. Levava pequenos produtores para dentro de casa. Minha mãe era empreendedora. Eu vim muito cedo para Brasília, cresci aqui, estudei aqui, fui formado aqui. Tudo isso foi me formando.

E como foi que a política entrou na sua vida?

Entrou a partir de um problema real. Eu tive a terra invadida e fiquei indignado com aquilo. Quando me disseram que esse tipo de mudança passava pela Câmara Legislativa, eu falei: “Então eu vou ser deputado”. Foi uma decisão muito direta.

Depois da eleição e da experiência no Ministério da Ciência e Tecnologia, o que você passou a entender sobre gestão pública?

Que ela, quando bem feita, é milagrosa. E que a política partidária e as boas práticas de gestão pública se divorciaram litigiosamente. O sistema público precisa de qualidade de gestão, continuidade e valorização de quem toca o Estado.

Você falou que o problema não está só no voto distrital. Onde está o nó principal?

Na base. O voto distrital pode até ajudar, mas o problema é maior. O modelo de gestão está errado, falta planejamento, descentralização adequada, continuidade. A gente tenta mudar o telhado, mas a base continua ruim.

Por isso a educação aparece como eixo central da sua proposta?

Exatamente. Para mim, só tem uma saída: educação. Escola de tempo integral é fundamental. E a escola precisa ser o epicentro da mudança do bairro. As políticas públicas têm que convergir para a escola.

E como entram aí a horta escolar e a alimentação?

Entram de forma central. Eu defendo uma horta em cada escola e uma escola em cada horta. E defendo alimentação escolar 365 dias por ano, porque os meninos vão para a escola para comer e a fome não entra em férias.

Você decidiu parar a vida pública por causa da família. Como foi esse momento?

Foi a decisão mais difícil da minha vida. Minhas filhas e minha esposa fizeram um apelo. Eu percebi que, se não preservasse meu porto seguro, eu não conseguiria enfrentar um mar tão revolto quanto o de governar uma cidade.

E por que decidiu voltar agora?

Porque esse mesmo porto seguro me liberou. Minhas filhas hoje estão comigo, minha família está bem, e eu me sinto pronto para voltar ao coletivo.

Se for eleito, qual é o compromisso que você quer assumir com Brasília desde o primeiro dia?

“Eu quero me dedicar de novo a essa cidade. Quero voltar para o coletivo e fazer o melhor mandato que Brasília já teve. Essa é a minha vontade, e eu realmente vou fazer isso.”

Kakay: entre o poder e a poesia

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Aos 68 anos, o criminalista mineiro fala sobre Brasília, poder, Judiciário, eleições e o refúgio íntimo da poesia em tempos de radicalização e ruído permanente

Influente sem mandato, partidário de ninguém e ouvido por todos, Kakay recebe a revista em sua casa no Lago Sul e reflete sobre a cidade, a política e a arte de preservar alguma humanidade no centro do poder

Na casa de Kakay, no Lago Sul, Brasília parece caber inteira: a política, os livros, a memória das grandes conversas e a liturgia informal de uma cidade que aprendeu a misturar poder e intimidade.

Aos 68 anos, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro carrega algo que poucos preservam com igual naturalidade na Capital: influência sem cargo, trânsito sem mandato e repertório de quem atravessou décadas no centro da vida pública brasileira sem jamais se filiar a partido algum.

A equipe da revista61 é recebida em um escritório que ajuda a decifrar o personagem. No ambiente, literatura, identidade brasileira e tribunais deixam de parecer universos apartados.

Ali, estantes e pilhas de livros convivem com um lote precioso de antigas edições de poesia, obras de arte e referências da cultura popular brasileira.

Entre elas, um chapéu e um gibão de couro, indumentárias que remetem  a uma de suas atuações de maior repercussão no Supremo Tribunal Federal: na ADI 4983, que discutiu a constitucionalidade da prática da vaquejada; na ocasião, o STF reconheceu a importância e a constitucionalidade da manifestação cultural.

“Sou advogado porquê não pude ser poeta”, brinca o mineiro de Patos de Minas que, em sua festa de aniversário de 50 anos, mandou adesivar nos espelhos da casa toda trechos de poemas. “Minha esposa disse que não ia durar nada; quase vinte anos depois, eles ainda estão aí”. As palavras permanecem como lembrete muito vivo da importância da literatura na trajetória de um dos advogados mais conhecidos do Brasil.

Na sala principal, um verso de Mário Quintana parece comentar, com humor e exatidão, a singularidade de seu personagem: “Eles passarão; eu passarinho.” Criminalista dos mais influentes do país, amigo de presidentes, ministros, artistas e protagonistas da cena nacional, Kakay recebeu a reportagem às vésperas das eleições de 2026 para falar sobre Brasília, a erosão da convivência política, o avanço da extrema direita, o protagonismo do Judiciário e a poesia como forma de resistência.

Por que Brasília fascina tanto quem se aproxima do poder?

Para quem não mora aqui, a proximidade do poder dá uma impressão de poder. Você senta num restaurante e, na mesa ao lado, estão ministros, senadores, gente do Supremo. “Isso não muda nada a sua vida, você vai ter que pagar as suas contas do mesmo jeito.” Mas, para quem não tem o costume dessa convivência, isso cria uma sensação de importância.

 E essa Brasília dos restaurantes, da conversa política, mudou?

Mudou muito. Não existe mais um lugar como existia antes. O celular alterou o comportamento das pessoas. Na época do Piantella [icônico restaurante brasiliense do qual Kakay foi sócio] a conversa do Congresso continuava nas mesas do restaurante. As pessoas perderam a espontaneidade. Hoje ninguém senta à vontade, ninguém faz certos encontros com naturalidade, porque tudo pode virar foto, exposição, interpretação.

 O senhor acha que estamos vivendo um tempo distópico?

Sem dúvida. Tanto o Brasil quanto o mundo vivem um cenário distópico. Não é normal você acordar e a primeira notícia ser guerra, bombardeio, violência. A realidade ficou insuportável. Eu sou advogado criminal, conheço a realidade do sistema prisional brasileiro. Se você encarar isso o tempo inteiro, você não consegue viver.

 Foi aí que a poesia ganhou ainda mais espaço?

A poesia sempre foi essencial para mim, mas ganhou outro lugar. Eu me refugio muito nela. Na pandemia, comecei a recitar um poema por dia e mandar para amigos. Em pouco tempo, estava enviando para 2.500 pessoas. A poesia é uma maneira de sobreviver à brutalidade do real.

 A utopia ainda serve para alguma coisa?

Serve para caminhar. Aquela frase do Galeano é simples, mas é forte. A utopia está no horizonte; você anda e ela se afasta. Então, para que serve? Serve para caminhar. Sem isso, sem essa dimensão simbólica, afetiva, humana, a realidade fica insuportável.

 A advocacia criminal continua sendo sua grande vocação?

Continua completamente. Eu adoro a tribuna. Acho que “a tribuna é o lugar de excelência da advocacia”. E a maior vitória que existe é conseguir a liberdade de alguém. Não importa se é uma pessoa conhecida ou anônima.

 É mais difícil defender clientes famosos?

Muito mais difícil. Para o advogado, o ideal é quando o caso sai da mídia. Quando há muita exposição, tudo fica contaminado. O juiz sofre pressão, a opinião pública interfere, o ambiente pesa. Quando o caso sai do foco, você consegue fazer uma defesa técnica.

Como o senhor vê o momento político às vésperas da eleição?

Ainda muito tensionado. A extrema direita internacional interfere, sim, no Brasil. E o bolsonarismo virou uma seita. O problema de discutir com esse campo é que você não enfrenta um interlocutor com limite, com escrúpulo, com compromisso racional. Isso torna tudo mais difícil.

O Judiciário tem sido criticado por excesso de protagonismo. O senhor concorda?

O Judiciário é um poder inerte: ele só age quando é provocado. E, no momento mais grave da crise institucional, foi o poder que colocou o pé na porta e impediu o golpe. Eu tenho críticas ao Judiciário, sempre tive, mas acho que o Supremo apanhou mais por seus acertos do que por seus erros.

 O país falhou em preparar uma renovação política?

Acho que sim. Essa renovação precisava estar mais adiantada. Lula tem uma dimensão histórica evidente, mas o Brasil precisava estar formando nomes com mais clareza. Sem renovação, a política fica refém da polarização e dos personalismos.

 No fim, o que pesa mais: poder, direito ou poesia?

A poesia. O poder passa, os cargos passam. A poesia fica.

Edmar Mothé: o homem que escolheu Brasília para viver, empreender e pertencer

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Entre as raízes capixabas e a consagração na capital, o fundador da Mundo dos Filtros e da Bio Mundo construiu uma trajetória que une visão empresarial, paixão pelo esporte, vida social e um vínculo afetivo profundo com Brasília.

por Mariana Vieira

Há trajetórias que podem ser contadas por números, expansão e resultados. Outras, no entanto, só se revelam por inteiro quando vistas também à luz do afeto, da memória e do pertencimento. A de Edmar Mothé pertence à esta categoria.

Empresário de reconhecida atuação no varejo brasileiro, fundador da Mundo dos Filtros e da Bio Mundo, ele construiu uma história de sucesso que se confunde com sua própria relação com Brasília: intensa, duradoura e, acima de tudo, inspiradora.

Em 2026, essa conexão ganhou forma institucional e simbólica. Edmar foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de Brasília, em solenidade na Câmara Legislativa do Distrito Federal, um reconhecimento que coroou não apenas sua contribuição como empreendedor e gerador de empregos, mas também o laço afetivo que desenvolveu com a cidade desde que chegou à capital, ainda jovem, em busca de oportunidade.

No mesmo ano, foi também distinguido em sua terra natal com o título de Cachoeirense Ausente Nº 1, concedido em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, a filhos da cidade que se destacam em outras paragens sem perder a conexão com suas origens. Para se ter uma dimensão da homenagem, é preciso entender suas origens. O título de Cachoeirense Ausente Nº 1 foi criado em 1942 pelo poeta Newton Braga , jornalista e irmão do escritor Rubem Braga, ambos nascidos e criados na cidade capixaba.

A Láurea foi concebida para homenagear personalidades naturais da cidade que se destacam fora de sua terra natal. Ao longo de décadas, dezenas de figuras ilustres receberam a honraria durante a tradicional Festa de Cachoeiro, dentre eles, o rei Roberto Carlos em 1967, o diretor e ator Jece Valadão em 1971 e, neste ano, o empresário Edmar Mothé.

As duas homenagens, recebidas quase como espelhos de uma mesma biografia, desenham com precisão o perfil de um homem que soube ampliar horizontes sem romper com a própria raiz. De um lado, Cachoeiro, berço de sua formação e de seus primeiros valores. De outro, Brasília, cidade que abraçou como casa e à qual passou a dedicar trabalho, energia e sentimento.

 A escola de vendas

Edmar teve no trabalho sua primeira escola. Muito cedo, ainda aos 12 anos, começou a ajudar seu cunhado a vender roupas de praia em uma cidade próxima, Guarapari. Foi ali, em um cotidiano de observação, improviso e contato direto com o público, que desenvolveu a habilidade que mais tarde se transformaria em marca registrada: a capacidade de compreender pessoas.

Ao relembrar esse início, ele próprio identifica naquele cenário de praia uma lição fundadora: “Ali, eu tive a minha primeira aula de como escolher um ponto de venda”. E completa, numa reflexão que conecta o menino de então ao empresário de hoje: “Mal eu sabia que ia escolher pontos o resto da minha vida”, reflete.

Antes mesmo de comandar grandes operações, Edmar já havia aprendido uma lição decisiva do mundo dos negócios: vender não é apenas oferecer um produto, mas perceber comportamentos, antecipar necessidades e construir confiança.

Mais tarde, já adolescente, passou a trabalhar em loja e percebeu que vender era mais do que oferecer produtos: era compreender pessoas, observar comportamentos e construir confiança. Foi também ali que descobriu um traço que o acompanha até hoje. “Eu sempre fui muito competitivo. Sempre fui esportista, eu gosto de competir”, diz.

Essa combinação entre observação, disciplina e impulso competitivo ajudaria a moldar o empresário que viria depois. Mesmo hoje, à frente de negócios de alcance nacional, Edmar segue se definindo com a simplicidade de quem preserva a origem: “Sou vendedor.”

“Eu vi que a venda podia transformar a minha vida.”

Brasília como escolha e  destino

 Aos 22 anos, Edmar deixou o Espírito Santo e seguiu para Brasília com poucos recursos, mas com uma convicção clara de que precisava crescer. Começou em uma rotina severa, vendendo de porta em porta, enfrentando recusas, aprendendo a ler ambientes e a insistir sem perder a elegância. Foi nesse período que desenvolveu, em estado bruto, a resistência e a estratégia que marcariam toda a sua trajetória.

 “Eu fui treinado no mar brabo, que era a porta a porta”, afirma. “Não é moleza, não.”

 A mudança foi menos um gesto impulsivo do que uma aposta consciente em outro horizonte. “Eu descobri que, no Brasil, tinha mais ou menos 3 mil atividades. Dessas, 2.998 eu não queria para mim. Eu só queria duas: ou ser advogado ou ser empresário”, lembra.

Acabou escolhendo o empreendedorismo, a venda e o risco. E foi justamente em Brasília, longe da proteção da cidade natal, que transformou necessidade em impulso.

Brasília, no entanto, deixou de ser apenas uma cidade de oportunidades. Tornou-se casa. Foi aqui que Edmar consolidou sua vida, seus negócios, seus vínculos e uma relação afetiva cada vez mais evidente com a capital. Ao receber o título de Cidadão Honorário, resumiu esse sentimento de forma direta: declarou-se “verdadeiramente apaixonado pela cidade”.

Esse vínculo, no entanto, não nasceu pronto. Foi construído no enfrentamento, na reinvenção e na convicção de que era preciso avançar. Em um dos trechos mais reveladores de sua trajetória, ele afirma: “Eu queria mudar de patamar de vida. Eu queria evoluir”. Em outro, resume a força que encontrou nas vendas: “Eu vi que a venda podia transformar a minha vida.”

De porta em porta, de sonho em sonho

Muito do empresário que Edmar se tornaria foi forjado nesse período em que a rua, literalmente, era o seu campo de ação. A venda porta a porta lhe ensinou mais do que qualquer teoria sobre mercado, liderança ou estratégia. Foi ali que ele aprendeu a lidar com a recusa, a insistir, a observar, a adaptar discurso, postura e timing. “Eu fui treinado no mar brabo, que era a porta a porta”, diz. E arremata: “Não é moleza, não.”

Essa experiência radical de formação comercial o ajudou a lapidar uma visão extremamente prática do trabalho. Foi também nesse tempo que consolidou uma ética pessoal baseada em ambição disciplinada. “Na minha vida, eu quis ser o número um. Porque dá o mesmo trabalho”, diz. A frase, já repetida por familiares como uma espécie de lema íntimo, talvez seja uma das chaves mais reveladoras de sua personalidade. Não se trata apenas de competir: trata-se de entender que qualquer esforço deve ser orientado para a excelência.

 O empreendedor e o construtor de marcas

Foi na Capital Federal que Mothé ergueu os pilares de sua trajetória empresarial. “Gosto de dizer que eu sou criador de mundos”, brinca. E não é longe do literal; uma de suas primeiras empreitadas na capital federal foi no setor imobiliário, trabalhando na venda de loteamentos de Valparaíso e Luziânia. “Posso dizer que, ao longo dessa trajetória, 80% dos loteamentos destas regiões tem a minha assinatura”,conta.

Aos 32 anos, Edmar deu um novo passo ao compreender que a qualidade da água era uma oportunidade e tanto. Fundou a Mundo dos Filtros, que saltou de um quiosque no shopping Conjunto Nacional para um negócio com mais de 1 milhão de clientes cadastrados.

Hoje, a Mundo dos Filtros é considerada o maior marketshare de um produto relevante no Brasil, sendo que 90% da água consumida em Brasília passa por equipamentos da marca, que conta com 42 lojas e gera mais de 700 empregos diretos e centenas de empregos indiretos.

Na sequência, fundou a Telemundo, uma empresa de telecomunicações que, durante seis anos, ganhou prêmios e ajudou a disseminar a telefonia móvel em Brasília. Deste período, Edmar se recorda com animação de um feito que é, segundo ele, o sonho de qualquer vendedor: “Eu tinha pessoas pegando senha para consumir o meu produto e fazer fila na loja!”.

O terceiro mundo de Edmar

Como ele mesmo disse, a competitividade e coragem fazem parte de seu DNA. E foi justamente de uma negativa de fazer parte de uma rede de produtos naturais que Edmar se viu motivado a estudar aquele mercado em ascensão e trazer sua própria marca para o jogo.

Em 2015, ele inaugurou a primeira loja da Bio Mundo, no shopping Boulevard, no final da Asa Norte. Era o início de uma empresa que se converteu em uma rede nacional ligada ao universo do bem-estar, da alimentação saudável e dos suplementos.

“Em apenas dois anos, estruturamos 26 operações em Brasília e alcançamos um faturamento de R$100 milhões”. Hoje, com uma década de história, a Bio Mundo está presente em 22 estados além do Distrito Federal. Se tornou referência em franquias: conta com mais de 200 lojas, sendo que 62% dos franqueados possuem mais de uma unidade. Para 2026, são estimados mais de R$400 milhões de faturamento.

Edmar, no entanto, não pensa em tirar o seu time de campo, pelo contrário. Aos setenta anos, sua paixão pelos negócios se iguala a sua veia futebolística.

Apaixonado por futebol, ele faz do esporte uma extensão de sua vida social e de seu estilo de liderança, reunindo amigos, empresários e colegas do Minas Brasília Tênis Clube em partidas semanais em sua casa,  no Lago Norte. Mantém um time próprio, o Estrela, e ainda encontra pique para competir na Copa AFIA 100, em uma categoria que estreou este ano, para jogadores 70+. “Sou a prova de que a idade é só um número. O esporte nos mantém vivos!”,declara.

Essa ligação com o esporte não é acidental, tampouco recente. “Sempre fui muito competitivo. Sempre fui esportista, eu gosto de competir”, diz ele, numa frase que ajuda a conectar o jovem que corria para o treino com o empresário que fez da disciplina uma ferramenta de vida. O futebol, em sua rotina, é também um espaço de reconhecimento e pertencimento, onde o vínculo com Brasília se manifesta de modo informal, mas igualmente profundo.

Entre a origem e a escolha

Se Brasília o consagrou como um dos seus, Cachoeiro reafirmou a força de sua origem. O título de Cachoeirense Ausente Nº 1 de 2026 reconhece exatamente isso: o êxito de quem construiu uma vida fora, mas permaneceu ligado à cidade natal.

No caso de Edmar, as duas homenagens recebidas no mesmo ano formam um retrato preciso. Ele pertence a Brasília por escolha, entrega e trajetória. Pertence a Cachoeiro por memória, raiz e formação. Entre uma e outra, construiu uma biografia em que sucesso e pertencimento caminham juntos.

Em um tempo em que tantas histórias empresariais se apoiam apenas em resultados, a dele guarda um diferencial mais raro: a capacidade de aliar realização profissional, identidade pessoal e afeto pela cidade que o acolheu. Ao ser homenageado na Capital e reverenciado no berço de sua história, Edmar Mothé reafirma algo que sua própria vida já demonstrou : há cidades pelas quais se passa, e há cidades às quais se escolhe pertencer. Brasília certamente é uma delas.