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domingo, junho 28, 2026

A Arte da Diplomacia Política: Como Jefferson Rodrigues Conquistou Espaço e Respeito entre Diferentes Forças em Goiás

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Nesta entrevista exclusiva, o deputado Jefferson Rodrigues abre os bastidores de sua trajetória pessoal e pública. Ele relembra a infância na Vila Brasília, o crescimento de Aparecida de Goiânia e a forte formação humanista transmitida por seus pais. O parlamentar detalha a sua transição para a liderança evangélica, explica como consolidou uma gestão técnica e laica na Secretaria de Assuntos Religiosos, analisa o mosaico cultural do interior goiano e revela a sua postura de lealdade e respeito junto a grandes líderes políticos do Estado.

Origens, o Crescimento de Aparecida e as Lições de Cidadania

Deputado Jefferson Rodrigues, nos fale sobre a sua trajetória pessoal e política, e o que o senhor projeta para esta renovação de mandato nas eleições de 2026.

Deputado Jefferson Rodrigues: É um prazer imenso e uma grande satisfação estar aqui com você, Edson. Antes de falarmos sobre o papel do homem público, considero fundamental que as pessoas entendam as motivações do político, as suas bandeiras e as experiências que moldaram os seus valores. Minhas raízes estão ligadas a pais baianos que foram pioneiros em Aparecida de Goiânia, mais precisamente no bairro Vila Brasília. Quando a minha família se estabeleceu ali, o município contava com pouco mais de 15.600 habitantes; hoje, estamos a falar de uma potência com mais de 650 mil moradores. Meu pai foi um dos primeiros a acreditar naquela região.

O senhor frequentemente menciona que a sua infância e adolescência foram períodos de muita superação devido a problemas crónicos de saúde. Como foi conviver com essas limitações?

Jefferson Rodrigues: Fui acometido muito cedo por uma bronquite severa que acabou evoluindo para um quadro de asma. Praticamente desde os meus dois anos de idade até completar os 18 anos, a minha rotina consistia em sucessivas internações hospitalares decorrentes de crises de broncopneumonia e complicações de diabetes. O meu sistema respiratório era tão debilitado que eu guardava um profundo sentimento de vergonha na adolescência: eu precisava caminhar pelas ruas protegendo-me com uma sombrinha. Se o sol forte batesse diretamente em mim, as minhas defesas baixavam e eu ficava exausto, sem forças para respirar. Para ter uma ideia, anos mais tarde, exames apontavam manchas nos meus pulmões causadas pelo esforço hercúleo que eu fazia na época para buscar o ar. 

E como era o cotidiano dessas idas frequentes às unidades de saúde?

Jefferson Rodrigues: Era uma rotina quase diária, principalmente nas madrugadas. Ali, no ambiente de emergência, convivi de perto com o ápice do sofrimento humano. Via pacientes com dores agudas, casos graves e acidentados que chegavam em situações extremas. Mas foi exatamente esse cenário que despertou em mim uma sensibilidade profunda pelo próximo, algo que foi amplificado pela postura dos meus pais.

Como os seus pais atuaram para moldar esse seu lado voltado para o social?

Jefferson Rodrigues: A influência deles foi total. O meu pai era um homem extraordinariamente humanista, e a minha mãe compartilhava dessa visão. Ele era um membro muito ativo da Igreja Católica, líder de movimentos de casais. Ele fazia questão de me levar, juntamente com a minha irmã, para participar de visitas de caridade. Ele dizia: “Eu quero que vocês conheçam a realidade para entenderem a vida”. Visitávamos os internos da A Vila São Cottolengo (Trindade – GO), colónias de hanseníase, lares de idosos e orfanatos. A frase dele ecoava: “Dá valor ao que tu tens”.

Na vida profissional, o seu pai atuava como contador. A rigidez moral dele nos negócios também o marcou?

Jefferson Rodrigues: Marcou profundamente. O meu pai operava numa linha de honestidade que por vezes trazia dificuldades financeiras para a nossa casa. Lembro-me de clientes que o procuravam dispostos a pagar para abrir uma empresa. Mesmo precisando do dinheiro dos honorários, ele analisava o cenário e dizia: “Olha, tu não deves abrir este negócio agora, tens estes problemas, não vai dar certo”. Com os fiscais de tributos, a postura dele era idêntica. Ele dizia: “Eu não minto para duas pessoas: o meu cliente e o fiscal. Se o fiscal perguntar, eu direi exatamente quem paga os impostos de forma correta e quem não paga”. Os fiscais confiavam tanto na integridade dele que nem checavam os livros dos clientes que ele avalizava. Cresci sob este legado de total sinceridade.

A Juventude Rebelde, o Alcoolismo e o Choque da Conversão

Edson Crisóstomo: Diante de uma infância tão restritiva por conta das doenças, como se deu a transição para a sua juventude e a sua posterior mudança de estilo de vida?

Jefferson Rodrigues: A reviravolta aconteceu por volta dos meus 17 anos. Um médico examinou-me e disse que, pelo histórico de medicamentos pesados que tomei a vida inteira, eu teria poucos anos de vida pela frente. Aquilo gerou um impacto profundo. Pensei: “Bem, se me resta pouco tempo, eu vou curtir a vida”. Foi aí que me juntei a uma tribo de roqueiros e adotei a filosofia da “vida louca”.

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|               BOX: SÍNTESE DO PERFIL PARLAMENTAR                 |

| • Origem: Vila Brasília, Aparecida de Goiânia (Pioneiros).    |

| • Formação: Forte base humanista e social desde a infância. |

| • Experiência Executiva: Secretário de Assuntos Religiosos (2011). |

| • Evolução Eleitoral: Crescimento contínuo de 24 mil para 45 mil  |

|   votos nas urnas estaduais goianas.                     |

| • Desempenho Partidário: Um dos fundadores históricos da legenda, |

|   tendo rodado mais de 110 mil km para consolidar bases. |

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Como era o Jefferson dessa fase roqueira e como o alcoolismo começou a tomar conta da sua rotina?

Jefferson Rodrigues: Eu mergulhei de cabeça no estereótipo do roqueiro rebelde e desleixado. Meus amigos consumiam substâncias químicas variadas, mas, devido ao meu histórico pulmonar, eles tinham zelo por mim e diziam: “Jefferson, tu tens problemas graves de asma. Não uses nada disso, limita-te apenas a beber”. Eu acatei. Comecei a beber nos finais de semana e, em pouco tempo, o hábito tornou-se diário. Eu andava sujo, usava uma jaqueta de cabedal que ficou sem lavar por anos e colocava naftalina nos bolsos para disfarçar o cheiro. Na porta do meu quarto, fixei um cartaz de aviso: “Quarto condenado, perigo, não entre”. Meu pai olhava para aquilo com uma tristeza dilacerante.

De que maneira a fé entrou na sua casa e transformou a sua realidade e a da sua família?

Jefferson Rodrigues: A porta de entrada foi a minha irmã. Ela passou por uma desilusão amorosa devastadora na adolescência, o que a desestruturou emocionalmente e gerou muito sofrimento em casa. Um dia, ela entrou na Igreja Universal e experimentou uma transformação radical. Meu pai, sendo um católico fervoroso e ministro da Eucaristia, não aceitou bem no início. Gerou-se um clima tenso dentro do lar. Diante disso, o pastor orientou a minha irmã a orar, afirmando que Deus haveria de converter alguém daquela casa para ser o seu ponto de apoio. Ela veio até mi e profetizou que eu seria essa pessoa. No início eu zombei, mas acabei por aceitar o convite para ir à igreja. Ali, tive o meu encontro real com Deus. Fui liberto do alcoolismo, curado das minhas debilidades físicas e, anos mais tarde, tornei-me pastor e abracei essa vocação.

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