14.5 C
Brasília
sexta-feira, abril 24, 2026
Início Site Página 105

Psicóloga alerta para as 4 fases do relacionamento abusivo

0

Do ponto de vista da saúde mental, a especialista da Holiste Psiquiatria, Josefa Ferreira, explica porque é tão difícil romper uma relação tóxica

Enquanto o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher em 8 de março, é crucial lembrar que apesar das conquistas alcançadas ao longo do tempo, ainda há muito a ser feito na luta pelos direitos das mulheres, especialmente quando se trata do direito fundamental à vida.

Nos últimos anos, temos testemunhado um preocupante aumento nos casos de feminicídio, destacando uma realidade sombria na qual as mulheres continuam a lutar por sua segurança e bem-estar. Dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública registraram 722 feminicídios entre janeiro e junho de 2023, um aumento de 2,6% comparado ao mesmo período do ano anterior. As campanhas de prevenção contra este tipo de crime também estão aumentando, mas, ainda assim, resta uma pergunta: por que é tão difícil romper com o ciclo de um relacionamento tóxico?

Para a psicóloga, Josefa Ferreira, especialista do Núcleo de Sexualidade da Holiste Psiquiatria, é inegável o contexto histórico e cultural que reforça a crença de que as mulheres são propriedade dos parceiros. Outro ponto, é a dimensão da violência psicológica que o abuso coloca, e que pode atrasar um momento importantíssimo para romper o ciclo de violência: a denúncia.

“Ele não é sempre assim”: 4 fases do relacionamento abusivo

Para a vítima, é muito difícil romper com um relacionamento tóxico porque, normalmente, a violência não acontece todos os dias. A psicóloga explica que o relacionamento abusivo possui uma estrutura cíclica e isso significa que a convivência com o parceiro não vai mal o tempo todo, mas oscila entre momentos de humilhação e agressão, e situações de valorização e afeto que levam a vítima a relevar os eventos ruins.

Uma frase comum para justificar a permanência na relação é: “ele não é sempre assim”, que é uma maneira de relativizar a violência. No entanto, isso faz parte do ciclo de abuso que pode ser identificado em quatro etapas: tensão, incidente, reconciliação e lua de mel.

“Na tensão, o abusador cria situações para deixar a vítima ansiosa, com medo de que algo aconteça, no ápice desta expectativa vem o incidente, que pode ser uma agressão verbal, física, ou alguma outra atitude violenta. Logo em seguida, vem a reconciliação, o momento em que o abusador se desculpa pelo descontrole, mas coloca a culpa na parceira para tentar diminuir a gravidade do incidente. Por fim, se inicia a lua de mel, a fase da calmaria onde o abuso é esquecido até que o ciclo recomece novamente”, detalha.

Não confunda cuidado com controle

Alguns setores da sociedade ainda defendem que a mulher é propriedade do parceiro e que ele deve controlar aquilo que ela veste, suas vontades e desejos, o que faz com o corpo e sua autonomia. O problema é que, muitas vezes, as mulheres são ensinadas a enxergar essas atitudes como provas de amor e cuidado, e não como violência.

“Muitas mulheres possuem um histórico familiar parecido e acabam normalizando a relação abusiva. A violência muitas vezes é confundida com cuidado, amor e carinho. Mesmo quando descobrem que estão sendo abusadas, elas sentem vergonha e culpa pela situação, mantendo-se afastadas dos amigos e familiares e presas no discurso do abusador”, diz.

Auxilio externo

Para a especialista, é fundamental reforçar o investimento em políticas públicas voltadas à prevenção da violência doméstica para proteger as mulheres vítimas deste crime. “Para quem está de fora, em caso de agressão, o ideal é denunciar às autoridades cabíveis. Já do ponto de vista individual, é muito importante buscar ajuda profissional para se fortalecer e conseguir quebrar o ciclo de abuso sem cair em armadilhas, como promessas de mudança e de um novo final. Haverá, sim, um final feliz, mas longe desta relação violenta”, finaliza.

Para saber mais sobre o tema, acesse o site da Holiste Psiquiatria e acompanhe as novidades e eventos: www.holiste.com.br

Sobre a Holiste 

Holiste é uma clínica de excelência em saúde mental, criada há 20 anos pelo médico psiquiatra, Dr. Luiz Fernando Pedroso, sediada em Salvador, Bahia, com atendimento nacional. Na sede principal, localizada em Salvador, funcionam os serviços ambulatorial e de internamento psiquiátrico. A estrutura da clínica conta, ainda, com o Hospital Dia (destinado à ressocialização do paciente) e com a Residência Terapêutica (moradia assistida para pacientes crônicos), dispondo sempre de estrutura e tecnologia de ponta.

A instituição conta com mais de 200 profissionais, um corpo clínico composto por médicos psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionista, gastrônoma, dentre outros, com vasta experiência em tratamento de transtornos relativos à saúde mental. Para conhecer mais sobre os serviços da Holiste, acesse o site www.holiste.com.br

É Coisa de Mulher no Boulevard Shopping Brasília

0

Em formato de talk show, as âncoras Bárbara Lins e Hariane Bittencourt apresentam o programa Mesa pra Dois diretamente do shopping

No Dia Internacional da Mulher (8 de março), o Boulevard Shopping Brasília recebe um time especial de mulheres que romperam a bolha em diversas áreas, abordando temas como empreendedorismo, arte, cultura, moda e música. A transmissão do programa Mesa pra Dois, da Rádio NovaBrasil FM, será realizada diretamente do mall com a âncora Bárbara Lins na companhia da apresentadora Hariane Bittencourt, conduzindo um gostoso bate-papo intitulado: É Coisa de Mulher!

A transmissão acontecerá de 12h às 14h e o público pode acompanhar no local ou pelo Youtube da rádio. A programação especial em celebração ao Dia Da Mulher acontecerá até às 20h, no piso 2 do Boulevard Shopping.

“É enriquecedor trazer para o Boulevard um time de mulheres tão fortes, determinadas e realizadas, cada uma à sua maneira, em estar trilhando o caminho que escolheram para si de forma tão inspiradora. Para mim, é coisa de mulher encontrar o seu propósito e fazer a diferença onde quer que esteja, transformando e impactando a vida de todos ao seu redor”, conta Luana Citon, gerente de marketing do Boulevard Shopping Brasília.

Entre as convidadas que irão fortalecer a conversa está a comunicadora e empresária Fernanda Fontenele, ela leva para o debate a sua expertise sobre inteligência emocional, naturopatia holística, aromaterapia e terapia floral. Atuou por 12 anos como sócia e Diretora Geral do maior Centro de Recuperação Neuromotora da América Latina e há 20 anos vive sob a perspectiva de estar em uma cadeira de rodas, decorrente de um acidente de carro. Atualmente Fernanda está à frente da Pomander Florais & Aromas, uma loja-experiência que utiliza a aroma terapia e a terapia floral em produtos de bem-estar físico e emocional.

Também compõe o time a Dra. Luciana Muniz, médica reumatologista há 15 anos, e pesquisadora científica com doutorado na USP. Atualmente, coordena a reumatologia do Hospital Sírio-Libanês – Unidade Brasília e abordará os tipos de reumatismos que são mais frequentes em mulheres, como fibromialgia, osteoporose, lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide.

Outra convidada é a psicóloga Maria Luiza, que atua como psicoterapeuta para mulheres de 21 a 50 anos, incentivando a autorrealização, criatividade e liberdade individual. Na ocasião, Maria Luiza leva para o debate a compreensão da relação entre o desempenho de múltiplos papéis e o bem-estar psicológico de mulheres.

Para o bate-papo ficar ainda mais completo, também participa a empresária Renata Malheiros, a especialista em gestão de pessoas ⁠Carol Borges, a jornalista Marcia Zarur e a chef Leninha Camargo. A sonoridade do evento será comandada pela cantora Ana Lélia e o duo Elas Duas. Também será realizado um aulão de ioga com a professora Camila Maia, aberto ao público e para participar, basta chegar e estar com uma roupa confortável.

Momentos no Mall

A data marca o lançamento do quadro Momentos no Mall – O Boulevard Vai Com Você, Um Corredor Por Vez!, a iniciativa abordou 4 clientes que toparam passar por uma transformação no visual, sob o comando da consultora de moda Luiza Martins. Especialista em imagem estratégica e visagismo, Luiza trabalha há 10 anos resgatando a autoestima de mulheres, tendo ajudado a transformar a vida de mais de 3 mil mulheres até hoje, e, mostra como é possível ter um guarda-roupa coerente e com mais qualidade e personalidade.  As transformações têm patrocínio das lojas Hélio Diff, Morana, Pomander, Blanche, Dunkin Donuts e Rommanel. O público conhecerá a transformação de uma cliente por semana, ao longo do mês de março pelas redes sociais. A primeira participante será revelada na sexta-feira, a partir das 12h, ao vivo durante a transmissão da Rádio Novabrasil FM no shopping.

Programação

12h às 14h – Roda de conversa com Bárbara Lins e Hariane com transmissão ao vivo para os canais da Novabrasil FM

14h – Pocket show com Ana Lelia

15h – Bate-papo com Bárbara Lins e convidada

16h – Aulão de yoga com @camilamaia.yoga

16h30 – Dicas de moda com Luiza

18h – Pocket show com a Elas Duas

Sobre a NIAD

A NIAD é uma administradora de shopping centers que oferece soluções precisas e inovadoras de gestão, de médio e longo prazos, para aumentar a rentabilidade de investidores e lojistas de empreendimentos de todos os portes. Trabalha todas as áreas do negócio: Planejamento, Desenvolvimento, Gestão, Comercialização e Marketing, e tem em seu DNA o compromisso de guiar os empreendimentos administrados em questões socioambientais, de diversidade e inclusão. Conta com um portfólio que atende diversos perfis de lojistas e consumidores, composto por sete empreendimentos, em quatro estados (RJ, SP, PR e ES) e no Distrito Federal. Juntos são mais de mil lojas, distribuídas em mais de 200 mil m2 de ABL, por onde circulam cerca de 4 milhões de consumidores por mês.

Sobre o Boulevard Shopping Brasília

Boulevard Shopping Brasília completou, em junho de 2023, 14 anos de história, e atrai mais de 7 milhões de visitantes por ano. O espaço traz, além de um varejo completo, com as principais âncoras do país, amplo entretenimento com 4 salas de cinema, serviços, diversos projetos consolidados em ESG e o grande destaque, uma área gastronômica com restaurantes de peso. Entre as principais atrações gastronômicas, destacam-se o João Brasileiro, Taverna Vinking, Mania do Churrasco e claro, grandes opções de fast food, como Burger King, Giraffas e Spoleto entre outros. O shopping ainda se prepara para receber o Pecorino Mediterrâneo, Gyros e The Dog Father.

 

SERVIÇO

É Coisa de Mulher

Data: 08 de março (sexta-feira)

Horário: de 12h às 20h

Local: Piso 2, em frente à Smartfit – Boulevard Shopping Brasília

Acesso: gratuito

 

Boulevard Shopping Brasília

Setor Terminal Norte, Conj J – Asa Norte

Informações: (61) 3448-3300

Canais digitais: https://www.boulevardbrasilia.com.br/

@boulevardshoppingbrasilia

Empresas lideradas por mulheres geram mais de US$ 2,7 trilhões em receita

0

Pesquisas revelam que empreendimentos femininos empregam mais de 12,3 milhões de trabalhadores

O empreendedorismo feminino tem emergido como um fenômeno significativo nas últimas décadas, refletindo uma mudança profunda nas dinâmicas socioeconômicas e culturais em todo o mundo. Mulheres estão cada vez mais desafiando as barreiras tradicionais e assumindo papéis proeminentes como líderes de negócios e inovadoras em uma ampla gama de setores.

De acordo com dados da pesquisa 2024 Wells Fargo Impact of Women-Owned Business Report, o número de empresas pertencentes a mulheres entre 2019 e 2023 aumentou quase o dobro da taxa das pertencentes a homens. O dado ganha mais relevância no período de 2022 a 2023, em que o aumento corresponde a 4,5 vezes.

Esse crescimento é impulsionado por uma série de fatores, incluindo avanços na educação, mudanças nas atitudes sociais em relação ao papel das mulheres no mercado de trabalho e o advento de tecnologias que facilitam o acesso ao empreendedorismo. Este enriquece a diversidade e a inovação nos mercados, gerando impactos positivos tanto para as empreendedoras quanto para a sociedade como um todo.

Empregabilidade e aumento na receita

Para além das causas sociais, essa expansão de mercado também confere impactos sólidos na economia. Ainda segundo a pesquisa mencionada, os negócios de liderança feminina representam 39,1% de todas as empresas. No intervalo de 2019 a 2023, a taxa de crescimento das empresas de propriedade de mulheres ultrapassou a taxa dos homens em 94,3% para o número de empresas, 252,8% para o emprego e 82,0% para a receita.

“À medida que mais mulheres optam por iniciar e gerenciar seus próprios negócios, estão redefinindo o panorama empresarial com abordagens inovadoras, produtos e serviços diferenciados e uma ênfase renovada na sustentabilidade e na responsabilidade social corporativa”, conta Jessica Ramalho, Diretora de Operações (COO) e cofundadora da Acuidar, maior rede de cuidadores especializados do país. Ela conta que, apenas em 2023, houve um crescimento de 145% no número de unidades da franquia, muitas delas com liderança feminina.

O cenário se repete no setor de beauty & wellness. A marca Unhas Cariocas, por exemplo, fundada por Marina Groke, encerrou o ano com um faturamento superior a R$42,4 milhões, valor recorde para a rede. “É uma satisfação ver que a presença feminina no mercado, vai além do negócio em si. Temos franqueadas, designers, alonguistas e mulheres em toda a equipe, o que só corrobora com o fortalecimento da causa”, esclarece Marina.

Essa pluralidade de ocupações não é exclusiva do nicho. Aline Jácomo, responsável pela Marketing Bag, franquia especializada em publicidade em saquinhos de pão, conta que essa proatividade é essencial para o sucesso. “Trabalho em conjunto com os franqueados, supervisiono a administração da franquia e ainda produzo vídeos para as redes sociais. Aqui, coloco um pouco de mim em tudo. Atribuo o sucesso da marca aos nossos esforços”, afirma.

Altos e baixos

Embora o empreendedorismo feminino tenha experimentado um crescimento notável, não se pode ignorar as inúmeras dificuldades enfrentadas nas jornadas de ascensão. Desde desafios estruturais, como o acesso desigual a financiamento e recursos, até questões culturais e sociais, como estereótipos de gênero arraigados e expectativas familiares, as empreendedoras muitas vezes enfrentam obstáculos adicionais em comparação com seus colegas masculinos. A falta de representatividade em cargos de liderança, a desigualdade salarial e as barreiras à conciliação entre trabalho e vida pessoal também persistem como obstáculos significativos.

“Um dos desafios que senti, principalmente no começo, é abrir mão um pouquinho do lado pessoal, do lado mãe, para administrar uma empresa. Todos os dias era um obstáculo e ainda hoje é assim, porque têm muitas pessoas que dependem de você, muitas empresas, muitas famílias. Logo, você tem que tomar a decisão correta e saber agir na hora certa”, aponta Angelica Leising, sócia proprietária da empresa Prioridade 10.

A profissional aponta que o grande segredo é buscar a melhor forma de contornar os problemas, olhando a frente e buscando soluções. “A gente não pode deixar o lado mulher, o lado feminino de lado. Podemos ser esposa, ser mãe e saber separar todos os lados”, conclui.

Realizações pessoais

“Foi de uma inquietação pessoal que surgiu a empresa. Sempre estive atenta a inovações, visando permanecer na vanguarda da criatividade e do progresso” – a visão de Sonidelany Cassianos, cofundadora da Viva Móveis.com, é sinônimo do início da trajetória de diversas empreendedoras.

Em diversos casos, havia o desejo em transformar uma paixão ou ambição em realidade, ação que se torna realidade no meio dos negócios. Um exemplo é o caso de Debora Alberti, advogada, mãe de três filhos, esposa e empreendedora, uniu seu amor à gastronomia a criação da Itália no Box, rede de comida italiana vendida em caixinhas.

O panorama se repete na trajetória de Lucilaine Lima, que enxergou, em meio a uma dificuldade, a oportunidade que mudaria o curso de sua vida para sempre. Ela estava prestes a realizar o sonho de se casar e foi para a sua festa que ela, mesmo sem experiência, preparou os bem-casados para os seus convidados e marido. Em pouco tempo, se tornou era referência em sua cidade – Serra, no Espírito Santo, dando início em 2014, ao Instituto Gourmet, maior rede nacional de franquias especializadas em cursos profissionalizantes na área de gastronomia, que só no ano passado faturou mais de R$100 milhões.

Empreendedorismo como salvação

Um negócio de sucesso pode ir além de uma realização financeira, e simbolizar uma mudança significativa na vida de suas fundadoras. No caso de Kelly Nogueira, a criação da Espaço Make, franquia de maquiagens multimarcas a preços acessíveis, atuou como um novo começo. A ex-policial militar acabava de sair de um relacionamento abusivo, e viu no empreendedorismo uma oportunidade dar um novo curso a sua vida. O sucesso foi tanto que, desde 2020, sua marca segue presente em shoppings de todo o país.

O mesmo posicionamento de resolução ocorreu com a fundação da Alergoshop. A marca é pioneira na comercialização de produtos hipoalergênicos, e nasceu como uma resposta às alergias da filha da enfermeira obstétrica Sarah Lazaretti. Ela percebeu uma carência nacional no fornecimento de produtos que atendessem às necessidades de sua pequena, o que motivou a união a sua irmã, Julinha Lazaretti, na fundação de uma marca própria, que segue ativa há 30 anos no mercado.

A partir dessas experiências, comprova-se que o crescimento do empreendedorismo feminino é um fenômeno multifacetado que não apenas impulsiona a economia, mas também promove a igualdade de gênero e fortalece as comunidades. Apesar das dificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras, seu impacto positivo é inegável, pois elas trazem perspectivas únicas, inovação e liderança transformadora para o mundo dos negócios.

 

Cuidado com as Escadas de Areia: a arte de identificar e evitar aduladores

0

“Os aduladores são mais falsos que escadas de areia.” Esta citação de William Shakespeare toca num ponto crucial da natureza humana e nas relações sociais. Ao longo da história, a adulação foi usada como uma ferramenta para ganhar favor, poder ou simplesmente para manipular os sentimentos alheios. Mas, o que Shakespeare nos ensina com essa poderosa imagem das “escadas de areia” é a fragilidade e a falsidade inerentes aos elogios não sinceros.
Pensemos na imagem: escadas feitas de areia. À primeira vista, podem parecer sólidas e confiáveis. No entanto, ao tentarmos subir, elas desmoronam sob nossos pés, revelando sua verdadeira natureza insegura e ilusória. Da mesma forma, os elogios que não nascem da sinceridade podem parecer encorajadores e até mesmo fortalecedores, mas, na realidade, são incapazes de nos sustentar nos momentos de prova ou dificuldade.

No contexto bíblico, a sinceridade e a verdade são valores altamente estimados. Provérbios 27:6 diz: “Leais são as feridas feitas pelo amigo; mas os beijos do inimigo são enganosos.” Essa passagem ressalta a importância de ter ao nosso redor pessoas que nos ofereçam críticas construtivas e honestas, em vez de elogios vazios que não contribuem para nosso crescimento.

Filósofos como Sócrates também abordaram a temática da adulação e da sinceridade. Sócrates, com sua metodologia de questionamentos, buscava despertar nos indivíduos um entendimento mais profundo sobre si mesmos e sobre o mundo, contrastando com os sofistas da época, que eram vistos como mestres da retórica vazia e da adulação. Para Sócrates, a busca pela verdade e pelo autoconhecimento era o caminho para a virtude e a sabedoria.

Na sociedade moderna, a adulação pode se manifestar de diversas formas, desde os elogios superficiais nas redes sociais até as promessas exageradas no ambiente de trabalho. O desafio está em discernir a verdadeira intenção por trás das palavras e em valorizar as relações baseadas na honestidade e na autenticidade.

Como podemos, então, navegar por um mundo repleto de escadas de areia? A resposta reside no desenvolvimento de nossa própria integridade e discernimento. Ao cultivarmos a sinceridade em nossas próprias palavras e ações, nos tornamos mais capazes de reconhecer e apreciar a verdadeira bondade nos outros. Além disso, ao encorajarmos um ambiente de honestidade e abertura, podemos construir relações mais sólidas e significativas.

A advertência de Shakespeare sobre os aduladores é um lembrete atemporal da importância de buscar e valorizar a sinceridade em nossas interações. Assim como escadas construídas sobre uma base sólida, as relações fundamentadas na verdade e na autenticidade são capazes de nos elevar a novas alturas, oferecendo um apoio confiável em nossa jornada pela vida.

José Adenauer Lima
Formado em economia, com pós-graduação em Estratégia pela ADESG. Especialização em filosofia clássica.Trabalha no Poder Legislativo do DF há 32 anos nas áreas de orçamento público e processo legislativo.

“Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo

0

Trabalhadores relatam rotina de agressões e ofensas

Por Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil* – Rio de Janeiro

Sofrer episódios de agressão, ofensa e humilhação são rotina no cotidiano de entregadores de aplicativo. A percepção foi relatada por trabalhadores das duas maiores cidades do país, Rio de Janeiro e São Paulo. O caso mais recente de repercussão foi o do entregador da plataforma iFood Nilton Ramon de Oliveira, de 24 anos, baleado por um cliente policial militar (PM) na segunda-feira (4), em Vila Valqueire, zona oeste do Rio de Janeiro.O motivo do desentendimento entre Nilton e o cabo Roy Martins Cavalcanti foi a exigência do cliente para que o pedido fosse entregue na porta da casa do PM. Nilton foi baleado na perna e está internado no Hospital Municipal Salgado Filho. O quadro dele é grave. O cabo da PM se apresentou a uma delegacia, prestou depoimento e foi liberado. A Polícia Civil investiga o caso, e a Corregedoria da PM abriu um procedimento interno.

O iFood reforça que os entregadores não têm obrigação de levar os pedidos até a porta dos apartamentos. “A entrega tem que ser realizada no primeiro ponto de contato, ou seja, no portão da residência ou na portaria do condomínio. O que aconteceu com o Nilton é inaceitável e condenável”, diz a gerente de Impacto Social do iFood, Tatiane Alves.

Segundo ela, a empresa entrou em contato com a família do entregador e se colocou à disposição para todo tipo de apoio. “Espero que o caso não fique impune e que o Nilton se recupere muito em breve. Vamos acompanhar de perto esse caso”, afirma.

Passado escravocrata

O entregador Bruno França trabalha no centro do Rio de Janeiro. Ele contou que todos os dias acontecem casos de ofensas e desentendimentos entre clientes e entregadores. Para ele, a raiz do problema tem relação com o passado escravocrata do país.

“Eu acho que a história de como foi construído o Brasil permeia até hoje. As reverberações do que aconteceu no passado influenciam a nossa vida. Não tenho dúvida de que isso tem ligação com o racismo. Muitos clientes, dentro de uma visão histórica escravocrata brasileira, acreditam que a gente tem que subir até o apartamento, colocar um babador e colocar comida na boca deles”, diz o entregador.

Rio de Janeiro (RJ) 06/03/2024 - Personagem Bruno França - Amigos, seguem fotos para a matéria “Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo.
Foto: Vinícius Ribeiro/Divulgação
Bruno França conta que os desentendimentos com clientes são frequentes – Vinícius Ribeiro/Divulgação

Outra queixa de Bruno é que a plataforma, na avaliação dele, não deixa claro para o cliente que os entregadores não são obrigados a fazer a entrega na porta do apartamento.

“Todo dia acontece isso [desentendimento] porque muitos clientes entendem que a gente é obrigado a subir”. Ele cita ainda que, eventualmente, há um descumprimento da lei em vigor na cidade do Rio que proíbe a distinção no uso de elevadores entre social e de serviço.

O entregador também aponta a falta de direitos trabalhistas como um dos motivos para a categoria ser alvo de agressões e ofensas.

“Marginalização em relação ao mundo do trabalho. Não temos direito algum. A gente vive em uma sociedade violenta. Dentro dessa perspectiva desses agressores, eles nos veem como alguém sem direitos e que pode ser agredido, pode ser violado.”

Garçons

Rafael Simões faz entregas na cidade de Niterói, região metropolitana do Rio. Pouco antes do meio-dia, ele avisou: “Vamos rapidinho porque está chegando o horário de pico, sabe como é, né?”

Ele compartilha da opinião de que o passado do país tem a ver com a forma atual como entregadores são tratados por alguns clientes.

Rio de Janeiro (RJ) 06/03/2024 - Personagem Entregador de APP, Rafael Simões - Amigos, seguem fotos para a matéria “Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo.
Foto: Rafael Simões/Arquivo Pessoal
“O cliente acha que é obrigação [entregar no andar]”, reclama Rafael Simões, que trabalha em Niterói – Rafael Simões/Arquivo Pessoal

“A gente vive nessa sociedade assim. O pessoal está realmente pensando que a gente é escravo”, diz.

“O cliente acha que é obrigação [entregar no andar]. O cliente está confundindo entregador com garçom. Nós não somos garçons”, reclama Rafael.

Rafael Simões conta que muitas vezes o entregador opta por deixar o pedido na porta do cliente para evitar problemas e também não perder tempo esperando a pessoa descer – muitas vezes com pressa nenhuma. “Às vezes, para evitar o problema, a gente sobe. Mas não é obrigação.”

Agressões

A comparação de Bruno e Rafael com o tempo de escravidão ganha mais significância ao se lembrar o caso de Max Ângelo dos Santos. Em abril de 2023, o entregador negro foi “chicoteado” com uma coleira de cachorro por uma mulher branca que se sentiu incomodada com a presença de entregadores em uma calçada, em São Conrado, bairro nobre na zona sul do Rio de Janeiro.

Em outro caso de repercussão, também em São Conrado, um entregador compartilhou nas redes sociais a abordagem de uma mulher que desceu até a portaria do prédio com um cutelo, depois de ele ter se recusado a subir para fazer a entrega.

Produtividade

Fora do Rio de Janeiro, desentendimentos e ofensas também são frequentes, afirma o presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativo e Autônomos do Brasil (AMABR), Edgar Franscisco da Silva, conhecido como Gringo. Outro ponto de atrito recorrente, segundo ele, é quando há demora para a chegada do pedido.

Gringo atribui a recusa da entrega na porta do apartamento a uma busca por produtividade, uma vez que, pelos aplicativos de delivery, os trabalhadores ganham por quantidade de entregas.

“Se a pessoa já está na portaria na hora que o entregador chega, ele entrega, e o aplicativo já toca imediatamente para ele pegar outra corrida. Quando ele tem que subir até o apartamento, ele perde uma ou duas entregas, que vão fazer falta na casa deles”, explica. Gringo lembra que há prédios em que a pessoa anda centenas de metros até chegar ao cliente.

Exército de reserva

O presidente da AMABR contextualiza que a mudança de comportamento dos entregadores, que antes faziam a entrega na porta do domicílio, sofreu alterações mais profundamente durante a pandemia, quando muita gente foi forçada a trabalhar como meio de sustento. Além de mais gente fazendo delivery, os aplicativos acirravam a concorrência por cliente baixando valores da taxa de entrega.

Rio de Janeiro (RJ) 06/03/2024 - Personagem presidente da assciação dos motofretistas de aplicativos e autônomos do Brasil, Edgar Francisco da Silva - Amigos, seguem fotos para a matéria “Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo.
Foto: Edgar Francisco da Silva/Arquivo Pessoal
Conhecido com Gringo, Edgar Francisco da Silva diz que os aplicativos de entrega têm à sua disposição um “exército de reserva” – Edgar Francisco da Silva/Arquivo

“Eles baixaram o preço para ter mais clientes, mas quem sentiu isso foi o entregador”, observa.

“Devido à baixíssima remuneração, os entregadores estão tendo outro comportamento que é ‘não vou subir, porque eu corro risco de ser multado, de a minha moto ser roubada, e não estou ganhando para isso, não vale a pena.”

Gringo nota ainda que algumas pessoas se veem superiores aos trabalhadores de delivery.

“Eu não sei explicar esse comportamento, mas tem pessoas que se sentem superiores e, em qualquer situação que não for do jeito que elas gostariam, já partem para esse lado da humilhação e da agressão”, lamenta o presidente da associação.

Ele conta que já vivenciou situações em que teve que ser transportado em elevador que carregava lixo. “Aquele fedor insuportável”. Além disso, já levou um empurrão de uma cliente.

“Isso impacta, você fica com aquilo na cabeça. A chance de você depois sofrer um acidente de moto porque estava com a cabeça naquilo é gigante”, relata.

Gringo complementa que o fato de ter muita gente buscando trabalho como entregador faz com que empresas e plataformas não deem a devida atenção a reclamações dos trabalhadores.

“O entregador fica muito submisso ao cliente, e o cliente aproveita disso. O cliente sabe que é só ele falar ‘o entregador foi mal-educado’. O aplicativo não quer nem escutar o entregador, ele não quer perder o cliente, então bloqueia o entregador porque ele tem um exército de reserva para fazer as entregas”, diz Gringo.

Campanha

A iFood faz campanhas e parcerias, inclusive com o Secovi (sindicato que reúne administradoras de imóveis), para conscientizar a população e diminuir as chances de desentendimentos entre clientes e entregadores. No carnaval, houve a campanha #BoraDescer, sobre a necessidade de o cliente ir até o entregador no ponto de contato (portaria ou portão da residência).

A plataforma, que tem 250 mil entregadores ativos, oferece, desde junho 2023, uma central de apoio jurídico e psicológico, que fornece assistência para entregadores vítimas de discriminação, agressão física, ameaça, assédio, abuso e/ou violência sexual. A central é uma parceria com o grupo Black Sisters in Law, formado por advogadas negras.

Apenas em 2024, a central recebeu 13.576 denúncias de ameaça e agressão física. Desde 2023, dos casos que resultaram em processos e atendimentos pela central de apoio, 26% se referem a casos de agressão física, 23%, de ameaça e 22%, de discriminação. De todos os casos atendidos, 16% estão relacionados a subir ou não nos apartamentos.

Legislação

Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, especializado na coleta de informações relacionadas à violência armada, aponta que ao menos 26 entregadores motoboys foram baleados em serviço na região metropolitana do Rio desde 2017. Desses, 21 morreram. Os dados não apontam se eram especificamente ligados a plataformas e incluem vítimas de operações policiais.

“Precisamos continuar falando dessa profissão que é tão desprezada, que coloca muita gente em risco e sustenta tantas famílias no Brasil”, observa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

“Esses trabalhadores precisam de proteção que assegurem os direitos ao emprego e os direitos da vida também. É preciso criar políticas que assegurem o vínculo empregatício mais seguro, além de punir agentes de segurança que usem da violência para impor as suas vontades. É inadmissível que um policial militar armado ameace cidadãos dessa forma e fique por isso mesmo”, critica o coordenador.

Nhanga lembra que o país discute formas de regulamentação do trabalho por meio de plataformas. Na segunda-feira (4), o governo enviou ao Congresso um projeto de leique regula a atividade de motorista de aplicativos.

*Colaborou Vinicius Lisboa.

Edição: Juliana Andrade

Por Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil* – Rio de Janeiro

 

O CERCO ESTÁ SE FECHANDO

0

Muito se fala dos “Patriotas” que foram presos no dia 08 de janeiro, alguns acham injusto, outros acreditam necessário ser mandado o recado de que a democracia não aceita esse tipo de ataque, mas a pergunta que ultimamente não quer calar é: Bolsonaro também será condenado e preso pelo crime de Golpe de Estado?

Mas o que é crime de golpe de estado? O artigo 359-M do Código Penal brasileiro traz o seguinte teor: tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído. O crime de golpe de Estado visa a punir o agente que tenta destituir do poder quem lá chegou legitimamente, muitas vezes relacionado com uma ação militar, que derruba por meio do poder das armas de fogo um governo legalmente constituído, para estabelecer um governo controlado pelos militares ou um governo civil aliado a eles, e no caso em tela, o ex-presidente Jair Bolsonaro seria preso por não aceitar a derrota nas urnas eletrônicas da eleição de 2022 e tentar destituir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com os militares de seu governo.

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam que ao fim das investigações que estão sendo conduzidas pela Polícia Federal, será comprovado que foi de fato tentado ser dado um golpe de Estado, e os depoimentos dos investigados, entre eles generais do alto comando das forças armadas, corroboram com esse fato.

A Polícia Federal inclusive já identificou diversos movimentos suspeitos de Bolsonaro e seus principais aliados relacionados a invasão na praça dos Três Poderes. Alguns invasores de 8 de janeiro, por exemplo, estivaram junto aos generais Augusto Heleno e Braga Netto, que são ex-ministro e muito próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

É consenso entre os aliados do ex-presidente Bolsonaro que o tom será de condenação, calculam que ocorrerá a prisão, para além de tornar o ex-presidente inelegível na próxima eleição de 2026, também o deixar literalmente de fora das ruas, já que hoje ele é tido como o principal cabo eleitoral da Direita brasileira.

 

 

 

 

 

Adjânyo Costa