28.5 C
Brasília
terça-feira, abril 28, 2026

Que lições podemos aprender com o Coldplay sobre sustentabilidade em festivais?·

Date:

Share post:

Como sociedade, podemos reduzir em 30% o uso de recursos por meio da economia circular – e os festivais de arte e cultura podem contribuir para isto·  Por meio do programa Cultura Circular, British Council promove a colaboração internacional como ferramenta para aprimorar práticas sustentáveis em festivais
 A economia circular, se for aplicada de forma correta, tem potencial para suprir todas as necessidades da humanidade com apenas 70% dos insumos consumidos atualmente, segundo o Circularity GAP Report, do International Institute for Sustainable Development (IISD).

Diversos segmentos do mercado e atores da sociedade civil podem agir ativamente para tornar essa estimativa uma realidade – e os festivais de arte e cultura não ficam de fora. Shows, exposições, feiras e mostras artísticas têm um potencial único para impulsionar tanto a cultura em si quanto a economia circular. Todos esses eventos podem ser uma poderosa ferramenta para uma mudança significativa. Mas para torná-los mais sustentáveis, é necessário promover a junção de diversas variáveis.  

Por um lado, os festivais não são apenas plataformas para expressão cultural e entretenimento, mas também um veículo para promoção de práticas sustentáveis e conscientização sobre questões socioambientais. São eventos que também fomentam o senso de responsabilidade tanto dos organizadores quanto dos artistas diante do público, além de movimentar economicamente os territórios que sediam esses festivais. 

No Brasil, o Rock in Rio (2022) sozinho foi responsável por um impacto econômico de R$ 2,2 bilhões somente na capital carioca, gerando 28 mil empregos diretos e atraindo 410 mil visitantes nacionais e 10 mil internacionais, segundo a organização. Para 2023, a previsão é de que ao menos 40 festivais sejam realizados durante o ano, de acordo com reportagem do jornal O Globo. O impacto econômico do segmento tem sido cada vez mais importante no país como um todo.

Em abril de 2013, o Observatório Itaú Cultural publicou o produto interno bruto (PIB) da economia da cultura e das indústrias criativas (Ecic) do Brasil. Segundo o indicador, em 2020 o setor foi responsável por 3,11% do PIB da economia brasileira. Em geral, a média anual do PIB da Ecic para o período avaliado (de 2012 a 2020) foi de cerca de 2,63%. Diante desses números, o compromisso com bandeiras sustentáveis se torna inadiável também no setor de festivais, que representa uma fatia da economia da cultura e das indústrias criativas. Vale destacar que esse olhar sustentável é também um compromisso conectado com a agenda ambiental adotada pelo Brasil. Isso porque, aos poucos, o país reassume o protagonismo em questões sustentáveis.

Nesse mês de agosto, oito presidentes de países amazônicos e líderes de instituições financeiras internacionais estiveram reunidos em Belém (PA) no Amazônia Summit, a Cúpula da Amazônia, para discutir o Tratado de Cooperação Amazônica, firmado há 45 anos. E nos dias que antecederam o evento houve o Diálogos Amazônicos, que promoveu uma série de plenárias-síntese para discutir os principais problemas da região da maior floresta tropical do planeta. Festivais artísticos e culturais não podem ficar alheios a esse debate. Transformação sustentávelA economia circular busca diminuir os impactos ambientais da cadeia de valor de consumo e produção.

Para implementar essas mudanças, é necessário renovar os hábitos de consumo e criar ciclos produtivos sustentáveis ​​que reduzam o uso de recursos, desperdícios e danos ecológicos. É inegável que esse conceito está no cerne da indústria dos festivais. Um ótimo exemplo – e ainda muito recente – é o Coldplay, banda britânica mundialmente conhecida que demonstrou de forma clara o potencial dos grandes artistas para contribuir com a economia circular. Por meio de iniciativas criativas reunidas no primeiro relatório de sustentabilidade da banda validado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), houve uma redução de 47% nas emissões diretas de CO2 durante a turnê mundial “Music Of The Spheres”, em comparação com a turnê 2016-2017. O compromisso do grupo com a sustentabilidade transcende a música, já que também foram realizados o plantio de 5 milhões de árvores, a limpeza dos oceanos e a redução de resíduos. Houve ainda a geração de energia renovável com instalações solares, pistas de dança cinéticas e bicicletas elétricas. E, no topo de tudo isso, 66% dos resíduos da turnê foram desviados de aterros sanitários. Indo além da determinação da banda, essas ações mostram como os festivais podem promover mudanças positivas e alinhadas à economia circular. 

Entretanto, o estágio atual da economia circular global ainda é preocupante. Segundo um recente relatório da Circle Economy, hoje a tendência é de que a taxa de circularidade continue a diminuir, considerando que, de 2017 a 2018, houve queda de 9% para 7% nesse indicador. Em vez de avançar nesse sentido, a humanidade caminha na direção oposta. Com o objetivo de contrariar as tendências acima e alinhado ao compromisso do Reino Unido com o desenvolvimento sustentável, o British Council realiza o Cultura Circular, um programa para promoção do desenvolvimento sustentável no setor cultural através de festivais no Brasil e em mais 7 países da América Latina e Caribe: Argentina, Colômbia, Cuba, México, Perú, Trinidade & Tobago e Venzuela. 

“A indústria de festivais está na interseção entre cultura e sustentabilidade. Se conseguirmos capitalizar essa convergência, teremos benefícios tanto para a cultura quanto para a sustentabilidade do nosso planeta”, diz Rafael Ferraz, Head de Artes Brasil do British Council. 

“Com toda a sua influência, os festivais precisam impulsionar a conscientização ambiental, promover práticas sustentáveis ​​e incentivar a economia circular, pois atraem públicos diversos e podem contribuir substancialmente para os esforços globais de combate às mudanças climáticas e para a criação de um futuro mais sustentável”, complementa. 

Aos interessados ​​em participar do programa Cultura Circular e receber o respectivo aporte financeiro para desenvolvimento de práticas sustentáveis em colaboração com o Reino Unido, as inscrições vão até 20 de agosto por este link

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
publicidade

Related articles

ANDRÉ KUBITSCHEK LIDERA INICIATIVA QUE CONECTA JOVENS DO DF AO FUTURO DA TECNOLOGIA

Brasília foi palco de uma iniciativa que une tecnologia, inclusão e perspectivas reais de futuro. Jovens de escolas...

PALAVRAS E SONHOS

​​​​​​​​ ​O que faz alguém recordar o passado: Uma infância sofrida ou de alguns momentos felizes. ​De tudo vivenciamos mais...

Rede Plaza Brasília inaugura Soho Plaza Hotel em Águas Claras

  A Rede Plaza Brasília inaugurou oficialmente, na terça-feira (21), o Soho Plaza Hotel, empreendimento localizado no complexo do...

Paula Belmonte homenageia 300 estudantes em sessão solene pelo aniversário de Brasília

  Evento que comemorou os 66 anos da capital teve como tema o protagonismo jovem na construção do futuro...