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segunda-feira, abril 27, 2026

Não se fazem mais infâncias como antigamente

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Especialmente em Brasília.

E não estou me referindo a pop-its ou Lucas Netto. Trata-se de algo mais grave, lacunas insanáveis nos espaços de Brasília, carências insuperáveis na criança brasiliense.

Fui ao zoológico levar minhas filhas. É muito legal ver o elefante lá no início, apesar dele sempre estar empoeirado. Depois a onça, a pantera, e o leão… Cadê o leão!? Procurei entre tigres e macacos e não achei.

Depois lembrei que o leão do zoológico morreu já há alguns anos, e ninguém se importou em trazer outro para cá. Percebem a gravidade? Brasília não tem leão! As crianças brasilienses nunca viram um leão! Nunca viram aquela juba imponente, os rugidos que volta e meia assustavam os visitantes, o porte de um verdadeiro rei da selva. Crescerão incompletas, vendo hipopótamos e capivaras, mas não o leão.

Então outro dia fui ao parque. Um dos parques mais brasilienses da infância de todos, que é o Nicolândia. Está reformado, tem brinquedos novos e legais. Fui, claro, no bate-bate, que as crianças odeiam mas os pais se divertem. Querem ir na montanha russa? Não, tudo bem, vamos descer num escorregador gigante, que é muito legal! E assim fomos em direção ao tobogã… Cadê o tobogã do Nicolândia!?

Não existia mais, e lá se foi um pedaço da infância brasiliense. E já me preocupo o que será dessa geração que não terá em sua constituição a etapa do tobogã. Pegar aquele saco que pinica, subir as escadas ao topo das alturas, encarar um funcionário mal-humorado, aguardar sua vez e se lançar naquela loucura um tanto quanto desordenada, queimando o joelho na chegada e até atropelando uma moça que se demorou a sair do caminho. Depois vi que fizeram uma versão nova, nutella, mas infelizmente não é a mesma coisa…

Finalmente, fui com as crianças à Praça dos Três Poderes. Calma! Os pombos e o pipoqueiro ainda estão lá, naquela simbiose limpa e higiênica. Depois de corridas aqui e ali debaixo de um céu monumental, levei-as em direção ao Palácio do Planalto, preparando-as mentalmente para conhecer os famosos dragões da independência. Será que são soldados ou estátuas, meninas?

– Mas pai, olha, eles estão se mexendo e conversando!

Sim, era verdade. Os soldados que outrora se postavam à frente do Palácio do Planalto, imóveis, rijos como estátuas, e habitavam o imaginário da criança brasiliense como símbolos cívicos de estabilidade, estavam agora desleixados, apoiando o peso do corpo sobre uma perna.

Quando eu era criança, o meu pai afirmava que eram estátuas, e eu ficava a analisar atentamente aqueles dois soldados: um minuto, dois… É, realmente acho que são estátuas. Mas então eu pensava ver algo como uma piscada de olho e voltava a acreditar que eram homens. Seja como for, fazia parte da infância de Brasília, e agora não faz mais.
Não se fazem mais infâncias como antigamente!

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