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quinta-feira, abril 30, 2026

Furdúncio poético do Sóter no Beirute

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O bar-restaurante Beirute continua sendo o grande território/livre de Brasília: nesta ultima quarta-feira, poetas, professores, cantores, atores, pensadores lá se reuniram para o lançamento do micro-livro do poeta Sóter, que na ocasião também comemorava seu aniversário de 68 anos.

O evento comandado pelo poeta Vanderlei, com suas fantasias exóticas, assim se manifestou o poeta-professor Luiz Martins.

Com sarau de poesia, cuja abertura teve Sóter lendo alguns de seus poemas. Depois, o microfone ficou aberto ao público e aos poetas da cidade convidados para a celebração. A nova publicação de Sóter é composta de hai kais, estilo de poesia de origem japonesa caracterizado por conter apenas três versos. Bem-humorada, a obra reúne mais de 40 poemas que o autor fez ao longo da vida.

“Tem das décadas de 1970 e 1980. São poemas que se perdem nos livros, mas que tem espaço nos saraus”, lembra o escritor.

Fã do existencialismo de Simone de Beauvoir e de Jean-Paul Sartre, e de chiste, o poeta brinca ao categorizar o Hai kanas como uma obra “chistencialista”.

“O livro aborda vários temas. Geralmente, esses poemas vieram de provocações que senti em lugares comuns como botecos, a Rodoviária, ônibus coletivos e rodas de samba”, conta.

O “livrim”, como ele gosta de chamar, já estiveram presentes no rótulo da Cachaçóter, bebida alcoólica criada pelo autor, e que acabou virando um “veículo de poesia”. Devido ao pouco espaço no rótulo, eles tinham que ser hai kai, segundo Sóter.  O prefácio: “É o menor prefácio que eu conheço”, confessa Sóter.

Sóter faz parte da cena literária de Brasília desde que chegou à cidade, nos anos 1970. No início, tentava escrever poemas dentro dos padrões de escolas literárias, como o romantismo, mas uma entrevista de um escritor exilado em Portugal, que leu nas páginas amarelas da revista Veja, o fez mudar de ideia. Ele não lembra quem era exatamente o entrevistado, mas ficou marcado no jovem poeta a frase “Falar difícil é fácil, difícil é falar fácil”.

“A proposta das minhas obras, além do bom-humor, é que seja acessível para todos. O poema só faz sentido quando atinge alguma alma”.

Por definição, a poesia marginal é aquela que não se encaixa em nenhuma escola literária e nem no mercado editorial, o que fez Sóter atuar de maneira totalmente autônoma, editando os próprios livros e de outros autores pela sua Semim Edições. O costume de chamar suas publicações de “livrim” vem do fato de que as editoras exigem uma quantidade mínima de páginas para uma publicação, prescrição que Sóter não atende.

A última publicação de autoria de Sóter foi a edição de comemoração de 40 anos do lançamento do seu livro de poemas Fogo na palha, de 1981. Ao todo, já publicou 15 títulos, entre eles o Navegante ao léu (2011), com a colaboração do artista plástico Zé Nobre.

“Hai Kanas Doses Poéticas”, de José Sóter, SEMIM Edicões.

O poeta José Sóter assim se pronunciou:

Bom dia, poetariado!!!

Obrigado a cada um e cada uma que compareceu à confraternização poética de fim de ano. Geralmente sou alegre, ontem estive feliz.

A poesia une!!!!

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