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segunda-feira, agosto 10, 2026

ELEIÇÕES DF 2026 Zé Dirceu tinha razão… Aliás, continua tendo!

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A corrida eleitoral de 2026 no Distrito Federal começa a ganhar forma. E, com ela, surgem nomes, apostas, vaidades, velhos problemas e algumas boas surpresas.

A abertura dos debates políticos, iniciada pela TV Bandeirantes/BandNews, ajudou a clarear o cenário para o eleitor. É quando o discurso preparado encontra o contraditório — e o candidato precisa mostrar mais do que frases de efeito.

Kiko Caputo pode surpreender?

Pode. E muito.

Advogado, ex-presidente da OAB-DF e com atuação também na OAB Nacional, Kiko Caputo apareceu no debate com desenvoltura, experiência e, principalmente, conhecimento das demandas da população.

Foi além da cartilha tradicional das promessas eleitorais. Falou em gestão e apresentou a necessidade de um verdadeiro choque de moralização no cotidiano da administração pública.

Em uma eleição que ainda está longe de estar definida, é um nome para observar.

Cereja do bolo

Ainda no campo do Direito, outro personagem de peso movimenta os bastidores: o consagrado advogado Luís Felipe Belmonte, esposo de Paula Belmonte, assistiu sua esposa ser assediada.
Paula vem sendo cortejada quase intimada para ocupar a vaga de vice-governadora em diferentes chapas. Pelo menos quatro candidatos ao governo já teriam demonstrado interesse.

Ela agradeceu os convites e devolveu a provocação:

“Venha ser você o meu vice.”

Até ontem, seguia sem resposta.

Política também se faz assim: convite, contraproposta, silêncio e muita conversa de bastidor.

Tiro ao alvo

Celina Leão é corajosa, boa de briga e não parece disposta a fugir do front.

E herança maldita, vale lembrar, também existe no campo da direita.

Um rombo estimado em R$ 6,7 bilhões e a situação de um banco tecnicamente quebrado colocam sobre a mesa um problema que exige solução. Há alguma movimentação de bancos privados, pouca disposição do governo federal em ajudar e muita apreensão.

Funcionários, correntistas e acionistas aguardam respostas.

Enquanto isso, Celina troca peças políticas por nomes técnicos e tenta encerrar esse capítulo para construir a renovação de seu mandato. Dependendo do cenário, pode chegar às urnas com alguma folga, ao menos segundo pesquisas consideradas mais consistentes.

E aqui cabe um alerta.

Em época eleitoral, pesquisa aparece de todo lado. Há levantamento para todos os gostos, interesses e candidaturas.

Haja pesquisa.

Haja milagre também.

Internet e redes sociais são apresentadas como se tivessem adquirido o poder de transformar qualquer candidatura em fenômeno eleitoral. Se dependesse das promessas dos novos “especialistas digitais e marqueteiros de plantão”, haveria voto suficiente para eleger todo mundo.

Não haverá.

Urna continua sendo urna.

Vaidade… coisinha complicada de conviver

tempos atrás, fui tomar café com um grande brasileiro.

Talvez um dos homens mais preparados do país para exercer a Presidência da República. E essa percepção, posso garantir, não é apenas minha.

Em conversas com gente experiente da vida pública brasileira, uma característica de José Dirceu sempre aparece: sua extraordinária capacidade de construir pontes.

Da direita à esquerda, Zé conversa.

Em suas festas de aniversário, essa característica fica evidente: encontram-se personagens que, em qualquer outro ambiente, dificilmente estariam à mesma mesa.

Ele acredita que o Brasil precisa ser construído para todos e que uma melhor distribuição de renda é indispensável.

Programas emergenciais de transferência de renda cumprem papel importante. Mas emergência não pode se transformar eternamente em projeto de poder. O objetivo de uma política pública deve ser criar condições para que a família deixe de depender dela.

Seja no município, no estado ou no governo federal.

O café, Boulos e o meu 1 x 0

Pouco antes das eleições municipais, disse a Zé Dirceu que considerava um erro a candidatura de Guilherme Boulos à Prefeitura de São Paulo.

Meu argumento era simples.

São Paulo possui um eleitorado complexo e, em muitos aspectos, conservador. As eleições de Luiza Erundina, Marta Suplicy e Fernando Haddad já representaram importantes conquistas para o campo progressista e produziram experiências relevantes de gestão.

Boulos representava outro passo.

Um voto de vanguarda.

E eu não acreditava que, naquele momento, São Paulo estivesse pronta para dar essa resposta nas urnas.

Expus minha tese, tomei mais dois cafés, ganhei um abraço fraterno do Zé e voltei ao batente.

Deu no que deu.

1 x 0 para mim.

Comemorei enquanto pude.

Porque, depois disso, tudo voltou ao normal: quando o assunto é política, futuro e os grandes movimentos do Brasil, Zé costuma ganhar de goleada.

Zé Dirceu e a política do DF

Em outra conversa, Zé fez uma observação sobre o PT do Distrito Federal que merece atenção.

O partido tem excelentes quadros. O problema é a dificuldade histórica de reuni-los em torno de um projeto comum.

Em boa parte do país, terminadas as convenções, encerram-se as disputas internas e o partido vai unido para as urnas.

No DF, não necessariamente.

Aqui, muitas vezes, termina a convenção e a disputa continua. O embate atravessa a eleição e parece sobreviver até a convenção seguinte.

Cheguei a mencionar, em determinado momento, uma possível composição com Paulo Tadeu candidato ao governo e Rafael Prudente como vice.

Era conversa.

Especulação.

Nada que pudesse ser tratado como realidade eleitoral para 2026.

E o tempo tratou de desmontar aquela possibilidade.

Política é assim.

Fotografia envelhece rápido. Nesse momento, diferentemente do que Lula e Geraldo Alckimin construíram em 2022 e renovam a continuidade para 2026 aqui no DF está longe ou ao menos parece estar. PT e PSB não abrem mão da cabeça de chapa e seguem a passos largos para ficarem fora do segundo turno .

Candidatura sem segurança jurídica

Outro capítulo importante envolve José Roberto Arruda.

Sua situação eleitoral continua cercada por uma discussão jurídica que depende de decisão no Supremo Tribunal Federal.

Há pedido de vista e, enquanto não houver uma definição, permanece uma enorme interrogação política e eleitoral.

E o alcance dessa discussão pode ir além do Distrito Federal.

Outros personagens conhecidos da política brasileira acompanham situações jurídicas capazes de influenciar seus projetos eleitorais.

Garotinho volta a olhar para o Rio de Janeiro.

Eduardo Cunha, que de bobo não tem nem o gingado, transferiu seu domicílio eleitoral para Minas Gerais, aproximou-se de veículos de comunicação e continua fazendo aquilo que conhece muito bem: política.

Nas ondas, nos bastidores e onde houver espaço.

E a esquerda?

Também vale prestar atenção aos candidatos situados mais à esquerda do espectro político.

Mesmo em tempos de polarização, ouvi-los é necessário.

Ideias boas não têm dono.

Nem toda proposta da esquerda é utopia, assim como nem toda proposta da direita é solução.

Talvez um dos grandes problemas da política brasileira esteja justamente na incapacidade de ouvir o lado oposto.

O preconceito ideológico frequentemente chega antes do argumento.

Seria muito mais útil se candidatos apresentassem projetos de governo para os próximos 20 anos, em vez de desperdiçarem o tempo eleitoral com agressões mútuas, acusações e disputas pessoais.

Depois do debate, conversei com o cientista político Rócio Barreto. Ele confirmou boa parte das minhas primeiras impressões sobre o cenário.

E não por acaso vem sendo bastante procurado para analisar essa eleição que apenas começa a mostrar sua verdadeira cara.

Muita coisa ainda vai mudar.

Candidaturas vão crescer.

Outras vão desaparecer.

Alianças consideradas impossíveis serão construídas.

Amigos estarão em palanques diferentes.

Adversários históricos poderão aparecer sorrindo na mesma fotografia.

É da política.

É da democracia.

E, no Distrito Federal, 2026 promete uma eleição em que ninguém deveria se considerar eleito antes da hora.

Nem derrotado.

Viva a democracia.

Edson Crisóstomo
Publisher
61 Brasília

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