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sábado, abril 11, 2026
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Cachaça Remedin aposta em produção de doses orgânicas

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Produzida de forma artesanal e com cana cultivada no próprio alambique, a já famosa marca de cachaça Remedin abraça o mercado apostando na tradição da bebida brasileira aliada a processos orgânicos e controle rigoroso de qualidade. A marca lançou recentemente as doses orgânicas e prepara, para maio, a chegada da versão exclusiva da Jatobá, preparada em barril de Jatobá-do-Cerrado, completamente livre de agrotóxicos, ampliando a presença da bebida em novos públicos e formatos de consumo.

A proposta da Remedin, empresa fundada em 2020, parte de uma ideia simples, mas provocadora: “a diferença entre um veneno e um remédio está na dose”. O conceito, que inspira o nome da cachaça, dialoga com a cultura popular brasileira e com a relação histórica da bebida com a medicina caseira e os rituais cotidianos do interior do país.

Toda a produção da Remedin é feita com cana-de-açúcar cultivada e processada no próprio alambique, o que permite maior controle sobre cada etapa da fabricação, localizada na Fercal, região onde a empresa também realiza projetos sociais, como a inclusão de trabalhadores e assistência social. O método segue o modelo tradicional da cachaça de alambique, com as bebidas destiladas sendo preparadas em pequenos lotes, com fermentação natural e maturação em barris de madeira.

Contudo, para inovar em termos de tecnologia social, a empresa consolidou parceria com Sítio do Vovô Mandelli, para a aquisição de mais matéria-prima livre de agrotóxicos. Com isso, prepara a chegada de um produto completamente novo no mercado e que deve atrair a curiosidade dos adoradores de cachaças por todo o país.

A versão completamente orgânica da Remedin Jatobá, livre de agrotóxicos, deverá estar circulando no mercado local já a partir de maio deste ano, antes do Festival da Cachaça de Brasília, previsto para ocorrer no dia 27 de maio deste ano. “A Remedin Jatobá é uma cachaça orgânica. Somos a primeira cachaça orgânica certificada de Brasília, o que garante que não há uso de agrotóxicos no cultivo da cana”, explica o empresário João Chaves Marques Faria, herdeiro do grupo.

“Além da produção no campo, também garantimos que não haja contaminação cruzada em nenhum processo da agroindústria, do plantio ao engarrafamento. Isso significa que todo o processo é controlado para manter a pureza da bebida e respeitar o meio ambiente”, explica o empresário.

Para João Chaves, o mercado de orgânicos deverá ser uma das prioridades da empresa, uma vez que a apresentação da nova cachaça será carro-chefe da empresa durante o festival. “Com certeza, é um mercado que pode ser melhor explorado pela indústria da cachaça”, avalia o empresário.
Apesar de ser um dos destilados mais tradicionais do Brasil, o especialista aponta que o setor ainda tem grande potencial de crescimento. Para produtores artesanais, há espaço para ampliar a presença da cachaça em bares, restaurantes e mercados especializados, especialmente quando o produto valoriza qualidade e história.

Mais dessa história poderá ser conferida durante o Festival da Cachaça de Brasília 2026, que ocorrerá de 27 a 31 de maio na Arena BRB Mané Garrincha. O evento promete mais de 600 rótulos de 15 estados, shows ao vivo, workshops e gastronomia de boteco, oferecendo uma experiência imersiva na cultura da cachaça brasileira, com entrada gratuita

Criação

A Remedin carrega um forte componente familiar em sua origem. A marca foi criada por um herdeiro ligado à produção tradicional de cachaça, que decidiu transformar a experiência acumulada no alambique em um produto com identidade própria. “Percebemos um processo inverso em relação a outras marcas, quando os herdeiros não quiseram seguir com as empresas. Mas meu interesse foi construir uma empresa a partir de um projeto do meu pai”, afirma o empresário João Chaves.

A trajetória do alambique, no entanto, começou antes mesmo da criação da marca. A origem está ligada à saudade que os pais de João, Cid Faria e Cláudia Gomes, sentiam da autêntica cachaça de roça e das montanhas de Minas Gerais, da cachaça mineira. Esse sentimento levou a família a adquirir, em 2012, uma propriedade rural na região da Fercal, no Distrito Federal, mas ainda sem pensar em criar um alambique.

Nos primeiros anos, o sítio foi utilizado para outras experiências produtivas. A família investiu na criação de tilápias e também tentou desenvolver atividades de pecuária, mas os projetos não prosperaram. Diante das dificuldades, a decisão inicial era vender a terra, mas surgiu a ideia de apostar justamente na bebida que evocava suas origens e memórias: a cachaça artesanal.

Com a nova linha de doses orgânicas, a proposta é aproximar o consumidor da bebida e incentivar o consumo consciente, reforçando a ideia que inspira a marca: quando apreciada com equilíbrio, a cachaça pode ser mais do que uma simples bebida — pode fazer parte da cultura, da memória e das tradições brasileiras.

Quando o lobo devora o vizinho: a política da satisfação alheia

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A frase “a única alegria do rebanho é quando o lobo come a ovelha do lado” funciona como uma metáfora cruel, porém eficaz, para compreender dinâmicas recorrentes da política e do poder. Ela revela como, em contextos de medo, escassez ou competição, a sobrevivência simbólica passa a ser confundida com a desgraça do outro. Não se trata de felicidade genuína, mas de alívio momentâneo: enquanto o lobo escolhe outra vítima, o restante do rebanho sente-se provisoriamente seguro. 

Na política, essa lógica aparece quando grupos sociais aceitam perdas, violações de direitos ou injustiças desde que atinjam “o outro”: o vizinho, o adversário ideológico, a minoria estigmatizada. Thomas Hobbes, ao descrever o estado de natureza como uma guerra de todos contra todos, já indicava como o medo constante pode levar indivíduos a aceitar qualquer ordem que prometa proteção, mesmo que essa ordem seja desigual ou violenta. O problema é que o lobo não desaparece; apenas escolhe sua próxima presa.

Friedrich Nietzsche ajuda a aprofundar essa leitura ao tratar do ressentimento como força política. Para ele, quando indivíduos ou grupos não conseguem afirmar sua própria potência, passam a extrair prazer da punição ou do sofrimento alheio. A alegria do rebanho, nesse sentido, não vem da justiça ou da emancipação, mas da constatação de que alguém caiu antes. É uma alegria negativa, construída pela comparação e pela exclusão.

Alexis de Tocqueville, ao analisar as democracias modernas, alertava para o perigo da tirania da maioria, fenômeno em que o consenso coletivo se transforma em instrumento de opressão. Quando o rebanho aplaude a devoração da ovelha ao lado, legitima-se a ideia de que a violência é aceitável desde que tenha apoio suficiente ou um alvo conveniente. A política deixa de ser um espaço de construção comum e passa a operar como arena de sacrifícios sucessivos.

Já Michel Foucault contribui ao mostrar como o poder se sustenta menos pela força direta e mais pela normalização dessas práticas. Quando a sociedade se acostuma a ver o lobo agir seletivamente, internaliza-se a lógica de que alguns são descartáveis. O controle se torna mais eficiente justamente porque o rebanho passa a vigiar a si mesmo, torcendo para não ser o próximo escolhido.

Em tempos recentes, sociólogos como Zygmunt Bauman observaram como a fragmentação social e o enfraquecimento dos laços coletivos intensificam esse comportamento. Em uma sociedade marcada pela insegurança, a empatia se retrai e a política do “cada um por si” encontra terreno fértil. A alegria diante da queda alheia é, no fundo, um sintoma de medo compartilhado, não de força.

A metáfora do lobo e do rebanho expõe, portanto, uma armadilha central do poder: enquanto os dominados disputam entre si quem será poupado temporariamente, o predador permanece intocado. Entender essa dinâmica é um passo essencial para romper com a lógica que transforma a política em um espetáculo de devorações alternadas e impede a construção de solidariedades mais duradouras.

Do Mimeógrafo ao QR Code: José Sóter celebra novas tecnologias sem abrir mão da poesia*

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Quase cinco décadas depois de começar a rodar seus primeiros “livrins” em mimeógrafos espalhados por escolas públicas de Brasília, o poeta José Luiz do Nascimento Sóter olha para o presente com o mesmo espírito experimental que marcou sua geração. Para ele, a poesia sobrevive — apenas muda de suporte. “Ontem era o mimeógrafo. Hoje é o laser, o QR Code e até a Inteligência Artificial. O livro, como o rádio, vai durar, mesmo que como fetiche”, afirma o poeta ícone da Geração Mimeógrafo.
Para o também professor, livros atuais podem incorporar QR Codes que direcionam para áudios e vídeos com os próprios autores lendo seus poemas, ampliando a experiência e tornando as obras mais inclusivas, quase como uma evolução na história do livro. “Colocávamos cores nos livros mimeografados; agora colocamos voz e imagem”, resume.

Nascido em Catalão (GO), em dezembro de 1953, Sóter começou cedo a se encantar pela palavra. Ainda menino, fazia trovinhas e assistia aos desafios poéticos nos pagodes da roça. Lia o que chegava às pequenas estantes do interior: almanaques populares, romances de bolso e, mais tarde, clássicos da poesia brasileira e mundial. Durante a ditadura militar, recorda, as leituras eram limitadas pela censura — mas isso não impediu que a inquietação literária crescesse.

No fim da década de 1970, em meio ao ambiente político repressivo, jovens escritores de Brasília encontraram no mimeógrafo uma ferramenta de liberdade. Assim nasceu a chamada Geração Mimeógrafo, movimento que marcou a cena cultural da capital entre os anos 1978 e 1998.
A proposta era simples e radical: produzir livros de forma artesanal, fora do circuito editorial tradicional, e vendê-los diretamente ao público em bares, teatros e saraus. Não havia ISBN, código de barras ou contratos. “Havia pressa, criatividade e desejo de circulação”, avalia o eterno poeta.

Entre os nomes que despontaram naquele período estão Nicolas Behr, autor de Iogurte com Farinha, e Paulo Tovar, com A Feira. Sóter publicou Início e Fim nesse mesmo contexto. “Somos a única geração literária que tem o nome da ferramenta utilizada no próprio nome”, costuma dizer.
A poesia era marcada pelo humor e pela irreverência, dialogando com referências como Oswald de Andrade e Fernando Pessoa, numa tentativa de driblar o peso da censura com leveza e ironia.
Uma ideia na cabeça, um livro na mão

A dinâmica era quase cinematográfica. “Dormia-se com uma ideia e amanhecia com um livrim pronto para ser distribuído”, relembra. A circulação era “mano a mano”: os exemplares eram vendidos ou até lançados fisicamente ao público durante eventos. O uso do estêncil eletrônico permitia incluir ilustrações e experimentar diagramações.

A movimentação extrapolou o Distrito Federal e dialogou com outros polos da poesia marginal no Brasil, conectando Brasília a cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia.
Atualmente, Sóter enxerga continuidade entre o passado artesanal e as ferramentas contemporâneas, com a essência de sempre: democratizar o acesso à palavra. Livros atuais podem incorporar QR Codes que direcionam para áudios e vídeos com os próprios autores lendo seus poemas, ampliando a experiência e tornando as obras mais inclusivas. “Colocávamos cores nos livros mimeografados; agora colocamos voz e imagem”, resume.

*Educação e legado*

Professor por muitos anos, o poeta sempre incentivou a leitura como instrumento de liberdade crítica. Avalia que as novas gerações vivem sob uma avalanche de informações instantâneas e defende que a escola crie espaços de debate para contextualizar esse fluxo contínuo.

Prestes a completar 50 anos, a Geração Mimeógrafo segue ativa, segundo ele, sem hierarquias e aberta às novas vozes. Um espírito que define como coletivo: “sou porque somos”. E para quem deseja compreender a dimensão histórica do movimento, Sóter recomenda as obras Poesia Marginal, Política e Cidade, de Wélcio de Toledo, e As Margens do Tempo, de Erivelto Carvalho. Além do QR Code.

Paula Belmonte leva “cheque em branco” e denuncia risco bilionário no BRB

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Deputada denuncia risco de transferência de patrimônio público sem transparência e alerta para consequências à população do DF_

A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) marcou a sessão desta terça-feira (3) na Câmara Legislativa do Distrito Federal ao subir à tribuna com um cheque em branco endereçado ao governador Ibaneis Rocha, símbolo de sua posição contrária ao projeto de capitalização do Banco de Brasília (BRB). Paula defende que a proposta, que tramita como PL 2175/2026, transfere patrimônio público sem transparência e sem garantias, colocando em risco tanto os recursos do banco quanto a segurança financeira da população.

Durante seu discurso, a deputada criticou a falta de consistência do projeto e o que considerou uma transferência de responsabilidade indevida. “O que nós estamos fazendo aqui é um cheque em branco. É um cheque em branco, gente! Não tenho receio de falar isso, mas é um cheque em branco”, afirmou. Ela lembrou que já vinha alertando sobre os riscos em sessões anteriores e audiências públicas, destacando o endividamento dos servidores e a situação do IPREV e reforçando que os problemas são consequência da gestão do governo, e não da população.

A deputada também destacou o impacto social da medida. “Aqui nós não estamos falando de cada um dos senhores, nós estamos falando da família que está do lado”, disse, lembrando que a proposta afeta não apenas os 12 mil funcionários do banco, mas cerca de três milhões de brasilienses. Para ela, decisões dessa magnitude exigem responsabilidade e total transparência sobre os ativos envolvidos.

Paula ainda criticou a falta de informações sobre os nove terrenos incluídos no projeto. “Ontem, foi dada a palavra de que seriam entregues os registros e as avaliações dos imóveis. Nós não temos o registro sequer de três. Isso é um cheque branco ou é outra coisa?”, questionou. Ela alertou que aprovar a capitalização sem documentação completa representa um risco grave para o patrimônio público e para a credibilidade das instituições.

Ao final, a parlamentar reforçou seu alerta sobre os riscos do projeto e a responsabilidade de quem votar a favor. “Quem colocar o dedo nesse cheque em branco vai mostrar a decadência que é a seriedade da política do Distrito Federal”, afirmou. Com seu gesto simbólico, Paula Belmonte transformou a votação em um chamado por cautela, transparência e compromisso com a população do Distrito Federal.

Paulo Octávio: 90% dos brasileiros nunca visitaram Brasília

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Durante o Plano de Voo 2026, da Amcham Brasil — maior câmara americana fora

dos Estados Unidos e a maior associação multissetorial do Brasil — o empresário

Paulo Octávio destacou os diferenciais competitivos de Brasília. Segundo ele,

segurança e qualidade de vida são ativos estratégicos da capital. “Aqui ainda é uma

cidade onde se pode trabalhar, produzir e circular com tranquilidade”, afirmou.

Para o empresário, esse ambiente favorece investimentos e geração de negócios.

Paulo Octávio defendeu, ainda, o turismo como vetor de desenvolvimento

do DF. Ele lembrou que mais de 90% dos brasileiros nunca visitaram Brasília.

Para o empresário, ampliar voos e conexões internacionais é essencial.

Quando o queijo é de graça: poder, armadilhas e a política da ingenuidade

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A frase “ratos morrem em ratoeiras porque não entendem por que o queijo é de graça” funciona como uma metáfora simples e poderosa para compreender dinâmicas recorrentes da política e do poder. Na arena política, dificilmente algo é realmente gratuito. Benefícios inesperados, discursos excessivamente generosos ou soluções fáceis para problemas complexos quase sempre carregam intenções ocultas. A história mostra que muitos grupos sociais, partidos e até nações inteiras caíram em armadilhas semelhantes por não questionarem a origem e o custo real dessas “ofertas”. 

Nicolau Maquiavel, ao analisar os mecanismos do poder em O Príncipe, já alertava que a política não se move pela moral da aparência, mas pela lógica do interesse. Para ele, concessões nunca são neutras: quem oferece algo espera, no mínimo, obediência, apoio ou silêncio. O “queijo” político pode vir na forma de programas assistenciais mal estruturados, promessas eleitorais irrealizáveis ou narrativas simplificadas que exploram o medo e a esperança. O problema não está no benefício em si, mas na ausência de questionamento sobre quem controla a ratoeira.

Max Weber contribui para essa leitura ao tratar da dominação e de suas formas de legitimação. Segundo ele, o poder se sustenta quando os dominados acreditam que obedecer é racional, tradicional ou carismático. Muitas vezes, o “queijo grátis” serve justamente para reforçar essa crença. O cidadão aceita a vantagem imediata e, em troca, legitima estruturas que restringem sua autonomia no longo prazo. A armadilha não se fecha de uma vez; ela vai sendo ajustada lentamente.

Do ponto de vista sociológico, Pierre Bourdieu ajuda a entender como essas armadilhas se naturalizam. Ao falar de poder simbólico, ele mostra que a dominação mais eficaz é aquela que não parece dominação. Quando políticas são apresentadas como dádivas e não como direitos, cria-se uma relação de dependência. O rato não vê a ratoeira, apenas o queijo; o eleitor não vê o projeto de poder, apenas o benefício imediato.

Exemplos históricos não faltam. Regimes autoritários frequentemente ascenderam prometendo ordem, prosperidade rápida ou proteção contra inimigos difusos. Em troca, pediram confiança irrestrita e enfraqueceram instituições de controle. Em democracias contemporâneas, estratégias semelhantes aparecem em versões mais sutis: desinformação, populismo fiscal ou discursos antipolítica que, paradoxalmente, concentram ainda mais poder.

Entender por que o “queijo” é de graça é, portanto, um exercício fundamental de cidadania. Questionar intenções, analisar consequências e observar quem ganha e quem perde com determinadas propostas é a diferença entre participar do jogo político ou ser apenas parte do mecanismo. Na política, como na ratoeira, a ingenuidade costuma ter um preço alto, e a curiosidade crítica continua sendo uma das poucas formas eficazes de manter os dedos longe do gatilho invisível.