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terça-feira, abril 28, 2026
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MAM São Paulo anuncia programação com novos cursos para fevereiro e março

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Obra de Andrey Bogush no Museu Finlandês de Fotografia em Helsinki

MAM São Paulo anuncia programação com novos cursos para fevereiro e março

Programação aborda assuntos como direito para o setor cultural, gestão de acervos museológicos, fotografia e técnicas fundamentais de cerâmica, dentre outros

Nos meses de fevereiro e março, o Museu de Arte Moderna de São Paulo oferece sete cursos ministrados por profissionais das áreas de história e crítica da arte, legislação, fotografia, urbanismo e artes visuais. Indicados para um público amplo, os cursos têm inscrições abertas no site do MAM (mam.org.br/curso/). Participantes do programa Amigo MAM têm 20% de desconto; estudantes, professores e aposentados têm 10%.

Apresentado em modelo híbrido pela professora Olívia Bonan, o curso Direito para o setor culturaloferece noções aprofundadas sobre temas jurídicos fundamentais ao setor cultural, tais como direitos autorais e direitos de personalidade. Durante os encontros, os participantes aprenderão por meio de casos cotidianos, decisões judiciais, oficinas práticas e dicas de leitura. O objetivo é habilitar os profissionais e demais interessados a lidar com questões jurídicas complexas relacionadas à cultura e arte.

Oficina de Fotoperformance, curso presencial com os educadores Ivan Padovani e Marcelo Amorim, explora propostas que abordam as intersecções entre fotografia, performance e arquitetura. Dividido em cinco encontros, o programa é permeado pelo compartilhamento de referências e textos, com o objetivo central de orientar a produção de um novo trabalho por cada participante. A oficina se destina a qualquer pessoa envolvida nas áreas de artes visuais e artes do corpo.

Na Oficina presencial de cerâmica: técnicas fundamentais, a professora Juliana Miyasaka convida aqueles que desejam explorar a cerâmica, independentemente da experiência anterior. Em sete aulas práticas, os alunos aprenderão os conceitos básicos e as técnicas fundamentais da modelagem manual em cerâmica para criar peças únicas e ricas em expressão pessoal.

Das opções de cursos 100% online, Arte Moderna e a Moda na Fotografia, do professor Brunno Almeida Maia, mergulha na fotografia de moda para uma compreensão da arte do vestir. Serão apresentados e analisados os diálogos — seus pontos de semelhança e diferença — entre as artes modernistas e contemporâneas e a história e linguagens dos principais fotógrafos de moda.

Em Gestão de Acervos Museológicos, a professora Juliana Monteiro traz como objetivo a introdução dos participantes ao funcionamento do ciclo básico da informação relacionada aos acervos museológicos. Em outras palavras, a proposta é discutir as duas principais áreas de processamento dos acervos museológicos: a documentação e o compartilhamento de dados online, através de catálogos digitais e projetos GLAM Wiki, iniciativas colaborativas entre instituições de memória e a comunidade que contribui para a Wikipédia e projetos relacionados.

Ministrado pela educadora Ana Paula Simioni, o curso Mulheres Artistas no Modernismo propõe uma reflexão sobre a presença e contribuição das artistas mulheres em algumas experiências modernistas internacionais, notadamente na França e no Brasil. Para participar do curso é necessário ter mais de 18 anos, mas não é exigido amplos conhecimentos em história da arte.

Encerra a programação do bimestre o curso  Arte Afro-Brasileira: Estéticas e Poéticas do Sagrado. Ministrado pelo professor Alexandre Bispo, o curso propõe uma exploração profunda da arte afro-brasileira, destacando sua conexão intrínseca com o universo religioso e estético africano. Sem seguir uma ordem cronológica, as aulas abordam temas como memória, corpo, ritos sociais, morte, alimentação e intolerância religiosa.

Confira a programação completa:

DIREITO PARA O SETOR CULTURAL, com Olívia Bonan
Curso híbrido (as três primeiras aulas serão online, por videoconferência; a quarta e última aula ocorrerá presencialmente, na sede do MAM São Paulo)
Contempla certificado no final
28 de fevereiro, 6, 13 e 20 de março, quartas-feiras, das 18h30 às 20h30
4 encontros | Investimento: R$ 320, 00
Público: interessados em geral

Programação
Encontro 1 | Direitos autorais

  1. O que é direito autoral e o que ele protege?
  2. Quem é considerado aut@r?
  3. Preciso registrar minha obra?
  4. Direitos patrimoniais e direitos morais
  5. Contratos – licença e cessão
  6. Quando posso utilizar uma obra sem autorização?
  7. Domínio público
  8. “Limitações e exceções” – acessibilidade, citação, “pequeno trecho”, obra em local público, usos educativos etc.
  9. E se não sei quem é o autor? – “obras órfãs” e busca diligente
  10. Boas práticas para:
  11. Digitalização de acervos
  12. Solicitações de acesso a obras e documentos
  13. Venda de produtos

Encontro 2 | Direitos de personalidade

  1. O que são os direitos de personalidade? – uso de imagem, voz e demais características pessoais
  2. Regras e escala de risco no uso não autorizado
  3. Casos judiciais
  4. Boas práticas no registro da imagem do público

Encontro 3 | Questões jurídicas em exposições

*participação de Renata Ferreira (BSA Advogados – atendimento ao MAM São Paulo). A professora e a convidada tratarão de aspectos práticos dos conceitos jurídicos apresentados nas duas primeiras aulas a partir de um caso fictício de exposição de artes visuais, abordando questões como:

  1. Quais são as diferenças entre autor, titular e proprietário/colecionador?
  2. Quais contratos são mais necessários?
  3. Como lidar com prestadores de serviços criativos? – curadores, fotógrafos, tradutores, designers etc. Como funciona o empréstimo de obras com instituições culturais e colecionadores?
  4. Como obter autorizações de direitos autorais? – artista, herdeiros, AUTVIS, coletivos, inventários.
  5. Como lidar com arte indígena?
  6. Como fazer a classificação indicativa?
  7. Como saber se preciso obter a autorização de uso de imagem de visitantes?
  8. Boas práticas para:
  9. Uso das obras em material de divulgação
  10. Alinhamento pré-abertura
  11. Registros fotográficos da exposição

Encontro 4 | Workshop de dúvidas

*participações de Mei Lian Jou (BSA Advogados – atendimento ao Instituto Tomie Ohtake) e Mariana Luvizutti (MASP).

As convidadas são advogadas atuantes no setor cultural e de museus e contarão à turma um pouco de sua experiência e situações interessantes vividas na profissão. A partir desse diálogo, haverá resolução de dúvidas, discussão de casos e conteúdos adicionais de acordo com as necessidades apresentadas pela turma, em formulário circulado durante o decorrer do curso.

Sobre a professora:
Olívia Bonan é graduada em Direito e pós-graduada em Gestão de Projetos Culturais, ambos pela USP. Especializou-se em direitos autorais por meio de experiências acadêmicas na Yale Law School (EUA), Peking University (China) e Universidade Nova de Lisboa (Portugal), tendo pesquisado na pós-graduação sobre direitos autorais e digitalização de acervos de museus. Advogada associada e coordenadora da equipe de Instituições e Projetos Culturais do Borges Sales e Alem Advogados. Pelo BSA, foi responsável pelo setor Jurídico do MAM São Paulo durante 5 anos. Antes disso, atuou na assessoria jurídica de organizações do entretenimento e da mídia, com passagem pelo setor Jurídico do Google Brasil. Coautora do Plano de Internet das Coisas (IoT) do governo brasileiro e do estudo “Building a National IoT Plan: Policy Recommendations and the Case of Brazil”, publicado pela Columbia University. Membro do International Council of Museums – ICOM.

OFICINA PRESENCIAL DE CERÂMICA: TÉCNICAS FUNDAMENTAIS, com Juliana Miyasaka
Curso presencial
Contempla certificado no final
20, 27 de fevereiro, 5, 12, 19 e 26 de março e 02 de abril, terças-feiras, das 18h30 às 21h30
7 encontros | Investimento: R$ 560,00
Público: interessados em geral

Materiais necessários
Cada participante deve providenciar um pacote de argila (10kg), adequada para queima a 1240°C. A argila pode ser adquirida diretamente com a professora ou em lojas específicas

Programação
Aula 1 – Fundamentos teóricos e confecção de peças na primeira técnica básica
Apresentação de alguns tipos de argila, preparação delas para uso, etapas da transformação da argila até que se torne cerâmica.

Confecção de peças usando a técnica japonesa chamada tebineri (ou pinch pot), que é a técnica básica e principal, a partir da qual é possível desenvolver peças utilitárias ou decorativas, em diversas formas e é ótima para sensibilização do tato e conhecimento da argila e seu potencial.

Aula 2 – Finalização das peças feitas na primeira aula e tipos de acabamento
Apresentação de tipos de acabamento, colagem de partes e decorações usando engobes (que são argilas coloridas, e como prepará-los) – mishimo, sgraffito e pintura simples – para finalização das peças feitas na primeira aula.

Aula 3 – Técnica de acordelado
Apresentação da técnica de cordelado e confecção de peça usando esta técnica.

Aula 4 – Técnica de placa
Apresentação da técnica de placa e confecção de peça usando esta técnica.

Aula 5 – Técnica de ocagem
Apresentação da técnica de ocagem e início de modelagem de peça para finalização usando esta técnica.

Aula 6 – Técnica de ocagem
Finalização da peça feita na aula anterior, através de técnica de ocagem.

Aula 7 – Esmaltação
Preparação das primeiras peças confeccionadas no curso, após estas terem passado já pela primeira queima (chamada de biscoito, a 1000°C).
Acabamento final, impermeabilização de áreas que não receberão esmalte e esmaltação para que passem pela última queima, a 1240°C.

Sobre a professora:
Juliana Miyasaka é formada em Marketing e Design, com MBA em Arte Educação. Ceramista desde 2007, ministra aulas e workshops de cerâmica desde 2012, para crianças e adultos. Atualmente, ministra aulas no Colégio Oshiman, no programa PIAPI e em seu atelier.

ARTE MODERNA E A MODA NA FOTOGRAFIA, com Brunno Almeida Maia
Curso on-line (ao vivo via plataforma de conferência e aulas gravadas disponibilizadas por tempo determinado)
Contempla certificado no final
22 e 29 de fevereiro, 7 e 14 de março, quintas-feiras, das 19h30 às 21h
4 encontros | Investimento: R$ 320,00
Público: interessados em geral

Programação
Aula 1 – Conceitos e noções da teoria da imagem de moda
– Breve história da fotografia
– As noções de imagem, imaginário e imaginação na tradição filosófica
– A moda como arte: imagens de desejo, sonho e utopia
– Entre o temporal e intemporal: a metafísica da moda nas imagens de Irving Penn

Aula 2 – A fotografia na moda
– A teatralidade das imagens de moda em Barão Adolf de Meyer
– A arte do retrato e a moda: Condessa Castiglione e Richard Avedon
– O modernismo e a depuração das formas em Hoyningen-Huene

Aula 3 – As vanguardas modernistas na fotografia de moda
– A moda cita a Grécia Clássica: as fotografias de Steichen e os trabalhos de Madeleine Vionnet e da bailarina Isadora Duncan
– O dadaísmo e o surrealismo em Man Ray, Horst P. Horst e Cecil Beaton
– A arte do movimento no futurismo e nas imagens de Moda de Martin Munkácsi

Aula 4 – Pós-modernismo e a fotografia de moda
– O fragmentário e o pós-modernismo em Guy Bourdin
– A pop art e op art na fotografia de moda
– O sex appeal do inorgânico de Walter Benjamin e o fetichismo freudiano em Helmut Newton
– “Problemas de gêneros”: as imagens de Deborah Turbeville, Bruce Weber e Herbs Ritts, e diálogos com Julia Kristeva e Judith Butler

Sobre o professor:
Brunno Almeida Maia é doutorando em Arquitetura e Urbanismo na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), desenvolvendo pesquisa sobre Moda e arquitetura. Possui mestrado em Filosofia, Ciências Humanas e Teoria de Moda pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Além disso, atuou como curador da exposição “Ema e a Moda no século XX: as roupas e a caligrafia dos gestos” na Casa Museu Ema Klabin e do Ciclo de Conferências “A atualidade de Marcel Proust (1871-1922)” no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP. Também é professor convidado em diversas instituições, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), o Istituto Europeo di Design (IED) e o Centro Universitário Belas Artes. Atualmente, está trabalhando em seu próximo livro intitulado “Tempos de exceção: ensaios sobre o contemporâneo”, que será publicado pela Editora Cosmos (no prelo).

ARTE AFRO-BRASILEIRA: ESTÉTICAS E POÉTICAS DO SAGRADO, com Alexandre Bispo
Curso on-line (ao vivo via plataforma de conferência e aulas gravadas disponibilizadas por tempo determinado)
Contempla certificado no final
27 de março, 3, 10, 17, 24 de abril e 8 de maio, quartas-feiras, das 19h às 21h
6 encontros | Investimento: R$ 480,00
Público: interessados em geral

Programação
Aula 1 – O negro como tema
Esta aula destaca imagens de pessoas e grupos negros no Brasil desde o século XVII, explorando representações de mulheres, crianças, festas religiosas e objetos rituais. A análise desse repertório iconográfico visa proporcionar uma compreensão visual crucial para interpretar obras contemporâneas.

Aula 2 – Morte, mortos e morrer
Explorando obras que dialogam com o universo das religiões afro-brasileiras, esta aula destaca o artista Arthur Leandro e seu anúncio peculiar de morte. O enfoque inclui noções como axexê, mukondo, egun, vumbi, entre outras, e examina como artistas contemporâneos respondem criticamente a temas como chacinas, violência estatal e direito ao funeral.

Aula 3 – Belas Artes Negras
Estabelecendo a distinção entre a eficácia simbólica da arte, utilizada em rituais para alterar destinos ou curar, e o aspecto contemplativo da tradição ocidental, esta aula exibe imagens de obras rituais e práticas artísticas contemporâneas. A questão central é se o rito na arte contemporânea possui poder curativo.

Aula 4 – Mães negras: uma expressão do sagrado
Explorando a figura central da mãe negra ao longo da história brasileira, esta aula aborda o culto à mãe negra em São Paulo, surgido na república velha. Destaca também a presença da Mãe Preta na fotografia de Vincenzo Pastore e na obra de artistas contemporâneos como Rosana Paulino, Renata Felinto, Sidney Amaral, entre outros.

Aula 5 – Esculturas e escultores: uma longa tradição
Focando na importância da escultura negra em ritos de passagem, altares e assentamentos religiosos, esta aula destaca escultores como Rubem Valentim, Mestre Didi, Emanoel Araújo, Carybé, entre outros, que encontram inspiração no universo do candomblé.

Aula 6 – A arte e a religião: inspirações protestantes
Explorando a interseção entre repertórios sagrados afro-brasileiros e influências do cristianismo protestante, esta aula destaca artistas contemporâneos como Ventura Profana, Maxwell Alexandre e Priscila Rezende, analisando como suas obras transitam entre os domínios artístico e religioso, atualizando as discussões sobre o sagrado afro-brasileiro ao longo do tempo.

Sobre o professor
Alexandre Bispo é antropólogo, crítico e curador independente.

GESTÃO DE ACERVOS MUSEOLÓGICOS, com Juliana Monteiro
Curso on-line (ao vivo via plataforma de conferência e aulas gravadas disponibilizadas por tempo determinado)
Contempla certificado no final
5, 7, 12 e 14 de março, terças e quintas-feiras, das 10h às 12h
4 encontros | Investimento: R$ 320,00
Público: interessados em geral

Programação
Aula 1 – O que é documentação de acervos museológicos?
– Documentação: um termo, muitas interpretações
– A noção de acervo museológico
– A noção de objeto museológico como documento

Aula 2 – Política de gestão de acervo
– Funções de uma política de gestão de acervo
– Formatos possíveis de uma política de gestão de acervo
– Métodos possíveis para construção de uma política de gestão de acervo
– A questão do acesso no contexto da política de gestão de acervo

Aula 3 – Colocando a política em prática: normativas de documentação
– Normas de procedimentos – SPECTRUM 4.0
– Normas de estrutura de dados – Categorias de Informação do CIDOC
– Terminologia – exemplos diversos

Aula 4 – Colocando a política em prática: compartilhando acervos na web
– Catálogo online: formatos e possibilidades
– Licenças Creative Commons para acervos museológicos
– Projetos GLAM Wiki

Sobre a professora:
Juliana Monteiro é museóloga formada pela UFBA, especialista em gestão pública pela FESPSP e mestra em Ciência da Informação pela ECA-USP. Trabalhou em instituições como Museu da Energia de São Paulo, Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da então Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e Museu da Imigração. É professora do curso técnico de Museologia da ETEC Parque da Juventude desde 2010. Atualmente, é diretora no Brasil da empresa Sistemas do Futuro, especializada em desenvolvimento de bancos de dados para coleções culturais. Também presta consultorias independentes em projetos de documentação. Foi membra da diretoria do capítulo brasileiro do Creative Commons entre 2019 e 2021 e colaboradora em diferentes frentes da campanha Art+Feminism entre 2018 e 2023.

MULHERES ARTISTAS NO MODERNISMO, com Ana Paula Simioni
Curso on-line (ao vivo via plataforma de conferência e aulas gravadas disponibilizadas por tempo determinado)
Contempla certificado no final
11, 18, 25 de março e 1º de abril, segunda-feira, das 19h às 21h
4 encontros | Investimento: R$ 320,00
Público: interessados em geral

Programação
Aula 1 – Os gêneros do modernismo: mulheres impressionistas
A primeira aula discutirá o modo com que as imagens associadas aos artistas modernos (tais como o “gênio”, o “revolucionário”) são generificadas. Abordaremos em especial a figura do flâneur e o modo com que as artistas mulheres atuantes no último quartel do século 19 lidaram com tais questões.

Aula 2 – Nus: territórios da vanguarda
A segunda aula abordará o modo com que algumas mulheres artistas procuraram se inserir nas vanguardas francesas a partir de um tem caro à arte moderna: as representações dos nus. Trata-se de entender como elas passaram de objetos da representação a sujeitos dos mesmos.

Aula 3 – Mulheres artistas em outros centros: modernistas brasileiras
Nesta aula propõe-se uma reflexão sobre o caso particular do Brasil, em que duas figuras femininas lograram uma consagração ímpar: Anita Malfatti, vista como a introdutora do modernismo no país, e Tarsila do Amaral, figura central na década de 1920. Ambas assinalam modos de consagração generificados.

Aula 4 – Modernismos expandidos: mulheres e artes decorativas em tempos modernistas
A partir do caso de Regina Gomide Graz, introdutora das artes modernistas têxteis no Brasil, a quarta aula abordará o modo com que diversas artistas mulheres dedicaram-se às artes decorativas, em especial as artes têxteis, nos circuitos modernistas internacionais. Nesse sentido, elas promoveram uma crítica às hierarquias tradicionais da história da arte e ampliaram o próprio conceito de “articidade” em suas épocas.

Sobre a professora:
Ana Paula Cavalcanti Simioni é professora no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Desde 2000, dedica-se à pesquisa das relações entre arte e gênero, especialmente no contexto brasileiro. Destacam-se entre suas publicações: “Profissão Artista: Pintoras e Escultoras Acadêmicas Brasileiras” (SP: EDUSP/FAPESP, 2019) e “Mulheres Modernistas: Estratégias de Consagração na Arte Brasileira” (SP: EDUSP/FAPESP, 2022). Foi curadora das exposições “Mulheres Artistas: As Pioneiras” na Pinacoteca Artística do Estado de São Paulo em 2015 e “Transbordar: Transgressões do Bordado na Arte” no SESC Pinheiros em 2020-2021. Além disso, atuou como curadora associada da exposição “Tornar-se ORLAN” no SESC Paulista de setembro de 2023 a janeiro de 2024

OFICINA DE FOTOPERFORMANCE, com Ivan Padovani e Marcelo Amorim
Curso presencial
Contempla certificado no final
16, 23, 30 de março, 6 e 13 de abril, sábados, das 10h às 13h
5 encontros | Investimento: R$ 400,00
Público: interessados em geral

Programação
Aula 1 – Registro de performances históricas
– Dada a natureza efêmera da performance, discutiremos sua institucionalização, historização e comercialização e a relação com a fotografia.
– Exploração de referências históricas.
– Enfoque em artistas como Vito Acconci, Gina Pane e Joseph Beuys.

Aula 2 – Atualização e reperformance: crítica das reencenações de performances históricas em museus
Exercício: criar uma performance histórica fictícia.
– Discussão sobre a atualização da performance.
– Análise crítica de casos como “7 Easy Pieces” de Marina Abramovic e o conceito de “Reperformance”.

Aula 3 – O potencial de uma fotoperformance
Exercício: planejamento de uma fotoperformance pessoal por meio de storyboards e apresentação das propostas e discussão em grupo.
– Identificação das características essenciais de uma fotoperformance.
– Elaboração e planejamento de uma fotoperformance pessoal, incluindo o desenvolvimento de produção com equipes, roteiros e estrutura.

Aula 4 – Criação de uma fotoperformance pessoal
Convidada: Celina Portella

Aula 5 – Apresentação dos resultados de fotoperformance pessoal

Sobre os professores:
Ivan Padovani é formado em Administração pela FAAP e Pós-Graduado em Fotografia pela mesma instituição e leciona na Escola Panamericana de Arte. Padovani recorre principalmente ao uso de fotografias, esculturas, vídeos e instalações para criar metáforas sobre a condição do indivíduo em meio ao ambiente contemporâneo, seja em seus aspectos físicos e arquitetônicos, seja em relação às dimensões mais íntimas e psicológicas. A construção do olhar, os processos mentais de apreensão, os mecanismos de defesa, a intersubjetividade e as relações espaciais e temporais ativadas pelo contexto em que vivemos são questões recorrentes em sua produção.

Marcelo Amorim é um artista e curador independente goiano radicado em São Paulo. Entre 2009 e 2016 dirigiu o Ateliê397 e, desde 2013, é diretor do Fonte, onde cria e organiza residências artísticas, exposições, debates e cursos relacionados à arte contemporânea. Paralelamente, também atua como orientador do grupo Hermes Artes Visuais. Amorim realizou exposições individuais no MARP, Ribeirão Preto (2019), Sem Título, Fortaleza (2018), Zipper Galeria, São Paulo (2016), Paço das Artes, São Paulo (2014); Galeria Jaqueline Martins, São Paulo (2012), Galeria Oscar Cruz, São Paulo (2010) e Centro Cultural São Paulo, São Paulo (2008).

Sobre o MAM São Paulo
Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas.

O Museu mantém uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de visitas mediadas em libras, audiodescrição das obras e videoguias em Libras. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

Localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante área verde de São Paulo, o edifício do MAM foi adaptado por Lina Bo Bardi e conta, além das salas de exposição, com ateliê, biblioteca, auditório, restaurante e uma loja onde os visitantes encontram produtos de design, livros de arte e uma linha de objetos com a marca MAM. Os espaços do Museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas, projetado por Roberto Burle Marx e Haruyoshi Ono para abrigar obras da coleção. Todas as dependências são acessíveis a visitantes com necessidades especiais.

Serviço
Museu de Arte Moderna de São Paulo
Cursos de fevereiro e março no MAM
Inscrições disponíveis pelo site https://mam.org.br/curso/

Quem integrar o programa de fidelidade Amigo MAM tem 20% de desconto. Estudantes, professores e aposentados têm 10%.

Dúvidas: cursos@mam.org.br | WhatsApp: 11 99774 3987

Telefone: (11) 5085-1300
Acesso para pessoas com deficiência
Restaurante/café
Ar-condicionado

www.mam.org.br/

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Educação de trânsito: Você sabia que é possível trocar uma multa por uma advertência?

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Entenda o que fazer quando for multado e como recorrer

Sim, muitas pessoas desconhecem que, em algumas situações, é possível substituir uma multa de trânsito por uma advertência, as regras para essa substituição devem estar de acordo com o Art. 267 do Código de Trânsito Brasileiro. Isso geralmente acontece em infrações menores (leve ou média) e em casos onde o infrator não tenha cometido a mesma irregularidade nos últimos 12 meses. Essa medida é benéfica para a eficiência do sistema de aplicação da Lei, porque em casos de infrações menores, a imposição de multas pode sobrecarregar o sistema judiciário e de trânsito, utilizando recursos que poderiam ser direcionados para questões mais graves.

Em alguns estados, a conversão de multas em advertências por escrito ocorre automaticamente para aqueles com direito a esse benefício, enquanto em outros, o motorista se depara com uma burocracia que exige a obtenção de provas e documentos. Portanto, ao ser autuado, o melhor a se fazer é verificar o prontuário da sua CNH no site do Detran do seu estado para confirmar se sua pontuação nos últimos 12 meses está zerada. Após essa verificação, é recomendável entrar em contato com o departamento de trânsito estadual para esclarecer se a conversão para advertência será automática ou se há necessidade de apresentar recurso.

“Normalmente, o histórico do infrator, a natureza da infração e a política local de aplicação da lei desempenham um papel crucial na elegibilidade para essa substituição. Portanto, antes de considerar a conversão de multa para advertência por escrito, é fundamental verificar as regras e procedimentos estabelecidos pela autoridade de trânsito que está aplicando a multa”, afirma Roberson Alvarenga, CEO da Help Multas, rede de franquias especializada em recursos de multas de trânsito, processos de suspensão e cassação da CNH.

As multas leves custam ao infrator R$ 88,38 e 3 pontos na carteira, enquanto as médias R$ 130,16 e 4 pontos. Confira abaixo algumas infrações que podem ser convertidas em advertências e você não sabia:

Art. 224

  • Uso do facho de luz alta dos faróis em vias com iluminação pública

Art. 227

Usar buzina:

  • Em situação que não a de simples toque breve, como alerta ao pedestre ou a condutores de outros veículos
  • Prolongada e sucessivamente a qualquer pretexto
  • Entre as 22h e às 6h
  • Em locais e horários proibidos pela sinalização
  • Em desacordo com padrões e frequências estabelecidos pelo Contran

Art. 180

  • Ter seu veículo imobilizado na via por falta de combustível (infração com medida administrativa com remoção do veículo)

Art. 230

Conduzir o veículo:

  • Com defeito no sistema de iluminação, de sinalização ou com lâmpadas queimadas
  • Em desacordo com as condições estabelecidas ao tempo de permanência do condutor ao volante e aos intervalos para descanso, quando se tratar de veículo de transporte de carga ou coletivo de passageiros (infração com medida administrativa com retenção do veículo para cumprimento de descanso aplicável)

Art. 231

Transitar com o veículo:

  • Com excesso de peso

Art. 199

  • Ultrapassar pela direita, salvo quando o veículo da frente estiver colocado na faixa apropriada e der sinal de que vai entrar à esquerda

 

Parque de realidade virtual de Olímpia (SP) abre para o público no dia 1/2

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Uma das 20 experiências de VR instaladas no novo parque de Olímpia (SP)

Com experiências de realidade imersiva inéditas na América Latina, Orionverso começa a receber turistas e olimpienses em ‘soft opening’ 

 O parque temático de realidade virtual Orionverso, uma das atrações mais aguardadas do ano num dos principais destinos turísticos atualmente do País, abre para o público nesta quinta-feira, dia 1 de fevereiro, às 15h, em Olímpia (SP).

Será uma abertura em sistema soft opening, período no qual o parque consolidará o treinamento das equipes e fará os ajustes finais de toda a operação.

A área total do complexo é de 6 mil m² e estará recheada de atrações. O Orionverso contará com 20 experiências de realidade imersiva nunca antes experimentadas em proporções tecnológicas, em toda a América Latina.

Entre as diversas opções de diversão, será possível mergulhar no cenário de “Avatar” e explorar o mundo fantástico de Pandora. Equipado com óculos de realidade virtual e outros dispositivos, o visitante irá acessar outras dimensões e poderá não só ver, mas interagir com personagens no universo futurista.

Tanto turistas quanto a população de Olímpia poderão sentir a descarga de adrenalina pilotando motos e carros em alta velocidade, com gráficos surpreendentes e jogabilidade realista. Encarar a simulação de um salto de paraquedas em queda livre. Ou desafiados a usarem todos sentidos para combater inimigos imaginários em uma simulação de combate. Entre outras atrações.

A expectativa é que o parque receba até 2 mil pessoas por dia. Os visitantes terão um passaporte recarregável onde poderão inserir “créditos” para curtir as experiências.

Robô sorveteiro

Uma novidade que deve fazer sucesso, especialmente com as crianças, é o garçom-robô que irá preparar e entregar sorvete para os visitantes. Os pedidos são feitos por meio de menu digital, em que é possível personalizar o pedido: tamanho, sabor e coberturas. No final, o robô toca uma campainha, acena para o cliente e entrega a sobremesa.

Inovação

O parque recebeu investimentos de R$ 38 milhões. “Tanto os turistas quanto os moradores de Olímpia e de cidades da região irão viver experiências únicas no Orionverso, explorar diferentes dimensões e mundos surreais. Tratam-se de atrações de realidade virtual em imersão total para todos os públicos”, diz Paulo Henrique Borges, idealizador e gestor do Orionverso.

Ele atribui a escolha de Olímpia pelo potencial turístico da cidade e pelo entretenimento que ela oferece. Com 55 mil habitantes, a cidade, localizada a 430 km de São Paulo, é famosa pelas águas termais, sua rede hoteleira, parques aquáticos e temáticos, tanto que ganhou o sugestivo apelido de Orlando brasileira.

Serviço

Orionverso | Abertura para o público no dia 1º de fevereiro, às 15h

Av. Aurora Forti Neves, 632, Olímpia (SP)

Horário: todos os dias, das 9h à meia-noite

Entrada: R$ 50

 

Especialista em E-commerce Revela Estratégias para Vender Produtos Usados com Sucesso no Mercado Livre 

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Woman online shopping on smart phone fashion clothes at home

Alex Moro compartilha insights valiosos para destacar anúncios, conquistar clientes e superar concorrentes no universo de vendas online de produtos usados  

O especialista em e-commerce, Alex Moro, aponta uma nova tendência de venda de usados pela internet vindo forte em 2024 e desvenda segredos e estratégias para aqueles que desejam adentrar o mercado de produtos usados no Mercado Livre. Com anos de experiência, Moro oferece conselhos práticos para maximizar a visibilidade dos anúncios e conquistar a confiança dos compradores.

Segundo o especialista, a melhor estratégia para vender esse tipo de produto online, é criar anúncios detalhados e convincentes. “Caprichar nas fotos, mostrar os detalhes e até mesmo criar vídeos do produto são práticas essenciais. Utilizar termos como ‘garantia’, ‘segurança’ e ‘funciona perfeitamente ou devolvo o seu dinheiro’ aumenta a credibilidade e segurança na hora da compra.”

Para se destacar frente aos concorrentes, o especialista enfatiza o “Movimento do Algoritmo que gera Velocidade no Anúncio”, a sigla M.A.V.A. De acordo com Moro, esse conceito explica basicamente que não basta só criar um anúncio e esperar um milagre acontecer. É preciso manter a conta em constante movimento, observar as palavras-chave buscadas e transformar os pontos fracos do concorrente em pontos fortes do seu anúncio.

Sobre a adesão do público a produtos usados, o especialista ressalta a necessidade de usar gatilhos mentais na descrição e nas fotos para convencer os clientes da vantagem da compra. Ele destaca a importância de conectar-se diretamente com o público e ser transparente para fechar negócios de forma eficaz.

Ao abordar os tipos de produtos usados mais vendidos, o especialista menciona eletrônicos, itens automotivos, livros e itens de colecionadores. Ele destaca que a venda de usados não está diretamente ligada à construção de estoque, proporcionando uma oportunidade para os vendedores levantarem “dinheiro limpo” para investir em produtos novos.

Por fim, Moro destaca a importância das fotos e do vídeo do produto para uma conversão eficaz: “Boas fotos ajudam muito na conversão. Não é necessário fazer fotos profissionais, mas é essencial ter boa iluminação. Além disso, o vídeo do produto tem ganhado destaque no Mercado Livre, auxiliando na visibilidade e na conversão dos anúncios.”

Com as orientações de Alex Moro, vendedores no Mercado Livre têm agora valiosas estratégias para se destacarem e prosperarem no competitivo mercado de produtos usados online.

Alex Moro é um dos pioneiros na especialização de vendas por meio de marketplace no Brasil. À frente da 1ª escola on-line voltada para vendas nesse segmento, o santista já educou mais de 20 mil alunos diretos e mais de 500 mil pessoas por todo o país e hoje é considerado um dos especialistas mais renomados nesse mercado. Além de empreendedor na área, Moro também é Influencer Oficial, parceiro Oficial Amazon, Consultor Certificado Platinum do Mercado Livre e parceiro da Magazine Luiza, principais canais de vendas do mercado de e-commerce do Brasil.

 

Imposto sobre heranças mira recorde em 2023 e o impacto das novas legislações em 2024

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Arrecadação do ITCMD no Brasil cresce 8,1% no primeiro semestre de 2023, atingindo a cifra de quase R$ 6,4 bilhões

2023 deve ser o ano das heranças no Brasil. Dados compilados pelos estados brasileiros a respeito do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) indicam um aumento de 8,1% na arrecadação dos primeiros seis meses de 2023. Isso representa uma elevação significativa se comparada ao período de janeiro a junho do ano anterior, 2022. No primeiro semestre deste ano, foram R$ 6,36 bilhões coletados pelas unidades da federação – contra R$ 5,88 bilhões de 2022.

E se levarmos em conta que 2022 foi o ano de arrecadação recorde do ITCMD com R$ 13,1 bilhão, 2023 deve superar essa marca e se tornar o ano com os maiores valores transmitidos por herança na história do país. O valor arrecadado em 2022 representa um aumento de 4.722% na comparação com o coletado pelas unidades da federação em 1997, segundo o levantamento elaborado pela plataforma Cálculo Jurídico.

São Paulo (R$ 1,61 bilhão), Minas Gerais (R$ 828 milhões) e Rio de Janeiro (R$ 654 milhões) lideram o ranking de arrecadação do ITCMD nos estados em 2023. A lista com o desempenho de todas as unidades da federação pode ser conferida no Mapa da Herança no Brasil (link) que além dos dados por estado ainda traz outras informações relevantes:

– No primeiro semestre de 2023, a Paraíba apresentou maior elevação na coleta do ITCMD na comparação com igual período de 2022: 197,7%;

– O Piauí teve queda de 40,3% na arrecadação do ITCMD nos primeiros seis meses deste ano, a maior diminuição entre os estados na comparação com o período de janeiro a junho de 2022;

– Seis estados brasileiros tiveram queda no recolhimento do ITCMD em 2022: Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo;

– O estado de São Paulo registrou baixa de 7,36% na arrecadação do ITCMD de 2021 para 2022;

Alíquota e a PEC 45

O ITCMD consiste em um tributo estadual que incide sobre a transferência de bens móveis, imóveis e direitos por herança em caso de falecimento ou doação. O imposto tem amparo na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, que determina alíquota máxima (8%) e mínima (2%). Cada estado indica a base de cálculo e a alíquota a ser exercida.

De acordo com o Colégio Notarial do Brasil, que reúne os mais de 8 mil cartórios de notas do país, foi registrado o crescimento de 22% no número de doações de bens a herdeiros ainda em vida desde que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45 – a Reforma Tributária – teve aprovação inicial na Câmara dos Deputados, em meados de 2023.

A quantidade de doações passou da média mensal de 11,6 mil em 2022 para mais de 14,2 mil em agosto deste ano, logo depois da análise da PEC. Segundo especialistas, o comportamento reflete a preocupação dos contribuintes com a elevação das alíquotas, que antecipam planos de doação aos herdeiros em vida – em vez do processo via inventário, por exemplo.

Você pode acessar o levantamento inédito que mostra quem é quem no recebimento de heranças no Brasil acessando:

https://calculojuridico.com.br/imposto-sobre-herancas-tem-recorde-em-2023/

Órfãos de pais vivos: conheça a história dos filhos separados de pais com hanseníase

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Órfãos de pais vivos: conheça a história dos filhos separados de pais com hanseníase

DPU luta por indenização às vítimas da política sanitária que destruiu famílias no século XX

Por décadas, pessoas com hanseníase foram isoladas do resto da sociedade no Brasil. Elas eram excluídas do convívio social e condenadas ao confinamento em hospitais colônias.

Há anos a Defensoria Pública da União (DPU) busca defender o direito das pessoas que foram afastadas da família por causa dessa política sanitarista governamental. E neste último domingo de janeiro (28), data em que se comemora o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase no Brasil e o Dia Mundial da Hanseníase, a DPU traz uma história que escancara algumas das cicatrizes profundas que ficaram após a separação traumática dos pais.

Privadas do amor, do afeto e do convívio com a família, os filhos das pessoas que tinham hanseníase no século passado cresceram sem saber o que é ter parentes presentes. Helena Bueno, 62 anos, é uma dessas vítimas do Estado.

Ela é uma das assistidas da DPU e conta que nunca conheceu mãe, pai, avós nem tios. “Passei por preventórios, minha mãe e meu pai ficaram doentes e não puderam me criar. Comi o pão que o diabo amassou na casa dos outros”, desabafa.

Helena foi entregue ao Educandário Santa Terezinha, localizado em São Paulo, no dia em que nasceu. Tirando o momento do parto, nunca teve contato com a mãe que, assim como o pai, já havia morrido quando Helena atingiu a maioridade e teve, pela primeira vez, a oportunidade de conhecer sua história. Anos depois, Helena descobriu que a mãe nunca nem soube de seu paradeiro.

“Tudo bem, ela tinha doença. Mas isso não se faz com uma mãe ou filha”, enfatiza emocionada. “Eu lembro que o preventório ficava no alto, olhava e via as coisas lá embaixo, mas não tinha essa ideia de pai, mãe, família. Lá era meu mundo. Eu não sabia que existia outro mundo fora”, disse.

No educandário viveu até os 18 anos, mas as lembranças seguem com ela até hoje. Essa política de isolamento compulsório das pessoas doentes com hanseníase vigorou no país até 1980. Em 2007, a Lei 11.520 estabeleceu o pagamento de uma pensão vitalícia aos ex-pacientes, no valor de R$ 750,00.

No entanto, os filhos órfãos de pais vivos, também vítimas dessa decisão do Estado, não haviam sido indenizados e batalharam por justiça. Até que, em novembro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 3023/2022, que sucede à Lei de 2007 e institui indenização em formato de pensão vitalícia a eles.

DPU luta por direitos humanos

Nesse período, a Defensoria Pública da União buscou defender o direito das pessoas que foram afastadas da família por causa da política sanitarista governamental. Junto com o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que a indenização por parte do estado seja considerada imprescritível nesses casos.

Isso porque hoje no Brasil vigora uma regra que diz que “as dívidas passivas e qualquer direito ou ação contra a União, estados e municípios prescrevem em 5 anos contados da data no ato ou do fato do qual se originaram”.

O defensor público federal Gustavo Zortea, que atua no caso, conta que o pleito da DPU é justamente para retirar a situação dos filhos separados das pessoas atingidas pela hanseníase dessa regra geral. “Nós entendemos que o que essas pessoas sofreram não é uma violação comum. A pretensão ressuscitaria que elas têm contra o estado, lato sensu, não é comum. É uma pretensão que surge de uma política pública engendrada pelo estado de maneira sistemática e altamente violadora de direitos humanos”, explica.

O argumento da DPU na Suprema Corte é que quando a política pública, que devastou milhares de vidas, prescreveu as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade, muitas vezes eram crianças, e por isso não recorreram à justiça.

O defensor força que mesmo com a Lei 3023/2022, a DPU continuará a defender os direitos desses filhos de pais órfãos que possam vir a precisar de orientação jurídica.

Um pouco mais dessa história

Helena nasceu em 1961, no município de Itu, São Paulo. Recém-nascida, foi levada para a capital, que fica a aproximadamente duas horas de viagem. “Me trouxeram no mesmo dia para São Paulo, imagine a dor da minha mãe”, reflete.

A saudade do que poderia ter vivido caso tivesse conhecido a mãe acompanha Helena desde que ela entendeu o conceito de família e percebeu que isso foi tirado dela. No educandário, viveu por anos durante a infância e o início da adolescência, mas as lembranças não são boas. Depois, passou por diversas casas onde serviu de empregada doméstica não remunerada e teve experiências traumáticas. De acordo com ela, olhar para essa parte da vida traz muita dor.

Sendo mal tratada constantemente, Helena decidiu fugir de uma dessas casas e, por ficar escondida, perdeu o contato com a irmã por alguns anos. Só reatou o laço ao fazer 18 anos. Também foi nessa época que partiu em busca do paradeiro da mãe. Mas chegou tarde demais.

Quando finalmente descobriu onde ela estava, a mãe havia morrido há uma semana. Para as filhas deixou uma bíblia. “Percebi que dentro da bíblia que existe uma passagem “filho meu, filho meu, filho meu” que está grifada. É só essa parte que está grifada é marcada”, diz se agarrando nas palavras como a um carinho que não recebeu na infância. “Eu sou mãe de um menino de 30 anos. Quando ele nasceu meu maior desejo era amamentar ele. Eu fico imaginando o que minha mãe passou”, lamenta.

Da família Helena só conheceu a irmã, que também morava no educandário. “Eu não via a hora de completar 18 anos e ser livre. Era meu maior sonho”, lembra.

Afastada da família, a vida de Helena foi difícil. As lembranças mais antigas são de castigos. “Uma vez colocaram as meninas viradas para a parede, nuas com as mãos para o alto e apanhamos com vara de marmelo”, contou. “Eu também lembro que estava saindo da escola toda feliz e disse “amanhã não vai ter aula”, aí me empurraram e eu caí no pedregulho de joelho, eu tenho marca. Até hoje eu lembro da dor”, disse. “Eu lembro de outro: a mulher apertava a unha em cima da minha cutícula. Fiz isso em todos os meus dedos e eu tive muitas feridas altas”.

Hoje Helena é casada, mora em São Paulo e tem um filho. E assim como milhares de crianças que foram separadas dos pais e viveram como órfãos, luta por uma indenização do estado. É assistida da DPU.

Parceiro de luta

O Morhan, que ingressou com a DPU na ação que tramita no Supremo, ajuda a identificar vítimas da segregação imposta aos ex-doentes e filhos. Sua missão é possibilitar que a hanseníase seja compreendida na sociedade como uma doença normal, com tratamento e cura, eliminando assim o preconceito e estigma em torno dela.

O coordenador nacional do Morhan, Artur Custódio, esclarece que estabelecer uma indenização seria uma espécie de pedido de desculpas da sociedade, apesar de não ser suficiente para suprir o sofrimento dessas pessoas.

“A gente está lidando com um crime de direitos humanos. São pessoas que tem medo do escuro, por exemplo, porque foram separadas dos pais ao nascer, levadas a preventórios, sofreram diversos abusos, inclusive, questões relacionadas a tortura”, elucida. “São crimes que não prescrevem. O mal que foi feito a essas pessoas não pode ser comparado a batidas de carros”, reforça.

A hanseníase

Trata-se de uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae, que dá sintomas na pele e afeta os nervos das extremidades do corpo. É transmissível por meio da respiração, mas tem cura. Ninguém que tenha a doença precisa se afastar da sociedade, nem deixar de trabalhar ou ficar perto de sua família.