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ENTREVISTA | CANDIDATO MAURO RUBEM

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  1. Deputado, sua trajetória política é marcada pela defesa dos trabalhadores e dos serviços públicos. Como essa história chegou à Assembleia Legislativa?

Minha trajetória é de luta. Sou cirurgião-dentista, especialista em Saúde Pública e servidor público. Fui vereador por Goiânia, presidente do SindSaúde, da CUT Goiás e hoje exerço meu quarto mandato como deputado estadual. Não entrei na política para fazer negócio ou buscar privilégio. Entrei para defender quem trabalha, quem precisa do SUS, da escola pública, da moradia e de um Estado a serviço da população.

  1. O que o mandato já entregou de concreto para Goiás?

Nosso trabalho reúne mais de 150 projetos de lei, quase 200 requerimentos e leis aprovadas em áreas importantes. Também destinamos emendas para mais de 60 municípios. São recursos para saúde, educação, cultura, universidades e entidades sociais. Foram R$ 9,9 milhões para a saúde e R$ 15,8 milhões para a educação. Destinamos também mais R$ 1,5 milhão para a arte, a cultura e a educação popular nas periferias, por meio do Cidade Viva, projeto que idealizamos ainda em 2023.

  1. O senhor também ficou conhecido pela fiscalização. Como foi essa atuação?Minha atuação na fiscalização foi concreta, enfrentando interesses poderosos e cobrando resultados. Na saúde, questionei contratos das Organizações Sociais (OSs), incluindo repasses, dívidas, pessoal, cumprimento de metas e transparência. Denunciamos problemas na Farmácia Municipal de Goiânia, onde medicamentos eram armazenados em temperatura inadequada, situação corrigida após a cobrança do mandato e do Ministério Público. Também atuei contra o contrato de R$ 9 milhões entre a Prefeitura e o SESI, cobrando a realização das perícias médicas dos servidores. No caso do Fundeinfra/IFAG, a atuação junto ao PT Nacional levou ao questionamento das leis no STF, que suspendeu as normas e bloqueou R$ 2,5 bilhões do fundo, que vinham sendo utilizados para executar obras sem licitação. Também enfrentamos a privatização da Saneago, a suspensão de benefícios do IPASGO Saúde e irregularidades no SAMU, casos que resultaram em investigações do Ministério Público, da Polícia Federal e da CGU.
  2. O governo Caiado foi um dos principais alvos dessa fiscalização. Por quê?

Porque o governo Caiado tentou vender uma imagem de eficiência enquanto avançava sobre aquilo que é público. Enfrentamos a tentativa de privatização da Saneago, questionamos contratos e modelos de gestão na saúde, fiscalizamos recursos públicos e denunciamos medidas contra trabalhadores e a população. Não aceitamos que o patrimônio do povo seja tratado como negócio.

  1. O senhor fala em “coragem para enfrentar os poderosos”. Onde isso apareceu de forma concreta?

Apareceu quando enfrentamos os interesses da família Caiado e seus aliados. Foi na defesa da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, ameaçada de perder seu território. Foi nas denúncias sobre contratos e recursos públicos. E foi quando levamos à PGR, ao Ministério da Justiça e ao Conselho Nacional de Direitos Humanos a defesa de uma investigação independente sobre o caso Fábio Escobar. Também enfrentamos a tentativa de privatização da Saneago.

  1. Essa fiscalização também chegou à Prefeitura de Goiânia?

Sim. No caso do Limpa Gyn, entramos na Justiça para questionar o contrato do consórcio. A Justiça reconheceu irregularidades, determinou a anulação do contrato e uma nova licitação. Isso mostra que fiscalização séria produz resultado, seja contra o governo estadual ou municipal.

  1. Qual é a importância de reeleger Lula e fortalecer o “Time do Lula” em Goiás?

Reeleger Lula é fundamental para manter o Brasil no caminho da democracia, da justiça social, do investimento em saúde, educação e geração de emprego. Goiás também precisa estar alinhado a esse projeto. Por isso, precisamos fortalecer o Time do Lula e eleger representantes comprometidos com esse projeto. Minha candidatura à reeleição faz parte dessa construção: um mandato popular, de luta e com coragem para enfrentar os poderosos.

 

 

Temporada de baleias movimenta turismo de observação e coloca litoral brasileiro no radar dos viajantes

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De junho a novembro, diferentes regiões do país oferecem oportunidades para observar baleias-jubartes e baleias-francas em seu habitat natural

O encontro com baleias em alto-mar, na costa ou mesmo a partir de mirantes vem ganhando espaço entre as experiências de turismo de natureza no Brasil. Entre junho e novembro, diferentes pontos do litoral nacional recebem espécies que migram para águas brasileiras em períodos de reprodução e cuidado com os filhotes, criando oportunidades para viajantes acompanharem de perto um dos espetáculos mais marcantes da vida marinha.

Conhecido internacionalmente como whale watching, o turismo de observação de baleias já é praticado em mais de 100 países e territórios. Quando realizado de maneira responsável, com respeito à legislação e aos protocolos de aproximação dos animais, a atividade alia lazer, educação ambiental e geração de renda para comunidades locais. No Brasil, destinos de diferentes regiões oferecem experiências que vão de passeios embarcados a pontos de observação em terra firme.

Para Ana de Mattos Brito, Head da Zarpo, agência de viagens online premium do Grupo Bancorbrás, o interesse por experiências ligadas à natureza acompanha uma busca crescente dos viajantes por roteiros que proporcionem momentos de conexão e descoberta. “A temporada de baleias é um ótimo exemplo de como uma viagem pode ir além de conhecer um destino. É uma experiência que envolve contemplação, contato com a natureza e a possibilidade de presenciar um comportamento que não faz parte do cotidiano da maioria das pessoas. O litoral brasileiro tem condições privilegiadas para esse tipo de turismo”, afirma.

Cinco destinos brasileiros para observar baleias:

Ilhabela (SP)

No litoral norte paulista, as baleias-jubarte costumam aparecer durante os meses de inverno, principalmente entre maio e agosto, com maior concentração de registros em junho e julho. Passeios embarcados ampliam as possibilidades de avistamento em áreas próximas ao sul da ilha, enquanto mirantes também podem proporcionar momentos de observação em terra.

Rio de Janeiro (RJ)

Cartões-postais cariocas também podem servir de cenário para o avistamento de baleias-jubarte. Entre junho e agosto, durante o período de passagem desses animais pelo litoral fluminense, há possibilidade de observação em regiões como as Ilhas Cagarras, a Praia Vermelha e São Conrado. Passeios náuticos e atividades voltadas à observação da fauna marinha são alternativas para quem deseja aumentar as chances de encontrar os animais. A experiência ainda permite contemplar a paisagem do Rio a partir do mar.

Vitória (ES)

O litoral capixaba recebe baleias-jubarte entre junho e novembro, período em que os animais migram para águas mais quentes para reprodução e criação dos filhotes. A proximidade das áreas de ocorrência em relação à costa favorece tanto a observação embarcada quanto a partir de pontos do litoral.

Praia do Forte (BA)

Entre julho e outubro, as águas próximas à Praia do Forte, no litoral baiano, tornam-se cenários para a passagem das baleias-jubarte. O destino é uma das referências nacionais para quem deseja realizar passeios de observação, com embarcações que seguem para áreas onde os animais costumam ser encontrados.

Imbituba (SC)

No litoral sul de Santa Catarina, a protagonista é a baleia-franca-austral. Entre agosto e novembro, mães e filhotes podem ser observados próximos à costa, especialmente em praias e enseadas de Imbituba. Setembro costuma concentrar um número expressivo de avistamentos.

Diferentemente de outros destinos, a experiência pode acontecer sem embarcação: praias como Praia do Rosa, Ribanceira e Itapirubá oferecem pontos estratégicos para acompanhar os movimentos dos animais com o auxílio de binóculos.

A Zarpo realiza curadoria de hotéis e resorts e reúne, em seu site, opções em destinos que propiciam a observação de baleias. Para quem deseja viver essa experiência, a plataforma oferece a oportunidade de explorar de perto lugares que proporcionam contato com a natureza, turismo de observação responsável e contemplação da vida marinha , descobrindo a beleza e a diversidade de cada região sob uma lente singular.

Para mais informações basta acessar o site ou entrar em contato pelo telefone (11) 4118-0928.

Dia do Urologista: homens ainda chegam ao consultório quando doença já dá sinais Seconci-DF oferece atendimento urológico gratuito a trabalhadores da construção civil a partir dos 45 anos

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Esperar o corpo dar sinais de que alguma coisa não vai bem ainda é um comportamento comum entre os homens e pode atrasar a descoberta de doenças que poderiam ser identificadas e tratadas mais cedo. No Dia do Urologista, celebrado em 12 de setembro, o alerta é para a importância de transformar a consulta com o especialista em parte da rotina de cuidados. No Distrito Federal, trabalhadores da construção civil têm acesso gratuito a consultas e exames urológicos pelo Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF), a partir dos 45 anos.

A urologia, porém, está longe de se restringir à próstata. O médico especialista é responsável por acompanhar a saúde do sistema urinário e também do sistema genital masculino, investigando desde alterações na urina e infecções até problemas relacionados à próstata, rins, bexiga, testículos, pênis e à função sexual. “Existe ainda uma associação muito forte entre urologista e câncer de próstata. Mas a atuação da especialidade é muito mais ampla. O acompanhamento médico permite avaliar diferentes aspectos da saúde urinária e genital e identificar alterações que, muitas vezes, o homem não percebe ou acaba considerando normais”, explica o gerente de Medicina do Seconci-DF, Maurício Carvalho.

Prevenção antes do sintoma

O problema de deixar a consulta para depois que surge uma queixa é que algumas doenças podem evoluir silenciosamente. É o caso do câncer de próstata, uma das principais preocupações relacionadas à saúde masculina. Por isso, a avaliação periódica permite que o médico indique, de acordo com a idade, histórico familiar e características de cada paciente, os exames necessários para acompanhar a saúde da próstata.

“O histórico familiar é um dos fatores de risco para o câncer de próstata. Quando há casos entre pai, irmãos ou tios, a chance de desenvolver a doença pode ser até oito vezes maior. Por isso, homens com esse histórico devem iniciar o acompanhamento preventivo a partir dos 45 anos”, explica o urologista do Seconci-DF, José Ribamar Machado Filho. “Os exames preventivos possibilitam identificar alterações em uma fase inicial, quando há mais possibilidades de tratamento eficiente e de cura. Quando a doença é diagnosticada precocemente, inclusive, pode ser indicado o tratamento cirúrgico. Por isso, o acompanhamento regular é tão importante”, acrescenta.

A importância desse acompanhamento também é percebida pelos próprios trabalhadores. Servente de obras da construtora Eleven, Dionisio Pereira conta que a experiência familiar reforçou a necessidade de não adiar os cuidados com a saúde.

“Perdi o meu pai com câncer de próstata porque ele tinha preconceito de procurar um médico. Quando ele foi procurar, não teve mais jeito, porque a doença já estava avançada. Eu faço sempre os meus exames preventivos através das consultas gratuitas do Seconci”, conta.

No Seconci-DF, o atendimento foi estruturado para facilitar esse acompanhamento. O trabalhador passa por exames que podem incluir PSA, ultrassonografia e fluxometria urinária, além de avaliações laboratoriais. Com os resultados, segue para a consulta com o urologista, que avalia o histórico clínico e os exames. Caso seja identificada alguma alteração, o paciente pode ser direcionado para investigação complementar.

A procura pelo serviço demonstra a relevância do acompanhamento especializado entre os trabalhadores. Em 2024, foram realizadas 986 consultas na área de urologia. Em 2025, foram 830 atendimentos e, de janeiro a julho de 2026, já foram contabilizadas 610 consultas.

Para o Técnico em Edificações da empresa Base Investimentos, Marcelo Correa, a consulta regular é importante especialmente a partir dos 45 anos.

“Os homens sofrem alterações na próstata, por isso é indispensável acompanhamento médico”, comenta.

Maurício Carvalho explica que o objetivo é facilitar o acesso à prevenção e não apenas atender quando o trabalhador já está doente.

“Quando conseguimos reunir exames e avaliação especializada, temos melhores condições de identificar alterações precocemente e orientar o paciente sobre os próximos passos”, afirma Maurício.

Serviço gratuito para trabalhadores

O atendimento urológico do Seconci-DF é oferecido sem custo aos trabalhadores da construção civil contratados por empresas parceiras da instituição, a partir dos 45 anos. Além da consulta, estão disponíveis exames como PSA, ultrassonografia e fluxometria, entre outros procedimentos urológicos.

Luis Cesar Bueno promete realizar concurso público para saúde e Polícia Militar

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Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey na última terça-feira (08/09), o candidato ao governo de Goiás pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Luis Cesar Bueno, respondeu perguntas sobre seu plano de governo. O candidato detalhou suas propostas para a criação do “Vapt Vupt da Saúde” e “tarifa zero” no transporte coletivo. Ele também se comprometeu a realizar concursos públicos para saúde e polícia militar.

*O senhor promete que em dois anos metade das unidades de saúde hoje administradas por Organizações Sociais (OSs) passarão para a gestão direta do Estado. Como fazer essa transição sem descontinuar os atendimentos?*

*Luis Cesar:* Faremos isso de forma gradativa e planejada, iniciando com uma ou duas unidades nos primeiros seis meses, com foco inicial nos hospitais de urgência de Goiânia. Hoje, o sistema gerenciado por OSs encarece a saúde pública em 30%, remunera mal os profissionais e adquire insumos e medicamentos praticamente sem licitação, como já apontaram o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público de Contas.
Com a economia gerada ao retirar as OSs, vamos profissionalizar a saúde e realizar concursos públicos logo nos primeiros 100 dias. Também criaremos o “Vapt Vupt da Saúde” para agilizar pequenos procedimentos e retirar especialidades críticas, como oncologia e cardiopatias, da fila da regulação.

*Outro ponto de destaque em seu plano é a implantação gradativa da “tarifa zero” no transporte coletivo até o terceiro ano de gestão. Como viabilizar financeiramente esse projeto?*

*Luis Cesar:* A tarifa zero não é apenas dar transporte de graça, é política estruturada de mobilidade urbana. Ela só funciona se houver corredores exclusivos e transporte de qualidade para atrair o cidadão de volta ao ônibus. Para isso, vamos instituir o Fundo Estadual de Mobilidade Urbana, que contará com a participação financeira do Estado, dos municípios, do governo federal e dos empresários.

*Na segurança pública, o senhor afirma que a criminalidade em Goiás aumentou, divergindo dos discursos oficiais. Quais são os seus dados e o que propõe de diferente?*

*Luis Cesar:* O crime mudou de configuração, migrando para a esfera digital e financeira. Goiás hoje lidera o refino de cocaína no país, com 81 laboratórios identificados, enquanto o Amazonas, segundo colocado, tem 31. Além disso, o feminicídio no estado aumentou 315% de 2025 para cá, registrando uma alta de 100% na comparação de 2024 para 2025. Somos também o terceiro estado em estelionato digital. Para combater essa realidade, vamos investir na inteligência da Polícia Civil e realizar concursos públicos para cabos e soldados na Polícia Militar.

*O senhor projeta um aumento de 30% na arrecadação do Estado logo no primeiro ano, sem aumentar impostos. Como pretende alcançar essa meta?*

*Luis Cesar:* O caminho é combater a sonegação, o contrabando nas fronteiras e a lavagem de dinheiro do crime organizado. Goiás hoje está no centro da lavagem de dinheiro, com forte atuação na adulteração de combustíveis em postos e distribuidoras, conforme apontado pela Operação Carbono Oculto da Polícia Federal. Vamos criar oito eixos de desenvolvimento econômico regionais, estimulando o agronegócio, a agricultura familiar, o microempreendedor individual e a industrialização de terras raras para a produção local de baterias e chips para veículos elétricos.

Paulo Tavares: o homem que decidiu explicar a bomba

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Aos 62 anos, o empresário, ex-professor de Matemática e presidente licenciado do Sindicombustíveis-DF disputa uma vaga na Câmara Federal defendendo menos tributos sobre combustíveis, mais transparência na formação de preços e o fortalecimento da Petrobras como instrumento de soberania energética e econômica do Brasil.

“O problema não é o posto, é o imposto.”

Em Brasília, poucas figuras do setor de combustíveis se tornaram tão reconhecíveis ao grande público quanto Paulo Roberto Corrêa Tavares.

Nos últimos anos, foi ele quem apareceu repetidas vezes em entrevistas, vídeos e análises sobre a formação dos preços da gasolina, tentando traduzir para o consumidor um tema que costuma chegar à bomba cercado de indignação, ruído político e pouca informação técnica.

Agora, aos 62 anos, o empresário e presidente licenciado do Sindicombustíveis-DF leva essa pauta para a arena partidária: é candidato a deputado federal pelo PDT.

Nascido em Brasília, filho de um potiguar que chegou à nova capital no pau de arara e de uma goiana nascida na zona rural, Paulo gosta de se definir como nascido e criado no Distrito Federal.

Sua trajetória combina serviço público, sala de aula, tecnologia e militância sindical. Formado em Matemática e em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília, dedicou 34 anos ao magistério na rede pública e acumulou experiência em gestão, orçamento e sistemas de informação, com passagens pela Secretaria de Fazenda e por áreas técnicas da administração pública.

Antes de se tornar uma voz pública no debate sobre combustíveis, Paulo transitou por diferentes campos da vida institucional brasiliense. Trabalhou com planejamento, tecnologia e gestão pública, participou de projetos ligados ao governo Cristovam Buarque(1995- 1998).

Teve, ainda, atuação sindical e manteve vínculos com a militância progressista. O ingresso no setor de combustíveis veio mais tarde, a partir da compra de um posto em 2012, episódio que, como ele próprio relata, mudaria o rumo de sua vida profissional.

Foi nesse mercado  em que Paulo se projetou e consolidou a convicção que agora pretende levar ao Congresso: a de que o debate sobre combustíveis no Brasil segue mal explicado e frequentemente capturado por simplificações.
Para ele, a discussão sobre preços, distribuição, Petrobras e carga tributária precisa ser enfrentada em escala nacional, razão pela qual aceitou o convite de Carlos Lupi para se filiar ao PDT e disputar uma cadeira na Câmara.

No centro de sua candidatura está uma defesa enfática da maior estatal brasileira como ativo estratégico do país. “Eu sou um defensor da Petrobras. É um patrimônio público”, afirma. A seu ver, o Brasil não pode abrir mão da empresa nem da tecnologia acumulada no pré-sal, sob pena de comprometer sua soberania econômica. É esse o eixo da candidatura que tenta construir: menos imposto, mais transparência e uma política energética capaz de proteger o consumidor sem desmontar um patrimônio nacional.

Você costuma dizer que é brasiliense “nascido e criado”, mas a história da sua família se confunde com a própria formação de Brasília. Como foi essa chegada?

Meu pai veio do interior do Rio Grande do Norte, literalmente no pau de arara. Levou duas semanas para chegar. Minha mãe é de Corumbá de Goiás. Eles se casaram e mudaram para Brasília em 1959. Eu nasci em 1964. Então sou nascido e criado aqui.

Sua trajetória passou pela matemática, pela computação, pelo serviço público e pelo magistério. Como foi esse percurso na sua formação?

Eu queria trabalhar com tecnologia. Fiz Matemática e depois Ciência da Computação. Passei em concurso para professor e policial civil e escolhi ser professor. Trabalhei com orçamento, software, gestão pública, conheci a política por dentro e fui me envolvendo mais com esse campo progressista.

E como o setor de combustíveis entrou na sua vida?

Entrou de forma inesperada. Eu tinha um primo que mexia com posto, frequentava um posto na Asa Norte e, anos depois, surgiu a chance de comprar um. Foi uma negociação muito rápida, a partir de um apartamento que eu e minha esposa tínhamos comprado com muito sacrifício.

Quando você fala dos preços dos combustíveis, insiste que o setor é mais complexo do que parece. Onde está esse desencontro de percepção?

As pessoas veem a Petrobras anunciar um preço e depois olham a bomba e acham que o dono do posto está ganhando uma fortuna. Não entendem toda a cadeia até chegar ao posto. Esse é um mercado muito delicado e complexo.

 Foi essa necessidade de explicação que te transformou em uma voz pública sobre o tema?

Sem dúvida. Eu tenho facilidade para explicar, talvez por ter sido professor tantos anos. Comecei a fazer intervenções, vídeos, a falar sobre formação de preço, imposto, distribuição. Isso ganhou alcance, inclusive fora de Brasília.

Como se deu sua ida para o PDT?

Eu estava no PT e tinha dificuldade de espaço para fazer esse debate. O Carlos Lupi me convidou para o PDT justamente por essa pauta: a defesa da Petrobras, da soberania energética e de uma política nacionalista do petróleo.

Sua defesa da Petrobras é muito enfática. Por quê?

Porque a Petrobras é um patrimônio nacional. O pré-sal é uma riqueza imensa. A tecnologia desenvolvida ali é nossa. Eu não acho admissível abrir mão disso. O Brasil precisa preservar o que tem de estratégico e usar isso para fortalecer sua economia.

E por que essa pauta passa pela Câmara Federal?

Porque essa é uma discussão nacional. Não é uma pauta para deputado distrital. A questão da Petrobras, da tributação dos combustíveis, da reforma tributária, tudo isso passa pelo Congresso Nacional.

Você também tem falado bastante da reforma tributária. Onde está sua principal preocupação?

Minha preocupação é deixarem os combustíveis fora da lógica geral da reforma e manterem uma tributação muito pesada. Se isso acontecer, o consumidor continua pagando demais. A luta é para que o combustível entre no mesmo caminho da reforma e possa baratear de verdade.

Como você avalia o começo da campanha?

É muito difícil. Quem já é parlamentar larga na frente, porque já é conhecido. Então o desafio é fazer as pessoas saberem quem eu sou e o que eu defendo.

Se eleito, qual é a luta que você quer travar em Brasília?

Quero fazer essa luta com independência. Menos imposto, mais dinheiro no bolso do povo, mais transparência, defesa da Petrobras e enfrentamento dos lobbies que hoje ninguém quer enfrenta

Dia Mundial da Alfabetização destaca desafio de levar educação a trabalhadores da construção Seconci-DF mantém programa que oferece aulas dentro dos canteiros e aproxima o ensino da realidade dos profissionais.

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Para quem passa o dia no canteiro de obras, voltar à sala de aula pode parecer um desafio distante. Entre o trabalho, o deslocamento e as responsabilidades familiares, retomar os estudos nem sempre encontra espaço na rotina. É justamente para aproximar a educação dessa realidade que o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) mantém um projeto de alfabetização e ensino fundamental voltado aos trabalhadores da construção civil. A iniciativa ganha destaque neste 8 de setembro, Dia Mundial da Alfabetização.

As aulas são realizadas nos próprios canteiros, uma estratégia que facilita a participação e permite que o processo de aprendizagem esteja conectado ao cotidiano dos alunos. Desde o início da década de 1990, mais de 13,5 mil trabalhadores de empresas parceiras da entidade já passaram pelas classes de alfabetização e pelos segmentos do ensino fundamental.

Entre os participantes do projeto está o operador de betoneira Francisco Gilmar Eugênio, que encontrou nas aulas a oportunidade de avançar na escrita e, com isso, retomar um antigo projeto pessoal: obter a carteira de motorista. Antes de participar da iniciativa, ele conta que tinha dificuldade até para escrever o próprio nome. “Eu praticamente não sabia escrever nem o meu próprio nome direito. Depois das aulas, consegui tirar meus documentos e assiná-los. Agora quero continuar estudando para realizar o sonho de conseguir minha CNH”, relata Francisco.

Para o coordenador pedagógico do Seconci-DF, Geraldo Henrique Gomes, criar condições para que o trabalhador volte a estudar também significa abrir novas possibilidades para sua trajetória. “Quando a educação chega ao local onde o trabalhador está, uma das principais barreiras para o retorno aos estudos deixa de existir. Nosso objetivo é oferecer uma oportunidade real para que esses profissionais avancem na escolaridade, conquistem mais autonomia e percebam que sempre é tempo de aprender”, afirma.

A continuidade do projeto depende também da participação das construtoras, que disponibilizam espaço e apoiam a presença dos colaboradores nas aulas. Dessa forma, o canteiro passa a incorporar uma nova dimensão: além de espaço de trabalho, torna-se também ambiente de formação e desenvolvimento.

Uma das empresas que apoiam a iniciativa do Seconci-DF em levar educação para os trabalhadores é a CONBRAL que, desde o início do projeto, manteve a sala de aula em suas obras. Ao longo dos anos, mais de 500 trabalhadores da empresa tiveram acesso à educação nas classes de alfabetização e ensino fundamental dentro do ambiente de trabalho. De acordo com o diretor da empresa, Paulo Muniz, a iniciativa traz benefícios concretos para trabalhadores e empresas. “O programa apresenta alto índice de satisfação entre os colaboradores e contribui para o aumento da produtividade e da permanência na empresa”, comemora.

Levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que, em 2024, 34% dos trabalhadores entrevistados possuíam o ensino fundamental incompleto e 2% eram analfabetos. Mais do que aprender a ler e escrever, a retomada dos estudos pode ampliar a autonomia em situações corriqueiras, como compreender documentos, preencher informações e lidar com diferentes demandas do dia a dia.