Muitas vezes na vida somos provocados a entrar em discussões, debates ou conflitos que, no fundo, não levam a lugar nenhum. A frase popular “Nunca lute com um porco. Vocês dois vão se sujar, mas o porco vai gostar” encapsula uma verdade poderosa sobre a sabedoria de escolher nossas batalhas. Atribuída ao escritor George Bernard Shaw, dramaturgo e ensaísta irlandês, essa máxima nos lembra que há situações em que, mesmo tendo razão, o simples ato de se envolver é uma derrota.
Shaw não era estranho a essa perspectiva. Em suas obras e discursos, como no prefácio da peça “Man and Superman” (1903), ele frequentemente criticava o comportamento humano irracional e a perda de tempo em disputas fúteis. Quando nos engajamos com quem se alimenta do conflito, mesmo sem intenção, acabamos nos rebaixando ao nível da discussão estéril e emocional — exatamente onde o “porco” se sente confortável e prospera.
Saber recuar não é fraqueza, é uma das maiores demonstrações de inteligência emocional. Daniel Goleman, psicólogo e autor do livro “Inteligência Emocional” (1995), aponta que reconhecer nossos próprios impulsos e resistir à necessidade de “vencer” um argumento é um sinal de maturidade emocional. Não se trata de orgulho ferido ou de covardia, mas da percepção clara de que nem todas as verdades precisam ser ditas, e nem toda provocação merece resposta.
Imagine uma situação simples: alguém no trabalho faz comentários maldosos para provocar você. A resposta automática seria revidar, defender-se, provar que está certo. No entanto, como ensinava Epicteto, filósofo estoico do século I, “não são as coisas que nos perturbam, mas as opiniões que temos sobre elas” (Enchiridion, cap. V). Se internalizarmos essa visão, perceberemos que o ataque não nos atinge a menos que permitamos.
Sociologicamente, Pierre Bourdieu, em seu estudo sobre as lógicas sociais, mostrou que muitas disputas são “jogos simbólicos” onde vencer não é uma questão de mérito, mas de adaptação às regras invisíveis do campo de batalha. Em outras palavras, quem entra na arena sem entender as regras do “jogo” (muitas vezes sujas) já está em desvantagem.
Recusar-se a lutar com porcos é, portanto, um gesto de sabedoria e de autopreservação. É colocar sua energia em lugares mais nobres, onde seu esforço é reconhecido e frutifica. Como dizia Sêneca, em suas Cartas a Lucílio (Carta LXXI), “a parte maior da vida passa-se a fazer o que não queremos, a dizer o que não sentimos e a ser o que não somos”. Escolher suas batalhas é, também, escolher ser verdadeiro consigo mesmo.
Na próxima vez que sentir a tentação de entrar em um conflito baixo e desgastante, lembre-se: há batalhas que não merecem nem a sua atenção, nem o seu tempo. Preserve-se, eleve-se e siga seu caminho com a dignidade de quem sabe que, às vezes, o maior ato de força é simplesmente não lutar.
“A paz interior vale mais que qualquer razão provada. Quando você se recusa a lutar com quem só quer o caos, você não está desistindo — está vencendo de um jeito que o outro nunca entenderá.”
Pare de lutar com porcos: a arte de escolher suas batalhas com sabedoria
GutembergFialho lança o livro Saúde, Brasília!
No dia 6 de junho, o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Gutemberg Fialho, lançou seu segundo livro, Saúde, Brasília!. A obra é uma coletânea de 100 artigos escritos entre 2007 e 2025. A noite de autógrafos, realizada no foyer do auditório da Associação Médica de Brasília, contou com a presença de mais de 150 pessoas, entre colegas médicos, profissionais da saúde e admiradores de seu trabalho.
A obra reúne textos selecionados dentre mais de 500 escritos ao longo de quase duas décadas, trazendo reflexões sobre a saúde pública, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), a garantia do direito constitucional à assistência médica universal e a transversalidade do tema saúde no conjunto das relações entre as pessoas, o ambiente em que vivem e a qualidade da prestação se serviços públicos à população ofertada pelo Estado.
Em seus artigos, Fialho vai além da visão técnica, discutindo a saúde como um fenômeno social e político. “Saúde é fenômeno que transpira humanidade em sua forma mais crua – é essencialmente humano, mas também coletivo. Portanto, é político por necessidade”, afirma o autor.
Esta não é a primeira incursão literária de Fialho. Seu livro anterior, Dr. Pinheiro, o médico de Brasília, prestou homenagem em vida ao cirurgião Francisco Pinheiro Rocha, um dos pioneiros na estruturação da saúde pública no Distrito Federal nos anos 1960. Agora, em Saúde, Brasília!, ele amplia o debate, criticando aos desvios da política de saúde e defendendo um sistema mais justo e acessível.
O prefácio foi escrito pelo renomado cirurgião pediátrico e deputado federal Zacarias Calil Hamú, que elogia a abordagem crítica de Fialho: “Ao escrever estes textos, Gutemberg também realiza um tipo de cirurgia: incisa a realidade com o bisturi da palavra e sutura, com firmeza e afeto, as brechas que ainda nos permitem acreditar numa saúde pública melhor.”
Fialho reforça que a luta por um sistema de saúde digno é também uma luta por direitos sociais, destacando a importância da mobilização coletiva. Com linguagem acessível e argumentos firmes, Saúde, Brasília! se apresenta como uma contribuição relevante para o debate sobre saúde no Distrito Federal e no Brasil.









Vaidade: o primeiro passo para a queda
Poucas coisas são tão sedutoras quanto a vaidade. Ela começa pequena: um elogio recebido, um olhar admirado, um sucesso alcançado. Mas rapidamente se transforma em um espelho distorcido, onde só enxergamos a nossa própria imagem. A vaidade é a raiz silenciosa da corrupção, porque alimenta o ego ao ponto de justificar qualquer desvio moral para manter a aparência de grandeza. É por isso que, como advertia Santo Agostinho, “é mais fácil combater a luxúria do que a vaidade, pois esta se disfarça de virtude” (Confissões, Livro X).
A vaidade se infiltra no coração humano quando o valor pessoal passa a depender da aprovação externa. Quando isso acontece, o indivíduo deixa de agir por convicção e começa a viver de aparências. Esse comportamento, embora socialmente aceitável, é perigoso, pois abre espaço para pequenas transgressões: mentiras para parecer mais competente, exageros para manter o status, omissões para não parecer fraco. Aos poucos, o indivíduo vai corrompendo a própria integridade para sustentar uma imagem ilusória.
O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau dizia que “o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. Uma leitura interessante dessa frase aparece quando pensamos na vaidade como produto do olhar do outro. Quando o valor de alguém depende da comparação social, da competição por reconhecimento e do medo de parecer pequeno, a vaidade se torna um combustível para atitudes desonestas. Políticos mentem, empresários fraudam, artistas vendem sua autenticidade – tudo para manter a fama, o poder, o prestígio.
Nietzsche, em “Além do Bem e do Mal”, fala sobre como muitas vezes confundimos o orgulho do espírito com uma virtude, quando na verdade é só vaidade intelectual. Essa vaidade “filosófica” leva o indivíduo a rejeitar qualquer ideia que não confirme sua superioridade, tornando-o incapaz de aprender e crescer. É a vaidade travestida de razão – e isso também é corrupção: uma corrupção do saber.
Na vida cotidiana, vemos isso nas redes sociais, onde a vaidade reina absoluta. Likes, curtidas, comentários – são moedas de vaidade que alimentam uma falsa sensação de valor. Jovens (e adultos) perdem tempo, saúde e até a paz tentando parecer bem-sucedidos, bonitos e felizes. Mas esse jogo é cruel. Quando o “eu real” não acompanha o “eu virtual”, instala-se uma crise silenciosa que pode levar à depressão, à ansiedade e à frustração. O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em “A Sociedade do Cansaço”, destaca como essa autoexposição constante é uma forma moderna de dominação: o sujeito acredita estar livre, mas está escravo da sua própria imagem.
É preciso, então, um ato de coragem para romper com a vaidade. Significa aceitar-se como é, reconhecer limites, fracassos e vulnerabilidades. É aí que começa a verdadeira liberdade. A sabedoria reside na humildade, pois como disse Sócrates, “só sei que nada sei” (Platão, Apologia de Sócrates). Quem reconhece sua ignorância está menos vulnerável à corrupção da vaidade, porque sua segurança não vem da imagem que projeta, mas da essência que cultiva.
Vaidade não é só um defeito moral: é o portal da queda. Toda corrupção começa com o desejo de parecer mais do que se é. Resistir a ela é o primeiro passo para viver com integridade.
A alma precisa de espaço: o tédio é o berço da criatividade
Vivemos numa era em que estar ocupado virou medalha de honra. A rotina acelerada, os compromissos empilhados e as notificações incessantes nos fazem acreditar que produtividade é sinônimo de valor pessoal. Mas como bem disse Austin Kleon, autor do best-seller Roube Como um Artista, “quando fico muito ocupado, fico idiota”. Parece provocador, mas é uma verdade que muitos criativos reconhecem na pele. O excesso de tarefas atrofia a mente criativa. O vazio, o tédio, o silêncio — esses sim são os verdadeiros catalisadores das grandes ideias.
Nietzsche já alertava: “A maior parte do pensamento acontece quando estamos caminhando sozinhos” (Ecce Homo, 1888). Ele sabia que o pensamento profundo exige espaço. E não é apenas uma questão filosófica — a neurociência também confirma. Estudos mostram que quando o cérebro entra em modo “default”, ou seja, quando não está concentrado em uma tarefa específica, ativa uma rede interna que favorece a introspecção, a criatividade e a resolução de problemas. Em outras palavras, precisamos desocupar a mente para que ela funcione no seu melhor.
Pense nas suas ideias mais geniais. Quantas delas surgiram no meio de uma reunião frenética? E quantas apareceram num banho demorado, numa caminhada sem rumo ou enquanto você encarava o teto? Pois é. Steve Jobs era conhecido por agendar longas caminhadas justamente para pensar. Ele entendia o valor do tempo vazio. Picasso dizia que “sem grande solidão, nenhum trabalho sério é possível”. E se o artista precisava de solidão, o ser humano comum também precisa de pausas para respirar e reorganizar o caos mental.
Infelizmente, nossa cultura aprendeu a demonizar o ócio. Somos ensinados desde cedo que “mente vazia é oficina do diabo”. Mas e se for exatamente o contrário? E se a mente vazia for a oficina de Deus, da arte, das descobertas, das revoluções interiores? O sociólogo Zygmunt Bauman, em Modernidade Líquida, fala sobre como o tempo moderno escorre entre os dedos, sempre apressado, sempre à procura do próximo compromisso. Ele alerta para o perigo de viver ocupado demais para viver de verdade.
Ter tempo livre não é preguiça, é investimento. É ali que a criatividade encontra espaço para florescer. É nesse intervalo que nos escutamos de verdade, sem o ruído externo que nos empurra para fora de nós mesmos. Se queremos viver com propósito e produzir com autenticidade, precisamos resgatar o direito de fazer nada — e fazer isso com prazer.
Então, da próxima vez que o tédio bater, abrace-o como quem encontra um velho amigo. Porque talvez, ali, no meio do nada, esteja a faísca da sua próxima grande ideia.
A MAÇONARIA BRASILIENSE ESTÁ EM FESTA
Na última quarta-feira (dia 04/06/2025), membros da Maçonaria do Distrito Federal e de outras unidades da Federação reuniram-se para prestigiar a posse do novo Venerável Mestre da Loja Maçônica Jacques De Molay, o advogado brasiliense Cícero Matos.
O evento contou com a presença do Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do DF, Cassiano Morais e de representantes de outras potencias maçônicas tais como o Grande Oriente do Brasil.
No ano de 2025, os maçons comemoraram 45 anos de existência da Loja Jacques De Molay, uma das Lojas mais tradicionais e influentes na maçonaria brasiliense e agora presidida por Cícero Matos.
Após a cerimônia de posse, foi oferecido um jantar aos convidados com decoração que enaltece os cavaleiros templários.


Viva o agora: porque o futuro não é garantido
A vida tem essa mania de nos empurrar para frente, como se tudo de mais importante estivesse sempre no “depois”: depois da faculdade, depois do emprego certo, depois do casamento, depois da aposentadoria. Mas enquanto isso, o presente — esse espaço sagrado onde tudo realmente acontece — vai sendo negligenciado como se fosse apenas uma ponte para algo melhor. A verdade é que o amanhã não é uma promessa, é só uma possibilidade. E se vivermos apenas esperando pelo próximo capítulo, corremos o risco de passar pela vida como meros espectadores.
O filósofo romano Sêneca, em sua obra Sobre a Brevidade da Vida, nos alerta: “Não é que tenhamos pouco tempo, mas sim que perdemos muito.” Essa afirmação, escrita há dois mil anos, continua atual. Perdemos tempo nos comparando, nos culpando, nos preocupando com um futuro que sequer sabemos se virá — enquanto o presente grita por nossa atenção. Sêneca nos convida a viver de forma intencional, reconhecendo que o agora é tudo o que temos.
Viver o presente não significa agir de maneira irresponsável ou ignorar os planos futuros. Trata-se de uma postura mais consciente e sábia: estar inteiro no que se faz, saborear a caminhada em vez de fixar os olhos apenas na linha de chegada. Thich Nhat Hanh, mestre zen vietnamita, dizia que “o milagre não é andar sobre as águas, mas andar sobre a terra verde no momento presente.” O milagre está em lavar a louça com presença, ouvir alguém com o coração aberto, sentir o sabor de um café como se fosse o primeiro. O ordinário, quando vivido com consciência, torna-se extraordinário.
Muita gente tem medo de desacelerar e viver o agora, como se isso fosse sinal de acomodação. Mas não é o contrário? Quando você está presente, você se torna mais produtivo, mais criativo e, acima de tudo, mais feliz. A pressa, alimentada pela ansiedade do futuro, nos rouba o prazer das pequenas conquistas. Como já dizia John Lennon, “a vida é aquilo que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos.”
Sociologicamente, vivemos numa era marcada pela “aceleração do tempo social”, como aponta o alemão Hartmut Rosa em sua obra Alienação e Aceleração. Para Rosa, essa obsessão moderna por velocidade e eficiência nos desconecta do que é essencial. O presente é comprimido, esvaziado, transformado num trampolim para um futuro que nunca chega. Ao invés de vida plena, cultivamos um estado constante de antecipação, que gera cansaço, frustração e sensação de vazio.
O presente é um presente — e desculpe o trocadilho. É nele que você sente, aprende, ama, cria. É onde sua existência se manifesta em forma de escolhas reais. Confiar que o futuro tomará conta de si mesmo não é ingenuidade, é maturidade espiritual. É entender que viver bem o hoje é a melhor forma de construir um amanhã mais leve.
Então, respira. Olha em volta. Ouve sua música preferida sem pressa, liga para aquela pessoa que você ama, escreve aquela ideia que você vive adiando. O futuro? Ah, ele que espere. O agora é onde a vida acontece.








