Início Site Página 3

Sebastião Coelho e a candidatura do confronto

0

Ex-desembargador do TJDFT e candidato do Novo ao Senado pelo Distrito Federal, Coelho entra na disputa de 2026 afirmando que o Senado falhou em conter abusos de ministros do Supremo Tribunal Federal

 A candidatura de Sebastião Coelho da Silva ao Senado pelo Distrito Federal nasce de uma convicção central dele: a de que o Senado se omite diante do que ele considera excessos cometidos por ministros do Supremo Tribunal Federal.

Aos 71 anos, aposentado desde 2022 do cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, ele tenta converter a longa trajetória no Judiciário em credencial para uma campanha ancorada no confronto institucional.

Nascido em Santana de Ipanema, em Alagoas, em 15 de maio de 1955, bacharel em Direito pela FMU, em São Paulo, Sebastião Coelho ingressou na magistratura do DF em 1991. Ao longo de mais de três décadas, passou por varas criminais, pela Justiça Eleitoral e por cargos associativos e de direção no sistema de Justiça, até chegar ao desembargo, em 2013. Na entrevista à 61brasília, apresenta esse percurso como prova de que conhece “por dentro” o funcionamento do Judiciário e, por isso, estaria preparado para enfrentar, no Senado, aquilo que chama de desequilíbrio entre os Poderes.

Para ele, o Senado precisa reassumir o papel de freios e contrapesos previsto na Constituição e voltar a exercer controle sobre ministros do Supremo em casos que considere graves. O tema aparece não apenas como uma bandeira entre outras, mas como o próprio eixo de sua entrada na disputa eleitoral.

Ao mesmo tempo, Sebastião Coelho procura ampliar o alcance da candidatura para além do embate com o STF. Fala em defesa das prerrogativas da advocacia, critica o que vê como fragilização da segurança jurídica e associa esse debate a uma agenda mais ampla para o Distrito Federal. Cita, entre as prioridades, segurança pública, reforço da rede de saúde, compensações ao DF pelo atendimento à população do Entorno e soluções de mobilidade para quem depende diariamente do deslocamento entre Brasília e as cidades vizinhas de Goiás.

Na disputa local, o ex-desembargador também tenta se firmar como voz própria no campo da direita. Critica acomodações partidárias, questiona práticas que associa à política tradicional e insiste em se apresentar como alguém com independência para sustentar posições duras dentro e fora das instituições. Seu argumento é que, mais do que experiência, falta coragem ao Senado atual para exercer plenamente suas atribuições.

Por que o senhor decidiu disputar o Senado pelo Novo aqui em Brasília?

A candidatura nasceu de uma necessidade de enfrentamento com o Supremo Tribunal Federal. Isso não é desrespeitar nem desautorizar a instituição STF, mas enfrentar ministros que evidentemente estão abusando do poder. E o maior símbolo disso, para mim, é o ministro Alexandre de Moraes, que há muito tempo vem abusando do poder. O Senado tem uma grande importância nisso, porque ele tem o dever de fazer o que nós chamamos de freios e contrapesos. Neste momento, infelizmente, o Senado não está cumprindo esse papel.

Que papel seria esse?

O papel de fazer com que o Supremo cumpra a Constituição. E, para isso, qualquer candidato ao Senado tem que assumir o compromisso de impeachment de ministro Moraes do STF. E não é por qualquer coisa, mas por uma coisa grave. O Senado hoje, infelizmente, se demitiu do seu dever. Ele disse: “não, isso não é comigo”. E é com ele, sim.

O senhor se apresenta como alguém preparado para esse enfrentamento. Por quê?

Porque eu me sinto preparado juridicamente e tenho coragem para fazer. Às vezes a pessoa é preparada, e eu considero que no atual Senado há várias pessoas preparadas, mas não têm coragem para o enfrentamento. Ou porque não têm essa essência, ou porque estão comprometidas, ou até envolvidas em coisas erradas com ministros do Supremo. Eu não tenho esse problema.

O senhor diz que conhece o Judiciário por dentro. O que isso significa na prática?

Significa que ninguém vai me dizer como é o Poder Judiciário, porque eu conheço. Fui juiz e desembargador por 30 anos, 11 meses e 5 dias. Fui vice-presidente e corregedor do Tribunal Eleitoral, presidi turma, presidi câmara, fui do conselho especial. Então eu conheço por dentro. E posso garantir à população brasileira que o Poder Judiciário não é essa anarquia que se viu em determinados episódios recentes. Aquilo foi um episódio deprimente, um episódio de circo com a nossa Justiça.

O senhor fala também de liberdade de imprensa e prerrogativas da advocacia. Por que esses temas entraram na sua plataforma?

Porque nós estamos vivendo um momento de cerceamento da liberdade de imprensa e também um momento em que as prerrogativas dos advogados não são respeitadas. E quando você não respeita a prerrogativa do advogado, você está violando o próprio exercício da ampla defesa. Só há ampla defesa se o advogado tiver a possibilidade de fazer o enfrentamento correto. Eu quero ser, além de outras coisas, um defensor da advocacia para que nós tenhamos segurança jurídica.

Além da reforma do Judiciário, que outros temas o senhor considera centrais para o DF?

Segurança pública, saúde e mobilidade. Um país sem segurança jurídica e sem segurança pública não tem muito futuro. Os investidores fogem. E nós temos também de cuidar da vida concreta das pessoas: a tranquilidade de mandar o filho para a escola, de ir a um show, de circular com segurança. Em Brasília, há ainda a questão da mobilidade, porque uma grande parte dos trabalhadores mora no Entorno e trabalha aqui. Tem que haver convergência entre o governo de Brasília e o governo de Goiás para dar a essas pessoas melhores condições de deslocamento.

E na saúde, qual é sua visão?

A saúde do DF cuida de quase 5 milhões de pessoas, embora a população daqui seja menor, porque atende não só o Entorno, mas gente do Brasil inteiro. Então teria de haver também uma compensação maior no Fundo Constitucional, especialmente no que diz respeito à saúde. Não se trata de excluir as pessoas do Entorno, mas de dar condições para que os profissionais da saúde trabalhem e para que não falte o básico no hospital público, inclusive remédio.

O senhor também tem falado em empreendedorismo. Como esse tema entra na candidatura?

Eu acredito na força do trabalho. Comecei a trabalhar muito cedo, ainda menino, na roça. Sou uma pessoa simples, que saiu de lá e venceu na vida. Então eu valorizo o trabalho, valorizo quem empreende, quem produz, quem quer crescer. Um país com insegurança jurídica e insegurança pública afasta investimento, e isso atinge diretamente a vida de quem quer trabalhar e prosperar.

Como o senhor se posiciona dentro da disputa da direita no Distrito Federal?

Eu tenho respeito pela legitimidade das outras candidaturas, mas a minha candidatura está posta desde muito antes e tem uma razão clara de existir. O que me desagradou muito foi a insistência para que eu desistisse dela. Não tem desistência. Minha candidatura foi consolidada dentro do partido e eu estou muito confiante de que, quando as urnas forem abertas, muita gente terá surpresa.

O que diferencia sua candidatura das demais?

Eu sou uma voz que incomoda porque venho de dentro do Judiciário. Conheço por dentro, conheço os limites, conheço os desvios e sei o que precisa ser enfrentado. Então eu diria que o que me diferencia é isso: experiência, independência e coragem para fazer alguma coisa pelo país, sem descuidar também dos outros temas que interessam diretamente ao Distrito Federal.

Por fim: por que o eleitor do DF deveria votar no senhor para o Senado?

Porque eu me sinto preparado para defender o Brasil e o Distrito Federal. Preparado juridicamente e com coragem para fazer o enfrentamento que precisa ser feito. Quero ser uma voz no Senado para ajudar a recolocar o país no caminho da normalidade institucional e também para cuidar de temas concretos, como saúde, segurança pública, mobilidade e segurança jurídica.

Reginaldo Sardinha: de volta à rua para cobrar resultado

0

Aos 51 anos, o ex-deputado distrital e servidor público tenta retornar à Câmara Legislativa defendendo um mandato centrado em escolas públicas, agricultura, reestruturação administrativa e leis de efeito concreto na vida cotidiana do Distrito Federal

Reginaldo Rocha Sardinha Goes fala de política como quem fala de rotina. Para ele, a campanha não começa no calendário eleitoral nem termina no dia da votação. “Faço política comprando pão, viajando, em casa, o tempo inteiro”, explica.

Aos 51 anos, o ex-deputado distrital e servidor público tenta voltar à Câmara Legislativa do Distrito Federal em condições mais difíceis do que nas disputas anteriores. Depois de deixar o PL por não se identificar “nem com a extrema direita, nem com a extrema esquerda”, passou a concorrer pelo Mobiliza, antigo PMN : uma legenda menor, com menos estrutura, pouco tempo de televisão e escassez de recursos.

A mudança de partido, segundo ele, reduziu o conforto material da campanha, mas não alterou aquilo que considera essencial em sua vida pública: presença constante, contato com a população e resposta direta a problemas concretos. Sardinha defende  que o mandato precisa deixar marca visível,  seja em escolas reformadas, seja em leis que mudem o cotidiano de quem depende do Estado.

Nascido em Anápolis(GO), mas criado em Brasília desde os 5 anos, ele construiu toda a vida na capital. Passou em concursos para as polícias civis de Goiás e do Distrito Federal e escolheu permanecer no DF, onde seguiu carreira e formou base política.

A origem familiar, segundo relata, também ajuda a explicar essa inclinação: cita a avó, primeira vereadora de Porto Franco, no Maranhão, e o bisavô, que foi deputado estadual. A política, no entanto, aparece em sua fala menos como herança simbólica e mais como exercício prático.

No balanço que faz do mandato exercido entre 2019 e 2022, Sardinha destaca sobretudo os investimentos em 162 escolas públicas, com quase R$ 40 milhões destinados a reformas, salas de aula, cantinas, banheiros e quadras esportivas.

Também chama atenção para leis de impacto cotidiano, como a Lei nº 6.301/2019, que garante prioridade na entrega de medicamentos em farmácias públicas a mulheres vítimas de violência doméstica, e a Lei nº 6.647/2020, que proibiu no Distrito Federal fogos de artifício com estampido. Ambas são citadas por ele como exemplos de um mandato voltado menos ao discurso abstrato e mais ao efeito concreto da legislação sobre a vida comum.

Se voltar à CLDF, afirma querer concentrar esforços em duas frentes que considera decisivas: educação e agricultura. Na entrevista à 61brasília,  também faz críticas duras ao esvaziamento das administrações regionais, ao avanço das invasões fundiárias e à perda de capacidade operacional do Estado em áreas que, a seu ver, deveriam ser tratadas como prioridade.

Você começa a entrevista dizendo que faz política o tempo inteiro. O que isso quer dizer na prática?

Quer dizer que minha campanha não é feita só em 45 dias. Eu faço política comprando pão, em casa, viajando, em qualquer lugar. Sempre foi assim. Então, quando chega a campanha, ela já vem sendo construída ao longo da vida.

Nesta eleição, você está em um partido menor e citou as dificuldades de estrutura. O que mudou em relação às campanhas anteriores?

Mudou muito. Eu vim do PL, que tinha mais tempo de televisão e mais estrutura. Hoje estou no Mobiliza, antigo PMN, que continua praticamente sem televisão e sem dinheiro. Então a campanha fica mais difícil e, no meu caso, está sendo feita muito com recurso próprio.

Além disso, você mencionou uma dificuldade pessoal importante neste momento.

Sim. Minha mãe está doente desde junho, internando e saindo do hospital. Então eu divido meu tempo entre campanha, família, afazeres pessoais e o cuidado com ela. É um período muito desgastante.

Em que momento da sua vida a política deixa de ser só convivência e passa a ser destino?

Acho que isso vem da família e da formação. Minha avó foi a primeira vereadora de Porto Franco, no Maranhão; meu bisavô foi deputado estadual. E eu sempre tive essa inclinação. Depois, na Polícia Civil e na vida pública, isso foi se consolidando.

Você também contou que passou em dois concursos e decidiu ficar em Brasília. Como essa escolha te formou?

Passei para delegado em Goiás e para agente aqui no DF. Escolhi Brasília porque minha vida toda foi aqui. Vim para cá com 5 anos de idade e foi aqui que construí minha trajetória.

Seu primeiro mandato começa em 2019. Quando olha para ele hoje, qual legado considera mais importante?

Sem dúvida, a educação. Nós ajudamos 162 escolas públicas, com cerca de R$ 40 milhões em reformas, salas de aula, cantinas, banheiros, estrutura, quadras. Eu sou fruto de escola pública e isso, para mim, é um legado que fica.

E, no campo das leis, o que você destacaria?

Tem leis que mudam a vida concreta das pessoas. Uma delas garante prioridade na entrega de medicamentos em farmácias públicas para mulheres vítimas de violência doméstica. Outra proibiu fogos com estampido no DF. Não proíbe fogos; proibiu o estampido, pensando em autistas, acamados, doentes e animais.

Você citou um caso concreto que te marcou em relação à lei dos medicamentos.

Por que ele ficou tão vivo para você?

Porque, anos depois, uma mulher me disse que o que mais a ajudava era não precisar enfrentar fila para pegar o medicamento. Aí você vê que vale a pena ser político. Às vezes uma lei parece pequena, mas muda a vida de alguém.

Você fez uma crítica forte ao modelo atual das administrações regionais. Onde está o principal problema?

As administrações perderam poder e viraram, muitas vezes, uma espécie de despachante de luxo. Não têm equipamento, não têm comando efetivo, não executam como deveriam. Brasília precisa de uma reestruturação administrativa muito forte.

Essa crítica se liga também ao problema das invasões fundiárias?

Totalmente. As invasões acontecem por leniência do Estado. Falta fiscalização, falta decisão, falta presença. E, quando você deixa acontecer, depois o próprio Estado tem que absorver as consequências.

Por isso a agricultura apareceu com tanta força no seu discurso?

Exatamente. A agricultura no interior está morrendo. A Secretaria de Agricultura funciona com uma fração muito pequena do efetivo, os produtores estão deixando de produzir e a área rural está perdendo espaço. Se não cuidar disso, falta alimento e falta proteção do território.

Se você voltar à Câmara, onde quer concentrar o mandato?

Quero continuar ajudando as escolas, porque sou apaixonado por educação, e quero fazer um foco muito centrado na agricultura. O DF precisa olhar com seriedade para essas duas áreas.

No fim das contas, por que vale a pena voltar?

Porque eu quero continuar fazendo o bem para essa população. Tenho minha família aqui, minhas filhas aqui, quero ter meus netos, meus bisnetos e morrer aqui. Então eu quero continuar trabalhando por Brasília.

 

 

Alpha FM estreia oficialmente em Brasília e fortalece o portfólio do Sistema de Rádios PaulOOctavio

0

Com programação voltada ao público adulto-contemporâneo, a emissora chega ao dial da capital federal na frequência 89.5 FM

A marca Alpha FM passou a operar oficialmente no dial de Brasília a partir desta segunda-feira (21), transmitindo na frequência 89.5 FM. O retorno da rede à Capital Federal é fruto de uma parceria com o Sistema de Rádios PaulOOctavio (SRPO), que assume a gestão local da emissora.

Reconhecida por sua programação sofisticada no segmento adulto-contemporâneo, que combina o melhor da música nacional e internacional com informação, cultura e entretenimento, a Alpha FM 89.5 FM chega para complementar o portfólio de radiodifusão do grupo. O Sistema de Rádios PaulOOctavio já administra veículos de destaque no Distrito Federal, como a JK FM 102.7 (focada no segmento popular) e a Rádio Mix FM 88.3 (voltada ao público jovem).

Com a adição da Alpha FM, o grupo expande sua atuação e passa a cobrir diferentes nichos de público na região Centro-Oeste, oferecendo uma grade rica em conteúdos musicais de alta qualidade e reportagens locais voltadas às exigências dos ouvintes brasilienses.

“A chegada da Alpha FM ao nosso portfólio reforça o compromisso do Sistema de Rádios PaulOOctavio em oferecer opções variadas e de extrema qualidade para a população de Brasília. O segmento adulto-contemporâneo ganha um reforço de peso na capital”, afirma o diretor-geral do SRPO, Carlos Moreno.

A nova operação conta com estrutura operacional local em Brasília e passa a integrar a programação diária dos ouvintes a partir do dial e das plataformas digitais do grupo.

O Sistema de Rádios PaulOOctavio é um dos principais conglomerados de comunicação do Distrito Federal, responsável pela gestão de grandes marcas de radiodifusão na região, incluindo JK FM, Rádio Mix FM e, agora, a Alpha FM Brasília.

Cristovam e o desafio de reinventar o progressismo

0

Aos 82 anos, o ex-governador do Distrito Federal, ex-reitor da UnB, ex-ministro da Educação e ex-senador volta à disputa eleitoral para a Câmara dos Deputados, dizendo-se incapaz de permanecer em silêncio diante da crise do país e disposto a usar o mandato como tribuna para recolocar a educação no centro do debate nacional

Há políticos que retornam porque ainda desejam o poder. E há aqueles que voltam porque acreditam não ter terminado de dizer o que pensam sobre o país. Aos 82 anos, Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque parece se apresentar, mais uma vez, nesta segunda categoria.

Depois de ocupar alguns dos postos mais centrais da vida pública brasileira — reitor da Universidade de Brasília, governador do Distrito Federal, ministro da Educação e senador por dois mandatos —, ele volta ao processo eleitoral de 2026 como candidato a deputado federal pelo Distrito Federal, pelo PSB.

A justificativa que oferece é simples, mas grave: não quis se omitir. Desde que deixou o Senado, em 2019, Cristovam diz ter vivido um dos períodos mais felizes da vida. Dedicou-se integralmente à escrita, publicou livros, preservou a rotina doméstica e se afastou da disputa cotidiana do poder. Ainda assim, concluiu que não poderia permanecer apenas como escritor diante do momento do país e do esvaziamento, em sua visão, das forças progressistas. O mandato, para ele, vale menos como posto do que como tribuna.

Sua biografia ajuda a explicar o peso dessa volta. Cristovam foi reitor da UnB entre 1985 e 1989, governador do Distrito Federal de 1995 a 1998, ministro da Educação no primeiro governo Lula, entre 2003 e 2004, e senador pelo DF por dois mandatos, de 2003 a 2019.

Ao longo dessa trajetória, consolidou-se como formulador de políticas públicas e como um dos mais persistentes defensores da educação básica como eixo de um projeto nacional. Também é reconhecido como criador do Bolsa-Escola, implantado pela primeira vez em seu governo no Distrito Federal.

Em entrevista à 61 Brasília, porém, o passado aparece menos como consagração do que como lastro para uma nova batalha. O alvo de sua crítica não é apenas a ascensão da direita, mas também a incapacidade do campo progressista de oferecer uma utopia convincente para o mundo contemporâneo. Sua tese é dura: a esquerda envelheceu, perdeu imaginação e continua falando e fazendo promessas para um tempo que já passou.

É dessa inquietação que nasce sua candidatura. Mais do que recuperar projetos antigos, Cristovam quer usar a Câmara dos Deputados como espaço de formulação: retomar propostas deixadas no Senado, intervir no debate público e insistir naquilo que considera o único caminho viável para uma sociedade menos desigual num mundo marcado por escassez fiscal, crise ecológica e individualismo crescente: a educação.

Para ele, o desafio já não é apenas resistir à direita, mas renovar a linguagem, as prioridades e a imaginação do próprio campo progressista.

Se no século XX a promessa de transformação esteve ligada à indústria, ao emprego e à expansão material, sua aposta agora é outra: distribuir o capital decisivo do nosso tempo, que é o conhecimento. A escola pública, universal e de excelência, aparece em seu discurso menos como política setorial do que como fundamento de uma nova utopia democrática.

Seu diagnóstico, por isso, é ao mesmo tempo político e civilizatório. Cristovam fala de um país que perdeu o hábito de pensar o longo prazo, de uma esquerda presa a fórmulas antigas e de uma juventude que deixou de confiar na política porque se acostumou a vê-la fracassar. Seu retorno, nesse sentido, não é apenas eleitoral. É também uma tentativa de recolocar em circulação uma ideia de futuro.

Aos 82 anos, por que voltar agora à disputa eleitoral?

Porque cheguei à conclusão de que não dá para ficar omisso neste momento da história do Brasil e do Distrito Federal. Eu estava muito bem, escrevendo em tempo integral, vivendo um período feliz da minha vida. Mas senti que precisava ajudar, e não apenas observar.

E como o senhor sente essa volta à campanha?

Do ponto de vista pessoal, estou felicíssimo. Voltar para a rua, reencontrar gente, ser reconhecido, ouvir lembranças de projetos do meu governo e do meu tempo de senador — tudo isso é muito gratificante. Politicamente, porém, assusta ver o quanto a população caminhou para a direita.

Essa “direitização” do país o surpreendeu?

Muito. Há uma resistência grande aos partidos e às figuras progressistas. E acho que isso não se explica apenas pelos méritos da direita, mas também pelos fracassos e limites do nosso campo.

Quando olha para trás, há arrependimentos?

Acho que meu voto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff foi um erro. Não digo isso sem considerar as circunstâncias daquele momento, mas hoje vejo como um erro. Talvez eu também tenha saído cedo demais do PDT.

E do que o senhor mais se orgulha na vida pública?

Dos projetos que saíram dos livros e viraram realidade. O Bolsa-Escola, a Poupança-Escola, a faixa de pedestres e o Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB. São ideias que mexeram concretamente com a vida das pessoas. E também me orgulho de ter ajudado a consolidar no DF uma cultura de educação no trânsito, visível até hoje no respeito à faixa de pedestres.

Se eleito deputado federal, o que o senhor quer fazer na Câmara?

Retomar projetos que deixei no Senado e ter uma tribuna. Livro não é tribuna. Livro fica, o que é muito importante, mas não fala diretamente com a sociedade no ritmo da política.

 E o que o senhor quer dizer dessa tribuna?

Quero ajudar a reformular um projeto progressista para o mundo de hoje. A esquerda envelheceu. Continua oferecendo uma utopia que já não se sustenta. Fomos educados para a abundância e entramos na era da escassez — fiscal, ecológica e social.

Qual seria essa nova resposta progressista?

Para mim, o caminho é a educação. Não é mais a indústria que vai refazer a sociedade; é a escola. Uma escola pública de máxima qualidade, igual para todos. Esse é o novo socialismo possível: distribuir o capital de hoje, que é o conhecimento.

E como dialogar com o jovem que hoje se identifica com a direita?

Primeiro, reconhecendo que ele não está sendo irracional. Ele perdeu a crença na política e, em certa medida, tem razão. Nós frustramos os jovens. O que eu diria a ele é: sua solução individual não será possível se o restante da sociedade continuar sendo tratado como não gente. E “não gente”, aqui, é quem deixa de ser visto como parte do mesmo país — como se pudesse ser separado, ignorado ou descartado. Não existe futuro democrático possível sobre essa divisão.

O senhor ainda acredita que o Brasil pode produzir uma nova utopia democrática?

Acredito. Mas ela não virá pela repetição de fórmulas do passado. Vai ter de ser uma utopia compatível com os limites do planeta, com a crise do Estado e com a democracia.

Por fim: por que o eleitor deveria trazê-lo de volta ao Congresso?

Porque tive uma vida pública limpa, porque ainda tenho energia e porque quero usar essa energia para servir — não só como escritor, mas como agente do processo político.

Pobre Juan Brasília recebe jantar com Jamón Joselito Vintage, vinhos Tempos Vega Sicilia e presença de mestre-jamonera espanhola

0

Jantar Joyas a la Mesa acontece em 25 de setembro, no ParkShopping, com degustação de dois jamóns ibéricos, menu assinado pelo chef Geraldo Ribeiro e corte ao vivo de peça com mais de 96 meses de cura_

Brasília será uma das seis cidades brasileiras a receber, em setembro, a série de jantares Joyas a la Mesa, realizada pelo Pobre Juan em parceria com a espanhola Joselito e com os vinhos Tempos Vega Sicilia. Na capital federal, o jantar acontece no dia 25 de setembro, na unidade do Pobre Juan no ParkShopping, reunindo o raríssimo Jamón Joselito Vintage, com mais de 96 meses de cura, o Joselito Gran Reserva, um menu elaborado pelo chef Geraldo Ribeiro e uma seleção de cinco vinhos.

A ocasião marca uma oportunidade rara de reunir, no Brasil, os jamones Joselito e os vinhos do universo Tempos Vega Sicilia em um mesmo jantar. A noite contará ainda com a presença da espanhola Raquel Acosta, mestre-jamonera, responsável pelo corte manual do jamón diante dos convidados, e de Jesús García, Diretor Comercial Global da Joselito.

Produzido pela Joselito, casa espanhola fundada em 1868, em Guijuelo, Salamanca, o presunto ibérico é resultado de um processo que envolve origem, alimentação, tempo de cura e preparo. O Jamón Joselito Vintage se destaca pelo longo período de maturação, com peças que passam por 96 meses ou mais de cura, característica que faz dele uma produção rara mesmo entre os grandes jamones ibéricos.

*Tradição e sabor*
A história começa na dehesa espanhola, paisagem típica da Península Ibérica formada por campos abertos e árvores espaçadas. Durante a montanera, período final de engorda dos animais, os suínos pata negra circulam livremente pela região e têm nas bellotas, frutos das azinheiras, parte importante de sua alimentação. O clima, o território, a alimentação e o longo processo de cura contribuem para as características de cada peça.

Antes da apresentação do Vintage, os convidados poderão degustar o Joselito Gran Reserva, com 48 meses ou mais de cura. Assim como o Vintage, o produto é 100% natural, sem aditivos ou conservantes. A proposta da degustação é apresentar dois momentos distintos do processo de maturação da Joselito, permitindo perceber as particularidades de cada peça.

O corte manual terá papel central na noite. Realizado pela mestre-jamonera Raquel Acosta, o procedimento considera aspectos como espessura, brilho, temperatura e proporção de gordura de cada fatia. A apresentação será feita diante dos convidados, permitindo acompanhar de perto uma etapa fundamental do serviço do jamón.

Para acompanhar os jamones, o chef Geraldo Ribeiro criou um menu que começa com uma seleção de itens espanhóis, segue para uma salada de jamón ibérico e chega à degustação do Gran Reserva e do Vintage. O prato principal será o Bife Pobre Juan, servido com Risoto de Jamón e Guanciale, seguido pelos tradicionais Churros com Doce de Leite.

A seleção de vinhos percorre diferentes regiões e estilos. Entre os rótulos estão Oremus Mandolás 2023, Macán Clásico 2021, Alión 2021, Pintia 2020 e Oremus Tokaji Late Harvest 2020, pertencentes ao universo Tempos Vega Sicilia, com vinhos de Rioja, Ribera del Duero, Toro e Tokaj, na Hungria.

O Pobre Juan é o único restaurante no Brasil a oferecer Jamón Joselito em seu cardápio. Em Brasília, o jantar no ParkShopping integra a programação nacional do Joyas a la Mesa, aproximando o público da capital de uma tradição gastronômica espanhola marcada pelo tempo de maturação, pela origem dos produtos e pela precisão do preparo.

_Serviço_
Joyas a la Mesa, Pobre Juan + Jamón Joselito + Tempos Vega Sicilia
Data: 25 de setembro
Horário: 20h
Local: Pobre Juan ParkShopping, Brasília
Valor: R$ 1.394 por pessoa + serviço opcional
Reservas: WhatsApp (61) 3049-9636
Lugares limitados

Zé Humberto: “Eu sou só Zé”

0

Ex-secretário de Governo do DF e candidato do MDB a deputado federal, Zé Humberto fala de emendas, transporte de massa e da vontade de levar à Câmara a experiência de quem conheceu o governo por dentro

Antes de chegar aos bastidores do Governo do Distrito Federal, Zé Humberto foi um menino do interior de Goiás, nascido em Cristalândia, hoje Tocantins, que aos 8 anos deixou a roça para estudar em Porangatu. Em 19 de janeiro de 1969, aos 13 anos, chegou a Brasília. Conta que, já no dia seguinte, começou como empacotador de supermercado.

Foi subindo, degrau a degrau (repositor, balconista, encarregado de seção, subgerente, gerente), até a diretoria e a sociedade da extinta rede Planaltão, onde diz ter cumprido 37 anos de varejo. Presidiu a Associação de Supermercados de Brasília(ASBRA) entre 1984 e 1988, tendo atuado também como secretário da entidade de 1981 a 1983.Atuou nacionalmente na Associação Brasileira de Supermercados (Abras) por dois mandatos consecutivos (1999–2000 e 2001–2002)e e orgulha de ter participado no processo de implementação do código de barras no país, pela GS1 Brasil, entidade que padroniza a identificação de produtos.

Casado, pai de quatro filhos e avô de oito netos, entrou na vida pública como administrador regional de Taguatinga, por convite, conta ele, do então governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz.

“Eu coordenei as transições dos governos de José Roberto Arruda e de Ibaneis Rocha e, na gestão Ibaneis, estive à frente da Secretaria de Governo de junho de 2019 a abril de 2026, quando deixei o cargo para disputar a eleição”, relembra.

Agora, candidato a deputado federal pelo MDB (1555), afirma à 61Brasília que pretende direcionar suas emendas parlamentares a obras com projeto pronto e que só pensa em voltar ao Executivo depois de um período na Câmara.

Por que sair dos bastidores e disputar uma eleição?

Mesmo tendo trabalhado nos bastidores, sustentando a gestão dos governadores, achei que estava na hora de me candidatar. Tenho muita pauta nacional, pelo segmento que representei, e queria estar na Câmara ou no Senado. Optei por concorrer a deputado federal.

O senhor pretende voltar ao Executivo?

Voltar ao Executivo é provavelmente muito difícil, pelo meu perfil e pela necessidade que tenho de novos desafios. Mas nada é definitivo. Se for convidado, atendo. Só que quero passar um tempo na Câmara Federal levando pautas nacionais que atendam Brasília e o Brasil.

O que um deputado federal pode fazer pelo trânsito e pela infraestrutura?

Minhas emendas. Não são minhas, é dinheiro do cidadão, mas a prerrogativa de indicar é minha, e vou indicar para coisas que já estão prontas, para o resultado ser mais efetivo. Deixamos projetos prontos para licitação, que dependem de financiamento, de convênios com o Governo Federal e da Fonte 100. Uma linha é a urbanização das bordas de Brasília, como as regiões ali do  Pôr do Sol, Ponte Alta e Água Quente. Sou contra a invasão e a favor de uma política habitacional e de um planejamento urbano que preserve nossa qualidade de vida.

Como pretende usar a metade das emendas que deve para a saúde?

Não vou colocar direto no fundo de saúde. Vou trabalhar com projetos que resolvam o problema das filas e dos exames, que a população sofre demais. É um trabalho direcionado à solução do problema da pessoa.

Quais projetos de transporte de massa estão prontos?

Deixamos pronto o projeto do BRT Norte e o da expansão do metrô para Ceilândia, e a obra do metrô de Samambaia está em andamento. Transporte de massa não tem alternativa. Há também um projeto pronto de integração de Águas Lindas com o final da Ceilândia, por trem suburbano.

Por que o metrô não chega à Asa Norte?

Fizemos estudos do VLT na W3 e da perfuração do metrô até a Asa Norte. Como a cidade é tombada, qualquer solução tem de ser subterrânea, e o custo é elevadíssimo. Chegar a uma estação só do outro lado é inviável. Se fosse esticar até o final da Asa Norte e derivar para Sobradinho e Planaltina, justificaria. Mas não justifica. Ou você faz um projeto pleno para aquela região, ou é melhor trabalhar com BRT, que é a solução que estamos encontrando.

Se eleito, o que você pretende fazer no seu mandato?

Muita gente me conhece como Pezão, como Zé do Planaltão, como Zé das Obras, Zé Resolve, Zé do Povo. Eu digo: eu sou só Zé.
Então, o que se pode esperar de mim é isso:  uma pessoa experiente, tanto na gestão privada quanto pública e  que chega agora para uma candidatura madura. Eu tenho muito desejo de continuar tocando um desafio a cada dia, cada momento, entregando o melhor de mim para o Brasil.