17.4 C
Brasília
terça-feira, abril 14, 2026

E O SANEAMENTO, TEMOS?

Date:

Share post:

E O SANEAMENTO, TEMOS?

 

Brasília é a única unidade da Federação a tratar todo o esgoto que é coletado. Diariamente, no DF, são gerados 145,5 toneladas de carga orgânica. Dessas, 120,9 são coletadas e tratadas com a infraestrutura de gestão do esgoto. Outras 12 toneladas são coletadas em fossas individuais, e as 12,5 toneladas que sobram não passam por nenhum tipo de recepção. O Distrito Federal ainda deixa 17% da população fora desse sistema. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), são milhares de pessoas que moram em regiões com fossas sépticas ou com esgoto a céu aberto.

Considerando esse índice de carga orgânica não coletada, um cálculo simples revela que o DF atira mais de 4,5 mil toneladas de esgoto a céu aberto – ou em fossas não declaradas – por ano. Vergonhoso e preocupante, porque se na Capital do país essas são as condições atuais, imaginem o resto do Brasil. Visitei recentemente Nova Colina em Planaltina e esta questão do saneamento básico é a mais reivindicada pelos moradores, juntamente com segurança e saúde. Prover à população, água potável, redes de esgoto, energia elétrica, segurança pública é o mínimo que o governo deve fazer, porque, de fato, verba não falta. Sabemos que há recursos públicos para essa finalidade, o problema é que o governo investe mal e investe errado. A população do Morro da Cruz em São Sebastião, por exemplo, não tem ruas calçadas, sem nenhum saneamento básico, crianças sem escolas de qualidade, muita poeira e muita doença infectocontagiosa por conta do esgoto a céu aberto. Lamentável! O povo precisa e tem por direito, viver em uma cidade organizada, funcionando e com serviços de qualidade. Vamos integrar forças, trabalho e recursos para mudar.

Para conhecimento de todos, a rede de tratamento remove 83% da carga orgânica;  outros 8,2% são coletados em fossas,  os 8,6% que restam sequer são coletados. Enquanto a capital federal trata 83% desses resíduos, a média da região Centro-Oeste é de 48%, e do país, de 39%. Apesar dos índices de tratamento do esgoto no DF serem positivos, e bastante superiores à média nacional, é preciso expandir essas redes. O impacto ambiental gerado pela “carga remanescente”, que se refere ao esgoto que não é tratado, somado ao resíduo das fossas e da carga tratada, se entrasse em contato com os recursos hídricos causariam crescimento de algas cianofíceas que são tóxicas, e o ‘boom de algas’, por exemplo, no Lago Paranoá trariam doenças, verminoses e morte de peixes.

Algumas áreas dentro do DF, próximas ao Plano Piloto, entram nas estatísticas da utilização de fossas. Nessas áreas, 56,17% dos lares utilizam fossa séptica, e 38,83%, fossa rudimentar. Há, ainda, 42 domicílios expostos ao esgoto a céu aberto (0,17%). Regiões que nasceram e cresceram de forma descontrolada e desordenada, como por exemplo, Sol Nascente, parte de Vicente Pires, Arniqueiras, Sobradinho II e outras, que apesar de terem projetos de rede de esgotamento aprovados, ainda não viram tais benfeitorias saírem do papel. Temos que mudar a cara do saneamento na Capital da República. Vamos juntos melhorar, porque do jeito que está não dá.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
publicidade

Related articles

Do discurso à ação: o que esperamos de uma nova gestão na Saúde

  speramos uma postura nova do Governo do Distrito Federal em relação à gestão da Saúde que vá além...

André Kubitschek se filia ao PL e reforça projeto político da sigla no Distrito Federal

Evento reuniu lideranças nacionais e locais e marca aposta do partido em nome jovem para as próximas eleições_ A...

Vacinação contra Influenza segue disponível no HUB

A aplicação é ofertada para grupos prioritários, como crianças, gestantes e idosos com 60 anos ou mais. O Hospital...